Ao interferir na política do país, o general Villas Bôas compromete o Exército 

Marina Silva e Villas Bôas

Villas Bôas primeiro ouviu Bolsonaro e depois Marina…


Carlos Newton

Os sites e portais da grande imprensa divulgaram neste sábado que a pré-candidata Marina Silva (Rede) reuniu-se sexta-feira com o general Eduardo Villas Bôas, comandante do Exército no Quartel-Geral de Brasília, conhecido como Forte Apache. A ex-senadora não divulgou o encontro em sua agenda, onde constava apenas o registro de “assuntos internos”, e sua assessoria argumentou que o encontro não foi registrado, porque a equipe de campanha considerou que caberia aos militares, autores do convite, tornar pública a reunião.

Mas o encontro acabou sendo divulgado pelo próprio comandante, por meio do Twitter: “Prosseguindo nos contatos com os pré-candidatos à Presidência da República, ocasião onde apresentamos alguns temas, sob a ótica do Exército, que consideramos importantes serem discutidos por quem pleiteia dirigir a Nação, recebi a sra. Marina Silva em nosso QG (quartel-general) do Exército”, escreveu Villas Bôas.

SÉRIE DE CONVERSAS – Na rede social, o general acrescentou que o encontro faz parte de uma série de conversas que está tendo com os pré-candidatos ao Palácio do Planalto para tratar de “temas que sob a ótica do Exército são importantes para serem discutidos com quem pleiteia dirigir a Nação”. E o primeiro dele foi Jair Bolsonaro (PSL-RJ) e depois Marina veio a ser convidada.

Nunca antes, na História deste país, tinha ocorrido nada igual. Antigamente, os comandantes militares participavam da política através de conchavos e articulações de bastidores. Mas tudo passa, tudo muda, e o general Villas Bôas resolveu agora ter uma participação direta, ao convocar Bolsonaro sigilosamente, sem constar da agenda, o que é errado – erradíssimo, aliás.

Ao divulgar o encontro com Marina (e a reunião anterior com Bolsonaro), o comandante se redime deste erro e abre uma ligeira transparência a respeito, com a divulgação de uma foto mostrando que Marina estava acompanhada do deputado Miro Teixeira (Rede/RJ) e de um outro paisano, enquanto três oficiais participavam da reunião junto com o general Villas Bôas.

QUESTIONAMENTO – O comportamento do comandante provoca uma inquietante questão: O militar pode/deve participar da política?

Como se sabe, o Regulamento Disciplinar do Exército proíbe militares de se manifestarem publicamente a respeito de assuntos de natureza político-partidária, ao menos que sejam autorizados. Além disso, o militar da ativa “não deve participar de discussão a respeito de assuntos de natureza político-partidária ou religiosa” e também precisaria de autorização para “discutir ou provocar discussão, por qualquer veículo de comunicação, sobre assuntos políticos ou militares”. Por fim, um militar também não pode “tomar parte, fardado, em manifestações de natureza político-partidária”.

Portanto, é claro que o general Villas Bôas está abusando, ao entrar na seara política e costear o alambrado, como dizia Leonel Brizola.

E ABUSOU ANTES – Na noite de 3 de abril, véspera do julgamento do habeas corpus do ex-presidente Lula da Silva pelo Supremo, Villas Bôas disse em suas redes sociais que repudia a “impunidade” e que o Exército “está atento às suas missões institucionais”. E assinalou: “Reitero meu compromisso em defesa da liberdade e da democracia. Nenhum perigo real ou imaginado pode justificar que isso seja roubado dos brasileiros”.

No dia seguinte, 4 de abril, Marina Silva fez o seguinte comentário: “A manifestação do comandante geral do exército, às vésperas da decisão do STF, pela investidura do cargo que ocupa, pode levar a interpretações inadequadas para o bom funcionamento da democracia e das instituições”, afirmou a ex-ministra por meio de nota, com inteira razão, porque comandante militar não tem de dar pitaco em política, diria nosso amigo Chico Anysio. É um abuso institucional, sem a menor dúvida.

VOLTA AO QUARTEL – Surgem outras dúvidas, é claro. Esse comportamento tem aprovação do Alto-Comando? Se não tem, é falha grave, mas se tem autorização, passa a ser um erro de conduta gravíssimo, por demonstrar que há um desrespeito coletivo ao Regulamento Disciplinar do Exército.

O mais preocupante, porém, é que a interferência no processo político indica claramente que este país pode estar à beira de um golpe militar, como se fosse uma republiqueta das bananas ou um reinado tribal.

Espero estar enganado, mas o general Villas Bôas em nada está contribuindo para o desenvolvimento da democracia brasileira.

21 thoughts on “Ao interferir na política do país, o general Villas Bôas compromete o Exército 

  1. A verdade é que não temos democracia, temos sim cleptocracia é um bando de ladroes nos roubando sempre é isso não acaba sem força. Ou temos uma força civil para romper com o que está posto ou teremos uma força militar. Aguardem os corruptos do STF, dia vinte e seis próximos soltarem o maior enganador que esse país já teve. Quando vemos a mídia quase toda ela defender um sujeito como o Lula, vai por terra qualquer esperança de que um dia teremos um país decente.

  2. Atualmente, o RDE-Regime Disciplinar do Exército tornou-se apenas uma sigla. Na grande maioria dos Estados, companhias e batalhões das PMs (também regidas pelo RDE) viraram comitês eleitoreiros, quase sempre, alinhados ao governador local. Tudo começou com os Clubes de Cabos e Soldados, agora se proliferou pelas corporações inteiras.
    Nos comicios, principalmente, da situação há um numeroso staff fortemente aramado, composto por policiais e EXs, com patentes de saldados rasos a coronéis.
    A presença desses jagunços chapas-branca, com autorização para matar, deixa o ambiente de discursos e provocações um tanto quanto explosivo.

  3. O Antagonista esta informando agora que Villas Boas irá se encontrar com Haddad, representante de Lula. O General esta admitindo uma possibilidade de candidatura do condenado a presidência? Se estiver é o fim.

    Fachin pediu que o recurso da defesa do condenado pedindo a soltura de Lula seja julgado no dia 26 de junho. Se soltarem o Lula, durante a copa do mundo, o povo tem que invadir o stf e expulsar esses ministros da segunda turma aos tapas, chutes e pontapés.

    O Lula tem o Trio de Mercenarios da segunda turma na mão. Esses caras precisam ser investigados. Porque tanto empenho em soltar um criminoso que arruinou o país?

  4. Esta enganado mesmo,CN.Essa regra democratica vale numa democracia verdadeira,nao nessa oligarquia cleptocrata em q vivemos.As forcas armadas como garantidoras da constituicao e integridade do pais sao responsaveis tbm no processo politico.Nao he a toa q o povo clama por intervencao.Chega de roubalheira e incompetencia .

  5. C.N.,
    Neste país onde um poder, o famigerado STF, uma pocilga, pelas palavras do Gilmar que lá chafurda, se tornou o grande protagonista, face aos não menos famigerados políticos e o executivo, as FFAA têm, por obrigação constitucional, manterem a ordem e não permitir a anarquia institucional que a esquerda tenta implantar.
    O General Villas Bôas, está ouvindo os candidatos.

  6. Caro Carlos Newton,
    Nós estamos vivendo na maior esculhambação institucional jamais vista nestas terras de Pindorama.
    Tivemos recentemente um abuso institucional, com a mais alta Corte de Justiça desse país se imiscuindo no poder legislativo brasileiro, no julgamento sobre o VOTO IMPRESSO, decidindo que o voto não seja impresso, ainda que lei ordinária votada no Congresso Nacional, ou seja, pelos representantes eleitos do povo brasileiro tivessem determinado a impressão do voto do eleitor brasileiro, sem a menor dúvida um inadmissível abuso institucional.

  7. Mais:
    Não haverá intervenção militar, se não, pelo voto.
    Isto o Villas Bôas já garantiu.
    Porém, permitir que um ladrão condenado em segunda instância, condenado pela lei da ficha limpa, seja candidato à presidência da república, pode ter certeza que não será permitido.

  8. A propósito da interferência na política do país, excelente o artigo abaixo transcrito.

    Pesquisa desmoralizada
    JOSE MAURICIO DE BARCELLOS
    http://WWW.DIARIODOPODER.COM.BR

    Transita pelo território livre da Rede Mundial dos Computadores um vídeo que revela, de forma clara, quão enganosas foram ao longo das últimas décadas – e continuam a ser – as campanhas midiáticas promovidas pelos poderosos com o concurso dos vendidos institutos de pesquisa de opinião pública, destinadas a manter o povo refém do perverso sistema que prevaleceu até agora.
    Refiro-me a um vídeo produzido por um cidadão comum que, depois de entrevistado na rua por um agente de campo, empregado de um desses conhecidos institutos, pretendeu exibir nas redes sociais o conteúdo do questionário que acabava de responder, sobretudo para que suas respostas se tornassem públicas, dando total transparência ao fato.
    O esforço foi em vão. O perplexo e aturdido entrevistador – ante a firme insistência do corajoso cidadão que o confrontava e, com desforço pessoal, o impedia de fugir do local e da câmara com a qual surpreendeu o pau mandado – temendo as consequências, agarrou-se desesperado aos seus papéis com os quais também escondia o rosto e tentava fugir da cena, como um punguista pego em flagrante. O desespero do pobre entrevistador me fez lembrar o do “Deputado de Temer” correndo, como um tonto, com a mala de propina recebida para o chefe, quando percebeu que poderia estar sendo filmado pela polícia.
    Penso que acontece algo de muito grave e de muito ruim por conta dessas pesquisas encomendadas, a peso de ouro, pelos donos do poder. Penso que já é público e notório – e por isso independe de prova – a existência de fatos e circunstâncias que justificam serem tais pesquisas vasculhadas, de cima a baixo, pela polícia e, com olhos de ver, pelo Ministério Público. Por que não? Nem se diga que tais pesquisas por terem registro compulsório no Judiciário que autoriza sua publicação estariam imunes a qualquer crítica. Se o que garante esta pratica é o princípio da liberdade de imprensa, em nome deste mesmo princípio constitucional, sua base de dados, seus métodos, seus critérios e todas as conclusões que daquelas possam advir devem ser auditadas ou, o que é melhor, devem ser franqueadas ao público irrestritamente.
    Relativamente à pesquisa de intenções de voto para o pleito de 2018 recém-publicada, por exemplo, acho que não há um só brasileiro, do tipo que enxerga um palmo adiante do nariz, que em virtude da fama de tendenciosidade do tal instituto fundado por gente do PT Ladrão, já não soubesse o que seus resultados iriam exibir. Tudo ali e todas as conclusões, conjecturas e insinuações, veladas ou expressas, tiveram, sem dúvida, um único objetivo: propagar que esta Nação roubada e desmoralizada pelo “Ogro de Garanhuns” estaria a exigir que o maior ladrão da coisa pública da história contemporânea deveria ser solto e eleito presidente da república. Como pode um engodo desta ordem restar impune sem que os órgãos de defesa dos interesses difusos da sociedade e de controle do País averiguem a lisura e a correção dos artífices desta “marotagem”?
    Percebam como tudo vem acontecendo. Uma entidade ou algum patife cheio de dinheiro encomenda e paga pela farsa. É evidente que a tal pesquisa não vai contrariar os interesses vis de quem paga por ela. Aliados a todos estão os conglomerados da comunicação que, ao receberem os resultados, passam a utilizar e a manipular os mesmos ao sabor de suas conveniências. É isso que ocorre e mais nada. Nossa sociedade tem efetivamente colhido nos últimos 30 anos as consequências de toda essa atividade espúria. O mal não é pouco.
    Esta recente pesquisa tendenciosa, tal como outras anteriores, insiste doentiamente em falar da possibilidade de o petista condenado como corrupto, como ladrão e puxando 12 anos de cadeia, vir a se inscrever no Tribunal Eleitoral e a de ser votado para presidente da república. Martelam sem cessar seus tais 20 ou 25% de votos que não se sabe de onde tiram. Contudo, nunca falam ou escondem que o bandidaço é rejeitado por quase 70% da população que vota.
    O curioso é que as pesquisas, relativamente a muitos outros presos e condenados, nada consideram quanto à probabilidade de serem soltos para concorrerem ao pleito de 2018. De seus formulários ou enquetes não constam os nomes de Sérgio Cabral, de Henrique Alves, de Geddel, de Gim Agello, de Palloci, de Zé Dirceu, de Cunha, de Renato Duque, de Delúbio, de Vaccari, de tantos outros e, também, do Fernandinho Beira Mar que, a meu sentir se fosse solto logo seria admitido como candidato a qualquer coisa, por alguma sociedade de bandidos travestida de partido político e, certamente, um instituto calhorda o colocaria na pesquisa com mais votos que muito homem de bem. Quem sabe acabaria ministro de Lula se toda essa maluquice não fosse apenas um devaneio?
    Tirante uma minoria de fundamentalistas e esquerdopatas que, em relação aos 200 milhões de brasileiros é insignificante, o Brasil não vota em líder algum, nem de direita nem de esquerda ou de centro. O certo é que o povo efetivamente não tem o mínimo necessário para viver com dignidade e seu anseio está ligado, antes de qualquer coisa, a quem quer que o satisfaça ou que lhe traga alguma esperança. Por isso, também, é tão fácil de ser ludibriado.
    De Sarney a Dilma nenhum deles tem como seu – exclusivamente por mérito ou liderança sua – os milhões de votos que receberam em determinado pleito eleitoral. Cadê os mais de 40 milhões de votos de Aécio, de Dilma, de Lula? Alguém imagina de sã consciência que, depois de tudo a quanto esta sociedade assistiu em virtude da “Operação Lava Jato”, os execráveis políticos repetiriam a façanha alcançada em pleitos eleitorais anteriores? Conquanto tivesse tido em meados do século passado momentos de liderança, a Nação Brasileira nunca teve um líder político ou um estadista porque, desafortunadamente, ninguém trouxe até aqui uma ideia que patrioticamente a arrebatasse. O grande Chanceler e Ministro da Fazenda de Getúlio Vargas, o advogado Osvaldo Aranha, um dia falou: “O Brasil é um deserto de homens e de ideias”.
    Ponderem. É preciso por fim a toda essa idiotice em torno da propagada ”transferência de votos pelos políticos”. Realmente, os votos de Lula que os institutos dizem representar uma parte do eleitorado não são e nunca foram dele próprio. Não são mais do que os votos das pessoas antes desempregadas ou que para nada deram na vida e assim, desta maneira, foram colocadas abusivamente na máquina governamental da União, dos Estados e dos Municípios, ao longo de vinte anos; são os votos dos que vivem às custas das verbas arrecadadas pelo PT, pelos sindicatos rufiões das massas trabalhadoras, pelos movimentos sociais, pelas ONG’S e demais agremiações partidárias que juntos integram o universo da quadrilha que nos explora há décadas; são os votos dos poderosos e daqueles que estes influenciam e alcançam, ou sejam, são os votos dos aliados aos chupins dos cofres públicos; são os votos da nossa gente sofrida que ao “Larápio-Mor” um dia mendigaram um pouco de chance para viver e acabaram pior do que estavam. Relativamente aos 200 milhões de cidadãos, não são tantos votos assim e, com certeza, não elegem presidente de lugar algum, nem mesmo do “lá vai bola futebol clube”.
    Todos aqueles votos estão presos e umbilicalmente ligados a um estado de necessidade que fará os eleitores migrarem para qualquer outra pessoa que lhes satisfaça os sórdidos interesses ou, na hipótese do povão, que lhe salve da miséria moral e financeira em que vivem. Toda essa população está sempre pronta para se lançar nos braços de quem o livre da indigência. Bolas, portanto, para as pérfidas conclusões e projeções que os odiosos institutos de pesquisa publicam. São meras ajeitações contra a realidade dos fatos. Não valem coisa alguma, mancham a iniciativa, mancham a sociedade.
    Por isso digo que aqui surge para o homem de bem uma oportunidade de desmascarar essa corja que nos tenta iludir há muito tempo. Ouso sugerir ao leitor amigo que, se lograr resgatar o vídeo ao qual me referi no início, o divulgue a cem por hora por esses muitos “Brasis”, alardeando toda nossa indignação contra aquela gente do mal.
    Jose Mauricio de Barcellos ex Consultor Jurídico da CPRM-MME é advogado. Email: bppconsultores@uol.com.br).

    • Excelente texto! Pelo que se vê, a gritaria pela “liberdade de informação” oculta e protege um nominativo perverso: para uma das ferramentas do controle social: “Mecanismos formadores de opinião pública”…

  9. O general Villas Boas está corrigindo um erro.Sim um erro. Como é amigo do deputado Onix gaucho como ele concordou em receber Bolsonaro. Lá foram Onix e Bolsonaro ao comando do Exército e conversaram por algum tem com o comandante. Lógico que ele deve ter refletido e convidou os outros candidatos. Não seria lógico falar de futebol. Deve ter falado alguma coisa que acha importante para o momento que o Brasil atravessa. O que deveria acontecer é as falas do general serem publicadas apos o recebimeto de todos os candidatos.

  10. Quanto ao Exército descumprir o seu regimento há difernça entre este e o STF que descumpre a Carta Magna e ninguém poder fazer nada o que é muitímo mais grave.
    Estou com o Exército.

  11. monte te besteiras… quem eh mesmo que tem a força? ffaa sempre …e todo mundo que nao concorda vai ficar bem quieto sem poder fazer nada… a nao ser que chamem o batmam…haha

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