Kassab procura equipe de Bolsonaro e anuncia o apoio do PSD ao candidato

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Kassab é um profissional que adere a qualquer governo

Andréia Sadi
G1 Brasília

O ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab (PSD), comunicou à equipe de Jair Bolsonaro que seu partido apoia no segundo turno o candidato do PSL para a Presidência da República. Ministro de Michel Temer (MDB), Kassab também foi do primeiro escalão de Dilma Rousseff (PT).

No primeiro turno, o partido – que tem Kassab como principal cacique – apoiou oficialmente Geraldo Alckmin (PSDB). Mas lideranças do PSD já vinham manifestando ainda no primeiro turno apoio a Bolsonaro, como em Minas Gerais e Rio de Janeiro.

INTERLOCUTOR – Na semana passada, Kassab procurou Paulo Guedes – economista da campanha de Bolsonaro e de quem ele é amigo desde os tempos da campanha de Guilherme Afif. Kassab perguntou ao amigo economista quem era o melhor interlocutor político da campanha para comunicar a decisão.

Guedes respondeu: “Onyx Lorenzoni”. Deputado do DEM, Onyx é apontando como futuro ministro da Casa Civil, se Bolsonaro se eleger.

Na última terça-feira (dia 9), Kassab, Afif e Onyx jantaram em Brasília. Kassab explicou que o PSD só não poderia anunciar formalmente o apoio a Bolsonaro porque os diretórios da Bahia e Sergipe apoiavam o PT. Mas, na prática, o partido fará campanha para Bolsonaro no segundo turno.

JUSTIFICATIVA – A aliados, Kassab explicou que o apoio a Bolsonaro nada tem a ver com a perspectiva de poder do candidato do PSL – 18 pontos à frente de Haddad de acordo com a última pesquisa Ibope, divulgada nesta segunda-feira (dia 15).

A justificativa de Kassab é que não poderia apoiar Fernando Haddad por “questões locais” e porque, na sua avaliação, “o PT não está maduro para voltar ao poder”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGKassab é um profissional da política. Quando criou o PSD, fez questão de anunciar que o partido não era de direita ou esquerda, muito pelo contrário. Sempre em cima do muro, em sua carreira Kassab apoiou FHC, Lula, Dilma, Temer e agora… Bolsonaro.  Parodiando Shakespeare, pode-se dizer que “adesão, teu nome é Kassab!”. (C.N.) 

PF indicia Temer e uma filha por corrupção e pede a prisão do coronel Lima

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Temer lavou dinheiro da corrupção  na casa de sua filha

Aguirre Talento, Bela Megale e Carolina Brígido
O Globo

Após 13 meses de investigação, a Polícia Federal ( PF ) finalizou o inquérito que apurava se o presidente Michel Temer e seu grupo político receberam propina em troca de beneficiar indevidamente empresas do setor portuário. No relatório final, a PF indiciou o atual presidente e sua filha Maristela por corrupção passiva , lavagem de dinheiro e organização criminosa , além de outros acusados.

O relatório final afirma que Temer usou empresas do coronel reformado da PM João Baptista Lima, amigo do presidente de longa data, para receber propina da empresa Rodrimar por meio de uma complexa engenharia financeira envolvendo repasses a empresa de fachada ligada ao coronel. A PF aponta ainda crimes em pagamentos feitos pelo grupo Libra. Ambas as empresas são concessionárias de áreas do porto de Santos, reduto de influência política do emedebista.

NO SUPREMO – O relatório final, assinado pelo delegado Cleyber Malta Lopes, foi enviado nesta terça-feira ao Supremo Tribunal Federal — prazo máximo estabelecido pelo ministro Luís Roberto Barroso. Agora, o material será encaminhado à procuradora-geral da República Raquel Dodge, que deverá decidir se oferece denúncia contra o presidente com base nesses fatos.

Temer já havia sido denunciado duas vezes por Rodrigo Janot, antecessor de Raquel Dodge, em casos envolvendo a delação do grupo J&F (dono da JBS), mas o Congresso Nacional barrou a abertura de ação penal contra o presidente. Caso Dodge ofereça nova denúncia, será a terceira contra o emedebista no exercício do cargo de presidente.

OUTROS ENVOLVIDOS – Além de Temer e Maristela, a PF apontou indícios de corrupção passiva e lavagem de dinheiro contra o coronel João Baptista Lima e sua mulher Maria Rita Fratezi, além do seu sócio Carlos Alberto Costa e o filho dele, Carlos Alberto Costa Filho. A PF também aponta corrupção ativa do empresário Antônio Celso Grecco e seu subordinado Ricardo Mesquita, da Rodrimar, e de Gonçalo Torrealba, do grupo Libra, citados como responsáveis por pagamentos de propina em troca de benefícios na administração pública. A PF pediu o bloqueio de bens de todos eles, inclusive Temer e sua filha.

A PF ainda solicitou a prisão preventiva do coronel Lima, seu sócio Carlos Alberto Costa, sua mulher Maria Rita e o contador Almir Martins Ferreira, que também foi indiciado — Almir é suspeito de operar a empresa de fachada que receberia propina para Temer. No despacho, Barroso proíbe os quatro de saírem do país e pede a manifestação da PGR sobre o pedido de prisão.

DECRETO DOS PORTOS – A investigação tem como base um decreto assinado por Temer no ano passado que prorrogou e estendeu os prazos de concessão de áreas públicas às empresas portuárias. A PF suspeita que Temer tenha recebido propina para favorecer as empresas nesse decreto.

Aberta em setembro de 2017, a investigação envolveu medidas incisivas, como a quebra dos sigilos bancário e fiscal do presidente da República. Segundo o relatório, as empresas do coronel Lima teriam servido de captadoras da propina junto às empresas. Parte dessa propina teria sido repassada a Temer por meio do pagamento de reformas imobiliárias — o coronel Lima atuou na reforma de uma casa de 350 m² de Maristela Temer em 2014.

Em depoimento prestado por escrito à PF, Temer afirmou que o decreto portuário não favoreceu indevidamente empresas do setor, disse que jamais recebeu pagamentos indevidos e que o coronel não recebia dinheiro em seu nome. O Globo procurou a assessoria do presidente para comentar o teor do relatório final, mas ainda não obteve resposta.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É bom Temer seguir o exemplo de José Genoíno, Paulo Maluf, Jorge Picciani e do coronel Lima, que simulam doenças para permanecer em prisão domiciliar. Aqui na filial Brasil os criminosos velhos são cheios de regalias, é só arranjar uma fralda geriátrica que a liberdade está garantida. Lá na matriz EUA é diferente, os idosos são os primeiros a ir em cana, para dar exemplo aos mais jovens. (C.N.)

Eu, medo do Bolsonaro? Depois de Sarney, Collor, FHC, Lula, Dilma e Temer???

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Dos sete, o único presidente de verdade foi Itamar Franco

Francisco Vieira

Primeiro tivemos o José Sarney, o homem que queria congelar a “lei da oferta e da procura”, que se dispôs a mandar a Polícia Federal caçar bois no Pantanal de helicóptero e que introduziu o PMDB na vida da prostituição e os brasileiros na superinflação… Depois, tivemos o Fernando Collor, o caçador de maracujás, usurpador do patrimônio privado que estava nos bancos e único dono da razão, assessorado por quadrilhas de coronéis intelectuais e que colocou a nossa economia nas mãos da primeira “Dilma” da nossa Nova República…

Aí veio o outro Fernando, que queria que a moeda brasileira valesse o mesmo que o dólar pelos restos dos tempos e que, ao contrário do seu sucessor, comprou o Congresso e pagou à vista, na hora, em dinheiro vivo e que não só foi preso porque estava blindado pelo Brindeiro e por um Supremo corrupto…

LULA E DILMA – Depois apareceu o Lula, irmão gêmeo ideológico do último Fernando, que emprestou muito dinheiro e tirou milhões de pessoas da pobreza e do Terceiro Mundo, sem que nenhum dos novos ricos precisasse estudar ou ter aprendido alguma nova profissão e, por fim, resolver imitar o seu antecessor e comprar o mesmo Congresso, as mesmas prostitutas do PMDB que já tinham sido compradas antes. A diferença foi que desta vez preferiu pagar “mensalmente”. Como queria fazer a mesma coisa que o seu irmão, achou que ainda não tinha aparecido nenhum juiz nesta Zorra e acabou na cadeia…

A seguir, tivemos a “gerentona” Dilma Rousseff, sempre de topete erguido como o de uma gansa choca em um quintal de patos; quando os seus serviçais eram indagados sobre esse rabujo, diziam que a sua arrogância e pouco tato com pessoas eram originários do fato dela ser uma “administradora” eficiente, uma “intelectual” que sacrificara a simpatia humana em prol da impessoalidade da máquina para bem gerir a Petrobrás…

ME PREOCUPAR? – Finalmente, veio o Michel Temer, acompanhado da quadrilha do MDB.  Portanto, repito o que o cartunista Alfred. E. Newman sempre dizia: “Eu, me preocupar?”

Eu, me preocupar com o Bolsonaro, depois de passar trinta anos tendo a vida, a economia, a saúde, a segurança, o transporte, controlados pelos governantes acima mencionados – até o país chegar aonde chegou?

País perde com segundo turno sem debates nem discussão das propostas

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Leandro Colon
Folha

Instituído pela Constituição de 1988, o sistema de votação em dois turnos faz com que o vencedor assuma o poder legitimado por mais de 50% dos votos válidos. Assim fosse lá atrás, teríamos em 1955 um segundo turno entre Juscelino Kubitschek e Juarez Távora. Na ocasião, JK foi eleito com 35,68% dos válidos, cinco pontos a mais que o segundo colocado e dez à frente do terceiro lugar, Adhemar de Barros.

Cinco anos depois, Jânio Quadros chegou à Presidência com 48%, uma vitória de 16 pontos sobre o marechal Lott, o candidato do governo JK.

E SE NÃO? – E se houvesse segundo turno naquele período? JK poderia ter sido derrotado e Brasília nem existido (para alegria de muitos). O Rio seria a capital até hoje. Talvez o país não tivesse vivido a tempestade dos sete meses de Jânio e quem sabe os anos seguintes, que levaram à derrubada de João Goulart e ao golpe militar de 1964, teriam sido diferentes.

Em meados dos anos 90, setores do Congresso flertaram com a revogação do modelo então recém-criado.

Passados 30 anos da Constituição, parece não haver dúvidas de que o sistema é justo. Não só porque evita a eleição de um presidente sem a maioria. A regra permite ao eleitor comparar dois projetos de poder e mergulhar com profundidade em questões tantas vezes desprezadas em uma disputa muito pulverizada.

DEBATER – O segundo turno oferece a oportunidade de debate entre os finalistas —seja para analisar melhor o que pensam, seja para verificar o comportamento diante de um adversário.

As eleições de 2018 caminham para um desfecho com pouca discussão sobre propostas e chances enormes de não haver encontro entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT). Perde o país, perde o eleitor.

O segundo turno já está arranhado pela neutralidade de partidos do porte de MDB, PSDB e DEM, como se não fossem responsáveis pelo Brasil recente. Só não foram piores que o PDT, que inventou um “apoio crítico” a Haddad, tendo seu candidato e terceiro colocado, Ciro Gomes, rumado para a Europa logo depois.

Na corrida ao Planalto, a rejeição a Haddad vira novo obstáculo para o PT

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Charge do Sinovaldo (Jornal VS)

Bernardo Mello Franco
O Globo

O favoritismo de Jair Bolsonaro não é mais o único problema do PT. A pesquisa divulgada ontem pelo Ibope mostra que Fernando Haddad passou a enfrentar um novo obstáculo. Pela primeira vez na campanha, seu índice de rejeição ultrapassou o do adversário.

De acordo com o levantamento, 47% dos eleitores descartam votar no petista. Isso significa que a rejeição a Haddad disparou nos últimos dias. Na véspera do primeiro turno, o índice era de 36%.

No caso de Bolsonaro, deu-se o inverso. Pelos números do Ibope, 35% dos eleitores não admitem votar nele “de jeito nenhum”. Na pesquisa anterior, o capitão era rejeitado por 43%.

FAKE NEWS??? – Os petistas associam a maré contra Haddad ao bombardeio de fake news nas redes. O petista tem sido alvo de uma onda de ataques abaixo da cintura. Já foi acusado até de defender o incesto, em postagem do bolsonarista Olavo de Carvalho.

A artilharia produziu efeito, e o petista teve que ir para a defensiva. Ontem ele levou a mulher e os filhos para a TV, num esforço para rebater a ideia de que seria um inimigo da família tradicional.

OFENSIVA VIRTUAL – Com o TSE de braços cruzados, Bolsonaro colhe os frutos da ofensiva virtual. Segundo o Ibope, ele abriu uma vantagem de 42 pontos entre os evangélicos. No contingente, sua vitória sobre Haddad seria um massacre: 66% a 24%.

A esta altura, reconquistar estes eleitores parece uma missão quase impossível para Haddad. Ainda mais com as máquinas das maiores igrejas neopentecostais, como a Universal de Edir Macedo, atuando abertamente para o capitão.

TEMER NÃO SE EMENDA – A menos de 80 dias de passar a faixa ao sucessor, Michel Temer não muda. Nem os hábitos, nem as companhias.

Logo mais, às 18h, o presidente abrirá o Palácio do Planalto para receber a visita de Valdemar Costa Neto. Ele mesmo, o ex-deputado condenado e preso no mensalão.

Campanha de Haddad chega a uma encruzilhada para tentar alcançar Bolsonaro

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Charge do Pataxó (Arquivo Google)

Leonardo Cavalcanti e Lucas Valença
Correio Braziliense

Diante dos números das pesquisas de intenção de votos francamente favoráveis a Jair Bolsonaro (PSL), os aliados de Fernando Haddad (PT) cobram uma mudança na campanha, principalmente em relação ao roteiro e à programação do presidenciável, que centrou as atividades em São Paulo nos últimos dias, desde o final do primeiro turno, em 7 de outubro. “Ele tem de sair da capital paulista. Com a possibilidade dos debates, até fazia sentido ficar mais tempo por lá, mas Bolsonaro tem evitado os confrontos, deixando Haddad parado, sem se movimentar na campanha”, disse um petista, reeleito com votação expressiva para o Congresso.

A agenda de Haddad mostra que um dia depois da votação, o ex-prefeito de São Paulo viajou para Curitiba, onde se reuniu com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso na Superintendência da Polícia Federal, condenado a 12 anos e 1 mês de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro. Nos bastidores, petistas adiantaram que seria o último encontro com o padrinho político até o fim do segundo turno, para evitar desgastes entre uma parte do eleitorado que, mesmo capaz de apoiar Haddad, se incomoda com a proximidade com o comandante do partido.

EM SÃO PAULO  – Na quinta-feira da semana passada, o presidenciável petista esteve em Brasília, onde se encontrou com o ex-ministro do Supremo Joaquim Barbosa. Porém, nos outros seis dias, Haddad permaneceu em São Paulo, em entrevistas e encontros com apoiadores.

Ontem, a pesquisa Ibope trouxe Bolsonaro na frente, com 59% dos votos válidos, contra 41% de Haddad. A intenção total de voto também traz o candidato do PSL na dianteira com 52%. Já o do professor registrou 37%. Por outro lado, o petista lidera a rejeição com 47%, enquanto o ex-militar possui 35% .

“Considerando que a campanha entre o primeiro e segundo tem apenas 20 dias, é muito tempo dedicado a São Paulo. Contra fatos não há argumentos”, afirmou outro parlamentar petista.

SEM DEBATES – Haddad até se encontrou com governadores, como Paulo Câmara (PE) e Ricardo Coutinho (PB) e falou com jornais e rádios. O problema é que a estratégia de permanecer em São Paulo tinha como ponto central a participação nos debates, por causa do tempo de deslocamento e a própria preparação para os confrontos.

Diante da pesquisa Ibope, que mostrou uma diferença de 18 pontos percentuais de Bolsonaro com relação a Haddad, uma fonte do alto comando petista informou que há um desânimo causado pela baixa capacidade de reação do petista frente ao capitão reformado.

“É uma corrida presidencial complexa, quase impossível, onde o imponderável é visto como a única salvação”, disse um petista, que se refere a um eventual deslize de Bolsonaro para a retomada de fôlego por parte do ex-prefeito de São Paulo.

FAZ SENTIDO – Apesar das críticas dos próprios petistas, analistas consideram que a campanha neste momento é mais voltada para os programas eleitorais e a internet. Para o professor da Universidade Federal de Minas Gerais Carlos Ranulfo, a intenção de Haddad em permanecer em São Paulo, neste segundo turno, faz sentido pelo pouco tempo de campanha. “A campanha é muito curta para que ele possa cobrir o país inteiro. Então, ele está investindo no tempo eleitoral e tentando diminuir a rejeição em São Paulo”, entende o pesquisador.

Questionado se esse foco no Sudeste não poderia diminuir os votos nas outras regiões, em especial o Nordeste, o professor diz acreditar que Bolsonaro não terá um crescimento tão diferente do que no primeiro turno nesses locais.

POLARIZAÇÃO – Carlos Ranulfo esclarece que, mesmo que o capitão reformado tenha “entrado” mais facilmente no Nordeste do que o PSDB em outras eleições — alcançando até 30% dos votos em alguns estados —, Bolsonaro tende a continuar com os números da primeira etapa. “Bolsonaro também não vai para o Nordeste.

Agora, ele entrou na região porque a campanha, no fim, ficou polarizada em duas candidaturas”, afirma.

Haddad amacia críticas de Cid Gomes: ‘Coisa meio acalorada, ele é meu amigo’

Haddad

Haddad tenta manter o apoio do PDT, mas está difícil

Daniel Weterman
Estadão

O candidato do PT à Presidência nas eleições 2018, Fernando Haddad, classificou como uma “coisa meio acalorada” as críticas feitas pelo senador eleito do Ceará Cid Gomes (PDT). “Uma coisa meio acalorada, não vou ficar comentando isso até porque eu tenho uma amizade com o Cid, ele fez elogios à minha pessoa”, disse Haddad a jornalistas na manhã desta terça-feira, 16. Em uma discussão, Cid Gomes disse que o PT perderá eleição se não fizer mea culpa e chamou a militância petista de ‘babaca’

O petista declarou que preferia ver o lado “positivo” das declarações do pedetista e que a amizade entre os dois continuaria a mesma. Haddad disputa o segundo turno da eleição presidencial com o candidato Jair Bolsonaro, do PSL. Levantamento feito por Ibope/Estado/TV Globo divulgado pouco antes do discurso de Cid Gomes aponta que Bolsonaro lidera a pesquisa com 59% dos votos válidos, contra 41% de Haddad.

DISCUSSÃO – Cid Gomes se envolveu em uma discussão com apoiadores do PT durante ato a favor ao candidato da sigla à Presidência, Fernando Haddad, na noite de segunda-feira, 15, em Fortaleza. Em vídeo que circula nas redes sociais, Cid faz elogios a Haddad, mas cobra que o PT faça um mea culpa para conquistar o apoio do eleitorado.

“Tem de pedir desculpas, tem de ter humildade, e reconhecer que fizeram muita besteira”, disse o senador eleito, sendo interrompido por pessoas da plateia. “É sim, é? Pois tu vai perder a eleição. Não admitir um mea culpa, não admitir os erros que cometeu, isso é para perder a eleição e é bem feito. É bem feito perder a eleição”, afirmou durante o ato.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Cid Gomes tocou num ponto fraco do PT. Quando o partido foi criado, havia a prática salutar da autocrítica, com reuniões frequentes. Depois que o PT chegou ao poder em 2003, a vaidade falou mais alto e nunca mais houve esse tipo de reunião. O PT virou um partido igual aos outros, quer dizer, pior do que os outros, porque traiu suas origens e se tornou uma fábrica de corrupção. (C.N.)

Mourão afirma que “o telhado de Haddad não é de vidro, é de porcelana…”

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Mourão acha que Bolsonaro pode se dar bem no debate

Gerson Camarotti
G1 Brasília

O general Hamilton Mourão (PRTB), candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro (PSL), disse ao Blog do Camarotti avaliar que o debate entre Bolsonaro e Fernando Haddad (PT) não seria um problema. “Depois da liberação médica, será preciso fazer um estudo de situação. Um debate é o que a gente chama na linguagem militar de um confronto direto”, disse Mourão.

“Nesse cenário, Bolsonaro enfrentaria Haddad com calma e serenidade. Até porque o telhado do Haddad não é de vidro. O telhado de Haddad é de porcelana”, disparou o general.

NÃO ERRAR – Agora, todo o cuidado na campanha é não errar. Ao blog, Mourão usou uma expressão militar para resumir a estratégia das duas últimas semanas antes da eleição: “Temos que manter a fisionomia da frente”. Segundo ele, pelo cenário atual, a expectativa na campanha é que Bolsonaro chegue a 60% dos votos e Haddad, a 40%.

Ele também disse que há uma demanda grande de políticos para conseguir uma agenda com Bolsonaro. “Tem muita gente querendo um encontro com Bolsonaro. O difícil tem sido encaixar essa agenda”, acrescentou.

BOLSA FAMÍLIA – De todo jeito, há um esforço para tentar alcançar o eleitor tradicional do PT, principalmente entre os que têm renda mais baixa e na região Nordeste. Para isso, Bolsonaro já propôs uma espécie de 13º do Bolsa Família. “Para a região do Nordeste, a proposta será de romper a lógica da indústria da seca”, disse Mourão.

Sobre a reforma da Previdência, ele voltou a defender a análise do tema logo depois da eleição. A área política da campanha de Bolsonaro quer tratar do tema apenas no próximo ano. “O ótimo é inimigo do bom. Bolsonaro terá seis meses com capacidade de aprovar matérias no Congresso. Mas se puder resolver isso antes, melhor!”, reforçou.

“O Erro de Descartes” e o acerto do filósofo budista Nagarjuna

Imagem relacionadaAntonio Rocha

“O Erro de Descartes” é o título de um livro que fez sucesso em todo o mundo. É um trabalho muito importante do neurobiólogo António Damaso, português radicado nos EUA, foi publicado aqui no Brasil pela Companhia das Letras, em 1996. O autor desafia os dualismos tradicionais que o Ocidente inventou: mente/corpo, razão/emoção, (esquerda/direita, acrescento eu), oferecendo uma visão científica e integrada do homem.

Quanto ao acerto de Nagarjuna, trata-se de um dos mais importantes monges e filósofos budistas de todos os tempos.

CONCEITO DO SER – Vejamos o que diz Daisaku Ikeda, conceituado filósofo budista japonês da atualidade:

“Atualmente, filósofos ocidentais estão começando a sentir grande interesse pelo pensamento budista e pela filosofia de Nagarjuna, em particular. Numerosas razões poderiam ser citadas para explicar esse fenômeno de alta significação. Entre elas está o fato de que Nagarjuna, embora tivesse vivido mais de 1000 (mil) anos antes de Descartes, já lançara um ataque devastador contra a preocupação excessiva com o conceito de ser (eu), conceito este tão fundamental na Filosofia Ocidental. Não é de admirar, portanto, que os filósofos do Ocidente, ao conhecerem agora a natureza das realizações de Nagarjuna, mostrem-se ansiosos para lhe compreender melhor as ideias”.

EM OXFORD – Entre seus verbetes, o “Dicionário Oxford de Filosofia” cita parte da biografia de Nagarjuna, incluindo-o, portanto, no rol dos grandes pensadores da humanidade.

Com todo o respeito à memória de Descartes e à sua célebre frase (“Penso, logo existo”), o filósofo francês concebia o ato de pensar separado do corpo, estabelecendo um abismo entre mente e corpo.

É bom ver a Ciência contemporânea corroborando milenares preceitos do budismo e, em especial, do filósofo Nagarjuna. Desde o século VI antes de Cristo, outro pensador, Sidarta Gautama, o Buda, afirmava que tudo está interligado: pessoas, fatos, situações, coisas etc.

IKEDA E ATHAYDE – O citado professor Daisaku Ikeda, consagrado escritor japonês, é membro correspondente da Academia Brasileira de Letras.

E o famoso escritor e jornalista Austregésilo de Athayde, que foi presidente da ABL, era membro da organização budista leiga Soka Gakkai, cujo presidente internacional é o nipônico Ikeda que já recebeu o título de Doutor Honoris Causa em diversas universidades e faculdades do Brasil e exterior.

A nova onda conservadora e a volta da política irracional do “nós contra eles”

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Roberto Nascimento

Está ficando mais difícil, à medida que o tempo passa, a reversão dos votos em favor do candidato Haddad. Bolsonaro amplia a vantagem na última pesquisa do Ibope, captando os votos de protesto da classe média e da classe A. Tudo pode acontecer quando as urnas forem abertas, ou até mesmo não acontecer nada. Mas uma coisa já é certa, o Congresso será mais conservador do que o atual.

Chamado de o Sr. Diretas, ícone da Constituição de 1988, o deputado Ulysses Guimarães afirmou sabiamente: “Se vocês reclamam do atual Congresso, esperem pelo próximo, que será bem pior”. A máxima do doutor Ulisses é confirmada a cada quatro anos.

ONDA CONSERVADOR – De norte a sul do país foram eleitos deputados e senadores majoritariamente conservadores na economia e restritivos de direitos no campo social.

As propostas dos representantes eleitos na onda conservadora têm foco também na redução da maioridade penal e no confronto letal com os bandidos, em detrimento do desbaratamento das quadrilhas através da inteligência investigativa.

Quanto aos milhões de desempregados, suas excelências eleitas têm como proposta simplória a diminuição da folha salarial, para que os empresários possam contratar mais empregados, com salários menores. E todos lembram que a presidente Dilma tentou aumentar a oferta de empregos desonerando a folha das empresas, e o resultado foi a queda na arrecadação de impostos, sem a contrapartida esperada da geração de empregos. O impeachment resultou da desastrada política de desonerações, entre outros equívocos da área econômica.

O CASO DORIA – A mediocridade é tanta, que uma deputada federal, eleita pelo Estado de São Paulo, aportou há alguns dias no Rio de Janeiro trazendo a tiracolo o Sr. Doria, candidato a governador por São Paulo neste segundo turno. Trata-se de político autointitulado de outsider, que abandonou seu mentor Geraldo Alckmin na corrida presidencial pelo PSDB. Doria esperava gravar um vídeo com apoio de Bolsonaro a ele, para surfar na onda e se cacifar contra seu adversário Márcio França, do PSB.

Demonstrando sagacidade política, Bolsonaro rejeitou a manobra de Doria, ao se declarar neutro nas disputas aos governos estaduais do Rio e de São Paulo. E sequer recebeu o candidato a governador pelo PSDB, o que deixou o ex-prefeito muito contrariado e frustrado.

SERÁ ADVERSÁRIO – O senador eleito de SP, Major Olímpio farejou o perigo Dória já para as eleições presidenciais de 2022, caso seja eleito agora governador, o que o tornaria um adversário em potencial. Todo governador de São Paulo almeja disputar a corrida presidencial.

Nessa quadra da vida da nação, as contradições do “nós contra eles”, “direita ou esquerda”, “privataria ou estatização”, “democracia ou autoritarismo”, “imprensa livre ou censura”, enfim, o resultado das urnas abertas em 7 de outubro mais do que responde ao enigma dos dilemas: Trata-se de um tsunami eleitoral de viés ultraconservador.

Os brasileiros estão trilhando o mesmo caminho do mundo capitalista ocidental, cujo exemplo maior foi a eleição de Donald Trump nos EUA, acompanhada de derrotas dos candidatos da esquerda em quase todos os países europeus.

MAQUIAVEL – A razão está com o pensador florentino Nicolau Maquiavel, na esteira do artigo do jornalista Sérgio Augusto (Estadão de 04/08/2018), descrito abaixo:

“O Príncipe alerta para as sociedades divididas em facções, onde as pessoas começam a se ver como inimigas mortais, como grupos de interesses conflitantes, continuamente à beira de uma guerra civil”.

Maquiavel previu os salvadores da pátria, à moda Sassá Mutema, como o alter ego de Fernando Collor, o caçador de marajás, tipos que surgem de tempos em tempos como Messias, prontos para levar a classe média e os pobres rumo ao paraíso na Terra.

“NÓS CONTRA ELES” – A divisão entre Sudeste/Sul e o Norte/Nordeste é um mau presságio. A nação precisa continuar unida para o combate sem trégua contra os inimigos externos e os calabares internos. Somente assim seguiremos nosso destino grandioso, o país do futuro promissor, que nos espera no cenário das grandes nações.

Lembremo-nos da Iugoslávia presidida pelo Marechal Tito, da URSS presidida por Michail Gorbachev e da Líbia comandada por Muamar Kadaffi, que retrocedeu 50 anos na onda da Primavera Árabe. São países levados pelas ondas diversionistas, que enfraqueceram seus povos, retalhados sem dó nem piedade pelos mesmos colonizadores imemoriais das nações.

Alea jacta est, como disse César, o Imperador Romano.

“Já ir se acostumando” – o slogan deveria servir para o próprio Bolsonaro

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Reprodução do Arquivo Google

Vera Magalhães
Estadão

Um dos resumos mais fiéis da maneira como parte dos eleitores de Jair Bolsonaro se relacionam com o candidato, a imprensa, a Justiça, os adversários do deputado e até amigos que não comungam da sua fé é o martelado slogan “é melhor JAIR se acostumando”. Derivada política do “vão ter de me engolir” do velho lobo Zagallo, a frase embute uma ameaça velada: depois da vitória de Bolsonaro, parecem crer seus seguidores, tão fervorosos quanto avessos a contrapontos e ponderações, todos aqueles que não estão no barco estarão sujeitos aos ditames da nova ordem. De modo que seria melhor se resignarem.

As pesquisas parecem indicar que eles estão certos no diagnóstico: tudo indica que Bolsonaro será o próximo presidente do Brasil. Nesse aspecto, portanto, é melhor ao País já ir se preparando para o que será seu governo.

JAIR FALANDO – Para isso, seria importante o candidato já ir falando o que pretende fazer caso eleito em questões que realmente dizem respeito às atribuições de um presidente; já ir se dispondo a debater com seu adversário, que foi colocado no segundo turno por uma parcela do eleitorado que ele também terá de governar caso eleito, já ir amansando seus radicais e já ir entendendo que instituições como imprensa e Justiça Eleitoral não são inimigos a serem evitados ou descredenciados, mas pilares importantes da sociedade.

Assim como Bolsonaro e bolsonarianos se voltam a todos aqueles que não vivem da adoração ao mito e dizem que é melhor já ir se acostumando a ele, a democracia pressupõe a possibilidade de resposta: deputado, o senhor precisa já ir se familiarizando aos ritos, às demandas urgentes e aos freios e contrapesos que ditarão, tendo como base as estritas normas da Constituição e apenas elas, o que o senhor deverá e poderá fazer depois que subir a rampa do Palácio do Planalto.

JAIR ACEITANDO – Ao insistir dia sim, outro também, na alegação de fraude nas urnas eletrônicas, Bolsonaro desrespeita o voto, em primeiro lugar, e a Justiça, em seguida. A tese é tão desarrazoada que, nesta sexta-feira, ao lado de um deputado eleito da expressiva bancada de 52 integrantes de seu partido, ele chegou a dizer que a fraude ocorreria apenas para a Presidência da República!

Seria um mero atentado à inteligência nacional não fosse a assustadora adesão a essa mistificação repetida por ele, pelo alto escalão da campanha e do partido e até por parte dos que foram eleitos com votações consagradoras por essas mesmas urnas.

O livro Como as Democracias Morrem, de Steven Levitsky e Daniel Ziblatt, mostra que o ataque à lisura das eleições é uma característica comum a vários políticos, de esquerda ou de direita, em países desenvolvidos ou em desenvolvimento, que passaram a minar as instituições.

JAIR DIZENDO – Bolsonaro disse, na mesma transmissão ao vivo, que vai mudar o sistema de votação se eleito, deixando em aberto que formato seria esse.

Paralelamente ao clima de desconfiança e desinformação quanto à regularidade do pleito que provavelmente irá conduzi-lo ao Planalto, o candidato investe em caracterizar a imprensa como adversária ou inimiga. Por mais que aliados sejam instados a evitar falar com os jornalistas, é um misto de ingenuidade e, de novo, arrogância achar que isso será o bastante para que os veículos deixem de investigar, cobrar propostas, cotejar programas, escrutinar o passado dos candidatos (e dos eleitos), apontar incongruências e contradições, esmiuçar os bastidores, denunciar abusos.

É isso que a imprensa livre e profissional faz, e os ativistas de redes sociais, não. Não resta outro caminho dentro dos marcos do estado democrático de direito a não ser já ir respeitando.

A deusa Iara de nossas águas, na visão poética de Guimarães Rosa

Resultado de imagem para guimarães rosaPaulo Peres
Site Poemas & Canções
  

O médico, diplomata, romancista, contista e poeta João Guimarães Rosa (1908-1967), nascido em Cordisburgo (MG), é um dos mais importantes escritores brasileiros de todos os tempos, sendo sua obra mais conhecida o romance “Grande Sertão: Veredas”, que ele qualifica como uma “autobiografia irracional”. Entretanto, Guimarães Rosa também enveredou pelos veios poéticos, onde até “A Iara” de seu poema é diferente das outras Iaras, repleta de belezas que as outras Iaras deveriam possuir.

A IARA
Guimarães Rosa

Bem abaixo das colinas de ondas verdes,
onde o sol se refrata em agulhas frias,
descem todas as sereias dos mares e dos rios,
irreais e lentas, como espectros de vidro,
para os palácios de madrépora de Anfitrite,
em vale côncavo, transparente e verde,
num recanto abissal, como uma taça cheia,
entre bosques de sargaços, espumosos,
e rígidos jardins geométricos de coral…

Por entre os delfins, sentinelas de Posséidon,
afundam, suspensas, soltas, como grandes algas,
carregando os jovens afogados:
Ondinas das praias, flexuosas,
Nixes da água furtacor do Elba,
Havefrus do Sund e Russalkas do Don…
Loreley traz no esmalte doce dos olhos
duas gotas do Reno…
E Danaides laboriosas se desviam dos cardumes
de Nereidas,
que imergem, ondulando as caudas palhetadas
dos seus vestidos justos de lamé
Mas a Iara não veio!…
Mas a Iara não vem!…
Porque a Iara tem sangue,
porque a Iara tem carne,
sangue de mulher moça da terra vermelha,
carne de peixe da água gorda do rio…

Iara de olhos verdes de muiraquitã,
cintura pra cima cunhantã,
cintura pra baixo tucunaré…
que veio, dormindo, Purus abaixo,
filha do filho do rei dos peixes
com uma índia branca Cachinauá…

Lá bem pra trás da boca aberta do rio,
onde solta seus diabos
o bicho feroz da pororoca,
ela ficou, cheia de medo,
brasiliana, tapuia, morena,
tão orgulhosa,
que não quer ser desprezada pelas outras…

E a Iara é preguiçosa,
tão preguiçosa,
que não canta mais as trovas lentas
em nheengatu:
– “Iquê, ianè retama icu.
Paraná inhana rumassaua quitó…”

Nem mais se esforça em seduzir
o canoeiro mura ou o seringueiro,
meio vestida com a gaze das águas,
na renda trançada dos igarapés…
E eu tenho de chorar:
– Enfeitiça-me, ó Iara,
que eu vim aqui pra me deixar vencer…”

Mas custa-me encontrá-la,
e só a noite sem bordas dessas terras grandes,
quando a lua e as ninfeias desabrocham soltas,
posso beijá-la,
nua, dormida.

Eduardo Paes mentiu no RJ TV com tanta convicção que parecia ser verdade

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Em matéria de mentira, Eduardo Paes é mesmo imbatível

Carlos Newton

Eduardo Paes, candidato do DEM ao governo do Estado do Rio de Janeiro, foi entrevistado nesta segunda-feira (dia 15) no RJ TV, segunda edição. A apresentadora Ana Luíza Guimarães atuou com o rigor que se fazia necessário diante de um político de ficha suja, e iniciou a entrevista indagando sobre as delações que demonstram a existência de corrupção na prefeitura do Rio de Janeiro, num esquema que funcionava sob o comando direto de Paes e com a cumplicidade dos dois secretários de Obras por ele nomeados – Alexandre Pinto e Luiz Antonio Guaraná.

O ex-prefeito tentou escorregar, dizendo que jamais houve acusações contra ele e o ex-secretário Alexandre Pinto somente passou a denunciá-lo após o terceiro depoimento à Justiça Federal, para reduzir a pena.

E A ODEBRECHT? – A apresentadora Ana Luiza Guimarães não se deixou iludir e insistiu no assunto, citando as delações da Odebrecht, que também acusam o ex-prefeito, através de depoimentos dos executivos Benedicto Júnior e Leandro Azevedo, que repassaram R$ 15 milhões em propina para Caixa 2 de Paes, apelidado de “Nervosinho”.

Na defensiva, muito nervoso, Paes começou a mentir, alegando que se tratava de patrocínios eleitorais, na época permitidos por lei, mas isso não era verdade, porque Caixa 2 eleitoral é crime e até acarreta cassação de mandato.

A jornalista Ana Luiza Guimarães engoliu a conversa fiada de Paes, mas foi em frente, indagando sobre a condenação dele pelo Tribunal Regional Eleitoral, junto com Pedro Paulo, seu secretário da Casa Civil, por abuso de poder político-econômico e conduta vedada a agente público.

MENTINDO PARA VALER – A apresentadora afirmou que foi decisão unânime do TRE e Paes ficou inelegível por oito anos, somente conseguindo ser candidato mediante uma liminar provisória no TSE.

Com a maior desfaçatez, Eduardo Paes então desmentiu a jornalista do RJ TV e afirmou que sua candidatura não foi concedida por liminar do TSE, mas “por decisão unânime do relator e do plenário do TRE”. Mentiu com tamanha convicção que a jornalista não reagiu, certamente julgando que a equipe da Globo se equivocara ao fazer a pergunta.

Mas não havia erro algum. Em dezembro de 2017 o plenário do TRE realmente condenou Paes por unanimidade, tornando-o ficha suja e inelegível por oito anos. Somente em maio deste ano a defesa do ex-prefeito conseguiu suspender (não revogar) a decisão unânime do TRR, através de uma liminar provisória do ministro Jorge Mussi, em decisão monocrática que desconheceu a Lei da Ficha Limpa.

Devido à decisão solitária de Mussi, o TRE teve de aceitar de forma precária a candidatura de Paes, que pode ser cassada a qualquer momento pelo plenário do TSE, porque o julgamento atrasou.

PEGA NA MENTIRA – Como diria Jota Silvestre, a pergunta da Globo estava absolutamente certa, mas Eduardo Paes mentiu com tamanha firmeza que balançou a apresentadora.

Mentir é uma técnica que pode ser aperfeiçoada. De tanto mentir, Paes se tornou um grande mestre e conseguiu desviar os rumos da entrevista no RJ TV. Mas a imprensa está de olho nas manipulações dele, que ficou oito anos administrando o Rio e, quando entregou o cargo em 2017, a Prefeitura e a previdência municipal estavam falidas e cheias de dívidas.

Resta saber até quando Paes conseguirá seguir enganando os incautos e garantindo a própria impunidade. Mas quem se interessa???

Sonegação de impostos caiu, mas chegou a R$ 390 bilhões no ano passado

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Charge do Tiago Recchia (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Com base em levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação, a repórter Marta Watanabe, edição de ontem do Valor, revela que no exercício de 2017 a sonegação de impostos no Brasil ainda atingiu esse incrível montante, embora signifique uma redução drástica em relação ao que foi sonegado há dez anos. Calcule-se, portanto, o quanto representa o escapismo fiscal uma vez que o não pagamento de tributos era de 27%. Caiu para 17% em valores monetários corrigidos, o equivalente a 36%, nada mal. Entretanto, deixando-se o percentual de lado e calculando-se a sonegação ao longo da última década, certamente vamos nos deparar com uma situação enorme, fruto das sonegações acumuladas.

Portanto, o problema maior do déficit nas contas públicas situa-se exatamente no sistema tributário e nesse sistema não se inclui o panorama salarial, inclusive porque o recolhimento de impostos federais e estaduais não é feito pela mão de obra ativa e sim pelo sistema empresarial.

NOTAS ELETRÔNICAS – O Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação atribui a queda da sonegação ao sistema das notas eletrônicas e também a uma fiscalização mais rigorosa.

Para Estevão Tair, na mesma edição do Valor focaliza a necessidade de minireformas pontuais para aliviar a área fiscal do país. Seja como for o recolhimento tributário, na realidade cabe às empresas produtoras. Incrível que em 2017 a sonegação tenha se elevado a 390 bilhões. E não se tem informação  de ofensiva governamental para efetivar essa cobrança. Em muitos casos é impossível, já que muitas empresas encontram-se em recuperação judicial ou então encerraram suas atividades, fechando assim uma porta decisiva para que fossem feitos recolhimentos.

EMPREGO TEMPORÁRIO  – Marcia De Chiara, em O Estado de São Paulo também de ontem, focalizou a questão do emprego temporário como a única opção no momento para combater uma fatia do desemprego que alcança mais de 12 milhões de pessoas no país. Está se aproximando a hora de contratações desse tipo, como acontece em todos os finais de ano. Pode se prever no setor comércio um aproveitamento de 10% sobre o total das admissões temporárias. Em muitos casos a contratação refere-se ao período outubro a dezembro.

ROMBO DO INSS – Mas dificilmente essa contratação informal produz recursos para o déficit previdenciário. Isso porque são contratos a prazo curto e que em sua grande maioria não incluem as contribuições para o INSS, como determina a lei. A lei estabelece que funcione o sistema de contribuição ao INSS. Mas essa contribuição refere-se muito mais às empresas (20% sobre total da folha) do que às pessoas contratadas (11% sobre os salários).

É verdade que uma percentagem de contratados, como sempre ocorre, serão efetivados. Aí sim as contribuições de empregados e empregadores vai se faz sentir. A reportagem acentua que as contratações temporárias vão atingir cerca de 41 mil trabalhadores. É pouco, muito pouco.

Estratégia do PT para desconstruir Bolsonaro é chamá-lo de “mentiroso”

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Cúpula do PT não vai mais chamar Bolsonaro de “fascista”

Daniela Lima
Folha/Painel

Pesquisas qualitativas feitas pelo PT deram novo norte aos aliados de Fernando Haddad que buscam uma rota para desconstruir Jair Bolsonaro (PSL). Integrantes da equipe do petista dizem que “não é chamando o eleitor dele de fascista” que vão minar o apoio ao candidato do PSL. A ordem é explorar contradições de Bolsonaro e tentar apresentá-lo como mentiroso. Essa foi a linha definida na última propaganda, que expôs posições divergentes do presidenciável sobre o Bolsa Família.

O PT começou a exibir votos do capitão reformado na Câmara em projetos de interesse social para pôr em dúvida propostas que ele faz hoje.

RELEMBRAR… – Parte da retórica de Bolsonaro contra o PT nessas eleições não é nova. Palavras-chave de seu discurso já foram usadas para celebrar uma derrota do petismo no governo Lula. “Foi a vitória de Davi contra Golias, do bem contra o mal, da democracia contra a ditadura e da verdade sobre a mentira deslavada do PT”, disse ele, em 2005.

Na ocasião, o deputado parabenizava Severino Cavalcanti, de seu partido à época, o PP, por ter vencido a disputa pela presidência da Câmara. Severino ficou no cargo por menos de 250 dias. Caiu com o escândalo do “mensalinho”, acusado de cobrar propina de donos de restaurantes que funcionavam na Casa.

E um sinal dos tempos foi uma funcionária transgênero de uma hamburgueria frequentada por Haddad e integrantes de sua equipe de comunicação perguntar a auxiliares do petista se deveria voltar a se vestir de homem até “isso tudo terminar”.

NORDESTE – No sábado (dia 13), Bolsonaro gravou vídeos direcionados ao Nordeste. Ele falou sobre o pagamento do 13º salário para o Bolsa Família e propostas para o semiárido. As peças serão incluídas nas propagandas do candidato na TV.

A equipe do presidenciável incluiu entre as propostas do plano de governo o incentivo à atuação do Exército na construção de poços artesianos no sertão nordestino.

Outra ação que entrou no catálogo do PSL é a conclusão da Ferrovia Oeste-Leste, estratégica para escoar minério e grãos na Bahia.

POTE DE OURO – O superministério idealizado por Bolsonaro para agregar Agricultura, Meio Ambiente e Desenvolvimento Agrário já tem provocado uma corrida ao presidenciável pela indicação do eventual futuro ministro. Amigo de Bolsonaro e antes certo para a pasta, o presidente da UDR, Luiz Antônio Nabhan, não está mais sozinho no páreo.

Nabhan tem o apoio de grandes produtores independentes, mas outros dois pesos pesados do setor reivindicam indicar o ministro: a Frente Parlamentar da Agropecuária e a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), que agrega federações e sindicatos rurais.

O nome de Nabhan divide a bancada ruralista. Bolsonaro foi avisado.

PELOS DIREITOS – A Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho vai cobrar que o próximo governo respeite os direitos trabalhistas previstos na Constituição e garanta a aplicação da atual legislação ambiental. Os juízes tentam marcar posição após falas polêmicas de aliados de Bolsonaro.

Os magistrados vão emitir nota. Haverá ainda recado ao PT. O documento vai repudiar a hipótese de aparelhamento do estado e condenar a corrupção.

FÍSICA E POLÍTICA – Do cientista político Carlos Melo, do Insper, sobre FHC ter dito ao jornal O Estado de S.Paulo que não dará apoio automático a Haddad:

O PT esperava que apoios de segundo turno se dessem pela lei da gravidade. Não entende de física, nem de política…

Ibope para presidente: nos votos válidos Bolsonaro tem 59% e  Haddad, 41%

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A 13 dias da eleição, Bolsonaro lidera com muita folga

Por G1 Política

O Ibope divulgou nesta segunda-feira (15) o resultado da primeira pesquisa do instituto sobre o segundo turno da eleição presidencial. O levantamento foi realizado na sábado (13) e domingo (14), e tem margem de erro de 2 pontos, para mais ou para menos.

Nos votos válidos, os resultados foram os seguintes: Jair Bolsonaro (PSL): 59%; e Fernando Haddad (PT): 41%

VOTOS EXCLUÍDOS – Para calcular os votos válidos, são excluídos da amostra os votos brancos, os nulos e os eleitores que se declaram indecisos. O procedimento é o mesmo utilizado pela Justiça Eleitoral para divulgar o resultado oficial da eleição. Para vencer no primeiro turno, um candidato precisa de 50% dos votos válidos mais um voto.

Nos votos totais, os resultados foram os seguintes: Jair Bolsonaro (PSL): 52%; Fernando Haddad (PT): 37%; Em branco/nulo: 9%; Não sabe: 2%

REJEIÇÃO – A pesquisa também apontou o potencial de voto e rejeição para presidente. O Ibope perguntou: “Para cada um dos candidatos a Presidente da República citados, gostaria que o(a) sr(a) dissesse qual destas frases melhor descreve a sua opinião sobre ele”?

Com certeza votaria em Bolsonaro para presidente – 41%; Poderia votar nele para presidente – 11%; Não votaria nele de jeito nenhum – 35%; Não o conhece o suficiente para opinar – 11%; Não sabem ou preferem não opinar – 2%.

Com certeza votaria em Fernando Haddad para presidente – 28%; Poderia votar nele para presidente – 11%; Não votaria nele de jeito nenhum – 47%; Não o conhece o suficiente para opinar – 12%; Não sabem ou preferem não opinar – 2%.

SOBRE A PESQUISA – Margem de erro: 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Entrevistados: 2506 eleitores em 176 municípios. Quando a pesquisa foi feita: 13 e 14 de outubro. Registro no TSE: BR‐01112/2018. Nível de confiança: 95%. Contratantes da pesquisa: TV Globo e “O Estado de S.Paulo”.

O nível de confiança da pesquisa é de 95%. Isso quer dizer que há uma probabilidade de 95% de os resultados retratarem a realidade, considerando a margem de erro, que é de 2 pontos, para mais ou para menos.

Mensagem ao grande humanista chamado Jorge Béja, um exemplo para todos

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Jorge Béja demonstra um caráter a toda prova

Carlos Newton

Querido amigo Jorge Béja, retirei do blog seu comentário sobre Merval Pereira por vários motivos, acredito que todos relevantes.

Primeiro: O jurista Jorge Béja e o jornalista Merval Pereira sempre foram amigos, há mais de 40 anos. Amizades sempre sofrem abalos, mas é preciso que as mantenhamos, não se deve perder amigos.

Segundo: Acho que Merval errou ao não citar uma tese sua, mencionada numa coluna dele. Mas no meu caso, já lhe expliquei que Merval não pode nem deve citar a Tribuna da Internet ou meu nome, devido aos artigos que tenho escrito contra a Organização Globo através dos anos.

Terceiro: Sua vida, Dr. Béja, é um exemplo de humanismo e sabedoria. Na carreira de advogado, jamais houve nada igual. Somente o portentoso Sobral Pinto pode ser comparado ao sr., mas com uma diferença: Sobral defendia todos que a ele recorressem, fossem pobres, remediados ou ricos, enquanto o sr. somente defendeu e defende, sempre gratuitamente como Dr. Sobral, apenas os carentes e abandonados, aqueles que jamais teriam voz contra o Estado e as grandes corporações. Nunca se soube de um processo seu que envolvesse alguém que pudesse pagar advogado.

Quarto: Sua vida e sua carreira são exemplares. Os escassos erros que o sr. deve ter cometido, porque aqui na Terra todos erram, certamente foram tentando fazer o bem, combater o bom combate do apóstolo Paulo.

Quinto: Como sou mediador do blog, assumo a responsabilidade de zelar pelo bem de quem o frequenta. Já lhe disse, pessoalmente, que não permitirei que na TI o sr. faça nada de que depois possa se arrepender. Acho que este é o papel do verdadeiro amigo. E vamos em frente, sempre juntos.