Advogado acusa Jungmann de crimes contra quem denunciou fraude nas urnas

Jugmann não apura denúncias e ameaça o eleitor

Jorge Béja

Sem convicção, sem certeza e cheio de desconfiança, mesmo assim adotemos como verdadeira a afirmação de que “a urna eletrônica é segura, não permite fraudes e é inviolável”. Ainda assim, se o eleitor a denuncia com provas que conseguiu obter –e não uma denúncia vazia e oportunista – neste caso as autoridades estão obrigadas a instaurar procedimento, no mínimo investigativo, com a convocação do eleitor (ou eleitores) para comprovar a denúncia.

O fato é gravíssimo e as autoridades não podem cruzar os braços. E tratando-se do pior e mais hediondo e abominável crime eleitoral, por ludibriar a boa-fé e a inocência de todo o povo brasileiro e de mais de 147 milhões de eleitores, as autoridades têm o indeclinável dever de acolher o(s) denunciante(s), tratá-los condignamente, por sua coragem, por seu civismo e por seu patriotismo de se expor(em) por uma causa justa e que precisa, inegavelmente, de imediata apuração.

MAS NA PRÁTICA… – Mas parece que as coisas não são assim. Circula na internet um vídeo de pouco mais de 5 minutos, em que o advogado Adão Paiani, com voz firme e demonstrando segurança, convicção e lastreamento fático e jurídico no que está afirmando, anuncia ele que deu entrada no dia 11 de outubro com uma representação criminal na Procuradoria-Geral da República contra o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, pela prática dos crimes de prevaricação, constrangimento ilegal, ameaça e abuso de autoridade.

Isto porque, segundo o advogado, o ministro vem intimidando os cidadãos que denunciam irregularidades que comprometem a lisura da urna eletrônica, como ficou constatado no primeiro turno, diz o advogado. No final deste breve artigo, o endereço do vídeo para ser acessado e ver e ouvir o que fala o doutor Paiane.

TEM TODA RAZÃO – Não conheço o referido advogado. Mas como cidadão, eleitor e também advogado, dou razão ao doutor Adão PaianI. Se há denúncia de irregularidade, a postura da autoridade pública não pode ser a de ameaçar o(s) denunciante(s), e sim chamá-lo(s) e ouvi-lo(s), formalmente, para que traga(m) as provas, e sempre e sempre com a presença do Ministério Público Eleitoral, facultado ao denunciante, arguente ou queixoso – não importa o nome jurídico que lhe seja emprestado – a ampla defesa, o mais transparente e abrangente contraditório e a produção de todas as provas, que conseguiu obter e as que faltam produzir, visto tratar-se de tema intrincado, complexo, e sujeito a todo tipo de trapaça, como ocorre com tudo aquilo que diz respeito à informática e a modernidade do mundo virtual. Afinal de contas, é a Democracia que está em causa. E se procedente a denúncia, somos mais de 200 milhões de vitimados.

SEM IMPUTAÇÃO – E se a denúncia ou queixa não proceder, os eleitores (o eleitor) que reclamaram, se queixaram e se sentiram enganados pelo que, solitariamente, constataram na cabine diante daquela pequena telinha da urna eletrônica, a eles nenhuma imputação criminal pode ser feita. Mas não seria, em tese, denunciação caluniosa? Claro que não.

Ainda que não reste comprovada a denúncia, a denunciação foi corajosa e jamais caluniosa, mesmo porque inexiste sujeito passivo para tal eventual imputação, que seria desarrazoada. Amedrontadora é a posição do ministro contra quem o referido advogado representou criminalmente pelos crimes de constrangimento ilegal, prevaricação, ameaça e abuso de autoridade. Em todas as eleições, gerais ou não, a festa é do povo. E só ao povo pertence. Povo-eleitor.

E se parte do destinatário da festa denúncia de irregularidade (no caso, gravíssima), a denúncia é tão importante quanto o voto. E se muitas são as denúncias de igual sentido, como anuncia o doutor Adão Paiani, aí mesmo é que a gravidade se agiganta e compromete toda a Democracia e a confiança do eleitor. E assim estaremos diante de uma desgraça nacional.

Legado olímpico: Eduardo Paes levou R$ 15 milhões em propina da Olimpíada

Resultado de imagem para eduardo paes 0limpiada

O maior legado foi para os bolsos de Eduardo Paes

Deu em O Dia
(Estadão Conteúdo)

O homem forte do Departamento de Propinas da Odebrecht, Benedicto Barbosa da Silva Júnior, declarou em delação premiada perante a Procuradoria-Geral da República que o grupo empresarial repassou mais de R$ 15 milhões ao ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PMDB), o ‘Nervosinho’, ‘ante seu interesse na facilitação de contratos relativos às Olimpíadas de 2016’. As solicitações teriam sido feitas em 2012.

“Dessa quantia, R$ 11 milhões foram repassados no Brasil e outros R$ 5 milhões por meio de contas no exterior. O colaborador apresenta documentos que, em tese, corroboram essas informações prestadas, havendo, em seus relatos, menção a Leonel Brizola Neto e Cristiane Brasil como possíveis destinatários dos valores”, relata o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF) em decisão de 4 de abril que mandou investigar Eduardo Paes.

OUTRAS DELAÇÕES – O Estadão teve acesso a despachos do ministro Fachin, assinados eletronicamente no dia 4 de abril. Além de Benedicto Júnior, o ex-prefeito do Rio foi delatado pelos executivos da Odebrecht Leandro Andrade Azevedo e Luiz Eduardo da Rocha Soares.

Segundo Leandro André Azevedo, o ex-prefeito do Rio também teria negociado repasse de R$ 3 milhões da Odebrecht para a campanha a deputado federal de Pedro Paulo (PMDB) em 2010. O delator citou o sistema Drousys, a rede de comunicação interna, uma espécie de intranet, dos funcionários do “departamento da propina” da Odebrecht.

“Essas somas seriam da ordem de R$ 3 milhões, tendo a transação sido facilitada por Eduardo Paes, ex-prefeito do município do Rio de Janeiro, por meio de contato com o diretor Benedicto Júnior. Afirma-se, nesse contexto, que, no sistema ‘Drousys’, há referência a diversos pagamentos a “Nervosinho”, suposto apelido de Eduardo Paes”, narra Fachin na decisão que mandou investigar os peemedebistas.

PAES NEGA – Procurado pelo DIA, Eduardo Paes afirmou que “é absurda e mentirosa a acusação de que teria recebido vantagens indevidas por obras relacionadas aos Jogos Olímpicos.” Confira a nota na íntegra.

Eduardo Paes afirma que é absurda e mentirosa a acusação de que teria recebido vantagens indevidas por obras relacionadas aos Jogos Olímpicos. Ele nega veementemente que tenha aceitado propina para facilitar ou beneficiar os interesses da empresa Odebrecht. E reitera que jamais aceitou qualquer contrapartida, de qualquer natureza, pela realização de obras ou projetos conduzidos no seu governo. Paes ressalta que nunca teve contas no exterior e que todos os recursos recebidos em sua campanha de reeleição foram devidamente declarados à Justiça Eleitoral.

PLANILHAS CONFIRMAM – Em anexos aos termos de declaração, segundo o ministro do Supremo, o delator Leandro Andrade Azevedo apresenta as planilhas de que constariam os pagamentos e e-mails em que reuniões teriam sido agendas e solicitações de pagamentos foram feitas.

Em 2016, Pedro Paulo foi o candidato de Eduardo Paes à Prefeitura do Rio. O peemedebista foi derrotado no primeiro turno.

Dois anos antes, em 2014, Pedro Paulo teria recebido R$ 300 mil, ‘de maneira oculta, para a campanha à prefeitura’, segundo Benedicto Júnior. O pedido foi intermediado por Eduardo Paes e haveria registro no Sistema “Drousys” de pagamentos a “Nervosinho”.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO GLOBO
Está engraçada a eleição no Rio de Janeiro. A toda-poderosa Organização Globo está atacando por todos os lados o ex-juiz Wilson Witzel, que é o candidato ficha limpa, e enaltecendo o ex-prefeito Eduardo Paes, o candidato ficha-suja. A manipulação dos fatos é evidente e vamos voltar ao assunto, é claro. (C.N.)

 

Haddad tem semana perdida em busca de alianças para o segundo turno

Campanha petista adota cautela em conversas com tucanos para evitar novo revés à campanha de Haddad
Foto: Givaldo Barbosa / Agência O Globo

Haddad não conseguiu formar a “frente democrática”

Sérgio Roxo
O Globo

A primeira das três semanas que terá para tentar reverter a vantagem de 18 milhões de votos de Jair Bolsonaro (PSL) no segundo turno da disputa presidencial foi praticamente perdida para o candidato do PT, Fernando Haddad. A estratégia de construir uma frente democrática, para indicar ao eleitor que a candidatura não representa apenas o petismo, ainda parece distante. Apesar das movimentações, o presidenciável não conseguiu anunciar nenhuma adesão de peso até agora.

Na noite de domingo, logo após ter a passagem confirmada para a etapa final da eleição, Haddad anunciou o plano de “reunir os democratas do Brasil” contra o candidato do PSL. A avaliação dos petistas naquele momento era que não haveria dificuldade para conseguir apoio efetivo do candidato do PDT, Ciro Gomes, terceiro colocado no primeiro turno.

APOIO DE CIRO – Pelo plano traçado, Ciro não apenas declararia adesão ao candidato petista como seria incorporado ao comando da campanha, com voz ativa para definir os rumos no segundo turno. Aliados de Haddad especulavam até que ministério o pedetista ocuparia num eventual governo do ex-prefeito de São Paulo.

Mas a decisão na última quarta-feira do PDT de anunciar apenas um “apoio crítico” jogou um balde de água na estratégia. Em seguida, foi divulgado que Ciro passaria uma semana na Europa, inviabilizando qualquer chance de o pedetista mergulhar na campanha imediatamente. Ciro tem apenas criticado Bolsonaro. Ontem, no Twitter, escreveu: “Bolsonaro é a promessa certa de uma crise.”

A busca para atrair o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) só aconteceria após o apoio de Ciro. E a viagem do terceiro colocado na eleição presidencial deve alterar os planos.

APOIO DE FHC – Em entrevista, Haddad disse que ele o tucano estão se aproximando. Os dois mantêm boa relação, apesar das diferenças partidárias. Quando o petista era prefeito, ele se encontrou com o ex-presidente e os dois chegaram a ir juntos ao Theatro Municipal assistir a uma ópera.

A avaliação entre os petistas é que, depois do balde de água fria despejado por Ciro, o movimento em direção a Fernando Henrique precisa ser bastante calculado para que não ocorra um novo revés, que poderia enterrar definitivamente o sonho da frente democrática. Em entrevista ao Globo, o senador eleito Jaques Wagner, que assumiu a coordenação política da campanha, falou também em tentar atrair Marina Silva (Rede).

Sem mais o que apresentar, Haddad tem enfatizado que conseguiu o apoio do “Esquerda Pra Valer”, um grupo de tucanos que não conta com participação de nenhuma liderança expressiva do PSDB. O petista tem se fiado à promessa de que os integrantes da corrente buscarão figuras históricas do partido.

APOIO DO PSB – Dos candidatos que disputaram a eleição, apenas Guilherme Boulos (PSOL), décimo colocado na corrida pelo Palácio do Planalto, com 617 mil votos, se reuniu com o presidenciável petista para reafirmar apoio. Entre os partidos, o PSB, que havia ficado neutro no primeiro turno da disputa, declarou apoio a Haddad, mas os dois principais candidatos da legenda que disputam o segundo turno da eleição para governador, Márcio França, em São Paulo, e Rodrigo Rollemberg, no Distrito Federal, foram autorizados a ficar neutros.

Na quarta-feira pela manhã, Haddad anunciou que receberia os governadores do PSB que gostariam de anunciar alianças. Só Paulo Câmara (PE) e Ricardo Coutinho (PB), que já haviam declarado apoio ao presidenciável petista no primeiro turno, apareceram.

Se houver reformas, o novo governo pode conseguir estabilizar a economia

Resultado de imagem para recessao charges

Charge do Genildo (Arquivo Google)

Vicente Nunes
Correio Braziliense

Pelos cenários traçados por Carlos Thadeu Filho, economista sênior do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), se o futuro presidente conseguir reformar o regime previdenciário e o sistema tributário na primeira parte de seu mandato, poderá manter, tranquilamente, o teto que limita o aumento de gastos públicos até 2021. Será um desgaste a menos. Também não terá de se preocupar com a inflação e os juros, já que o teto dos gastos funciona como uma âncora para o Banco Central. Ao limitar o crescimento das despesas pela inflação do ano anterior, o teto indica ao BC que não há risco de deterioração fiscal.

Por mais apoio popular e do Congresso que o próximo presidente da República venha a ter, é certo que ele lidará com inflação e juros maiores. O tamanho do custo de vida e da taxa básica (Selic) dependerá, porém, das políticas que serão adotadas na economia. No cenário base projetado por Thadeu Filho, em que toda a base da atual política macroeconômica será mantida, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficará em 4,6% e a Selic saltará dos atuais 6,5% para 8,5% ao ano. Nada que não seja controlável.

É PROIBIDO ERRAR – O importante, ressalta o economista, é que não se cometam erros, que o futuro presidente não embarque em aventuras. O mercado financeiro está acreditando que é mais seguro seguir com Jair Bolsonaro no comando do país, mesmo ele não tendo sido testado em nenhum cargo administrativo.

Apesar de rejeitado pelos donos do dinheiro, Fernando Haddad tem a plena consciência de que, com a inflação sob controle e os juros baixos, poderá retomar as políticas sociais executadas durante os governo de Lula, que engrossaram o mercado de consumo em quase 50 milhões de pessoas.

Diante de tantas expectativas, é importantíssimo que Bolsonaro e Haddad aproveitem as próximas três semanas para explicitarem o que pretendem fazer na economia. Até agora, nenhum dos dois teve a preocupação de mostrar aos eleitores os programas de governo para fazer o país crescer novamente, gerar empregos e distribuir renda. A renovação no Congresso é um sinal eloquente de que ninguém aguenta mais todas as mazelas que se arrastam desde 2014, quando o Brasil mergulhou na mais severa recessão da história.

Algumas reflexões sobre um estranho fenômeno chamado Jair Bolsonaro

Resultado de imagem para bolsonaro chargesCarlos Newton

Os chamados políticos profissionais, que a cada eleição saem às ruas para pedir votos, até agora não entenderam o que aconteceu desta vez. Por dever de ofício, os analistas políticos fazem contorcionismos e acrobacias intelectuais, para fingir que sabem explicar o fenômeno Jair Bolsonaro, mas na verdade também estão completamente perdidos, batendo cabeça, como se dizia antigamente. Tudo mudou na política, não há dúvida. E quando não há explicação, o jeito é fazer como no filme “Casablanca” e culpar os suspeitos de sempre, que hoje atendem pelo nome de “novos tempos”.

Os astrólogos da política diriam que houve a conjunção de cinco fatores sociais que se alinharam e explodiram como um Big Bang eleitoral: 1) a persistência da crise econômica e do desemprego; 2) a desmoralização da classe política pela corrupção epidêmica; 3) o primado da criminalidade e da insegurança; 4) a necessidade de acreditar no surgimento de um messias; 5) e a disseminação da comunicação via celular, whatsapp e redes sociais, que levou Bolsonaro à vitória na maior parte do país, perdendo apenas nos grotões, especialmente no Nordeste mais pobre e com menos celulares.

SURGIU BOLSONARO – Na conjunção dos cinco fatores, surgiu o fenômeno Jair Messias Bolsonaro, que teve um extraordinário senso de oportunidade. Foi o primeiro candidato a se lançar, e sem ter partido, porque jamais ganharia legenda no PP. Sua campanha foi perfeita e barata, apenas viajando pelo país e plantando outdoors pelas estradas, para ressoar como voz do desapontamento coletivo.

Aos poucos, a campanha foi ganhando corpo, Bolsonaro passou a ser uma atração nos aeroportos e nos aviões de carreira. Não tinha partido nem teria exposição suficiente no rádio e TV. Mas nada disso o enfraqueceu, porque as redes sociais passaram a amplificar o discurso do candidato que expressava o descontentamento comum a todos, como uma catarse ciclópica nas nuvens da web. E quem embarcou na onda se deu bem, com a eleição em massa dos seguidores de Bolsonaro, os “antipolíticos”.

O DIA SEGUINTE – A eleição presidencial já está ganha desde a facada em Bolsonaro, mas vêm aí o dia seguinte, as semanas seguintes, os meses seguintes… Os governos dos três níveis – federal, estadual e municipal – estão quebrados. Não adianta os dois candidatos oferecerem quimeras, como ampliar a isenção do Imposto de Renda ou dar 13º para o Bolsa Família. Quem cumprir esse tipo de promessa estará enveredando pelo tenebroso caminho da irresponsabilidade fiscal, já percorrido por Dilma Rousseff até sofrer impeachment.

A dívida pública é a Esfinge que logo no primeiro dia desafiará o vencedor, que se chama Bolsonaro. Mesmo assessorado pelos generais, o capitão não conseguirá decifrar o enigma. Se tiver juízo, procurará então aconselhamento com a auditora Maria Lúcia Fattorelli, considerada uma das maiores especialistas mundiais em dívida pública. Ela lhe dirá exatamente o que fazer.

###
P.S.
Se preferir ouvir o Posto Ipiranga do neoliberalismo banqueiro de Paulo Guedes, logo nos primeiros meses do governo começará a emergir o fenômeno negativo da decepção com o mito Bolsonaro.

P.S. 2De agora em diante, as eleições serão assim, decididas nas nuvens da web. Como ensinava o genial Érico Veríssimo, “quando os ventos de mudança sopram, umas pessoas levantam barreiras, outras constroem moinhos de vento”. Logo veremos se Bolsonaro saberá aproveitar a força dos ventos de mudança ou também será tragado por eles. (C.N.)

De onde Haddad poderá, ou poderia, tirar votos para conseguir virar o jogo?

Resultado de imagem para HADDAD VERDE E AMARELOEliane Cantanhêde
Estadão

As últimas pesquisas foram recebidas com alívio, até com discreta comemoração, na campanha de Jair Bolsonaro, do PSL, que não só continua liderando com folga como mantém a diferença do fim do primeiro turno. Era de 17 pontos, agora é de 16. Ou seja, ele e Fernando Haddad, do PT, cresceram praticamente a mesma coisa, 12 um, 13 o outro, o que cristaliza o favoritismo de Bolsonaro. Só o “imponderável”, ou uma “hecatombe”, tiraria a vitória do capitão.

O pior já passou. Esse é o clima entre os bolsonaristas, que esperavam ansiosamente as primeiras pesquisas, temendo uma transferência maciça de votos de Ciro Gomes (PDT) para Haddad. Ciro ficou em terceiro lugar, com 12%, e isso poderia reduzir significativamente a distância entre o capitão e o petista. Mas não aconteceu e Ciro logo voou para o exterior.

ARITMÉTICA – No PT, a conta é a seguinte: com 16 pontos de diferença, basta mudar oito pontos para um empate. Aritmeticamente está certo, porque, se um voto sai de um para o outro, a diferença entre eles cai dois pontos. Mas a questão não é aritmética, é político-eleitoral. E, aí, a conta não fecha. Numa eleição radicalizada como a atual, dificilmente haverá uma migração de votos de Bolsonaro para Haddad ou de Haddad para Bolsonaro. Quem votou num não vota no outro de jeito nenhum.

Logo, o desafio do PT para dar a volta por cima não é tirar voto do adversário, mas pescar votos dos candidatos derrotados. O principal deles é Ciro, porque teve mais votos e porque 70% dos seus eleitores, segundo o Datafolha, tendem a votar em Haddad.

E ALCKMIN? – Em seguida vem Geraldo Alckmin, do PSDB, que chegou em quarto lugar, com menos de 5% dos votos. Para piorar, 54% dos seus eleitores, segundo a pesquisa, preferem Bolsonaro a Haddad. O resto é o resto, inclusive Marina Silva, que tem peso simbólico, mas perdeu relevância eleitoral, ao cair do segundo para o oitavo lugar, com 1%.

A pergunta que não quer calar, portanto, é: de onde Haddad poderá, ou poderia, tirar votos para virar o jogo?

Mas o dia vai chegar, e o mundo vai saber que não se vive sem se dar…

Resultado de imagem para Marcos e paulo sergio valle

Paulo Sérgio e Marcos, irmãos e parceiros 

Paulo Peres

Site Poemas & Canções

O cantor, instrumentista, arranjador e compositor carioca Marcos Kostenbader Valle e seu irmão Paulo Sérgio retratam na letra de “Terra de Ninguém” a submissão, a injustiça, o sofrimento, a luta, a fé e a esperança que o nordestino carrega em busca de um pedaço de terra para plantar, porque “Quem trabalha é que tem / Direito de viver / Pois a terra é de ninguém”, condições estas que, histórica e politicamente, originaram os Sem-Terra atuais. Esta bossa-nova foi gravada por Elis Regina e Jair Rodrigues no Lp Dois Na Bossa, em 1964, pela Philips .

TERRA DE NINGUÉM
Marcos e Paulo Sérgio Valle

Segue nessa marcha triste
Seu caminho aflito
Leva só saudade
E a injustiça que só lhe foi feita
Desde que nasceu
Pelo mundo inteiro
Que nada lhe deu

Anda, teu caminho é longo
Cheio de incerteza
Tudo é só pobreza
Tudo é só tristeza
Tudo é terra morta
Onde a terra é boa
O senhor é dono
Não deixa passar.

Para no final da tarde
Tomba já cansado
Cai um nordestino
Reza uma oração
Prá voltar um dia
E criar coragem
Prá poder lutar
Pelo que é seu.

Mas…
O dia vai chegar
Que o mundo vai saber
Não se vive sem se dar
Quem trabalha é que tem
Direito de viver
Pois a terra é de ninguém

Afinal, por que os militares não serão atingidos pela reforma da Previdência?

Resultado de imagem para aposentadoria de militares charges

Charge do J. Cesar (Humor Gráfico)

Carlos Newton

Economistas de todas as tendências demonstram consenso em dois pontos da crise brasileira, que precisam ser equacionados para que haja uma retomada sólida do desenvolvimento socioeconômico – a reforma da Previdência e a redução da dívida pública bruta, que engloba governo federal, INSS, governos estaduais e municipais. Sem essas duas providências, continuará a falta de recursos para gastos de primeira necessidade, como infra-estrutura, assistência à saúde, serviços de segurança e educação pública. Ou seja, sem solucionar esses dois desafios, o Brasil não tem futuro, será uma gigantesca Grécia tropical.

Diante dessa realidade, seria de se esperar que a campanha eleitoral dos presidenciáveis abordasse prioritariamente esses dois problemas gravíssimos, mas não é isso que se vê nos programas eleitorais, em que os candidatos irresponsavelmente nos prometem céus e terras, representando partidos que mais parecem as Organizações Tabajara a nos informar: “Seus problemas acabaram!”. Mas na verdade eles estão apenas começando…

NÃO HÁ MISTÉRIO – O governo pega dinheiro emprestado com investidores para honrar os compromissos. Em troca, compromete-se a resgatar seus títulos com alguma correção, que pode ser prefixada (definida com antecedência) ou seguir a Selic, a inflação ou o câmbio.

Atualmente, a Selic está em 6,5% ao ano, no menor nível da história. No entanto, por causa das turbulências no mercado financeiro, esse papel continua a ser o mais atraente aos investidores. Como o governo não consegue pagar, vai rolando a dívida através da emissão de mais títulos, e a bola de neve segue aumentando, ameaçadoramente.

Apesar da gravidade da situação, o assunto não é discutido e a mídia se omite, criminosamente, porque está tão endividada quanto o governo e não pode enfrentar os banqueiros.

E A PREVIDÊNCIA – O buraco nas contas da Previdência chegou a R$ 268,8 bilhões no ano passado, em meio às discussões sobre a reforma no Congresso. Mas também no caso do déficit do INSS os candidatos são reticentes. E não é para menos. Os militares pesam 16 vezes mais no rombo da Previdência do que os segurados do INSS.

É espantoso que as Forças Armadas estejam fora da reforma da Previdência. O déficit da reforma (aposentadoria) de cada militar foi de ficou em R$ 99,4 mil no ano passado. E entre os servidores civis da União, o prejuízo do INSS foi de R$ 66,2 mil, contra apenas R$ 6,25 mil de cada segurado do INSS.

Não há um estudo, nenhuma palavra sobre os prejuízos bilionários da pejotização – a transformação de empregados em pessoas jurídicas, para que as empresas e seus funcionários possam sonegar INSS, FGTS e Imposto de Renda.

###
P.S.
Este problema da pejotização é fundamental. O único candidato que tocou no assunto foi Bolsonaro, ao criticar os jornalistas da GloboNews por serem pejotizados. É claro que vVamos voltar a esse tema, que não pode continuar encoberto. (C.N.)

Facebook anuncia esquema para tentar a anulação das fake news

Resultado de imagem para FACEBOOK CHARGES

Charge de Delize (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Reportagens de Paula Soprana, Folha de São Paulo, e Mariana Lima, O Estado de São Paulo, edições de 12 de outubro, destacam a iniciativa do Facebook de oferecer um esquema de contextualização especial para o Brasil no sentido de dificultar ao máximo ou até mesmo anular as fake news que invadem a rede espacial eletrônica.

Trata-se de uma espécie de botão que conduz todas as mensagens sobre determinado assunto para uma contextualização de notícias. A engrenagem é simples, mas extremamente necessária para impedir o uso indevido ou falso das matérias veiculadas tanto pelo Facebook quanto pelo Whatsapp, que pertence a mesma rede. Tem-se a impressão de que a contextualização é uma forma de conduzir mensagens semelhantes por assunto e proporcionar assim melhor percepção sobre o que é falso e o que é verdadeiro.

POR ASSUNTO – Sobre tal sistema presume-se que seja a separação das comunicações por assunto. Assim como os jornais já há tempos adotam esquema parecido.

Antes um jornal publicava matérias correlatas em páginas diferentes. Isso dificultava a leitura ao contrário de unir textos e imagens sobre determinado assunto sempre na mesma página ou nas mesmas páginas dependendo do porte da matéria.

Agora o Facebook projeta a implantação de algo semelhante, porém muito mais complexo, bastando se ver o número de mensagens que são enviadas para as redes sociais. Calcula o Facebook que nos Estados Unidos sejam 500 mil por dia, que irão para uma página específica ou páginas específicas que levam leitores, são milhões em todo o mundo, a poderem comparar as comunicações e assim afastar de cogitação aquelas que destoam das demais. 

PELA LÓGICA – Ou seja, o leitor, que também é transmissor de notícias, poderá verificar pela lógica e pela sensibilidade do que é verdadeiro e o que é falso. Na parte das imagens o mesmo ocorre, uma vez que existem peritos capazes de montar fotografias exibindo absurdos. Aliás não precisa ser perito, basta comparar fotos que reproduzem personagens, às vezes em situações que levam a pensar ser verdadeira a fotografia projetada.

Há um sistema para isso. Individualmente a pessoa pode verificar, mas impossível detectar montagens, digamos abrangendo 500 mil postagens como acontece nos Estados Unidos.  Verifica-se assim a enorme dimensão da comunicação eletrônica no Brasil e no mundo. O Facebook anuncia um botão de contexto específico para o Brasil.

Assim quem desejar mais informações a respeito desse botão mágico, penso eu, deve ler as reportagens a que me refiro. A abrangência das redes sociais foi decisiva para o primeiro turno das eleições de outubro. No segundo turno será mais fácil, pois ao invés de dar seis votos, como no primeiro, no caso do Rio de Janeiro serão duas marcações.

A verdade sobre o não-encontro de Jair Bolsonaro com João Doria no Rio

Resultado de imagem para doria na casa de bolsonaro

João Doria foi recebido pelo economista Paulo Guedes

José Carlos Werneck

Um dia depois do candidato ao governo paulista João Doria (PSDB) ter perdido a viagem até o Rio para tentar encontrar Jair Bolsonaro, o presidenciável negou que tenha combinado o encontro com o tucano. “No tocante ao Doria, quero agradecer o apoio dele. Eu não havia combinado isso aí. Não sei quem combinou. Eu encontro com ele sem problema nenhum, bato papo com ele sem problema nenhum”.

O candidato do PSL deu a declaração momentos antes de fazer gravações para o seu programa eleitoral na casa do empresário Paulo Marinho, no Jardim Botânico, na zona sul do Rio.

Doria fez um bate-volta de São Paulo ao Rio de Janeiro no feriado da última sexta-feira, numa tentativa de participar da gravação de vídeo do presidenciável, que está em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto.

Segundo algumas pessoas próximas à campanha, o movimento do tucano teria irritado alguns dirigentes do PSL, que decidiu se manter neutro no segundo turno em todos os estados, exceto nos três em que tem candidatos disputando: Santa Catarina, Roraima e Rondônia.

“Eu sei que ele é uma oposição ao PT. Somos oposição ao PT e eu sei que o outro lado, França, tem apoio velado do PT. Em todo momento eu desejo boa sorte ao Doria.”

França é candidato ao governo paulista pelo PSB, que foi aliado do PT nos governos de Lula e Dilma Rousseff.

Doria procurou demonstrar nas redes sociais que não foi esnobado por Bolsonaro, declarando o seu apoio a ele e agradecendo a acolhida do economista Paulo Guedes, que estava na casa de Bolsonaro.

Haddad toca num assunto delicada: a corrupção nas estatais nos governos do PT

Resultado de imagem para haddad em sao paulo

Haddad volta a desafiar Bolsonaro para um debate

Deu no G1
Jornal Hoje

O candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, admitiu neste sábado (13) que nos governos do PT não houve controle interno nas estatais e que diretores ficaram soltos para promover corrupção. Na entrevista, Haddad também admitiu erros de governos do PT no combate à corrupção. “Faltou controle interno nas estatais. Isso é claro. Diretores ficaram soltos para promover corrupção e enriquecer pessoalmente”, disse.

Questionado sobre a possível participação de dirigentes do partido nos crimes, respondeu: “Aí é pior. Se algum dirigente cometeu erros, garantido amplo direito de defesa, mas se concluir que alguém enriqueceu, tem que ir pra cadeia, com provas”.

COM ARTISTAS – No fim da manhã, Haddad foi até o extremo oeste de São Paulo, na divisa com o município de Osacos. Ele participou de um encontro com jovens de movimentos culturais da periferia, que trabalham com hip hop, literatura e folclores.

O bairro surgiu há 28 anos, a partir da construção de um conjunto habitacional. Ainda hoje tem moradias precárias e é carente de espaços culturais. Os moradores pediram a Fernando Haddad mais investimento em edução, cultura e moradia.

O candidato prometeu destinar recursos para os artistas da periferia e acelerar a construção de casas populares.

OBRAS PARADAS – “O programa Minha Casa, Minha Vida está parado, tem 40 mil casas para serem concluídas, paradas. A primeira providência nossa é fixar meta de 500 mil unidades por ano, no mínimo”, afirmou o candidato, acrescentando: “Ao fim de quatro anos, queremos entregar 2 milhões de casas novas para a população. Com uma diferença: vamos pegar todas as terras públicas das grandes cidades e vamos doar pro Minha Casa, Minha Vida. Aí o beneficiário vai poder morar mais perto do trabalho”, disse Haddad.

BOLSONARO – O candidato do PT convocou mais uma vez o adversário Jair Bolsonaro (PSL) a debater. O candidato do PSL tem adiado a participação em debates devido a recomendações médicas, após ter sido alvo de um ataque com faca em 6 de setembro.

“Quem não tem proposta, não tem o que debater. Lamento, porque alguém que queira presidir o país, tem de ter projeto para o país. Não pode passar incólume. Tem que passar pelo crivo do debate, do contraditório, inclusive para esclarecer o que ele vem dizendo, para pleitear a Presidência da República. Acho que não tem paralelo na história do Brasil alguém que chegou à Presidência sem participar de um debate”, afirmou.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGO assunto corrupção nas estatais deveria ser tabu para Haddad, que tem como coordenador da campanha o petista Sérgio Gabrielli, responsável pela transformação da Petrobras na maior fonte de corrupção do mundo. O fato de Gabrielli continuar à solta não tem explicação. (C.N.) 

Bolsonaro anuncia linha dura na segurança e o fim dos privilégios dos presos 

Imagem relacionada

Bolsonaro defende maior rigor na legislação penal

Carlos Newton

Jair Bolsonaro, candidato do PSL à Presidência da República, afirmou neste sábado (13) que o melhor plano de saúde é ter emprego. Ele passou o início da manhã em casa, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. Às 9h20, o candidato saiu para gravar participações no horário eleitoral, no bairro do Jardim Botânico, na Zona Sul. No fim da manhã, Jair Bolsonaro interrompeu as gravações de campanha para conversar com os jornalistas. Entre as propostas de governo, o candidato do PSL falou sobre saúde.

“Você tem que combater a corrupção, exatamente para que sobre recursos para aplicar onde interessa. Eu estou com uma bolsa de colostomia aqui do meu lado. São mais ou menos 200 mil pessoas no Brasil que tem o mesmo problema que eu tenho no momento. E eu sou um privilegiado. Como é que você ataca esse problema? Alguém que realmente tenha amor pela saúde para ocupar um ministério e determinar que se trabalhe para o bem da população e não para atender interesses político-partidários, que é uma regra. Agora, o melhor plano de saúde que se pode ter é emprego. E uma pessoa desempregada está propensa a frequentar, com maior intensidade, os hospitais”, destacou.

VIOLÊNCIA – Bolsonaro falou também sobre o que pretende fazer para combater a violência. “Primeiro é escalar o time, é dessa forma. A outra, um pacote de medidas para que nós possamos, em um primeiro momento, diminuir a violência em nosso Brasil. Eu tenho uma máxima: eu não quero ninguém sofrendo, sendo torturado, passando necessidade em uma cadeia. Mas no que depender de mim, a polícia no encarceramento se fará presente. E o conselho que eu dou agora para quem quer fazer maldade: se não quiser ir para lá, não faça maldade. Passa por aí”, disse, acrescentando:

“O ser humano só respeita o que ele teme. E nós temos que mostrar para o ser humano que, se ele cometer um crime, ele vai pagar. E no que depender de mim também e do parlamento, obviamente, não teremos progressão de pena, muito menos saidões”.

Depois, em uma rede social, o candidato disse que o Brasil gasta pouco no ensino básico em relação ao superior. E que o alto índice de alunos sem noções mínimas de leitura e escrita nas faculdades reflete esse mau investimento. O candidato disse que é preciso priorizar a base, qualificando o ensino para capacitar e formar grandes profissionais no futuro.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGBolsonaro foi o primeiro candidato a sair em campanha, há  dois anos. De lá para cá, desenvolveu uma impressionante capacidade de dizer o que o eleitor quer ouvir, no melhor estilo Jânio Quadros, que era grande mestre nessa prática. (C.N.)

Questão de honra, violências na campanha e recusa a participar de debates

Resultado de imagem para bolsonaro e haddad

Reprodução do site Fala! Universidades

Merval Pereira
Globo

O candidato Jair Bolsonaro deveria ser o primeiro a querer uma investigação rigorosa sobre os episódios de violência envolvendo seu nome nos últimos dias. Não basta dizer que não quer os votos de quem participa de tais atos, nem se eximir de culpa quanto a eles, alegando que nada pode fazer.

Cabe a um líder político da envergadura que ele se tornou, mais por circunstâncias da política do que por méritos próprios, dar o rumo a seus liderados, desencorajando a violência como método político. 

SELVAGERIA – Ao mesmo tempo, em momentos radicalizados como o que estamos vivendo, a luta política toma feições selvagens, e é preciso conter os impulsos primitivos que podem aflorar em militantes, que, além de de atos violentos, são capazes de usar os novos meios de comunicação para espalhar calúnias contra os adversários. 

Há diversos exemplos dos dois lados em disputa de uso distorcido das redes sociais, com a disseminação de fake news. Os bolsonaristas espalharam, por exemplo, que o PT distribuirá nas escolas o tal kit gay, com descrição gráfica de objetos pornográficos para crianças.

Os petistas, que Bolsonaro acabará com a Bolsa Família, recurso recorrente já tradicional nas campanhas presidenciais dos últimos anos. Um vídeo reproduz o que seria uma carreata de bolsonaristas em uma cidade do nordeste, distribuindo grama para a população que votou maciçamente no PT.

FAKE NEWS – Claramente uma fake news, pois quem deveria comer a grama seriam os bolsonaristas que supostamente bolaram tamanha burrice. Mas o vídeo de um comício com a presença do candidato Wilson Witzel e de um dos filhos de Bolsonaro, onde arrebentaram a placa com o nome de Marielle Franco, é um flagrante de violência permitida ou incentivada que não é admissível num ambiente democrático.

É nesse contexto que, nos últimos dias, vários episódios de violência de supostos seguidores de Bolsonaro têm sido divulgados, o que exige uma investigação séria e um trabalho consistente da campanha do candidato do PSL para esclarecê-los, como o do capoeirista baiano morto o facadas supostamente por apoiar o PT.

DESMENTIDO – O caso do capoeirista chocou o país, mas as versões do assassino e do dono do bar onde o fato ocorreu desmentem que a discussão tenha sido por questões políticas. Um esclarecimento oficial tem que ser dado. Em 1989, sequestradores do empresário Abilio Diniz foram presos antes da eleição usando camisas do PT. Depois, ficou comprovado de que o crime nada tinha a ver com o PT.

Outra situação que tem que ser encarada de frente por Bolsonaro e sua equipe é o não comparecimento aos debates. Enquanto tem os laudos médicos avalizando sua ausência, não pode ser acusado de estar fugindo do debate. Mas quando insinua que pode continuar não comparecendo “por estratégia”, Bolsonaro expõe-se à crítica da opinião pública.

O então presidente Lula, em 2006, faltou ao debate no primeiro turno e foi castigado pelos eleitores, que claramente quiseram lhe dar um susto. Seu adversário, Geraldo Alckmin, esse mesmo que teve agora pouco mais de 4% dos votos, terminou o primeiro turno naquela ocasião com surpreendentes 41%, contra 49% de Lula.

LULA DEPRIMIDO – Surpreso por não ter vencido a eleição logo, o que lhe tiraria também o complexo de ter perdido duas vezes para Fernando Henrique Cardoso no primeiro turno, Lula ficou deprimido e trancou-se em casa por uma semana. Alckmin não soube aproveitar-se do momento e terminou a eleição com menos votos que no primeiro turno.

Μesmo que Bolsonaro tenha constatado, por pesquisas, que seu eleitorado não o criticará, ou considerará uma esperteza positiva, a falta aos debates, ele será, se eleito, presidente de todos os brasileiros, e tem que pensar no coletivo, não na sua história política pessoal.

DESCONFIANÇAS – Vencer esquivando-se do debate com o adversário fará com que possa ser considerado por parte do eleitorado um inseguro de sua capacidade de dirigir o país. Há também a desconfiança em alguns setores de que não terá condições físicas para assumir a presidência, um boato que coloca uma dúvida importante no tabuleiro eleitoral que só ele pode desfazer.

O susto que Lula levou em 2006 não se repetirá desta vez, mesmo porque estamos no turno final e ninguém que votou contra o PT votará a favor agora para castigar Bolsonaro, castigando-se. Mas a liderança simbólica poderá ficar arranhada.

Atual fase da globalização cria um duro desafio para países como o Brasil

Resultado de imagem para globalização charges

Charge do Millôr Fernandes (Arquivo Google)

Marcos Troyjo
Folha

Saí do Fórum Público da Organização Mundial do Comércio (OMC) em Genebra na semana passada com duas certezas.  A primeira: a OMC precisa de uma nova “constituinte” que lhe permita mais celeridade de decisões e abarque cada vez mais os novos bens tecnológicos —para além do tradicional foco em agricultura e produtos manufaturados.  A OMC não pode desperdiçar os abalos provocados pela guerra comercial em curso para reinventar-se. É nesse sentido, que dura, mas habilmente, o diretor-geral, Roberto Azevêdo, parece conduzir a instituição.

A segunda: o comércio internacional é uma atividade específica que transcorre em meio a um ecossistema mais amplo, cuja principal marca é a própria mudança da noção de trabalho e emprego. E isso tudo vai exigir uma nova filosofia de treinamento, capacitação e educação.

PROPORÇÃO GEOMÉTRICA –  Esta não é uma dinâmica recente, mas agora dá saltos de proporção geométrica. Quando realizei um estágio na embaixada do Brasil em Havana no começo da década de 1990, lá fazia serviços ocasionais de motorista o cubano Paco, à época com uns 60 anos.

Fora os bicos, tinha um emprego mais fixo como motorista de uma operadora turística em Havana. Sua formação acadêmica? Engenharia naval. Durante a Guerra Fria, estudou graças à cooperação educacional que a então União Soviética prestava a Cuba.

Em aulas traduzidas de um professor russo para o espanhol, aprendeu a estruturar barcos quebra-gelo. Seu livro-texto era um manual soviético dos anos 40. Paco aprendera uma tecnologia ultrapassada, sem pertinência para Cuba.

OUTRO EXEMPLO – Pensem agora na espanhola Maria Alonso, que tem 30 anos. Ela cresceu na classe média de Valência. Estudou ciência da computação. Estagiou na IBM. Trabalhou numa startup que não durou muito.

Fez mestrado nos EUA. Voltou à Espanha há dois anos e está desempregada. Sua hora de programação custa no mercado espanhol US$ 50. Possíveis empregadores recorrem a freelancers no Vietnã ou Paquistão por US$ 5 a hora.

Argentina e Uruguai têm educado sua população há mais de 100 anos. Ainda assim, começaram o século 20 em pior forma do que o 21. Formaram cidadãos cultos, politicamente conscientes. Mas economicamente pouco competitivos.

DURO DESAFIO – A atual fase da globalização está criando um duro desafio para a ideia de educação como panaceia aos problemas de um país. Hoje, além da pertinência e atualidade, é um certo enfoque dos conhecimentos que capacita à competitividade no século 21: a educação para o empreendedorismo.

Contudo, não devemos entender, como se faz muito no Brasil, que empreender é simplesmente sinônimo de abrir uma franquia ou mesmo ter seu próprio negócio.

Empreendedorismo é a ação individual, com vistas à agregação de valor, que almeja quebrar a inércia de uma determinada entidade (empresa, governo ou organização não governamental) mediante atuação essencialmente inovadora.

PIOR INIMIGO – No âmbito da Quarta Revolução Industrial, a rotina é o pior inimigo da empregabilidade Tudo o que pode ser “rotinizável” corre o risco de transformar-se em matéria-prima para algoritmos que delineiam os contornos da rotina e a traduzem em software —e daí em novas tecnologias cognitivas que aprendem sozinhas.

Tais tecnologias podem substituir – em muitos casos com vantagens – o trabalho humano. Assim, carreiras lineares do começo da vida adulta ao embranquecimento dos cabelos, dentro ou fora de uma única empresa, se tornarão cada vez mais raras.

GRANDE DILEMA – Esse é um dilema para o Brasil. O grande empregador da economia é o governo em seus vários níveis administrativos. Combatemos o mal presente do desemprego com a hipertrofia dos quadros estatais.

Um estado menor e mais eficiente é pré-condição para muita coisa. Inclusive para liberar recursos que, investidos em pesquisa e desenvolvimento e germinados pelo empreendedorismo, possam acelerar o ingresso do Brasil na economia 4.0.

Eleitores de olhos bem abertos, com a classe política sob descrédito

Resultado de imagem para eleitores em  VERDE E AMARELOVicente Nunes
Correio Braziliense

Os eleitores são sábios. O recado que deram por meio das urnas foi eloquente. Não querem mais o modelo tradicional que imperou na política. Isso ficou evidente, sobretudo, na renovação histórica do Congresso, com a expulsão de caciques das decisões que movem o destino do país — muitos deles, se ressalte, denunciados por corrupção. Por maiores que sejam as dúvidas sobre a capacidade do futuro Legislativo de atender as demandas da população, o novo reascende a esperança daqueles que torcem por um Brasil melhor.

O Congresso chegou a um nível insuportável de descrédito. Em vez de legislar em prol da maioria, sempre privilegiou um pequeno grupo afeito à corrupção. Num país com tanto por se feito, não há mais espaço para essa política do atraso. É inaceitável que parlamentares eleitos para representar o povo sejam indiciados pela polícia por todo tipo de crime. Chegou-se ao cúmulo de termos deputados propondo leis durante o dia e passando a noite na cadeia. Tivemos de assistir, atônitos, pela tevê, a Operação Lava-Jato fazendo buscas e apreensão em gabinetes da Câmara e do Senado. Como ter o respeito da população? Como acreditar nesse sistema podre, nessa velha política?

MUITO ATENTO – Apesar de todo alento que as eleições do último domingo trouxeram, é preciso ficar muito atento. Teme-se que, por meio de caras novas, o Congresso não só mantenha as práticas nefastas que são históricas, mas, também, impulsione uma onda conservadora que pode pôr fim a avanços importantes. Projetos nesse sentido não faltam no Legislativo. Felizmente, nos últimos anos, todas as tentativas de retrocesso foram barradas pelo bom senso de minorias que gritaram muito alto. Contudo, em meio à onda radical que atormenta o país, qualquer descuido pode ser fatal.

É com esse novo Congresso que o futuro presidente da República terá de governar. Não à toa, economistas, empresários e investidores estão mapeando qual será o tamanho da força que o eleito em 28 de outubro terá para levar adiante projetos de extrema importância para tirar o Brasil do atoleiro.

SEM MAIORIA – Nenhum dos dois candidatos escolhidos para o segundo turno demonstra ter maioria. O PT de Fernando Haddad e o PSL de Jair Bolsonaro terão as duas maiores bancadas da Câmara dos Deputados. Mas precisarão suar a camisa para montar uma coalizão consistente, dada à fragmentação das legendas.

A expectativa é de que o eleito consiga, ainda no primeiro ano, aprovar as duas principais reformas: a da Previdência Social e a tributária. Se conseguir, terá todas as condições para retomar o crescimento econômico, reverter o desemprego e reduzir as desigualdades sociais que só fazem aumentar.

Os especialistas dizem, porém, que todas as mudanças terão de ser feitas ainda no primeiro ano, sob o risco de o descrédito minar a força que todos os governantes costumam ter em início de mandato. Exemplos para isso não faltam.

Comandante da Marinha afirma que as Forças Armadas não têm candidato

Resultado de imagem para comandante da marinha

Almirante Eduardo Leal garante a neutralidade das FA

Eliane Cantanhêde
Estadão

Do comandante da Marinha, almirante de esquadra Eduardo Leal, em conversa com a colunista: “O candidato ‘x’ ou ‘y’ pode ter muitos eleitores nas FA, mas as Forças Armadas não têm candidato. Repito: as FA, particularmente a Marinha do Brasil, não têm candidato. Não há nenhuma atividade, nenhuma campanha interna, nenhuma ação que possa nos associar a um dos dois candidatos. Estamos, institucionalmente, neutros”.

Ele é ainda mais enfático ao falar sobre a hipótese, ou temor, de uma futura intervenção militar: “Não há ambiente nem condições para qualquer tipo de golpe, muito menos para um golpe militar. As instituições são fortes, a iniciativa privada é forte, a mídia é forte e as FA cumprem suas atribuições dentro da Constituição”.

MINISTRO –  Ao ser anunciado como futuro ministro da Defesa de um eventual governo Bolsonaro, o general Augusto Heleno foi ao “Forte Apache” visitar o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, de quem é velho amigo. Pouco antes, ele disse à coluna que pretende “cumprir a Constituição, procurando atender as aspirações das FA e garantindo os interesses nacionais estratégicos, sob comando do presidente da República”.

Heleno, que na ativa foi comandante militar na Amazônia e das tropas brasileiras no Haiti, repetiu um bordão militar ao dizer que ainda não foi oficialmente convidado, mas não titubeará quando for, se Bolsonaro for eleito: “Missão dada é missão cumprida”. E acrescentou: “Cumprir a missão é ajudar o Brasil neste momento difícil e de acordo com o que for acontecendo. Estou preparado para o que acontecer e para o que eu for chamado”.

Filho de ministro do TCU já acumulara patrimônio de R$ 26,1 milhões

Resultado de imagem para tiago cedraz

Thiago, filho de Cedraz, defendeu 182 ações no TCU

Aguirre Talento
O Globo

O patrimônio do advogado Tiago Cedraz, filho do ministro e ex-presidente do Tribunal de Contas da União ( TCU ) Aroldo Cedraz, passou por um aumento “expressivo” entre 2011 e 2014. Segundo a denúncia apresentada nesta semana pela Procuradoria-Geral da República (PGR ) contra pai e filho, por tráfico de influência no tribunal, Tiago multiplicou seus bens de R$ 11,9 milhões para R$ 26,1 milhões no espaço de quatro anos. Para a procuradora-geral, Raquel Dodge, o “incremento patrimonial” de Tiago Cedraz é um dos elementos de que ele recebeu pagamentos ilícitos da empreiteira UTC para obter informações privilegiadas de interesse da empresa e interferir no tribunal.

Em nota, a defesa de Tiago e de Aroldo Cedraz afirma que recebeu com “surpresa e indignação” a denúncia da PGR e classificou a delação de Ricardo Pessoa de “mentirosa, contraditória e absolutamente desprovida de elementos de comprovação”.

SEM FATO CONCRETO – Na nota, o advogado Eduardo Toledo afirma que a denúncia não aponta fato concreto para corroborar a acusação de tráfico de influência e disse que “o ministro Aroldo Cedraz jamais foi mencionado nas inúmeras versões contraditórias apresentadas pelo delator Ricardo Pessoa”.

A quebra do sigilo fiscal de Tiago Cedraz, solicitada pela PGR, revela que, no ano de 2014, ele declarou à Receita Federal possuir três apartamentos – um no valor de R$ 2,7 milhões, outro de R$ 2,2 milhões e um terceiro de R$ 488 mil. O advogado também declarou obras de arte e tapetes adquiridos naquele ano – uma dessas obras custou R$ 365 mil; cinco tapetes custaram R$ 93.953,79.

“Quanto a Tiago Cedraz, a análise de sua movimentação financeira e variação patrimonial evidencia incremento patrimonial expressivo entre 2011 e 2014, que inclui os valores ilícitos solicitados e obtidos de Ricardo Pessoa”, diz Dodge na denúncia.

MUITOS DEPÓSITOS – As transações bancárias de seu pai, o ministro Aroldo Cedraz, também levantaram suspeitas dos investigadores. A PGR afirmou que o ministro recebeu pagamentos por conta de suas atividades agropecuárias cuja origem não foi possível identificar.

“Pela análise dos valores recebidos por Aroldo Cedraz, em decorrência de sua atividade rural, que representam nas contas analisadas apenas um terço dos valores declarados, além de diversos depósitos em espécie sem identificação de origem pelo banco, os peritos apontaram cerca de R$ 2 milhões sem a correspondente origem”, diz a PGR na denúncia.

Aroldo também recebeu, por meio de transferências bancárias, ao menos R$ 150 mil diretamente de seu filho Tiago, entre 2012 e 2014, período em que a UTC teria realizado os pagamentos em troca de informações privilegiadas no TCU.

ATO DE OFÍCIO – “Tal situação, somada aos fatos narrados pelos colaboradores acerca da atuação de Tiago Cedraz, revela que Aroldo Cedraz agiu para controlar a data do julgamento. Seu ato de ofício infringiu dever funcional, pois pediu vista de um processo para o qual estava previamente impedido. Tudo com o espúrio objetivo de mostrar o poder de controlar a data do julgamento, agindo em unidade de desígnios com seus filho e comparsa Tiago Cedraz”, diz a PGR.

A denúncia, feita com base na delação premiada do dono da UTC, o empreiteiro Ricardo Pessoa, aponta que a empreiteira pagou R$ 2,2 milhões ao advogado para que ele antecipasse informações privilegiadas de dois processos no TCU sobre as obras da empreiteira na usina de Angra 3, que apontavam indícios de sobrepreço.

Na delação, o empreiteiro apresentou planilhas internas da empresa que revelaram a existência de uma espécie de conta-corrente em nome de “Thiago BSB” na contabilidade da UTC, que registrava os pagamentos realizados ao filho do ministro do TCU.

25 OPERAÇÕES – É nessa planilha que estão listadas 25 operações que, somadas, totalizam R$ 2,2 milhões, entre 2012 e 2014. “Tiago foi contratado para buscar, de forma antecipada, informações no TCU sobre questões e temas em debate que interessassem à empresa”, disse Pessoa na delação.

Sobre a delação do dono da UTC, a defesa de Cedraz afirma que o Judiciário já rechaçou acusações baseadas apenas em colaborações premiadas de investigados: “A defesa, apesar de todas essas gravíssimas intercorrências, continua confiando na prudência e equilíbrio do Poder Judiciário, registrando, a propósito disso, que o Supremo Tribunal Federal construiu sólida jurisprudência no sentido de rechaçar denúncias baseadas em versões de colaboradores contraditórias e mentirosas, que não encontram a menor ressonância probatória”, diz a nota.

Haddad não esperava que a transferência de votos de Lula batesse no teto

Resultado de imagem para haddad

Haddad tenta atrair votos de indecisos, mas está difícil

Luiz Carlos Azedo

O candidato do PT à Presidência da República, Fenando Haddad, volta ao horário eleitoral repaginado, vestido de verde-amarelo e com um discurso paz e amor. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu mentor intelectual e chefe político, desaparecerá da propaganda do petista. Resta saber se a dissimulação, que atende aos apelos dos setores “golpistas” que querem apoiá-lo como “um mal menor”, trará votos suficientes para vencer o pleito ou se a tática tipo “o piloto sumiu” confundirá ainda mais os eleitores.

O tracking de ontem mostrava que Bolsonaro continua subindo e Haddad, caindo: a distância entre os dois seria de 18 pontos percentuais, com 10% de nulos e brancos.

NOVA LINHA – Haddad mudou completamente a linha de campanha. Para chegar ao segundo turno, o PT alimentou a tática do ódio nas eleições, com o discurso “nós contra eles”, pois Lula considerava Bolsonaro o adversário ideal a ser batido no segundo turno. Quem eram “eles”? Os “golpistas neoliberais”, claro.

Um post do petista Breno Altman, do site Opera Mundi, nas redes sociais, intitulado “Quem é o inimigo principal?”, no momento em que essa linha política passou a ser questionada internamente no PT, ilustra como Haddad chegou ao segundo turno:

“São diferentes os alvos da primeira e da segunda volta, a meu juízo. No primeiro turno, os inimigos principais são os partidos e candidatos que comandam o bloco golpista, a começar por Geraldo Alckmin, mas se estendendo a Meirelles, Alvaro Dias, Amoedo e Marina Silva. A centro-direita deve continuar a ser destroçada por sua cumplicidade com o impeachment e a agenda antipopular, antidemocrática e antinacional do governo Temer. Sua destruição política é fundamental para a regeneração do país. Caso haja alguma chance, em algum momento, de levantar a cabeça, toda artilharia possível deve ser voltada para aniquilar os aliados de Temer.”

O DIA SEGUINTE – Intérprete fiel da lógica política petista, Altman antecipava o que viria depois: “No segundo turno, por óbvio, o inimigo principal será o neofascismo representado por Jair Bolsonaro. A inversão de objetivos táticos é tudo o que deseja o partido do golpe para buscar um caminho que enfraqueça a polarização entre Haddad e o capitão reformado, dando algum fôlego para uma candidatura de centro que possa ser apresentada como ‘mais viável’, ‘mais moderada’, para derrotar o neofascismo.”

Haddad manteve a rotina de visitas semanais a Lula, vestiu a camiseta vermelha da campanha Lula livre e chegou ao segundo turno sem mudar o discurso. Não esperava, porém, que a transferência de votos do petista batesse no teto tão cedo, bem abaixo da rejeição que fez Bolsonaro subir ainda mais e quase vencer no primeiro turno.

CENTRO GOLPISTA – “Aconteça o que aconteça, na delícia ou na dor, um objetivo estratégico terá sido alcançado nessas eleições: a destruição da centro-direita, do centro golpista, como alternativa viável para o comando do país”, disparou Altman, quando isso aconteceu.

“A soma do arco Alckmin-Marina, somando Amoedo, Meirelles e Alvaro Dias, mal chega a 20% das intenções de voto. Essa é uma vitória importante do campo popular, que pavimenta o segundo turno e a marcha rumo ao triunfo em 28 de outubro.”

Essa estratégia, porém, se tornou uma maldição para Haddad. A maioria dos partidos derrotados no primeiro turno optou pela neutralidade, alguns já se posicionam para permanecer em oposição, outros para aderir ao novo governo, vença Bolsonaro ou Haddad. Por ora, acompanham o jogo da arquibancada.

TÁTICA DO MEDO – Entretanto, ninguém morre de véspera numa eleição tão disputada, ainda mais para presidente da República. Desde a reeleição de Lula, o PT tem uma fórmula eficaz para disputar o segundo turno: a tática do medo. Não será diferente agora, com a ajuda de atitudes fascistas dos partidários de Bolsonaro. Poderia ter sido usada antes, mas isso não interessava, porque o objetivo era o atual confronto.

O problema de quem vende a alma a Mefistófeles, como Dr. Fausto, é que o Diabo quererá o seu corpo no inferno. Foi o que aconteceu com Haddad. Bolsonaro é acusado de machista, misógino e homofóbico, isso despertou os maus instintos das profundezas de uma sociedade traumatizada pela violência, pela corrupção e pela desestruturação das famílias. Essa narrativa até agora não foi capaz de superar a força do antipetismo, porque o partido governou como uma espécie de erva daninha.

Bolsonaro, porém, sentiu a pressão em relação a temas que atingem diretamente a população mais pobre.

TÁTICAS FASCISTAS – Nas eleições de 2006, quando Lula foi reeleito, Alckmin foi derrotado porque se disseminou que ele venderia a Petrobras e o Banco do Brasil e acabaria com o Programa Bolsa Família, que abriga 13 milhões de famílias. A tática se repetiu contra José Serra, em 2010, e Aécio Neves, em 2014. Agora está sendo usada novamente.

Não foi à toa que Bolsonaro anunciou que não pretende privatizar as estatais e vai criar o 13º do Bolsa Família. A radicalização e a disseminação do ódio nas redes sociais, por uma militância que não mede as consequências do que escreve, já evoluem para confrontos físicos, que precisam ser contidos, porque isso a sociedade não suporta. Não fazem parte do jogo democrático, são atitudes realmente fascistas.

Josué, filho de José Alencar, desautoriza o PT a usar seu nome  na campanha

Josué Gomes

Josué Gomes nega ter pretensão de ser ministro

Deu no Estadão

O empresário Josué Christiano Gomes da Silva negou nesta sexta-feira, dia 12, que tenha sido procurado por emissários do PT em busca de apoio para a candidatura de Fernando Haddad à Presidência da República. Josué foi elogiado na quinta-feira, 11, por Haddad, que foi questionado se, caso seja eleito, o filho do ex-vice-presidente José Alencar (que morreu em 2011) seria um bom nome para o Ministério da Fazenda.

O petista respondeu que Josué “tem todas as condições, perfil e sensibilidade social” para o cargo e repetiu que não escolheria para o posto um banqueiro como Paulo Guedes, conselheiro do candidato Jair Bolsonaro (PSL), no comando da economia.

SEM FUNDAMENTO – “Isso é só especulação, sem nenhum fundamento. Nem é o momento para isso (conversas)”, afirmou o empresário ao Estadão.

Presidente da indústria têxtil Coteminas, Josué deixou o MDB se filou ao PR no início de abril. Desde então, ele foi apontado como eventual nome de partidos do centro na disputa presidencial e citado como vice ideal do PT e de Ciro Gomes (PDT).

Após o PR – como parte do Centrão – fechar apoio ao candidato do PSDB, ele foi convidado para ser vice de Geraldo Alckmin. Ele anunciou apoio a Alckmin, mas recusou o convite.