País perde com segundo turno sem debates nem discussão das propostas

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Leandro Colon
Folha

Instituído pela Constituição de 1988, o sistema de votação em dois turnos faz com que o vencedor assuma o poder legitimado por mais de 50% dos votos válidos. Assim fosse lá atrás, teríamos em 1955 um segundo turno entre Juscelino Kubitschek e Juarez Távora. Na ocasião, JK foi eleito com 35,68% dos válidos, cinco pontos a mais que o segundo colocado e dez à frente do terceiro lugar, Adhemar de Barros.

Cinco anos depois, Jânio Quadros chegou à Presidência com 48%, uma vitória de 16 pontos sobre o marechal Lott, o candidato do governo JK.

E SE NÃO? – E se houvesse segundo turno naquele período? JK poderia ter sido derrotado e Brasília nem existido (para alegria de muitos). O Rio seria a capital até hoje. Talvez o país não tivesse vivido a tempestade dos sete meses de Jânio e quem sabe os anos seguintes, que levaram à derrubada de João Goulart e ao golpe militar de 1964, teriam sido diferentes.

Em meados dos anos 90, setores do Congresso flertaram com a revogação do modelo então recém-criado.

Passados 30 anos da Constituição, parece não haver dúvidas de que o sistema é justo. Não só porque evita a eleição de um presidente sem a maioria. A regra permite ao eleitor comparar dois projetos de poder e mergulhar com profundidade em questões tantas vezes desprezadas em uma disputa muito pulverizada.

DEBATER – O segundo turno oferece a oportunidade de debate entre os finalistas —seja para analisar melhor o que pensam, seja para verificar o comportamento diante de um adversário.

As eleições de 2018 caminham para um desfecho com pouca discussão sobre propostas e chances enormes de não haver encontro entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT). Perde o país, perde o eleitor.

O segundo turno já está arranhado pela neutralidade de partidos do porte de MDB, PSDB e DEM, como se não fossem responsáveis pelo Brasil recente. Só não foram piores que o PDT, que inventou um “apoio crítico” a Haddad, tendo seu candidato e terceiro colocado, Ciro Gomes, rumado para a Europa logo depois.

Na corrida ao Planalto, a rejeição a Haddad vira novo obstáculo para o PT

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Charge do Sinovaldo (Jornal VS)

Bernardo Mello Franco
O Globo

O favoritismo de Jair Bolsonaro não é mais o único problema do PT. A pesquisa divulgada ontem pelo Ibope mostra que Fernando Haddad passou a enfrentar um novo obstáculo. Pela primeira vez na campanha, seu índice de rejeição ultrapassou o do adversário.

De acordo com o levantamento, 47% dos eleitores descartam votar no petista. Isso significa que a rejeição a Haddad disparou nos últimos dias. Na véspera do primeiro turno, o índice era de 36%.

No caso de Bolsonaro, deu-se o inverso. Pelos números do Ibope, 35% dos eleitores não admitem votar nele “de jeito nenhum”. Na pesquisa anterior, o capitão era rejeitado por 43%.

FAKE NEWS??? – Os petistas associam a maré contra Haddad ao bombardeio de fake news nas redes. O petista tem sido alvo de uma onda de ataques abaixo da cintura. Já foi acusado até de defender o incesto, em postagem do bolsonarista Olavo de Carvalho.

A artilharia produziu efeito, e o petista teve que ir para a defensiva. Ontem ele levou a mulher e os filhos para a TV, num esforço para rebater a ideia de que seria um inimigo da família tradicional.

OFENSIVA VIRTUAL – Com o TSE de braços cruzados, Bolsonaro colhe os frutos da ofensiva virtual. Segundo o Ibope, ele abriu uma vantagem de 42 pontos entre os evangélicos. No contingente, sua vitória sobre Haddad seria um massacre: 66% a 24%.

A esta altura, reconquistar estes eleitores parece uma missão quase impossível para Haddad. Ainda mais com as máquinas das maiores igrejas neopentecostais, como a Universal de Edir Macedo, atuando abertamente para o capitão.

TEMER NÃO SE EMENDA – A menos de 80 dias de passar a faixa ao sucessor, Michel Temer não muda. Nem os hábitos, nem as companhias.

Logo mais, às 18h, o presidente abrirá o Palácio do Planalto para receber a visita de Valdemar Costa Neto. Ele mesmo, o ex-deputado condenado e preso no mensalão.

Campanha de Haddad chega a uma encruzilhada para tentar alcançar Bolsonaro

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Charge do Pataxó (Arquivo Google)

Leonardo Cavalcanti e Lucas Valença
Correio Braziliense

Diante dos números das pesquisas de intenção de votos francamente favoráveis a Jair Bolsonaro (PSL), os aliados de Fernando Haddad (PT) cobram uma mudança na campanha, principalmente em relação ao roteiro e à programação do presidenciável, que centrou as atividades em São Paulo nos últimos dias, desde o final do primeiro turno, em 7 de outubro. “Ele tem de sair da capital paulista. Com a possibilidade dos debates, até fazia sentido ficar mais tempo por lá, mas Bolsonaro tem evitado os confrontos, deixando Haddad parado, sem se movimentar na campanha”, disse um petista, reeleito com votação expressiva para o Congresso.

A agenda de Haddad mostra que um dia depois da votação, o ex-prefeito de São Paulo viajou para Curitiba, onde se reuniu com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso na Superintendência da Polícia Federal, condenado a 12 anos e 1 mês de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro. Nos bastidores, petistas adiantaram que seria o último encontro com o padrinho político até o fim do segundo turno, para evitar desgastes entre uma parte do eleitorado que, mesmo capaz de apoiar Haddad, se incomoda com a proximidade com o comandante do partido.

EM SÃO PAULO  – Na quinta-feira da semana passada, o presidenciável petista esteve em Brasília, onde se encontrou com o ex-ministro do Supremo Joaquim Barbosa. Porém, nos outros seis dias, Haddad permaneceu em São Paulo, em entrevistas e encontros com apoiadores.

Ontem, a pesquisa Ibope trouxe Bolsonaro na frente, com 59% dos votos válidos, contra 41% de Haddad. A intenção total de voto também traz o candidato do PSL na dianteira com 52%. Já o do professor registrou 37%. Por outro lado, o petista lidera a rejeição com 47%, enquanto o ex-militar possui 35% .

“Considerando que a campanha entre o primeiro e segundo tem apenas 20 dias, é muito tempo dedicado a São Paulo. Contra fatos não há argumentos”, afirmou outro parlamentar petista.

SEM DEBATES – Haddad até se encontrou com governadores, como Paulo Câmara (PE) e Ricardo Coutinho (PB) e falou com jornais e rádios. O problema é que a estratégia de permanecer em São Paulo tinha como ponto central a participação nos debates, por causa do tempo de deslocamento e a própria preparação para os confrontos.

Diante da pesquisa Ibope, que mostrou uma diferença de 18 pontos percentuais de Bolsonaro com relação a Haddad, uma fonte do alto comando petista informou que há um desânimo causado pela baixa capacidade de reação do petista frente ao capitão reformado.

“É uma corrida presidencial complexa, quase impossível, onde o imponderável é visto como a única salvação”, disse um petista, que se refere a um eventual deslize de Bolsonaro para a retomada de fôlego por parte do ex-prefeito de São Paulo.

FAZ SENTIDO – Apesar das críticas dos próprios petistas, analistas consideram que a campanha neste momento é mais voltada para os programas eleitorais e a internet. Para o professor da Universidade Federal de Minas Gerais Carlos Ranulfo, a intenção de Haddad em permanecer em São Paulo, neste segundo turno, faz sentido pelo pouco tempo de campanha. “A campanha é muito curta para que ele possa cobrir o país inteiro. Então, ele está investindo no tempo eleitoral e tentando diminuir a rejeição em São Paulo”, entende o pesquisador.

Questionado se esse foco no Sudeste não poderia diminuir os votos nas outras regiões, em especial o Nordeste, o professor diz acreditar que Bolsonaro não terá um crescimento tão diferente do que no primeiro turno nesses locais.

POLARIZAÇÃO – Carlos Ranulfo esclarece que, mesmo que o capitão reformado tenha “entrado” mais facilmente no Nordeste do que o PSDB em outras eleições — alcançando até 30% dos votos em alguns estados —, Bolsonaro tende a continuar com os números da primeira etapa. “Bolsonaro também não vai para o Nordeste.

Agora, ele entrou na região porque a campanha, no fim, ficou polarizada em duas candidaturas”, afirma.

Haddad amacia críticas de Cid Gomes: ‘Coisa meio acalorada, ele é meu amigo’

Haddad

Haddad tenta manter o apoio do PDT, mas está difícil

Daniel Weterman
Estadão

O candidato do PT à Presidência nas eleições 2018, Fernando Haddad, classificou como uma “coisa meio acalorada” as críticas feitas pelo senador eleito do Ceará Cid Gomes (PDT). “Uma coisa meio acalorada, não vou ficar comentando isso até porque eu tenho uma amizade com o Cid, ele fez elogios à minha pessoa”, disse Haddad a jornalistas na manhã desta terça-feira, 16. Em uma discussão, Cid Gomes disse que o PT perderá eleição se não fizer mea culpa e chamou a militância petista de ‘babaca’

O petista declarou que preferia ver o lado “positivo” das declarações do pedetista e que a amizade entre os dois continuaria a mesma. Haddad disputa o segundo turno da eleição presidencial com o candidato Jair Bolsonaro, do PSL. Levantamento feito por Ibope/Estado/TV Globo divulgado pouco antes do discurso de Cid Gomes aponta que Bolsonaro lidera a pesquisa com 59% dos votos válidos, contra 41% de Haddad.

DISCUSSÃO – Cid Gomes se envolveu em uma discussão com apoiadores do PT durante ato a favor ao candidato da sigla à Presidência, Fernando Haddad, na noite de segunda-feira, 15, em Fortaleza. Em vídeo que circula nas redes sociais, Cid faz elogios a Haddad, mas cobra que o PT faça um mea culpa para conquistar o apoio do eleitorado.

“Tem de pedir desculpas, tem de ter humildade, e reconhecer que fizeram muita besteira”, disse o senador eleito, sendo interrompido por pessoas da plateia. “É sim, é? Pois tu vai perder a eleição. Não admitir um mea culpa, não admitir os erros que cometeu, isso é para perder a eleição e é bem feito. É bem feito perder a eleição”, afirmou durante o ato.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Cid Gomes tocou num ponto fraco do PT. Quando o partido foi criado, havia a prática salutar da autocrítica, com reuniões frequentes. Depois que o PT chegou ao poder em 2003, a vaidade falou mais alto e nunca mais houve esse tipo de reunião. O PT virou um partido igual aos outros, quer dizer, pior do que os outros, porque traiu suas origens e se tornou uma fábrica de corrupção. (C.N.)

Mourão afirma que “o telhado de Haddad não é de vidro, é de porcelana…”

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Mourão acha que Bolsonaro pode se dar bem no debate

Gerson Camarotti
G1 Brasília

O general Hamilton Mourão (PRTB), candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro (PSL), disse ao Blog do Camarotti avaliar que o debate entre Bolsonaro e Fernando Haddad (PT) não seria um problema. “Depois da liberação médica, será preciso fazer um estudo de situação. Um debate é o que a gente chama na linguagem militar de um confronto direto”, disse Mourão.

“Nesse cenário, Bolsonaro enfrentaria Haddad com calma e serenidade. Até porque o telhado do Haddad não é de vidro. O telhado de Haddad é de porcelana”, disparou o general.

NÃO ERRAR – Agora, todo o cuidado na campanha é não errar. Ao blog, Mourão usou uma expressão militar para resumir a estratégia das duas últimas semanas antes da eleição: “Temos que manter a fisionomia da frente”. Segundo ele, pelo cenário atual, a expectativa na campanha é que Bolsonaro chegue a 60% dos votos e Haddad, a 40%.

Ele também disse que há uma demanda grande de políticos para conseguir uma agenda com Bolsonaro. “Tem muita gente querendo um encontro com Bolsonaro. O difícil tem sido encaixar essa agenda”, acrescentou.

BOLSA FAMÍLIA – De todo jeito, há um esforço para tentar alcançar o eleitor tradicional do PT, principalmente entre os que têm renda mais baixa e na região Nordeste. Para isso, Bolsonaro já propôs uma espécie de 13º do Bolsa Família. “Para a região do Nordeste, a proposta será de romper a lógica da indústria da seca”, disse Mourão.

Sobre a reforma da Previdência, ele voltou a defender a análise do tema logo depois da eleição. A área política da campanha de Bolsonaro quer tratar do tema apenas no próximo ano. “O ótimo é inimigo do bom. Bolsonaro terá seis meses com capacidade de aprovar matérias no Congresso. Mas se puder resolver isso antes, melhor!”, reforçou.

“O Erro de Descartes” e o acerto do filósofo budista Nagarjuna

Imagem relacionadaAntonio Rocha

“O Erro de Descartes” é o título de um livro que fez sucesso em todo o mundo. É um trabalho muito importante do neurobiólogo António Damaso, português radicado nos EUA, foi publicado aqui no Brasil pela Companhia das Letras, em 1996. O autor desafia os dualismos tradicionais que o Ocidente inventou: mente/corpo, razão/emoção, (esquerda/direita, acrescento eu), oferecendo uma visão científica e integrada do homem.

Quanto ao acerto de Nagarjuna, trata-se de um dos mais importantes monges e filósofos budistas de todos os tempos.

CONCEITO DO SER – Vejamos o que diz Daisaku Ikeda, conceituado filósofo budista japonês da atualidade:

“Atualmente, filósofos ocidentais estão começando a sentir grande interesse pelo pensamento budista e pela filosofia de Nagarjuna, em particular. Numerosas razões poderiam ser citadas para explicar esse fenômeno de alta significação. Entre elas está o fato de que Nagarjuna, embora tivesse vivido mais de 1000 (mil) anos antes de Descartes, já lançara um ataque devastador contra a preocupação excessiva com o conceito de ser (eu), conceito este tão fundamental na Filosofia Ocidental. Não é de admirar, portanto, que os filósofos do Ocidente, ao conhecerem agora a natureza das realizações de Nagarjuna, mostrem-se ansiosos para lhe compreender melhor as ideias”.

EM OXFORD – Entre seus verbetes, o “Dicionário Oxford de Filosofia” cita parte da biografia de Nagarjuna, incluindo-o, portanto, no rol dos grandes pensadores da humanidade.

Com todo o respeito à memória de Descartes e à sua célebre frase (“Penso, logo existo”), o filósofo francês concebia o ato de pensar separado do corpo, estabelecendo um abismo entre mente e corpo.

É bom ver a Ciência contemporânea corroborando milenares preceitos do budismo e, em especial, do filósofo Nagarjuna. Desde o século VI antes de Cristo, outro pensador, Sidarta Gautama, o Buda, afirmava que tudo está interligado: pessoas, fatos, situações, coisas etc.

IKEDA E ATHAYDE – O citado professor Daisaku Ikeda, consagrado escritor japonês, é membro correspondente da Academia Brasileira de Letras.

E o famoso escritor e jornalista Austregésilo de Athayde, que foi presidente da ABL, era membro da organização budista leiga Soka Gakkai, cujo presidente internacional é o nipônico Ikeda que já recebeu o título de Doutor Honoris Causa em diversas universidades e faculdades do Brasil e exterior.

A nova onda conservadora e a volta da política irracional do “nós contra eles”

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Roberto Nascimento

Está ficando mais difícil, à medida que o tempo passa, a reversão dos votos em favor do candidato Haddad. Bolsonaro amplia a vantagem na última pesquisa do Ibope, captando os votos de protesto da classe média e da classe A. Tudo pode acontecer quando as urnas forem abertas, ou até mesmo não acontecer nada. Mas uma coisa já é certa, o Congresso será mais conservador do que o atual.

Chamado de o Sr. Diretas, ícone da Constituição de 1988, o deputado Ulysses Guimarães afirmou sabiamente: “Se vocês reclamam do atual Congresso, esperem pelo próximo, que será bem pior”. A máxima do doutor Ulisses é confirmada a cada quatro anos.

ONDA CONSERVADOR – De norte a sul do país foram eleitos deputados e senadores majoritariamente conservadores na economia e restritivos de direitos no campo social.

As propostas dos representantes eleitos na onda conservadora têm foco também na redução da maioridade penal e no confronto letal com os bandidos, em detrimento do desbaratamento das quadrilhas através da inteligência investigativa.

Quanto aos milhões de desempregados, suas excelências eleitas têm como proposta simplória a diminuição da folha salarial, para que os empresários possam contratar mais empregados, com salários menores. E todos lembram que a presidente Dilma tentou aumentar a oferta de empregos desonerando a folha das empresas, e o resultado foi a queda na arrecadação de impostos, sem a contrapartida esperada da geração de empregos. O impeachment resultou da desastrada política de desonerações, entre outros equívocos da área econômica.

O CASO DORIA – A mediocridade é tanta, que uma deputada federal, eleita pelo Estado de São Paulo, aportou há alguns dias no Rio de Janeiro trazendo a tiracolo o Sr. Doria, candidato a governador por São Paulo neste segundo turno. Trata-se de político autointitulado de outsider, que abandonou seu mentor Geraldo Alckmin na corrida presidencial pelo PSDB. Doria esperava gravar um vídeo com apoio de Bolsonaro a ele, para surfar na onda e se cacifar contra seu adversário Márcio França, do PSB.

Demonstrando sagacidade política, Bolsonaro rejeitou a manobra de Doria, ao se declarar neutro nas disputas aos governos estaduais do Rio e de São Paulo. E sequer recebeu o candidato a governador pelo PSDB, o que deixou o ex-prefeito muito contrariado e frustrado.

SERÁ ADVERSÁRIO – O senador eleito de SP, Major Olímpio farejou o perigo Dória já para as eleições presidenciais de 2022, caso seja eleito agora governador, o que o tornaria um adversário em potencial. Todo governador de São Paulo almeja disputar a corrida presidencial.

Nessa quadra da vida da nação, as contradições do “nós contra eles”, “direita ou esquerda”, “privataria ou estatização”, “democracia ou autoritarismo”, “imprensa livre ou censura”, enfim, o resultado das urnas abertas em 7 de outubro mais do que responde ao enigma dos dilemas: Trata-se de um tsunami eleitoral de viés ultraconservador.

Os brasileiros estão trilhando o mesmo caminho do mundo capitalista ocidental, cujo exemplo maior foi a eleição de Donald Trump nos EUA, acompanhada de derrotas dos candidatos da esquerda em quase todos os países europeus.

MAQUIAVEL – A razão está com o pensador florentino Nicolau Maquiavel, na esteira do artigo do jornalista Sérgio Augusto (Estadão de 04/08/2018), descrito abaixo:

“O Príncipe alerta para as sociedades divididas em facções, onde as pessoas começam a se ver como inimigas mortais, como grupos de interesses conflitantes, continuamente à beira de uma guerra civil”.

Maquiavel previu os salvadores da pátria, à moda Sassá Mutema, como o alter ego de Fernando Collor, o caçador de marajás, tipos que surgem de tempos em tempos como Messias, prontos para levar a classe média e os pobres rumo ao paraíso na Terra.

“NÓS CONTRA ELES” – A divisão entre Sudeste/Sul e o Norte/Nordeste é um mau presságio. A nação precisa continuar unida para o combate sem trégua contra os inimigos externos e os calabares internos. Somente assim seguiremos nosso destino grandioso, o país do futuro promissor, que nos espera no cenário das grandes nações.

Lembremo-nos da Iugoslávia presidida pelo Marechal Tito, da URSS presidida por Michail Gorbachev e da Líbia comandada por Muamar Kadaffi, que retrocedeu 50 anos na onda da Primavera Árabe. São países levados pelas ondas diversionistas, que enfraqueceram seus povos, retalhados sem dó nem piedade pelos mesmos colonizadores imemoriais das nações.

Alea jacta est, como disse César, o Imperador Romano.

“Já ir se acostumando” – o slogan deveria servir para o próprio Bolsonaro

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Reprodução do Arquivo Google

Vera Magalhães
Estadão

Um dos resumos mais fiéis da maneira como parte dos eleitores de Jair Bolsonaro se relacionam com o candidato, a imprensa, a Justiça, os adversários do deputado e até amigos que não comungam da sua fé é o martelado slogan “é melhor JAIR se acostumando”. Derivada política do “vão ter de me engolir” do velho lobo Zagallo, a frase embute uma ameaça velada: depois da vitória de Bolsonaro, parecem crer seus seguidores, tão fervorosos quanto avessos a contrapontos e ponderações, todos aqueles que não estão no barco estarão sujeitos aos ditames da nova ordem. De modo que seria melhor se resignarem.

As pesquisas parecem indicar que eles estão certos no diagnóstico: tudo indica que Bolsonaro será o próximo presidente do Brasil. Nesse aspecto, portanto, é melhor ao País já ir se preparando para o que será seu governo.

JAIR FALANDO – Para isso, seria importante o candidato já ir falando o que pretende fazer caso eleito em questões que realmente dizem respeito às atribuições de um presidente; já ir se dispondo a debater com seu adversário, que foi colocado no segundo turno por uma parcela do eleitorado que ele também terá de governar caso eleito, já ir amansando seus radicais e já ir entendendo que instituições como imprensa e Justiça Eleitoral não são inimigos a serem evitados ou descredenciados, mas pilares importantes da sociedade.

Assim como Bolsonaro e bolsonarianos se voltam a todos aqueles que não vivem da adoração ao mito e dizem que é melhor já ir se acostumando a ele, a democracia pressupõe a possibilidade de resposta: deputado, o senhor precisa já ir se familiarizando aos ritos, às demandas urgentes e aos freios e contrapesos que ditarão, tendo como base as estritas normas da Constituição e apenas elas, o que o senhor deverá e poderá fazer depois que subir a rampa do Palácio do Planalto.

JAIR ACEITANDO – Ao insistir dia sim, outro também, na alegação de fraude nas urnas eletrônicas, Bolsonaro desrespeita o voto, em primeiro lugar, e a Justiça, em seguida. A tese é tão desarrazoada que, nesta sexta-feira, ao lado de um deputado eleito da expressiva bancada de 52 integrantes de seu partido, ele chegou a dizer que a fraude ocorreria apenas para a Presidência da República!

Seria um mero atentado à inteligência nacional não fosse a assustadora adesão a essa mistificação repetida por ele, pelo alto escalão da campanha e do partido e até por parte dos que foram eleitos com votações consagradoras por essas mesmas urnas.

O livro Como as Democracias Morrem, de Steven Levitsky e Daniel Ziblatt, mostra que o ataque à lisura das eleições é uma característica comum a vários políticos, de esquerda ou de direita, em países desenvolvidos ou em desenvolvimento, que passaram a minar as instituições.

JAIR DIZENDO – Bolsonaro disse, na mesma transmissão ao vivo, que vai mudar o sistema de votação se eleito, deixando em aberto que formato seria esse.

Paralelamente ao clima de desconfiança e desinformação quanto à regularidade do pleito que provavelmente irá conduzi-lo ao Planalto, o candidato investe em caracterizar a imprensa como adversária ou inimiga. Por mais que aliados sejam instados a evitar falar com os jornalistas, é um misto de ingenuidade e, de novo, arrogância achar que isso será o bastante para que os veículos deixem de investigar, cobrar propostas, cotejar programas, escrutinar o passado dos candidatos (e dos eleitos), apontar incongruências e contradições, esmiuçar os bastidores, denunciar abusos.

É isso que a imprensa livre e profissional faz, e os ativistas de redes sociais, não. Não resta outro caminho dentro dos marcos do estado democrático de direito a não ser já ir respeitando.

A deusa Iara de nossas águas, na visão poética de Guimarães Rosa

Resultado de imagem para guimarães rosaPaulo Peres
Site Poemas & Canções
  

O médico, diplomata, romancista, contista e poeta João Guimarães Rosa (1908-1967), nascido em Cordisburgo (MG), é um dos mais importantes escritores brasileiros de todos os tempos, sendo sua obra mais conhecida o romance “Grande Sertão: Veredas”, que ele qualifica como uma “autobiografia irracional”. Entretanto, Guimarães Rosa também enveredou pelos veios poéticos, onde até “A Iara” de seu poema é diferente das outras Iaras, repleta de belezas que as outras Iaras deveriam possuir.

A IARA
Guimarães Rosa

Bem abaixo das colinas de ondas verdes,
onde o sol se refrata em agulhas frias,
descem todas as sereias dos mares e dos rios,
irreais e lentas, como espectros de vidro,
para os palácios de madrépora de Anfitrite,
em vale côncavo, transparente e verde,
num recanto abissal, como uma taça cheia,
entre bosques de sargaços, espumosos,
e rígidos jardins geométricos de coral…

Por entre os delfins, sentinelas de Posséidon,
afundam, suspensas, soltas, como grandes algas,
carregando os jovens afogados:
Ondinas das praias, flexuosas,
Nixes da água furtacor do Elba,
Havefrus do Sund e Russalkas do Don…
Loreley traz no esmalte doce dos olhos
duas gotas do Reno…
E Danaides laboriosas se desviam dos cardumes
de Nereidas,
que imergem, ondulando as caudas palhetadas
dos seus vestidos justos de lamé
Mas a Iara não veio!…
Mas a Iara não vem!…
Porque a Iara tem sangue,
porque a Iara tem carne,
sangue de mulher moça da terra vermelha,
carne de peixe da água gorda do rio…

Iara de olhos verdes de muiraquitã,
cintura pra cima cunhantã,
cintura pra baixo tucunaré…
que veio, dormindo, Purus abaixo,
filha do filho do rei dos peixes
com uma índia branca Cachinauá…

Lá bem pra trás da boca aberta do rio,
onde solta seus diabos
o bicho feroz da pororoca,
ela ficou, cheia de medo,
brasiliana, tapuia, morena,
tão orgulhosa,
que não quer ser desprezada pelas outras…

E a Iara é preguiçosa,
tão preguiçosa,
que não canta mais as trovas lentas
em nheengatu:
– “Iquê, ianè retama icu.
Paraná inhana rumassaua quitó…”

Nem mais se esforça em seduzir
o canoeiro mura ou o seringueiro,
meio vestida com a gaze das águas,
na renda trançada dos igarapés…
E eu tenho de chorar:
– Enfeitiça-me, ó Iara,
que eu vim aqui pra me deixar vencer…”

Mas custa-me encontrá-la,
e só a noite sem bordas dessas terras grandes,
quando a lua e as ninfeias desabrocham soltas,
posso beijá-la,
nua, dormida.

Eduardo Paes mentiu no RJ TV com tanta convicção que parecia ser verdade

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Em matéria de mentira, Eduardo Paes é mesmo imbatível

Carlos Newton

Eduardo Paes, candidato do DEM ao governo do Estado do Rio de Janeiro, foi entrevistado nesta segunda-feira (dia 15) no RJ TV, segunda edição. A apresentadora Ana Luíza Guimarães atuou com o rigor que se fazia necessário diante de um político de ficha suja, e iniciou a entrevista indagando sobre as delações que demonstram a existência de corrupção na prefeitura do Rio de Janeiro, num esquema que funcionava sob o comando direto de Paes e com a cumplicidade dos dois secretários de Obras por ele nomeados – Alexandre Pinto e Luiz Antonio Guaraná.

O ex-prefeito tentou escorregar, dizendo que jamais houve acusações contra ele e o ex-secretário Alexandre Pinto somente passou a denunciá-lo após o terceiro depoimento à Justiça Federal, para reduzir a pena.

E A ODEBRECHT? – A apresentadora Ana Luiza Guimarães não se deixou iludir e insistiu no assunto, citando as delações da Odebrecht, que também acusam o ex-prefeito, através de depoimentos dos executivos Benedicto Júnior e Leandro Azevedo, que repassaram R$ 15 milhões em propina para Caixa 2 de Paes, apelidado de “Nervosinho”.

Na defensiva, muito nervoso, Paes começou a mentir, alegando que se tratava de patrocínios eleitorais, na época permitidos por lei, mas isso não era verdade, porque Caixa 2 eleitoral é crime e até acarreta cassação de mandato.

A jornalista Ana Luiza Guimarães engoliu a conversa fiada de Paes, mas foi em frente, indagando sobre a condenação dele pelo Tribunal Regional Eleitoral, junto com Pedro Paulo, seu secretário da Casa Civil, por abuso de poder político-econômico e conduta vedada a agente público.

MENTINDO PARA VALER – A apresentadora afirmou que foi decisão unânime do TRE e Paes ficou inelegível por oito anos, somente conseguindo ser candidato mediante uma liminar provisória no TSE.

Com a maior desfaçatez, Eduardo Paes então desmentiu a jornalista do RJ TV e afirmou que sua candidatura não foi concedida por liminar do TSE, mas “por decisão unânime do relator e do plenário do TRE”. Mentiu com tamanha convicção que a jornalista não reagiu, certamente julgando que a equipe da Globo se equivocara ao fazer a pergunta.

Mas não havia erro algum. Em dezembro de 2017 o plenário do TRE realmente condenou Paes por unanimidade, tornando-o ficha suja e inelegível por oito anos. Somente em maio deste ano a defesa do ex-prefeito conseguiu suspender (não revogar) a decisão unânime do TRR, através de uma liminar provisória do ministro Jorge Mussi, em decisão monocrática que desconheceu a Lei da Ficha Limpa.

Devido à decisão solitária de Mussi, o TRE teve de aceitar de forma precária a candidatura de Paes, que pode ser cassada a qualquer momento pelo plenário do TSE, porque o julgamento atrasou.

PEGA NA MENTIRA – Como diria Jota Silvestre, a pergunta da Globo estava absolutamente certa, mas Eduardo Paes mentiu com tamanha firmeza que balançou a apresentadora.

Mentir é uma técnica que pode ser aperfeiçoada. De tanto mentir, Paes se tornou um grande mestre e conseguiu desviar os rumos da entrevista no RJ TV. Mas a imprensa está de olho nas manipulações dele, que ficou oito anos administrando o Rio e, quando entregou o cargo em 2017, a Prefeitura e a previdência municipal estavam falidas e cheias de dívidas.

Resta saber até quando Paes conseguirá seguir enganando os incautos e garantindo a própria impunidade. Mas quem se interessa???

Sonegação de impostos caiu, mas chegou a R$ 390 bilhões no ano passado

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Charge do Tiago Recchia (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Com base em levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação, a repórter Marta Watanabe, edição de ontem do Valor, revela que no exercício de 2017 a sonegação de impostos no Brasil ainda atingiu esse incrível montante, embora signifique uma redução drástica em relação ao que foi sonegado há dez anos. Calcule-se, portanto, o quanto representa o escapismo fiscal uma vez que o não pagamento de tributos era de 27%. Caiu para 17% em valores monetários corrigidos, o equivalente a 36%, nada mal. Entretanto, deixando-se o percentual de lado e calculando-se a sonegação ao longo da última década, certamente vamos nos deparar com uma situação enorme, fruto das sonegações acumuladas.

Portanto, o problema maior do déficit nas contas públicas situa-se exatamente no sistema tributário e nesse sistema não se inclui o panorama salarial, inclusive porque o recolhimento de impostos federais e estaduais não é feito pela mão de obra ativa e sim pelo sistema empresarial.

NOTAS ELETRÔNICAS – O Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação atribui a queda da sonegação ao sistema das notas eletrônicas e também a uma fiscalização mais rigorosa.

Para Estevão Tair, na mesma edição do Valor focaliza a necessidade de minireformas pontuais para aliviar a área fiscal do país. Seja como for o recolhimento tributário, na realidade cabe às empresas produtoras. Incrível que em 2017 a sonegação tenha se elevado a 390 bilhões. E não se tem informação  de ofensiva governamental para efetivar essa cobrança. Em muitos casos é impossível, já que muitas empresas encontram-se em recuperação judicial ou então encerraram suas atividades, fechando assim uma porta decisiva para que fossem feitos recolhimentos.

EMPREGO TEMPORÁRIO  – Marcia De Chiara, em O Estado de São Paulo também de ontem, focalizou a questão do emprego temporário como a única opção no momento para combater uma fatia do desemprego que alcança mais de 12 milhões de pessoas no país. Está se aproximando a hora de contratações desse tipo, como acontece em todos os finais de ano. Pode se prever no setor comércio um aproveitamento de 10% sobre o total das admissões temporárias. Em muitos casos a contratação refere-se ao período outubro a dezembro.

ROMBO DO INSS – Mas dificilmente essa contratação informal produz recursos para o déficit previdenciário. Isso porque são contratos a prazo curto e que em sua grande maioria não incluem as contribuições para o INSS, como determina a lei. A lei estabelece que funcione o sistema de contribuição ao INSS. Mas essa contribuição refere-se muito mais às empresas (20% sobre total da folha) do que às pessoas contratadas (11% sobre os salários).

É verdade que uma percentagem de contratados, como sempre ocorre, serão efetivados. Aí sim as contribuições de empregados e empregadores vai se faz sentir. A reportagem acentua que as contratações temporárias vão atingir cerca de 41 mil trabalhadores. É pouco, muito pouco.

Estratégia do PT para desconstruir Bolsonaro é chamá-lo de “mentiroso”

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Cúpula do PT não vai mais chamar Bolsonaro de “fascista”

Daniela Lima
Folha/Painel

Pesquisas qualitativas feitas pelo PT deram novo norte aos aliados de Fernando Haddad que buscam uma rota para desconstruir Jair Bolsonaro (PSL). Integrantes da equipe do petista dizem que “não é chamando o eleitor dele de fascista” que vão minar o apoio ao candidato do PSL. A ordem é explorar contradições de Bolsonaro e tentar apresentá-lo como mentiroso. Essa foi a linha definida na última propaganda, que expôs posições divergentes do presidenciável sobre o Bolsa Família.

O PT começou a exibir votos do capitão reformado na Câmara em projetos de interesse social para pôr em dúvida propostas que ele faz hoje.

RELEMBRAR… – Parte da retórica de Bolsonaro contra o PT nessas eleições não é nova. Palavras-chave de seu discurso já foram usadas para celebrar uma derrota do petismo no governo Lula. “Foi a vitória de Davi contra Golias, do bem contra o mal, da democracia contra a ditadura e da verdade sobre a mentira deslavada do PT”, disse ele, em 2005.

Na ocasião, o deputado parabenizava Severino Cavalcanti, de seu partido à época, o PP, por ter vencido a disputa pela presidência da Câmara. Severino ficou no cargo por menos de 250 dias. Caiu com o escândalo do “mensalinho”, acusado de cobrar propina de donos de restaurantes que funcionavam na Casa.

E um sinal dos tempos foi uma funcionária transgênero de uma hamburgueria frequentada por Haddad e integrantes de sua equipe de comunicação perguntar a auxiliares do petista se deveria voltar a se vestir de homem até “isso tudo terminar”.

NORDESTE – No sábado (dia 13), Bolsonaro gravou vídeos direcionados ao Nordeste. Ele falou sobre o pagamento do 13º salário para o Bolsa Família e propostas para o semiárido. As peças serão incluídas nas propagandas do candidato na TV.

A equipe do presidenciável incluiu entre as propostas do plano de governo o incentivo à atuação do Exército na construção de poços artesianos no sertão nordestino.

Outra ação que entrou no catálogo do PSL é a conclusão da Ferrovia Oeste-Leste, estratégica para escoar minério e grãos na Bahia.

POTE DE OURO – O superministério idealizado por Bolsonaro para agregar Agricultura, Meio Ambiente e Desenvolvimento Agrário já tem provocado uma corrida ao presidenciável pela indicação do eventual futuro ministro. Amigo de Bolsonaro e antes certo para a pasta, o presidente da UDR, Luiz Antônio Nabhan, não está mais sozinho no páreo.

Nabhan tem o apoio de grandes produtores independentes, mas outros dois pesos pesados do setor reivindicam indicar o ministro: a Frente Parlamentar da Agropecuária e a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), que agrega federações e sindicatos rurais.

O nome de Nabhan divide a bancada ruralista. Bolsonaro foi avisado.

PELOS DIREITOS – A Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho vai cobrar que o próximo governo respeite os direitos trabalhistas previstos na Constituição e garanta a aplicação da atual legislação ambiental. Os juízes tentam marcar posição após falas polêmicas de aliados de Bolsonaro.

Os magistrados vão emitir nota. Haverá ainda recado ao PT. O documento vai repudiar a hipótese de aparelhamento do estado e condenar a corrupção.

FÍSICA E POLÍTICA – Do cientista político Carlos Melo, do Insper, sobre FHC ter dito ao jornal O Estado de S.Paulo que não dará apoio automático a Haddad:

O PT esperava que apoios de segundo turno se dessem pela lei da gravidade. Não entende de física, nem de política…

Ibope para presidente: nos votos válidos Bolsonaro tem 59% e  Haddad, 41%

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A 13 dias da eleição, Bolsonaro lidera com muita folga

Por G1 Política

O Ibope divulgou nesta segunda-feira (15) o resultado da primeira pesquisa do instituto sobre o segundo turno da eleição presidencial. O levantamento foi realizado na sábado (13) e domingo (14), e tem margem de erro de 2 pontos, para mais ou para menos.

Nos votos válidos, os resultados foram os seguintes: Jair Bolsonaro (PSL): 59%; e Fernando Haddad (PT): 41%

VOTOS EXCLUÍDOS – Para calcular os votos válidos, são excluídos da amostra os votos brancos, os nulos e os eleitores que se declaram indecisos. O procedimento é o mesmo utilizado pela Justiça Eleitoral para divulgar o resultado oficial da eleição. Para vencer no primeiro turno, um candidato precisa de 50% dos votos válidos mais um voto.

Nos votos totais, os resultados foram os seguintes: Jair Bolsonaro (PSL): 52%; Fernando Haddad (PT): 37%; Em branco/nulo: 9%; Não sabe: 2%

REJEIÇÃO – A pesquisa também apontou o potencial de voto e rejeição para presidente. O Ibope perguntou: “Para cada um dos candidatos a Presidente da República citados, gostaria que o(a) sr(a) dissesse qual destas frases melhor descreve a sua opinião sobre ele”?

Com certeza votaria em Bolsonaro para presidente – 41%; Poderia votar nele para presidente – 11%; Não votaria nele de jeito nenhum – 35%; Não o conhece o suficiente para opinar – 11%; Não sabem ou preferem não opinar – 2%.

Com certeza votaria em Fernando Haddad para presidente – 28%; Poderia votar nele para presidente – 11%; Não votaria nele de jeito nenhum – 47%; Não o conhece o suficiente para opinar – 12%; Não sabem ou preferem não opinar – 2%.

SOBRE A PESQUISA – Margem de erro: 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Entrevistados: 2506 eleitores em 176 municípios. Quando a pesquisa foi feita: 13 e 14 de outubro. Registro no TSE: BR‐01112/2018. Nível de confiança: 95%. Contratantes da pesquisa: TV Globo e “O Estado de S.Paulo”.

O nível de confiança da pesquisa é de 95%. Isso quer dizer que há uma probabilidade de 95% de os resultados retratarem a realidade, considerando a margem de erro, que é de 2 pontos, para mais ou para menos.

Mensagem ao grande humanista chamado Jorge Béja, um exemplo para todos

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Jorge Béja demonstra um caráter a toda prova

Carlos Newton

Querido amigo Jorge Béja, retirei do blog seu comentário sobre Merval Pereira por vários motivos, acredito que todos relevantes.

Primeiro: O jurista Jorge Béja e o jornalista Merval Pereira sempre foram amigos, há mais de 40 anos. Amizades sempre sofrem abalos, mas é preciso que as mantenhamos, não se deve perder amigos.

Segundo: Acho que Merval errou ao não citar uma tese sua, mencionada numa coluna dele. Mas no meu caso, já lhe expliquei que Merval não pode nem deve citar a Tribuna da Internet ou meu nome, devido aos artigos que tenho escrito contra a Organização Globo através dos anos.

Terceiro: Sua vida, Dr. Béja, é um exemplo de humanismo e sabedoria. Na carreira de advogado, jamais houve nada igual. Somente o portentoso Sobral Pinto pode ser comparado ao sr., mas com uma diferença: Sobral defendia todos que a ele recorressem, fossem pobres, remediados ou ricos, enquanto o sr. somente defendeu e defende, sempre gratuitamente como Dr. Sobral, apenas os carentes e abandonados, aqueles que jamais teriam voz contra o Estado e as grandes corporações. Nunca se soube de um processo seu que envolvesse alguém que pudesse pagar advogado.

Quarto: Sua vida e sua carreira são exemplares. Os escassos erros que o sr. deve ter cometido, porque aqui na Terra todos erram, certamente foram tentando fazer o bem, combater o bom combate do apóstolo Paulo.

Quinto: Como sou mediador do blog, assumo a responsabilidade de zelar pelo bem de quem o frequenta. Já lhe disse, pessoalmente, que não permitirei que na TI o sr. faça nada de que depois possa se arrepender. Acho que este é o papel do verdadeiro amigo. E vamos em frente, sempre juntos.

Tacla Durán, caluniador do juiz Moro, era o “principal operador” da Mendes Jr.

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Durán depôs contra o juiz Moro na CPI do Grupo JBS

Deu em O Tempo
(Estadão Conteúdo)

Rogério Oliveira da Cunha, ex-executivo da Mendes Júnior e delator da Operação Lava Jato, registra um termo de colaboração somente para narrar como o advogado foragido na Espanha Rodrigo Tacla Duran, teria se transformado no “principal operador de propinas” da empreiteira. Junto de seus depoimentos, ele entregou contratos entre a empreiteira e o escritório do advogado.

Rogério da Cunha teve sua colaboração homologada pelo juiz federal Sérgio Moro no dia 28 de setembro. Além de confessar crimes, ele deve pagar R$ 4,3 milhões. O termo prevê que o delator cumpra um ano e seis meses de prisão em regime fechado. Ele está condenado em segunda instância a 25 anos, 8 meses e 20 dias.

ATRASADOS – Segundo o delator, no “segundo semestre do ano de 2011 a Mendes Júnior se encontrava com um contingente muito elevado de recebíveis em razão da participação em obras públicas”. “Apenas da Petrobras eram cerca de R$ 400 milhões a receber por serviços já executados, alguns há mais de dois anos, mas cujo pagamento se encontrava paralisado”.

O delator afirma que “até então não havia uma sistematização e metodologia em relação ao pagamento e propina para liberação dos recebíveis, fato que fez com que o diretor Ângelo Mendes se sentisse muito demandado e o levou a contratar José Reinaldo, ex-funcionário da Mendes Júnior, a quem caberia organizar tais questões’.

SETOR DE PROPINAS  – “Jose Reinaldo passou a ter atuação semelhante à “área de pagamentos estruturados” da Odebrecht, com a diferença que não dispunha de uma equipe para tanto. Atuava sozinho, sob orientação de Ângelo Mendes”, afirmou.

Responsável por operacionalizar as propinas, segundo o delator, José Reinaldo teria sido apresentado por Cesar Rocha, da Odebrecht, a Rodrigo Tacla Duran, conhecido como “Vampeta”, segundo narrou o delator.

O ex-executivo diz que o “escritório de advocacia de Duran providenciava contrato fictício de prestação de serviços e nota para que a Mendes Júnior pudesse justificar pagamento” ao advogado, que, “por sua vez, repassava os valores para pessoas indicadas” pela construtora.

“A Tacla Duran Advogados passou a ser a principal operadora da Mendes Júnior para pagamentos ilícitos. Todos os contratos para justificar pagamento de propina feitos entre Mendes e Tacla Duran foram executadas por José Reinaldo sob ordem de Ângelo Mendes”, afirma o delator.

ANEXOS – Dois termos de delação de Rogério da Cunha foram anexados à ação penal em que é réu desde março de 2018. Ele é acusado, ao lado de executivos da Odebrecht, de pagar propinas para o ex-gerente da Petrobras Simão Tuma.

Segundo a acusação, além de ter repassado informações sigilosas aos agentes corruptores durante a fase licitatória, Tuma atuou de forma decisiva para que a Petrobras dispensasse nova licitação e efetuasse a contratação direta do consórcio Pipe Rack no montante inicial de R$ 1.869.624.800,00. O valor das propinas foi ajustado em 1% do valor do contrato, isto é, cerca de R$ 18 milhões.

Em seu depoimento, Rodrigo da Cunha admite que a Mendes Júnior fez os pagamentos “simulados” de propinas por meio do operador Rodrigo Tacla Duran. O ex-executivo entregou à força-tarefa contratos entre o advogado e a empreiteira.

ASSESSORIA – Um dos contratos com o escritório de Duran prevê assessoria de serviços advocatícios para reivindicações junto à Petrobrás. “Este escritório providenciava contrato fictício de prestação de serviços e nota para que a Mendes pudesse justificar pagamento ao Tacla Duran que, por sua vez, repassava os valores para pessoas indicadas pela Mendes Júnior”, afirma, em delação.

Ele diz ainda que a Mendes Júnior foi apresentada ao advogado por executivos da Odebrecht que também se utilizavam de seus serviços para operar propinas. Nesta ação, Duran é justamente acusado por viabilizar pagamentos da empreiteira ao ex-gerente da Petrobrás por meio de contratos simulados.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Que vergonha, hein? Durante dois anos, a grande imprensa brasileira abriu espaço para Tacla Durán atacar o juiz Moro, das maneiras mas sórdidas e mentirosas, envolvendo até a esposa do magistrado. Os jornalistas exaltaram tanto Durán que ele foi convidado a depor contra Moro numa CPI Mista do Congresso. Agora, surge a verdade sobre esse criminoso apátrida que enriqueceu operando a corrupção no Brasil e está foragido na Espanha. Que vergonha, hein? (C.N.)

Se nada mudar, o futuro presidente só poderá mexer em 3% do Orçamento

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Charge do Lézio Junior (Arquivo Google)

Eduardo Oinegue
O Globo

Se fosse um livro, o Orçamento Geral da União (OGU) seria uma obra de não-ficção. Ainda que não traduza literalmente da realidade, traz dados bem concretos. A dúvida é saber em que prateleira da livraria seria colocado: comédia ou terror.

Comédia, talvez, pelo estilo debochado de tratar o presidente da República como personagem absolutamente secundário. Todo mundo bajula o presidente. O Orçamento, não. Figura poderosa, capaz de nomear dezenas de milhares de cargos de confiança, o presidente pode muito. Menos mandar no OGU. Ele até mexe no conteúdo, mas num pedacinho miúdo. No grosso do dinheiro não, porque é tudo carimbado.

TERROR – O OGU poderia ser livro de terror porque lembra as histórias assustadoras de bonecos que ganham vida própria. O OGU tem vida própria, tem personalidade patologicamente rígida e gosta de amarrar presidentes, impedindo-os de orientar os rumos do país. Amarrou todos os presidentes. Se nada for feito, amarrará o próximo.

A proposta orçamentária para 2019 já está no Congresso. Sabe qual será o “pedacinho miúdo” dos recursos que o presidente poderá manejar? Perto de 3%. Os outros 97% sairão do tesouro automaticamente.

A arrecadação do ano que vem foi estimada em R$ 3,26 trilhões. Do total, R$ 1,56 trilhão será usado no pagamento de juros, amortizações e refinanciamento da dívida. A Previdência consumirá R$ 637,9 bilhões. Pessoal e encargos, incluídos os inativos e pensionistas da União, mais R$ 325,9 bilhões. E as transferências para estados e municípios drenarão R$ 275,2 bilhões. Há ainda uma infinidade de outras despesas obrigatórias que somam R$ 350,6 bilhões.

SOBRAM 3% – Os itens acima sorverão R$ 3,15 trilhões. Restarão R$ 112,6 bilhões para as chamadas despesas discricionárias, os tais 3%. Investimentos, que em 2018 receberam R$ 31,1 bilhões, receberão em 2019 parcos R$ 27,4 bilhões. Em seu primeiro ano, o novo governo não terá dinheiro para quase nada. Se não se alterarem as regras da formulação orçamentária, 2020 também não.

Esse cenário não é herança de Dilma ou Temer, mas fruto de travas constitucionais e infraconstitucionais até agora não enfrentadas. Há espaço para alívio de caixa? Há, se o novo governo aprovar uma reforma da Previdência, e se atacar os incentivos fiscais, orçados para 2019 em R$ 376 bilhões. É mais dinheiro do que o destinado para educação, saúde, transportes, trabalho, agricultura, cultura, turismo e direitos humanos, tudo junto.

“Quem vai mandar no Brasil serão os capitães”, diz Bolsonaro em visita ao Bope

Bolsonaro posa para fotos com militares em sede do Bope, no Rio Foto: Divulgação

Bolsonaro posa para fotos com os PMs da Tropa de Elite

Bernardo Mello
O Globo

O candidato à Presidência Jair Bolsonaro ( PSL ) saiu de casa na manhã desta segunda-feira para visitar a sede do Batalhão de Operações Especiais ( Bope ) da Polícia Militar, na Zona Sul do Rio. Bolsonaro deixou sua residência por volta das 10h30, e chegou ao Bope pouco depois das 11h, sem conversar com jornalistas na entrada, tampouco detalhar os motivos de sua visita.

Em discurso na sede, Bolsonaro agradeceu o apoio, elencou o feito do PSL na eleição legislativa e ressaltou que a classe militar “terá um dos nossos” em Brasília, caso seja eleito.

AGRADECIMENTO – “Temos a segunda bancada em Brasília, sem televisão, sem fundo partidário, sem nada. Então nós temos que tentar mudar, fazer a coisa certa. Eu acho que isso é possível, afinal de contas não temos outro caminho. Meu muito obrigado a todos vocês, pela confiança por parte de muitos. Podem ter certeza, chegando (à Presidência), teremos um dos nossos lá em Brasília. Caveira! – afirmou o presidenciável, que fechou a fala com o tradicional grito do batalhão.

Em seguida, o militar brincou que, embora batesse continência para o coronel na sede, “quem vai mandar no Brasil serão os capitães”. O candidato ainda posou para fotos ao lado de militares.

EM CASA – Desde que voltou ao Rio após sofrer um ataque em Juiz de Fora, no início de setembro, Bolsonaro tem passado a maior parte do tempo em sua residência. A maioria das saídas aconteceu para gravar programas eleitorais, na casa do empresário Paulo Marinho, na Zona Sul do Rio.

O candidato do PSL tem feito pronunciamentos diariamente através de transmissões ao vivo em seu Facebook. Bolsonaro tem alegado questões de saúde e necessidade de repouso para adiar sua participação em debates com Fernando Haddad (PT).

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG A visita de Bolsonaro ao Bope é um golpe de mestre em matéria de marketing eleitoral. Para quem está cansado da criminalidade, da violência e da insegurança, a visita do candidato do PSL ao quartel-geral da corporação tem enorme significado e Bolsonaro demonstra um incomum senso de oportunidade. (C.N)

Moraes, do Supremo, manda prender o senador Acir Gurgacz (PDT-RO)

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Para escapar da prisão Gurgacz fingia estar doente

Deu no Correio Braziliense

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou na noite deste domingo (14/10) a transferência imediata do senador Acir Gurgacz (PDT-RO) para Brasília para dar início ao cumprimento da pena. O parlamentar foi condenado a 4 anos e 6 meses de prisão por crimes contra o sistema financeiro, após ser considerado culpado de fraudar um empréstimo obtido para empresa de turismo da família.

Internado desde a última quarta-feira (10/10), devido a uma crise de labirintite e transtorno de ansiedade generalizada, Gurgacz recebeu o mandado de prisão ontem, no Hospital São Lucas,  em Cascavel, no Paraná. Na decisão, o ministro afirmou que “inexiste notícia de que a imediata remoção para seu início (do cumprimento da pena) poderá acarretar imediato risco de vida e à saúde física ou psíquica do condenado”.

SEMI-ABERTO – O ministro argurmenta que a “terapia medicamentosa” poderá prosseguir durante a execução da pena — inicialmente em regime semiaberto. O despacho foi proferido após um pedido da defesa do senador pela suspensão da ordem de remoção.

De acordo com a denúncia, o senador teria feito um financiamento com o Banco da Amazônia de R$ 1,5 milhão para renovar a frota de ônibus da Eucatur, empresa de transporte da família de Gurgacz, e se apropriado de R$ 525 mil. E com o restante do dinheiro, comprado ônibus velhos, apresentando contas com notas fiscais falsas.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGO ilustre senador, que é um tremendo estelionatário, estava usando a técnica de José Genoino, Paulo Maluf e Jorge Picciani para fugir da prisão. Mas o ministro Alexandre de Moraes não entrou na armação medicamentosa e determinou a remoção imediata do paciente, que terá de dormir na Penitenciária da Papuda. (C.N.)