No caso do Comitê da ONU, o PT contradiz as posições tomadas quando era governo

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Charge reproduzida do Sputinik News

Merval Pereira
O Globo

A reação dos petistas à recomendação do Comitê de Direitos Humanos da ONU relativa à candidatura de Lula nas próximas eleições é exemplar do dito popular “faça o que eu digo, não faça o que eu faço”. Enquanto neste momento há um movimento articulado para espalhar que o governo brasileiro é obrigado a cumpri-la, liberando Lula para ser candidato à presidência da República, em outros o governo petista agiu justamente ao contrário, alegando que comitês tanto da ONU quanto da OEA não têm capacidade de intervenção em questões internas do país.

Assim como hoje, chefiado pelo tucano Aloysio Nunes Ferreira, o Itamaraty no tempo de Lula ou Dilma afirmava que “as conclusões do comitê têm caráter de recomendação e não possuem efeito juridicamente vinculante”.

HIDRELÉTRICA – Em 2011, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) recomendou a suspensão imediata da Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, alegando irregularidades no processo de licenciamento ambiental, atendendo a uma medida cautelar de entidades indígenas que questionaram o empreendimento.

O então ministro da Defesa, Nelson Jobim, criticou a solicitação, e sugeriu que a Organização dos Estados Americanos (OEA) fosse “cuidar de outro assunto”. Mais, o governo da presidente Dilma, em retaliação ao que considerou uma intromissão em assuntos internos, suspendeu o repasse de verba à entidade, de US$ 800 mil.

A diplomacia brasileira classificou a medida de “precipitada e injustificável”, e ainda chamou o embaixador brasileiro de volta, o que, em linguagem diplomática, significa um protesto em nível máximo.

LEI DA ANISTIA – Em outra ocasião, a Corte Interamericana de Direitos Humanos condenou o estado brasileiro pelos “graves crimes” cometidos no regime militar, e declarou sem efeitos jurídicos a Lei de Anistia. Embora petistas tenham gostado da decisão, inclusive o então ministro dos Direitos Humanos Paulo Vanucchi, nada foi feito, por impossibilidade jurídica.

A recomendação de organismos internacionais sobre direitos humanos, base da recomendação atual sobre a candidatura de Lula, sempre foi desprezada pelos governos petistas, que chegaram a fazer uma proposta oficial para que a ONU passasse a tratar os países que violam os direitos humanos com mais condescendência, evitando críticas públicas aos regimes autoritários.

Muito mais que decisões pragmáticas, se abster em votações contra Cuba com relação à violação dos direitos humanos, ou mesmo votar contra uma condenação do governo do Sudão sobre Darfur, onde um conflito étnico matou mais de 200 mil pessoas, faziam parte de uma política de Estado que o governo Lula adotou.

OUTRO “PADRÃO” – A ONG Conectas Direitos Humanos denunciou na ocasião a alteração no padrão de votação do governo brasileiro no Conselho de Direitos Humanos da ONU, seguindo geralmente interesses políticos e comerciais. Da abstenção em 2001 e 2002, o governo brasileiro passou a votar explicitamente contra a condenação da Rússia em 2003 e 2004. O padrão de votação parecia seguir o interesse geopolítico e comercial do governo brasileiro, e não tem relação direta com o conceito de direitos humanos em si.

Além de criticar a conduta como ineficaz, o governo brasileiro considerava, embora informalmente, que o Conselho de Direitos Humanos da ONU estava muito politizado, controlado pelos EUA.

A nota da ONU, destacada por Carlos Alberto Sardenberg em artigo, ressalva que “é importante notar que esta informação, embora seja emitida pelo Escritório das Nações Unidas para Direitos Humanos, é uma decisão do Comitê de Direitos Humanos, formado por especialistas independentes. (Logo) esta informação deve ser atribuída ao Comitê de Direitos Humanos”. Por isso, o Itamaraty do governo Temer, assim como os dos governos Lula e Dilma, considera o comitê que supervisiona o Pacto de Direitos Civis e Políticos, simplesmente isso, um órgão que não tem poder de sanção.

Sem Lula, 13% votam em Haddad, 14% poderiam votar, mas 60% não votam nele

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Haddad diz que ainda não é candidato e vai avançar

Deu no G1

Pesquisa Ibope divulgada nesta segunda-feira (20) para a corrida presidencial fez a seguinte pergunta aos entrevistados: “Caso o candidato pelo PT, Lula, seja impedido de disputar a eleição para presidente da República e declare seu apoio a Fernando Haddad, o(a) sr(a) com certeza votaria em Fernando Haddad, poderia votar nele ou não votaria em Fernando Haddad de jeito nenhum?”

Eis o resultado: Com certeza votaria em Fernando Haddad: 13%; Poderia votar nele: 14%; Não votaria em Fernando Haddad de jeito nenhum: 60%; Não o conhece o suficiente para opinar (esp.): 7%; Não sabe/ Não respondeu: 5%. De acordo com o instituto, os percentuais variam de acordo com alguns parâmetros, como escolaridade, renda familiar e região.

ESCOLARIDADE – Com certeza votariam em Fernando Haddad, até a 4ª série do fundamental: 18%; 5ª a 8ª série do fundamental: 15%; ensino médio: 13%; superior: 9%

Poderiam votar nele até a 4ª série do fundamental: 15%; 5ª a 8ª série do fundamental: 13%; ensino médio: 14%; superior: 13%

Não votaria em Fernando Haddad de jeito nenhum até a 4ª série do fundamental: 51%; 5ª a 8ª série do fundamental: 58%; ensino médio: 60%; superior: 71%

Não o conhece o suficiente para opinar até a 4ª série do fundamental: 8%; 5ª a 8ª série do fundamental: 8%; ensino médio: 8%; superior: 4%; Não sabe/ Não respondeu até a 4ª série do fundamental: 9%; 5ª a 8ª série do fundamental: 5%; ensino médio: 5%; superior: 4%

RENDA FAMILIAR (em salários mínimos) – Com certeza votariam em Fernando Haddad mais de 5 salários: 8%; mais de 2 a 5 salários: 11%; mais de 1 a 2 salários: 15%; até 1 salário: 17%.

Poderiam votar nele mais de 5 salários: 9%; mais de 2 a 5 salários: 13%; mais de 1 a 2 salários: 16%; até 1 salário: 15%.

Não votaria em Fernando Haddad de jeito nenhum mais de 5 salários: 79%; mais de 2 a 5 salários: 61%; mais de 1 a 2 salários: 58%; até 1 salário: 53%.

Não o conhece o suficiente para opinar mais de 5 salários: 2%; mais de 2 a 5 salários: 8%; mais de 1 a 2 salários: 7%; até 1 salário: 10%.

Não sabe/ Não respondeu mais de 5 salários: 1%; mais de 2 a 5 salários: 6%; mais de 1 a 2 salários: 5%; até 1 salário: 5%.

A pesquisa foi encomendada pela TV Globo e pelo jornal “O Estado de S.Paulo”. É o primeiro levantamento do Ibope realizado depois da oficialização das candidaturas na Justiça Eleitoral.

 

Na busca por eleitor indeciso, Ciro Gomes adota uma postura mais moderada

Sorrindo, Ciro Gomes cumprimenta adversário

Sorridente, Ciro cumprimenta Alckmin no debate da Rede TV

Gustavo Uribe
Folha

Com dificuldades de crescer nas pesquisas eleitorais, o candidato do PDT à sucessão presidencial, Ciro Gomes, adotou novo perfil para tentar avançar sobre os eleitores indecisos. Diante da crítica de adversários de que tem fama de explosivo, o que foi apontado como um fator de insegurança em pesquisa, ele decidiu abandonar o que é chamado pela equipe de campanha de uma postura belicosa e adotar um perfil mais moderado. “O que podemos dizer é que ele entrou agora numa fase de Ciro Soft”, resumiu o presidente do PDT, Carlos Lupi.

Inicialmente, a proposta era de que ele não abrisse mão do jeito duro. Em entrevista à Folha, em junho, o então coordenador político da campanha eleitoral, seu irmão Cid Gomes, disse que o perfil “franco, sincero e que fala o que pensa é cada vez mais desejado pelo povo”.

RESISTÊNCIA – Segundo a Folha apurou, contudo, uma pesquisa qualitativa revelou uma certa resistência dos eleitores com o temperamento do candidato e uma preferência por um perfil mais tranquilo e bem-humorado.

Desde então, Ciro tem feito menos ataques e se descrito como uma “seda” e um “doce de coco”. Ele foi aconselhado por integrantes do partido a sorrir mais e a reagir com mais calma a críticas. “Aos 60 anos de idade, eu não vou mudar, [mas] estou mais maduro, experiente e sereno”, disse em entrevista na sexta-feira (17).

Em julho, o candidato xingou publicamente representante do Ministério Público e, no mês anterior, chamou o vereador Fernando Holiday (DEM-SP), ligado ao MBL, de “capitãozinho do mato”. Na época, foi aconselhado pelo irmão Cid Gomes a não fazer xingamentos em público, o que também passou a evitar.

VIDA PESSOAL – O novo perfil será explorado, por exemplo, na estreia do candidato na propaganda eleitoral gratuita, no dia 31. A ideia será mostrá-lo como um político experiente e um homem calmo. Para isso, serão veiculadas imagens da carreira dele, nos cargos de governador e ministro, e filmagens de momento de intimidade com os filhos.

A postura moderada começou a ser testada na semana retrasada, véspera do início oficial da campanha eleitoral. Nos dois primeiros debates na TV, Ciro evitou ataques e manteve tranquilidade, fazendo, inclusive, piada em pergunta sobre a Ursal (União das Repúblicas Socialistas da América Latina) no primeiro. No segundo, foi cordial com seus principais adversários.

“É preciso ter calma. A campanha eleitoral é uma corrida de fôlego. Eu achei que nós devíamos hoje tatear o caminho”, disse na saída do primeiro debate.

AMIGO DE TODOS – No discurso, passou a se referir aos seus oponentes de forma amistosa. Segundo ele, Geraldo Alckmin (PSDB) é um bom amigo “há longa data”, Jair Bolsonaro (PSL) é seu “estimado colega de Câmara dos Deputados” e Marina Silva (Rede) uma “estimada amiga”.

Segundo um dirigente do partido, o novo temperamento teve boa recepção em sondagem com eleitores, entre eles os que ainda não definiram seu voto. Segundo a última pesquisa Datafolha, em cenários sem o ex-presidente Lula, o percentual de indecisos chega a 28%.

A avaliação é que, diante da disputa com a candidatura petista pelos eleitores de esquerda, Ciro precisa avançar sobre parcela dos que não têm candidato e dos identificados com o campo de centro.

REDES SOCIAIS – A nova estratégia também tem sido utilizada nas redes sociais. Na tentativa de suavizar sua imagem, o candidato tem publicado uma espécie de álbum de momentos descontraídos. Nas fotografias, ele posa nadando com o filho caçula, se vestindo com a ajuda da neta, abraçando uma conterrânea de Sobral (CE) e dançando com a mãe.

Ele colocou ainda gravação, ao lado da candidata a vice Kátia Abreu (PDT), cantando música da cantora Dalva de Oliveira. E divulgou vídeo com memes de animais, no qual ele aparece de óculos escuros e fazendo sinal de “hang loose”, saudação que costuma ser utilizada por surfistas.

Três perguntas que definirão o futuro da eleição presidencial

Nelson AlmeidaBernardo Mello Franco
O Globo

Parece que a eleição ainda não começou. Esta é a impressão deixada pela nova pesquisa do Ibope sobre a corrida presidencial. Depois de dois debates e uma batelada de entrevistas na TV, os candidatos praticamente não se moveram. A exceção foi Lula, que avançou quatro pontos. Preso desde o início de abril, ele agora lidera com 37% das intenções de voto.

Como o ex-presidente deve ser barrado pela Justiça Eleitoral, ficou tudo na mesma. Sem Lula, Jair Bolsonaro mantém a ponta, com 20%. Depois vem o pelotão intermediário: Marina Silva, com 12%, Ciro Gomes, com 9%, e Geraldo Alckmin, com 7%. O petista Fernando Haddad, que ainda é apresentado como o vice de Lula, aparece com 4%.

TRÊS PERGUNTAS – Faltam sete semanas para a eleição, e três perguntas devem definir o que acontecerá até outubro. São as seguintes: 1) Bolsonaro bateu no teto? 2) A TV empurrará Alckmin para o segundo turno? 3) Quantos votos Lula conseguirá transferir para Haddad?

Da primeira pergunta, depende o número de vagas em disputa. Com 20% dos votos totais, Bolsonaro parece ter um pé no segundo turno. Se ele subir mais, restará aos demais concorrentes brigar para enfrentá-lo. Neste caso, Marina, Ciro, Alckmin e Haddad se engalfinharão num jogo de Resta Um. Se o capitão tiver estacionado, todos continuarão no tabuleiro.

TEMPO DE TV – A segunda questão tem inquietado os tucanos. Ao abraçar o centrão, Alckmin apostou tudo na velha fórmula de garantir o maior tempo de TV. O problema é saber se o latifúndio eletrônico ainda terá tanto peso na era das redes sociais. “Não tenho certeza”, disse ao Globo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Se a resposta for negativa, Alckmin morrerá abraçado a Roberto Jefferson, Valdemar Costa Neto e outros aliados que cobraram caro por segundos de propaganda.

A terceira dúvida também continua no ar. O apoio de Lula será capaz de botar Haddad no segundo turno? O candidato do PT ainda é menos conhecido que os concorrentes diretos. Ele vai crescer nas próximas pesquisas, a questão é saber em que velocidade. Agora faltam apenas 47 dias para as urnas.

Bolsonaro esclarece que cometeu ato falho e que jamais pensou em sair da ONU

O presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) participa da formatura da Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende (RJ)

Bolsonaro fez críticas à ONU na formatura da AMAN

Talita Fernandes
Folha

Dois dias depois de ter afirmado que sairia da ONU caso seja eleito presidente, o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, voltou atrás e disse à Folha ter cometido um ato falho em Resende (RJ), no sábado (18). “Em Resende eu não falei conselho, houve um ato falho meu e ai já se começou dizendo que eu sairia da ONU. Eu jamais pensaria em sair da ONU. É sair do conselho de direitos humanos da ONU”, disse.

Ao participar de uma cerimônia de cadetes da Aman (Academia Militar das Agulhas Negras), na cidade fluminense, o candidato se referiu ao Comitê como antro de comunistas. “Não serve para nada essa instituição”, disse, ao criticar uma recomendação feita pelo Comitê de Direitos Humanos da ONU em favor do ex-presidente Lula.

NO TWITTER -Antes de dar a declaração sobre o caso do petista, o deputado federal havia publicado mensagem em sua conta no Twitter, afirmando que deixaria o conselho da ONU, sem especificar a qual conselho se referia. “Há mais ou menos 2 meses falei em entrevista que já teria tirado o Brasil do conselho da ONU, não só por se posicionarem contra Israel, mas por sempre estarem ao lado de tudo que não presta. Este atual apoio a um corrupto condenado e preso é só mais um exemplo da nossa posição”, escreveu.

Em conversa por telefone com a Folha nesta segunda-feira (20), o presidenciável disse que se referia, na verdade, ao comitê de direitos humanos apenas. “Eu vomitei aquilo sem falar de conselho de direitos humanos. Ai é onde houve uma falha minha.”

SEGUINDO TRUMP – O capitão reformado propõe exatamente o que fez o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, há dois meses, quando anunciou a retirada do país do conselho de direitos humanos da ONU. Os outros países que não fazem parte do organismo são Irã, Coreia do Norte e Eritreia.

Questionado sobre a crise migratória de venezuelanos em Roraima, Bolsonaro defendeu que o Brasil adote postura mais dura contra o governo de Nicolás Maduro e propôs a criação de um campo de refugiados, que seria auxiliado pela ONU.

“Quando você fala em refugiados você tem que buscar a ONU para apresentar uma alternativa”, afirmou. Ele disse concordar com a governadora de Roraima, Suely Campos (PP), em relação à sobrecarga dos serviços públicos estaduais com a chegada dos venezuelanos. Mas discorda dela sobre o fechamento de fronteiras, afirmando que isso não é possível.

TEM DE AJUDAR – “Tem que abrir um campo de refugiados, você não pode simplesmente deixar um pessoal habitar lá todos os espaços vazios de Pacaraima, de Boa Vista. Não pode deixar o pessoal jogado na rua, deixar o pessoal fazendo necessidades fisiológicas na rua. Ficar na rua praticando atos de vandalismo ou de crimes”, afirmou.

O presidenciável disse também não ser favorável à política de interiorização feita pelo governo de Michel Temer, que tem transferido voluntariamente refugiados de Roraima para outros estados do Brasil.

“O próprio venezuelano, no fundo, não quer vir para dentro do Brasil. Ele quer ficar próximo à fronteira para poder retomar pro seu pais na primeira oportunidade.”

SEM ESPAÇO – Segundo ele, não haveria espaço para os venezuelanos no mercado de trabalho já que o país tem cerca de 13 milhões de desempregados.

A fala de Bolsonaro, contudo, vai de encontro às estatísticas levantadas pelo governo brasileiro. Pelo menos 8 a cada 10 venezuelanos que entraram no Brasil por Pacaraima (RR) desde junho manifestaram intenção de ir para outras regiões do país. O dado faz parte de relatório do centro de triagem de Pacaraima e leva em conta 7.015 pessoas que foram acolhidas na fronteira de 18 de junho a 12 de agosto.

“Quando você faz um campo de refugiados você vai deixar esse pessoal lá em standby, pow. E buscar soluções para [eles voltarem] para o seu país. A primeira medida é essa. O governo tem que mostrar para a Venezuela o seguinte: não concordamos com o que está acontecendo ai. Tentar fazer com que esse governo do Maduro seja deposto legalmente.”

“Vai ser a eleição do celular contra a televisão”, diz analista eleitoral do IdeaBigData

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Sonia Racy
Estadão

Na disputa eleitoral em curso, que esquenta a partir do dia 31 com propaganda em rádio e televisão, “não dá pra pensar numa estratégia eficiente sem o WhatsApp. E não vai existir a tal separação entre propaganda na TV e as redes digitais”. Esse desenho de campanha é do analista eleitoral Mauricio Moura, do grupo IdeiaBigData. “Vai ser uma batalha entre o celular e a televisão”, resume, nesta entrevista a Gabriel Manzano.

Moura é um dos pioneiros, no País, do uso do chamado microtargeting eleitoral – a análise das pesquisas a partir de segmentos, como o evangélico, o feminino, o de alta renda – que implantou por aqui em 2010. Economista e pesquisador de políticas públicas na George Washington University e em Harvard, autor de livros e ensaios sobre a área, ele aplicou essa técnica nas eleições de Colômbia, Chile, Peru e México. O microtargeting “permite o uso eficaz da inteligência nas campanhas”. Com ele, o candidato “pode direcionar recursos para os nichos onde tem, de fato, potencial de votos”. A seguir, trechos da conversa.

No que o microtargeting difere de outras leituras da pesquisa eleitoral?
O microtargeting busca dados de redes sociais, fatia o eleitorado em segmentos e procura entender as nuances de cada universo, criando abordagens para cada um deles. É muito utilizado nos EUA, onde eu estudo e trabalho. E eu comecei a aplicar a técnica à realidade da América Latina. O que a gente faz é enxergar o eleitorado em segmentos. Por exemplo, os segmentos evangélico, feminino, o rural, o de alta renda.

O cenário pela frente, até 5 de outubro, é de luta mortal entre a tradicional propaganda na TV e os novos meios das redes digitais. Como avalia isso?
Primeiro: não há mais essa separação entre campanha na TV ou digital, é tudo uma coisa só. O conteúdo é todo integrado. Mas há alguns fatores relevantes nessa dinâmica, a começar pelo fato de que o acesso ao smartphone no Brasil aumentou demais. O cálculo é que existam hoje no País 90 milhões de WhatsApps ativos.


O que dá mais de um terço da população brasileira…

E se você comparar com 147 milhões de eleitores, dá mais que a metade. Como a maioria esmagadora desses cidadãos participa de grupos, a discussão política será intensa fora da TV. Fiz uma pesquisa nacional, em abril, na qual 75% das pessoas disseram que já tinham recebido conteúdo político no Whats. E 90% dos consultados esperam receber material eleitoral durante a campanha. Junte esses dados a outro recém-divulgado pelo Facebook, de que as pessoas olham o celular em média 30 vezes ao dia. Conclusão: daqui até outubro, ele vai concorrer diretamente com a televisão.

Terá a mesma ‘audiência’?
O que percebo é que a audiência do programa eleitoral na TV, aquela sequência de 10 minutos, caiu nos últimos tempos. Em 2008 monitorei a procura desses horários em São Paulo e Rio. Ela forma um “U” ao longo da campanha: alta no começo, cai depois para subir na semana final. Esse ápice era de 22 pontos em 2008 e encolheu para apenas 6 pontos em 2016. O que se constata é que a propaganda eleitoral pela TV perdeu a relevância. O que cresceu em importância foram os spots de 30 segundos dos partidos. Eles sim é que podem concorrer com o celular.

Ou seja, os 9 segundos do Bolsonaro poderão ter um peso negativo menor que o imaginado. Essa previsão faz sentido?
Fazemos aqui uma conta sem Lula. Os dois atuais líderes na pesquisa, Bolsonaro e Marina, têm pouco tempo mas isso não significa que estarão inteiramente fora da TV. Eles vão aparecer nos noticiários noturnos. Ali dirão o que pensam, o que estão fazendo, onde… Com o spot na TV o candidato tem seus 30 segundos – e serão 44 inserções diárias. Somem-se o spot, o celular, os telejornais e o resultado é que quem souber trabalhar pode fazer uma campanha eficiente.

Há uma avaliação de que todo o barulho nas redes sociais não muda voto de ninguém. Que é um grito fanático de cada lado. Ou seja, o potencial de mudança de voto nas redes seria mínimo.
Acho que esse é um raciocínio muito para as redes, onde os algoritmos colocam para discussão pessoas que pensam igual. Nesse sentido, essa visão é correta. Mas o WhatsApp não é algoritmo. Ele é aberto, o eleitor vê críticas e defesas de todos os lados, escolhe qual deles quer ver e qual quer apagar. Isso torna possível se criar bolhas de discussão.

Você se referiu, recentemente, ao voto envergonhado, em especial para Trump nos EUA. Vamos ter voto envergonhado por aqui – no caso, para Bolsonaro?
Temos tido vários exemplos de voto envergonhado. O Trump nos EUA, a Marine Le Pen na França, Esta eleição brasileira abriga mais radicalismos que as anteriores e isso é algo a se considerar. Ela pode se tornar um desafio enorme para os institutos de pesquisa, pois em eleições muito apertadas o voto envergonhado pode fazer a diferença. Na eleição do Trump, ele e a Hillary Clinton estavam empatados em alguns Estados, como Flórida e Ohio. Ali ele acabou levando.

Então o que decide mesmo, no final, é a renda?
Ela é a principal variável eleitoral. A eleição sempre teve como fator predominante a economia, coisas como geração de emprego e renda. Mas este ano entraram dois novos temas, a segurança e a corrupção. A Lava Jato igualou os partidos na cabeça do eleitorado. O que pode sair disso? Minha primeira expectativa é que vamos seguir com o aumento dos votos em branco, nulos e abstenções. Esse índice foi de 28,5% em 2015 e chegou a 35% nas municipais de 2016. E no segundo turno destas últimas bateu nos 41%.

(entrevista enviada por Mário Assis Causanilhas)

‘A ofensiva internacional agora vai aumentar’, diz Haddad sobre candidatura de Lula

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Haddad diz que vai exigir a presença de Lula nos debates

Deu em O Tempo
(Estadão Conteúdo)

O candidato a vice-presidente pelo PT, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira, 20, que o partido vai aumentar as ofensivas internacionais para tentar garantir que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso desde abril pela Operação Lava Jato, esteja presente na disputa eleitoral de 2018. A afirmação foi dada na saída da visita de Haddad e da presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann, a Lula na cela da Superintendência da Polícia Federal (PF), em Curitiba.

“Ele considera muito importante e histórica essa participação da ONU (Organização das Nações Unidas) nos assuntos internos e com a concordância do Brasil, porque o País internalizou a convenção que torna a ONU uma autoridade no âmbito nacional. Nossa ofensiva internacional vai aumentar a partir disso”, afirmou Haddad, na saída da PF.

RECOMENDAÇÃO – O Comitê de Direitos Humanos (CDH) das Nações Unidas recomendou na sexta-feira, 17, que o Estado brasileiro “tome todas as medidas necessárias” para que o ex-presidente Lula possa exercer seus direitos políticos enquanto estiver preso e não tenha sua candidatura à Presidência barrada até que todos os recursos tenham sido esgotados.

Para Haddad, as autoridades brasileiras não devem desafiar a recomendação das Nações Unidas. Gleisi ainda completou dizendo que a eleição brasileira assumiu “relevância internacional”. “Não é pouca coisa o que a ONU decidiu, o que determinou ao Brasil, garantir a candidatura (de Lula). A democracia do Brasil está sendo observada pelo mundo”, disse.

Haddad afirmou também que o PT irá utilizar a decisão do Comitê da ONU para reforçar o pedido para que Lula participe dos debates na TV. “Vamos ingressar na Justiça com esse aval da ONU”, disse o ex-prefeito de São Paulo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –  
Caramba! Se a pressão internacional aumentar, a tampa da chaleira pode explodir e eu não quero estar por perto… Trump e Putin ainda não se manifestaram, mas o Pepe Mujica renunciou ao mandato de senador no Uruguai. Será que foi por causa do Lula??? (C.N.)

Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la, ensina o poeta Antonio Cicero

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Site Poemas & Canções
O filósofo, escritor, compositor e poeta carioca Antonio Cícero Correa de Lima, membro da Academia Brasileira de Letras, afirma que escrever, publicar ou declamar um poema serve, apenas, para acondicionar o que se deseja guardar.


GUARDAR
Antonio Cícero

Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.
Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por
admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.
Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela.
Por isso melhor se guarda o vôo de um pássaro
Do que um pássaro sem vôos.
Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,
por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que se quer guardar.

Maioria do eleitorado desaprova a atuação dos candidatos ao Planalto, diz o Ibope

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Charge do Newton Silva (newtonsilva.com)

Pedro do Coutto

Uma pesquisa interessante foi feita pelo instituto IPSOS para o jornal O Estado de São Paulo, objeto de reportagem de Daniel Bramatti, edição de ontem, indagando se os eleitores e eleitoras aprovam ou desaprovam a atuação dos candidatos na fase atual que antecede a abertura da campanha nas emissoras de rádio e televisão. Prevaleceu a desaprovação o que possivelmente, de acordo com o Ibope, fez a aprovação a Lula subir para a escala de 37%. Esse levantamento numa segunda etapa aponta o quadro sem o ex-presidente.

Aí Bolsonaro lidera com 20, seguido de Marina com 12, Ciro 9, Alckmin 7. Na perspectiva de Haddad substituir Lula, o ex-prefeito da cidade de São Paulo registra 4%. Logo em seguida aparece Alvaro Dias com 3 pontos. Os demais dividiram-se entre os que registram 1 ponto e outros ficam com 0%.

APROVAÇÃO – Mas vamos aos números do cotejo entre aprovação e desaprovação. A atuação de Alvaro Dias é aprovada por 8% contra uma desaprovação de 46. A parcela que eleva o resultado a 100 refere-se aos que não opinaram. Ciro Gomes é aprovado por 19% e desaprovado por 65. Alckmin tem 17 de aprovação e 70 de desaprovação. Guilherme Boulos tem aprovação de 3% e desaprovação de 47. Henrique Meirelles é aprovado por 5 pontos e desaprovado por 80. Bolsonaro é aprovado por 25 e desaprovado por 73. Marina é desaprovada por 61 e aprovada por 30%.

O quadro parece colidir com a pesquisa do Ibope, mas não é bem assim. Os que lideram o levantamento, no fundo, são os que ocupam os lugares de mais destaque, partindo-se do princípio de que a intenção de voto pode divergir da aprovação ou não das ações dos candidatos.  Vamos esperar que o Ibope finalmente tenha focalizado a colocação dos candidatos com base dos segmentos sociais.

Os índices de aprovação e desaprovação podem balizar, daqui para frente o desempenho dos candidatos, em vários casos corrigindo como pode se supor os enfoques menos populares das mensagens.

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ALGUNS EQUÍVOCOS SOBRE BOLSONARO

Em uma entrevista a Naief Haddad, edição de ontem, a historiadora  Heloísa Starling sustenta que Jair Bolsonaro está defendendo um autoritarismo político e não os valores militares que destacou como incluídos em seu programa de governo. A historiadora tem várias obras publicadas, mas no decorrer da entrevista comete alguns equívocos.

O primeiro é comparar a posição atual de Lula com a de Getúlio Vargas em 1945. Não é só a diferença entre o fato de Vargas se encontrar na sua fazenda e Luizs Inácio na prisão. Vale apenas acrescentar que Vargas ditador deposto em 29 de outubro, elegeu-se senador por dois estados e deputado federal por cinco. Seu apoio foi decisivo na vitória do General Eurico Dutra sobre o Brigadeiro Eduardo Gomes.

Um outro equívoco foi o de dizer que Vargas pertencia ao PSD. Na realidade,Vargas foi o criador do PTB.

Mas esses enganos não são importantes para reduzir a importância das palavras de Heloisa Starling. Os enganos se vão com o vento.

Se mantiver José Dirceu em liberdade, o Supremo ficará ainda mais desmoralizado

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Charge do Aroeira (Portal O Dia/RJ)

Carlos Newton

Vivemos uma Era das Trevas, em matéria de Justiça. De repente, ficou claro que a Constituição Cidadã é a maior responsável pela impunidade dos criminosos e tem muitos dispositivos que já deveriam ter sido alterados desde a primeira revisão, em 1994, após cinco anos de promulgada. De lá para cá, já foram aprovadas 106 emendas. E por mera coincidência, é claro, nenhuma delas se referiu a eliminar os privilégios dos políticos e dos criminosos endinheirados, que podem comprar (a palavra é esta) sua “presunção de inocência” até julgamento em terceira instância, no Superior Tribunal de Justiça, ou até mesmo na derradeira instância, o Supremo.

Na verdade, a Constituição foi ficando tão desprestigiada que os ministros do Supremo se deram ao direito (inconstitucional) de alterar determinações de seus dispositivos, como procedeu Ricardo Lewandowski em 2016, ao armar a preservação (inconstitucional) dos direitos políticos de uma presidente da República atingida por impeachment.

NECESSIDADE – É claro que houve novas “interpretações” de textos constitucionais que foram movidas pela necessidade, como a prisão após condenação em segunda instância, para tirar o Brasil de uma posição vexaminosa e alinhá-lo com a legislação vigente em 191 países do mundo (ONU tem 193 membros, apenas o Brasil e uma outra nação ainda estendiam a presunção de inocência à terceira instância).  

Também foi por absoluta necessidade que a maioria dos ministros do STF mudou a interpretação do foro privilegiado, que era outro vexame internacional a que estava submetida a Justiça brasileira.

HÁ AS BRECHAS – Mas as reinterpretações deixam furos. Como no caso da Ficha Limpa, aprovada como lei complementar, ao invés de ser emenda constitucional, como aponta o jurista Jorge Béja. Assim, há dois anos o Supremo aprovou a constitucionalidade da Ficha Limpa, mas ficou a brecha, e o PT passou a alardear que Lula, mesmo condenado, ainda mantinha os direitos políticos.

A situação submete a ridículo o Brasil no cenário internacional. Não é possível entender e levar a sério um país em que um presidente tenha sido condenado por corrupção e lavagem de dinheiro, esteja preso, cumprindo pena de 12 anos e um mês, mas mesmo assim possa ser candidato a presidente e conduzir a campanha da cela, recebendo quem bem entende e por tempo indeterminado. É claro que isso é uma maluquice jurídica e carcerária que só existe no Brasil.

SEM DIREITOS – É óbvio que todo criminoso que está cumprindo pena definitiva tem automaticamente suspensos seus direitos políticos. Se não pode votar, também não pode ser votado. Mas a legislação brasileira é uma loucura, permite que criminoso seja representante do povo, trabalhe no Legislativo e durma na cadeia, como já ocorreu várias vezes e o último exemplo foi do deputado João Rodrigues (PSD-SC), que acaba de ser solto, porque a pena prescreveu – e a generosidade nas prescrições é outra excrescência brasileira.

Como os membros do Comitê da ONU podem entender uma bagunça jurídica desse nível? Eles leram a denúncia dos advogados de Lula e concluíram que é preso político. Ora, se Lula tem direitos políticos e pode ser candidato, qualquer restrição será uma violência institucional.

Por isso, o texto dos dois relatores é impositivo, não tem nada de “recomendação”. Na verdade, a mensagem “manda” o Brasil permitir que Lula dispute a eleição em igualdade com os demais candidatos.

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P.S. 1 É claro que a determinação dos relatores não será obedecida. Por falta de informações confiáveis e por açodamento, o Comitê da ONU fez uma maluquice jurídica comparável às que cometemos a todo momento aqui no Brasil.

P.S. 2 José Dirceu vai a julgamento hoje. O parecer da Procuradoria-Geral da República não deixa dúvidas, é inquestionável. Se a Segunda Turma mantiver a liberdade dele, concedida à margem da lei através da “plausibilidade de inocência” inventada por Dias Toffoli, a imagem da Justiça brasileira ficará ainda mais emporcalhada do que já está. (C.N.)

“Lula está mesmo inelegível”, confirma ao TSE o vice-procurador-geral eleitoral

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Parecer de Jaques defende a impugnação da candidatura

Deu em O Tempo
(Estadão Conteúdo)

Em manifestação encaminhada nesta segunda-feira, 20, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o vice-procurador-geral eleitoral, Humberto Jacques, sustentou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) – preso e condenado no âmbito da Operação Lava Jato – “está inelegível”. Jacques reiterou ao TSE o pedido para que o registro do petista seja rejeitado pela Corte Eleitoral.

A candidatura de Lula ao Palácio do Planalto já é alvo de dez contestações, entre elas as impugnações apresentadas pelo Ministério Público Eleitoral, Partido Novo, pelo candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, e pelos candidatos a deputado federal Alexandre Frota (PSL-SP) e Kim Kataguiri (DEM-SP), líder do Movimento Brasil Livre (MBL).

OUTRAS IMPUGNAÇÕES – O pedido de registro do petista também foi contestado em quatro petições assinadas por três advogados e um bacharel em direito. Uma resolução do TSE prevê que qualquer cidadão pode, no prazo de 5 dias da publicação do edital ao pedido de registro, “dar notícia de inelegibilidade ao tribunal eleitoral competente”.

No documento enviado ao TSE, Humberto Jacques ressaltou que a Lei da Ficha Limpa prevê que estão inelegíveis para qualquer cargo os políticos que forem condenados por órgão colegiado (desde a condenação até o prazo de oito anos após o cumprimento da pena) por crimes contra a administração pública e de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores, como é o caso de Lula.

CONDENAÇÃO – Em janeiro deste ano, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) condenou o ex-presidente a 12 anos e um mês de corrupção pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá.

Jacques ressaltou que as petições apresentadas pelos quatro cidadãos noticiam a condenação do petista pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no TRF-4. “Tal circunstância implica na inelegibilidade do candidato”, destacou o vice-procurador-geral eleitoral.

“Com efeito, o candidato está inelegível, e o mesmo fato fundamenta a impugnação apresentada pelo Ministério Público Eleitoral. (…) Diante do exposto, o Ministério Público Eleitoral manifesta-se pelo reconhecimento da causa de inelegibilidade noticiada, com o consequente indeferimento do registro de candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva, reiterando-se, na oportunidade, todos os termos da impugnação apresentada”, concluiu Jacques.

TRAMITAÇÃO – O relator do pedido de registro de Lula no TSE é o ministro Luís Roberto Barroso, vice-presidente do tribunal. Conforme informou o Estadão/Broadcast na última quinta-feira, 16, Barroso pretende imprimir ao registro de candidatura de Lula o mesmo rito previsto para qualquer outro candidato que dispute o Palácio do Planalto.

Na condição de relator do registro, caberá a Barroso ditar o ritmo do processo. O ministro já indicou que pretende deixar a decisão sobre o caso para o plenário da Corte Eleitoral, por se tratar de um tema institucionalmente relevante.

Dessa forma, integrantes do tribunal acreditam que o plenário vai julgar o registro do ex-presidente apenas no início de setembro, com a propaganda partidária já sendo veiculada no rádio e na televisão. O horário eleitoral gratuito começa no dia 31 de agosto.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Não se sabe onde a reportagem do Estadão tirou essa certeza de que Lula vai participar do horário gratuito. Tudo indica justamente o contrário – que o julgamento ocorrerá antes do dia 31 e Lula não participará do horário eleitoral na TV e no rádio. (C.N.)

Piada do Ano! Advogado de Lula insiste que a ordem da ONU tem que ser cumprida 

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Zanin está decepcionado com o desinteresse do Supremo

Katna Baran
Estadão

O advogado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) Cristiano Zanin afirmou nesta segunda-feira (20) que o comunicado emitido pelo Comitê de Direitos Humanos da Nações Unidas (ONU) sobre a candidatura do político é de cumprimento obrigatório. Na semana passada, o comitê solicitou ao Brasil que tome as medidas necessárias para que o político possa exercer seus direitos políticos como candidato nas eleições presidenciais, ainda que na prisão.

“Essa é uma decisão obrigatória, que o Brasil tem que cumprir. O País se obrigou soberanamente perante o mundo a aceitar a jurisdição do Comitê da ONU, então uma liminar desse órgão tem que ser cumprida”, declarou o advogado, depois de visitar o ex-presidente na cela da Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, onde o petista está preso desde abril, condenado em segunda instância pela Operação Lava Jato no caso do triplex no Guarujá (SP).

JULGAMENTO JUSTO – Segundo Valeska Teixeira Zanin, mulher e sócia do defensor do ex-presidente, o comunicado não tem conflito com a Lei da Ficha Limpa. “(A decisão) advém de um comunicado individual em que nós principalmente alegamos a falta de julgamento justo, independente e imparcial. Esse processo ainda está em julgamento e seu mérito ainda será analisado no ano que vem, provavelmente”, explicou a advogada.

Zanin observou ainda que há decisões anteriores dos tribunais superiores brasileiros – em especial do Supremo Tribunal Federal (STF) – reconhecendo comunicados do Comitê da ONU. “O próprio ministro (do STF) Luís Roberto Barroso cita em decisões de sua autoria precedentes do Comitê da ONU”, disse, sem no entanto mencionar exemplos desses precedentes.

PEDIDO – Os relatores do Comitê da ONU acatou um pedido liminar feito pelo defensor do petista na corte, Geoffrey Robertson, para que as autoridades brasileiras “tomem todas as medidas necessárias para permitir que o autor desfrute e exercite seus direitos políticos da prisão como candidato nas eleições presidenciais de 2018, incluindo acesso apropriado à imprensa e a membros de seu partido politico”.

No comunicado emitido na última sexta-feira (17) em Genebra, os relatores solicitam que esse direito “inclua o acesso apropriado à imprensa e membros de seu partido político”. 

A Vara de Execuções Penais de Curitiba, à qual Lula está subordinado, tem negado pedidos de entrevista com o petista e o Ministério Público Federal do Paraná questionou a indicação de políticos como Fernando Haddad e Gleisi Hoffmann como advogados do ex-presidente alegando que ele tem usado a prisão como espaço para articulações eleitorais.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Tudo isso faz parte da encenação do “jus sperniandi”. Podem reclamar na ONU, na OEA, no Vaticano e na Sociedade Protetora dos Animais, que não adianta nada. O Supremo simplesmente desconhece a “ordem” do Comitê. O fato é que Lula da Silva está preso, cumprindo 12 anos e um mês de prisão por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. No Brasil, somente detentos que estão em “prisão provisória” têm direito de votar e ser eleito. No caso de Lula, é prisão definitiva, circunstância que o torna inelegível e sem direitos políticos por oito anos. O Comitê da ONU pode espernear à vontade, não adiantará nada. A lei brasileira está sendo cumprida e Lula não poderá ser candidato. (C.N.)

Ibope dá Lula à frente, Ciro empatado com Marina, e Alckmin parado em vez de subir

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Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Por G1, Brasília

Pesquisa Ibope divulgada nesta segunda-feira (20) apurou os percentuais de intenção de voto para presidente da República em dois cenários com candidatos diferentes do PT – o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro cenário e o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad no segundo.

No cenário que inclui como candidato do PT o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a pesquisa apresentou o seguinte resultado: Luiz Inácio Lula da Silva (PT): 37%; Jair Bolsonaro (PSL): 18%; Marina Silva (Rede): 6%; Ciro Gomes (PDT): 5%; Geraldo Alckmin (PSDB): 5%; Alvaro Dias (Podemos): 3%; Eymael (DC): 1%; Guilherme Boulos (PSOL): 1%; Henrique Meirelles (MDB): 1%; João Amoêdo (Novo): 1%; os demais sem pontuação.

COM HADDAD – Lula está preso em Curitiba, condenado em segunda instância no caso do triplex no Guarujá. Pela Lei da Ficha Limpa, ele está inelegível. Por essa razão, a Procuradoria Geral da República impugnou (questionou) a candidatura. O caso está sendo analisado pelo ministro Luís Roberto Barroso e será decidido pelo TSE depois de ouvir a defesa de Lula, a favor do registro da candidatura.

Em razão desse quadro jurídico, o Ibope pesquisou outro cenário, com o atual candidato a vice na chapa de Lula, Fernando Haddad.

Nesse cenário, o resultado seria: Jair Bolsonaro (PSL): 20%; Marina Silva (Rede): 12%; Ciro Gomes (PDT): 9%; Geraldo Alckmin (PSDB): 7%; Fernando Haddad (PT): 4%; Alvaro Dias (Podemos): 3%; Eymael (DC): 1%; Guilherme Boulos (PSOL): 1%; Henrique Meirelles (MDB): 1%; João Amoêdo (Novo): 1%; Cabo Daciolo (Patriota): 1%; Vera (PSTU): 1%; João Goulart Filho (PPL): 1%. Branco/nulos: 29%, Não sabe/não respondeu: 9%.

Sobre a pesquisa, margem de erro: dois pontos percentuais para mais ou para menos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Infelizmente, o Ibope não divulgou a pesquisa espontânea (“Em quem você vai votar?”), a mais importante, em que indecisos, brancos e nulos fazem maioria absoluta. Nas simulações apresentadas, as novidades são duas: Ciro em empate técnico com Marina e Alckmin estacionado, ao invés de subir. (C.N.)

Ação movida pelo MDB realmente pode tirar 36% do tempo de TV de Geraldo Alckmin

Geraldo Alckmin

Alckmin ainda vai se defender no TSE e diz estar tranquilo

Deu no Estadão

O candidato à Presidência Geraldo Alckmin (PSDB) pode perder 36% do seu tempo de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV caso o pedido feito pelo MDB anule parte da sua coligação nas eleições 2018. Nesta sexta-feira, 17, a campanha do ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles entrou com uma contestação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo a invalidação do apoio de DEM, PP, PRB, PR, PTB e Solidariedade ao tucano.

O ex-governador de São Paulo classificou o pedido como “tapetão”. “Não há nenhuma divergência na coligação. É tapetão puro. Estive em todas as convenções”, disse o tucano após participar de um evento em São Paulo com sua vice, Ana Amélia (PP), na manhã deste sábado.

SEM OS PARTIDOS – O argumento dos advogados do MDB é de que os partidos registraram em convenção apenas o apoio ao nome de Alckmin sem formalizar o desejo de se coligar com as outras legendas que o apoiam.

Os defensores dos emedebistas alegam que o apoio à coligação tucana deveria constar “expressamente da ata o nome dos partidos coligados, a fim de que se permita aferir objetivamente a confluência das deliberações partidárias”. Por essa interpretação, só dois partidos da chapa cumpriram a exigência: PPS e PSD.

O caso vai ser relatado pelo ministro Tarcisio Vieira que deve tomar uma decisão antes do início da propaganda eleitoral, que começa dia 31 de agosto.

48% DO TEMPO – Atualmente, Alckmin tem sozinho 48% do tempo destinado à propaganda eleitoral. O segundo maior tempo é o do PT, com 20%; seguido de Meirelles com 17%.

Em termos práticos, o tucano apareceria sozinho por 5 minutos e 32 segundos dos 12 minutos e 30 segundos reservados para a apresentação dos candidatos à Presidência.

Comissão do PSB tenta impugnar a candidatura de Márcio Lacerda em Minas

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Lacerda afirma que o TRE vai registrar sua candidatura

Heitor Mazzoco
O Tempo

Na tentativa de tirar Marcio Lacerda (PSB) da disputa pelo governo de Minas Gerais, a comissão provisória do PSB de Minas entrou com pedido de impugnação do registro de candidatura do ex-prefeito de Belo Horizonte junto ao Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG). O PSB de Minas afirma no documento de 240 páginas que Lacerda desrespeitou decisão da legenda em nível nacional, que optou em não lançar candidatura própria nas eleições deste ano.

De acordo com o diretório do PSB de Minas, Lacerda tinha ciência de que a executiva nacional poderia alterar, cancelar ou aprovar as coligações em todo Brasil.

COLIGAÇÃO – O documento ainda afirma que a coligação feita por Lacerda em Minas Gerais – formada por PSB, PRB, PDT, MDB, Podemos, PV e Pros – não tem diretrizes de “esquerda ou centro-esquerda”.

“De se ver, com todo respeito, que diversos partidos ‘cobiçados’ pela então direção partidária provisória estão longe de pertencer ao espectro de esquerda ou centro-esquerda, tal como exigido pela Resolução nº 001/2018 do Congresso Nacional do Partido, composto por mais de 200 delegados. Nesse contexto, de deliberada intenção de descumprimento das diretrizes partidárias, a resposta trouxe preocupação ao Diretório Nacional e também começou a gerar profundas desavenças no contexto das próprias lideranças estaduais”, diz trecho do documento protocolado na sexta-feira (17).

PROJETOS PESSOAIS – A comissão provisória do PSB de Minas alega ainda que a candidatura de Marcio Lacerda e suas alianças são “pouco focadas nos projetos estaduais dos partidos e mais canalizadas para a realização de seus próprios projetos pessoais”.

“A candidatura de Márcio Lacerda ao Governo nada tinha de certa ou pacífica dentro da agremiação, pois passou ele a ser igualmente cogitado para disputar a Vice-Presidência da República, e até o Senado, com partidos diversos, o que colocava em situação de inquestionável dúvida e precariedade a sua alegada pretensão, mas, por igual, colocava em xeque os motivos subjacentes às suas pretendidas alianças, pouco focadas nos projetos estaduais dos partidos e mais canalizadas para a realização de seus próprios projetos pessoais”, diz a comissão provisória.

A assessoria de imprensa de Marcio Lacerda responde que a “ação não tem legitimidade, porque no dia 2 de agosto a Nacional do PSB fez intervenção em Minas. No dia 3 de agosto conseguimos liminar que manteve a direção estadual. A candidatura é legitima e a direção nacional sempre apoiou”.

Dinastias políticas do Brasil lançam mais de 60 candidatos nas eleições

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Bonifácio Andrada (PSDB) quer eleger os filhos e um neto

Ranier Bragon
Folha

​”Não, de jeito nenhum! Estou em plena atividade”. Aos 88 anos e com 15 mandatos legislativos na bagagem, o deputado federal Bonifácio de Andrada (PSDB-MG) resolveu enfim deixar a Câmara. Mas não a política. Tanto é que vai tentar emplacar um filho no seu lugar, além de um outro filho e um neto na Assembleia de Minas.

A bicentenária linhagem parlamentar que se inicia com José Bonifácio de Andrada e Silva (1763-1838), conhecido como o Patriarca da Independência, produziu Andradas políticos em todas essas décadas e, a depender da família, continuará a produzir.

EM FAMÍLIA – A dinastia sediada em Barbacena (MG), um dos palcos da Inconfidência Mineira, é relevante símbolo de uma prática que apesar de toda a onda antissistema continua forte nas atuais eleições: a política em família.

Ou em famílias. Sobrenomes que se espalham no país e que representam dominação e influência em regiões ou no estado todo. Algumas em decadência, outras em ascensão. Umas mais poderosas, outras mais localizadas.

As principais dinastias políticas do Brasil lançaram mais de 60 candidatos nas eleições de outubro, mostra levantamento feito pela Folha nos registros da Justiça Eleitoral. Se levados em conta os núcleos familiares menores, o número aumenta expressivamente.

COORDENADOR – “A campanha dos meus filhos e do meu neto quem está coordenando sou eu. Estou orientando tudo, estou fazendo tudo, participando ativamente da política”, diz Bonifácio. O neto dele, Doorgal Andrada, já é vereador em Belo Horizonte. Tem 25 anos.

“Eles serão a sexta geração. Eu sou a quinta geração que ininterruptamente desde 1823 tem um deputado na Câmara dos Deputados. E eu falei com eles: tratem de segurar a bandeira. Até aqui eu segurei, agora vocês têm que levar daqui pra frente.”

Atualmente o Brasil tem cerca de duas dezenas de grandes clãs políticos. Um dos mais longevos é comandado pelo ex-presidente José Sarney (MDB), 88, hoje sem mandato, e passa por um momento delicado. Tenta se reerguer no seu reduto, o Maranhão, cujo comando de quatro décadas foi parar em 2014 nas mãos do oposicionista Flavio Dino (PC do B).

FILHOS E NETO –  A filha Roseana (MDB) tentará retomar o governo. Outro filho, o ex-ministro Sarney Filho (PV), é candidato ao Senado. O neto Adriano (PV) é o nome da família à reeleição para deputado estadual.

Em bem melhor situação estão os Calheiros em Alagoas, os Barbalho no Pará e os Ferreira Gomes no Ceará.  Em Alagoas, Renan Calheiros (MDB) disputa a reeleição ao Senado. O filho, a reeleição ao governo do estado. Um irmão, a reeleição à Assembleia. Um sobrinho é prefeito de Murici (AL), seu reduto eleitoral.

No Pará, o clã Barbalho lançou cinco nomes: o de Jader (MDB) ao Senado (reeleição), o de seu filho Helder ao governo, além de duas ex-mulheres e de um primo à Câmara dos Deputados.

MAIS CLÃS – No Ceará do presidenciável Ciro Gomes (PDT), seu irmão Cid disputa o Senado. Outra irmã, a Assembleia. Outros dois irmãos estão em cargos executivos, no governo do estado e no comando da Prefeitura de Sobral, berço político da família.

Na Paraíba, os Cunha Lima têm quatro candidatos. No Rio Grande do Norte, os Alves e os Maia lançaram oito nomes ao todo. Em Pernambuco, a principal aposta do PSB para a Câmara é João Campos, 24, filho do ex-governador Eduardo Campos (morto em 2014), que era neto do ex-governador Miguel Arraes (1916-2005). Os Coelho, outro clã do estado, lançaram três nomes.

EM TODO O PAÍS – Embora com projeção geográfica e histórica menor, núcleos políticos familiares se proliferam em todo o país. Um dos mais simbólicos são os Tatto, na Capela do Socorro, em São Paulo, local apelidado de Tattolândia. Três dos cinco irmãos petistas são candidatos em 2018, ao Senado, Câmara e Assembleia Legislativa. Dois são vereadores na capital.

No Rio, há atualmente um clã de candidatos de pais encarcerados. Filhos de Sergio Cabral (MDB), Eduardo Cunha (MDB) e Jorge Picciani (MDB) são candidatos na atual eleição. Antonhy Garotinho (PRP), que chegou a ser preso no ano passado, é candidato ao governo. Dois de seus filhos, a deputado federal.

DIAS E BOLSONARO – Entre os presidenciáveis, além de Ciro há outros concorrentes com familiares na política. Como Alvaro Dias (Podemos) e Jair Bolsonaro (PSL). Três filhos do capitão reformado são parlamentares. Dois deles, candidatos em 2018.

Em estudo publicado em 2014, a Transparência Brasil mostrou que quase a metade dos integrantes da Câmara e do Senado alavancou parentes ou foi por eles promovido, com percentual mais alto entre nordestinos, mulheres e detentores de concessão de rádio e TV.

“Entra e sai governo, os oligarcas e seus filhos, netos, cônjuges, irmãos e sobrinhos seguem dando as cartas. A transferência de poder de uma geração a outra da mesma família provoca tanto a formação de uma base parlamentar avessa a mudanças significativas como a perpetuação no poder de políticos tradicionais desgastados ou até impedidos de concorrer em eleições.”

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NOTA DA REDAÇÂO DO BLOG
O número de famílias na política é muito maior e se espalha por todos os partidos. No PT, por favor, há a família Viana, do patriarca Wildy Viana, ex-deputado federal, e os filhos Tião, governador, e Jorge, senador. O filho de Dirceu, Zeca, é deputado federal. Na verdade, mais da metade do Congresso é dominada por grupos familiares. (C.N.)

Em evento no Ceará, Ciro diz que vai isolar líderes de facções em presídios federais

Ciro Gomes discursou em Fortaleza na noite deste sábado (18) (Foto: Reprodução/TV Verdes Mares)

Ciro disse também que a proposta da Serasa está de pé

Por G1 CE

O candidato à Presidência da República Ciro Gomes (PDT) afirmou em Fortaleza (CE) que vai mandar facções que atuam no estado para solitárias em presídios federais. Ele declarou que o Ceará não produz armas ou drogas e que o governo do estado não pode resolver sozinho a questão da disputa por territórios de tráfico.

“Tem que ter um presidente da República que diga em alto e bom som ‘atenção PCC, atenção Comando Velho (….), atenção GDE’, e eu chegando à Presidência da República, vai ‘tudinho’ para presídio federal com solitária, sem comunicação”.

EVENTO -Ciro Gomes participou de evento para promover candidatos do PDT à Câmara e ao Senado. Ele chegou por volta das 21h30 horas e discursou cercado de correligionários. Sua participação terminou na madrugada deste domingo (19).

Ciro Gomes voltou a citar a proposta de tirar brasileiros do cadastro de endividados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). Segundo ele, no Brasil, nos últimos dois governos, foram empregados R$ 354 bilhões em renegociação de dívidas de empresas, em programas de renegociação de dívidas, conhecidos como “Refis”. Afirmou que, para limpar o nome de 63 milhões de pessoas no SPC, seriam necessários R$ 60 bilhões.

“Sabe quanto é que precisa financiar, e não é dinheiro do Tesouro, para tirar R$ 63 milhões de brasileiros da humilhação de não poder matricular o filho na escola porque estão com o nome no SPC? Custam R$ 60 bilhões. Se fizermos o financimento disso, a prestação em 30 meses fica em R$ 40. Está tudo estudado”, disse.

 A DIFERENÇA – O candidato do PDT à Presidência da República afirmou ainda que a diferença entre o Brasil “desmantelado, desempregado e violento” e o “Brasil riquíssimo” está na política e o eleitor precisa saber quem é o candidato, e se o mesmo é coerente.

“Nenhuma sociedade amadurecida democraticamente se apaixona por político. A sociedade madura, consciente, bota um pé atrás, olha para todos, não entra nisso de que é todo mundo igual, e começa a perguntar de onde veio, quem é? O que ele fala? Porque o bicho mais parecido com papai noel é político em época de eleição. Então, vai ter um trabalhozinho. Tem coerência entre o que ele fala e o que ele andou fazendo?”, indagou.

Indecisos, brancos e nulos continuam vencendo a eleição, com 57,1%, e Lula tem 20,7%

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Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Gabriela Sá Pessoa
Folha

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato do PT à eleição presidencial, lidera as intenções de voto da pesquisa CNT/MDA, divulgada nesta segunda-feira (20). Lula tem a preferência de 37,3% dos eleitores ouvidos na pesquisa estimulada. Dessa parcela, 17,35% disseram que votariam em Fernando Haddad, candidato à vice-presidência na chapa petista, caso Lula não possa disputar a eleição.

O ex-presidente registrou sua candidatura no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) na última quarta-feira (15). Condenado em segunda instância pelo TRF-4 no caso do tríplex do Guarujá e preso em Curitiba desde abril, ele pode ser impugnado. Nesse caso, Haddad assumiria a vaga do PT na eleição presidencial, com Manuela D’Ávila (PC do B) como vice.

BOLSONARO – Em segundo lugar, Jair Bolsonaro (PSL) registrou 18,3% das intenções de voto na pesquisa estimulada. Na sequência, aparecem Marina Silva (da Rede, com 5,6%), o candidato do PSDB Geraldo Alckmin (4,9%) e Ciro Gomes, com 4,1%. Alvaro Dias (Podemos) tem 2,7% e os outros candidatos não chegaram a pontuar 1%.

Segundo essa sondagem, Marina Silva herdaria 11,9% dos votos petistas e Ciro Gomes, 9,6%. Jair Bolsonaro foi citado por 6,2% e Alckmin por 3,7%.

Declararam voto branco ou nulo 14,3% dos entrevistados e 8,8% se disseram indecisos.

EM AGOSTO – A pesquisa foi realizada entre os dias 15 e 18 de agosto de 2018 e ouviu ouviu 2.002 pessoas, em 137 municípios de 25 estados e a margem de erro é de 2,2 pontos percentuais.

Tanto Lula quanto Bolsonaro cresceram em intenções de voto, comparando esta pesquisa com a sondagem anterior da CNT/MDA, divulgada em maio.  O petista foi citado por 32,4% dos pesquisados e o capitão reformado do Exército, por 18,8%.

Marina Silva tinha 7,6% das intenções de voto e Alckmin, 4%. Ciro Gomes registrou 5,4% em maio.

SEGUNDO TURNO – Num eventual segundo turno, Lula derrotaria todos os candidatos e teria de 49% a 50% dos votos. Contra Ciro, venceria por 49,4% a 18,5%. Contra Alckmin, por 49,5% contra 20,4%. Se o oponente fosse Bolsonaro, Lula teria 50,1% ante 26,4% do candidato do PSL. Também estaria à frente de Marina, com 49,8% dos votos e ela, com 18,8%.

Bolsonaro aparece à frente dos adversários, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Se ele fosse ao segundo turno contra Ciro Gomes, o placar seria de 29,4 pontos para o deputado federal e de 28,2 para o ex-governador do Ceará. Contra Alckmin, Bolsonaro tem 29,4% da intenções de voto e o tucano, 26,4%.

O cenário mais apertado é no enfrentamento do capitão reformado com Marina Silva: 29,3% para Bolsonaro e 29,1% para a candidata da rede.

Os demais cenários de segundo turno: Ciro (26,1%) versus Marina (25,2%), Marina (26,7%) versus Alckmin (23,9%) e Ciro (25,3%) versus Alckmin (22%).

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A matéria da Folha é como o biquíni – mostra o supérfluo e esconde o essencial. Na pesquisa mais importante, a espontânea, pergunta-se em quem o eleitor vai votar. A disputa continua sendo vencida pelos indecisos, com 39%, enquanto os brancos e nulos têm18,1%, perfazendo maioria absoluta 57,1%. Entre os candidatos, Lula tem 20,7%, Bolsonaro 15,1%, Alckmin 1,7%, Ciro 1,5%, Álvaro 1,3%, Marina Silva 1,1%, e os demais somam 1,4%. Estes são os números que valem, se a eleição fosse hoje. O resto é folclore. (C.N.)

 

STF vai decidir se continua descumprindo a lei para manter Dirceu em liberdade

O ex-ministro José Dirceu, em junho, em frente ao fórum do Tribunal de Justiça do Distrito Federal (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Dirceu aproveitou para colocar silicone em suas bochechas

Mariana Oliveira
TV Globo, Brasília

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) vai decidir nesta terça-feira (20) se mantém a decisão de libertar o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. Em documento enviado à Suprema Corte nesta sexta (17), a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu que os ministros revejam a decisão. No fim de junho, por três votos a um, a turma decidiu soltar o ex-ministro petista, com condenação confirmada em segunda instância a mais de 30 anos de prisão.

Ele começou a cumprir pena em maio por corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa na Operação Lava Jato, mas foi solto um mês depois por ordem do STF.

PLAUSIBILIDADE – Na ocasião, o ministro Dias Toffoli votou para liberação do ex-ministro até o julgamento de recurso contra a condenação no Superior Tribunal de Justiça (STJ) em razão da “plausibilidade jurídica” do recurso, ou seja, por considerar que a argumentação do recurso poderia levar a uma revisão da condenação, mesmo que somente na redução da pena.

Relator da Lava Jato, o ministro Luiz Edson Fachin pediu vista, mais tempo para analisar a questão. Mesmo diante do pedido de vista, os outros três ministros da turma – Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski – decidiram conceder liberdade a Dirceu pelo menos até que Fachin devolvesse o processo para julgamento na turma.

Agora, a Segunda Turma vai decidir se concorda com o voto de Toffoli e autoriza que ele aguarde o resultado do recurso ao STJ em liberdade, ou se manda prender Dirceu novamente porque ele tem condenação confirmada em segunda instância.

FUNDAMENTO – Na prática, a Segunda Turma pode confirmar uma exceção na prisão após condenação em segunda instância se houver fundamento no recurso apresentado aos tribunais superiores.

Raquel Dodge pediu que a turma reconsidere a decisão porque, segundo ela, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região somente enviou para o Superior Tribunal de Justiça o recurso que trata sobre os valores a serem devolvidos e isso não tem o condão de levar a uma redução da pena, conforme argumentou a defesa.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A plausibilidade foi inventada por Dias Toffoli, no afã de libertar o velho amigo, a quem deve sua indicação e nomeação ao Supremo. Só existe plausibilidade quando ocorre acórdão com pequena diferença de votos, hipótese que propicia apresentação de embargos infringentes. No caso de Dirceu, a decisão do TRF-4 foi por unanimidade e ainda aumentaram a pena dele. A libertação de Dirceu foi uma decisão fora da lei, que desmoraliza a Justiça brasileira. (C.N.)