Lula manda em Haddad, Bolsonaro manda em Guedes, e FHC manda em quem?

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Charge do Aroeira (O Dia/RJ)

Eliane Cantanhêde
Estadão

Enquanto Fernando Haddad (PT) não perde uma chance de reforçar que é pau-mandado do ex-presidente Lula, Jair Bolsonaro (PSL) faz o contrário e põe nos seus devidos lugares o vice, general Hamilton Mourão, e o “Posto Ipiranga”, economista Paulo Guedes. Do hospital, onde continua ativo nas redes sociais, o capitão Bolsonaro cortou as asinhas do general Mourão, que estava doido para substituir o paciente em debates e sabatinas – ou seja, assumir o papel de candidato à Presidência. Bolsonaro foi direto: ou ele vai pessoalmente aos debates, ou ninguém vai.

Também cuidou de conter os arroubos do economista Paulo Guedes, que defende imposto único e avançou o sinal ao admitir a recriação da CPMF. “Chega de impostos”, bradou Bolsonaro, tarde demais. Os adversários estão fazendo uma festa e reforçando a percepção de que, como o candidato não entende nada de economia (aliás, não só de economia…), o governo seria, na prática, de Guedes. Ou do general, que já defendeu intervenção militar.

AMBIVALÊNCIA – Todo o episódio confirma o alerta do economista Persio Arida: que o “estatizante e corporativista” Bolsonaro vai para um lado e o “privatizante e liberal” Guedes vai para o outro. E aí, que governo sai dessa confusão, caso subam a rampa do Planalto? Ou, como indagam os apressados do mercado, que pularam cedo na campanha Bolsonaro por medo do PT: “E a autonomia do Guedes?”. Não é tanto assim, até porque presidente é presidente, ministro da Fazenda é muito importante, mas é só ministro.

Do lado oposto, Lula é a força e a fraqueza de Haddad. A mais contundente confirmação disso foi a forma tortuosa e sofrida com que reagiu à pressão para dizer se, eleito, iria ou não tirar Lula da cadeia via indulto. Foram muitos talvez, quem sabe, muito pelo contrário, até que o governador de Minas, Fernando Pimentel, disse o que parece óbvio: sim, Haddad no Planalto significa Lula fora da cadeia.

NÃO ATRAI VOTOS – Do ponto de vista eleitoral, trata-se do clássico “pregar para convertidos”, porque a ideia agrada a quem já naturalmente vota no PT. E não atrai votos de quem até simpatiza com o jeitão de Haddad, mas não é petista e não quer soltar Lula a qualquer custo, muito menos admite a volta dele no tapetão.

Foi por isso que, na milésima vez que lhe perguntaram a mesma coisa, Haddad jogou a toalha e garantiu que não, não vai dar indulto a Lula. Se é verdade ou não, não se sabe, mas ele mandou um recado para Pimentel, que teve de se retratar: ninguém fala por ele (a não ser Lula, claro).

FARTA MUNIÇÃO – Com essa balbúrdia, os dois favoritos dão farta munição a Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB) e Marina Silva (Rede). “O Brasil não aguenta mais um presidente fraco, que tenha de consultar o seu mentor”, atacou Ciro, ao lembrar o desastre Dilma Rousseff, outro “poste” de Lula. Ciro perdeu o segundo lugar para Haddad, mas tem uma vantagem sobre Alckmin e Marina: não caiu. Assim, se torna a opção mais à mão em caso de uma onda pelo “voto útil” de centro, contra os extremos.

Marina insiste numa campanha considerada elegante por uns e ingênua por outros, enquanto perde votos principalmente para Haddad. Ao contrário, Alckmin acordou, deu um pulo da cama e partiu para a guerra contra Bolsonaro e, no rastro, também contra Haddad. Suas peças na TV agora são duras, com cenas fortes, fazendo até conexão entre o Brasil e a Venezuela e entre Bolsonaro e Chávez. E foram reforçadas por uma carta de Fernando Henrique Cardoso contra a polarização.

Parece improvável que a guinada reverta a favor de Alckmin, mas pode quebrar a convicção antecipada de que a eleição será entre Bolsonaro e Haddad. No mínimo, é um alerta sobre o que pode vir por aí.

Desautorizado por Bolsonaro, Guedes cancela exibição do plano econômico

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Guedes teve de desmarcar importantes compromissos

Deu em O Tempo
(Estadão Conteúdo)

O economista Paulo Guedes, responsável pelo plano econômico do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), cancelou, no início da manhã desta sexta-feira, 21, sua participação em evento na Amcham (American Chamber of Commerce). Guedes faria uma apresentação do plano econômico do candidato.

A informação do cancelamento dessa agenda foi confirmada pela assessoria de imprensa da Câmara de Comércio. É o terceiro compromisso cancelado pelo economista de Bolsonaro, que também não participou do congresso que está sendo realizado pela corretora XP em São Paulo, onde Guedes falaria com investidores às 14h.

CREDIT SUISSE – Na quinta-feira, 20, o Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, informou que ele também não iria mais a uma reunião fechada com clientes do Credit Suisse Hedging Griffo (CSHG).

O motivo alegado pelos organizadores para o cancelamento, de acordo com fontes que haviam sido convidadas para o evento, seria “problema em agenda”. Procurado pela reportagem na quinta, o Credit Suisse HG não comentou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A eleição ainda não foi ganha, mas é impressionante a disputa de poder dentro da equipe de Bolsonaro, que é comandada pelos filhos. O fato positivo é que Paulo Guedes, um economista dedicado a vender este país por 30 dinheiros, já está de bola murcha e não apita mais nada. Bolsonoro precisa encontrar alguém que defenda os interesses do país e de seu povo. (C.N.)

 

‘É mais fácil boi voar de costas’, diz Ciro sobre apelo de FHC para unir o centro

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Ciro ironiza FHC, que só respeita o próprio ego…

Mariana Haubert
Estadão

O candidato à Presidência pelo PDT nas eleições 2018, Ciro Gomes, voltou a ironizar nesta sexta-feira, dia 21, o apelo feito nessa quinta-feira, 20, pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) que, em carta, pediu a união do centro político nas eleições de 2018. “É muito mais fácil um boi voar de costas. O FHC não percebe que ele já passou. A minha sugestão para ele, que ele merece, é que troque aquele pijama de bolinhas que está meio estranho por um pijama de estrelinhas. Porque, na verdade, ele está preparando o voto no Fernando Haddad (PT), porque ele não tem respeito a nada e a ninguém, a não ser ao seu próprio ego”, afirmou Ciro em um ato de campanha realizado no Núcleo Bandeirante, região administrativa de Brasília.

Ainda nesta sexta-feira, os presidenciáveis Guilherme Boulos (PSOL) e Marina Silva (Rede) também comentaram a carta do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Boulos chamou FHC de “hipócrita” e disse que a ascensão de Jair Bolsonaro é responsabilidade do PSDB. Já Marina disse que os tucanos enfrentam as mesmas dificuldades do PT.

POLARIZAÇÃO – A carta do ex-presidente tucano foi um pedido feito pelo seu partido diante da polarização entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) no primeiro turno da campanha presidencial. O candidato do PSDB, Geraldo Alckmin está estagnado nas pesquisas de intenção de voto e não tem conseguido deslanchar para poder brigar por um lugar no segundo turno.

Nesta madrugada, após o debate das emissoras católicas em Aparecida, Ciro já havia atacado FHC ao dizer que ele é “um dos responsáveis pela situação que nós vivemos”.

Ciro também voltou a criticar Bolsonaro ao afirmar que “só uma pessoa muito inocente, doida para ser enganada, acredita que o Bolsonaro vai dar 15 dias de atenção ao Paulo Guedes”, em referência ao economista da campanha do adversário.

Divergência – Guedes e Bolsonaro divergiram nesta semana depois de o primeiro propor a volta da CPMF, imposto sobre transações bancárias, e ser, logo em seguida, desautorizado pelo presidenciável.

A respeito, Ciro Gomes citou uma propaganda que era veiculada no interior do Ceará de um xarope que tinha como slogan: “só burro não toma Castaniodo”. E completou:

“O governo Bolsonaro não acontecerá porque eu vou pedir a Deus que ilumine a minha palavra para proteger o Brasil desse salto no escuro”, disse.

MACHISMO – Em entrevista à imprensa, Ciro também rechaçou a pecha de machista, disse que as mulheres irão salvar o Brasil do fascismo, prometeu que vai fiscalizar e multar empresas que pagarem salários menores às suas empregadas em funções desempenhadas igualmente por homens e disse que irá aumentar a pena para o feminicídio.

“As mulheres brasileiras e os mais pobres vão salvar o nosso País do precipício, do fascismo, do militarismo extremista radical. As mulheres brasileiras têm direito que o país reconheça o seu momento e o país tem que garantir aquilo que já está na regra: mulher que faz o mesmo trabalho de homem tem que receber o mesmo salário de homem”, disse.

COISA VERGONHOSA – O candidato afirmou ainda que irá combater a violência contra a mulher e aproveitou o tema para criticar os boatos de que teria agredido a ex-mulher Patrícia Pilar. “É uma coisa extremamente vergonhosa”, disse.

Nesta semana, a atriz e diretora gravou um vídeo divulgado em redes sociais para desmentir o rumor.

“Eu vou resolver isso, eu vou me vingar disso protegendo o povo brasileiro, especialmente as mulheres contra o nazifascismo que o senhor Bolsonaro representa”, completou.

Ciro está de volta ao jogo e pode até disputar a sucessão com Bolsonaro

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Ciro acha que passará  Haddad na reta final

Merval Pereira
O Globo

O resultado da pesquisa do DataFolha parece ter reaberto a possibilidade de surgir uma terceira via pelo centro contra os extremos. Ciro Gomes busca esse caminho de volta às suas origens, depois de ter flertado com a esquerda nos últimos anos. Se apresenta como centro político, nem esquerda nem direita, e parece estar mais conectado ao espírito dos tempos atuais, que favorece os candidatos mais assertivos, sem importar muito se suas promessas e ideias são factíveis. A disputa está tão radicalizada que o centro pode ser representado por Ciro, um político irascível e com ideias econômicas ultrapassadas, como proibir a fusão da Embraer com a Boeing.

A possibilidade de o eleitorado estar, afinal, buscando a via do meio faz com que candidatos mais genuinamente desse campo, como o tucano Geraldo Alckmin e Marina Silva, da Rede, animem-se. Seria um sinal de que os extremos em provável disputa num segundo turno preocupam o eleitorado.

MARGEM DE ERRO – O candidato tucano ficou estagnado, o que pode ser uma ótima notícia a esta altura do campeonato. Numa visão otimista, ele estaria empatado com Ciro Gomes na disputa do terceiro lugar, isto se diminuirmos dois pontos de Ciro e dermos mais dois para o tucano, num exercício de boa vontade na margem de erro.

É claro que Ciro também faz a leitura da margem de erro a seu favor. Se aumentarmos dois pontos para ele e diminuirmos dois de Haddad, o pedetista estaria empatado com o petista, numericamente à frente.

Mesmo Marina, que continua em tendência de queda, considera que a pregação de temperança na disputa política pode ir ao encontro do desejo mais recôndito do eleitor, que estaria envolvido por radicalizações políticas, mas despertou a tempo. Esse é o espírito de um filmete que está sendo divulgado por sua campanha na internet.

REJEIÇÃO – O petista Haddad, à medida que o eleitorado vai identificando-o como o candidato de Lula, aumenta também sua rejeição. Já mais de 70% dizem conhecê-lo bem, e mais de 60% o identificam como o candidato de Lula. Na pesquisa do DataFolha seu crescimento foi menor que o verificado pelo Ibope, mas as pesquisas foram feitas com métodos diferentes, e, sobretudo, em dias diferentes, e só uma próxima poderá afunilar os resultados em uma mesma direção, ou não.

Todos os candidatos de centro negam-se a unir-se em torno de um só nome, apesar de diversos apelos, e da reafirmação do auto-intitulado centro-democrático da necessidade de união para derrotar os extremos. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso escreveu, via Facebook, uma carta aos eleitores, onde se diz preocupado com a fragmentação política e social do momento e pede uma coesão política, pois ainda há tempo para deter a marcha da insensatez e evitar que o barco naufrague.

CAMPO DE BATALHA – A região nordeste, onde Lula, e agora Haddad, lideram com folga, é o novo campo de batalha para Bolsonaro, que tentará anular a força do petista na região. Mas Ciro também tem uma visão positiva do eleitorado nordestino, acreditando que conterá a subida de Haddad.

Na análise de sua assessoria, o slogan “Haddad é Lula e Lula é Haddad” funciona apenas na propaganda eleitoral, não é assim na vida real. Há um levantamento que indica que o desempenho de Lula no Nordeste, no passado, não foi diretamente relacionado com a votação de Ciro Gomes nos estados da região.

A votação de Ciro Gomes, comparando o pleito de 1998 ( quando foi eleito Fernando Henrique) com o de 2002 (eleito Lula), cresceu em quatro estados. Na Bahia, maior eleitorado da região, a votação de Ciro cresceu cerca de 40%. No Ceará, a votação cresceu cerca de 10%. Em um deles, Pernambuco, a votação foi em percentual praticamente semelhante. O petista cresceu de 1998 para 2002, tirando a maioria de seus votos de outros candidatos, entre eles do PSDB.

TUDO COMO ANTES – Esta realidade se repete agora. Ciro não perde votos na região para Haddad. Com base nestas informações, a avaliação é de que a votação de Ciro vai crescer na região, e que Haddad, para crescer, terá de repetir Lula e tirar votos de outros candidatos. Só que o candidato petista não é Lula nem carregará todos os votos de seu líder.

Pelo DataFolha, Haddad já conseguiu a transferência de cerca de 40% das intenções de voto em Lula, mas faltam pouco mais de 15 dias e sua subida, ao contrário do que aponta o Ibope, não está no ritmo necessário. Para chegar ao segundo turno, porém, Ciro terá que convencer o eleitorado de centro de que não é um mero apêndice de Lula. Por isso tem exacerbado suas críticas a Haddad e ao PT. Mas procura poupar Lula.

A erosão da prática democrática, em meio à polarização política no Brasil

Radicalismo marca o apoio a Bolsonaro e Mourão

Steven Levitsky
Folha

Uma boa Constituição não basta para fazer que a democracia funcione. A democracia depende de normas não escritas. Duas são especialmente importantes. A primeira é a tolerância mútua, ou a aceitação da legitimidade dos oponentes. Isso significa que, não importa o quanto possamos desgostar de nossos rivais em outros partidos, reconhecemos que eles são cidadãos leais, com direito legítimo a governar. Em outras palavras, não tratamos os rivais como inimigos.

A segunda norma é a indulgência. Indulgência significa abrir mão de exercer um direito legal. É um ato de autocontrole, uma subutilização do poder.

JOGO DURO – A indulgência é essencial para a democracia. Os políticos têm a capacidade de usar a letra de qualquer Constituição para subverter seu espírito, transformando instituições em destrutivas armas partidárias. Apontar juízes parciais. Conduzir impeachments em base partidária. Excluir candidatos de um pleito por conta de minúcias legais. O professor de direito Mark Tushnet define o método como “jogo duro constitucional”.

Observe qualquer democracia em colapso e verá uma abundância de jogo duro constitucional: Espanha e Alemanha na década de 1930; a Argentina de Perón; a Venezuela na era Chávez; Turquia, Hungria, Bolívia e Equador hoje em dia.

O que impede que uma democracia seja arruinada pelo jogo duro constitucional é a indulgência. É o compromisso dos políticos de exercerem de maneira contida as suas prerrogativas institucionais, sem utilizá-las irresponsavelmente como armas partidárias.

TOLERÂNCIA – As normas de tolerância mútua e indulgência são as grades de proteção informais da democracia. São elas que impedem que a competição política degringole para o tipo de disputa partidária impiedosa que destruiu as democracias da Europa na década de 1930 e as da América do Sul nas décadas de 1960 e 1970.

A democracia brasileira contava com essas grades de proteção informais, entre 1994 e 2014. O PT e o PSDB competiam vigorosamente, mas aceitavam um ao outro como legítimos. Não se tratavam como inimigos. E os políticos exercitavam a indulgência. Não houve interferência na composição dos tribunais, como aconteceu na Argentina de Kirchner ou na Venezuela de Chávez; não houve impeachments em estilo paraguaio; nem legalização de tentativas dúbias de reeleição por judiciários amistosos, como na Bolívia e Nicarágua.

Mas muita coisa mudou nos cinco últimos anos. À medida que a política se polarizava, a tolerância mútua desaparecia. Muita gente na direita agora vê o PT como ameaça existencial —uma força chavista determinada a se perpetuar no poder. E muitos petistas agora veem seus oponentes como golpistas ou até “fascistas”.

QUAISQUER MEIOS – A erosão da tolerância mútua encoraja o jogo duro constitucional. Quando vemos os rivais como ameaça à nossa existência, como chavistas ou golpistas, nos sentimos tentados a usar quaisquer meios necessários para derrotá-los.

É exatamente isso que está acontecendo agora. O Brasil viu um recuo acentuado na indulgência. O impeachment de Dilma não foi um golpe —foi inteiramente legal. Mas representou um caso claro de jogo duro constitucional. Dilma também se engajou em jogo duro constitucional. A indicação de Lula como chefe de sua Casa Civil, para protegê-lo contra processos, é um exemplo.

A exclusão de Lula da corrida presidencial também foi inteiramente legal. Mas os juízes aceleraram o caso, levando a lei aos seus limites. Lula não precisava ter sido condenado antes da eleição. Mesmo que essas ações sejam consideradas como justificáveis, as consequências são perturbadoras: os petistas acreditam ter sido tirados do poder ilegitimamente em 2016 e impedidos ilegitimamente de recuperá-lo em 2018.

INIMIGOS PERIGOSOS – No Brasil atual, setores importantes da esquerda e da direita veem uns aos outros como inimigos perigosos. Essa intolerância mútua coloca a democracia em perigo. Quando a política fica polarizada a ponto de vermos rivais como ameaça à nossa existência, o que tornaria sua eleição intolerável, começamos a justificar o uso de meios extraordinários —violência, fraude eleitoral, golpes —a fim de derrotá-los.

De fato, a crença de que o PT é chavista levou muita gente na direita a considerar medidas irresponsáveis. Como, por exemplo, votar em Bolsonaro, o candidato verdadeiramente autoritário que está na disputa, para derrotá-lo. A tolerância quanto a líderes e ações antidemocráticas, em nome de derrotar rivais odiados, ajudou a matar a democracia na Alemanha e Espanha na década de 1930, no Chile em 1973, e na Venezuela no começo da década de 2000.

A polarização nublou as percepções. Nem o PSDB nem o PT são uma ameaça à democracia. Os dois partidos deveriam ser rivais acalorados, mas não inimigos temidos. A verdadeira ameaça é Bolsonaro, e a tentação de apoiá-lo, gerada pelo medo. A centro-direita e a centro-esquerda do Brasil precisam perceber a gravidade da situação antes que seja tarde.

Steven Levitsky é cientista político, professor de Harvard
e autor do livro  “Como as Democracias Morrem”

Equipe de Bolsonaro delega área de infraestrutura a militares da reserva

General Ferreira (à esquerda) dirige o Comitê

Talita Fernandes , Mariana Carneiro e Julio Wiziack
Folha

O candidato Jair Bolsonaro (PSL) decidiu entregar a militares a área de infraestrutura do governo caso seja eleito presidente. Na última segunda-feira (17), o guru econômico do presidenciável, Paulo Guedes, teve seu primeiro encontro com o chamado Grupo de Brasília, que reúne militares da reserva interessados em ver suas propostas implementadas em um governo Bolsonaro.

As reuniões, realizadas a portas fechadas no hotel Brasília Imperial, na capital federal, foram a primeira tentativa de unir as equipes que orbitam ao redor de Bolsonaro e que, faltando poucos dias para a eleição, ainda trabalham desarticuladas.

PROJETO DE GOVERNO – O senso de urgência de consolidação de um projeto de governo se deu diante da melhora de desempenho nas pesquisas. Além da área de infraestrutura, as equipes trabalham na construção de um plano mais amplo como base de um eventual governo.

O primeiro diagnóstico é que, para o desenvolvimento de grandes projetos, a crise fiscal tem que ser enfrentada imediatamente e, por isso, estão sendo detalhadas propostas de reforma da Previdência e tributária, alem de desestatizações. Essas iniciativas estão sendo desenvolvidas sob liderança de Paulo Guedes. Os militares, por sua vez, assumiram a liderança nas áreas de infraestrutura e regulação.

GRUPO DE BRASÍLIA – Os temas vinham sendo discutidos separadamente por Guedes e pelo Grupo de Brasília. Mas, depois da reunião da última segunda, o tema passou às mãos do grupo liderado pelo general da reserva Osvaldo Ferreira, do qual também fazem parte os generais Augusto Heleno e Aléssio Ribeiro Souto, além do professor da UnB (Universidade de Brasília) Paulo Coutinho.

Uma sala de eventos do hotel tornou-se uma espécie de QG do grupo, que intensificou as reuniões depois que Bolsonaro foi hospitalizado. Eles avaliam que, com o afastamento do capitão reformado, as ações propositivas ficaram paralisadas, e passou a ser necessário municiar o candidato a vice, o general da reserva Antônio Hamilton Mourão, em suas aparições.

INFRAESTRUTURA –  O general Ferreira, cotado para assumir o Ministério dos Transportes caso Bolsonaro vença, trabalha no programa de infraestrutura desde setembro do ano passado. Formado na Academia Militar, desempenhou funções de engenharia durante sua passagem pelo Exército, principalmente em obras na Amazônia.

O grupo tem como meta terminar projetos em andamento e colocar em análise as cerca de 3.000 obras do governo federal que, segundo seu diagnóstico, estão paradas.

A pretensão é partir do plano de obras e concessões já pronto, elaborado pela EPL (Empresa de Planejamento e Logística), para concluir planejamento já feito por técnicos do governo federal.

CONTINUIDADE – O mantra da equipe é que tudo o que está paralisado merece ser continuado. São exemplos de projetos que receberão atenção a BR-163, que liga o Centro-Oeste a Santarém, a Transnordestina, a Ferrovia Norte-Sul e Angra 3.

O grupo também pretende converter concessões em autorizações, como forma de acelerar desestatizações. O processo funcionaria principalmente para rodovias, que seriam leiloadas em bloco para a administração privada.

A navegação de cabotagem e o setor de telecomunicações são outras prioridades que estão na linha de frente. A equipe de Bolsonaro pretende acelerar a tramitação no Congresso das regras de devolução de ativos à União, pelas empresas de telefonia que obtiveram concessões nos anos 1990. A avaliação é que isso está freando investimentos na área e impedindo o desfecho de uma solução para a Oi. Também sob o guarda-chuva de Ferreira estão os planos para as agências regulatórias.

PRIVATIZAÇÃO – A ideia é que o programa de privatização tenha como estratégia ampliar a venda de ativos de estatais, como subsidiárias de Banco do Brasil, Caixa e Petrobras, sem se desfazer do controle das empresas.

O economista também coordena a área tributária, em que a criação de um imposto único nos moldes de uma nova CPMF foi proposta. Após reação política à proposta, Guedes cancelou participação em eventos, como um do banco Credit Suisse, nesta quinta (20).

Pessoas ligadas a Bolsonaro dizem que há estudos também de uma alternativa menos drástica, de unificar apenas tributos federais para a criação de um IVA (imposto sobre valor agregado), que reuniria PIS, Cofins, IPI e CSLL. O norte das mudanças, dizem, é a simplificação tributária.

Ciro critica voto útil, mas confia nele para vencer Haddad no primeiro turno

Ciro diz ser o único que poderá vencer Bolsonaro

Andreza Matais
Estadão

A campanha do presidenciável Ciro Gomes (PDT) vai explorar em suas próximas peças pesquisas recentes que apontam o candidato como único a vencer com vantagem Jair Bolsonaro (PSL) no segundo turno. Coordenador da campanha de Ciro, o presidente do partido, Carlos Lupi, diz que a estratégia é tentar convencer o eleitorado, inclusive petista, de que o candidato tem hoje mais chances de “impedir o pior”. A avaliação da campanha é de que, com o discurso, podem ganhar os votos de “petistas lúcidos” que queiram ajudar a deter Bolsonaro.

O entorno de Ciro Gomes explica que os ataques ao PT não serão ideológicos, mas à gestão do candidato Fernando Haddad. A moderação será usada para não perder o apoio dos eleitores da sigla.

VALE TUDO – O desempenho de Ciro fez com que virasse alvo nas redes sociais. Pelo WhatsApp circula um meme no qual o famoso pé-frio Mick Jagger diz que vota no pedetista.

Já Marina Silva comemorou a informação do Datafolha de que os eleitores indecisos são, em sua maioria, mulheres. O entorno da candidata vê melhores chances de crescimento nessa parcela da população.

Para reverter a queda, Marina concentrará sua agenda onde teve bom desempenho nas eleições passadas, como Pará, Bahia e Pernambuco, para recuperar esses votos. A exceção é o DF, onde a equipe avalia que Jair Bolsonaro já está consolidado.

SALTO ALTO – Líder nas pesquisas, Bolsonaro não fará ajustes da campanha nessa reta final. O deputado Major Olimpio (SP) diz que o que precisava ser acertado já foi em jantar nesta semana e agora é tocar o barco. “Estamos a um Alckminzinho de vencer no primeiro turno. É coisa pouca”, provoca, citando seu rival.

Após a estagnação em 9 pontos de Geraldo Alckmin nas pesquisas, presidentes de partidos que compõem o Centro estão tendo de lidar com pedidos de candidatos ao Congresso para tirar dos santinhos a imagem do tucano.

QG de Bolsonaro quer evitar que Mourão e Guedes voltem a causar polêmicas

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Mourão agora só pode falar quando tiver certeza

Jussara Soares
O Globo

A cúpula da campanha do candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) determinou que seu vice, general Hamilton Mourão, e o responsável pelo programa de governo na área econômica, Paulo Guedes, sejam comedidos em suas declarações em público. Os dois poderão seguir com suas agendas de palestras para grupos fechados, mas foram orientados, com o aval do próprio Bolsonaro, a evitar a imprensa e fugir de temas polêmicos.

Em uma estratégia de contenção de danos após declarações controversas de ambos, a orientação é que o protagonismo volte a Bolsonaro como o único porta-voz da campanha. Internado há 15 dias no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, onde se recupera de um esfaqueamento, ele seguirá falando aos eleitores por meio de mensagens em suas redes sociais, vídeos ou em transmissão ao vivo pela internet, quando tiver a autorização da equipe médica.

MANCADAS – A determinação é consequência direta de declarações controversas da dupla nesta semana: Mourão afirmou que lares apenas com “mãe e avó” são “fábrica de elementos desajustados”, enquanto Guedes, em uma reunião com um grupo de investidores, teria sugerido criar um imposto nos moldes da CPMF.

Segundo interlocutores do PSL, ruídos como esse podem expor a campanha de Bolsonaro, líder nas pesquisas de intenções de votos, a um risco desnecessário.

Os efeitos da nova ordem já foram sentidos ontem. O general Mourão participou, em São Paulo, de uma palestra para empresários na sede da Abimeq, associação que reúne indústrias de máquinas e equipamentos. Diferentemente de outros eventos, foi conciso e evitou sair do seu roteiro escrito em três folhas de papel. Ao responder perguntas da plateia, também não se alongou em seus comentários.

BLINDAGEM – O militar da reserva, que sempre atende à imprensa, foi blindado pela assessoria do PRTB. Ainda durante o evento, jornalistas foram comunicados que o general Mourão não daria entrevistas. A determinação foi uma decisão do PSL.

Já o economista Paulo Guedes, após receber uma ligação de Bolsonaro, cancelou, alegando “conflito de agenda”, sua participação — também ontem —em um encontro com investidores em São Paulo. Hoje, o economista é esperado em um encontro na Amcham-Brasil.

Os discursos desencontrados forçaram a realização de uma reunião, na última terça-feira, da cúpula da campanha de Jair Bolsonaro.

UNIDADE – Além de discutir os rumos da candidatura nesta reta final, o objetivo era demonstrar unidade entre os principais aliados, entre eles Paulo Guedes, o presidente do PSL, Gustavo Bebianno e os filhos de Bolsonaro. Ali também ficou determinado que general Mourão, que não estava presente no encontro, não representaria Bolsonaro nos debates e sabatinas.

O clima de conciliação com que foi encerrada a reunião durou pouco. No dia seguinte, a cúpula foi acordada com a notícia da “nova CPMF” que obrigou Bolsonaro a fazer uma ligação a Paulo Guedes.

— O comandante é o Jair, todos os outros são soldados — disse o deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do presidenciável.

Haddad vira alvo dos rivais em debate sobre corrupção e crise econômica

Fernando Haddad

Alvaro Dias chamou Haddad de representante do caos

Pedro Venceslau e Ricardo Galhardo
Estadão

Com a ausência de Jair Bolsonaro (PSL), o candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, foi o alvo principal dos adversários durante o debate presidencial realizado na noite desta quinta-feira, 20, pela TV Aparecida, na cidade do interior paulista. Estreante num encontro entre os presidenciáveis, Haddad foi questionado sobre denúncias de corrupção envolvendo petistas e a crise econômica originada no governo da presidente cassada Dilma Rousseff.

Haddad assumiu a candidatura presidencial do PT somente no dia 11 deste mês, em substituição a Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso na Lava Jato e barrado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Conforme as mais recentes pesquisas, ele está em segundo lugar nas intenções de voto, atrás do líder Bolsonaro – o candidato do PSL permanece internado se recuperando de uma facada.

HADDAD X ALCKMIN – O debate desta quinta-feira, promovido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) no Santuário Nacional de Aparecida, também foi marcado pelo primeiro confronto direto entre Haddad e o tucano Geraldo Alckmin. O petista questionou Alckmin sobre sua posição em relação à reforma trabalhista e a emenda do Teto dos Gastos, aprovada no governo Michel Temer, com apoio do PSDB.

O ex-governador aproveitou a deixa para responsabilizar Dilma tanto pela crise econômica que gerou 13 milhões de desempregados quanto pelo fato de Temer ser o presidente. “Não precisaria a PEC do teto se não fosse o vale-tudo do PT que não tem limites para ganhar a eleição. São 13 milhões de desempregados, herança da Dilma e do PT. Quebraram o Brasil. O petrolão foi o maior escândalo do mundo”, disse Alckmin.

O petista respondeu que, se eleito, vai revogar a reforma trabalhista e o teto dos gastos e se defendeu citando mais uma vez a entrevista do ex-presidente do PSDB Tasso Jereissati ao Estado. “Quem se uniu ao Temer para trair a Dilma foi o PSDB. Ele que colocou o Temer com um programa totalmente contrário ao que foi aprovado nas urnas. Tasso Jereissati assumiu que o PSDB sabotou o governo desde a reeleição”, disse Haddad.

MEIRELLES E O PT – Henrique Meirelles (MDB), em outro momento, também afirmou que a crise “criada pelo governo da Dilma foi construída pela aplicação do programa do PT”. “Estamos vivendo o momento em que o Brasil saiu do fundo do poço, mas ainda tem milhões de desempregados.”

Haddad retrucou lembrando que o emedebista foi durante oito anos presidente do Banco Central no governo Lula. “Considero a ingratidão um dos maiores pecados da política.”

‘Você, Haddad, vem para essa campanha como representante do caos’, disse Alvaro Dias, na mais enfática censura ao candidato do PT, contudo, partiu do presidenciável do Podemos, Alvaro Dias. Em resposta a um questionamento do petista, Dias afirmou que o PT distribuiu a “pobreza para todos e a riqueza para alguns”. “Você, Haddad, vem para essa campanha como o porta-voz da tragédia, o representante do caos”, afirmou. “A família brasileira é vítima dessas desigualdades sociais.”

BOLSA FAMÍLIA – O petista respondeu a Alvaro Dias citando o Bolsa Família. “É um conjunto enorme de programas que foram geridos que fortaleceram a família e você parece desconhecer. Você fica no Senado, no seu gabinete, e parece desconhecer a realidade.”

Ciro Gomes, do PDT, tratou Haddad como “amigo”, mas reservou críticas ao partido adversário. Ao falar sobre reforma tributária, disse que o PT esteve no poder por 14 anos, mas não promoveu a reforma. “O grande pacto do PT com PSDB nunca permitiu mudar o sistema.” Haddad respondeu que Lula “fez uma das maiores reformas tributárias às avessas do País”.

O Ibope, em sua mais recente pesquisa, mediu as intenções de voto entre os católicos. Jair Bolsonaro lidera e, no dia 18, tinha 25%. Fernando Haddad estava com 21%, mas tinha 9% na pesquisa anterior. A transferência dos votos do ex-presidente Lula lhe deu 12 pontos entre os católicos. Ciro Gomes oscilou para cima, com 13% do eleitorado desta religião.

O que dizem as colunas de O Globo e Época sobre o momento político

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Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Mário Assis Causanilhas

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1 –
O Lula de 2018 está mais próximo do de 1989 do que daquele de 2002, que foi eleito presidente numa guinada de centro. Hoje, da cadeia, ele comanda a campanha de seu “poste”, que não se vexa em assumir abertamente esse papel. Haddad, diante da possibilidade real de chegar ao segundo turno, ensaia transformar-se em candidato “paz e amor”, que combina bem com seu jeito “tucano” de fazer política, mas não corresponde à realidade.

O PT de Lula só quer saber de pacificação circunstancialmente, por pragmatismo eleitoral. Eleito, Haddad fará um governo na linha petista ditada por Lula, radical e antidemocrática. O PT de 2002 na verdade nunca existiu, era só uma fachada para o grupo político chegar ao poder e atravessar os primeiros anos sem turbulência.

Já atuava fora da lei nos governos municipais que ganhara anteriormente à chegada ao Palácio do Planalto. E levou para Brasília os métodos viciados da baixa política sindical, comprando votos no Congresso, distorcendo a democracia. Quando se sentiu forte, voltou à sua origem, e gerou, na sequência de Lula e por causa de políticas populistas que se iniciaram quando Palocci saiu do Ministério da Fazenda, a maior recessão que o país continua a viver.(Merval Pereira)

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2 –
“No começo, quando perdia eleições, o PT ainda não havia conseguido pintar sua imagem como a do partido da inclusão social, era apenas de esquerda. Na primeira eleição este papel coube ao caçador de marajás, e nas outras duas foi cumprido pelo criador do Real. Somente depois de Collor e FHC, o PT conseguiria somar ao seu eleitorado de esquerda aqueles que queriam e os que precisavam de um Brasil mais justo.

O PSDB, que havia conduzido com sucesso um dos mais importantes programas de distribuição de renda do mundo, não conseguiu capitalizar o Plano Real e deixou-se transformar aos olhos dos eleitores num partido da elite branca. Cometeu muitos erros, como o da polêmica emenda da reeleição, que contribuíram para que a sigla que construiu a estabilidade da economia acabasse com a imagem de partido paulista.

O “nós contra eles” não foi uma invenção de Lula, existe desde a primeira eleição presidencial. O que Lula fez foi dar uma coloração de classe ao termo. O “nós” são os pobres e as minorias, e o “eles” são os ricos. Discurso simples para um eleitor majoritariamente simples. Discurso que funciona.” (Ascânio Seleme)

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3 –
Paulo Guedes também rebateu críticas do chefe da equipe econômica da campanha de Alckmin, Pérsio Arida. Disse que não se dedicou mais à vida acadêmica nem teve uma produção intelectual maior, conforme Arida mencionou em entrevista, porque foi obrigado a trabalhar cedo — o que teria lhe permitido fundar um banco (Pactual). Guedes disse não ser de “direita nem de esquerda”, mas uma “planta diferente, mais sofisticada”. Disparou contra o Partido dos Trabalhadores, que, segundo ele, fez “merda na economia”. (Murilo Ramos)T

Bolsonaro tem febre e passa por drenagem de líquido ao lado do intestino

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Há quatro dias, a recuperação causava entusiasmo

Deu no Correio Braziliense

Internado na Unidade de Terapia Semi-Intensiva do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, o candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, teve um aumento de temperatura e passou por uma drenagem para retirar uma coleção de líquido que surgiu ao lado de seu intestino.

TOMOGRAFIA – De acordo com um boletim médico divulgado pela equipe do hospital, o deputado foi submetido a uma tomografia computadorizada de tórax e abdômen, após apresentar uma elevação de temperatura, chegando a 37,7ºC, que é considerada uma febrícula. Foi esse exame que constatou a pequena coleção de líquido. A drenagem aconteceu sem intercorrências. O candidato segue com o dreno no local, mas sem dor.

Ainda segundo a unidade de saúde, Bolsonaro continua recebendo uma dieta líquida via oral, complementada por uma nutrição endovenosa (por soro), que tem sida bem aceita pelo organismo do candidato.

Bolsonaro está internado desde 6 de setembro, quando recebeu uma facada enquanto participava de um compromisso de campanha em Juiz de Fora (MG). Desde então, já foi submetido a duas cirurgias. Inicialmente, o deputado ficou hospitalizado na Santa Casa de Misericórdia do município mineiro. Depois, foi transferido para São Paulo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Foi uma notícia ruim. No caso clínico de Bolsonaro, febre indica reação do organismo a uma infecção bacteriana. A recuperação de Bolsonaro tem sido lenta e com intercorrências. Agora, além da bolsa da colostomia ou ileostomia, ele também suporta o dreno, para eliminar o líquido. Vamos orar e torcer para que o candidato se recupere o mais rápido possível. Se a maioria dos eleitores o escolher, que seja o presidente e faça como Itamar Franco – nos surpreenda. (C.N.)

Escrito há 2 mil anos, o “Manual da Pequena Política” continua atual

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O Globo

Comparar as campanhas eleitorais na Antiga Roma com a atuação política atual serve de escusa para os que fazem a “pequena política”, que alegam que esse toma lá dá cá existe desde sempre, mas também de ensinamento histórico para que prevaleça a “grande política” que predominava, principalmente, em Roma no século I d.C.

No início deste ano eleitoral, escrevi sobre o livro “A campanha eleitoral na Roma Antiga”, do historiador alemão Karl-Wilhelm Weeber. Nele havia referência a um pequeno manual da campanha eleitoral, atribuído a Quinto Túlio Cícero, para orientar seu irmão mais velho, o grande orador Marco Túlio, que foi eleito cônsul em 63 a.C.

ESTRATÉGIAS – Em boa hora a editora Bazar do Tempo está lançando a tradução em português do manual, com o título “Como ganhar uma eleição: Um manual da Antiguidade Clássica para os dias de hoje”. Nesse texto, Quinto Cícero enumera uma série de estratégias para uma campanha bem-sucedida. Algumas dessas, destacadas na apresentação por Philip Freeman, PhD por Harvard em Antiguidade Clássica, subsistem até hoje:

Prometa tudo a todos. Exceto nos casos mais extremos, os candidatos devem dizer o que um determinado grupo quer ouvir. Diga aos conservadores que você tem repetidamente apoiado valores tradicionais. Diga aos progressistas que você sempre esteve do lado deles. Depois da eleição, você pode explicar a todo mundo que adoraria ajudá-los, mas, infelizmente, circunstâncias fora do seu controle o impediram.

Cobre todos os favores. É hora de delicadamente (ou não tão delicadamente) lembrar a quem ajudou que eles são seus devedores. Se alguém não dever nenhuma obrigação a você, deixe que saibam que o apoio deles agora porá você em débito para com eles no futuro. E depois de eleito você estará em condições de ajudá-los quando eles precisarem.

Não saia da cidade. Na época de Marco Cícero, isto significava permanecer perto de Roma. Para os políticos modernos, isto significa estar no lugar certo, fazendo campanha corpo a corpo com os eleitores chave. Não existe dia livre para um candidato sério. Você pode tirar férias depois que vencer.

Puxem o saco dos eleitores abertamente. Marco Cícero era sempre educado, mas podia ser formal e distante. Quinto alerta que ele precisa ser mais receptivo com os eleitores. Olhe nos olhos deles, bata nas costas deles, e diga que eles são importantes. Faça os eleitores acreditarem que você se importa realmente com eles.

Dê esperança às pessoas. Até os eleitores mais cínicos querem acreditar em alguém. Dê às pessoas a sensação de que você pode tornar o mundo delas melhor, e elas se tornarão seus seguidores mais devotados — pelo menos até depois da eleição, quando você irá inevitavelmente desapontá-las. Mas nessa altura isso não fará mais diferença porque você já terá vencido.

ESTÁ VALENDO – O filósofo da política Newton Bignotto, especialista em Maquiavel, destaca em seu posfácio para o livro que esse contexto daquela Roma é mais próximo de nós do que pensamos: “Existia naquele tempo uma figura comum na cidade, que lembra nossos “operadores políticos”, os chamados repartidores (divisores). A função deles era dividir no interior das “tribos” o dinheiro legal ou, muitas vezes, ilegal que lhes era destinado por meio de “doações”. Alguém se lembrou do caixa 2 das campanhas, ou das “contribuições não contabilizadas”?

O problema era tão grave que várias leis foram aprovadas para tentar frear a influência do dinheiro nas eleições, como Alex Flavia, que regulava o funcionamento dos banquetes e festas. Quinto sabia que seu irmão precisava escapar dessas armadilhas, usando de todo seu poder de convencimento: um pretendente ao consulado que ignorasse essa realidade e se portasse de forma ingênua seria irremediavelmente derrotado.

BOM E HÁBIL – Indispensável, embora discutível do ponto de vista ético, diz Quinto Cícero, era a fusão, em um só indivíduo, do homem bom (bonus vir) e do hábil contentor (bonus petitor). Ele definia assim, com brutal franqueza: “A primeira é a característica de um homem honesto; a segunda, de um bom candidato”.

Candidatos devem dizer o que um determinado grupo quer ouvir, ensina o manual ‘Como ganhar uma eleição’.

“Deu asas ao passado, pousou na grama, na varanda e nos cômodos da casa”

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Delayne Brasil, inspirada no passado

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

A professora, cantora, compositora e poeta Delayne Brasil, nascida em Seropédica (RJ),  no poema “Um Canto”, recorda o passado que pousou na grama, depois na varanda e nos cômodos da casa.

UM CANTO
Delayne Brasil

Um canto
sem vista para o pássaro
deu asas ao passado
Pousou na grama, na varanda
nos cômodos da casa

Um canto
no pulo do gato
caiu no colo
esbarrou comigo
brincou com o cão

Um canto
carrapicho
na concha do ouvido
violão antigo
junto aos amigos
perto do chão

Um canto
pulando cerca
amarelinha
na roda, no pique
carrinho de rolimã

Um canto
onda de aroma
café da vizinha
bolinho de chuva
jaca-manteiga
pé de jamelão

Um canto alvo
sob o céu arregalado
carregou a pressa
dos meus passos
para este espanto plácido

Enquanto Ibope e Datafolha convergem, Bolsonaro diverge de Paulo Guedes

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Paulo Guedes criou uma confusão tributária

Pedro do Coutto

Na quase totalidade dos índices, o Datafolha diverge do Ibope apenas em relação a Ciro Gomes. As duas pesquisas convergem quando colocam Jair Bolsonaro e Fernando Haddad nas duas primeiras posições. Convergem igualmente quando colocam Ciro Gomes em terceiro. Entretanto discordam quanto o percentual atribuído ao ex-governador do Ceará. O Ibope o coloca com 11 e o Datafolha com 13 pontos. O Ibope acentua que o terceiro posto reúne também Geraldo Alckmin. O Datafolha não. Registra uma diferença de dois pontos de Ciro Gomes sobre o candidato tucano. O panorama das duas pesquisas é o mesmo, mas vamos ver se nas próximas pesquisas permanecem nas mesmas proporções as três primeiras colocações.

Enquanto isso, Jair Bolsonaro discordou amplamente de Paulo Guedes quando o economista anunciou a criação de um imposto único na base da antiga CPMF que elevaria a carga tributária do país. 

REINA A CONFUSÃO – Reportagem de O Globo, edição de ontem, destaca a confusão que Paulo Guedes causou na campanha de Bolsonaro. Foi chamada de primeira página também em O Estado de São Paulo, com base em reportagem de Tânia Monteiro e Leonardo Sato. Esta confusão deve acarretar reflexos em todo o país até que Bolsonaro dirija sua divergência de forma mais intensa. Ela se encontra desde quinta-feira nas redes sociais da Internet. Calculo que hoje seja matéria para os principais jornais do país.

O episódio, mais uma vez, ressalta o fato de que o poder não se transfere ou dá motivo para o enfraquecimento de governos e candidatos. O poder também não se divide, afirmação hoje histórica de Juscelino Kubitschek. Toda vez que a delegação de ideias ocorre, surgem contradições inevitáveis.

DISCORDÂNCIA – Paulo Guedes ocupou por 24 horas o espaço que cabe a Jair Bolsonaro. Paulo Guedes, destacado por Bolsonaro, inflou demais sua participação e adiantou uma ideia tributária, que, pelo visto não é da concordância do candidato do PSL.

Pois se fosse da concordância de Bolsonaro, este não teria desautorizado a colocação do economista-chefe de sua campanha. De tanto transferir a matéria econômica para alçada de Paulo Guedes, o Economista cresceu de importância e passou, no fundo, a tentar dividir o espaço do candidato a presidência com seu próprio espaço na assessoria. Foi uma espécie de hipnose que o atingiu, atingindo mais ainda o programa colocado por Bolsonaro junto ao eleitorado brasileiro.

ACIDENTE – Assim acontecem acidentes de peso nas jornadas eleitorais para a presidência do país. O efeito foi ruim, porém não creio que vá acarretar uma perda de votos para Bolsonaro. Os eleitores do candidato do PSL estão fechados com ele.

O tema em discussão, daqui para frente é sobre quem chegará ao segundo lugar, transferindo o resultado das eleições para 28 de outubro.

Todas as pesquisas ainda indicam supremacia dos indecisos, brancos e nulos

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Charge do Moises (mcartuns.wordpress.com)

Carlos Newton

O mais importante indicador das pesquisas é o quesito do chamado “voto espontâneo”, em que o eleitor responde em quem pretende votar, sem que lhe seja exibida pelo entrevistador a lista dos concorrentes. Esta é a pergunta mais importante, porque todas as demais são induzidas. O mais surpreendente dos resultados de todos os institutos, até agora, faltando duas semanas para o encerramento da campanha eleitoral, é que todos os institutos indicam que a eleição continua a ser vencida por indecisos, brancos e nulos. Nunca antes, na História deste país, se viu nada igual.

Este fenômeno indica simplesmente a decepção dos eleitores em relação à classe política como um todo, sem se levar em conta partidos e supostas ideologias que representem. O desapontamento é imenso, explica o fenômeno Bolsonaro, que é cada vez mais favorito a vencer no primeiro turno, e também justifica o grande número de indecisos, identificado na mais recente pesquisa Datafolha, que teve impressionante abrangência e ouviu 8.601 eleitores em 323 municípios brasileiros, tendo sido realizada nos dias 18 e 19 de setembro de 2018.

CONFIRMAÇÕES– A pesquisa espontânea do Datafolha aponta que os candidatos continuam sendo derrotados por 30% de indecisos, 11% de votos brancos e nulos e mais 3% que não sabem o que fazer. No total, 44%. E os números batem, porque a pesquisa do Ibope indicou 42% e a CNT/MDA 45%.

Ou seja, os três principais institutos constataram a mesma sisutação, entre 42% e 45% de indecisos, brancos e nulos, com empate na margem de erro.

Por fim, na pesquisa espontânea do Datafolha, Bolsonaro lidera com 24%; Haddad tem 11%; Ciro Gomes, 7%; Geraldo Alckmin, 3%; Lula, 3%; João Amoêdo, 2%; Marina Silva, Henrique Meirelles e Álvaro Dias, 1% cada um, e os restantes com menos de 1% ou zero.

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P.S.
No meu entender, por enquanto o que vale é a pesquisa espontânea, com Bolsonaro imbatível no primeiro turno, Haddad em segundo e Ciro Gomes em terceiro, mas ainda com chances, porque o candidato do PT tem teto e não conseguirá ultrapassar os votos que seriam dados a Lula, que nas pesquisas espontâneas nunca passaram de 20%. (C.N.)

Agora não dá mais tempo para ficar escolhendo seu candidato ideal

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Charge do Laerte (laerte.com)

José Carlos Werneck

Agora não dá mais para escolher nome que você acha que seria o melhor para governar o Brasil. Os que sobraram não foram o “crème de la crème”. Foram “la merde de la merde”. Se você se identifica com o Lula e acha que ele foi um excelente presidente, é um homem honesto e foi condenado injustamente, não tenha dúvidas, vote no Fernando Haddad. Caso contrário, vote no Jair Bolsonaro.

Votar nos outros candidatos, e muitos deles são bem mais preparados que os dois favoritos citados acima, é jogar seu voto no lixo, porque simplesmente não se conseguem votos suficientes para chegar ao segundo turno.

ESCOLHA PESSOAL – Votar é um exercício solitário. É uma escolha pessoal. Exerça o seu direito conscientemente. Se você gosta do Lula, vote no Haddad. Caso contrário vote no Jair Bolsonaro. Só uma coisa você jamais deve fazer: querer influenciar as outras pessoas, pedindo votos para o seu candidato.

Não mande e-mails ou mensagens pelas redes sociais, na tentativa de patrulhar suas escolhas. Isso só enche o saco de seus amigos ou conhecidos. Além do mais, o voto é secreto. E eu já estou de saco cheio de receber essas mensagens com pedido de votos. Nem as leio. Deleto todas!

Tenham todos, petistas e bolsonaristas, uma excelente eleição.

PSB entra no STF para impedir cancelamento de título eleitoral sem biometria

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Charge reproduzida do Arquivo Google

Deu no Correio Braziliense
(Agência Estado)

O Partido Socialista Brasileiro (PSB) entrou nesta quarta-feira, 19, com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para impedir o cancelamento do título de eleitores que não realizaram o cadastramento biométrico obrigatório. O relator do processo é o decano do STF, ministro Celso de Mello.

Segundo o partido, o objetivo da ação não é questionar a implantação da biometria pela Justiça Eleitoral brasileira, “mas tão somente impedir que sejam privados do exercício dos direitos políticos – notadamente do direito ao voto – os milhões de eleitores que não realizaram tempestivamente o recadastramento biométrico obrigatório”.

DIREITOS POLÍTICOS – O cancelamento dos títulos está previsto em resoluções do TSE. Para o PSB, as normas “restringiram gravemente os direitos políticos de gigantesco número de pessoas” e tendem a afetar muito mais os eleitores pobres do que os de classe média ou ricos.

Segundo o TSE, dos eleitores convocados em 2018 e que não compareceram para cadastrar a biometria, 5,6 milhões tiveram seus títulos cancelados e não poderão votar nestas eleições – só na Bahia o número chega a 1 milhão. Ao todo, 2.793 municípios utilizarão exclusivamente a biometria para identificar os eleitores no pleito de outubro.

Ao ingressar com a ação no STF, o PSB alegou que o número de eleitores que tiveram seus títulos cancelados é “elevadíssimo”.

Em sua petição, a legenda destaca que a diferença entre Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) no segundo turno das eleições presidenciais de 2014 foi inferior a 3,5 milhões de votos.

LEGITIMIDADE – “Além de eventual impacto sobre os resultados das eleições para o Congresso Nacional, Assembleias Estaduais e Chefias dos Executivos estadual e federal, ganha relevo o simples fato de que mais de 4 milhões de cidadãos brasileiros não poderão exercer o direito de votar em razão única e exclusivamente de não terem realizado o cadastramento biométrico. Trata-se de cenário que pode comprometer a própria legitimidade do pleito eleitoral”, alerta o PSB.

Na avaliação do PSB, como pessoas pobres têm “menor acesso à informação e maior dificuldade de cumprir exigências burocráticas”, tudo indica que a maioria dos eleitores que serão privados do direito do voto será composta por “cidadãos humildes”.

DESCONHECIMENTO – “Não bastasse, grande parte desses eleitores sequer tem conhecimento de que não poderá votar nas eleições que se avizinham, até porque não foram pessoalmente notificados da exigência de recadastramento e da consequência do não comparecimento. Não é preciso bola de cristal para antever os conflitos e tensões que advirão da descoberta, na boca da urna, de que foram privados do exercício do seu sagrado direito de voto. No ambiente já conturbado da vida política nacional, esse é um condimento de que o país certamente não necessita”, argumenta o partido.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Faz sentido a reivindicação do PSB, que deveria ser uma pauta suprapartidária. Quem possui título deve votar, pelo menos nesta eleição, em que a biometria ainda não atingiu a totalidade dos eleitores. (C.N.)

Asfalto e calçamento se tornaram sinônimo de corrupção na política

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jurema foi líder de JK na Câmara

Sebastião Nery

Uma tarde, tocou o telefone na liderança do governo na Câmara Federal. Era o presidente Juscelino. Pedia urgência urgentíssima na aprovação do crédito de 8 bilhões para o asfaltamento da estrada Rio-Bahia. Às 8 da noite, o líder Abelardo Jurema ligou para o Catete: – Crédito aprovado, presidente.

Juscelino saiu do Planalto, foi jantar na casa do empresário mineiro Marco Pólo. E fez os maiores elogios a Jurema:

– É o líder mais barato que eu já tive. Me dá tudo e não pede nada.

O empreiteiro Spitzman Jordan ouvia a conversa, saiu e foi à casa de Jurema:

– Dr. Jurema, acabei de ouvir o Presidente fazer as mais calorosas referências ao senhor. Percebi que o que o senhor lhe pedir, ele dá. Tenho uma construtora. O senhor poderia pedir ao presidente que recomendasse ao DNER para me entregar um dos trechos?

– Dr. Jordan, o líder só cuida de problemas políticos.

– Dr. Jurema, podemos ver a coisa sob o aspecto político. O senhor é o candidato do PSD ao governo da Paraíba. Uma campanha eleitoral, hoje, exige muitos recursos. Posso depositar 100 milhões à disposição do PSD da Paraíba, para ajudar o partido. E, ajudando o partido, assegura sua eleição.

Abelardo desviou o assunto, falaram de outras coisas. Mas Jordan insistiu no asfalto da Rio-Bahia. Jurema encerrou a conversa:

– Doutor Jordan, se o senhor me conhecesse melhor já saberia que não é esse o tipo de política que eu faço. De qualquer maneira, se o senhor quer fazer o pedido ao Presidente, procure a bancada da Bahia. O asfaltamento foi uma reivindicação dela. Problema administrativo eu só encaminho os da Paraíba e por delegação da bancada ou do governador.

No dia seguinte, Spitzman Jordan procurou o senador Rui Carneiro, líder do PSD da Paraíba :

– Seu Carneiro, seu amigo Abelardo Jurema vai morrer pobre.

No governo de João Goulart, Jurema foi ministro da Justiça. No golpe militar de 64, foi cassado e exilado. E morreu pobre.

VAI SAIR RICO… – Outra história antiga e exemplar. Draiton Nejaim foi prefeito de Caruaru, em Pernambuco, e era deputado estadual da Arena. Francelino Pereira, presidente nacional do partido, foi a Recife, Draiton encontrou-o:

– Dr. Francelino, pode pôr nos seus cálculos que a Arena vai derrotar o deputado Fernando Lira em Caruaru e tomar a Prefeitura do MDB. Sou candidato e vou ganhar. Agora vai ser tudo diferente. Da outra vez, quando fui prefeito da UDN, me acusaram de roubo e eu saí pobre, inteiramente liso. Para me eleger deputado e depois eleger minha mulher, foi um sofrimento, um sufoco. Não se pode fazer política sem dinheiro, sem muito dinheiro, sobretudo no Nordeste. Desta vez vou sair rico da Prefeitura. Nunca mais volto a ser pobre.

– Sair rico, como, deputado? O senhor sabe o que está falando?

– Sei, sim, presidente. Vou roubar mesmo. Mas não vou roubar para mim. Vou roubar para nosso partido. Roubar para ter dinheiro e nunca mais a oposição ganhar eleição em Caruaru.

Francelino ficou perplexo:

– Mas isso é uma confissão louca, deputado. Não pode ser, o partido não pode permitir nem sequer ouvir isso. Seria um escândalo.

– Não, dr. Francelino, não vai ter escândalo, não. Ninguém fica sabendo. Tenho uma receita perfeita: calçamentos e aterro. Ninguém mede, nem conta nem pode fiscalizar calçamento e aterro.

Draiton derrotou o MDB, reelegeu-se prefeito de Caruaru. Não sei se cumpriu a palavra. Mas, só fez calçamento e aterro.

Asfalto e calçamento eram sinônimos de progresso. Tornaram-se símbolo de corrupção.