Constituição e Lei Eleitoral impedem que haja candidaturas avulsas nas eleições

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Charge do Angeli (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Os repórteres Amanda Pupo e Rafael Moura, edição de ontem de O Estado de São Paulo, revelaram que o ministro Luis Roberto Barroso adiou para depois de outubro a resposta a pedidos de algumas pessoas que desejam concorrer às eleições como candidatos avulsos. Barroso, na minha opinião, adiou a resposta negativa, isso porque candidaturas avulsas colidem com a Constituição Federal e também com a Lei Eleitoral, que condicionam diretamente qualquer candidatura ao registro de filiação partidária anterior a seis meses do pleito.

De outro lado, a Lei Eleitoral estabelece normas para que os partidos tenham existência legal e assim possam inscrever seus candidatos e candidatas.

FILIAÇÃO – Portanto, ninguém pode se candidatar se não estiver filiado a alguma legenda. Isso de um lado. De outro, o critério de acesso ao horário eleitoral gratuito está condicionado percentualmente às respectivas bancadas na Câmara Federal. E em terceiro lugar existe a mesma condicionante para percepção de recursos financeiros do Fundo Eleitoral.

Podemos acrescentar que, se pudesse haver candidatos avulsos, eles poderiam chegar, digamos, em torno de mil candidaturas.  Seria um absurdo completo e o Tribunal Superior Eleitoral, evidentemente, não poderia, através dos TRES de cada estado, fornecer registro a esse imenso número. Não haveria como incluir os avulsos na computação dos votos.  Constituição e lei eleitoral impedem candidatos avulsos nas eleições

BOM SENSO – Em matéria de eleição, qualquer análise deve ser precedida e baseada no bom senso e na possibilidade de qualquer eleitor ou eleitora analisar a legislação e, como se isso não bastasse, conseguir perceber a realidade dos fatos. Acontece isso com frequência. Às vezes, as dúvidas substituem pontos concretos de apreciação do universo do voto.

Por exemplo: na tarde de ontem, no Studio I, GloboNews, foi comentado o tema abstenção. Na verdade, analisando-se bem o fato, verifica-se o seguinte: toda vez que um recadastramento eleitoral se distancia mais da próxima eleição, faz parecer que a abstenção avançou amplamente. Engano. Pode-se medir o desinteresse em torno de candidaturas projetando-se os percentuais de votos nulos e brancos. Mas não com base na abstenção, porque é preciso levar em conta a taxa de ortalidade no Brasil que é de 0,7% a/a.

DESINTERESSE – Dificilmente as famílias procuram a Justiça Eleitoral para comunicar a morte de parentes. Tem também que se considerar que a cada 12 meses pessoas completam 70 anos de idade. Há pessoas também doentes com dificuldade de locomoção. Além disso, o voto não é obrigatório para os eleitores e eleitoras entre 16 e 18 anos. Sem dúvida, está havendo desinteresse pelo desfecho da sucessão presidencial e também das eleições para governadores. O quadro, hoje, está marcado pela falta de estímulo que causa forte desinteresse pelo voto nas urnas.

A sucessão presidencial é o maior exemplo. Basta ler as mais recentes pesquisas do Datafolha e do Ibope. Disso resulta a tese de que fossem domingo a definir em quem votariam. O quadro das preferências continua gelificado. Bolsonaro, Marina e Alckmin, este último muito abaixo do que ele poderia esperar.

Falei em esperar, é o que o eleitorado brasileiro mais faz no passar dos anos, assistindo um processo que só funciona para garantir o mandato dos eleitos.

Mansão de Roberto Marinho agora é mais um centro da eterna história da arte

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Casa onde Marinho morou foi transformada em museu

Pedro do Coutto

Sábado – véspera da vitória da França – fui visitar a mansão onde morou o jornalista Roberto Marinho e que agora transformou-se em centro de arte exposta ao púbico. A amostra reúne grande número de quadros de Debret, Guinard, Portinari, Djanira, Ismael Nery, Milton da Costa e Tarcila do Amaral, entre outros autores cujas obras da mesma forma que acabei de citar ganham também espaço no passar do tempo e na admiração que a arte provoca.

Essas obras poderiam ter ficado na propriedade particular dos três filhos do jornalista, mas eles decidiram transformá-las em uma galeria de arte aberta à visitação pública. A entrada no centro é pala Rua Cosme Velho. Fico pensando da importância da iniciativa e também funciona como um marco para que outros milionários adotem o mesmo comportamento.

COLEÇÕES – Não importa que suas coleções não sejam tão numerosas como as de Roberto Marinho mas vale a pena preservá-las. Pois muitas vezes um artista só passa a ser admirado depois de sua morte, o que acarreta a redescoberta e valorização de sua pintura e da escultura que criaram.

A vida é assim. Toulouse Lautrec, por exemplo, só teve o reconhecimento de sua importância estética e de suas cores muitos anos após seu falecimento. Ele morreu aos 37 anos de idade e deixou uma ampla coleção de quadros que ficaram como marca estética e colorida do Moulin Rouge, que se tornou famoso e sempre visitado por turistas. 

Assim é a arte, assim são a percepção e a emoção humanas diante dos trabalhos que viajaram com seus artistas pelos tempos afora. Podíamos encontrar muiitos outros casos.

MONALISA – A pintura mais famosa do mundo, a Monalisa, foi feita por Da Vinci por encomenda de um comerciante chamado Francesco Giocondo, daí o nome de Lisa Gerardini passou a ser sinônimo de Gioconda, tendência na época em Florença de se estender o nome do marido à mulher. Giocondo e Leonardo se desentenderam, uma vez que Da Vinci estava custando a terminar a obra. Giocondo desistiu de espera e Leonardo passou o resto da vida com o quadro em sua posse. O tempo o valorizou excepcionalmente e ele foi parar no Louvre, no amplo espaço dedicado às pinturas italianas. 

A distribuição das obras primas pelos grandes museus do mundo me leva à ideia de que alguém ou alguns se disponham a fazer um levantamento dessas obras eternas e as juntarem num livro com as explicações sobre o que representam  e quando foram produzidas. Me lembro não só da ÚLtima Ceia de Leonardo Da Vinci e da Adoração dos Reis Magos, de Rubens, no Museu principal de Madrid.

A história da arte percorre os séculos e se torna inesgotável porque em todos os momentos surgem novos artistas. As obras-primas não têm idade, são eternas, percorrendo o tempo marcado por um relógio sem ponteiros. Esta visualização estou copiando de uma cena  de “Morangos Silvestres”, de Ingmar Bergman.

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VITÓRIA DA FRANÇA, VITÓRIA DO CONJUNTO

Foi de um brilho extraordinário a vitória da França na Copa de Moscou. A equipe provou que no futebol o conjunto é tudo. Aliás, no final de sua vida Einstein estabeleceu uma noção completa: o conjunto não é igual à soma das partes. É próprio de si mesmo.

Governo Temer retalia Ciro Gomes e vai demitir os aliados que o apoiarem

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Marun pensa que a base aliada  pode ser ameaçada

Pedro do Coutto

Numa entrevista às repórteres Vera Rosa e Júlia Lindner, o ministro Carlos Marun anunciou que o governo Michel Temer é contrário à candidatura de Ciro Gomes e vai afastar aqueles que vierem a apoiá-lo. Marun estendeu a ameaça aos partidos que vierem a apoiar o ex-governador do Ceará e que possuam representantes no Poder Executivo. Na minha opinião, nada melhor poderia acontecer com Ciro Gomes do que o fato de receber veto por parte de Michel Temer. Basta ver o grau de impopularidade do presidente, constatado pelas pesquisas do Datafolha e do Ibope. A rejeição a Michel Temer situa-se em torno de 85% dos eleitores. 

Carlos Marun criticou também o chamado Centrão, que tem o apoio do PP, DEM e do Solidariedade. Se o PRB e o PR vierem na corrente que impulsiona a candidatura Ciro Gomes, terão também exonerados os ministros e demais ocupantes por eles indicados.

TAMBÉM OS TUCANOS – O ministro da Coordenação Política do Planalto revelou ainda que serão afastados os integrantes do PSDB que vierem a sustentar a candidatura de Geraldo Alckmin. Isso porque, segundo Marun, o candidato do Planalto é o ex-ministro Henrique Meirelles, embora até hoje nas pesquisas tenha ficado entre o 1º e o 2º andar nas preferências dos eleitores e eleitoras.

Marun ressaltou que o governo volta-se contra todos aqueles que atacaram a reforma trabalhista e o projeto de reforma da Previdência Social. E diz que não tem cabimento que políticos cerrem fileiras ao lado de nomes que não possuam sintonia com o atual governo.

Como o governo tem candidato, o MDB e os aliados outro caminho não têm do que apoiar Henrique Meirelles, disse Marun, lembrando que o Centrão encontra-se representado diretamente no Ministério das Cidades, da Agricultura e ainda a presidência da Caixa Econômica Federal.

CASO DE ALCKMIN – Lembrou que Alckmin recentemente afirmou sua independência do Palácio do Planalto, mesmo pertencendo ao PSDB, que integra o governo com Aloysio Nunes Ferreira no Ministério das Relações Exteriores e muitos cargos em outros escalões.

Seguramente as declarações de Marun vão repercutir no quadro político geral. Principalmente como fator de impulso a candidatura de Ciro Gomes às urnas de outubro próximo.

O que todos os candidatos temem, na verdade, é a hipótese de obterem apoio do presidente Michel Temer. Carlos Marun, porta-voz de tal perspectiva, acabou isolando o Planalto ainda mais no quadro da sucessão de 2018 e prejudicou Meirelles, que é candidato de Temer, mas não quer assumir o fardo.

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CHEGA AO FINAL A COPA DO MUNDO

Final da Copa do Mundo, a partir das 12 horas, com França e Croácia decidindo o primeiro lugar. Uma certa nostalgia, penso eu envolve os brasileiros. Afinal de contas, das 21 Copas realizadas até hoje, o Brasil esteve presente em 7 finais. Desta vez fomos mal e perdemos a estrada das vitórias. Com a atuação diante da Bélgica, não podemos lamentar o resultado. Não jogamos nada, a escalação do técnico Tite foi muito ruim e teve um péssimo desfecho. Apenas isso. Mas continuamos a ter grandes jogadores.

Ministra Carmen Lúcia é contra congelar salários do funcionalismo

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Cármen Lúcia defende o que determina a Constituição

Pedro do Coutto

Reportagem de Luisa Martins, Isadora Perón, Fábio Graner e Vandson Lima, edição de ontem do Valor, revela que a presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Carmen Lúcia, enviou nota ao presidente do Congresso Nacional defendendo a retirada do dispositivo incluído na Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2019, que proibia o reajuste salarial do funcionalismo público, uma vez que essa proibição colide com a Constituição. A ministra, digo eu, tem toda a razão. Pois se a lei em vigor determina que o orçamento de um ano seja no máximo aumentado à base da inflação do ano anterior, tal condição tem que incluir os funcionários públicos, entre eles o dos magistrados.

A inflação deste ano ainda não foi calculada, é claro. Mas o índice de 2017, segundo o IBGE, alcançou 2,9%. Entretanto o governo não aplicou o índice na folha de pagamento e anunciou inclusive que em 2019 o comportamento seria o mesmo.

DIZ A LEI – A manifestação da ministra Carmen Lúcia foi oportuna e importante porque se as despesas têm que seguir a taxa de inflação registrada no exercício anterior, qual a razão de o funcionalismo ser excluído. O funcionalismo integra a máquina administrativa federal e assim não teria cabimento que as despesas gerais fossem elevadas, mas nesta elevação não estariam os vencimentos dos funcionários.

Pode ser considerada positiva a proibição de novas contratações de modo geral, mas repor a inflação aos vencimentos dos servidores é, no fundo, reduzir os salários. Aliás, essa distonia entre a inflação oficial e a reposição inflacionária tem causado inúmeros problemas, entre os quais o apressamento de aposentadorias. O funcionário se aposenta e parte para procurar outro emprego na esfera privada. Direito seu, sem dúvida, mas concretamente atinge o panorama administrativo.

SEM ALTERAÇÃO – Os gastos com o funcionalismo não se alteram em decorrência de aposentadorias. Os recursos financeiros são os mesmos para os que estão na ativa e os que se transformam em inativos. Existe a perspectiva de influir negativamente as contas públicas, cabendo a pergunta se no plano federal os aposentados continuam ou não descontando para a previdência pública. No estado do Rio de Janeiro a cobrança de 14% sobre os vencimentos permanecem.

Argumenta-se, pelo lado do governo, que sustar o reajuste é medida necessária ao controle dos gastos públicos, pois o déficit este ano está projetado em torno de R$ 150 bilhões na passagem de 2018 para 2019. Mas é preciso levar em conta que o déficit, na realidade concreta, é muito maior.

Tanto assim que o Palácio do Planalto refere-se sempre ao déficit primário, não levando em conta as despesas com o pagamento de juros anuais de 6,5% sobre o total da dívida interna do país.

DÍVIDA REAL – A rolagem dessa dívida interna oscila em torno de 200 bilhões de reais a cada 12 meses.

Então surge o déficit verdadeiro das contas do Tesouro com a rolagem do endividamento do país. As notas do Tesouro Nacional caracterizam bem o montante verdadeiro.

Através do tempo os Ministros da Fazenda fogem sempre de tal constatação.

Sem acesso à televisão, influência de Lula cai sensivelmente nesta sucessão

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Charge do Paixão (Gazeta do Povo)

Pedro do Coutto

Reportagem de Gustavo Schmitt e André de Souza, manchete principal da edição de ontem de O Globo, focaliza a decisão da juíza Carolina Lebbos, que rejeitou requerimento do PT no sentido de que o ex-presidente Lula pudesse gravar vídeos e dar entrevistas manifestando seu apoio ao candidato que escolhesse para as urnas de outubro próximo. O pedido foi endossado também pelos advogados que o defendem na justiça. Carolina Lebbos acrescentou que o veto se aplica mesmo que o Partido dos Trabalhadores lance a candidatura de Lula à sucessão presidencial.

Na realidade, se não puder participar da campanha, o alcance de sua manifestação em favor deste ou daquele nome será fortemente reduzida. Pode-se questionar a proibição de que ele veicule sua opinião ao longo da campanha que oficialmente se inicia a 15 de agosto, porque nada pode impedi-lo de enviar mensagens através de pessoas que forem visitá-lo em Curitiba. Mas de qualquer forma sua voz não ecoará com intensidade se pudesse ele aparecer na tela do horário eleitoral.

SOMENTE MENSAGENS – Restam a Lula as mensagens que puder enviar por intermédio de seus correligionários através das redes sociais da Internet. A sucessão presidencial, assim, deixa de contar com o expressivo apoio que o ex-presidente ainda detém. Isso porque tanto as pesquisas do Ibope quanto as do Datafolha, ao longo dos meses, apontam para ele um apoio em torno de 30% do eleitorado brasileiro. É verdade que ele também é o nome em relação ao qual verifica-se a maior rejeição. Porém, rejeição é uma coisa, o voto é outra.

Entretanto como ele não poderá ser candidato, a liderança nas pesquisas significa apenas seu poder de influir na luta sucessória. De qualquer forma o quadro da sucessão presidencial não aponta para qualquer pré candidato um percentual do mesmo nível que as preferências para Luiz Inácio Lula da Silva.

LONGE DE LULA – O máximo alcançado por um pré-candidato é de 18 pontos, acentuando a liderança de Jair Bolsonaro. Marina SIlva vem em segundo com 15 pontos. Permanecendo esse panorama, no segundo turno Marina Silva até venceria Bolsonaro.

Existem algumas dúvidas em relação a outros pré candidatos. A mais acentuada refere-se ao fraco desempenho de Geraldo Alckmin. Sua equipe busca somar apoios, mas isso é problemático. O candidato, antes de mais nada, tem que se fortalecer por si próprio, as alianças vêm em função de sua força eleitoral.

Isso me foi dito em 1963 pelo ex-presidente Juscelino, numa entrevista ao Correio da Manhã. Ele estava absolutamente certo, se o candidato é forte os apoios vêm em decorrência. Ninguém pode se eleger presidente da República se contar essencialmente com apoio de outros políticos e partidos.

Enfim, a decisão da juíza Carolina Lebbos acrescenta mais um capítulo ao cenário político em 2018.

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DIMINUIÇÃO DE SALÁRIO NÃO DÁ VOTO A NINGUÉM         

Reportagem de Bárbara Nascimento e Manoel Ventura, também na edição de ontem de O Globo, revela que na proposta de orçamento de 2019 enviada pelo presidente Michel Temer ao Congresso não estava previsto nenhum reajuste para o funcionalismo público. Nem ao menos um dispositivo que aplicasse a correção à base da taxa inflacionária de 2018.

Portanto, a intenção do Palácio do Planalto era diminuir os vencimentos do funcionalismo. Até hoje ele não aplicou o índice inflacionário de 2017 que foi de 2,9%.

Como pode um presidente pedir apoio eleitoral para qualquer candidato. O funcionalismo vai às urnas em outubro.

O centenário de Ingmar Bergman, segundo André Bazin e José Lino Grunewald

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Ingmar Bergman foi um dos mais maiores cineastas 

Pedro do Coutto         

A Folha de São Paulo publicou, domingo, um suplemento especial dedicado ao cineasta Ingmar Bergman, que, se vivo fosse, faria 100 anos de vida. Foram páginas que fizeram justiça ao grande diretor de cinema. Na quarta-feira, o Estado de São Paulo, no Caderno 2 de cultura, destacou também a importância do diretor, cuja trajetória foi brilhante, incluindo o plano mágico na tentativa de entender a realidade feminina. A obra é importantíssima, chegou ele até onde a visão masculina consegue decifrar. Aliás, busca incompleta, uma vez que o código feminino é indecifrável para o homem, como citou o poeta Décio Pignatari.

A explicação, a meu ver encontra-se no fato de o homem nascer da mulher, o que causa um processo em que fica revelado o código do homem. O nascimento do ser humano representa a ligação mais profunda que pode existir na espécie humana. Pois um ser abriga dentro de si outro ser durante nove meses.

PERSONAGENS – A obra de Bergman destaca a importância da mulher na existência e as personagens são vitais em sua obra. Bergman narrou sua viagem em companhia de atrizes como Liv Ullmann, com quem foi casado por muitos anos, Bibi Andersson e Ingrid Thulin. Sua narrativa cinematográfica por vezes assume um caráter encontrado na literatura de James Joyce, uma vez que a história se interrompe no presente e a câmera se desloca para imagens que os atores têm na mente.

A obra é complexa e Bergman foi descoberto pelo redator chefe do Cahiers du Cinema, André Bazin, e no Brasil foi traduzido com emoção pelo meu saudoso amigo Jose Lino Grunewald. Bazin e JLG traduziram boa parte do enigma do cineasta, destacando as sombras e luzes, os gritos e sussurros dos filmes do diretor sueco.

No Cahiers du Cinema escreveram sobre o universo bergmaniano os então jornalistas Truffaut, Godard, Louis Malle, Bresson, Chabrol, Albicocco e Roger Vadin, para citar apenas estes. Todos eles se transformaram em diretores de filmes franceses e receberam a consagração merecida.

CARREIRA – Falei em “Gritos e Sussurros”, título de um grande filme de Ingmar. Sua carreira despontou em 53 com o filme “Mônica e o Desejo”. Depois surgiram obras-primas como “Morangos Silvestres” e “Persona”. “Gritos e Sussurros”, citei há pouco. Mas a filmografia abrange ainda o “Sétimo Selo”, sobre a importância de Deus na arte e “A Lanterna Mágica”.

O estilo e o ritmo de suas narrativas constituíram a imagem das personagens femininas num espelho, como se ele, Bergman, estivesse do outro lado das imagens. Focalizando e destacando a grande importância de Bergman, creio que os textos de Bazin e José Lino Grunewald representam um momento alto da crítica cultural. Porque de que adianta desancar ou debochar de uma obra de arte, seja ela qual for. Na minha opinião, a crítica deve ser sempre construtiva e estar voltada muito mais para a qualidade do objeto em foco, do que tentar ressaltar seus defeitos. Pois às vezes um artista do amanhã pode ter sua carreira afetada ou anulada por causa da opinião dos outros. 

CONSTRUIR – Assim, é melhor construir do que destruir. Mais difícil, porém, como as pessoas de mente clara acentuam, é reconhecer os méritos alheios, procurando atingir a face negativa da existência. Nas críticas de Bazin e José Lino encontram-se panoramas positivos e não negativos. Essa dualidade, aliás, separa as pessoas, sobretudo os que escrevem nos jornais e revistas. De um lado um jato de luz. De outro a sombra escura.

Para terminar dou um exemplo concreto: o diretor Carlos Manga, atacado por críticos exigentes, poderia ter decidido deixar chanchadas de lado e não se transformar, como ocorreu em importante diretor de imagem e histórias da Rede Globo. Acrescento: o público em geral divide-se em faixas distintas. Não se pode exigir que todos tenham a compreensão no mesmo nível dos críticos. 

Cada fração humana tem seus hábitos e seus gostos. Singularizar a compreensão parte de um caráter supremacista que agride e não tem razão de ser. Bazin e José Lino construíram a face mais humana possível ma arte e na admiração.

Sem despacho monocrático de plantão, como agiria o ministro Gilmar Mendes?

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Charge do Paixão (Gazeta do Povo)

Pedro do Coutto

O procurador-geral da República em exercício, Humberto Jacques de Medeiros, em documento enfocando o episódio de domingo, e que será provavelmente examinado pelo Supremo Tribunal Federal, propõe o fim de despachos monocráticos de plantão em questões ajuizadas nos Tribunais Superiores. A procuradora-geral Raquel Dodge encontra-se de férias e o tema é objeto de ampla reportagem, de Mateus Coutinho e Luis Lima, edição de ontem de O Globo. Humberto Jacques de Medeiros defende a adoção de nova regra parra evitar o vai e vem na esfera judicial.

 A iniciativa do procurador-geral em exercício coincide integralmente com a decisão ontem tomada pela Ministra Laurita Vaz, presidente do Superior Tribunal de Justiça, que ao negar mais uma vez um habeas corpus apresentado para colocar Lula em liberdade, estabeleceu que, no caso específico do ex-presidente, qualquer desfecho terá de ser determinado pelo  STJ e não mais na esfera do Tribunal Regional Federal -4. Laurita Vaz dirigiu fortes críticas ao desembargador Rogério Favreto e elogiou a posição assumida pelo juíz Sérgio Moro.

JÁ TRANSITOU – Na opinião de Medeiros a matéria já teve sua tramitação encerrada na esfera do TRF-4. A mesma posição, exatamente a mesma, assumida pela ministra Laurita Vaz.  De agora em diante, qualquer matéria em torno do ex-presidente Lula terá que passar pelo STJ. O episódio de domingo foi encerrado ontem, e a partir de agora os defensores do ex-presidente terão que sustentar seus requerimentos obrigatoriamente ao STJ. Rogério Favreto ficou fora da questão, da mesma forma o próprio Tribunal no qual Favreto tem uma cadeira.

É claro que o documento elaborado pelo Procurador Geral em exercício vai funcionar para que uma questão essencial seja regulamentada. Caso dos despachos criminais exarados de forma singular pelo magistrado de plantão. O regime de plantão tem abrangido por várias vezes assuntos decididos pelo Ministro Gilmar Mendes. Daí minha pergunta em torno de um dos reflexos da proposição divulgada ontem.

DISTRIBUIÇÃO – A relatoria ou o plantão, por coincidência, têm sido usados para uma série de episódios que apenas funcionam para sustar o andamento de processos que se desenrolam numa série extensa de pessoas e suas respectivas situações. Por exemplo: os casos de liberdade que beneficiaram o ex-ministro José Dirceu, o empresário Jacob Barata, dirigentes da Fetranspor, o fugitivo da noite Rocha Loures e uma ampla lista de outros presos, sejam eles já condenados ou então em prisão preventiva.

Estou citando o Supremo Tribunal Federal porque acho que a ele cabe fixar as normas para resolução do problema levantado  pelo procurador-geral em exercício. Afinal, o STF é o mais alto órgão do Poder Judiciário.

Ia esquecendo um aspecto, o qual lembro agora. A coincidência ocorrida no sorteio de ministros para resolver situações urgentes. Como pode a sorte recair em sequência impressionante nas mãos do mesmo juiz da Corte Suprema?

A desadministração do Rio de Janeiro tem nome: chama-se Marcelo Crivella

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Como prefeito, Crivella se revelou um completo idiota

Pedro do Coutto

Não bastasse o vendaval de corrupção que açoitou o estado do Rio de Janeiro, a cidade atravessa um tempo de completa desadministração. O episódio das prioridades absurdas que teve cenário no Palácio da Cidade é um detalhe a mais, bastante substancial, que deu margem a uma formulação de impeachment por parte do vereador Atila Nunes, e de um requerimento para instalação de uma CPI, apresentado pela vereadora Tereza Bergher.

O prefeito que está marcando sua passagem pela cidade por uma ausência administrativa praticamente total, resolveu estabelecer uma escala de prioridades para operações de catarata. Estranha preferência esta que se restringe àqueles fieis da Igreja Universal. Foi assim que o próprio prefeito Crivella afirmou a um grupo de pastores, inclusive frisando a eles que encaminhassem os escolhidos pelo privilégio a Dona Márcia, que catalogaria os atendimentos.

TAMBÉM VARIZES – Prioridades também, fixou Crivella, para operações de varizes. Além disso, projetou o mesmo caminho para colocação de pontos de ônibus perto das igrejas. Não parou por aí. Acenou também com maior rapidez para que os templos no Rio obtivessem isenção total do IPTU.

Por falar em IPTU, no momento em que o aumento foi fixado, a vereadora Tereza Bergher, então Secretária de Assistência Social exonerou-se do cargo, voltando à Câmara para votar contra o projeto. A majoração do IPTU teve grande dimensão e em muitos casos pesou fortemente para os inquilinos e tornou os proprietários uma espécie de inquilinos da prefeitura.

PREFEITO AUSENTE – Falei em desadministração, com base na ausência do prefeito da cidade. Viaja constantemente ao exterior, como fez no carnaval deste ano, dizendo que sua ida a Alemanha foi para articular o fornecimento de informações técnicas para o combate ao crime e, portanto, para que o sistema estadual pudesse combater o crime de forma mais direta e intensiva.

A justificativa não convenceu a ninguém. Basta dizer que a questão segurança é de responsabilidade do estado e não da prefeitura. Além disso, entidades alemães revelaram não ter conhecimento da ideia imaginada pelo prefeito.

O Rio, antes governado por homens como Carlos Lacerda, Negrão de Lima e Chagas Freitas, perdeu muito com o tempo que separa o ontem do dia de hoje.

CIDADE MARAVILHOSA – Vale lembrar que nos anos 60, 65 e 70 era o Estado da Guanabara. Em 75 Chagas Freitas tornou-se governador do atual estado do Rio de Janeiro, mas concentrou suas ações na cidade, que ainda era maravilhosa.

Agora, além dos privilégios e da omissão, nos deparamos com uma desordem urbana que intoxica a cidade e sua população. Não que caiba ao prefeito combater a violência e o crime organizado, mas cabe a ele pelo menos buscar uma ponte de entendimento com o governador Luiz Fernando Pezão para tentar enfrentar a situação.

Falei em Pezão, que é uma figura decorativa no Rio de Janeiro. Um homem que atrasou durante 30 meses o pagamento dos salários dos servidores estaduais, perdeu qualquer peso capaz de influir nos rumos da administração pública. Aliás, ele foi vice governador de Sérgio Cabral, eleito e reeleito. Espécie de um tipo de maldição contra cariocas e fluminenses. Mas esta é outra questão.

O essencial, agora, está no destino do impeachment apresentado por Atila Nunes, e da CPI levantada por Tereza Bergher, que assinou também o pedido de impeachment contra o prefeito.

TUDO GRAVADO – A reunião de Crivella com os pastores no Palácio da Cidade foi filmada e gravada. Tornou-se dessa forma um registro inapagável do cenário e do elenco da convergência.

De um lado o prefeito, que também é pastor. De outro lado os pastores recebendo tarefas especiais fora das filas de atendimento. O acesso à saúde é um direito universal a todos os habitantes do Rio. A Igreja Universal representa apenas uma parcela da população carioca.

As prioridades de Crivella são a prova de sua desadministração.

A fama inflou ego de Tite e fez com que perdesse a perspectiva como treinador

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Tite deveria ter escalado os melhores, mas foi teimoso

Pedro do Coutto

Faltou ao treinador Tite na derrota para a Bélgica a perspectiva sobre o modo de atuar da Seleção brasileira e tal fenômeno, a meu ver, decorreu do excesso de publicidade a ele proporcionado pelos anúncios mil vezes repetidos nas emissoras de televisão. Foram anúncios em série principalmente do Banco Itau e da Sansung. Era como se ele tivesse o poder de abrir sozinho o caminho das vitórias. Deslumbrou-se e esqueceu que deveria armar a seleção de forma diferente com que ele acabou fazendo. Tite estava provavelmente deslumbrado com o espaço e a importância que se juntaram à sua figura e ao seu desempenho profissional.

Não foi o primeiro caso de deslumbramento que atingiu a seleção brasileira. O precedente ocorreu de forma quase semelhante com o técnico Felipe Scolari na Copa de 2014.

QUESTÃO DE EGO – O comando do futebol não deve ser envolvido com a imagem supervalorizada de qualquer treinador ou jogador. É uma questão de ego. Às vezes dá certo, outras não. Não contesto a legitimidade que tem origem na aceitação do uso da imagem desse ou daquele. Só estou frisando que, em alguns casos, o êxito sobe demais à cabeça e o protagonista sente-se acima do bem e do mal. Quase como se julgasse um ser infalível cuja vontade passaria ser incontestável.

A derrota para a Bélgica demonstrou erros na escalação do time brasileiro. O lateral Marcelo vinha de uma contusão, não estava, como ficou visto, com suas condições atléticas totais. Felipe Luis vinha de ótima atuação contra o México e a lógica indicava que fosse mantido na seleção. Marcelo durante a partida não atacou e muito menos defendeu. Não estava dando para ele correr sentindo-se bem nos 90 minutos.

DOUGLAS COSTA – Gabriel Jesus vinha de atuações ruins, dando a impressão de que sofria o peso da responsabilidade própria da camisa amarela. Deveria ter sido substituido logo no início. Douglas Costa entrou no segundo tempo passou seu entusiasmo para o ataque de nossa seleção. Ja havia ocorrido a mesma coisa na partida contra o México. O bom senso aconselhava que estivesse na equipe ao longo dos 90 minutos. Mas Tite escolheu o caminho oposto, e fez com que ele entrasse para substituir Willian. Na realidade Douglas Costa deveria ter substituído Gabriel Jesus e não Willian.

Mas tudo isso pertence ao passado recente. Entretanto, o deslumbramento com o próprio ego representa um risco para todos aqueles cuja imagem é lançada no campo comercial. Os treinadores e atletas destacados para transportar apelos de fim comercial devem, digo eu, fazerem como o personagem de Nelson Rodrigues e calçar as sandálias da humildade. Isso porque nada pior para os ídolos do que sua própria imagem no espelho.

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E LULA CONTINUA PRESO…

O desembargador Thompson Flores, presidente do TRF-4, tribunal cuja 8ª Turma condenou Lula por unanimidade, anulou o despacho do desembargador Rogério Favreto e deu razão total ao juiz Sérgio Moro que se manifestara contra a libertação do ex-presidente.

A situação de Favreto tornou-se muito difícil no TRF-4. Talvez tenha que pedir aposentadoria, mas parece muito novo para isso.

Informação a Gilmar Mendes: a corrupção nasce do abuso de poder

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Só falta Gilmar culpar a Lava Jato pela corrupção

Pedro do Coutto

Em uma entrevista a Célia Froufe, correspondente de O Estado de São Paulo em Londres, publicada na edição de sabado, o ministro Gilmar Mendes atacou a Operação Lava Jato, que em sua opinião foi canonizada, o que quer dizer transformada em dogma. Gilmar Mendes acentuou que a Lava Jato pensou transformar-se em uma entidade e legislar, mudando o conceito de habeas corpus. Acrescentou que é preciso conter o abuso da autoridade. Completou seu pensamento  criticando o juiz Sérgio Moro.

Não se trata de abuso de autoridade o que Gilmar Mendes destaca. A corrupção maciçamente praticada no Brasil nasce de um processo de abuso de autoridade, já que é praticada por agentes do Estado em conluio com empresários particulares.

NA PETROBRAS – Gilmar Mendes, na minha opinião, na base de suas críticas, esquece, por exemplo que a corrupção na Petrobrás é em si um abuso de autoridade, uma vez que se desencadeou com a divisão política de suas diretorias. Isso sim é abuso de autoridade. Corruptos e corruptores são os personagens principais da história da própria corrupção. O governo Lula, para citar um exemplo, estabeleceu um critério de divisão do comando da estatal por correntes político-partidárias. Verifica-se hoje que o maremoto ocorrido a partir de tal critério atingiu a fundo o conceito da autoridade pública. A ação frenética do empresário Joesley Batista sintetiza em si um abuso de autoridade. 

Além disso, quais as funções desenvolvidas pelo senador Aécio Neves, pelo assessor Rocha Loures, pelo ex-ministro Geddel Vieira Lima,todos eles abusaram do exercício da autoridade de que estavam revestidos. Pode se incluir na trama sinistra o ex-deputado Eduardo Cunha e o ex-ministro Henrique Eduardo Alves.

UM LISTÃO – A lista como todos sabem é bastante extensa e intensa. Uma intensidade que transportou 51 milhões de reais para um apartamento em Salvador. Entre os exemplos de corrupção, deve se acrescentar um fato emblemático: Pedro Barusco, titular de uma das gerências da Petrobrás, devolveu aos cofres da empresa a fortuna de 97 milhões de dólares. Barusco não era diretor, mas comandava, através do abuso de poder, uma gerência que alimentava  a corrupção. Estava abusando do poder.

No Rio de Janeiro, o médico Sérgio Cortes confessou seus crimes de abuso de poder e numa entrevista à Veja admitiu que sua atuação à frente da Secretaria de Saúde proporcionou  300 milhões de reais como receita da corrupção que praticava.

ESQUECIMENTO – O ministro Gilmar Mendes esqueceu todos esses aspectos do universo do crime e atacou a Lava Jato sem culpar os corruptos e corruptores. Se Gilmar Mendes quer uma prova concreta do assalto aos bens públicos, basta que olhe a fotografia do apartamento de Salvador alugado pela família Vieira Lima.

Só pode praticar abuso, em síntese, aqueles que têm autoridade para contratar obras, ordenar pagamentos, redigir contratos superfaturados.

A Operação Lava Jato não praticou qualquer crime. Pelo contrário, destacou como crime de autoridade os roubos contra o sistema estatal.

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A PUBLICIDADE E A DERROTA DA SELEÇÃO

Já com a cabeça fria depois de 48 horas de distância da derrota, deixo para escrever para segunda-feira um artigo sobre o desabamento da seleção de Tite na Copa de 2018. Como aconteceu em 2014 o treinador realizava trabalhos organizados de propaganda. Escalou mal a equipe.

Mas deixo para segunda-feira. Até lá estarei com uma visão melhor para comentar o assunto.

Fracasso da seleção brasileira evidenciou-se logo no primeiro tempo

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O Brasil dominou o segundo tempo, mas já era…

Pedro do Coutto

O fracasso da Seleção Brasileira aconteceu  no primeiro tempo do jogo de ontem. Os primeiros 45 minutos foram um verdadeiro desastre tanto na parte técnica quanto na parte tática. O resultado foi uma tragédia. No segundo tempo melhorou, mas não de forma capaz de compensar os dois gols da Bélgica na fase inicial. A seleção marcou a si mesma do meio campo para frente e sua defesa dava espaços à equipe adversária. No segundo tempo melhorou, mas não conseguimos finalizar os ataques, e eram necessários dois gols para empatar e levar o confronto para prorrogação. O escrete, ontem, foi irreconhecível em campo, levando-se em conta os jogos contra a Sérvia e contra o México.

A melhora veio com a entrada de Douglas Costa e, por isso, fica a pergunta por qual motivo ele não entrou logo no primeiro tempo. Tínhamos o exemplo de sua atuação contra o México, na qual levou a equipe ao ataque com lances criativos. Mas são coisas do esporte.

GOLEIRAÇO – Pela diferença de um gol se vence e por um gol também se perde. Tivemos oportunidades de empatar a partida, mas oportunidades sempre existem no futebol. O goleiro belga fez defesas importantes, porém tem de se considerar que ele estava lá para isso mesmo. 

Taticamente, a seleção brasileira não se encontrou em momento algum do jogo. O fato de ter melhorado no segundo tempo não quer dizer muita coisa: na realidade abrimos espaços em nossas linhas defensivas facilitando a entrada dos belgas e no setor ofensivo afunilamos as jogadas de ataque. A defesa da Bélgica concentrou-se no meio da área e não deu espaço para que penetrássemos. 

A troca de passes ficou muito difícil. A seleção, para enfrentar a concentração defensiva  deveria ter procurado mais os espaços nas pontas do campo. Não fez isso. Aliás não fez quase nada criativo na derrota que desabou sobre nós.

BOLA QUADRADA – No campo da criatividade poderíamos dominar a partida, porém a seleção de Tite terminou o jogo sem sequer atinar para esse aspecto. Jogou quadradamente, a exemplo de como jogam as seleções, por exemplo, da Inglaterra e da Suécia. Adeus à Copa de 2018. Temos que esperar pela de 2022. Coisas do futebol.

Nosso fracasso foi em decorrência mais de nossa própria atuação contraditória do que em consequência do desempenho da Bélgica. Não quero dizer com isso que estou afirmando algo capaz de reduzir o brilho do escrete belga. Pelo contrário. Ele demonstrou o empenho maior do que o nosso. Equilibramos no segundo tempo mas naufragamos nos primeiros 45 minutos. Essa É a história do jogo de ontem.

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CANDIDATOS INVESTEM EM ANÚNCIOS NA INTERNET

A reportagem é de Isabel Fleck, edição de ontem da Folha de São Paulo. A matéria é muito importante, porque demonstra, conforme assinalei em artigo recente, que as inserções nas redes sociais não correspondem à posição dos pré-candidatos nas pesquisas do Datafolha e do Ibope. Isso é um fato.

Além disso, não consigo entender bem por que os stafes desses candidatos decidiram pagar por anúncios na mídia eletrônica quando bastaria apenas inundá-la com mensagens gratuitas. Se cada pessoa que possui um computador pode tornar-se um transmissor de matérias, por que equipes especializadas em comunicação decidem pagar por espaços que em princípio são livres para acesso em geral. Não estou questionando o valor do trabalho das equipes que produzem as mensagens. Elas têm que receber pela tarefa. Estou me referindo à aquisição dos espaços existentes nas redes sociais.

Essa matéria, espero comentá-la mais adiante, cotejando o volume de apelos nas telas e a posição dos candidatos nas escalas do Ibope e do Datafolha.

Embalada, a seleção parte para nova etapa rumo ao hexacampeonato

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De volta à equipe, Marcelo é sempre um show à parte

Pedro do Coutto

Exatamente isso. A seleção brasileira dentro de poucas horas enfrenta a Bélgica e vamos torcer para a vitória que nos aproximará do desfecho da Copa do Mundo de 2018. Estamos na 21ª taça mundial, percurso iniciado em 1930 no Uruguai, e que agora tem a Rússia como grande palco proporcionado pela televisão. Nas vinte copas disputadas até hoje o Brasil foi à final 7 vezes. Praticamente no índice de 30%.  Vencemos cinco copas e perdemos duas finais. Na estrada do esporte prevaleceu a qualidade e a magia de seleções em várias épocas.

Escrevo este artigo na tarde de quinta-feira e sei que o jogo começa as 15 horas. Por isso vou aguardar o resultado para voltar a comentar o tema chamado futebol.

CONFIANÇA – A torcida brasileira, depois das vitórias contra a Sérvia e o México, voltou a confiar em nossa capacidade de chegar mais uma vez ao título mundial. A equipe se reencontrou consigo mesma e com o chamado futebol arte. Porém, futebol não se ganha na véspera e depende tanto de ações ofensivas quanto defensivas.

Nesse ponto ganha importância a reportagem de Camila Matoso, Diego Garcia, Guilherme Garcia, Luis Consenzo e Sérgio Rangel, edição de ontem da Folha de São Paulo, a qual destacou a importância também da tática colocada em prática pelo treinador Tite. A matéria da FSP lembra, com oportunidade, o êxito também do setor defensivo. Em cinco partidas disputadas até agora, a seleção de ouro sofreu apenas um gol. Isso de um lado. De outro, a mobilidade do time, tanto atacando quanto defendendo. Nossa seleção também foi a que menos faltas cometeu.  A reportagem da FSP exibiu o que chamou de radiografia da defesa brasileira. Quadros estatísticos forneceram a comparação. 

EFICIÊNCIA – Realmente, a atuação do escrete brasileiro tem sido tão eficiente ao atacar quanto no defender. Alcança, assim, um patamar de alta importância porque, digo eu, a movimentação veloz da equipe tem apresentado a rapidez tanto no ataque quanto na defesa. O time vai a frente em bloco e em bloco também recua para a defesa. Isso aconteceu nas partidas em que derrotamos a Sérvia e o México.

Essa dualidade positiva finalmente passou a entusiasmar parte da população brasileira, Ainda não chegamos, e talvez não cheguemos ao clima de 70, 94 e 2002, quando as ruas estavam cheias de bandeiras e pintadas, alegria plena e confiança no êxito. É verdade que o desastre tanto do governo federal quanto o do Rio de janeiro, funcionaram para causar profundo desgosto na maioria da população, além de um sentimento de revolta que permanece no caminho para as urnas de 2018.

ENTUSIASMO – Porém o futebol talvez seja um panorama que nos levará ao entusiasmo perdido. Ontem mesmo, na véspera da partida de hoje, mais um escândalo explodiu no Ministério do Trabalho. Nesse caso, as substituições realizadas foram um verdadeiro desastre moral.

Voltando a seleção, vamos aguardar para que Neymar continue jogando de  primeira e participando do expresso da vitória. 

A vitória depende do conjunto e da atuação solidária de todos os jogadores. O Brasil aproxima-se da fase decisiva. Amém.

Sarampo e poliomielite retornam ao cenário do Rio de Janeiro e do Brasil

Vacinação contra poliomielite deve ser administrada aos 2, 4 e 6 meses de vida

Em 312 municípios a vacinação atinge menos de 50%

Pedro do Coutto

Reportagem de Flávia Junqueira, Ana Paula Blower, Ana Lucia Azevedo, Renata Nariz, Rayanderson Guerra e Cesar Bayma, em O Globo, destaca o fato do sarampo voltar a preocupar a população do país, especialmente no Rio de Janeiro,  em que casos suspeitos alertam para o risco de retorno da doença que inclusive já causou um surto na região norte do país. No RJ os casos já registrados acenderam sinal de alerta confirmado por especialistas sobre o avanço da doença.

O último contágio da doença ocorreu em 2014. As campanhas de vacinação não têm no momento atual alcançado o êxito que marcou as precedentes no passado. A população carioca e fluminense não aderiu maciçamente aos apelos feitos, entre os quais o da Organização Panamericana de Saúde.

IMIGRANTES – Em Roraima aconteceram 177 notificações. Relativamente ao Norte existem informações de que o contágio foi provocado pela entrada em grande número de imigrantes venezuelanos. No Amazonas já foram confirmados 263 casos.

O problema é gravíssimo, porque  o sarampo há vários anos não assinalava incidências no Brasil. As campanhas de vacinação, de acordo com estudo da UFRJ e registros no Hospital Copa d”Or, revelaram casos suspeitos  da incidência. Até na sede social do Joquei Clube Brasileiro, no centro do Rio foram colocados cartazes alertando que no prédio verificaram-se casos nos últimos dias.

SEM OVERDOSE – A presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Isabela Balalai chamou a atenção para o problema afirmando não existir overdose de vacina. Assim caso a pessoa não encontre o cartão que prove ter sido vacinada, não existe problema em se vacinar novamente.  É melhor vacinar, sobretudo porque vacina não faz mal a saúde.

No Rio de Janeiro, digo eu, a atuação dos órgãos de saúde ao longo dos últimos governos foi verdadeiro desastre. A corrupção tomou conta das escalas administrativas, fenômeno dramático revelado pelo ex-secretário Sérgio Cortes que, em entrevista recente a revista Veja, admitiu ter desviado mais de 100 milhões de reais da Secretaria no redemoinho da corrupção que devastou a cidade e o Estado. Realmente, sob este prisma a corrupção causou a morte de muitas pessoas, desfecho trágico que certamente teria sido evitado se as verbas fossem destinadas para medicamentos, e não consumida nos especialíssimos vinhos franceses em restaurantes da mais elevada qualidade. Isso aconteceu há cinco anos atrás, mas os efeitos tanto do roubo quanto da inércia prolongam-se nos dias de hoje.

GRAVE AMEAÇA – O sarampo é uma ameaça tão grave quanto ao aspecto amedrontador da poliomielite. A vacinação é fundamental. Para isso, é necessária a participação direta de toda a sociedade.

Mas há um descrédito generalizado que tem origem no roubo desenfreado que se espalhou na área estadual e também na área federal. Os governantes de ontem e de hoje são os maiores responsáveis pelo que está acontecendo. Eles não desferiram o golpe da morte, mas o permitiram, por paralisação do compromisso para com o povo, e casos fatais acontecem numa sequência alarmante.

Alguns responsáveis estão na cadeia, e o médico Sérgio Cortes quer devolver 300 milhões de reais ao poder público.

Três temas: os salários congelados, o gesto de Neymar e os juros dos bancos

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Neymar pretende que não haja críticas a ele

Pedro do Coutto

O artigo de hoje divide-se em três partes. O senador Dalirio Reber, relator do Projeto de Lei que fixa as diretrizes orçamentárias, apresentou emenda congelando por tempo indeterminado os salários dos funcionários públicos federais. Incrível, a iniciativa não faz nenhuma referência aos preços que refletem os índices de inflação. Quer dizer redução de vencimentos, pois todos sabem que o índice do custo de vida, como é natural, sobe independentemente do congelamento salarial dos funcionários. O senador, ao defender seu projeto, diz simplesmente que, adotada sua ideia, a iniciativa proporcionará uma economia de 5 bilhões de reais em 2019. Dalirio Reber está pouco se lixando em relação ao destino dos servidores federais.

Reportagens de Liliana Tomazzeli, O Estado de São Paulo, e matéria de Marta Becker, em O Globo edições de ontem, focalizam muito bem o absurdo de um projeto que traz consigo uma escala de diminuição dos valores do trabalho.

GESTO DO CRAQUE – Relativamente a Neymar, observando-se com atenção a fotografia de página inteira, publicada em O Globo, também de terça-feira, interpreta-se a imagem prestando-se atenção no gesto que ele fez com o dedo indicador sobre os lábios como se estivesse rebatendo as opiniões maciças da torcida brasileira sobre seu modo de atuar.

O atacante confundiu as situações. Ele deveria era agradecer a todos aqueles que opinaram dizendo que estava prendendo demais a bola, não a soltando de primeira, driblando em excesso. Foram três comportamentos que prejudicaram o time brasileiro no empate com a Suíça. A partir do jogo contra a Sérvia ele mudou. Para melhor, e confirmou esse avanço apresentando excelente desempenho contra o México.

Quer dizer: foram as críticas que o levaram para jogar muito melhor e sua grande habilidade com a bola e colocação nos es´paços do gramado. O treinador Tite – tenho a certeza –  transmitiu a Neymar o modo de jogar corretamente, lembrando-lhe que no futebol ninguém vence sozinho. Futebol, repito mais uma vez, é conjunto.

JUROS EXTORSIVOS – Vamos ao terceiro assunto. Os quatro grandes jornais brasileiros, O Globo, Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e o Valor publicaram com destaque a decisão dos grandes bancos de aceitar as recomendações do Banco Central sobre os juros extorsivos cobrados nas dívidas de clientes para com a utilização dos cheques especiais.

Esses juros passavam de 300% a/a. Se os bancos recuarem para juros anuais de 40%, é porque a inadimplência estava ameaçando a rentabilidade da constelação bancária. Agora, a partir deste mês se as dívidas com cheques especiais passarem de 15% de seus limites, as agências bancárias podem estabelecer que os clientes envolvidos sejam chamados à negociação.

O caso é o seguinte. Se a dívida acumulada ultrapassar a faixa de 15% sobre o limite oferecido, os devedores serão convocados a aceitar o financiamento da dívida por juros menores que, no crédito pessoal passam um pouco de 40%a/a.

INADIMPLÊNCIA –  É sinal que está ocorrendo uma inadimplência em larga escala, que levaria a uma cobrança impossível de resgatar. Os bancos não poderiam executar as dívidas, pois isso demandaria, em função do número de devedores, muitos anos na tramitação judicial.

O desfecho homologado pelo Banco Central é a prova concreta do processo de desvalorização seguida da capacidade de pagamento dos assalariados. É verdade que muitas pessoas agem de forma irresponsável, porém a capacidade de cobrá-las não resultaria em nada para os estabelecimentos bancários.

Seleção joga grande partida e continua na estrada para o hexacampeonato

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Neymar e Gabriel Jesus se exibem no balé da vitória

Pedro do Coutto

De fato a Seleção Brasileira jogou uma grande partida ao derrotar o México por 2 X 0 e assim continua percorrendo a estrada e os obstáculos para a conquista do hexacampeonato. A partida foi duríssima, mas o escrete atacou em bloco e retornava também em bloco para as ações defensivas. Futebol não se ganha só do meio para frente. É preciso cobertura compacta na retaguarda. A seleção atuou assim em todos os momentos da partida. Creio que agora os brasileiros e brasileiras se motivem para o confronto de sexta-feira contra a Bélgica, as 15HS.

Neymar soltou mais a bola, adaptou-se ao desempenho em conjunto e teve intuição para completar a bela jogada de William que da linha de fundo cruzou para a área mexicana. O segundo gol, de Firmino, resultou de um passe seu. Mas esses são detalhes da competição. O importante, até mesmo essencial, é a seleção mover-se em conjunto atuando de forma solidária tanto na área do México quanto na sua própria defesa.

FORTE BLOQUEIO – O futebol evoluiu muito nos últimos tempos, inclusive porque todas as equipes possuem táticas de bloquear as jogadas do time adversário. Antigamente não era assim. Havia mais espaços nos gramados e os jogos podiam até ser mais bonitos que os de hoje em dia. Porém, as partidas de hoje em dia exigem, além da habilidade com a bola, maior capacidade atlética para o ir e vir.

Algumas equipes se ressentem da falta de condições físicas. E, às vezes, a ausência de estado atlético conveniente torna-se fator que impede o vigor técnico e a expansão da arte nas histórias de bola. Vamos para a frente, pois estamos nos aproximando de uma conquista inédita no cenário mundial do fascinante esporte.

Tão fascinante ele é que se trata da única competição em que um adversário tecnicamente inferior pode bloquear, pela ocupação dos espaços, a atuação do time que está sendo enfrentado. Vamos torcer novamente na sexta-feira.

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FACEBOOK LIBEROU DADOS DE 87 MILHÕES

Reportagem do Washington Post, traduzida e publicada pela Folha de São Paulo de ontem, destaca o episódio que está envolvendo o Facebook. O Congresso Americano enviou documento de 700 páginas àquela empresa encaminhando para sua direção 1.200 perguntas que estão para ser respondidas a curto prazo. Mas alguns dados já se encontram respondidos. Um deles o que focaliza a entrega de cadastros pessoais de 87 milhões de pessoas a 52 empresas para finalidades comerciais.

 O Washington Post destaca que houve um prejuízo da ordem de 5 bilhões de dólares em decorrência da utilização compartilhada. Mas o Congresso Americano pressiona a direção do Facebook acusando-o de utilizar informações pessoais para fins de comércio sem consultar os usuários. Assim o Facebook, de maneira indevida, apoderou-se de dados individuais que não lhe pertencem.

Os usuários informaram seus dados para se tornarem usuários do sistema, não para que fossem enviados sem consulta aos respectivos titulares.

O Facebook está sendo também objeto de ações judiciais pelas Aple, Amazon e Microsoft. Como se vê, gigantes da comunicação eletrônica envolvem-se conjuntamente para atacar apropriação indébita praticada pelo Facebook.

Realmente, digo eu, o que levou o Facebook a compartilhar dados que não lhe pertencem?

Jornalistas do grupo Globo não podem apoiar candidaturas nem partidos políticos

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Charge do Kayser (O Estado/ AC)

Pedro do Coutto

Em documento de página inteira na edição de ontem, João Roberto Marinho, presidente do Conselho Editorial do grupo, estabeleceu que os jornalistas da empresa não podem apoiar candidaturas tampouco partidos políticos nas próximas eleições. A limitação se refere ao comportamento dos que trabalham naquele grupo nas redes sociais da internet. João Roberto Marinho fixou as novas diretrizes a serem cumpridas pelos repórteres e redatores. O presidente do Conselho Editorial discorreu sobre a importância das redes sociais na internet, destacando que esse universo ressalta o compartilhamento de ideias, fatos e opiniões e também aproximação de pessoas que nem se conhecem.  Chamou atenção para a necessidade de se combater versões e notícias falsas.

Todos os jornalistas que cobrem a economia e a política, em conseqüência, se privam da liberdade de manifestarem publicamente suas opiniões pessoais. Um jornalista, por exemplo, que seja parente de algum artista, tacitamente está impedido de cobrir as atividades dele.  Da mesma forma tal raciocínio estende-se também a situações semelhantes relativas aos campos político e econômico.

RESTRIÇÕES – João Roberto Marinho acentuou que as redes sociais nos impõem também algumas outras restrições. Sabemos que não podemos atuar nelas desconsiderando o fato de que somos jornalistas e de que precisamos agir de tal modo que nossa isenção não seja questionada pela sociedade brasileira.

O documento do grupo Globo determina nítidas fronteiras entre as posições pessoais de cada um e seu comportamento nos espaços do jornalismo eletrônico. O documento não se refere aos artistas da rede globo. E esta ausência pode levar a que a fronteira estabelecida para redatores e repórteres seja estendida aos atores e atrizes. Isso porque se algum artista apoiar uma candidatura ou um partido nas redes sociais o efeito seria ainda maior do que a presença de um jornalista no mesmo campo.

Um jornalista ou uma jornalista não tem o universo de conhecimento público tão grande proporcionado pelas novelas da emissora.

ADITIVO – O presidente do Conselho Editorial destacou ainda que o documento é aditivo das diretrizes anteriores editadas em 2011. Ele recomenda que todos os que trabalham no grupo leiam com atenção o documento e que restrições semelhantes regem por exemplo os jornalistas do New York Times e da BBC de Londres.

O que o documento ressalta, na minha opinião, também se estende à divisão que deve impor distância entre o jornalismo e a publicidade, pois uma coisa nada tem a ver com outra. Muitas pessoas se enganam – acontece em nossa profissão – sobre esse tema. Na verdade, hoje, nenhum jornal deixa de acentuar a diferença entre publicidade comercial e o jornalismo profissional.

Enganos existem em todas as profissões, mas no jornalismo eles têm maior dimensão, pois se trata de comunicação coletiva.

Advogados de Lula querem julgamento só na Segunda Turma do Supremo

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Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Pedro do Coutto

Parece incrível mas é verdade, quase inacreditável, e as repórteres Carolina Brígido e Renata Marins, edição de sábado de O Globo, destacam o recurso indeferido sexta-feira pelo ministro Alexandre de Moraes. O título desta matéria é afirmativo, mas poderia ser interrogativo. Qual o mistério que leva advogados de um réu a recorrerem para que apreciação da iniciativa sejaremetida à turma composta pelos Ministros Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Dias Tófoli, além de Edson Fachin e Celso de Mello. Por coincidência a Segunda Turma do STF vem se celebrizando por libertar condenados e também aqueles que se encontram sob prisão preventiva.

Os votos de Gilmar Mendes, Tofoli e Lewandowski tornaram-se célebres pelo pensamento liberal no qual baseiam suas decisões.Tanto assim que o despacho do Ministro Edson Fachin remetendo o recurso da defesa de Lula para o Tribunal Pleno foi rebatido pelos advogados do ex-presidente. Para eles o plenário de 11 ministros não é conveniente. Conveniente é a composição da Segunda Turma, cujos integrantes já garantiram lugar de destaque no espelho da opinião pública, portanto da sociedade brasileira de modo geral.

GILMAR EUFÓRICO – Esta semana por exemplo, a edição da Revista Veja que está nas bancas exibe na sua capa uma fotografia do ministro Gilmar Mendes dando gargalhada.

Os advogados de Lula ingressaram na quinta-feira com uma série grande de recursos. Todos reivindicando a liberdade do ex-presidente. Mas separados por assunto. Um dos recursos visava um habeas corpus a ser apreciado pela famosa Segunda Turma. Outro recurso para que Lula fosse considerado elegível, em consequência da suspensão da pena na escala de segunda instância, o que não só o libertaria da prisão no Paraná, mas também sua habilitação eleitoral. A acumulação de recursos foi de tal ordem que o ministro Edson Fachin teve de estabelecer prazo para que os advogados escolhessem um tema central e não sua subdivisão em fases diferentes. A reportagem de Carolina Brígido e Renata Mariz acentua que os advogados então recuaram da questão que focalizava habilitação eleitoral.

EM RECESSO – Ocorre que o Supremo Tribunal Federal entrou em recesso a partir de sábado e sua presidente, ministra Carmen Lúcia, mantém-se firme em não colocar na pauta a questão da prisão em segunda instância. Ela sustentou que tal matéria já foi objeto de três julgamentos, dos quais dois em 2016 e um em 2017. Além disso, para evitar problemas ela avocou a si própria o plantão de emergência no STF. Dessa forma ela garantirá a predominância de seu pensamento, evitando ao mesmo tempo qualquer surpresa se fosse outro o ministro de plantão.

Aliás, esta é a segunda vez em que ela se torna plantonista durante os períodos de recesso.

A impressão que se pode ter da controvérsia existente entre a Segunda Turma, Primeira Turma e o plenário integral do STF é de que o tema terá de ser decidido mais uma vez para se tornar absolutamente efetivo.

PRESSÃO DA OAB – Existe uma pressão muito forte por parte de advogados para acabar com a prisão em segunda instância. Claro. Se revogada a decisão anterior do STF, descortina-se um campo profissional altamente rentável para os defensores de criminosos.

Ao mesmo tempo milhares de condenados seriam soltos e ganhariam tempo para percorrer uma nova escala de recursos.

Diz o Ibope: Bolsonaro e Marina iriam ao segundo turno, se eleição fosse hoje

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Bolsonaro e Marina na frente, porém estacionários

Pedro do Coutto

Jair Bolsonaro com 17% e Marina Silva com 13%, este seria o desfecho para o segundo turno se a sucessão presidencial fosse hoje. É o panorama apresentado pelo Ibope na pesquisa que realizou por iniciativa da Confederação Nacional da Indústria, se a disputa no primeiro turno fosse realizada hoje. A repórter Catarina Alencastro focalizou o levantamento em O Globo. O Estado de São Paulo também publicou reportagem de destaque, na edição de ontem, sexta-feira.

Com o passar do tempo, a posição dos pré-candidatos não tem se alterado, tanto nas pesquisas do Ibope quanto nas do Datafolha. Os demais candidatos encontram-se muito abaixo de Bolsonaro e Marina. Ciro Gomes e Geraldo Alckmin ambos têm 8%, os demais postulantes ficam contidos em percentagens mínimas. Alvaro Dias pontuou 3%. Flávio Rocha, Manuela D’Avila, Henrique Meirelles têm aenas 1% das intenções de votos, cada um.

BRANCOS E NULOS – A modificação que a pesquisa de agora acentua desloca-se para medição dos votos brancos e nulos, que somam 33%. A pesquisa não considera a faixa de 18 pontos dos que não souberam responder a pesquisa ou não desejaram. Curioso confrontar-se os brancos e nulos de agora com os brancos e nulos da pesquisa anterior, considerando-se o cenário sem Lula, como deve acontecer. Adicionando-se aos 33% a faixa dos que não responderam a pesquisa chegamos a um patamar de 51%.  No levantamento anterior estavam em torno de 50% os que naquele momento queriam esterilizar o voto .

A tendência, a partir do momento em que se iniciar o horário gratuito na televisão e no rádio, é reduzir os votos brancos e nulos, como acontece em todas as eleições. Isso não quer dizer entusiasmo por qualquer nome, mas sim a disposição de participar que se destaca à medida em que transcorre a campanha política.

COMPARAÇÃO – Dessa forma devemos confrontar os 33% de hoje com os resultados que vão surgir manhã. É verdade, o fato é que eleitores e eleitoras não votam em quem desejariam, mas de acordo com as opções que o quadro partidário oferece.

Lula, quando incluído na pesquisa, registra 31%. Para onde irá seu eleitorado? Isto até agora representa uma incógnita. A pesquisa, de outro lado, ressalta os índices de rejeição, que são altos principalmente em torno de Bolsonaro e de Lula, se este candidato fosse. Quanto ao presidente atual, o Ibope revelou que o índice de rejeição de Michel Temer passa de 80% contra uma aceitação de apenas 4 pontos.

Tal revelação talvez explique o estacionamento de Henrique Meirelles no primeiro andar, com 1%. Dificilmente ele poderá fazer campanha como candidato do Palácio do Planalto. Temer bateu todos os recordes de impopularidade.

Gilmar transforma em vitória a libertação de condenados em segunda instância

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Gilmar Mendes comanda a desmoralização do STF 

Pedro do Coutto

Reportagens de Amanda Cupo e Rafael Marques Moura, O Estado de São Paulo, e de Reynaldo Torollo, Folha de São Paulo, edições de ontem, deram destaque à manifestação do ministro Gilmar Mendes festejando a decisão da Segunda Turma que libertou da prisão os condenados José Dirceu e Cláudio Genu. “O Supremo”, disse Gilmar, “voltou a ser o Supremo”. Analisando-se a essência do caso, inevitavelmente se assinala que o Ministro transformou em vitória a votação de quarta-feira.

Não há motivo para isso. Em primeiro lugar a frase infeliz representa uma agressão aos demais ministros da Corte, especialmente a Edson Fachin e a todos os outros que no ano passado firmaram jurisprudência sobre a prisão em segunda instância, inclusive com apoio dele, Gilmar.

EXAGERADO – O Ministro Gilmar mais uma vez exagera. Em primeiro lugar, porque a decisão pode vir a ser revista pelo Tribunal Pleno, que é composto por onze ministros. Em segundo lugar, significa uma agressão à própria Corte: quer dizer que, se o Plenário modificar a decisão da Segunda Turma, no seu entender, simplesmente voltará a não ser Supremo? É uma contradição chocante e evidente.

A presidente da Corte, ministra Carmen Lúcia, está na obrigação de convocar o Plenário para examinar a procedência ou não das palavras de Gilmar Mendes. Não sei por que Gilmar Mendes, Tofoli e Ricardo Lewandowski formaram uma ilha de pensamento no Tribunal, concedendo habeas corpus a condenados cumprindo penas de prisão.

Eles são contra a prisão em segunda instância, querem condicioná-la ao esgotamento de todos os recursos, porém há outros que têm o pensamento contrário. Gilmar, efetivamente, acusou-os de terem contribuído para que o Supremo deixasse de ser a Suprema Corte do país.

DIVERGÊNCIAS – O choque entre Ministros tornou-se a cada dia mais evidente, como acentuou Reynaldo Turollo, Folha de São Paulo. Há divisões de conceitos e pensamentos. Matéria para ser decidida pelo plenário.

Ontem mesmo, Renata Mariz e Carolina Brígido, em O Globo, publicaram matérias sobre críticas feitas pelo ministro Marco Aurélio Mello à presidente Cármen Lúcia. O motivo é que a presidente do STF manipula a pauta da Corte e não inclui recursos voltados para anular as prisões em segunda instância.

Anular as prisões em segunda instância favorece a opinião maciça dos advogados dos réus que lutam para colocá-los em liberdade e, eles sim, manipulam os reflexos na sua atuação profissional.

IMPASSE – A libertação dos condenados em segunda instância colocaria em liberdade o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e muitos outros cujas condenações se acumulam. O Supremo só será sempre o Supremo, se colocar os direitos e deveres da Justiça acima de objetivos pessoais e profissionais.

A presidente Carmen Lúcia está diante de uma questão que divide a Corte Suprema em relação principalmente aos que só tornaram réus em face da Operação Lava Jato.      

Seleção vence no gramado, mas o STF perde no tapetão da Segunda Turma

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Por que nunca há divergência entre os três ministros?

Pedro do Coutto

São dois acontecimentos que se destacaram nas últimas 48 horas. Ontem, a Seleção brasileira derrotou a Sérvia no gramado de Moscou. Na terça-feira, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal, entre outras questionáveis providências, libertou os condenados José Dirceu e Cláudio Genu mandados para a prisão pelo TRF da 4ª região. Vamos por partes.

A Seleção de Ouro jogou uma boa partida. Neymar prendeu menos a bola, não driblou tanto, voltava para ações defensivas. Não reclamou do juiz e não ofendeu a arbitragem e jogadores adversários. Aliás, fez uma promessa na véspera da partida que mudaria sua presença em campo. Cumpriu. 

EM CONJUNTO – Prevaleceu um conjunto da Seleção, atacando em velocidade com os homens de frente voltando para o meio campo e também para a própria área ocupada por Tiago Silva e Miranda. Felipe Luiz, que substituiu Marcelo teve ótima atuação.

Difícil destacar os desempenhos individuais quando o escrete desenvolveu um trabalho conjunto muito bom. Agora vamos pensar na segunda-feira quando enfrentaremos o México às 11 horas.

O futebol brasileiro revelou estar se encontrando consigo mesmo e ocupando maciçamente todos os espaços da partida. A vitória não foi fácil, a Sérvia jogou bem, prevaleceram a técnica e a tática expostas por nossa Seleção. O técnico Tite, aliás, interpretou bem o resultado contra Costa RIca e posicionou mais objetivamente os esforços conjuntos do time. Uma das modificações táticas, inclusive de importância fundamental foi ter adiantado Neymar aproximando-o da área adversária. A torcida brasileira está festejando e tem motivos para acreditar em nosso sucesso.

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SUPREMO PERDE NA SEGUNDA TURMA

Por que afirmo isso? Simplesmente porque os ministros Dias Tófoli, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski não levaram em consideração a jurisprudência da Corte e por três votos a um deixaram Edson Fachin solitário e libertaram José Dirceu e Cláudio Genu. Como é possível o trio de sempre ignorar que existia uma decisão da Corte sustentando a prisão de condenados em segunda instância?

O relator da matéria, Edson Fachin viu seu parecer tornar-se uma ação simplesmente isolada.

Não foi a primeira vez que Tofoli, Gilmar e Lewandowski assumiram posição totalmente liberal em relação a condenados. Desta vez a decisão que tomaram foi manchete das edições de ontem de O Globo, Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo. No Valor recebeu chamada na primeira página. Provavelmente o acontecimento será examinado pela ministra Carmen Lúcia , presidente da Corte, se houver recurso do relator ou de Raquel Dodge, Procuradora Geral da República ao Plenário.

SEGUNDA TURMA – Uma questão adicional: Por qual motivo os problemas que envolvem condenados caem costumeiramente na Segunda Turma? Todas as ações da Lava Jato são relatadas por Fachin, que é da Segunda Turma, mas os advogados dos réus também agem nesse sentido.

Criou-se praticamente uma rotina. Cabe, então, uma pergunta. Por que motivos, entre Toffoli, Gilmar e Lewandowski, não se encontra uma divergência de voto entre os três?