“A deusa da minha rua tem os olhos onde a lua costuma se embriagar…”

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Silvio Caldas fez sucesso com “A Deusa da Minha Rua”

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O jornalista e compositor carioca Jorge Faraj (1901-1963) é considerado o poeta dos amores impossíveis, em que a mulher é sempre adorada sem saber e ignorando ser objeto de uma paixão. Em “A Deusa da Minha Rua”, cuja primeira gravação foi em 1939, por Silvio Caldas, pela RCA Victor, Faraj descreve o contraste entre a beleza da musa e a pobreza da rua.

A DEUSA DA MINHA RUA
Newton Teixeira e Jorge Faraj

A deusa da minha rua
Tem os olhos onde a lua
Costuma se embriagar

Nos seus olhos eu suponho
Que o sol num dourado sonho
Vai claridade buscar

Minha rua é sem graça
Mas quando por ela passa
Seu vulto que me seduz
A ruazinha modesta
É uma paisagem de festa
É uma cascata de luz

Na rua uma poça d’água
Espelho da minha mágoa
Transporta o céu para o chão
Tal qual o chão da minha vida
A minha alma comovida
O meu pobre coração

Infeliz da minha mágoa
Meus olhos são poças d’água
Sonhando com seu olhar
Ela é tão rica e eu tão pobre
Eu sou plebeu e ela é nobre
Não vale a pena sonhar

Bolsonaro, a Rede Globo e a remuneração da publicidade oficial e comercial

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Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Pedro do Coutto

Reportagem de Igor Gielow, edição de ontem da Folha de São Paulo, revela que o deputado Alexandre Frota está concluindo a redação de projeto com o objetivo de atacar o domínio da Rede Globo na publicidade. Colaboraram na reportagem Gustavo Uribe, Talita Fernandes, Mariana Carneiro e Bernardo Caram, de Brasília. Alexandre Frota afirmou que a Globo participa amplamente do mercado publicitário do país, mas ele não distinguiu entre a publicidade institucional e a comercial no mercado de informação.

Frota diz que vai se reunir com representantes do SBT, Rede TV, Record e possivelmente com dirigentes da Band. A Band, assim, revela ter alguma dúvida quanto a eficiência de um projeto de lei nesse sentido. A meu ver, é muito difícil igualar todas as emissoras na veiculação de mensagens. Isso porque as audiências variam de uma emissora para outra, e, segundo o Ibope, há variações relativas ao poder aquisitivo das camadas da população que assistem TV, praticamente toda a população brasileira.

AUDIÊNCIA – A liderança da Globo é incontestável, inclusive tem que se considerar a audiência da Globonews. Mesmo sem a Globonews, se for levada em conta só a TV aberta, a liderança média permanece. Essa afirmação, de acordo com a matéria da Folha, foi feita por Mario D’Andreia, Diretor da Associação Brasileira de Agências de Publicidade. Ele faz a diferença entre a propaganda oficial e a comercial.

Concordo, a propaganda oficial pode ser dividida em partes iguais. Mas a publicidade comercial tem sua seleção de acordo com os índices de audiência fixados pelo Ibope ao longo das 24 horas do dia.

BÔNUS POR VOLUME – Um outro ponto levantado por Alexandre Frota refere-se ao bônus por volume (BV) e nesse aspecto a Globo leva vantagem na medida em que seu relacionamento com as Agências Publicitárias inclui esse fator. Aliás, nessa questão de publicidade temos de separar duas coisas: uma, a compra do espaço, outra a elaboração e a produção das peças. A comissão das Agências de Publicidade, seja ela qual for, é de 20% sobre a compra do espaço, incluindo o número de intercessões.

Esse o panorama no qual se integra o mercado publicitário. Não pode ser alterado no que se refere ao setor da comercialização das mensagens.

IGUALDADE? – Como disse acima pode haver igualdade quando a publicidade é feita pelo governo. Mas neste caso como seria calculado o preço de cada peça levada ao ar? O governo estaria pagando a mesma coisa à Globo e à RedeTV, por exemplo. Isso faz sentido? Não.

A igualdade estaria baseada numa desigualdade de audiência. Vale a pena lembrar a publicidade feita por Silvio Santos nos jornais da semana passada. Ele destacou que o SBT é a segunda rede de televisão do país. Logo sua emissora compete com a Record. Melhor testemunho não poderia haver quanto a liderança da Rede Globo.

Bolsonaro mostrou uma grande virtude, mas Mourão e Onyx exibiram graves defeitos

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Charge do Thomate (Arquivo Google)

Carlos Newton

Saber voltar atrás quando percebe que está errado é uma qualidade dificilmente vista entre políticos, que se julgam donos da verdade e não gostam de se expor. Jair Bolsonaro é muito diferente. Primeiro, porque não mede as palavras, e isso significa que está sempre arriscado a fazer declarações equivocadas, até porque não tem grande conhecimento sobre economia e administração pública.

TRANSPARÊNCIA – O mais importante é que se comporta de forma transparente. Simplesmente, Bolsonaro diz o que pensa. Se estiver errado, depois recua.

Há quem considere negativo esse procedimento, por causar incompreensões e motivar críticas dispensáveis. A meu ver, porém, o resultado deve ser considerado positivo. É preferível um presidente que aja com transparência e pode ser monitorado, do que um governante como Michel Temer, que fazia tudo às escondidas e montou uma equipe especializada em destruir reputações, plantando notícias na mídia amestrada, como diz o mestre Helio Fernandes.

DIZ O GENERAL – A respeito da importância de haver transparência nos atos públicos, o ministro-general Santos Cruz, da Secretaria de Governo, diz que a administração precisa estar exposta a todo tipo de avaliação e informações a serem divulgadas. “Nós vamos estar completamente expostos. Eu não tenho medo dessa exposição, todo mundo aqui vai estar exposto a todas as avaliações e informações que devem ser divulgadas”, afirmou o ministro-general, que desponta como uma das mais auspiciosas revelações do novo governo.

De forma natural e intuitiva, sem haver a programação de marketing que hoje caracteriza a política, Bolsonaro comanda essa transparência, que é bem-vinda e precisa ser saudada como um sinal dos novos tempos, porque muita coisa vem por aí, especialmente na área da Justiça, onde o ministro Sérgio Moro também vai aplicar um choque de moralização dos costumes políticos e empresariais.

FORTES E FRACOS – Na minha avaliação, os pontos-fortes do novo governo são o próprio Bolsonaro e os ministros Sérgio Moro, Santos Cruz, Fernando Azevedo (Defesa) e Augusto Heleno (Gabinete Institucional).

Os pontos-fracos são o ministro da Economia, Paulo Guedes, que não enfrenta os banqueiros e tem contas a acertar com a Justiça; o chanceler Ernesto Araújo, que desmoraliza o Itamaraty; a ministra Damares Alves, que não tem perfil para o cargo; e o vice Hamilton Mourão, por praticar o nepotismo com o próprio filho, sujando a imagem do governo, que já não era essas coisas; e Onyx Lorenzoni, que usou notas fiscais da empresa do amigo para embolsar R$ 317 mil. O resto dos ministros ainda não deu o ar de sua graça e nem merece avaliação.

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P.S. 1 
Quanto a Bolsonaro, que Deus lhe dê muitos anos de vida, senão Mourão assume  e nomeia o filho para primeiro-ministro. 

P.S. 2 – Ainda há esperança de que Bolsonaro convoque auditorias externas para a Previdência Social e a Dívida Pública. Se tomar essa iniciativa, ganhará aplausos generalizados, da situação e da oposição, e iniciará uma carreira de estadista. Afinal, sonhar ainda não é proibido.(C.N.)

O papel da imprensa é óbvio e o jornalismo não se confunde com a publicidade

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Charge do Justino (Arquivo Google)

Merval Pereira
O Globo

É interessante notar que a importância da imprensa para a democracia vem sendo destacada nos primeiros dias do novo governo Bolsonaro por ministros e autoridades militares, que demonstram publicamente compreender melhor o papel dos meios de comunicação do que o candidato eleito durante sua campanha vitoriosa. O próprio agora presidente Bolsonaro vem reajustando seu discurso, e ontem admitiu que a imprensa livre é fundamental para a democracia. Mas continua misturando verba publicitária com isenção jornalística.

Em seu discurso de posse, o novo ministro da Defesa Fernando Azevedo e Silva foi objetivo: “A presença da mídia nos importa e nos conforta. Mais do que reproduzir notícia, ela nos avisa, nos cobra quando é necessário e sempre ajuda a dar transparência a nossas atividades.”

TRANSPARÊNCIA – O ministro Santos Cruz, da Secretaria de Governo, também defendeu o papel da imprensa no combate à corrupção: “A maneira mais eficaz de se combater a corrupção, além das medidas de gestão, além do uso da tecnologia no controle dos gastos públicos, é a divulgação, é a publicidade. Tem que divulgar tudo o máximo que puder. Tem que estar aberto para a imprensa, tem que fornecer todos os dados possíveis.”

O ministro disse ainda que o governo está exposto a todo tipo de avaliação e informações que deveriam ser divulgadas. “Nós vamos estar completamente expostos. Eu não tenho medo dessa exposição, todo mundo aqui vai estar exposto a todas as avaliações e informações que devem ser divulgadas”, concluiu.

Também o tenente-brigadeiro do ar Antonio Carlos Moretti Bermudez, o novo Comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), foi assertivo em seu discurso de posse: “Quanto maior for o zelo com a higidez e a intelectualidade de nosso efetivo, maior será o retorno para a sociedade que por ele é protegida”, começou Bermudez,  destacando a  importância da inteligência na atuação da Força.

RELAÇÃO COM A MÍDIA – “Haveremos de continuar incentivando a perfeita relação com a mídia, que tanto contribuiu para a construção da reputação de nossa Força nesses 78 anos de existência, criando conteúdos relevantes, pois relevante é nossa missão, assim como é determinante o papel da imprensa”, que o brigadeiro definiu como o canal de conexão com a sociedade. 

É justamente essa a atribuição da imprensa, fazer com que o Estado conheça os desejos e intenções da Nação, e com que esta saiba os projetos e desígnios do Estado, como ressaltei no meu discurso de posse na Academia Brasileira de Letras. “Um bom jornal é uma nação conversando consigo mesma”, na definição do teatrólogo americano Arthur Miller.

OLHAR DA NAÇÃO – Para Rui Barbosa, a imprensa é a vista da nação. “Através dela, acompanha o que se passa ao perto e ao longe, enxerga o que lhe malfazem, devassa o que lhe ocultam e tramam, colhe o que lhe sonegam ou roubam, percebe onde lhe alvejam ou nodoam, mede o que lhe cerceiam ou destroem, vela pelo que lhe interessa e se acautela do que ameaça”.

O presidente americano Thomas Jefferson entendeu que a imprensa, tal como um cão de guarda, deve ter liberdade para criticar e condenar, desmascarar e antagonizar. “Se me coubesse decidir se deveríamos ter um governo sem jornais ou jornais sem um governo, não hesitaria um momento em preferir a última solução”, escreveu ele.

No sistema democrático, a representação é fundamental, e a legitimidade da representação depende muito da informação. Os jornais nasceram no começo do século XIX, com a Revolução Industrial e a democracia representativa. Formam parte das instituições da democracia moderna.

ESTADO MODERNO – A “opinião pública” surgiu através principalmente da difusão da imprensa, como maneira de a sociedade civil nascente se contrapor à força do Estado absolutista e legitimar suas reivindicações no campo político. Não é à toa, portanto, que o surgimento da “opinião pública” está ligado ao surgimento do estado moderno.

Com o advento das novas mídias sociais, os jornais perderam a exclusividade da formação da opinião pública, mas continuam sendo um “contrapoder”, importante para a institucionalização democrática dos países. É o jornalismo, seja em que plataforma se apresente, que continua sendo o espaço público para a formação de um consenso em torno do projeto democrático.

Onyx não tem como explicar as notas fiscais de R$ 317 mil em verbas de gabinete

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Onyx Lorenzoni ameaça ir à Justiça, mas não vai mesmo…

Deu no Estadão

O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), usou 80 notas fiscais de uma empresa de consultoria pertencente a um amigo de longa data para receber RS 317 mil em verbas de gabinete da Câmara dos Deputados entre os anos de 2009 e 2018. As informações foram reveladas pelo jornal Zero Hora na manhã desta terça-feira, 8, e confirmadas pelo Estado. Entre as 80 notas, 29 foram emitidas em sequência, o que indica que Onyx teria sido o único cliente da firma.

A empresa chamada Office RS Consultoria Sociedade Simples pertence a Cesar Augusto Ferrão Marques, técnico em contabilidade filiado ao DEM, o partido de Onyx. Marques também trabalhou em campanhas políticas do parlamentar. O jornal informa, ainda, que Marques não tem registro no Conselho Regional de Contabilidade. Ele é o responsável pela contabilidade do DEM no Rio Grande do Sul.

TUDO ERRADO – A empresa está inapta na Receita Federal por omissão de valores ao fisco e tem R$ 117 mil em dívidas tributárias. Entre janeiro de 2013 e agosto de 2018, não recolheu impostos, apesar de ter emitido 41 notas a Onyx.

Ao jornal Zero Hora, Marques confirmou que trabalha com Onyx há quase 30 anos como consultor tributário. Segundo ele, o ministro não é seu único cliente. Marques, que tem outra empresa, disse que emite parte das notas fiscais por uma empresa ou por outra devido a questões tributárias.

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O QUE DIZ ONYX LORENZONI

Com relação à reportagem veiculada hoje em Zero Hora, esclareço que o título da reportagem é calunioso, levando a interpretação equivocada dos fatos. Não há nada de irregular.  A empresa sempre prestou os serviços e recebeu por eles, na forma da lei.

Trata-se de Consultoria tributária – não apenas para projetos meus e sim aconselhamento para todos os projetos em destaque nesta questão. Além do contato telefônico sempre que necessário, são realizadas reuniões semanais em Porto Alegre.  A empresa faz o acompanhamento da execução do orçamento geral da união para fins de emendas parlamentares indicadas por mim para centenas de municípios e entidades assistenciais gaúchas.

Com relação aos recursos da campanha eleitoral, cabe esclarecer que a empresa prestou serviços para o partido e todos os candidatos. Desde a pré-campanha, incluindo treinamento jurídico e contábil. Todas as contas foram aprovadas sem apontamentos. Há um rígido acompanhamento sobre todas as questões. Vou à justiça buscar a reparação.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O mundo vai acabar no Armagedon ou no Impacto profundo, sem que Onyx Lorenzoni vá à Justiça buscar reparação. Sua posição é insustentável, está na mesma situação de Magno Malta, cujos gastos em combustível foram motivo de deboche e o tiraram do ministério, substituído por uma figura patética como Damares Alves, que era sua assessora no Senado. Bolsonaro precisa se livrar desse tipo de auxiliares que emporcalham sua gestão. Quanto ao vice nepotista, não tem jeito, porque Mourão tem mandato e é indemissível. (C.N.)

Promoção do filho de Mourão no Banco do Brasil é altamente desmoralizante

General Hamilton Mourão

Mourão mostra que o nepotismo continua a prevalecer no país

Deu em O Tempo
(ESTADÃO Conteúdo)

Pelo Twitter, o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, voltou a defender a promoção do filho, Antônio, para a assessoria especial do Banco do Brasil. A nomeação aconteceu nesta segunda-feira, 7, mesmo dia em que o novo presidente do banco público, Rubem Novaes, assumiu o comando da instituição.

“Meu filho, Antônio, ingressou por concurso no BB há 19 anos. Com excelentes serviços, conduta irrepreensível e por absoluta confiança pessoal do Presidente do Banco foi escolhido por ele para sua assessoria. Em governos anteriores, honestidade e competência não eram valorizados”, disse o vice-presidente.

POR MÉRITO – Mais cedo, ao Broadcast Político, Mourão disse que a indicação ocorreu por mérito e que o filho era perseguido anteriormente. “Sem comentários. Possui mérito e foi duramente perseguido anteriormente justamente por ser meu filho”, disse Mourão ao ser questionado.

Na prática, o salário do filho do vice-presidente triplicou. O novo posto equivale a uma cadeira de um executivo no banco com um salário de cerca de R$ 37,5 mil. A renda da função anterior de assessor empresarial girava em torno de R$ 12 a R$ 14 mil.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Meu Deus, essa gente não tem medo do ridículo. A promoção do funcionário não tem sustentação, a não ser o prestígio do pai. É um ato público que joga no lixo a meritocracia. O presidente do BB, Rubem Novaes, não conhece nem nunca viu o filho de Mourão, diz que ele foi indicado por sua “assessoria”. Promoveu o rebento do general no mesmo dia em que tomou posse no BB. A nomeação fede a quilômetros de distância. Mesmo que o jovem Mourão tenha méritos, não deveria ter aceitado a promoção, para não sujar o nome do pai. E tudo isso quer dizer que a gente varreu um gentalha do governo anterior e elegeu outra gentalha para substituí-la. Desse jeito, fica claro que o Brasil não tem jeito. (C.N.)

Peru proíbe a entrada do presidente Maduro e integrantes do governo no país

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Charge do Iotti (Zero Hora)

José Carlos Werneck

O ministro das Relações Exteriores do Peru, Nestor Popolizio, anunciou que o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, integrantes do governo venezuelano e suas famílias estão proibidos de entrar em território peruano. A sanção decorre da crise democrática e humanitária vivida pela Venezuela e a decisão foi tomada às vésperas de Maduro assumir o terceiro mandato presidencial, cuja reeleição não é reconhecida pelo Peru e outros 14 países da região, inclusive o Brasil.

A medida, segundo o chanceler peruano, faz parte dos acordos adotados pelos países membros do Grupo Lima, integrado pelo Brasil, como forma de pressão internacional para condenar a crise democrática e humanitária que ocorre na Venezuela, que desautoriza o governo de Nicolás Maduro e o Estado Democrático.

COMUNICAÇÃO – “O governo do Peru vai enviar uma comunicação para a Superintendência de Imigração com uma lista de todos os nomes ligados ao regime Maduro, incluindo membros da família, informando que não podem entrar no país”, afirmou o ministro Nestor Popolizio.

Ele recordou que, no caso da Venezuela, não é necessário um visto para entrar no território peruano, mas o governo peruano tem a prerrogativa de impor restrições de natureza migratória.

PRESSÃO DIRETA – “O que queremos é exercer pressão direta sobre o regime de Maduro, sobre o governo principal para permitir que eles voltem à democracia”, frisando que esse tipo de medida provoca o isolamento do governo venezuelano, “cujas decisões antidemocráticas causaram uma crise interna naquele país”.

O chanceler peruano ressaltou que o Grupo Lima não reconhece o novo mandato presidencial de Maduro, que se inicia na próxima quinta-feira, e confirmou que o Peru não mandará representantes à cerimônia de posse.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O governo peruano largou na frente e está liderando o boicote a Maduro. O Brasil agiu certo ao ser mais comedido, porque a Venezuela deve muito dinheiro ao Brasil e negócios são negócios. Em matéria de calote, já basta o de Cuba, que está sendo coberto pelo Tesouro Nacional, sem que o então presidente do BNDES, Luciano Coutinho, sequer já esteja sendo processado, algo inexplicável e injustificável. (C.N.)

Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, tem alta após internação e já pode depor

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Queiroz se divertiu bastante dando entrevista à repórter do SBT

Por G1 SP

Fabrício José Carlos Queiroz, ex-motorista e ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), teve alta no início da tarde desta terça-feira (8) do Hospital Albert Einstein, na Zona Sul de São Paulo. Segundo o advogado de sua família, ele passou por uma cirurgia para a retirada de um tumor no intestino no início do ano.

De acordo com a assessoria do centro médico, Queiroz deu entrada em 30 de dezembro. A alta ocorreu às 12h20 desta terça.

MOVIMENTAÇÃO – O nome de Queiroz foi citado em um relatório apresentado pelo Conselho de Controle de Atividades (Coaf) anexado à investigação que resultou na Operação Furna da Onça, um desdobramento da Lava Jato no Rio de Janeiro.

Segundo o documento, o ex-motorista movimentou R$ 1,2 milhão em uma conta bancária durante um ano. Na época, o então assessor, que também é policial militar, recebia salário de R$ 23 mil por mês. As transações foram consideradas atípicas e por isso aparecem no relatório.

Em entrevista ao SBT no fim do ano, Queiroz disse que o dinheiro era fruto de negócios que fazia. “Eu sou um cara de negócios. Eu faço dinheiro. Eu faço, assim, eu compro, revendo, compro, revendo. Compro carro, revendo carro. Eu sempre fui assim. Sempre. Eu gosto muito de comprar carro em seguradora. Na minha época, lá atrás, comprava um carrinho, mandava arrumar, vendia. Tenho segurança”, disse.

SEM DEPOR – Convocado em duas ocasiões pelo Ministério Público (MP) do Rio para prestar depoimento, ele faltou em ambas alegando problemas de saúde, segundo sua defesa.

Nesta terça, as filhas e a mulher do ex-assessor seriam ouvidas pelo Grupo de Atribuição Originária do Procurador-Geral de Justiça (Gaocrim), do MP, dando continuidade às investigações do caso. O advogado delas, porém, disse que isso não ocorrerá, pois estão em São Paulo para acompanhar o pós-operatório de Queiroz.

De acordo com o que o advogado informou ao G1, após a cirurgia ele passará por uma bateria de exames para saber qual o tratamento quimioterápico mais adequado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Fabricio Queiroz é um farsante e deveria ser algemado e conduzido coercitivamente. Está doente e não pode depor, mas teve saúde suficiente para dar uma longa entrevista ao SBT, todo serelepe e cheio de alegrias. (C.N.)

Beirando a monotonia, defesa de Lula acusa juíza Gabriela Hardt de parcialidade

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Foto da primeira-dama com a frase da juíza está nos autos

José Carlos Werneck

Além de dedicar capítulo à parte para o ex-juiz Sérgio Moro no governo Bolsonaro, os advogados do ex-presidente afirmam nas alegações finais do processo do sítio de Atibaia que juíza foi ‘agressiva’ e anexam foto da primeira-dama Michelle Bolsonaro usando camisa com a frase: ‘Se começar nesse tom comigo, a gente vai ter problema’

Além de Sérgio Moro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também acusou a juíza federal Gabriela Hardt de parcialidade, em alegações finais na ação penal em que é acusado de supostas propinas envolvendo as obras do Sítio Santa Bárbara, em Atibaia.

“PERSEGUIÇÃO” – No repetitivo calhamaço de 1643 páginas, o ex-presidente insiste em negar que tenha recebido vantagens indevidas e diz ser vítima de perseguição política.

Um dos capítulos é dedicado somente ao ministro da Justiça e Segurança, Sérgio Moro, destacando que o magistrado tenha aceitado o convite para integrar o governo Jair Bolsonaro.

Num raciocínio infantil os advogados de Lula não pouparam  acusações à juíza Gabriela Hardt, substituta de Sergio Moro. Os dez advogados que assinam a peça afirmam que ‘não obstante a troca do órgão julgador’, Lula ‘permanece sendo processado de forma parcial e afrontosa a seus direitos e garantias individuais’.

POSTURA INQUISITÓRIA – “É dizer: Trocaram-se os personagens, permanece a postura inquisitória e autoritária em relação ao Defendente, o qual segue sendo tratado e visto como um verdadeiro inimigo, cujas fala e manifestação devem ser, ao máximo, limitadas”, entende a defesa do ex-presidente.

Eles afirmam que “não apenas a conduta da aludida julgadora foi absolutamente agressiva e padecente de razoabilidade com” Lula, “para não dizer incompatível com respeito que é devido à figura do ex-Presidente da República” e, num lance que beira ao ridículo, completam que “alguns dias após o interrogatório, a midiática frase aqui proferida estampava a camiseta da esposa do antagonista político” de Lula , “hoje primeira-dama da República,  em óbvio desdém ao ex-presidente e a todo o Judiciário”, sustentam os advogados.

TERCEIRA DENÚNCIA – O processo envolvendo o sítio representa a terceira denúncia contra Lula no âmbito da Operação Lava Jato. A entrega das alegações é a fase final da ação penal. Após estas manifestações dos réus e do Ministério Público Federal, a juíza Gabriela Hardt estará apta, segundo o rito processual, a sentenciar os réus.

Segundo a acusação, a Odebrecht, a OAS e também a empreiteira Schahin, além do pecuarista José Carlos Bumlai, gastaram R$ 1,02 milhão nas obras de melhorias no sítio, em troca de contratos com a Petrobrás.

A denúncia inclui ao todo 13 acusados, entre eles executivos da empreiteira e aliados do ex-presidente, até seu compadre, o advogado Roberto Teixeira.

FIM DO GOVERNO – O imóvel foi comprado no final do ano de 2010, quando Lula deixava a Presidência, e está registrado em nome de dois sócios dos filhos dele, Fernando Bittar, filho do amigo e ex-prefeito petista de Campinas Jacó Bittar, e o empresário Jonas Suassuna.

Nas alegações finais, os advogados constituídos de Lula indicam supostas nulidades do processo e pedem a absolvição do petista.

Como se diz, o papel aceita tudo!

Faustão e a Globo podem ser processados, porque ofender Presidente é crime

Resultado de imagem para faustao ofende bolsonaroJorge Béja

Adélio Bispo de Oliveira esfaqueou Bolsonaro-candidato. Está preso e responde na forma da Lei de Segurança Nacional. Já o grosseirão do Faustão ofendeu Bolsonaro-presidente no seu chatíssimo, enfadonho e repetitivo programa na TV Globo neste domingo (6 de janeiro). Numa de suas grosserias de sempre afirmou o apresentador “o imbecil que está lá e não deveria estar pode até ser honesto”.

Pela data (6/1/2019), pelo gênero (“o imbecil”, masculino), pelo número (singular) e pelo contexto do discurso “falsa defesa do povo”, é óbvio que o ofendido era mesmo o presidente da República, Jair Messias Bolsonaro.

SEM ESCAPATÓRIA – Não tem por onde escapar. Assim como O esfaqueador Adélio, o apresentador Fausto Silva também precisa ser criminalmente processado com base na Lei de Segurança Nacional. O artigo 26 da Lei nº 7.170, de 14.12.1983, é taxativo. É crime caluniar ou difamar o Presidente da República com expressões ofensivas à sua reputação. E a pena: reclusão de 1 a 4 anos”.

E em se tratando de ação penal pública, que é aquela que não depende da iniciativa do ofendido e sim, exclusivamente, da ação do Ministério Público, conforme dispõe o artigo 30 parágrafo único da referida lei (“a ação penal é pública“), o que a procuradora-geral da República Raquel Dodge está esperando para ingressar na Justiça com a ação penal contra Fausto Silva e o diretor-geral do programa? O tempo está passando e até agora a procuradora nada fez.

FOI GRAVAÇÃO – O fato do programa ter sido gravado em novembro de 2018 só agrava a situação do apresentador Fausto Silva e do diretor-geral do “Domingão do Faustão”. Isto porque se o ofendido era o Temer (e tanto não justificaria a ofensa visto que em tais crimes a defesa não pode excepcionar a verdade e a condenação também seria certa de ocorrer), então que aquele trecho do “discurso de doutrinação política” do “sociólogo” Fausto Silva fosse cortado. Mas, não. Por quase dois meses a gravação ficou guardada na TV Globo justamente para ir ao ar quando Bolsonaro se tornou presidente.

Daí a  ampliação e a agravante do parágrafo único do artigo 26 da Lei de Segurança Nacional que diz: “Na mesma pena (1 a 4 anos de reclusão) incorre quem, conhecendo o caráter ilícito da imputação, a propala ou divulga“.

DIRETOR DA TV – E esse “quem” que está na lei é a TV Globo. Considerando que pessoa jurídica não pode sofrer condenação criminal, mas somente pessoal natural (física), quem também entra pelo cano é o diretor-geral do programa, caso a PGR e a Justiça não entendam condenar mais diretores da emissora.

Tudo vai depender da investigação para saber quem era o co-responsável ou co-responsáveis. Todos são solidariamente obrigados a reparar os danos, no âmbito penal (reclusão de 1 a 4 anos) e cível (dano moral, no mínimo de 10 mil salários-mínimos, por se tratar do presidente da República e da divulgação nacional que a ofensa alcançou).

Chefes militares não tinham sido consultadas sobre a base militar dos EUA

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Bolsonaro esqueceu de combinar com a cúpula dos militares

Igor Gielow
Folha

Sobre o recuo do presidente Jair Bolsonaro, que desistiu de permitir a instalação de uma base militar norte-americana no Brasil, todo esse contexto leva à dúvida: como o chefe do governo deu curso à possibilidade? Não existe certeza, mas o núcleo militar do governo, formado por generais da reserva em altos cargos, não havia sido ouvido sobre o caso.

A Folha ouviu de oficiais da ativa que as suspeitas todas recaem sobre o novo chanceler, que é um fã declarado do governo de Donald Trump e considera o presidente americano um líder no suposto embate entre os valores ocidentais e o globalismo.

INFLUÊNCIA FAMILIAR – Segundo a visão que esposou em artigos e em seu discurso de posse, o globalismo seria um ataque de raiz marxista a esses valores, e apenas a união de países de tradição cristã poderia enfrentá-lo.

Isso casa com as ideias do escritor Olavo de Carvalho, que indicou Araújo. Como o fiador do chanceler no cargo é Eduardo Bolsonaro, deputado pelo PSL-SP e filho do presidente, os militares creem que a ideia emergiu por meio da influência familiar.

De uma forma ou de outra, assim como teve a decisão de subir impostos desmentida pela área econômica na sexta (dia 4), Bolsonaro teve de recuar. E o fez numa área delicada, já que há um complicado equilíbrio entre os influentes militares de sua equipe e as Forças Armadas, que os apoiam, mas que temem politização de suas fileiras.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Bolsonaro está cometendo um erro estratégico, ao falar demais e ter ideias demais. Precisa focar nos principais problemas brasileiros e fazer a equipe trabalhar de acordo com os interesses nacionais e não em obediência a interesses externos. É isso que se espera dele. (C.N.)

 

“É uma questão de decência que Bolsonaro esclareça o caso Queiroz”, diz Ciro Gomes

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Ciro quer deixar Bolsonaro governar, para depois criticá-lo

Florestan Fernandes Júnior
El País

Ciro Gomes demonstra que tentará ocupar o lugar de principal líder da oposição. “O PT já foi. Agora eles encontraram alguém que tem coragem de encará-los. Eu sou pós-PT”, afirma. Perguntado sobre as próximas eleições, diz que o partido pode cogitar seu nome na disputa à presidência, mas que é cedo para falar sobre o assunto, porque os próximos quatro anos serão uma montanha russa. Mas admite que é necessário construir não uma terceira via, mas “a via”. Confessa ainda que aconselhou Lula a pedir asilo político em uma embaixada.

A entrevista com Ciro Gomes foi feita no dia 2 de janeiro. No dia 4, a assessoria do pedetista foi procurada para que falasse sobre a crise de segurança no Ceará, governada por seu aliado Camilo Santana (PT). Ciro informou que preferia aguardar alguns dias para ter mais informações e poder emitir sua opinião.

No discurso de posse, Bolsonaro falou em libertar o povo do socialismo. O que ele quis dizer com isso?
O inquietante é que ele falou isso no discurso de posse, que costuma ser projetado para a história. Não era para ser um arroubo de palanque, mas o que ele repete é um arroubo de palanque que parte da premissa da ignorância do povo. Ele supõe que o povo é burro, incapaz de saber o que é socialismo. E, ao afirmar isso, esconjura na palavra socialismo todo o ranço conservador, que tem dois planos: conservadorismo de costumes e conservadorismo econômico. É uma tragédia, porque significa que o camarada, ao iniciar o Governo, anuncia que vai permanecer no palanque. Fica dizendo bobagens superficiais e se afirma num antipetismo também superficial.

Bolsonaro disse que não vai aceitar corrupção. Mas antes da posse, sua família já estava envolvida em suposto escândalo de corrupção. Agora que é presidente não seria bom que este caso fosse bem esclarecido?
É imperativo, especialmente para quem assentou na sua identidade o moralismo e que tem a presença simbólica do (Sérgio) Moro, um juiz exibicionista, chibata moral da nação. E tem coisas práticas: Bolsonaro, como deputado, já malversou verba do seu gabinete. O caso do Queiroz, agora, trata-se de uma notícia-crime em potencial. É uma questão de moral e de decência esclarecer isso. Até porque esta foi a pedra angular da campanha que deu ao Bolsonaro o mandato como presidente. Se Bolsonaro emprestou dinheiro ao tal Queiroz, cadê o cheque? Que dia foi? Essa foi uma nova operação Uruguai como a do Collor? Foi antes ou depois do escândalo, para tentar cobrir o episódio? Se foi um empréstimo, de onde saiu o dinheiro do Bolsonaro para emprestar? São coisas concretas relativas ao presidente. Sérgio Moro está obrigado a esclarecer isso à nação brasileira. Eu quero dar um tempo. Não quero ser um trombeteiro que nem um petista raivoso, que é o tipo mais parecido com um bolsominion. Deixa o Bolsonaro tomar pé das coisas. Mas daqui a uns 100 dias, tenho toda uma plataforma por onde vou começar a cobrar. Porque foi este o papel que a nação deu a mim. O papel da oposição é estimular Bolsonaro ao jogo democrático, obrigá-lo a seguir a institucionalidade democrática.

O senhor acha que Bolsonaro construirá um pacto de governabilidade para aprovar as reformas no Congresso?
Ele tem essa força. A coincidência da mudança de ano com a mudança de governo predispõe a sociedade brasileira a ajudar. O Parlamento fica vulnerável a este expediente da rua que diz: “Ajuda o homem! O homem foi eleito, ajuda ele, não atrapalha”. E nós temos que ter essa sensibilidade. Não em respeito ao Bolsonaro, mas em respeito ao milhões de brasileiros que deram a ele a maioria. Mas não sei se ele conseguirá fazer um pacto de governabilidade. Eu, Ciro Gomes, não conheço uma única proposta do governo Bolsonaro.

A não ser a legalização das armas…
A retórica da legalização das armas está aí, mas eu duvido da legalidade disso por Medida Provisória. O Supremo tenderá a dizer que é inconstitucional. Bolsonaro trabalha com duas agendas. Numa ele vai reinar mais facilmente, que é a agenda de costumes: redução da maioridade penal, facilitar o acesso à arma, agravar a legislação de execução penal. Porque a sociedade está cansada da violência e predisposta a experimentar inovações. São equívocos simplificadores, grosseiros, mas ele vai tentar e, com isso, demonstrará que está tentando cumprir a promessa e manterá o capital político dele com uma certa sobrevida. A outra agenda, que é para a qual devemos chamá-lo, é a do emprego, palavra que ele não citou uma vez sequer, nem no discurso oficial. Devemos chamá-lo para a questão dos juros, da inadimplência de 63 milhões de brasileiros que estão com o nome sujo no SPC.

O senhor fez parte dos Governos Lula e Dilma. Por que só agora descobriu estes problemas do PT?
Eu fiz parte do primeiro mandato do governo Lula. Quando eles começaram a errar eu não aceitei mais ser ministro. Eu votei na Dilma contra todas as contradições, porque o outro lado era o PSDB e o Aécio, que eu sabia quem era. O que fiz desta vez? Disse: campanha pra eles eu não faço mais. Votei no Haddad como cidadão, mas não voto mais nesta burocracia do PT. Não faço campanha com eles nunca mais. De lá pra cá eles se corromperam. Essa é a triste, dura e sofrida realidade. Apodreceram. Tomaram gosto pelas benesses do poder.

Lula é preso político ou comum?
Preso comum. Se Lula fosse um preso político, não tinha que recorrer aos tribunais. Lula não é condenado pelo Sérgio Moro, que eu sempre critiquei. É condenado por unanimidade pelo Tribunal Regional Federal. Tentou diversos recursos no STJ e STF. Portanto, por definição, é um preso comum. Mas se ele entende que é um preso político, não podia estar recorrendo às instâncias formais. Eu acho a sentença que o condenou frágil. Mas isso não o transforma num preso político, porque ele aceitou a dinâmica. Eu, por exemplo, fui violentamente criticado – e isso o PT esquece – quando propus, quando ele sofreu uma prisão coercitiva injusta, ilegal, que se a gente achasse que ele era um preso político, deveríamos subtraí-lo desta arbitrariedade, colocá-lo numa embaixada e pedir asilo político. Eles (PT e PSOL) resolveram se omitir na posse. Nós ficamos. Temos o compromisso com a democracia, com os ritos, com os valores

O que o senhor imagina para o seu futuro?
A minha missão hoje é ajudar o jovem brasileiro a entender o nosso país e a formular um caminho. Estou fazendo palestras e vou lançar um livro que é uma plataforma que compreende o Brasil, chamando o debate para a inteligência e não para estas mistificações superficiais. Porque o bicho mais parecido com o bolsominion (nome pejorativo para os seguidores de Bolsonaro) é o petista fanático. Tanto para o bolsominion como para o fanático do PT pode acontecer o diabo que eles relativizam o diabo. Quando o Aécio nega a legitimidade do mandato da Dilma, é golpe. Quando Renan Calheiros, liderando o Senado, faz o golpe…é golpe. Depois o Haddad se apresenta aliado do Calheiros.

Mas você está transformando…
Não estou, não. Mas cada vez que eles vierem com uma dessas, e agora veio da sua pergunta, não porque você interpreta, mas porque eles estão dizendo, eu vou dizer porque eu não pude mais apoiar o PT. Eu engoli tudo o que eu podia engolir. E regurgitei.

E como é que fica a união de forças de oposição no Congresso?

É uma agenda prática. Eles (PT e PSOL) resolveram se omitir na posse. Nós ficamos. Quer dizer que nós temos algum compromisso com o Bolsonaro? Não. Temos o compromisso com a democracia, com os ritos, com os valores.

Mas isso não fragiliza o campo progressista?
Depende. Por que o PT não se comporta? Porque que não abre a conversa com os outros? Quer tudo na imposição de uma hegemonia podre. Já foi. Agora eles encontraram alguém que tem coragem de encará-los. Eu sou pós-PT.

Você acha que é muito cobrado por isso?
Eu sou, mas estou disposto a explicar para todo mundo. E nisso é que eu quero criar uma corrente de opinião, que livre o Brasil desta burocracia corrompida do PT.

Você chegou a conversar com o Lula antes do primeiro turno para ser o vice dele?
Não. Ele me chamou para esta farsa. Ora, se eu estou denunciando uma farsa, uma fraude, e ele me chama para aperfeiçoar esta fraude, que tipo de homem eu sou, que tipo de líder eu seria no Brasil, se eu, por qualquer tipo de ambição pessoal, fosse cumprir este papel imundo? Mandei dizer pra ele que me sentia insultado.

Você pretende ser candidato à presidência novamente?
Quem conhece o Brasil, que tem a experiência que eu tenho, afirmar que é candidato, é pura temeridade. O que vai acontecer no país nos próximos quatro anos é uma verdadeira montanha russa. Eu aceito que o meu partido cogite a minha candidatura, não vou excluir isso, mas acho que eu tenho um papel a cumprir fora de processo eleitoral. Escrever, falar, organizar o movimento. Dar referência para a juventude brasileira. Só existe o Bolsonaro porque existe este tipo de petismo. Você acha que o Bolsonaro achou o que desta atitude infantil, antidemocrática, burra, de o PT se omitir do ato solene de posse do presidente eleito? Você acha que o Bolsonaro achou ruim isso? Bolsonaro amou. Ele está dizendo: “O governo não pode fracassar porque se não o PT volta”. E eles se amam, na prática. E eu vou quebrar esta brincadeira, se não o Brasil não aguenta.

Você acredita que pode ser a terceira via?
Não a terceira via. Nós precisamos construir a via. Sim, porque o PT imitou, no bom e no mau, o PSDB. Quem formulou, no Brasil, foi o Fernando Henrique. E formulou em linha com a onda internacional, neoliberal, pseudo modernizante, do Estado mínimo, de câmbio flutuante, de superávit primário… e qual foi a política econômica do PT? Rigorosamente a mesma. Quer dizer que não foi um governo bom? Foi, tanto que eu ajudei. O salário mínimo melhorou, o crédito melhorou, a assistência social, com as políticas sociais compensatórias, melhorou muito. Expandiu o ensino público universitário. Tudo isso são coisas boas, mas foram feitas no marco de uma economia política conservadora que encheu o rabo da banqueirada de ganhar dinheiro. É nas mãos do PT/PSDB que o Brasil faz a mais grave concentração bancária do mundo capitalista. Enquanto a América do Norte, epicentro do capitalismo, tem 5 mil bancos disputando o cliente com juros mais baratos, com preço de tarifa mais barata, essa gente entregou o Brasil a três bancos particulares, que tem lucro 78% maior do que qualquer banco na história da humanidade. Isso é o que importa. Porque num regime não inflacionário, o dinheiro que falta no bolso do povo, essa inadimplência que humilha tanto as pessoas, esse é o dinheiro que está sendo levado todo pra mão dos banqueiros. Durante o governo do PT/PSDB, nós criamos o seguinte fenômeno: seis brasileiros tem a renda equivalente a fortuna que somam 100 milhões de brasileiros. Aí estes 100 milhões de brasileiros estão obrigados a se conformar com o Bolsa Família. Isso é irrelevante? Não, é muito importante. Mas o país que eu sonho vai emancipar seu povo pelo trabalho decentemente remunerado e pela educação emancipadora.

Juiz marca novo depoimento da mãe de Geddel sobre as malas de dinheiro

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Com a morte do marido, Marluce é que chefia a famiglia

Camila Bomfim
TV Globo — Brasília

A Justiça Federal de Brasília marcou para 15 de fevereiro o depoimento de Marluce Vieira Lima no processo dos R$ 51 milhões encontrados em malas de dinheiro em um apartamento em Salvador (BA). Marluce é mãe do ex-ministro Geddel Vieira Lima e do deputado Lúcio Vieira Lima, ambos do MDB-BA. Os três são réus pelos crimes de lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Segundo a Procuradoria Geral da República (PGR), os R$ 51 milhões têm como possíveis origens: propinas da construtora Odebrecht; repasses do operador financeiro Lúcio Funaro; e desvios de políticos do MDB.

ANDAMENTO – Em novembro do ano passado, o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, enviou o caso de Marluce à primeira instância da Justiça de Brasília para o processo não ficar parado.

Responsável por marcar o depoimento de Marluce, o juiz Vallisney de Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília, considerou: “Haja vista o transcurso do prazo fixado no atestado médico, hei por bem designar o dia 14/02/2019, às 14h30 a realização do interrogatório”. O depoimento será dado por videoconferência.

Marluce Vieira Lima não compareceu ao interrogatório no STF, marcado para 30 de outubro do ano passado, alegando motivos de saúde.

ELEVADO PREJUÍZO – Ao denunciar Marluce, Geddel e Lúcio Vieira Lima, a PGR afirmou que a Petrobras, Furnas e a Caixa Econômica Federal tiveram prejuízo de ao menos R$ 587,1 milhões. Só no banco, teriam sido desviados para propina R$ 170 milhões pela ingerência de Geddel, segundo a PGR.

A procuradoria também apura se uma parte dos R$ 51 milhões corresponde a parte dos salários de assessores que, segundo a PF, eram devolvidos aos irmãos Vieira Lima.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É claro que dona Marluce não vai depor. Ela conhece o mesmo caminho de José Genoíno, de Paulo Maluf, de Jorge Picciani, do coronel João Baptista Lima e do ex-assessor Queiroz – vai pegar uma doença terrível e, se for preciso, usará até fraldas geriátricas para comover a galera do Supremo. (C.N.)  

Com apoio do PR, Rodrigo Maia ganha força para se reeleger à presidência da Câmara

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Rodrigo Maia está com a reeleição praticamente garantida

José Carlos Werneck

O líder do Partido Republicano na Câmara dos Deputados, José Rocha, da Bahia, anunciou, nesta terca-feira, o apoio da bancada à reeleição do presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ). Os partidos que já anunciaram apoio à recondução de Maia somam, até o momento, 223 deputados e para vencer ele tem de somar ao menos 257 votos, que é a maioria da Câmara.

O PR alia-se a outras siglas que declararam oficialmente apoio ao parlamentar carioca: PSDB, PRB, PROS, PSD,PPS e PSL, o partido do presidente da República, Jair Bolsonaro.

VOTO SECRETO – Como a votação é secreta, não há garantia de que todos deputados obedecerão à recomendação partidária. Em troca do apoio a Rodrigo Maia, o PR quer garantir a Primeira-Secretaria da Casa, cujo titular será o deputado Giacobo, representante do Paraná.

Cabe a esta importante secretaria gerir o orçamento da Câmara dos Deputados, mas para que a venha ocupar, Giacobo precisa desistir de sua própria candidatura própria a presidente, que ele estava articulando nos bastidores.

O líder do PR, no entanto, desconversou e disse que o apoio ao atual presidente da Câmara não se prende à vaga na Primeira-Secretaria, mas ao próprio perfil de Maia para conduzir e defender as propostas do Governo Jair Bolsonaro, na área econômica, a exemplo da tão propalada Reforma da Previdência.

PESSOA CERTA – “Acho que o Rodrigo Maia é a pessoa certa para ter essa condição de ajudar o governo”, disse José Rocha. Nesta terça-feira, partidos de centro-esquerda mantiveram intensas negociações objetivando lançar uma candidatura que tenha força para se contrapor a de Rodrigo Maia e assim formar uma aliança que conte com tantos deputados como a candidatura dele. Mas está difícil a conciliação.

Além do prestígio político, está em jogo o comando da pauta de apreciações em Plenário, porque, apesar dos líderes dos partidos serem consultados, cabe ao presidente da Câmara dar a última palavra na decisão sobre o que entra e o que não entra em votação.

LINHA DE SUCESSÃO – A presidência da Câmara dos Deputados é um cargo importantíssimo por ser o segundo na linha de sucessão da Presidência da República, pois caso o presidente e o vice se ausentem, quem assume interinamente no lugar é o presidente da Câmara.

A eleição para a Mesa Diretora da Câmara será em 1º de fevereiro e além do presidente, serão eleitos os dois vice-presidentes, os quatro secretários titulares e igual número de suplentes. Os escolhidos serão responsáveis pela condução dos trabalhos legislativos e administrativos da Instituição nos dois próximos anos.

A exceção da Presidência, cargo para o qual, regimentalmente, são permitidas candidaturas avulsas, a distribuição das vagas da Mesa Diretora é definida obedecendo-se ao dimensão dos partidos ou blocos partidários.

Bolsonaro avisa a Onyx e Guedes que não aceita ser desmentido publicamente

Após reunião com Bolsonaro no Planalto, Onyx Lorezzoni divulgou foto de almoço com Paulo Guedes Foto: Divulgação

Depois da reunião, Guedes almoçou com Onyx no Planalto

Jussara Soares
O Globo

Os desencontros na comunicação entre o chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni , e o ministro da Economia, Paulo Guedes , levaram o presidente Jair Bolsonaro a arbitrar na segunda-feira o primeiro atrito na sua equipe de governo. Contra as notícias de conflito entre a “ala política” e a equipe econômica sobre as primeiras medidas de sua gestão, Bolsonaro chamou ao gabinete, logo no início da manhã, Onyx e Guedes para afinar o discurso.

O vice, Hamilton Mourão, e o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, também foram convocados para ajudar na tarefa. No meio da tarde, a Casa Civil chegou a divulgar uma foto em que Onyx e Guedes aparecem almoçando no Palácio do Planalto.

CASO DA PREVIDÊNCIA – Os embates entre o homem forte da economia e a ala política do Planalto, encabeçada por Onyx, têm a reforma da Previdência como tema principal. Enquanto Guedes é a favor de um proposta com efeito de longo prazo, Onyx defende um texto que tenha facilidade de aprovação, mesmo que o impacto nas contas públicas seja limitado — na campanha, por exemplo, chegou a dizer que era contrário ao projeto enviado ao Congresso pelo ex-presidente Michel Temer.

Na semana passada, em entrevista ao SBT, Bolsonaro falou de detalhes da reforma que não estavam nos planos da equipe de Guedes. Diante da repercussão do episódio da última semana, o Palácio do Planalto avalia que o governo precisa indicar com rapidez um porta-voz e organizar de modo profissional a comunicação.

Ontem, Heleno admitiu que o governo fará mudanças na área e que as aparentes “divergências” decorrem do excesso de “peso em cima da costas do presidente”, que ouve “muita coisa sem ter tempo de conferir se o que ele está ouvindo já pode ser anunciado”.

HAVERÁ MUDANÇAS — “Para quem está começando o governo e tinha um assessoramento de campanha muito mais precário, menos sofisticado, com uma repercussão grande, mas sem a responsabilidade da repercussão de uma fala presidencial, ele (Bolsonaro) hoje mesmo fez um comentário sobre isso e vamos ver mudanças” — disse Heleno.

A disputa por protagonismo entre Onyx e Guedes foi percebida pelo Planalto logo na posse dos dois ministros. Na quarta-feira, ao assumir o ministério, Guedes conquistou o mercado com um discurso em defesa de uma reforma da previdência impopular, mas necessária para sanear as contas públicas.

No dia seguinte, Onyx entrou em cena ao anunciar a exoneração em massa de servidores e a “despetização” da máquina. O ministro avançou a área de Guedes ao anunciar pente-fino em contratos federais, levantamento de bens da União e a revisão de conselhos, medidas de ajuste das finanças.

“DESENCONTRO” – Depois da conversa de ontem com Bolsonaro, Onyx e Guedes, Heleno disse que tudo não passou de um “desencontro” de comunicação do novo ministério, ainda sem um quadro especializado para falar à imprensa, o que teria passado a imagem de “desgaste” da equipe, quando, na verdade, não existiria nada além de um “entrosamento” e uma “conversa muito boa” entre os ministros.

Para além de rusgas entre os ministros, Heleno negou que exista algum problema na relação entre o presidente e o chefe da equipe econômica.

— Não é uma novidade, em início de governo, ter alguns desencontros. Hoje já houve uma conversa muito boa. A prova que até andaram levantando se havia desgaste no relacionamento dele com o Paulo Guedes. Acho que aqui ficou provado que é pura invenção. Não existe nada disso. E acho que esse entrosamento vai ser cada vez maior, porque, quando a gente ouve um discurso, e eles não são combinados, a gente percebe que há uma identidade de propósitos — disse o ministro do GSI.

GUEDES AMACIA – Após o encontro, Guedes também reverberou o clima de harmonia: “Todo mundo acha que tem uma discussão entre nós, uma briga. Nós somos uma equipe muito, muito sintonizada”.

Além da Previdência, o presidente anunciou um reajuste no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e o desconto na alíquota máxima do Imposto de Renda. As dúvidas causado por seguidas declarações de impacto fez Guedes se recolher, o que levou Onyx a ter de admitir que Bolsonaro havia se “equivocado”.

Ontem, durante discurso na cerimônia de posse dos novos presidentes dos bancos públicos, o presidente reforçou a confiança no ministro da Economia e sua equipe. “O desconhecimento meu ou dos senhores em muitas áreas, e a aceitação disso, é um sinal de humildade. Tenho certeza, sem qualquer demérito, que eu conheço um pouco mais de política que o Paulo Guedes. E ele conhece muito mais de economia do que eu”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Em tradução simultânea, Bolsonaro avisou a Onyx e Guedes que não será novamente desmentido em público. A partir de agora se houve entrechoque de ideias, os dois ministros ficam quietos e quem depois faz o desmentido é o próprio presidente, que está de posse da caneta e pode se livrar dos dois com a maior facilidade. (C.N.).

Bolsonaro tem um ataque de bom senso e desiste da base americana no Brasil

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Bolsonaro mostra que sabe recuar quando está equivocado

Igor Gielow
Folha

Em mais um recuo após a má repercussão da ideia, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) fez chegar aos comandantes militares e oficiais generais da cúpula das Forças Armadas a informação de que não haverá nenhuma base americana instalada no Brasil durante seu mandato. Segundo a Folha apurou com oficiais generais que receberam o recado, a mensagem foi passada pelo ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva.

Bolsonaro havia citado a possibilidade da instalação de uma base dos EUA, país com o qual vem travando uma aproximação agressiva desde que foi eleito, durante entrevista ao SBT na semana passada.

COMFIRMAÇÃO – Seu chanceler, Ernesto Araújo, confirmou a intenção na sequência. Ela foi elogiada, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, pelo secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, que esteve na posse do presidente no dia 1º.

A declaração pegou os militares de surpresa, ainda mais vinda de um egresso das fileiras do Exército conhecido pela retórica nacionalista. O Alto Comando do Exército, centro de gravidade do poder militar brasileiro, expressou seu descontentamento em conversas de seus membros —os generais de quatro estrelas, topo da hierarquia. Azevedo e Silva, que foi do colegiado e hoje está na reserva, conversou com Bolsonaro.

Os EUA possuem mais de 800 bases em cerca de 80 países, mas nenhuma ativa na América do Sul. Estiveram presentes na Colômbia em acordo com o governo local, dando apoio ao combate às Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). Atuaram no Paraguai e, de 1999 a 2009, ocuparam uma base no Equador.

NA COLÔMBIA – No caso colombiano, há talvez mil militares americanos ainda em solo após o acordo de paz entre governo e Farc, em 2016. Mas o plano de estabelecimento de bases locais foi rejeitado pela Justiça do país.

No Brasil, a simples ideia de haver militares americanos instalados permanentemente causa urticária ao alto oficialato. O grau do desconforto, ou de alívio com o recuo, será aferível nesta terça (8): Bolsonaro estará em um almoço em homenagem ao comandante da Marinha.

A ideia da base contraria os princípios de soberania e busca de meios de autodefesa estabelecidos pela Política Nacional de Defesa e pela Estratégia Nacional de Defesa.

AUTORIZAÇÃO – Mesmo que prosperasse, ela precisaria de autorização do Congresso, após o presidente consultar o Conselho Nacional de Defesa.

O Brasil só abrigou militares americanos durante a Segunda Guerra Mundial. Em 1942, a ditadura de Getúlio Vargas cedeu áreas em Natal para operações aeronavais aliadas no Atlântico, em troca de favorecimento político e econômico.

Outra preocupação levantada pelos militares diz respeito a precedentes. A Rússia conversa há anos com a ditadura chavista da Venezuela sobre instalar uma base na costa caribenha do país, e poderia se sentir estimulada por um movimento do gênero do Brasil. De quebra, uma base russa cairia como uma luva para o acossado governo de Nicolás Maduro, cuja reeleição foi denunciada por Brasil e outros.

OUTRA HIPÓTESE – A China, que vem comprando posições na exploração de commodities e na área de energia na região, também poderia buscar alguma parceria, trazendo elementos exógenos à tradição neutra da região.

A sugestão de Bolsonaro também causou preocupação na Força Aérea Brasileira, mediadora das negociações para o estabelecimento de um acordo com os americanos para o uso comercial da Base de Alcântara, que tem uma das melhores posições geográficas para lançamento de foguetes do mundo.

O temor era que a discussão de uma outra base americana fosse levada ao Congresso, confundindo com o papel da base de foguetes, totalmente diverso, melando o acordo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Bolsonaro, mais uma vez, demonstra que sabe recuar quando está errado. É uma qualidade rara, mas está cometendo um erro estratégico, ao falar demais e ter ideias demais. Precisa focar nos principais problemas brasileiros e fazer a equipe trabalhar de acordo com os interesses nacionais e não em obediência a interesses externos. É isso que se espera dele. (C.N.)

Matérias políticas e econômicas são inteiramente gratuitas; publicidade é outra coisa

Charge/tutorfreebr.blogspot.com

Charge do André Dahmer (O Gloobo)

Pedro do Coutto

Na manhã desta segunda-feira, ao dar posse aos novos presidentes do Banco do Brasil, BNDES e Caixa Econômica Federal, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que daqui para frente todos os jornais e emissoras de televisão vão passar a receber verbas semelhantes, não havendo qualquer diferenciação por parte do governo, incluindo as empresas estatais. Assisti à solenidade pela Globonews, e me deu margem a colocar meu pensamento a respeito da informação do Presidente da República.

Aliás, sugiro a ele que explique melhor a diferença entre o noticiário político, econômico, administrativo e social, para evitar interpretações equivocadas a respeito do jornalismo.

GRANDE DIFERENÇA – Jornalista há mais de 60 anos, me sinto à vontade para opinar. Faço isso para que fique bem clara a divisão entre jornalismo e publicidade comercial ou institucional. Muitas pessoas acreditam que tudo o que sai nos jornais, revistas e através das emissoras de rádio e televisão, é pago como se fosse uma relação de trabalho ou, o que é mais grave, de cumplicidade.

Engano total, fazendo a ressalva de que a opinião pública muitas vezes se engana. Por isso, aproveito a oportunidade para que os leitores deste site observem bem a questão.

A publicidade comercial ou institucional é paga por anunciantes e pelo governo quando este desencadeia campanha para fortalecer as instituições, ou para avisar a população de algum programa coletivo. A diferença é que a publicidade comercial tem como objetivo ampliar seu mercado.

JORNALISMO – O mercado da informação é outro, é gratuito, e quando os jornais e emissoras de TV percebem que esse ou aquele profissional está usando a imprensa escrita, falada ou televisionada para situações pessoais, demite o profissional imediatamente. Demite também quando percebe que ele paralelamente encontra-se a serviço de uma agência de publicidade ou de uma agência de comunicação. O jornalista não tem o direito de usar como seu um sistema de comunicação que não lhe pertence. São várias as situações assim e o desfecho é sempre o mesmo.

Vale acentuar ainda um outro tipo de envolvimento. Empresas do governo contratam agências de comunicações e relações públicas para divulgar assuntos de seu interesse. Este aspecto contém uma carga venenosa. As agências terminam se limitando a projetar notícias nas redes da Internet. E quando prestam conta esquecem propositalmente a verdade.

APENAS REMESSA – As estatais e órgãos do governo terminam aceitando tal desempenho porque não cobram onde as notícias foram publicadas. Portanto, confundem remessa de noticiário com sua publicação nos jornais e nas emissoras de rádio e televisão.

Poderei voltar ao assunto em outro dia. Mas creio que este artigo seja suficiente.

A esperança nos serve até na hora da morte, dizia Augusto dos Anjos

Resultado de imagem para augusto dos anjos frasesPaulo Peres
Site Poemas & Canções

O paraibano Augusto dos Anjos (1884-1914) mostra neste soneto que a esperança é a panaceia para todos os sentimentos e momentos do viver, inclusive, na espera da morte.

A ESPERANÇA
Augusto dos Anjos

A Esperança não murcha, ela não cansa,
Também como ela não sucumbe a Crença.
Vão-se sonhos nas asas da Descrença,
Voltam sonhos nas asas da Esperança.

Muita gente infeliz assim não pensa;
No entanto o mundo é uma ilusão completa,
E não é a Esperança por sentença
Este laço que ao mundo nos manieta?

Mocidade, portanto, ergue o teu grito,
Sirva-te a crença de fanal bendito,
Salve-te a glória no futuro – avança!

E eu, que vivo atrelado ao desalento,
Também espero o fim do meu tormento,
Na voz da morte a me bradar: descansa!

Convidado a depor sobre Queiroz, o deputado Flávio Bolsonaro não diz se vai ou não

O senador eleito Flavio Bolsonaro 23/10/2018 Foto: Sergio Moraes / REUTERS

Flávio Bolsonaro afirmara estar à disposição das autoridades

Marco GrilloApesar de ter afirmado que está “à disposição das autoridades” para contribuir com a investigação sobre o ex-assessor Fabrício Queiroz , o senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) ainda não respondeu ao convite do Ministério Público do Estado do Rio (MP-RJ) para prestar depoimento na quinta-feira. Por ser parlamentar, Flávio Bolsonaro pode indicar a data em que deseja ser ouvido, o que também não fez.

A solicitação foi encaminhada em 21 de dezembro, quando Queiroz faltou pela segunda vez à oitiva marcada pelo MP-RJ, alegando razões de saúde. Dias depois, o ex-assessor disse em entrevista ao SBT ser um “homem de negócios”, o que explicaria a movimentação em sua conta, classificada pelo Coaf de “atípica”.

ESTÁ SUMIDO? – A assessoria do senador eleito disse que não conseguiu localizá-lo para responder se ele compareceria ao MP-RJ.  De acordo com o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), foi registrada movimentação financeira de R$ 1,2 milhão, considerada atípica, nas contas do ex-assessor de Flávio Bolsonaro. Queiroz recebeu sistematicamente, em suas contas bancárias, transferências e depósitos feitos por oito funcionários que foram ou estão lotados no gabinete parlamentar de Flávio na Alerj. A suspeita é que o caso constitua desvio dos salários dos assessores, mas até agora não há provas que envolvam Flávio Bolsonaro em irregularidade.

Entre as movimentações atípicas registradas pelo Coaf, há também a compensação de um cheque de R$ 24 mil pago à futura primeira-dama, Michelle Bolsonaro, além de saques fracionados em espécie. O presidente eleito afirma que o cheque é parte do pagamento de uma dívida de R$ 40 mil.

QUATRO FALTAS – O ex-assessor faltou quatro vezes a depoimento marcado no Ministério Público Federal, nas duas primeiras, foi instruído pelos advogados a não comparecer, nas duas últimas, alegou problema de saúde. Em entrevista ao SBT, Queiroz disse que o valor em dinheiro que movimentou em suas contas é fruto da compra e venda de veículos usados e que um câncer o impossibilitou de prestar depoimento.

Ele não explicou por que recebeu tantos depósitos de assessores de Flávio em sua conta e nem a origem do dinheiro. Limitou-se a dizer que vai esclarecer o assunto para o Ministério Público. Na entrevista, o ex-assessor também procurou eximir de responsabilidade Jair Bolsonaro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Primeiro, Flávio Bolsonaro disse que o ex-assessor deu “uma explicação plausível”, sem jamais diz qual era; depois, afirmou que seu gabinete “não é quartel” para vigiar os empregados. Disse também estar à disposição das autoridades, mas não se sabe se vai depor. Eu aposto que não vai. Quanto ao ex-assessor Queiroz, estão como Paulo Maluf e Jorge Picciani, em grave estado de saúde, não pode prestar depoimento, mas teve saúde suficiente para dar uma longa entrevista ao SBT, todo risonho e serelepe, mentindo mais do que bula de remédio. (C.N.)