Um anjo de aço

Carlos Chagas

Se um dia fizerem no Brasil  eleição  para anjo, arcanjo ou querubim, ninguém duvidará da unanimidade da decisão nacional: ganhará o vice-presidente José Alencar. Nem é preciso falar da coragem com que ele enfrenta o câncer, muitas vezes governando o país do hospital, nas ausências do Lula, sempre pronto a enfrentar toda e qualquer questão política ou de saúde.  Mantém  férrea lealdade ao titular sem abrir mão de suas opiniões. Para ele, o vice substitui, não sucede,  exceção de  situações inusitadas felizmente não acontecidas.

Vale lembrar a independência com que José Alencar singelamente sustenta seus pontos de vista, mesmo fielmente respeitando as diretrizes do Lula.

Desde o primeiro dia do governo  que vem batendo firme na altíssima taxa de juros praticada pela equipe econômica. Sem ser economista, sem diploma,  como o presidente, manda os doutos tecnocratas para as profundezas quando demonstra a inocuidade desses obscenos percentuais da usura. Claro que em seus numerosos dias de poder, poderia dar o dito  pelo não  dito, mandando Meirelles, Mantega e companhia reduzirem as taxas, mas jamais o fez, por questão de respeito ao chefe. Costuma brincar dizendo que se alguém apresenta dor no peito, deve procurar um médico, assim como o Lula procurou economistas para traçar a política econômica. Se às vezes o médico erra, paciência.

Mas suas discordâncias não ficam apenas nos juros. Ainda esta semana, com o presidente na Inglaterra, o vice saiu em defesa do Tribunal de Contas da União, mesmo depois de sucessivas críticas  do Lula à instituição, por conta da paralisação de obras do PAC. Também criticou o Congresso, e o governo, pelas manobras protelatórias ao projeto dando  a todos os aposentados os reajustes daqueles que recebem o  salário mínimo.

Não faz muitas semanas, surpreendeu o país e o exterior ao defender o direito de promovermos pesquisas nucleares capazes de levar à bomba atômica, indagando porque uns podem e outros não podem.

Em suma, trata-se de um anjo de aço, sob a pureza  das   asas da  lealdade. Deu sucessivas provas disso, inclusive ao assumir por longa temporada o ministério da Defesa,  numa hora em que o presidente da República debatia-se com a possibilidade de uma crise militar.

Me engana que eu gosto

A questão dos cartéis volta ao debate por iniciativa de um deputado distrital de Brasília, José Antônio Regufe. Apesar de a lei proibir e punir a aliança de empresários que  combinam preços iguais de suas mercadorias,  num regime de livre competição de mentirinha, a capital federal apresenta os mais altos preços da gasolina vendida nas bombas. O parlamentar provou a interligação de todos para burlar a legislação e mobilizou o  Ministério Público para as providências necessárias.

É edificante a denúncia, tanto quanto a luta, mas, infelizmente, destina-se a dar em nada. Mesmo que a polícia tenha obtido  gravações onde fica evidente a maracutaia, não haverá como comprovar a existência de cartel. Afinal, podem telefonar-se e comentar preços, num regime democrático, mesmo quando combinam criminosamente os percentuais de lucro.

O problema é não resumir-se apenas aos combustíveis esse conluio de sacripantas. Em quase todas as demais atividades empresariais  verifica-se a burla da lei, sempre que se trata de extrair recursos do poder público. Empreiteiras entram mancomunadas em concorrências para todo tipo de serviços, acertando valores  acima do mercado e  sucedendo-se no patamar vencedor de acordo com suas conveniências.  Se livre concorrência for isso, é bom tomar cuidado: qualquer dia Flamengo, Coríntians, Vasco e Palmeiras   combinarão quem vencerá os próximos campeonatos de futebol, iludindo os pobres  manés torcedores que se esgoelam nas arquibancadas…

Outra Confederação do Equador

Reuniram-se ontem em Fortaleza os nove governadores do Nordeste, com direito à inclusão  de Aécio Neves e o pedacinho de Minas que integra a região. Para o público, mais uma oportunidade de alvíssaras, loas e evoés à maravilha que vem sendo o governo Lula, assim como eloqüentes manifestações de louvor ao regime democrático.

Nos bastidores, porém, a temperatura subiu. Não há um governador, mesmo dos partidos da base de apoio oficial, que não dedilhe um rosário de queixas diante do poder central. Seus estados perdem receita todos os dias e a propalada ajuda federal existe mais na propaganda do que na realidade.

Seria bom o presidente Lula tomar cuidado, pois mesmo na  multiplicidade de tendências político-eleitorais do conjunto, sempre haverá a hipótese de darem o troco empenhando-se menos do que poderiam pela candidatura Dilma Rousseff.

No fio da navalha

Ainda que sem a emissão de juízos de valor diante do confronto entre o Senado e o Supremo Tribunal Federal, a verdade é que as instituições nacionais transitam sobre um fio de navalha. Pela Constituição, o Judiciário pode cassar mandatos parlamentares e esperar que sua decisão se cumpra de imediato? Pode.

Mas,  também pela Constituição,  todo cidadão deve dispor do direito de defesa, jamais se admitindo condenações onde faltaram ao réu as indispensáveis prerrogativas para justificar seus atos? Deve.

O resultado aí está: um conflito entre a mesa do Senado e o plenário do Supremo. Cada dia que passa sem uma saída capaz de contentar as duas partes acumula tal potencial de crise que muita gente chega a temer a explosão institucional. E se Judiciário e Legislativo se engalfinham, quem sairá vencendo? Ora, o Executivo, ou seja, ele…

O senador cassado ganhou oito (8) dias para quê?

Tendo perdido no Tribunal Superior Eleitoral e no Supremo Tribunal Federal, ficou com o mandato, por causa da “proteção” do Poder maior e não atingível, que se chama José Sarney . (O Presidente do Senado, que garantiu a posse da própria filha, não eleita, mas empossada).

Shakespeare – Miguel de Cervantes

Morreram no mesmo dia, exatamente quando o Papa Gregório XIII, unificava o Calendário universal. Que se chamou naturalmente de “gregoriano”. No mesmo dia, a Espanha ratificou esse Calendário, que ficou conhecido como o dia da morte do criador de D. Quixote.

Como a Inglaterra levou 18 dias para oficializar o “gregoriano”, Shakespeare tem a data da morte e do enterro, também transferida para 18 dias depois.

(Que o senador Expedito não leia esta nota, ou será capaz de apelar para o Vaticano. Embora já tenha, na própria defesa, o “papa das irregularidades”.

Governo do Rio Grande do Sul

Há mais ou menos dois meses, o Ministro Tarso Genro me disse: “Não vou esperar o prazo final da desincompatibilização, sairei antes, sou candidato a governador”.

Comentei na época que deveria enfrentar Germano Rigoto, PMDB. E acrescentei, que o ex-governador se lançara APRESSADAMENTE a presidente, ele não era o “sonho de consumo presidencial do partido”. Foi vetado.

Rigoto enfrentará Tarso

Agora, a questão do candidato a governador, no PMDB, ficou entre o ex-governador e o prefeito reeleito. Fogaça, ótimo senador e bom prefeito, tem mandato até 2012, pretende ficar até lá. Depois então, decide sobre o futuro. Lula não quer, mas é outra disputa PT-PMDB. Ou “dois palanques para Dilma”, como gosta de dizer.

A obstinação, (positiva) de Lindberg Farias

Há mais de 1 ano, anunciou: “Sou candidato a governador, haja o que houver”. Sergio Cabral ficou em pânico, começou a trabalhar contra o prefeito e sua candidatura.

A história (triste) do
PT, no Estado do Rio

Quando Vladimir Palmeira foi escolhido candidato a governador pelo PT, os tempos eram outros. O partido era forte aqui, política e eleitoralmente, e o candidato era muito mais forte, pessoalmente.

Vladimir vetado por Lula

Dentro da sua política de não admitir o crescimento de ninguém, por mais íntimo ou partidário que fosse, Lula torpedeou o candidato, que se elegeria e firmaria projeção nacional.

Lindberg não é Vladimir

O prefeito de Nova Iguaçu é uma boa figura e sua obstinação em resistir aos vetos dos próprios correligionários, mostra isso. Ganhou o apoio do diretório estadual e o tempo de televisão no horário eleitoral, FALSAMENTE GRATUITO, ficará com ele. Grande vitória.

Vladimir era um LÍDER NACIONAL e foi vetado, o prefeito tem que ficar atento.

Nova Iguaçu e
o efeito Cabral

Como eu disse, o governador ficou assustado com a candidatura Lindberg. Agora, mostra satisfação que não consegue esconder. E confidencia a amigos: “A candidatura do prefeito (nem fala seu nome) vai durar até eu conversar com o presidente Lula”.

Inconfidência inexistente

A vida pública brasileira desceu a níveis tão baixos, que dentro de pouco tempo, em vez de paletó e gravata, usarão escafandros e aquelas vistosas aparelhagens de respiração, para reabastecimento de oxigênio.

Governador contra Presidente

Digamos que o presidente Lula tenha dito mesmo a Sérgio Cabral, “deixa o prefeito de Nova Iguaçu, que ele desistirá da candidatura.

Hoje, nada surpreendente. Mas que o governador, “recebendo uma garantia dessas”, (admitamos por hipótese e por causa da ruína da República), divulgue por todos os lados e formas, inimaginável.

Em campo, pré candidatos,
em todos os estados

Lindberg Farias tenta uma caminhada que lembra 1998. Nesse ano, o poderoso (eleitoralmente) prefeito de Duque de Caxias, José Camilo Zito, tinha tudo para ser candidato a governador. Foi vetado pela família Alencar, com a alegação: “Ele é muito provinciano, não pode governar um estado que inclui a ex-capital do país”.

Lindberg é o contrário

Caxias, não deu o governador. Aprendendo, Lindberg faz o trajeto contrário: urbano, vindo dos grandes centros, não pode ser acusado de provinciano. De tudo o que quiserem, menos disso. (Usei muito espaço, é que a eleição do Estado do Rio para os 4 cargos mais importantes (governador, vice, e duas vagas de senador, dependerá da INTERVENÇÃO de Lula, que adora isso).

O ex-governador de Minas, (PSDB) está sendo julgado no Supremo

A acusação contra Eduardo Azeredo não é nova. Vem de 1998, quanto tentou a reeleição. Não ganhou e foi acusado de comprar votos.

Em 2002 se elegeu senador, tudo parecia esquecido. Foi feito presidente do partido, a denúncia ganhou força e visibilidade. O ético PSDB, imediatamente afastou-o do cargo, não deu nem chance de explicação.

Seu mandato acaba em 2010, em Minas falam que pode nem ter legenda. Do princípio ao fim, por mais de 1 hora, ouvi o voto do Ministro Joaquim Barbosa. Contundente e indefensável. Ou como disse mestre Helio Jaguaribe a Vargas na crise de 1954: “Presidente, o CONTINENTE é tão importante quanto o CONTEÚDO”. É mesmo.

A peça do Procurador Geral da República, explícita e implícita sem o menor ponto frágil. Agora, a cúpula do PSDB finge defender o senador. Mas quando foi feita a acusação, há anos, o PSDB condenou-o inapelavelmente. Como disse lá em cima, afastou-o da presidência.

FHC: depois do retrocesso de 80 anos
em 8, o recuo, apressado, do que disse

O perfil do ex-presidente é conhecidíssimo, da mesma forma como a sua falta de coragem política, eleitoral e em relação ao patrimônio nacional. Segunda-feira fez afirmações que ele mesmo reconheceu que não podia fazer voltou atrás, quem duvidava desse recuo?

A vida política de FHC tem três marchas: Pra trás, lenta e devagar. E consegue o milagre de executar as três ao mesmo tempo, dependendo das ordens da Fundação Ford. (Que ele não chama assim, vulgarmente, preferindo sempre Ford Foundation, que o financiou).

Hoje, já veio com o desmentido a ele mesmo. FHC é o único homem público que faz declaração com a resposta contrária, dele mesmo, já preparada. Que República.

(Amanhã,outro líder da cúpula tucana, responde a processo no Supremo. Há 8 anos, o mesmo tempo que tem de senador. O mandato acaba agora, seu “protetor” maior, mantém o processo engavetado e encapado, para não dar choque. E o mandato no Senado, que acaba ano que vem?).

A grande certeza e a esperança da volta da Tribuna impressa, histórica Tribuna da Imprensa

Helena Maria Pires
Helio, todas as manhãs, vejo teu artigo no blog, como via antes apanhando o jornal na porta do meu apartamento. Praticamente á mesma hora. Muita gente me pergunta quando teremos o prazer de ter a Tribuna da Imprensa nas mãos, como antigamente. Apesar disso, gostaria que você mantivesse o blog, como você é realmente bem informado, poderia nos dar notícias durante o dia todo. Desculpe, Helio, mas é um sentimento e uma vontade que não posso guardar dentro de mim.

Comentário de Helio Fernandes
Não tem que pedir desculpas, Helena Maria, e sim receber o meu agradecimento emocionado, Esse tipo de pedido, é feito de todas as formas e maneiras, até mesmo pessoalmente nas ruas. Estão se completando 31 anos que a Tribuna da Imprensa entrou com ação de indenização, responsabilizando os “presidentes” Médici e Geisel. (Isso já foi feito no passado por muitos órgãos. O último foi pago pelo presidente FHC, em 1997).

A ação está na fase final, já transitou em julgado, vai sendo liquidada a parte burocrática. Minha inabalável e irrefutável convicção e determinação, é exatamente essa que você levantou como esperança, e que eu coloco como fato determinado: LEVAR NOVAMENTE A TRIBUNA DA IMPRENSA para as bancas. Isso, depois (IMEDIATAMENTE) de liquidar todas as dívidas que a Tribuna contraiu obrigatoriamente, mantida ÚNICA e EXCLUSIVAMENTE pela minha obstinação e meus recursos, que se esgotaram criminosamente.

A Tribuna da Imprensa não ficará devendo nada a ninguém, seja a quem for, pessoas (funcionários), órgãos privados ou públicos, empresas particulares.

***

PS- Estranho mas próprio das ditaduras. Em 1979, os que dominavam o Poder e ainda ditavam as regras (e as rédeas, vá lá) do país, determinaram: “A partir de agora, passa a existir a ANISTIA, AMPLA, GERAL E IRRESTRITA”.

PS2- Em 26 de março de 1981, MUITO DEPOIS, esse mesmo PODER AGONIZANTE mas ainda VINGATIVO, destruía completamente prédios, máquinas e existência do jornal. A ditadura poderosa, torturadora e dominadora, contrariava até o calendário. Ela mesmo se INOCENTAVA em 1979, mas com a ação do SNI, comandava a DESTRUIÇÃO 2 anos depois.

PS3- Amanhã termino com revelações sensacionais, que eu mesmo só descobri não faz muito tempo. É inacreditável. Como inacreditável teria sido o massacre de 1º de maio do mesmo 1981. Catástrofe que não aconteceu por intervenção de Deus. Mas toda planejada e quase executada pelo SNI.

Vão convocar as Forças Armadas?

Carlos Chagas

Pior não poderia ficar. Decisões definitivas do Judiciário  já  não se cumprem, conforme determina a Constituição, mesmo aquelas exaradas pelo Supremo Tribunal Federal. A mesa do Senado deu de ombros para a determinação da mais alta corte nacional  de justiça, de afastar um senador condenado por abuso na campanha eleitoral de 2006. José Sarney e os demais membros da direção  da casa aceitaram  recurso de Expedito Júnior, alegando   ter tido  cerceado seu   direito de defesa junto ao Tribunal Superior Eleitoral, que cassou-lhe o  mandato.

No reverso da medalha também se verifica estranha  ingerência institucional  do Judiciário nas estruturas do Legislativo, podendo os tribunais  afastar deputados e senadores.  Só que  a  recíproca não é verdadeira: o Senado carece de poderes para punir  ministros do STF, ou seja, situa-se o Congresso em patamar inferior.     Executivo e Legislativo,  reunidos, podem decretar o impeachment do presidente da República, como aconteceu no caso Fernando Collor. Mas não dispõem de poderes para  condenar   ministros dos tribunais superiores quando flagrados em prática criminosa, pois eles  são julgados pelos  próprios pares.

Fazer o que, diante do confronto  aberto entre os dois poderes? Pela letra do artigo 142 da Constituição, o Supremo poderia  convocar as Forças Armadas para a garantia da lei e da ordem. Claro que o presidente Gilmar Mendes jamais se valeria dessa prerrogativa para fazer valer a cassação do senador por Roraima.  Mas José Sarney,  presidente do Congresso, também chefe de poder, não possuiria a  mesma iniciativa,  alegando cerceamento na  defesa de um companheiro?

Reúne-se na próxima quarta-feira a   Comissão de Constituição e Justiça,  para onde a mesa do Senado encaminhou o recurso do senador Expedito Júnior. O presidente da comissão, Demóstenes Torres, avocou a relatoria do processo e já avisou Expedito Júnior   que se pronunciará pelo cumprimento da decisão do Supremo Tribunal Federal.  O diabo é como explicar esse hiato de pelo menos oito dias no funcionamento das instituições constitucionais. Melhor seria que   Sarney mandasse  suprimir dos  anais parlamentares    esse caótico período,    à maneira do Papa Gregório XIII quando unificou o calendário mundial  de acordo com a rotação da Terra em torno do Sol e precisou considerar dezoito dias como não-dias…

O direito de não ter medo

Enquanto o país se debate nesse abominável confronto institucional  entre Legislativo e Judiciário, ficam o Congresso e os tribunais devendo à sociedade o mais elementar de seus direitos. No caso, aquele direito de que falava Franklin Roosevelt,  o direito de não ter medo.

Hoje, nas grandes e nas pequenas cidades, no litoral ou no interior, inexiste  um só cidadão  que não viva sobressaltado. Prisioneiro  em sua própria casa,  teme ir à rua, tanto quanto reza para não ser invadido.   Sofre quando os filhos tomam o caminho da escola, sem  saber se vão voltar inteiros. Vai para o trabalho como se fosse a uma aventura. Quando tem carro, ao parar num semáforo, olha para os quatro lados e geralmente avança sobre sinais vermelhos. Toda motocicleta que se aproxima levanta suspeitas.

À mercê de balas perdidas, granadas,  assaltos à mão armada, seqüestros, agressões de toda ordem, encontra-se o contribuinte em meio a uma guerra civil declarada. Só que declarada  contra ele.

Enquanto isso, discute-se   no Senado e na Câmara se  o autor de crimes hediondos deverá  manter a discutível progressão da pena, quer dizer, com  bom comportamento carcerário  sairá depois de cumprir um sexto da pena a que foi condenado.   Além de poder sair no Natal, no Ano Novo, no Carnaval, na Semana Santa, na Semana da Pátria, no Dia das Mães, dos Pais, dos Avós e no Dia  dos Gatos. Mesmo que venha a ser monitorado eletronicamente, apenas estará informando as autoridades onde praticará seus novos crimes.

Quando bissextamente  confinados a penitenciárias de segurança máxima, os chefões  planejam e mandam executar massacres, depredações, assassinatos  e intimidações de toda ordem. No entanto, em nome dos direitos humanos, estarão de volta num piscar de olhos. Como não ter medo?

Descumprir a lei inócua ou injusta é direito de todos

Carlos Chagas

Princípio milenar de Direito é de que o costume precede a lei. Quando a lei atropela o costume, quem  prevalece?

Apesar de o Código Eleitoral  determinar que as campanhas  devam acontecer apenas nos três meses anteriores às eleições, não há quem possa impedir o  presidente Lula, Dilma Rousseff, o PT e aliados de se apresentarem  para as eleições do ano que vem.  As oposições, com o  PSDB e José Serra à frente, também.  Outras candidaturas tomam posição.

O problema é  assistir todo mundo  obrigado   a fingir   não se encontrar   em campanha. O governo sustenta estar apenas governando, fiscalizando e inaugurando obras. Seus adversários argumentam estar apontando falhas e erros dos detentores do poder.

No Brasil, um presidente da República começa a tratar de sua sucessão quinze minutos depois de empossado. Os opositores, até antes, passam a programar o próximo embate em busca do controle do governo.

É o costume que dita esse comportamento, repetido desde a proclamação da República. Se a lei estabelece o contrário,  de forma injusta e inócua, desmoralizada pela realidade, qual a saída  senão desconsiderá-la ou revogá-la? Por que ficarem alguns doutos magistrados   alegando a existência de leis que ninguém  cumpre,  já que  contrariam os costumes?

Melhor seria deixar Lula, Dilma e penduricalhos abertamente  buscando votos, bem como José Serra e os demais  candidatos. Fica ridículo imputar-lhes a quebra de uma  lei desnecessária,  como se devessem   ser punidos por seguir  os costumes.

Parece dificil calcular que partido possuirá  a maior bancada  no futuro Congresso

O PMDB imagina manter posição de supremacia no futuro Congresso, tendo em vista possuir hoje  o maior número de governadores e prefeitos, dispondo de diretórios  nos 5.560 municípios do país. Tem mais vereadores,  deputados estaduais, deputados federais e senadores do que os outros partidos.  O problema é que o PMDB não terá candidato à presidência da República, atrelado que está ao governo Lula e ao PT. Sem um nome próprio para puxar a fila, apresentando apenas o candidato a vice na chapa de Dilma Rousseff, caminha para  ver desmoronar as estruturas  um dia construídas por Ulysses Guimarães.

Poderia  o PT  tornar-se a  maior bancada na Câmara e no Senado? A lógica indicaria essa ascensão, dada a popularidade do presidente Lula e seus dois mandatos indiscutíveis, mas  metamorfose maior do que a sofrida pelo partido ainda está para ser escrita. O petismo foi ultrapassado pelo lulismo, o criador cedeu espaço à criatura. Não foi ouvido, o  PT,  na indicação de Dilma Rousseff, acrescendo haver passado  de ideológico a fisiológico. O eleitorado não ignora a mudança.

Seria a vez do PSDB? Pelo jeito,  também não, menos por apresentar-se dividido entre José Serra e Aécio Neves, mais por continuar identificado com posturas anacrônicas do passado, como neoliberalismo, privatizações, elitismo e sucedâneos. Mesmo se eleito presidente da República, o governador de São Paulo encontrará dificuldades para controlar o Congresso. Com todo o respeito, precisará compor-se com Judas, quem quiser que identifique o PMDB na figura do apóstolo renegado.

Sobra mais algum partido capaz de concentrar a maioria congressual?  Nem pensar. A conclusão parece de que o futuro Congresso estará transformado num palco povoado por atores medíocres e partidos equivalentes em mediocridade.

Hoje, há 1 ano, Obama era eleito em plena crise, nada melhorou

Enquanto “analistas e especialistas” dos jornalões, lembravam que o presidente americano está perto de completar 1 ano de governo, esqueciam que em 4 de novembro ele chegava à Casa Branca. Está bem, caminhava para lá por ter vencido a eleição.

Neste dia rigorosamente Histórico por tudo que Obama representa e na certa representará, o FED (Banco Central da matriz) decidiu e anunciou: “A taxa de juro continua em “0,25%”. E acrescentava, confundindo otimistas e pessimistas crônicos: “Essa taxa vai ficar (durar, a palavra usada) por um longo tempo”.

Isso, textual, leva inicialmente a uma comparação com a Filial: OS JUROS NO BRASIL, ESTÃO 34 VEZES MAIORES DO QUE OS JUROS FIXADOS PELO FED.

Os juros agem sobre a economia de forma diferente na Filial e na Matriz? 34 vezes mais alta aqui e logicamente 34 vezes mais baixa lá, representam fatores diferentes? Conversei com economistas, que me disseram, textualmente: “Helio, isso significa que estão acreditando em MAIS inflação”. Outros, também economistas, também tendo passado pelo BC, também especialistas, não esconderam: “Helio, devem estar de posse de dados que mostram que a inflação está “domada e dominada”, não assusta”.

Lembremos: os economistas brasileiros, participando de governos (este ou outros) justificavam juros altos, assim: “não podemos reduzir os juros, se reduzirmos muito, a inflação voltará na certa”.

Se não entenderam, protestem.

E ainda há mais, neste 4 de novembro, quando mesmo sem o voto obrigatório, o povo dos EUA elegia Obama: ele anunciou que até março INVESTIRÁ 1 TRILHÃO, 250 BILHÕES em empresas com dificuldades, que não criaram EMPREGOS. De passagem: o DESEMPREGO nos EUA continua crescendo, não há o que fazer, nem esperança à vista.

Diante disso, qual a importância de registrar que a Bovespa SUBIU mais de 2 por cento, que o Itaú “só ganhou 2 bilhões no trimestre?”. E que a agência Bloomberg, (de propriedade do prefeito de Nova Iorque) está caindo tanto, que a audiência foi de tal maneira reduzida, que agora entrevistam até o presidente do Bradesco, um senhor Trabuco, que não tem nada a dizer porque não sabe e porque o Poder no Bradesco está sempre com “seu” Lazaro Brandão, que o Lula só chama de “meu grande amigo”.

Para terminar: tentando melhorar a audiência, a Bloomberg agora trata com grande insistência, de esportes. Se continuar assim, Michel Bloomberg ainda será prefeito, mas a agência passará para o controle de Hupert Murdoch, o maior gangster da comunicação. (Isto é elogio).

O senador não foi tão espedito

Tentou de todas as maneiras permanecer no Senado. Ganhou apenas uma semana, indevida. O surpreendente é que seja patrocinado por José Sarney. Cuja filha, derrotada para governador, exerce o cargo que não conquistou.

Unicamente por ser filha dele. Pela absurda legislação brasileira, deveria haver nova eleição. Quanto ao senador, embora também seja absurdo, existe suplente, que “assumirá”. As aspas que cobrem 20 suplentes, referendarão (?) 21.

A importância de ser Lévi-Strauss

Viveu 100 anos, influenciou gerações e gerações, será citado e reverenciado pelo que sabia e pela forma como transmitia. Mas jamais imaginou que os jornalões brasileiros fossem homenageá-lo como fizeram, de forma surpreendente.

Da manchete na Primeira,
a cadernos especiais

A Folha deu manchete no alto: “Antropólogo Claude Lévi-Strauss morre aos 100”. Lá dentro 3 páginas substanciais, com lamentável repetição: o título da Primeira é rigorosamente reproduzido na página 16. Faltou tempo, imaginação ou credibilidade? Ótima foto dele na Amazônia, em 1936, quando tinha 27 anos.

O Globo também
jornalístico

No alto da Primeira, o título do seu livro mais citado, (“Trópicos Tristes”) e uma foto recente. Lá dentro, duas páginas e a mesma foto de 1936. Com referência obrigatória: um artigo de Caetano Veloso, provando o que eu já escrevi há mais ou menos 20 anos: “Caetano não é só compositor, é um escritor admirável”.

O Estadão sublimou
o antropólogo

Para o meu gosto, foi o melhor de todos. Excelente a chamada da Primeira, e positivamente o Caderno Especial de 6 páginas. É evidente que estava pronto, o que não tem a menor importância, o destaque, sim, é que marca o jornal impresso. Nisso a Internet será sempre superada. Não no tempo, mas na qualidade.

Dolarização da economia brasileira

Prezado Jornalista Hélio Fernandes:

Antes de tudo, agradeço pelo espaço e a oportunidade que o senhor tem me dado para expor livremente meu pensamento. Por outro lado, peço desculpas por lhe enviar cartas a todo o momento, mas são tantos os temas relevantes para o País (com alguns absurdos que passam despercebidos), que não podemos deixar de registrar, resistir e aguardar sua opinião, sempre esclarecedora dos fatos.

É o caso do O Globo, de sábado, 31-10-09, que em sua página 21 destacou: “No extrato, saldo em dólar. Para conter câmbio, BC estuda permitir abertura de contas em moeda estrangeira no País”.

No ginasial aprendi que um dos símbolos de uma nação soberana é sua moeda forte. Mas no Brasil, tanto os que estão à frente da Administração das Finanças Públicas quanto os que se dedicam à gestão de negócios, pregam que a nossa moeda (o Real) não pode se valorizar diante do dólar americano. Será que esta é a realidade atual?

Como o senhor por diversas vezes nos explicou, os americanos, depois de assinado o acordo de Bretton Woods, em 1944, instauraram um sistema monetário internacional totalmente favorável à sua moeda, que passou a ser vendida para todo  o mundo.

Inteligente a postura americana: quem tem dólar jamais vai querer que ele se desvalorize, caso contrário perderá um ativo. Com isto, a moeda americana tornou diversos países dependentes da economia dos Estados Unidos da América do Norte.

Por conta da sua gigantesca máquina de guerra e uma sociedade extremada no consumo, a economia americana aumentou o seu déficit publico, exigindo cada vez mais emissão de um papel moeda que nada vale e transferindo para si recursos estratégicos de todo o mundo.

A esse respeito, registro parte de uma reflexão de Fidel Castro (Granma de 09\10\09), entitulada “Os sinos dobram pelo dólar”: “O dólar já deixou de ser a reserva em divisas de todos os Estados, realmente seus possuidores desejam afastar-se dele, embora evitando sempre que for possível que se desvalorize antes que possam desligar-se deles. O euro da União Européia, o yuan chinês, o franco suíço, o iene japonês — apesar das dívidas desse país —, até a libra esterlina, junto a outras divisas, passaram a ocupar o lugar do dólar no comércio internacional. O ouro metálico volta a se tornar importante moeda de reserva internacional.” (Nossos grifos)

Como podem jornalistas e financistas brasileiros defender o fortalecimento da moeda americana, inclusive fazendo pressão para a livre movimentação bancária em nosso País , quando outras economias estão tentando se desvincular daquela moeda?

Às vezes, tenho o sentimento de que há muito brasileiros que gostariam de ser americanos, pois defendem demais os interesses do País do Norte ao invés do desenvolvimento de nossa gente.

Um forte abraço.

Jorge Rubem Folena de Oliveira
Presidente da Comissão Permanente de Direito Constitucional do IAB – Instituto dos Advogados Brasileiros

Comentário de Helio Fernandes
Pode usar o espaço à vontade, como muitos outros está sempre atento na defesa do interesse nacional. Já escrevi tanto sobre o assunto, e sobre a valorização da moeda do país, que receio que a memória me encaminhe para fatos já comentados. Só que escrevo desde Bretton Woods, em 1944, quando pela primeira vez a moeda de um país se transformou em objeto de troca no mundo. Há 65 anos, o dólar subia ao podium, se tornava insubstituível. E não era medida exigida pelo bom senso, pela necessidade, pelo progresso dos mais diversos países.

Era apenas “articulação suja”, como todas que se transformam em realidade para proteger os interesses dos ricos, bilionários (na época), tidos e havidos como os empresários que “carregam o mundo nas costas”, fazendo o consumo aumentar e “favorecendo” os mais pobres. A miserável falácia do “sistema” que já existia, era o porta-bandeira, o porta-voz e o porta-sujeira das elites encasacadas e endinheiradas.

Quem comandava tudo? O economista inglês John Maynard Keynes. Era tido como gênio, já escolhera o nome da moeda que circularia pelo mundo, seria BANCOR. O OURO, que vigorara até então, foi chamado de “HERANÇA MACABRA”, voltou a se valorizar como você mesmo comprovou e registrou.

Os homens que dominavam a economia dos EUA tiveram com Lord Keynes, conversa demorada e bem sucedida, assassinaram as moedas antigas e esse BANCOR, que seria o novo. A partir dessa conversa vitoriosa, os EUA montaram no estado de Omaha, formidáveis máquinas de impressão que rodam 24 horas por dia. Esse dólar caixeiro viajante tem duas faces. O VERDADEIRO, que é guardado em Fort Knox, para circulação interna. E o FALSO, dólar papel pintado, cuidadosamente mantido em Omaha, para não haver confusão e dali mesmo despejado pelo mundo.

(Lord Keynes teve sua “recompensa” logo a seguir, em ganhos fabulosos nas Bolsas, ele que jamais jogara. Só que não pôde aproveitar, pouco anos depois morreria de câncer, este, invencível e que não admite nenhuma troca).

Há algum tempo, os americanos sentem a ameaça da desvalorização do dólar. Vai acabar, vai mudar, desaparecer, deixar de dominar o comércio mundial, as exportações e  importações. Mas não é fácil.

Essa transformação não pode ser feita de uma hora para outra. Principalmente por causa da contradição: os principais países que querem O FIM DO DÓLAR, TÊM TRILHÕES DE DÓLARES INVESTIDOS OU GUARDADOS NOS EUA.

Alguns países que têm montanhas de dólares ensacados nos EUA: países árabes, Rússia, Índia, Paquistão, e para não ir muito longe, a China, sim senhor. Não sabem como fazer, mas têm certeza de que precisa ser feito. Além dos formidáveis DEPÓSITOS, os dirigentes dos EUA ficam em pânico, com dois fatos que na certa acontecerão, ninguém pode limitar ou calcular o tempo.

1-  O que ocorrerá nos EUA se a moeda DÓLAR deixar de ser o centro do mundo? Desabará o consumo interno do país, quando até os economistas sabem que é o consumo interno que alavanca o progresso e contribui para o retrocesso?

2- Ao meio dia em ponto, com a batida das 12 badaladas do Big Ben, num prédio caindo de velho do centro de Londres, (longe da Old Bond Street, centro financeiro da capital inglesa) é anunciado o preço do barril de petróleo. Em dólar, naturalmente.

Os EUA se apavoram só em admitir que esse anúncio do preço do petróleo, seja feito em EURO, ou outra moeda qualquer. (Por enquanto o EURO é o favorito, a Inglaterra não pode ficar por muito tempo fora da UE – União Européia).

Quanto aos insensatos (só isso?) internos, que afirmam, “com o Real valorizado perdemos competitividade nas exportações”, não podem ser levados a sério. Como exportadores e importadores são praticamente os mesmos, ganham sempre e cada vez mais.

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PS- Um fato que não é noticiado nunca: os exportadores têm 210 dias (7 meses) para entregarem ao governo, o que receberam dos compradores. Mas sempre arranjam desculpas para “esticar” esses 210 dias.

PS2- Além dos lucros com esses VOLUMOSOS recursos, outro fato sobre o qual ninguém quer escrever, falar ou até mesmo ouvir: o SUPER e o SUB faturamento, centenas e centenas de BILHÕES, por enquanto de dólares. Este é um assunto que merece debate esclarecedor, com os parabéns a Jorge Folena por ter levantado a bola e pelos que se aproveitarem dela para se manifestar.

Suspense no julgamento de hoje no Supremo: Falta apenas o voto de Marco Aurélio Mello. Mas ministros que já votaram, podem mudar, não é inédito, não seria surpreendente

Pela cultura, pela independência, pela coragem de “votar vencido”, grande ansiedade com o que dirá, depois de ter pedido vista. Garantiu que levará o processo hoje, quarta-feira. (Neste momento, 7 da manhã, a sessão do Supremo deverá começar às 13 ou 14)

Quem comanda a política externa:
o presidente ou o Supremo?

É isso que está em jogo. A extradição, como alguns têm dito a este repórter, não tem a menor importância. É o destino de um cidadão cuja história quase ninguém conhece, que antes do nome é chamado sempre de TERRORISTA.

Mas que espécie de TERRORISMO ele praticou? Pelo prazer do TERROR, ou para combater grupos ou “líderes” que assumiram o Poder pela força, praticando o verdadeiro TERRORISMO, que usurpadores do Poder, costumam praticar sistematicamente?

Os que assaltam o Poder, praticam o TERRORISMO sempre acompanhado pela TORTURA, não importa que venham (ou estejam) na esquerda, centro ou direita. A TORTURA é a prática mais abominável de todas as ABOMINÁVEIS violências do Poder ditatorial.

Os que são identificados e ditos Terroristas como Battisti, não torturam ninguém, ameaçam o Poder “constituído”, defendem ou tentam restaurar a democracia e os direitos da comunidade.

(Arriscam tudo durante a luta, e dezenas de anos depois de terminada a resistência, nem sempre com a vitória, lutaram na Itália para que o maior corrupto do mundo, Berlusconi, chegasse e ficasse no Poder. Depois de “trancar” por 12 anos processos de corrupção contra ele, agora finalmente será julgado. Será?).

Não esqueçamos episódios que se passaram na própria Itália. Juízes indomáveis e que acreditavam na Justiça como principal fortaleza da democracia, montaram e comandaram a admirável campanha das “mãos limpas”. Emocionaram o mundo, repercussão impressionante. De uma certa forma, escreveram, o “sim, nós podemos” muito antes de Obama, (Sem tirar o mérito do presidente dos EUA, que admirei desde o início e continuo admirando e querendo que dê certo)

Só que os inimigos das “mãos limpas”, eram altamente poderosos, invencíveis, os “mãos sujas” sempre são. Os juízes acabaram ELIMINADOS, ASSASSINADOS, TRUCIDADOS, em estradas ou em casa, não tiveram descanso, um instante que fosse. Mas valeu a pena.

E os ASSASSINOS a serviço de interesses fabulosos, de centenas de BILHÕES, (ainda não estávamos na Era do TRILHÃO) foram os grandes vencedores, a eles não aconteceu nada, a não ser uns tempos em outro país, com todo o conforto, luxo e Poder. Como os corruptos do Brasil dirigem tudo das chamadas “penitenciárias de segurança máxima”. Battisti nunca esteve no Poder, sempre na resistência.

Brilhante e impiedoso quando se trata de convicção, Marco Aurélio já contestou tudo. Desde o Mandado de Segurança até à extradição propriamente dita. O conteúdo do seu voto não é segredo, ele mesmo deixou bem claro. A esperança é que alguns ministros, igualmente competentes, mudem de voto, decidam contra a extradição.

11 intérpretes
da Constituição

Só eles podem “traduzir” o que está no que chamam de “Carta Magna”. Mas da mesmo forma como se diz habitualmente que “a última palavra é a da Justiça”, e que o ponto mais alto e irrevogável da Justiça é o próprio Supremo, nenhum dos 11 Ministros pode sequer imaginar violar o que deve ser inviolável. E nesses casos de EXTRADIÇÃO, o Poder constitucional do Executivo não pode ser discutido.

Se o Supremo votar pela
extradição, inconstitucional

Nesse julgamento que terminará amanhã, o Executivo poderá estar sendo diminuído, desprezado e ultrapassado pelo Judiciário. Nem estará discordando do presidente Lula, e sim de todos os futuros presidentes.

O Supremo poderá estar
decidindo: “O Estado somos nós”

No meu entendimento, e de não raros constitucionalistas, o EXECUTIVO É ABSOLUTO em matéria de POLÍTICA EXTERNA. Alguém já viu, leu, ouviu ou soube de algum Chefe do Executivo, pedindo licença para EXTRADITAR ou NÃO EXTRADITAR alguém? Para assinar ou não assinar TRATADOS?

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PS- Fiquem atentos, liguem a TV-Justiça, a questão é muito mais importante do que parece ou do que alguns imaginam. É uma decisão do órgão mais alto do Judiciário, que o Chefe do Poder Executivo não está obrigado a cumprir.

PS2- Um exemplo-exemplar: o equívoco inacreditável do Executivo na chamada “questão Zelaya”. Pela primeira vez o presidente “alugou” a embaixada, não apenas para um aventureiro, mas para que ele se “divertisse”, usando “nosso território” no exterior.

PS3- Se o Supremo considera que pode AUTORIZAR ou IMPEDIR extradição, então se omitiu de forma inacreditável na cessão ou concessão de Zelaya, que cumpria “estratégia” de outro aventureiro, o coronel Chávez. O Supremo só garante a própria importância, se disser que não tem PODERES PARA INTERVIR NA POLÍTICA EXTERNA. NO ERRO OU NO ACERTO, até que o fim da DEMOCRACIA NOS SEPARE.

A festa acabou

Carlos Chagas

Estão em festa o  Clube dos Otimistas, a Associação dos Sonhadores, a Escola de Samba “Me Engana que Eu Gosto”, a Sociedade dos Amigos do Dr. Pangloss   e outras  entidades dedicadas  a visualizar o planeta como se fosse a morada apenas de anjos, arcanjos e querubins. É bem verdade que nas próximas horas cairão todos em estado de prostração e frustração, com o fim da festa.

Fala-se da entrada em pauta, hoje, na Câmara Federal, do projeto de lei  estendendo  a todos os aposentados  o mesmo reajuste anual dado àqueles  que recebem o salário mínimo. Um aumento acima da inflação, da ordem de 16.5%. Além do mais, retroativo a 2008.

É claro que as bancadas oficiais,  lideradas pelo deputado  Michel Temer, preparam-se para sabotar a votação e seus resultados. O presidente Lula não admite o benefício. Segundo os tecnocratas, custaria mais de seis bilhões de reais aos cofres públicos. Como o primeiro-companheiro não quer ser obrigado a vetar o projeto, se aprovado, o remédio é adiar a votação, obstruir os trabalhos, pedir verificação de quorum ou adotar qualquer outro expediente capaz de evitar a gritaria dos velhinhos contra o primeiro-companheiro, a menos de um ano das eleições.

A proposta, já aprovada no Senado, faria justiça a milhões de aposentados sendo gradativamente nivelados por baixo,  a cada ano recebendo menos do que quando deixaram de trabalhar. Como os aposentados votam, a estratégia do Lula é deixar que o ônus do adiamento caia sobre a Câmara.  Salvaria Dilma Rousseff  de perder algumas centenas de milhares de votos.

O diabo é que a maioria dos deputados sabe que o eleitorado tem memória. Ficariam bem posicionados para a reeleição quantos votassem a favor do projeto, mas tomariam o rumo das profundezas os que tivessem seus nomes divulgados como algozes do benefício.  A briga, assim, é para saber quem levará a culpa, se o Congresso  ou o palácio do Planalto.  De qualquer forma, uma coisa é certa: a Câmara não votará hoje, nem amanhã,  nem depois, o reajuste dos aposentados. A festa acabou…

Basta de intermediários

Insistem Dilma Rousseff, o presidente Lula e os aderentes em transformar a sucessão presidencial num plebiscito entre os modelos de governo atual e passado. Seria o ideal, para o PT e adjacências,  caso  o eleitorado se pronunciasse entre a administração Fernando Henrique e a administração Lula.  Especulação financeira contra realizações sociais, para uns.   Neoliberalismo versus estatismo, para outros. Livre mercado em oposição à presença do poder público.

Essa dicotomia pode até pegar, apesar da existência de mais de dois candidatos na corrida sucessória. Tudo dependerá de como os pretendentes venham a desenvolver suas campanhas.

O irônico, no fim de semana que passou, é que enquanto o Alto Tucanato fugia  da imagem  plebiscitária  como o diabo foge  da cruz,  emergia no ninho personagem até então tido como descartado: ele mesmo.

Fernando Henrique Cardoso surpreendeu os companheiros do PSDB com longo artigo publicado na imprensa, onde sustenta a inevitabilidade da decisão entre os seus dois mandatos e os dois do Lula. Uma comparação a respeito de quem mais beneficiou o país.

José Serra, sem poder dar o braço a torcer, elogiou o texto, ainda que na intimidade o tenha abominado. Afinal, não  é  e espera não ser tido como um vídeo-tape do sociólogo. Como ministro, discordou de uma série de postulados neoliberalizantes, e como candidato sustenta objetivos distintos. Valoriza o estado mais do que o mercado.

Qual a conclusão a tirar de mais essa confusão no PSDB? Que Fernando Henrique alimenta a ilusão de vir a tornar-se  candidato?  Afinal, para que intermediários?

A rainha e a candidata

Hoje, amanhã e depois, o presidente Lula estará em Londres. Vai vender uma vez mais as oportunidades de investimentos estrangeiros no Brasil, encontrando-se com empresários e investidores do Reino Unido. Não perderá a oportunidade de encontrar-se com a Rainha, também travestida de camelô de seu país.

O singular é que o presidente braasileiro levará Dilma Rousseff a tiracolo, como fez dias atrás na Venezuela, junto ao presidente Chaves, e como faz há tempos aqui dentro,  viajando pelos estados. Dona Elizabeth II não deixará de receber a candidata, menos em nome do feminismo institucional, mais porque a economia inglesa anda na pior. Pelo protocolo e por suas características pessoais, dificilmente repetirá o presidente venezuelano,  transformado em cabo eleitoral de Dilma.

A propósito da ida do Lula à Inglaterra, é bom lembrar a vinda da Rainha ao Brasil, há precisamente 51 anos. O então presidente Costa e Silva recepcionou-a com caprichado banquete no palácio da Alvorada.  Só se viam casacas com condecorações, primeiros-uniformes que  mais pareciam árvores de Natal. O príncipe Philliph, consorte sob todos os aspectos, abusara do copo. Em dado momento deparou-se com o general Jaime Portella.  De pequena estatura,  o chefe do Gabinete Militar ostentava todas as suas medalhas e comendas. O visitante, impertinente, indagou, cheio de malícia, se havia recebido as condecorações  na guerra.  Portella emperdigou-se, explicou a origem de cada uma das medalhas e, de repente, apontando para as dezenas de similares no peito do marido da Rainha, perguntou: “e a suas, o senhor ganhou na cama?”

Melhor conquistar o Maluf

Nesse  período de viagens, o governador José Serra não  perdeu tempo. Mandou-se para a Turquia, certamente a convite e para cumprir alguma agenda oficial. Em São Paulo começaram as gozações, com muita gente indagando se a viagem teria conotação  sucessória. Afinal, a colônia turca, árabe e libanesa é grande, no estado, merecendo ser agradada. Foi quando um gaiato  atalhou que se era para conquistar  votos entre os descendentes de famílias do Oriente Médio, Serra poderia ter economizado tempo e dinheiro. Bastaria ter dado  um telefonema local para Paulo Maluf…

No Dia dos Mortos, ontem, na Bovespa, silencio mortal. Funcionou no resto do mundo. Hoje, alta nas ações, baixa no dólar

Ásia, Europa e EUA (na rota horária) funcionaram ontem. No Brasil, abarrotado de lucros, se fingiram de mortos. Hoje abriu em baixa “institucionalizada”, quer dizer, VENDENDO e quase já dando ordem para COMPRAR. O que aconteceu.

Às 11:30 baixa de 0,23%, ao meio dia, alta de 0,40%, mas ainda na casa de 61 mil pontos. Depois do almoço, 14 horas, mais 1,47%, entrando forte nos 62 mil. Às 17:35 pulava para os 63 mil, alta de 2,46%. Como acontece, o dólar em queda o dia todo, a essa hora, menos 1,44% em 1,73.

Os que venderam no início e compraram durante o pregão inteiro, voltaram a vender. Com isso, óbvio, o Índice recuou bastante e fechou em alta de 1,75, caiu 0,71% em meia hora. O dólar também recuperou, última cotação, menos 1,10% em 1,748.

Porque Marilson perdeu a maratona

Fabio, de Nova Iorque, (Manhattan), escreve e conta o que viu. “Na véspera da maratona, estava almoçando num restaurante da rua 46, quando vi o Marilson no mesmo restaurante. Acompanhei o que comia. Dois pratos de feijoada. (Com todos os acessórios). E várias caipirinhas”.

Comentário de Helio Fernandes
Logicamente não é preparação que se faça para correr 42 quilômetros no dia seguinte. Nada a declarar, como dizia o duas vezes Ministro da Justiça, Armando Falcão. (Uma com o eleito Juscelino, outra como o deseleito Ernesto Geisel). É assim que se alimenta o esporte no Brasil.

E dizer que Marilson entusiasmou muitos brasileiros, ganhou páginas inteiras nos jornalões, espaços generosos nas rádios e televisões. Tudo isso para ficar estatelado entre as mesas de um restaurante. Por favor, estatelado é a palavra?

Serra e a SUJÍSSIMA Veja

Tadeu Cordova Borges
Helio, coloquei nas mãos da assessora de Aécio, documento importante. Em Florianópolis onde estivemos. Mostrei que o governador de São Paulo recebeu da Sujíssima, – como você chama – 6 páginas, capa e carta do leitor.

Comentário de Helio Fernandes
Obrigado pelas informações (até pessoais) sobre as ligações de Serra com a Sujíssima. Não são especulações e sim fatos, fatos, fatos. Com citações de pessoas, datas e lugares. Obrigado e parabéns pelos contatos que na certa levarão você a participar da campanha de 2010. (Se ela existir).

O PMDB não dará nem presidente
nem o vice na sucessão de Lula

Arnaldo Casimiro Gonçalves
Helio, você que acompanha tudo, poderia responder à minha indagação? Tenho 32 anos, formado em Comunicação, estou fazendo Direito. Mas na Universidade, todos têm a mesma dúvida. Por que depois da ditadura militar o maior partido do Brasil não elegeu nenhum presidente nem se incomoda com isso?

Comentário de Helio Fernandes
Antes de tudo, Arnaldo, meus parabéns pelo fato de estar no segundo curso, espero que não pare por aí. Não pelo diploma, mas pelo conhecimento acumulado e o relacionamento assegurado. E leia, participe, viaje, ponha combustível na máquina de pensar, precisará muito, tendo 32 anos, pode contar com 68 pela frente.

Quanto ao PMDB, tem quase a tua idade, 28, surgiu em 1981, por imposição da ditadura. (A propósito, não existe ditadura militar ou civil, todas são conjuntas e interligadas). Só que por excesso de exibicionismo, não quer o Poder para cumprir projetos, planos ou compromissos partidários. Na verdade, não são partidos e sim agrupamentos.

Presidenciáveis, nenhum. Vice, só falam em Michel Temer, o que é a mesmo coisa que enganar a opinião pública.

Ia escrever, “enganar seus militantes”, mas onde estão eles? Sem reforma, os partidos têm apenas CÚPULA, que fica com tudo, e BASE que não tem direito nem de opinar.

Fred do Flunimed, na seleção

Ninguém explicou, nem ele mesmo porque estava sem jogar na Europa ou jogando raras vezes. Veio para o Brasil como grande esperança, decepção total enquanto jogou, revolta quando parou.

Na Copa e na Série B

Desapareceu de uma hora para outra, vaiado e amaldiçoado. Nessa luta desesperada entre o patrocinador que manda tudo, e um presidente que não manda nada, Fred ficou imolado.

Voltou, explicou o risco e o perigo que passou, voltou, o Flunimed hoje, é ele. Inédita essa condição quase concretizada: na seleção para a Copa, mérito dele. Na série B, demérito da ambição e deslealdade de dirigentes (?).

Ronaldinho Gaúcho – Ronaldinho Fenômeno

Títulos e mais títulos, melhores do mundo várias vezes, desapareceram. O gaúcho, muito convocado por Dunga, saiu da lista. Dá a impressão de estar voltando, nada surpreendente para um jogador como ele, antes dos 30 anos. No momento, em aparente recuperação, mais perto da Copa do que o xará que joga no Brasil.

O prefeito de Paris, já era gay, antes de ser eleito

Demonstrando toda irreverência e domínio do preconceito, o governador Requião investiu contra os gays e suas passeatas, cada vez maiores no mundo inteiro. Desde que se mantenham sem hostilizar fisicamente os outros, ninguém tem nada com isso.

Bertrand Delanos

Vereador em Paris, sempre respondia porque não fazia carreira, ficava na capital: “Paris é a minha cidade, vivo aqui, não saio daqui”. Surgiu a oportunidade, feito prefeito quando já era gay “assumido”, “nada tenho a esconder”. Tem feito administração corretíssima. Apoiado pelos que respeitam a privacidade e pelos que não respeitam.

Cristo-Lula, nenhuma discussão teológica

Comentário de Helio Fernandes
Gilson Lima, Carlos Duarte, Rosalvo Miranda, Carmem Francisco, Helcio, Haroldo Carvalho, contestam os que pretendem que Lula, quis se comparar a Jesus Cristo. É evidente como já demonstrei exaustivamente (com centenas de cidadãos concordando ou discordando, o mais importante), que foi apenas uma forma complicada, do presidente explicar a dificuldade da governabilidade.

Quanto à comparação que muitos fizeram, alguns perguntam: “Serra não se aliou a Quércia?”. É verdade e vai elegê-lo senador.