Empate com a Suíça aumenta o atual jejum de vitórias no Brasil nas Copas

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Gabriel de Jesus sofreu pênalti, mas o juiz não marcou

Deu em O Globo

Com o empate em 1 a 1 contra a Suíça, na estreia da Copa de 2018, o Brasil chegou ao seu terceiro jogo seguido sem vitórias em copas. A sequência de jejum só é superada pelo período entre 1974 e 1978, quando a seca foi de quatro partidas. Se o time de Tite não bater a Costa Rica, na próxima sexta (22), o recorde negativo será igualado.

O jejum atual tem requintes de crueldade, pois foi iniciado pela goleada de 7 a 1 aplicada contra a Alemanha. Na disputa de terceiro lugar, outra derrota acachapante, dessa vez por 3 a 0 contra a Holanda. Agora, um empate contra a Suíça. A sequência antiga tem a derrota para a Holanda por 2 a 0 e para Polônia por 1 a 0, na Copa de 1974. No início da Copa de 1978, foram dois empates: 1 a 1 contra Suécia e 0 a 0 com a Espanha.

O lado bom é que agora a seleção brasileira vai enfrentar a Costa Rica, teoricamente o time mais fraco do grupo. E o retrospecto também joga a favor do Brasil. Além da Costa Rica ser um habitual freguês, o Brasil nunca foi eliminado nesse sistema atual de fase de grupos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGFalta um maestro que comande o time dentro de campo, porque é um time sem lideranças. (C.N.)

No desespero, governo vai dizer nas redes que herdou “batata quente” do PT

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A alegria e a animação da “troika” são impressionantes


Andreza Matais
Estadão

No momento em que o presidente Michel Temer enfrenta seu pior índice de rejeição (82%), o governo fará um contra-ataque nas redes sociais para dizer que está tentando resolver problemas que herdou dos governos do PT. Em dez vídeos de um minuto e meio, que começam a ser divulgados nesta segunda-feira, atores contratados pela equipe digital do Planalto dizem que Temer assumiu “a batata quente” e que “na economia não existe solução mágica”. “Temer se colocou como uma ponte para tirar o País da lama e levar para um local legal”, diz uma atriz.

Num dos vídeos, a que a Coluna do Estadão teve acesso, um ator frisa que “Temer encontrou o Brasil com índices de um país em guerra”. E compara: “É como se o presidente estivesse reformando a casa com a pessoa morando dentro”.

CAMINHONEIROS – A greve dos caminhoneiros é um dos assuntos abordados na nova campanha do governo. Vai mostrar que os motoristas não tinham reivindicações atendidas desde 1998, quando fizeram uma grande paralisação.

Um dos vídeos previstos no roteiro era para dizer que a PF tem liberdade para atuar. A gravação, porém, foi suspensa. Desde que assumiu, Temer já substituiu duas vezes o diretor-geral da instituição.

VAGA DE EMBAIXADOR – Com o Supremo derrubando a prerrogativa de foro para tudo quanto é cargo, vagas de chefe de missão diplomática no exterior e de embaixador passaram a ser cobiçadas por políticos. Os ocupantes ainda mantêm o privilégio.

Aliados do presidente Temer voltaram a especular a possibilidade de ele ser nomeado embaixador no exterior no fim do governo justamente para que as investigações contra ele não baixem para a primeira instância.

Gestão do grupo Odebrecht já se transformou numa briga em “famiglia”

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Desprezado pelo filho, Emilio tenta se reaproximar

Gustavo Schmitt
O Globo

Emílio Odebrecht, patriarca da empreiteira, deu mais um sinal de reaproximação com seu filho Marcelo Odebrecht. Em carta ao juiz Sergio Moro, Emílio afirma que autorizou a reforma no Sítio de Atibaia, frequentado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sem o conhecimento de Marcelo. A declaração ocorre um ano após Emílio prestar o primeiro depoimento a Moro. Na ocasião, ele não manifestava preocupação explícita de poupar o primogênito.

O documento foi anexado, na noite desta quarta-feira, no processo em que o ex-presidente é acusado de se beneficiar de reformas feitas no no sítio, no valor de R$ 1, 05 milhão, pelas empreiteiras como Odebrecht, OAS e pelo pecuarista José Carlos Bumlai.Lula foi condenado a 12 anos e um mês de prisão por um tríplex no Guarujá e cumpre pena desde 7 de abril na sede da Polícia Federal em Curitiba.

AMIGO DE LULA – Na mensagem, Emílio reitera que a relação com o ex-presidente Lula nunca contou com nenhuma interferência do filho:

“As mencionadas benfeitorias no sítio foram realizadas com minha autorização, sem qualquer participação de Marcelo. Após receber, via Alexandrino Alencar (ex-executivo da empreiteira), o pedido a ele realizado por Marisa Letícia, autorizei e determinei a execução das referidas obras com os recursos humanos e financeiros advindos da CNO (Construtora Norberto Odebrecht) em São Paulo e, para tanto, não consultei previamente qualquer outro executivo da Odebrecht, nem mesmo avisei Marcelo sobre o pedido”.

BRIGALHADA – Emílio e Marcelo tem relação conturbada. Eles chegaram a romper relação durante as tratativas de colaboração premiada da empresa. Marcelo teria se sentido injustiçado com o acordo. Recentemente, porém, pai e filho têm feito movimentos de reaproximação. Em abril, eles divulgaram um comunicado conjunto em que prometiam preservar a empresa. Mas desde que deixou a prisão em dezembro, Marcelo trava uma guerra nos bastidores contra executivos da cúpula da Odebrecht.

A carta tem data da última quarta-feira. A declaração foi feita por Emílio poucas semanas após Marcelo derrubar o executivo Newton Souza, que deveria ocupar a presidência do conselho de administração da empresa, segundo o jornal Folha de S.Paulo. O conselho é a instância de decisão mais importante da empresa.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGEmilio Odebrecht faz de tudo para agradar o filho, mas Marcelo permanece irredutível e não aceita encontrar o pai. Em sua coluna de O Globo, Lauro Jardim revela que “o alto comando da Braskem anda preocupado com o que pode respingar na empresa a partir do embate entre Marcelo Odebrecht e Maurício Ferro, diretor-jurídico da Odebrecht. Marcelo quer porque quer que Ferro, seu cunhado, deixe a empresa. Possui trocas de e-mails comprometedoras com Ferro dos tempos em que o seu atual desafeto era diretor da Braskem”. Ou seja, a briga do filho com o pai está contaminando a famiglia. (C.N.)

O calor animal daquela amada pessoa, na visão poética de Mário Quintana

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Site Poemas & Canções

O tradutor, jornalista e poeta gaúcho Mário de Miranda Quintana (1906-1994), no poema “Bilhete com Endereço”, fala do querer, do amor e do desejo que ele quer daquela pessoa, ou seja, o calor animal dela.

BILHETE COM ENDEREÇO
Mário Quintana

Mas onde já se ouviu falar
Num amor à distância,
Num tele-amor?!
Num amor de longe…
Eu sonho é um amor pertinho
Um amor juntinho…
E, depois,
Esse calor humano é uma coisa
Que todos – até os executivos – têm.
É algo que acaba se perdendo no ar,
No vento
No frio que agora faz…
Escuta!
O que eu quero,
O que eu amo,
O que desejo em ti,
É o teu calor animal!…

Para esvaziar a Lava Jato, Gilmar alega que a política está sendo “criminalizada”

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Gilmar Mendes se dedica a inviabilizar a Lava Jato

Carlos Newton

O ministro Gilmar Mendes é uma personalidade bipolar, ao mesmo tempo repelente e absorvente, realista e ilusório, tudo nele parece ter duas versões que vivem a surpreender a opinião pública.  É capaz de canalhices extremas, como buscar brechas na lei para libertar criminosos de alto coturno e sem nenhum caráter, verdadeiros espoliadores do povo, e o faz de maneira até prazerosa, alegando que não oferecem ameaça ao povo, que é explorado justamente por eles, como no casos dos transportes.

Simultaneamente, o ministro bifásico pode encontrar uma maneira brilhante de denunciar algum problema social de interesse comum, e assim receber manifestações de apoio. Com tanta bipolaridade, Gilmar Mendes poderia ser um relançamento da “Metamorfose Ambulante”, de Raul Seixas, do romance “O Médico e o Monstro”, de Robert Louis Stevenson, ou do “Duas-Caras’, criado por Bob Kane e Bill Finger nas histórias do Batman.

PAPEL RUIM – Nisso tudo, a única coisa certa é que Gilmar Mendes faz o papel de um personagem ruim, é o bandido do filme, embora tenha momentos de genialidade.

Uma das características mais interessantes é que ele não se preocupa com sua imagem pessoal ou profissional. Por exemplo, embora não tenha lábios grossos, desenvolveu um rictus que lhe adorna o rosto com uma estranha beiçola, podem fotografar à vontade, que ele não está nem aí.

E no Supremo ele é capaz de libertar cerca de 20 pessoas, em série, sob o mesmo argumento de que os crimes estão distantes no tempo, embora alguns réus tivessem delinquido até 2017, sem distância alguma. Mas nos alvarás de soltura as justificativas são idênticas, Gilmar Mendes não muda uma vírgula, está pouco ligando para o que pensam dele.

AMIGO E MENTOR – Amigo íntimo do presidente Temer, cujo mandato salvou em 2016 ao presidir um julgamento dele, na verdade o ministro do Supremo hoje atua como uma espécie de mentor do chefe do governo, uma versão moderna de Rasputin, imberbe e calvo.

No momento, ele se dedica a inviabilizar a Lava Jato e a nova tese criada por ele é a “criminalização da política”, que está sendo usado como justificativa da chamada Operação Abafa. Semana passada, em entrevista a Roberto D’Ávila na GloboNews, Gilmar Mendes deu mais um passo nesse sentido, ao lamentar a “projeção exagerada e indevida da Lava Jato”.

 “Toda essa bem-sucedida Operação Lava Jato, que é digna de elogios, levou também ao desaparecimento da classe política, dos partidos políticos. Por isso, ela passou a ter uma lógica própria. Veja que a Lava Jato passou a propor medidas legais, questionar medidas judiciais, a discutir aspectos que transcendem de muito a sua própria competência, a sua própria atribuição, a atribuição dessa chamada força-tarefa”, disse.

FIM DO CONGRESSO – Para arrematar sua tese da “criminalização da política”, o ministro lamentou então “o desaparecimento do Congresso com seu papel de contemporização, de moderação e de enfrentamento”, levando a que “essa organização, a Operação Lava Jato, ganhasse uma projeção talvez exagerada e claramente indevida”.

Gilmar Mendes não comenta diretamente, mas o fato concreto é que o Planalto e o Congresso sonham com uma anistia à corrupção política, a ser votada pelo Congresso após a eleição, aprovada por maioria simples e sancionada por Temer, para passar uma borracha na Lava Jato. Esta possibilidade foi prevista no ano passado pelo jurista Jorge Béja e agora vem sendo noticiada erradamente pela mídia como “indulto”.

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P.S. 1
 – Na terça-feira passada (dia 12), em O Globo, o excelente jornalista José Casado tocou no assunto, citando-o como uma manobra suprapartidária em andamento. 
Parece difícil de acreditar, mas a iniciativa existe, mesmo, é a última cartada dos corruptos para esvaziar a Lava Jato.

P.S. 2 – Pessoalmente, acho um maluquice, tenho certeza de que não dará certo, fracassará igual à tentativa de anistiar o Caixa 2, que Rodrigo Maia quis colocar em votação e não conseguiu. Mas minha opinião não interessa a eles.  (C.N.)

O empate da seleção não foi nada bom, mas desanimar é muito pior

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Gabriel de Jesus sofreu pênalti, mas o juiz não marca

Pedro do Coutto

Claro, o empate com a Suíça não pode ser considerado um bom resultado para a Seleção Brasileira. A lentidão da equipe nas saídas de bola facilitou a marcação dos suíços. A arbitragem nos prejudicou, mas são coisas do futebol. Nossa atuação foi apenas regular, troca de passes muito curtos reduziu nosso espaço. Mas não devemos desanimar.

Por falar em desânimo, pesquisa do Datafolha publicada na edição de ontem da Folha de S.Paulo, analisada por Ana Paula de Souza Pinto, revelou uma realidade muito ruim para o Brasil: 62% dos jovens estariam dispostos a sair do país se tivessem condições para tal. Esses 62% da juventude correspondem a média geral de 43%. Portanto, quase a metade da população brasileira encontra-se insatisfeita com o governo e com a política de modo geral.

PESSIMISMO – Consideram-se jovens, para efeito de pesquisa os que têm de 16 a 34 anos de idade. Trata-se de um problema que necessita ser combatido pelos governantes, uma vez que num clima de pessimismo como esse torna-se quase impossível acreditar no futuro ou projetar ideias construtivas para a população.

A sociedade do país, neste momento, acentua uma sensação de descrédito em torno de si, plenamente procedente. Porque, afinal de contas, todos concordam que nas duas últimas décadas a economia brasileira foi diretamente assaltada por vários bandos de ladrões.

Apesar de alguns poderosos estarem presos, o que não deixa de representar um fato inédito na história do país, a questão dominante é que o desânimo decorre da falta de qualquer perspectiva de recuperação, como ressaltam, por exemplo, as pesquisas eleitorais, tanto as do IBOPE quanto as do Datafolha.

PRESIDENTE CORRUPTO – Imaginar que um presidente da República seria alvo de duas denúncias de corrupção configuradas pelo Supremo Tribunal Federal e que só não tiveram consequência porque a Câmara barrou a licença para seus processos, isto já representa um fato altamente negativo. E não só isso. Estamos na véspera de uma terceira denúncia. Como se isso não bastasse, um ex-presidente da República encontra-se preso cumprindo sentença da Justiça. Por aí se vê a que ponto desceram os conceitos de honestidade no Brasil.

O maremoto da corrupção chegou a abalar fortemente os alicerces da Petrobrás, tornando-se desnecessário citar o caso do BNDES que em 2005 liberou crédito de 8 bilhões de reais para o grupo JBS. Empréstimo com juros favorecidos acentuadamente.

Enquanto os assalariados perdiam a corrida contra a inflação, empresários como Joesley Batista e Marcelo Odebrecht irrigavam com dinheiro fontes do poder nacional. Na realidade, a corrupção atingiu o grau de uma epidemia alucinada e alucinante, na medida em que os agentes da corrupção, tanto os corruptos quanto os corruptores. perdiam a noção de qualquer limite.

SALÁRIO EM BAIXA – Enquanto isso a população do país tinha seus vencimentos oriundos do trabalho rebaixados seguidamente. De forma disfarçada, mas real, uma vez que os reajustes ficavam abaixo da inflação do IBGE.

Por fim, o desemprego atingiu a escala que varia entre 12 a 13% da mão de obra ativa do Brasil. Estamos assistindo a um desemprego que atinge duramente 12,5 milhões de brasileiros e brasileiras. É demais. 

Mas torcer contra o Brasil é pior ainda.

Uma coisa é certa – os arapongas estão furiosos com o governo Temer

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Charge do Frank (Arquivo Google)

Vicente Nunes
Correio Braziliense

O governo Temer, tão cioso de agradar os militares e as forças de segurança, anda bastante desgastado com uma parte desse grupo. Os arapongas da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) ficaram furiosos com as informações de que falharam ao não alertar o governo dos riscos da paralisação dos caminhoneiros.

Foi o próprio Planalto que espalhou isso reservadamente. Mas os agentes da Abin afirmam que mandaram robustos relatórios para a Presidência da República nos últimos meses, mas o material foi simplesmente ignorado. Eles vinham monitorando a organização do protesto e tinham até mesmo informantes infiltrados no movimento.

Agora, o desdém do Planalto está custando caro — melhor, caríssimo. A paralisação dos transportadores de cargas desnudou um governo fraco, totalmente desarticulado e sem qualquer força no Congresso. Os caminhoneiros decretaram a agonia de Temer.

 

Se 62% dos jovens querem iriam embora, o último a sair então apague a luz…

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Charge do Ziraldo

Ana Estela de Sousa Pinto
Folha

Num piscar de olhos, a população dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná desapareceria do Brasil. Cerca de 70 milhões de brasileiros com 16 anos ou mais deixariam o Brasil se pudessem, mostra o Datafolha. Na pesquisa, feita em todo o Brasil no mês passado, 43% da população adulta manifestou desejo de sair do país. Entre os que têm de 16 a 24 anos, a porcentagem vai a 62%. São 19 milhões de jovens que deixariam o Brasil, o equivalente a toda a população de Minas Gerais.

O êxodo não fica apenas na intenção. O número de vistos para imigrantes brasileiros nos EUA, país preferido dos que querem se mudar, foi a 3.366 em 2017, o dobro de 2008, início da crise global.

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Charge do Henfil

CIDADANIA – Os pedidos de cidadania portuguesa aceleraram. Só no consulado de São Paulo, houve 50 mil concessões desde 2016. No mesmo período, dobrou o número de vistos para estudantes, empreendedores e aposentados que pretendem fixar residência em Portugal.

“Há fatores de sucesso e de fracasso que explicam isso”, avalia Flavio Comin, professor de economia da Universidade Ramon Llull (Barcelona). Um deles é que hoje é mais fácil se mudar: “Na internet dá para ver a rua onde se pretende morar, a sala do apartamento que se quer alugar”.

Há também grande frustração. “O Brasil de 2010 promoveu as expectativas de que nosso país seria diferente. O tombo foi maior quando se descobriu que não estávamos tão bem quanto se dizia.”

REFERÊNCIA – Segundo Comin, nos últimos anos seus alunos começaram a pedir cartas de referência para trabalho, “com o claro propósito de mudar permanentemente para o exterior”.

Não só os jovens querem ir embora. Há maioria também entre os que têm ensino superior (56%) e na classe A/B (51%). É o caso da produtora Cássia Andrade, 45 anos, que vendeu seu apartamento e embarca para o Canadá até agosto.

“Não quero virar Uber nem vender brigadeiros. Trabalho com arte há 30 anos e estou em plena fase produtiva. Não faz sentido ficar, só porque sou brasileira e não desisto nunca.” Cássia só não fechou sua empresa porque pretende continuar trabalhando com projetos brasileiros.

FUGA DE CÉREBROS – Essa possibilidade de continuar atuando no Brasil mesmo de fora é um dos fenômenos que atenuam a chamada “fuga de cérebros”, afirma Marcos Fernandes, pesquisador do Cepesp FGV.

Na área acadêmica, os brasileiros passam a trabalhar na fronteira do conhecimento, e exportam esse conhecimento para o Brasil por meio de parcerias e projetos individuais.

Já no caso de profissionais de nível técnico ou empreendedores o intercâmbio é mais difícil. Mas, segundo Fernandes, há evidência empírica de que a saída de talentos é um movimento de curto prazo. “A não ser em casos de guerra civil ou falência do Estado, boa parte deles acaba voltando.”

EM LISBOA – No médio prazo, portanto, o Brasil pode ganhar profissionais mais bem formados e experientes num período futuro.

João Amaro de Matos, vice-reitor da Universidade Nova de Lisboa, na qual o número de alunos brasileiros é crescente, concorda com a análise.

“Nossa experiência mostra que muitos voltam, e não faz sentido tentar estancar esse fluxo. Os brasileiros mais promissores só vão exercer seu potencial se puderem ser livres para se desenvolver.”

INTERNACIONAL – Matos, português que viveu em São Paulo dos 14 anos até se doutorar na USP, cita seu próprio caso: morou na Alemanha e na França, mas hoje está em Portugal e trabalha no Brasil dois meses por ano.

As perdas de curto prazo podem ainda ser minoradas com políticas públicas, diz Fernandes. “O governo precisa criar canais de conexão e participação com os acadêmicos brasileiros no exterior, e gerar estabilidade e crescimento para que os tecnólogos e empreendedores voltem mais rapidamente. Não é o mercado que vai resolver isso.”

A saída de brasileiros traz desafios não só para o setor público, mas também para a sociedade civil, nota o diretor de Mobilização do Todos pela Educação, Rodolfo Araújo, que aponta uma cisão entre o indivíduo e as instituições.

VÍTIMAS DO SISTEMA – “As pessoas se sentem vítimas do sistema, à parte dele. Com isso, perdem a capacidade de se sentir cidadãs, seja nos direitos, seja nos deveres.”

Para Araújo, é preocupante que os mais escolarizados não se sintam parte da solução, e as instituições precisam se aproximar das pessoas, conhecê-las e ganhar a confiança delas.

“Afinal, o que é ser brasileiro hoje? Não pode ser ‘sou um desiludido, um desesperançado’. Cair nisso é muito perigoso para todos nós.”

DESESPERANÇA – Há de fato um clima de desesperança. Levantamento feito no começo deste mês pelo Datafolha mostrou que, para 32% dos brasileiros, a economia vai piorar; 46% acreditam em alta do desemprego.

“Gera uma angústia muito grande. Se nós já estamos em pânico, imagine os jovens”, diz Fernandes. Enrico Aiex Oliveira, 19, um dos 12 mil brasileiros que cursam faculdade em Portugal, pretende fazer carreira no exterior. Gostaria de voltar um dia ao Brasil “se houvesse estabilidade econômica, reforma política e melhora na saúde e na educação”.

O problema, segundo Comin, é que, “se há um futuro, ele não deve chegar tão breve. E dez anos podem não ser nada na vida de um país, mas é muito na de uma pessoa”. Nessa perspectiva, a vontade de ir embora “é uma atitude racional, de busca de uma vida melhor em um mundo no qual ficou mais fácil transitar”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGFico naquela do Tom Jobim: “Viver no exterior é bom, mas é uma merda; viver no Brasil é uma merda, mas é bom”. (C.N.)

Quem controla a língua dos juízes?

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Charge do Alpino (Yahoo Brasil)


Bernardo Mello Franco
O Globo

O Conselho Nacional de Justiça baixou regras para a atuação dos juízes nas redes sociais. Está proibido declarar apoio ou fazer ataques pessoais a candidatos que vão disputar eleições. Os magistrados também foram orientados a não pregar a discriminação por raça, gênero, religião, condição física ou orientação sexual.

No mundo ideal, bastaria cobrar um pouco de bom senso. A Constituição já impede que os juízes exerçam “atividade político-partidária”. A Lei Orgânica da Magistratura (Loman) exige “conduta irrepreensível na vida pública e particular”.

TERRITÓRIO SEM LEI – No mundo real, há quem confunda a internet com um território sem lei. Isso explica por que Facebook, Twitter e outras redes viraram palanque para certa militância togada.

Os juízes devem ser imparciais e parecer imparciais. Na crise de 2016, alguns se esqueceram disso e postaram selfies em passeatas contra e a favor do impeachment. Outros transportaram o engajamento político para a atividade profissional. Um participante de manifestações contra o governo ficou famoso ao barrar a posse de um ministro de Estado.

Em março, uma desembargadora fluminense despontou do anonimato ao espalhar notícias falsas contra Marielle Franco. Ela escreveu que a vereadora, vítima de um assassinato brutal, seria ligada a traficantes de drogas. A doutora já havia defendido o fuzilamento de um deputado e debochado de uma professora com síndrome de Down.

CONVICÇÕES PESSOAIS – O CNJ deixou claro que os magistrados não perderam o direito a expressar “convicções pessoais”. É permitido criticar “ideias, ideologias, projetos legislativos, programas de governo e medidas econômicas”. Mesmo assim, associações de classe confundiram as normas com censura. Uma delas alegou que a liberdade de expressão estaria em risco.

Na verdade, o maior risco é o de a regra não pegar. Isso já acontece com a Loman, que proíbe os juízes de opinar sobre processos fora dos autos e atentar contra “a dignidade, a honra e o decoro” da carreira. Alguns ministros do Supremo são os primeiros a ignorar a lei. Antecipam votos na imprensa e trocam ofensas no plenário, com transmissão ao vivo na TV.

Bolsonaro e Trump têm perfis de campanha semelhantes, mas nem tanto

Jair Bolsonaro diz que Trump é um exemplo para ele

Henrique Gomes Batista
O Globo

De tanto ser chamado de Donald Trump brasileiro, inclusive por renomadas publicações estrangeiras, Jair Bolsonaro (PSL) não esconde que deseja copiar o presidente americano. A forma de fazer campanha, as ideias ultraconservadoras e as bandeiras nacionalistas os aproximam. Mas analistas enumeram uma série de diferenças que tornam mais difícil para o ex-capitão do Exército — líder nas pesquisas nos cenários sem o ex-presidente Lula — repetir o feito do magnata republicano.

— O Trump serve de exemplo para mim — disse Bolsonaro, em outubro do ano passado, para uma plateia lotada de brasileiros em Boston.

DIFERENÇAS – Na lista de diferenças relevantes entre as duas campanhas, a mais citada é o sistema partidário e de votação. “Em um sistema bipartidário, um candidato já inicia com cerca de 40% dos votos. A dinâmica americana é muito diferente da realidade brasileira, com 28 partidos no Congresso e 35 disputando as eleições” — afirma James Green, professor da Universidade de Brown (Rhode Island, EUA), onde dirige a Brown’s Brazil Initiative.

Por outro lado, Bolsonaro levaria vantagem por causa do voto obrigatório no Brasil. Nos EUA, o voto é facultativo. Lá, é mais difícil convencer a pessoa a sair de casa do que a escolher um candidato, que é republicano ou democrata. Aqui, o desencanto com a política aliado ao voto obrigatório abre caminho para o deputado federal. “Ambos se vendem como anti-establishment, exploram a desilusão e a raiva de parte do eleitorado” — avalia Peter Hakim, brasilianista e presidente emérito do centro de estudos Inter-American Dialogue, na capital americana.

FINANCIAMENTO – Outra diferença que tem origem nas regras da eleição é o financiamento. A campanha de Trump foi rica, chegou quase a US$ 1 bilhão. O candidato usou sua fortuna pessoal para dizer que não precisaria tentar enriquecer no poder. Bolsonaro está longe de assegurar uma estrutura de arrecadação que se assemelhe à de Trump.

Hakim vê ainda outra diferença fundamental: a falta de símbolos para Bolsonaro. “Trump propôs o muro na fronteira com o México que representava tudo: a luta contra os imigrantes, contra a violência, a proteção comercial. Bolsonaro não tem um projeto simbólico”.

A “bandeira” de Bolsonaro, até o momento, é a agenda da segurança e do combate à corrupção, mesmo sem ainda ter apresentado propostas concretas nas duas áreas.

ECONOMIA – A mesma diferença se aplica ao debate econômico. Trump foi eleito em um momento em que a economia não era a maior preocupação americana, ao contrário do Brasil de agora, onde o tema é uma das prioridades. E Bolsonaro, até agora, não apresentou nenhum plano consistente para a recuperação do emprego e da renda.

No campo das semelhanças, o nacionalismo, a luta pela livre circulação de armas e o discurso contra o aborto, além do ataque visceral ao politicamente correto, fazem parte do repertório de ambos. Também é similar o método usado para que os dois passassem de azarões à liderança das pesquisas: engajamento de rede social em números muito superiores aos adversários; polêmicas em série que dão visibilidade; “o controle da narrativa” da campanha, com uma militância fiel; e o posicionamento como um “forasteiro” da política “contra tudo Isso que está aí”.

BUSCA DE INIMIGOS – Mauricio Moura, presidente da Ideia Big Data — empresa de pesquisas de opinião — vê ainda a busca de inimigos a todo momento, em especial a mídia, como uma estratégia comum. “Em 2016, vimos muitos casos de voto envergonhado no Trump, ou seja, eleitores que não assumiam o apoio ao republicano, nem mesmo em pesquisas eleitorais. Isso já está ocorrendo no Brasil e será um desafio para os institutos de pesquisa” — disse Moura.

Conheça as diferenças: 1) Força partidária: nos EUA, com dois partidos preponderantes, eleitores são fiéis à legenda, independentemente de quem é o candidato. 2) Voto obrigatório: Nos EUA, o voto não é obrigatório e isso muda a dinâmica das eleições. 3) Dinheiro. A campanha de Trump foi rica, chegou quase a US$ 1 bilhão. O candidato usou também sua fortuna para dizer que não precisaria tentar enriquecer no poder. 4) Palanques estaduais: Trump contou com a maior parte dos governadores, deputados e senadores eleitos nos estados.

Um time desorganizado e sem liderança esbarra no velho ferrolho da Suíça

Steven Zuber empatou para a Suíça Foto: JASON CAIRNDUFF / REUTERS

Seleção da Suíça mostrou que tem chances nesta chave

Carlos Newton

Com poucas exceções, na grande maioria dos jogos na Copa do Mundo, as partidas são difíceis, porque os times jogam contidos, segurando a posse de bola na defesa, à espera de uma falha do adversário que permita uma possibilidade de gol. A diferença é feita pelo talento individual, pelo passe preciso, pelo drible inesperado e pela tabelinha. De resto, todas as seleções tentam jogar da mesma maneira, fechadas na defesa e no meio campo.

Com a valorização do preparo físico, os atletas correm muito, preenchendo as áreas vazias, o corre-corre deixa um jogo truncado e feio, o futebol-arte já era, embora sejam justamente seus lampejos que façam a diferença.

FERROLHO SUÍÇO – Como se sabe, a Suíça é um país pequeninho, com menos habitantes do que a Região Metropolitana do Rio de Janeiro, mesmo assim sempre dá um jeito de se classificar para a Copa. E sua seleção mantém a característica de sempre, fechada na defesa, no esquema que se tornou famoso como “ferrolho suíço”. O time é esforçado, mas fraco, aparentemente sem condições de enfrentar uma equipe de estrelas como o Brasil, em que não faltam dribladores.

O primeiro tempo teve um espectador privilegiado, que assistiu ao jogo dentro do gramado: o goleiro Alisson, que não fez uma só defesa de verdade. O Brasil dominou o jogo desde o início e merecia ter vencido o primeiro tempo por 2 a 0. O time brasileiro se apresentou melhor, no ataque o destaque foi Willian, com Neymar sempre perigoso, Marcelo procurando jogo, mas o gol foi de Felipe Coutinho, que até então estava apagado em campo. Um chute indefensável, que pegou o goleiro no contrapé.

SURPRESA NO FINAL – Desde o final do primeiro tempo, os suíços foram ficando mais desinibidos, porque o Brasil não se encontrava. O time do Tite não tinha tática nem liderança em campo. No começo do segundo tempo, Shaqiri cobrou escanteio, Miranda sofreu falta e não subiu na pequena área. O árbitro não pediu o auxílio do vídeo e confirmou o gol suíço. Depois, Gabriel Jesus sofreu pênalti, ele também não marcou, e vida que segue, diria nosso amigo João Saldanha.

O jogo ficou aberto, o Brasil teve várias chances de gol e não converteu. O time continuava desarrumado em campo e sem liderança. Roberto Firmino entrou bem no jogo, muitos titulares se saíram mal. Felipe Coutinho, se não tivesse feito o gol, certamente teria sido substituído, mas Tite preferiu tirar Casemiro.

Começamos mal, imitando a Argentina, mas não chegou a ser um desastre como a derrota da Alemanha. De toda forma, um empate preocupante. Ainda bem que estamos na chave mais moleza da Copa.

Lula só estreia como comentarista da Copa do Mundo nesta segunda-feira

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Lula pretende “escrever” seus comentários diariamente

Deu no Estadão

Preso há dois meses em Curitiba, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva será comentarista da Copa do Mundo da Rússia. Mesmo detido, o petista participará das transmissões de uma emissora de TV da Grande São Paulo, a TVT. Ele vai escrever cartas sobre suas impressões da Copa e enviá-las para o jornalista José Trajano, ex-ESPN. Lula tem acesso a uma televisão em sua cela.

Lula participará do programa de Trajano na TVT, uma afiliada da TV Brasil, uma rede de televisão pública brasileira pertencente à Empresa Brasil de Comunicação. De acordo com o ex-diretor de jornalismo da ESPN, que anunciou a novidade em um vídeo publicado em seus perfis nas redes sociais, o ex-presidente “passará suas impressões” sobre a Copa em participações no programa do jornalista.

“O Papo com Zé Trajano tem um novo comentarista, um comentarista exclusivo. Luiz Inácio Lula da Silva”, afirmou o jornalista. “Essa é a grande novidade do programa: Luiz Inácio Lula da Silva comentarista exclusivo da TVT e do meu programa.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Por estar encarcerado em Curitiba, Lula não pode comentar ao vivo. Suas palavras serão colhidas diariamente pelos advogados, que depois as enviarão a José Trajano, para serem divulgadas no dia seguinte. Lula e seus  advogados não receberão remuneração pelo trabalho, será tudo “di grátis”, como se diz na periferia. (C.N.)  

Para que volte a ser Supremo, é preciso que o STF volte a ser um tribunal

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Charge do Mariano (Charge Online)

 

Rubens Glezer
Folha

A crise de autoridade do Supremo Tribunal Federal chegou a um novo piso. Entre 2012 a 2018, o Supremo deixa de ser percebido como o grande reservatório de moralidade democrática para se tornar cada vez mais parte, e até causa, da crise política.

Durante esse período gastou muito mais capital político do que detinha; um processo acelerado pelas divisões internas e disputas públicas. Com isso, assistimos a um STF que aos poucos passou a ter dificuldades para enfrentar o Legislativo e o Executivo, para chegar hoje em um tribunal que tem dificuldade até mesmo para tomar decisões fáceis; como a proibição da condução coercitiva de investigados.

PROBLEMA TÉCNICO – A dificuldade de que trato não é a jurídica, ou seja, o problema não está na parte “técnica” dos argumentos. A maioria dos ministros entendeu que levar um investigado à força para prestar depoimento em delegacia não é compatível com o fato de nosso sistema conferir o direito ao silêncio aos acusados.

Afirmaram que se o investigado tem o direito de não dizer nada à autoridade policial, não deveria ser levado obrigatoriamente pela polícia até a delegacia, dado o amplo risco de espetacularização ou abuso de autoridade no processo.

Já a maioria vencida não viu problema na utilização de um mecanismo penal muito menos severo do que prisões preventivas e, em certa medida, do que as prisões após condenação em segunda instância. Nada de extraordinário nesse tipo de divergência.

DESCULPAS – O que chama a atenção foi o tom de “desculpas” em diversos. Quem votou pelo fim da condução coercitiva reiterava que não estava contribuindo com a impunidade e nem coadunando com o interesse de corruptos.

Já quem votou pela constitucionalidade do instrumento reafirmava que abusos do sistema de Justiça são esparsos, que as instituições funcionam normalmente e que não existe uma conjuntura de violação de direitos fundamentais em nome de uma agenda moralizadora.

Por um lado, esse tom defensivo responde às acusações feitas em plenário por ministros como Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso.

GARANTISMO – Enquanto o ministro Gilmar repetiu acusações a erros cometidos pela Polícia Federal e sob a gestão de Janot no MPF, o ministro Barroso afirmou que essa mitigação dos instrumentos de investigação e controle da corrupção é um “surto de garantismo” voltado a proteger os interesses de determinados agentes que hoje são (ou correm o risco de ser) alvos de investigação e processo penal.

Por outro lado, isso é apenas parte da explicação sobre como votaram os demais ministros. Afinal, acusações desse tipo não são novidade no tribunal, que vem presenciando discussões cada vez menos parcimoniosas.

Esse parece ser um sintoma de que os ministros se deram conta que a força de seus votos e decisões não vem mais de seus argumentos jurídicos. Com isso, tentam fiar seu posicionamento em posturas e discursos políticos, ou seja, proteger sua autoridade com posturas políticas.

SER TRIBUNAL – Nesse jogo político, porém, o Supremo não tem como ser bom. Em primeiro lugar porque é necessariamente menos habilidoso politicamente do que o Congresso Nacional e o Planalto. Em segundo lugar, porque a autoridade política está ligada à popularidade e atender às vontades da maioria.

Entra-se no jogo político para jogar mal e, além disso, deixar de fazer seu trabalho, que é aplicar a Constituição e as leis. Para que volte a ser Supremo, é preciso voltar a ser tribunal.

Sem complexo de vira-lata, corrupção também é comum na União Europeia

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Cunhado do rei da Espanha pega 5 anos de cadeia


Marieta Cazarré
(Agência Brasil)

A condenação de Iñaki Urdangarin, cunhado do rei Felipe VI da Espanha, a cinco anos e dez meses de cadeia expôs um quadro de suspeitas de corrupção por políticos e pessoas ligadas ao poder na Europa. No dia 13, ele foi condenado por desvio de fundos, prevaricação, fraude contra o Erário, delitos fiscais e tráfico de influências.

Ex-atleta de handebol, Urdangarin é casado com a infanta Cristina de Bourbon, irmã do rei. Espanha e Portugal estão no foco de uma série de investigações sobre corrupção e enfrentam escândalos envolvendo nome de autoridades e políticos.

SÓCRATES –  Em Portugal, a Operação Marquês, iniciada em 2014, revelou que José Sócrates, primeiro-ministro do país entre 2005 e 2011, esteve envolvido em 31 crimes, entre eles, o de corrupção, fraude fiscal e lavagem de dinheiro. Sócrates foi detido preventivamente em 2014, ficando 9 meses na cadeia. Em 2015, passou a cumprir prisão domiciliar e, atualmente, aguarda julgamento em liberdade.

O Partido Socialista (PS), após anos de silêncio em relação ao caso, busca distanciar-se da imagem de Sócrates. António Costa, atual primeiro-ministro de Portugal, foi ministro na administração de Sócrates.

Ao tomar conhecimento das denúncias, Costa se manteve neutro e defendeu a presunção de inocência de Sócrates. Uma frase sua tornou-se célebre em terras portuguesas: “à política o que é da política, à Justiça o que é da Justiça”. Mais recentemente, no último congresso do Partido Socialista, em maio, Costa procurou afastar-se da figura de Sócrates.

REAÇÕES – A deputada federal socialista Ana Gomes disse que é importante que o partido se descole do ex-primeiro-ministro, mas que assuma os erros cometidos. “Não vale a pena varrer para debaixo do tapete o que do passado pode envergonhar a credibilidade do PS, partido de gente séria e trabalhadora”, afirmou.

Na liderança do atual governo, o PS sofreu derrota nas últimas eleições, perdendo espaço para o Partido Social Democrata (PSD) – legenda que esteve à frente do governo durante severo programa de ajuste fiscal, com corte de pensões e aumento de impostos.

O PSD venceu as últimas eleições, mas o PS conseguiu formar governo após associar-se ao Bloco de Esquerda (BE) e ao Partido Comunista Português (PCP). A estratégia de distanciamento da imagem de José Sócrates mostra que o PS sonha alto nas próximas eleições, quando pretende conquistar maioria absoluta no Parlamento e montar governo sem fazer concessões a parceiros de esquerda.

ESPANHA – Enquanto em Portugal um partido (PS) tenta se desvincular da imagem de um político condenado por corrupção, na Espanha é o ex-primeiro ministro Mariano Rajoy, que tenta se desvencilhar da imagem do partido corrompido.

No começo deste mês, Rajoy perdeu o cargo em moção de censura. A legenda dele, o Partido Popular – PP, está no centro de uma gigantesca investigação de corrupção envolvendo políticos e empresários há décadas. A Audiência Nacional espanhola condenou 29 dos 37 acusados a penas que totalizam 351 anos de prisão.

É a primeira vez desde a redemocratização do país, nos anos 70, que um primeiro-ministro é forçado a sair do cargo por perder apoio do parlamento. O caso Gürtel – nome pelo qual ficou conhecida a investigação sobre a rede de corrupção envolvendo o PP – envolve um esquema que pode ter lesado os cofres públicos em mais de 40 milhões de euros entre 2000 e 2008.

OUTROS PAÍSES – Na história recente da Europa, há uma série de casos de corrupção envolvendo políticos que resultaram em condenações e prisões. Na Alemanha, houve o caso de Helmut Kohl, chanceler de 1982 a 1998, envolvido em um escândalo de financiamento irregular do seu partido, a União Democrata-Cristã (CDU).

A função de chanceler na Alemanha equivale à de primeiro-ministro em outros governos parlamentaristas. Kohl admitiu ter recebido doações não declaradas de 2 milhões de marcos, cerca de US$ 1 milhão. O CDU é o partido da atual chanceler Angela Merkel.

CASO DE CHIRAC – Na França, Jacques Chirac, ex-primeiro-ministro (1974-1976 e 1986-1988), foi condenado à prisão por ter contratado, como presidente da Câmara de Paris, funcionários para a campanha presidencial em que foi eleito para o período de 1995 a 2007. A pena acabou sendo suspensa.

O ex-primeiro ministro da Itália Silvio Berlusconi, que ocupou o cargo por nove anos, também enfrentou vários processos e uma condenação por fraude fiscal. A pena acabou transformada em prestação de um ano de serviço comunitário e em pagamento de multa de 10 milhões de euros.

Sem renúncias fiscais, o Brasil teria superávit, acredite se quiser

Baraldi

Charge do Márcio Baraldi (Arquivo Google)

Míriam Leitão e Alvaro Gribel
O Globo

O problema do Brasil não é exatamente a carga tributária alta. Ela é alta, mas tem desconto para alguns e acaba sendo menor do que parece. A solução para o Brasil não é apenas cortar os gastos, é reduzir as despesas que são feitas em favor do beneficiário errado. É nesse ponto que o Tribunal de Contas da União (TCU) tocou. As renúncias fiscais são 30% da receita líquida, sem elas o país teria superávit.

O TCU olhou para o ponto certo do nó fiscal brasileiro e vários ministros falaram em tom forte sobre o assunto. Segundo Vital do Rego, as renúncias são de tal magnitude que afetaram o equilíbrio das contas. Para José Múcio, são “o novo vetor da desigualdade”. E na opinião de Bruno Dantas, o país tem “um encontro marcado com esses benefícios fiscais concedidos sem critério, sem análise de custo-benefício”.

RESSALVAS – Em função disso, o relator colocou ressalvas nas contas do governo em 2017. Pode haver muitos motivos para ressalvas, mas as renúncias fiscais em sua maioria foram herdadas. Algumas têm caráter plurianual e não podem ser simplesmente extintas. O ministro Vital do Rego disse que se o governo tivesse limitado as renúncias à média de 2003 a 2008 (R$ 223 bilhões) teria tido superávit. Mas no gráfico que acompanha o voto está claro que o total das renúncias fiscais era de 3,4% do PIB em 2008 e foram para 6,7% em 2015.

Quem elevou o volume dos benefícios aos empresários após 2008 foram os governos Lula e Dilma. O governo Temer reduziu os gastos tributários para 5,4% em 2017, ano que está sendo examinado, principalmente os concedidos através do BNDES. A criação da TLP reduzirá ainda mais, no futuro, o gasto com subsídios financeiros do banco.

REFIS ERRADO – Temer errou quando fez um Refis e não conseguiu conter sua base que aumentou as vantagens para os devedores da Receita. Errou nas concessões à bancada ruralista no perdão às dívidas do Funrural. Concessões feitas a partir da crise que atingiu seu governo com as denúncias do Ministério Público. Mas os dois governos anteriores é que realmente aumentaram o total das transferências para os empresários entre 2008 e 2015.

No Brasil, o mesmo empresário que reclama da carga tributária alta é o que pede um programa de desconto para o seu setor. Assim, o governo acaba cobrando muito de todos os contribuintes e transferindo uma parte para determinados setores, lobbies e programas. E desta forma o Estado cria desigualdades.

EXPORTADOR – Acabar com isso é uma dificuldade. Na atual crise do diesel, o ministro Eduardo Guardia elegeu um desses benefícios para serem cortados: o Reintegra. O programa iniciado em 2011 concede ao exportador o benefício no valor de 2% das suas exportações. A decisão foi reduzi-lo para 0,1%. O que já aconteceu? A Justiça mandou adiar a mudança do Reintegra. Só uma única empresa de Santa Catarina acha que perderá R$ 130 mil. O setor de rochas no Espírito Santo perderá R$ 14 milhões. A soma geral do que exportadores ganhariam com a manutenção desse benefício chega a ser bilionária. Por isso já estão na Justiça à caça das liminares.

A Zona Franca de Manaus custa R$ 25 bilhões em renúncias, e se o governo resolver reduzir um só dos setores beneficiados, como aconteceu agora com bebidas, o lobby se organiza.

SESMARIAS – Os programas de benefício fiscal são uma teia de vantagens que foram sendo distribuídos como sesmarias. Pelo relatório, 85% das renúncias foram estabelecidas sem prazo de vigência e 44% não têm qualquer órgão que avalie os resultados.

Subsídio pode ser concedido. É uma decisão de política pública. Mas tem que ter objetivos e critérios. Deve ser dedicado a atividades com vantagens intangíveis, como a cultura, ou beneficiar os grupos mais vulneráveis da sociedade ou se dirigir a setores que precisam de um estímulo temporário e cujo desenvolvimento represente um ganho social. Mas qualquer renúncia fiscal é gasto, portanto precisa ser fiscalizado e avaliado constantemente. No Brasil, ocorre o oposto: eles se dirigem em geral aos mais ricos, às regiões mais desenvolvidas, não são avaliados e são concedidos de acordo com a força de cada lobby. Assim acabam aumentando as desigualdades do país.

(Artigo enviado por Darcy Leite)

No mercado livre das coligações, o PSB está mais perto de apoiar Ciro Gomes

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Ciro está vencendo as resistências contra a coalizão


Vera Magalhães
Estadão

O PSB está mais propenso a selar uma aliança com o PDT de Ciro Gomes que a ficar “solteiro” nas eleições nacionais, como agora defende a ala do partido mais próxima ao PT.  A costura feita por Ciro foi eficaz para incutir uma dose de autoestima no PSB, que ficara perdido diante do recuo de Joaquim Barbosa, aquele que foi sem nunca ter sido o presidenciável do partido.

Ciro convenceu parte da cúpula socialista de que o partido terá espaço de destaque caso ele se eleja. Assim “empoderados”, caciques pessebistas já dizem que sua sigla dará estatura política a Ciro, por ter mais governos de Estado que o PDT, por exemplo.

PT FAZ DESCONTO – O PT, que começou falando grosso e exigindo um cheque em branco de aliança com o candidato que vai substituir Lula na cédula para retirar a candidatura de Marília Arraes em Pernambuco, já admite fazer um desconto caso o PSB apenas fique neutro na eleição nacional. São essas hoje as únicas opções à mesa, e a decisão não deverá ficar só para a undécima hora. O PSB deve reunir a Executiva para bater o martelo ainda neste mês.

Os pessebistas sabem que, no momento em que Ciro, Geraldo Alckmin e o PT travam uma corrida de bastidores para consolidar alianças e reduzir a pulverização, os primeiros apoios contam mais e garantem aos aderentes boas condições de negociação. Inclusive a vaga de vice, pela qual os socialistas não escondem o interesse e que pode mesmo ir para Márcio Lacerda.

As declarações tanto de Ciro quanto de seu irmão, Cid, sobre a prioridade dada ao antigo partido de ambos fazem parte desse “namoro” que pode mesmo acabar em casamento.

DESISTÊNCIAS – O fôlego de algumas candidaturas de si mesmas parece estar se esvaindo. Guilherme Afif, que insiste em dizer que é pré-candidato embora seu partido, o PSD, não o reconheça como tal, deve ser chamado à realidade. O PRB de Flávio Rocha faz conversas abertas com o PSDB e o Podemos. Rodrigo Maia já não esconde que cansou de interpretar o pré-candidato e que quer ir cuidar de sua reeleição ao mandato e à presidência da Câmara. O MDB já não esconde o desejo de desistir de Henrique Meirelles. E o PCdoB só espera o nome do PT para decidir se vai com ele ou com Ciro Gomes. Os desfechos podem vir antes mesmo da Copa.

Um dos empecilhos para que Geraldo Alckmin obtenha logo os apoios de que precisa é a súbita tentativa de aproximação do time de Michel Temer. Diante da constatação de que um candidato “puro-sangue” do governo tem pouquíssimas chances, soldados como Carlos Marun e Moreira Franco já tentam descolar uma cabine no navio de Alckmin.

Isso pode afugentar outros passageiros em potencial, como DEM, PP e PRB, que veem no contágio com Temer uma peste capaz de inviabilizar de vez um presidenciável pelo qual já não têm muito entusiasmo.

VEM, PETISTA – Tucanos sonham com uma definição mais rápida do PT. A torcida é para que o PT escolha logo o nome do substituto de Lula. A análise dos tucanos é que esse candidato, quando oficialmente indicado, vai desidratar os índices de Ciro Gomes e Marina Silva nas pesquisas, igualando as condições entre eles e Geraldo Alckmin e aliviando um pouco a pressão para que o tucano cresça.

Lava Jato quer ouvir Marcelo Odebrecht e doleiros em inquérito sobre Temer

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Moreira, Temer e Padilha estão sendo investigados 

Mariana Oliveira
TV Globo, Brasília

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que são necessários depoimentos de seis pessoas para aprofundamento do inquérito que investiga o presidente Michel Temer por conta das delações premiadas de ex-executivos da Odebrecht. Serão ouvidos Marcelo Odebrecht, dono da empresa; Fernando Migliaccio, ex-funcionário da Odebrecht; Ibanez Filter, ligado a Eliseu Padilha; Vinícius Claret, doleiro conhecido como Juca Bala, suspeito de lavar dinheiro no esquema de Sérgio Cabral; Cláudio Barbosa, doleiro suspeito de lavar dinheiro no esquema de Sérgio Cabral; José Eduardo Cavalcanti de Mendonça, marqueteiro Duda Mendonça.

Também são investigados os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Minas e Energia).

PRORROGAÇÃO – A informação está em documento no qual Dodge concorda com a prorrogação da apuração por mais 60 dias, apresentado na quinta-feira (14). A íntegra ainda não estava disponível e só foi tornada pública no processo nesta sexta (16). O pedido para ouvir as testemunhas é da Polícia Federal e foi corroborado por Raquel Dodge.

A procuradora afirma ainda que a Polícia Federal também precisa analisar os celulares utilizados à época pelos delatores Cláudio Melo Filho e José de Carvalho Filho, da Odebrecht.

“A Procuradora-Geral da República requer a prorrogação do prazo para a conclusão do inquérito epigrafado, por mais sessenta dias (…) considerada a existência de diligências pendentes e necessárias ao deslinde das investigações”, afirma o documento.

DEPENDE DE FACHIN – A decisão sobre mais prazo para a apuração será dada pelo ministro Luiz Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no STF. Segundo Dodge, o inquérito já tem os depoimentos de José Yunes, ex-assessor de Temer; Maria Lúcia Tavares, ex-funcionária da Odebrecht; além de oitivas de Geddel Vieira Lima e Paulo Skaf.

A procuradoria afirmou que o doleiro e delator Lúcio Funaro, cujo depoimento foi juntado ao inquérito, apresentou informações sobre as suspeitas. Ainda de acordo com a procuradora, também foi interrogado o doleiro Antônio Cláudio Albernaz Cordeiro – investigado na Operação Câmbio, Desligo, desdobramento da Lava Jato no Rio, e solto por decisão do ministro Gilmar Mendes no começo de junho.

“A autoridade policial logrou identificar as pessoas possivelmente responsáveis por entregas de valores objeto da presente investigação”, diz Dodge.

A investigação – O caso se refere a um jantar no Palácio do Jaburu em maio de 2014, em que se teria acertado o repasse ilícito de R$ 10 milhões ao MDB. De acordo os delatores da Odebrecht, teriam participado da reunião Eliseu Padilha, o então presidente da empreiteira Marcelo Odebrecht, o ex-executivo Cláudio Melo Filho, e o então vice-presidente Michel Temer.

De acordo com o depoimento de Cláudio Melo Filho ao Ministério Público Federal (MPF), no encontro, Temer pediu “direta e pessoalmente” a Marcelo Odebrecht apoio financeiro para as campanhas do MDB em 2014.

O repasse do dinheiro, segundo depoimentos dos delatores da Odebrecht, seria uma forma de pagar pelos interesses da empresa atendidos pela Secretaria de Aviação Civil, comandada entre 2013 e 2015 por Eliseu Padilha e Moreira Franco.

TEMER REPUDIA – Sobre esse assunto, o presidente já admitiu que houve o jantar, mas sempre disse que não falaram de valores.

Quando este depoimento se tornou conhecido, o Palácio do Planalto divulgou nota informando que o presidente Michel Temer “repudia com veemência” o conteúdo da delação de Melo Filho.

Cateano é um baiano que define São Paulo como ninguém nunca conseguiu

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Caetano criou um hino à cidade de São Paulo

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O cantor, músico, produtor, escritor, poeta e compositor baiano Caetano Emanuel Viana Teles Veloso, na letra de “Sampa”, traduz as impressões que a capital paulista causa ao visitante, que se traduz num hino de amor à cidade, pois a letra também deve ser analisada levando-se em conta o contexto da época e do próprio momento da vida do autor. A música foi gravada por Caetano Veloso no LP Muito (dentro da estrela azulada), em 1978, pela Philips.

SAMPA
Caetano Veloso

Alguma coisa acontece
No meu coração
Que só quando cruzo a Ipiranga
E a Avenida São João…

É que quando eu cheguei por aqui
Eu nada entendi
Da dura poesia
Concreta de tuas esquinas
Da deselegância discreta
De tuas meninas…

Ainda não havia para mim Rita Lee
A tua mais completa tradução
Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruzo a Ipiranga
E a Avenida São João…

Quando eu te encarei
Frente a frente
Não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi
De mau gosto, mau gosto
É que Narciso acha feio
O que não é espelho
E a mente apavora
O que ainda não é mesmo velho
Nada do que não era antes
Quando não somos mutantes…

E foste um difícil começo
Afasto o que não conheço
E quem vem de outro sonho
Feliz de cidade
Aprende depressa a chamar-te
De realidade
Porque és o avesso
Do avesso, do avesso, do avesso…

Do povo oprimido nas filas
Nas vilas, favelas
Da força da grana que ergue
E destrói coisas belas
Da feia fumaça que sobe
Apagando as estrelas
Eu vejo surgir teus poetas
De campos e espaços
Tuas oficinas de florestas
Teus deuses da chuva…

Panaméricas
De Áfricas utópicas
Túmulo do samba
Mais possível novo
Quilombo de Zumbi
E os novos baianos
Passeiam na tua garoa
E novos baianos
Te podem curtir numa boa…  

Ao interferir na política do país, o general Villas Bôas compromete o Exército 

Marina Silva e Villas Bôas

Villas Bôas primeiro ouviu Bolsonaro e depois Marina…


Carlos Newton

Os sites e portais da grande imprensa divulgaram neste sábado que a pré-candidata Marina Silva (Rede) reuniu-se sexta-feira com o general Eduardo Villas Bôas, comandante do Exército no Quartel-Geral de Brasília, conhecido como Forte Apache. A ex-senadora não divulgou o encontro em sua agenda, onde constava apenas o registro de “assuntos internos”, e sua assessoria argumentou que o encontro não foi registrado, porque a equipe de campanha considerou que caberia aos militares, autores do convite, tornar pública a reunião.

Mas o encontro acabou sendo divulgado pelo próprio comandante, por meio do Twitter: “Prosseguindo nos contatos com os pré-candidatos à Presidência da República, ocasião onde apresentamos alguns temas, sob a ótica do Exército, que consideramos importantes serem discutidos por quem pleiteia dirigir a Nação, recebi a sra. Marina Silva em nosso QG (quartel-general) do Exército”, escreveu Villas Bôas.

SÉRIE DE CONVERSAS – Na rede social, o general acrescentou que o encontro faz parte de uma série de conversas que está tendo com os pré-candidatos ao Palácio do Planalto para tratar de “temas que sob a ótica do Exército são importantes para serem discutidos com quem pleiteia dirigir a Nação”. E o primeiro dele foi Jair Bolsonaro (PSL-RJ) e depois Marina veio a ser convidada.

Nunca antes, na História deste país, tinha ocorrido nada igual. Antigamente, os comandantes militares participavam da política através de conchavos e articulações de bastidores. Mas tudo passa, tudo muda, e o general Villas Bôas resolveu agora ter uma participação direta, ao convocar Bolsonaro sigilosamente, sem constar da agenda, o que é errado – erradíssimo, aliás.

Ao divulgar o encontro com Marina (e a reunião anterior com Bolsonaro), o comandante se redime deste erro e abre uma ligeira transparência a respeito, com a divulgação de uma foto mostrando que Marina estava acompanhada do deputado Miro Teixeira (Rede/RJ) e de um outro paisano, enquanto três oficiais participavam da reunião junto com o general Villas Bôas.

QUESTIONAMENTO – O comportamento do comandante provoca uma inquietante questão: O militar pode/deve participar da política?

Como se sabe, o Regulamento Disciplinar do Exército proíbe militares de se manifestarem publicamente a respeito de assuntos de natureza político-partidária, ao menos que sejam autorizados. Além disso, o militar da ativa “não deve participar de discussão a respeito de assuntos de natureza político-partidária ou religiosa” e também precisaria de autorização para “discutir ou provocar discussão, por qualquer veículo de comunicação, sobre assuntos políticos ou militares”. Por fim, um militar também não pode “tomar parte, fardado, em manifestações de natureza político-partidária”.

Portanto, é claro que o general Villas Bôas está abusando, ao entrar na seara política e costear o alambrado, como dizia Leonel Brizola.

E ABUSOU ANTES – Na noite de 3 de abril, véspera do julgamento do habeas corpus do ex-presidente Lula da Silva pelo Supremo, Villas Bôas disse em suas redes sociais que repudia a “impunidade” e que o Exército “está atento às suas missões institucionais”. E assinalou: “Reitero meu compromisso em defesa da liberdade e da democracia. Nenhum perigo real ou imaginado pode justificar que isso seja roubado dos brasileiros”.

No dia seguinte, 4 de abril, Marina Silva fez o seguinte comentário: “A manifestação do comandante geral do exército, às vésperas da decisão do STF, pela investidura do cargo que ocupa, pode levar a interpretações inadequadas para o bom funcionamento da democracia e das instituições”, afirmou a ex-ministra por meio de nota, com inteira razão, porque comandante militar não tem de dar pitaco em política, diria nosso amigo Chico Anysio. É um abuso institucional, sem a menor dúvida.

VOLTA AO QUARTEL – Surgem outras dúvidas, é claro. Esse comportamento tem aprovação do Alto-Comando? Se não tem, é falha grave, mas se tem autorização, passa a ser um erro de conduta gravíssimo, por demonstrar que há um desrespeito coletivo ao Regulamento Disciplinar do Exército.

O mais preocupante, porém, é que a interferência no processo político indica claramente que este país pode estar à beira de um golpe militar, como se fosse uma republiqueta das bananas ou um reinado tribal.

Espero estar enganado, mas o general Villas Bôas em nada está contribuindo para o desenvolvimento da democracia brasileira.

No Futebol e na Copa, o jogo se ganha no campo, ninguém vence na véspera

Copa 2018: Argentina e Islândia. Hannes Por Halldorsson, da Islândia, defende pênalti batido pelo argentino Lionel Messi.

Halldorsson defendeu o pênalti batido por Lionel Messi

Pedro do Coutto

Neste domingo, a partir da 15 horas, a seleção brasileira enfrenta a Suíça e dá início à jornada pela conquista do hexacampeonato. Os exemplos da história esportiva comprovam plenamente a certeza de que as partidas se ganham no campo e nenhum time ou seleção vence na véspera. Dentro de algumas horas, a bola vai rolar para a seleção que foi de ouro e que hoje retoma a caminhada para reconquistar a posição que sempre ocupou nos gramados do mundo e que sofreram forte rebate em 2014 com nossa derrota para a Alemanha.

Mas este episódio não deve influir no ânimo dos brasileiros porque na final de 2002 no Japão derrotamos a Alemanha por 2 X 0, dois gols de Ronaldo Fenômeno. O episódio deve ser remetido ao passado, não devendo servir para prejudicar nosso time aumentando um complexo de desforra. A desforra é contra todos os adversários inscritos na Copa do Mundo da Rússia.

CAPACIDADE – Vamos entrar confiantes em nossa capacidade tática e técnica de tornar criativa a disputa em torno da bola. Não somos favoritos, favorita é a realidade mágica do próprio futebol. Mas eu disse que ninguém vence na véspera. Estão aí, para citar apenas três os exemplos de 50, 54 e 74. Em 1950 o Brasil era franco favorito contra o Uruguai. Em 54 a Hungria foi para a final contra a Alemanha certa da vitória. Perdeu por 3 X 2. Em 74 a Holanda era franca favorita, porém na final Alemanha conquistou o título por 2 X 1. Dois a um também foi a vitória do Uruguai sobre nós na tarde de 16 de julho de 1950.

Ontem, sábado, tivemos mais um exemplo de que equipe alguma ganha na véspera: Argentina e Islândia empataram em 1 X !. A Islândia tem uma população de 330 mil habitantes. O número de moradores de Copacabana, por exemplo, deve situar-se por aí. A magia do futebol e que torna grande parte dos resultados imprevisíveis, está no fato de ser o único esporte em que um adversário pode influir diretamente no desempenho do outro. A técnica e a arte com a bola exigem espaço para se efetiva. Isso faz com que o desempenho tático seja capaz de neutralizar a atuação de uma equipe tecnicamente superior a outra.

CONSTATAÇÃO – Mistério do futebol? Nada disso, apenas constatação de uma realidade que cada vez mais se afirma no mundo das competições. A Islândia, por exemplo, ocupou mais intensamente os espaços do campo contra a Argentina, seleção admirada por seus passos precisos e impulsos de rara beleza no trato com a bola. A tática, entretanto, retirou a diferença entre as duas seleções.

Na sexta-feira, o Uruguai encontrou enorme dificuldade para vencer. Outros exemplos poderiam ser citados, mas seria desnecessário. Portanto, devemos estar confiantes na nossa capacidade de vencer a Suíça, mas não devemos exagerar no otimismo. O otimismo exagerado tem sido a causa de muitas derrotas registradas na memória do esporte.

Devemos entrar com firmeza e confiança, porém sem esquecer que a vitória depende de nós mesmos e da capacidade da Seleção enfrentar os obstáculos que se encontram na estrada. Vamos em frente esperando vencer e sobretudo convencer a nós mesmos do brilho de uma seleção que se empenha em retomar o título maior do futebol mundial.