A mentirosa e ilusória redução de impostos e o mistério da ficha que não cai

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Charge do Lane (Arquivo Google)

 


Percival Puggina

Sabe aquela ficha que você insere na fenda adequada e volta para a sua mão por haver seguido percurso errado? Pois é. Lembrei-me muito dela ao acompanhar os recentes acontecimentos nacionais. Passavam-se os dias, a vida tornou-se uma verdadeira sala de aula, a conta crescia e a ficha era devolvida. Aliás, a festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, etc., etc.. Mas a ficha ainda não caiu. “E agora, José?”, perguntaria novamente Drummond.

A aritmética financeira do Estado é muito simples porque o bem-amado ente político que denominamos Estado só tem um bolso, o do cidadão. Mediante uma sutileza chamada imposto, em vez de nos punguear diretamente, ele nos obriga a lhe entregar dinheiro.

CONTRIBUINTES –  Nesses atos – não sem certo sarcasmo – os cidadãos recebem do erário o gratificante e honroso título de “contribuintes”. Contribuintes das cotidianas coletas coercitivas organizadas nos diversos níveis do assim chamado poder público (outro sarcasmo da linguagem política), desta feita aplicado a si mesmo.

Sendo tão simples a aritmética oficial, se quem manda gasta e quem obedece paga, parece inacreditável que a maior parte da população não demonstre qualquer interesse em protestar contra os gastos do Estado. Obviamente, é a despesa pública que determina quanto tempo por mês trabalharemos para o Estado. Imposto é o preço da vida civilizada, disse alguém, e é também o preço do gasto público, complemento eu. Tudo piora quando o lado perdulário dessa relação perde o controle e começa a pedir dinheiro emprestado.

DINHEIRO NOVO? – Nessas circunstâncias, muitos “contribuintes” passam a imaginar que o aumento da despesa não está impactando os impostos que paga. É como se se tratasse um dinheiro novo, que logo ali adiante, salgado pelos juros, não fosse buscado nos bolsos de sempre. Nessas horas, não faltam vozes para exigir “auditorias”, ou pregar calote.

Gasto, déficits e empréstimos, por essas forças inexoráveis do destino, têm que ser pagos. Greves com reivindicação salarial, subsídios públicos, custeio de empresas estatais, luxos e mordomias, obras suntuosas e supérfluas como as da Copa e dos Jogos Olímpicos, penduricalhos de categorias funcionais e toda a despesa incumbida ao Estado oneram o lado pagador dessa relação.

Mesmo assim, nunca falta quem se perfile ao lado da criação de tais contas e por elas pressionem como exigências da justiça e dos mais nobres impulsos do coração humano. Onde estavam tais vozes enquanto a Petrobras era saqueada e o preço do combustível usado para proselitismo eleitoral?

REDUZIR IMPOSTOS? – Deveria ser o povo, então, o primeiro a se insurgir contra novas despesas, especialmente as não virtuosas, contra a irresponsabilidade fiscal e contra a velha prática de conceder benefícios a alguns à custa de todos. De longa observação, e com raras exceções, a atribuição de qualquer ônus ao poder público se faz em meio a ruidosos e incompreensíveis aplausos.

Fala-se muito, nestes dias, em reduzir impostos, como se o Estado estivesse entesourado ou entesourando. E se deixa de lado o gasto público em seu longo e persistente crescimento. O diabo da ficha não cai!

3 thoughts on “A mentirosa e ilusória redução de impostos e o mistério da ficha que não cai

  1. O brasileiro é um povinho complicado. Essa mesma gente que chora e esperneia, reclamando da extorsiva carga tributária, é a própria que se converte em pagadora de dízimos e ofertas. Todo sacrifício pela aquisição, ou apenas contemplação de uma mercadoria abstrata, sem embalagem, selo de garantia ou prazo de validade. E o pior: no caso de descuprimento das contraprestações, as leis do Procon não alcançam o tratante (trapaceiro) Vá entender esse povo!
    A nossa vocação por pagar taxas, visando retorno ilusório, isso autoriza o governo a nos arrochar com mais impostos!

  2. O Brasil se encalacrou ao aderir à demagógica onda socialista das soluções fáceis para tudo através de leis e impostos, geridos por um estado forte, inaugurado em 35 pelo ditador Getulio. O tal Estado Novo.

    Desmontá-lo é quase impossível, pois o povo se viciou nele, como um dependente de crack, que viaja na ilusão do “bem estar”, que esse tipo de estado promete em suas leis, que são impossíveis de serem cumpridas e pior, impedem o progresso do país.
    Assim,como fazer entender a um paciente drogado, como o nosso povo, que é esse Estado “Crack” que lhe prejudica?

  3. De repente os preços subiram, índices de aluguel fechou acumulado em 12 meses(maio/17/18) 4,26%, quando estava negativo, basta ir aos supermercados que já estão aumentando por conta do processo eleitoral, assim age o mercado, mas o único a ter prejuízo é o povo, não adianta colocar o culpa na greve dos caminhoneiros, simplesmente o mercado só atende seus interesses, a carga tributária neste país é anormal, é a ganância, especulação, tudo para aproveitar o momento, se for alguém que se alinhe ao mercado, os preços começam a cair e a inflação abaixar, país surreal o Brasil.

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