Nem os petistas nem os adeptos de Bolsonaro podem se queixar da Rede Globo

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Desta vez, não se pode dizer que a culpa é da Globo

Pedro do Coutto

Os fatos servem para desmentir frontalmente as afirmações do PT de Lula e do PSL de Bolsonaro, que atribuem principalmente à Rede Globo campanhas nos meios de informação contra os dois partidos. Para ser justo, a onda de críticas parte sobretudo do PT que vislumbra manobras secundárias m tudo o que acontece.

Na edição de ontem de O Globo, a principal manchete destacava a liderança de Bolsonaro na pesquisa do Ibope e a ascensão de Fernando Haddad. Na véspera, a pesquisa que apontou 28% para Bolsonaro e 22% para Haddad foi o tema principal da Rede Globo, incluindo a Globonews, projetando os dois candidatos que guardam uma distância grande para o terceiro colocado, Ciro Gomes. A distância aumenta se incluirmos Geraldo Alckmin e Marina Silva.

SEM PREJUDICAR – Portanto, as organizações Globo balizaram os resultados do Ibope que conduzem o desfecho entre os dois candidatos no segundo turno. Se as organizações Globo estivessem contra um ou outro, evidentemente a divulgação não teria o destaque e o calor que marcou as edições tanto do jornal quanto das emissoras de televisão. A pesquisa do Ibope foi também manchete de primeira página de O Estado de São Paulo. Poderia eu citar outros jornais, mas seria desnecessário.

O que aconteceu na imprensa anteontem e ontem foi a prova definitiva de que a empresa da família Roberto Marinho não cria fatos e sim os divulga. O mesmo conceito abrange a família de Júlio Mesquita, proprietária de O Estado de São Paulo. Os órgãos de comunicação, felizmente, não têm o poder de criar fatos. Podem destacar mais um fato ou outro, mas não têm o poder de criar situações.

ONDAS DO MAR – Sobre a imprensa, pode-se fazer a comparação com as ondas do mar. Ou seja, pode acelerar a chegada da espuma na areia. Mas não tem o poder, graças a Deus, de devolver essas mesmas ondas ao oceano. Falei em espuma e areia, lembrando-me de Ary Barroso. Assim tem curso a política, o que não deve ter curso é a mentalidade de se ver truques em todas as coisas editadas no universo espacial da comunicação jornalística.

Vale acentuar também equívocos de parte de políticos em relação à imprensa. Antigamente, os grandes jornais tinham candidato a presidência. O Correio da Manhã escolheu JK nas urnas de 1955. O Estado de São Paulo apoiou intensamente a candidatura Jânio Quadros em 60. Que fez o presidente Jânio Quadros na primeira entrevista já eleito: atacou furiosamente O Estado de São Paulo. São coisas do passado.

BONNER E RENATA – No presente os jornais não apoiam candidatos e tampouco as empresas de televisão. Pode se considerar entrevistas inadequadas, como as conduzidas por William Bonner e Renata Vasconcelos. Tais entrevistas assumiram o caráter de inquisições. Mas nesse tom, equivocado a meu ver, o tratamento foi igual para todos.

Enfim, estamos a 12 dias das eleições. Aguardamos a divulgação de mais pesquisas. O Datafolha anunciou mais uma delas para a próxima sexta-feira. Até aqui verifica-se que Bolsonaro e Haddad estão abrindo luz em relação aos demais candidatos.

Eleitoras indecisas vão decidir quem enfrenta Bolsonaro no segundo turno

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Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Pedro do Coutto

Daniela Nogueira, Miguel Caballero e Marcello Corrêa, publicaram reportagem na edição de ontem de O Globo, revelando, com base em pesquisa do Datafolha que 51% da eleitoras ainda se encontram indecisas quanto a escolha do candidato à presidência da República. Essa taxa de indecisão não envolve o eleitorado masculino. Portanto, os candidatos que conseguirem dirigir suas campanhas para valorização e definição de voto das mulheres poderão estar decidindo, na minha opinião, qual dos concorrentes irá decidir as eleições presidenciais enfrentando o candidato do PSL no segundo turno.

As mulheres, pela margem de 52%, formam a maioria do eleitorado brasileiro. Portanto representam em números redondos 40 milhões de votos, cuja definição é fundamental. A impressão que se tem é que essa indefinição traduz uma rejeição a Bolsonaro e uma dúvida em relação a Fernando Haddad, Ciro Gomes e Geraldo Alckmin.

UM DOS TRÊS – Resta saber qual dos três candidatos têm mais chance de chegar na segunda colocação a 7 de outubro. Portanto, as campanhas, principalmente na reta de chegada devem ter como alvo reivindicações fundamentais das mulheres.

Entre as candidaturas existentes poderia se acrescentar Marina Silva, mas isso não ocorre porque ela vem despencando tanto na pesquisa do Datafolha quanto na do Ibope. Sendo assim, cabe a Ciro Gomes e Alckmin procurar arrebatar o potencial de votos que se encontra adormecido no eleitorado feminino.

HADDAD EM ALTA – Fernando Haddad continua subindo nas pesquisas, mas não se sabe se conseguiu motivar até agora o voto das mulheres. À medida que o tempo passa vão se estreitando as mensagens colocadas nas redes sociais e também no horário gratuito da TV e do rádio. Na televisão, Geraldo Alckmin vem desfechando forte onda contrária a Bolsonaro e também a Fernando Haddad. Só que os ataques a Bolsonaro estão sendo mais fortes do que os que estão sendo lançados contra Haddad.

O panorama indica que Ciro Gomes e Alckmin ainda sonham em ultrapassar Haddad a 7 de outubro e decidir o páreo com Bolsonaro.

Vamos ver o que dizem o Datafolha na próxima pesquisa. Os levantamentos terão que incluir, segundo reportagem de Vera Rosa e Felipe Frazão, o movimento que se iniciou  no Centrão e já começa discutir qual a opção da corrente na hipótese  de Alckmin não estar no segundo turno.

Paulo Guedes e Mourão acrescentam ou tiram votos de Jair Bolsonaro?

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Bolsonaro enfim enquadrou o assessor e o vice

Pedro do Coutto

Eis aí uma pergunta interessante. Pelas declarações que Paulo Guedes e o general Hamilton Mourão têm feito, sugiro ao IBOPE e à Datafolha que incluam em suas próximas pesquisas a indagação que está no título da matéria. Uma outra pergunta é para esclarecer o que influi mais nas intenções de voto dos eleitores e eleitoras: a exposição dos candidatos nas redes sociais da Internet ou as aparições dos mesmos candidatos no horário eleitoral da televisão.

É possível que as declarações de Paulo Guedes e do general Mourão não influam nem contra nem a favor, resultando num equilíbrio dos dois polos. Mas é bom esclarecer isso, sobretudo na reta final da campanha, a faixa de tempo em que recuam os votos brancos e nulos e recuam também as indecisões.

PLANO ECONÔMICO – Na edição de ontem de O Globo, reportagem de Flávia Barbosa, Cássia Almeida, Danielle Nogueira e Marcello Correa destaca o plano econômico traçado pelo economista Paulo Guedes, que inclui decisões que não são fáceis de serem contempladas, principalmente às portas das urnas de outubro. A matéria inclui a ideia da privatização de empresas estatais, como é o caso Petrobrás, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. Paulo Guedes diz não aceitar argumentos de que a Petrobrás, Banco do Brasil e Caixa Econômica tenham função em políticas públicas. Portanto, podem ser privatizadas.

Esse pode ser um tema importante na reta de chegada da campanha pelo Palácio do Planalto. Paulo Guedes apresenta também ideias que possui em relação ao orçamento anual do governo federal. Não desistiu também da ideia do imposto único semelhante a antiga CPMF. Vamos ver quais serão os índices a respeito de tais perguntas.

CAVALO E GINETE – O general Hamilton Mourão, matéria assinada por Pablo Pereira, O Estado de São Paulo, lançou uma imagem que, a seu ver, pode exprimir uma ideia bastante ampla de governo. Comparou o país a um cavalo maravilhoso, porém conduzido por mão pesada e pernas frouxas… Acrescentou projetar um jóquei com mãos de seda, porém firmes na condução.

Ao mesmo tempo, na edição de ontem de O Globo, Fernando Henrique Cardoso esclarece que, ao falar na união do centro, estava se dirigindo na verdade aos eleitores e eleitoras do país. Mas como poderia haver reflexos concretos da colocação que fez? Ora, os eleitores não podem votar em mais de um candidato.

Portanto, para a união, é indispensável que as legendas partidárias acerte uma campanha das três legendas. O eleitorado não pode decidir os rumos do quadro partidário. A mensagem do ex-presidente FHC, ao afastar as extremas só pode se dirigir aos eleitores de Alckmin, Ciro Gomes e Marina Silva, além dos demais candidatos que apresentam índices muito baixos. A mim parece que a tese tem em Ciro Gomes o endereço certo.

Guedes quer dar superpoderes à base parlamentar do governo Bolsonaro

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Guedes sonha com uma “ditadura democrática”

Pedro do Coutto

Reportagem de Ascânio Seleme, edição de ontem de O Globo, revela que o economista Paulo Guedes, apontado como ministro da Fazenda no caso da vitória de Jair Bolsonaro, está propondo uma espécie de reforma política que faça com que a maioria de um partido decida todos os votos da bancada na Câmara e no Senado. A proposta superdimensiona o poder parlamentar de modo geral, uma vez que a estrutura partidária do PSL, aconteça o que acontecer nas urnas, não será capaz de fornecer maioria a um hipotético governo Bolsonaro.

A legenda do PSL certamente não elegerá muitos deputados e senadores pois sua estrutura é de pequena dimensão. Assim, Paulo Guedes deve ter em mente a formação de um bloco de sustentação no Congresso. E daí a ideia de que as bancadas sigam determinando os votos de maneira vertical.

É UM SONHO – Paulo Guedes provavelmente sonha com a formação de uma base parlamentar capaz de atribuir situação majoritária em favor dos projetos e iniciativas do governo que dependam da aprovação parlamentar. A reforma da Previdência seria um exemplo da imagem que Paulo Guedes está construindo para depois do segundo turno marcado para 28 de outubro.

O que está por trás do pensamento do economista é estabelecer um tipo de poder absoluto das lideranças das diversas correntes partidárias.

Ele esquece que as três maiores bancadas do Parlamento são do MDB, PT e PSDB. As urnas de 7 de outubro vão decidir se as legendas que hoje são mais fortes conservarão sua força para o amanhã.

DISCRICIONARISMO – De qualquer forma, está caracterizada a tendência discricionária gerada no laboratório político de Bolsonaro, Paulo Guedes e Hamilton Mourão. É bom não esquecer que o mesmo Paulo Guedes, ao lado do general Mourão defendeu uma nova Constituinte elaborada por juristas e aprovada num plebiscito, excluindo a necessidade de aprovação pelo Senado e Câmara Federal. Daí está traçada uma ponte entre o Palácio do Planalto e aqueles que rejeitam a democracia.

 A ameaça deve ser levada em conta, não só pelo eleitorado, mas também pelas lideranças dos diversos partidos. A sombra do regime totalitário está começando a ser desenhada.

Todos devem lembrar da ditadura implantada no Brasil em 1964 e somente abolida em 1985 que levou a Constituição de 88, votada pelos eleitos em 1986.

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REFORMA DA PREVIDÊNCIA POUPA EMPRESAS

Reportagem de Flávia Lima na Folha de São Paulo de ontem mostra que os candidatos ao Palácio do Planalto – no caso, Ciro Gomes, Fernando Haddad, Geraldo Alckmin, Jair Bolsonaro e Marina Silva – expuseram suas ideias sobre a reforma da Previdência Social.

Bolsonaro, Alckmin e Fernando Haddad defendem a substituição do sistema atual por outra modalidade de contribuição. Tal modelo baseia-se na contribuição individual de cada empregado para assegurar sua aposentadoria quando a idade e o tempo de serviço possibilitarem.

Ciro Gomes e Marina Silva, menos radicais do que Bolsonaro, Alckmin e Haddad, apresentam um esboço para uma regra de transição, mas os outros três presidenciáveis desejam a implantação de um novo quadro de contribuição para efeito imediato.

E AS EMPRESAS? – Os que defendem o sistema de contribuição à base de contas individuais parece que se esqueceram da contribuição das empresas, contribuição essa que estabelece um volume de recursos muito maior para o INSS. Basta dizer que os empregados contribuem no máximo com 11% para o teto de 5,6 mil reais.                

A contribuição dos empregadores é de 20% sobre a folha de salários, sem limite.

É tarde demais para acontecer a tal união do centro, proposta por FHC

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Charge do Kacio (kacio.art.br)

Pedro do Coutto

Reportagem de Gustavo Schmitt, Jussara Soares, Fernanda Krakovics, Maria Lima e Letícia Fernandes, edição de ontem de O Globo, destaca a carta pública colocada no face book pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, propondo a união dos candidatos do centro contra o que classifica como “Marcha da Insensatez”, na medida em que polariza disputa entre duas facções extremas. O ex-presidente da República considera um cenário dramático no país caso um dos dois pontos mais distantes, um de outro, poderá se concretizar ameaçando a própria democracia

Como seria a união do centro projetada por FHC nas urnas de outubro? Seria uma união entre Geraldo Alckmin, ao lado de Alvaro Dias? Marina Silva achou tarde demais para a proposta, pois significaria tirar as medidas de alguns personagens com a roupa pronta. Alvaro Dias igualmente descartou a hipótese, enquanto Ciro Gomes acusou FHC de tentar “ressuscitar” Alckmin.

RENÚNCIAS – Ocorre que o projeto de FHC implicaria tacitamente na renúncia de alguns candidatos em favor de um único. Quem seria esse único?, eis a questão. A proposta foi formulada já na quase da reta de chegada do primeiro turno, mas representa uma interpretação grave do quadro institucional brasileiro.

Porém, na altura dos acontecimentos não dá mais, inclusive sob o aspecto legal, tempo para realização de novas convenções partidárias e adesão em torno do nome capaz de unir as correntes do centro.

Claramente Fernando Henrique Cardoso está se referindo às candidaturas de Jair Bolsonaro e de Fernando Haddad. O ex-presidente teme a vitória da extrema direita ou então a da extrema esquerda representada por Fernando Haddad, impulsionado pelo Peronismo de Lula. 

NINGUÉM QUER – A reportagem destaca que os candidatos capazes de formar uma campanha de centro descartaram o movimento proposto. O vice na chapa de Marina Silva, Eduardo Jorge, disse que chegou a propor a Fernando Henrique a colocação do tema agora abordado. Para ele, tardiamente abordado, uma vez que no início deste ano levou a ideia a Fernando Henrique Cardoso que na ocasião não quis levar o assunto a frente. Agora o movimento perdeu o sentido porque ultrapassou a hora adequada. 

Fernando Henrique no momento encontra-se tão preocupado com o destino do país que destacou que busca a coesão política com a sensatez para juntar os mais capazes e evitar que o barco naufrague. 

A alternativa para uma posição de centro terá que ser assumida pelos eleitores e eleitoras já que os partidos não poderão mais substituir os candidatos homologados pelo TSE. Nesta alternativa final, na minha impressão só restaria Ciro Gomes. O povo terá que ser juiz de si mesmo.

Enquanto Ibope e Datafolha convergem, Bolsonaro diverge de Paulo Guedes

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Paulo Guedes criou uma confusão tributária

Pedro do Coutto

Na quase totalidade dos índices, o Datafolha diverge do Ibope apenas em relação a Ciro Gomes. As duas pesquisas convergem quando colocam Jair Bolsonaro e Fernando Haddad nas duas primeiras posições. Convergem igualmente quando colocam Ciro Gomes em terceiro. Entretanto discordam quanto o percentual atribuído ao ex-governador do Ceará. O Ibope o coloca com 11 e o Datafolha com 13 pontos. O Ibope acentua que o terceiro posto reúne também Geraldo Alckmin. O Datafolha não. Registra uma diferença de dois pontos de Ciro Gomes sobre o candidato tucano. O panorama das duas pesquisas é o mesmo, mas vamos ver se nas próximas pesquisas permanecem nas mesmas proporções as três primeiras colocações.

Enquanto isso, Jair Bolsonaro discordou amplamente de Paulo Guedes quando o economista anunciou a criação de um imposto único na base da antiga CPMF que elevaria a carga tributária do país. 

REINA A CONFUSÃO – Reportagem de O Globo, edição de ontem, destaca a confusão que Paulo Guedes causou na campanha de Bolsonaro. Foi chamada de primeira página também em O Estado de São Paulo, com base em reportagem de Tânia Monteiro e Leonardo Sato. Esta confusão deve acarretar reflexos em todo o país até que Bolsonaro dirija sua divergência de forma mais intensa. Ela se encontra desde quinta-feira nas redes sociais da Internet. Calculo que hoje seja matéria para os principais jornais do país.

O episódio, mais uma vez, ressalta o fato de que o poder não se transfere ou dá motivo para o enfraquecimento de governos e candidatos. O poder também não se divide, afirmação hoje histórica de Juscelino Kubitschek. Toda vez que a delegação de ideias ocorre, surgem contradições inevitáveis.

DISCORDÂNCIA – Paulo Guedes ocupou por 24 horas o espaço que cabe a Jair Bolsonaro. Paulo Guedes, destacado por Bolsonaro, inflou demais sua participação e adiantou uma ideia tributária, que, pelo visto não é da concordância do candidato do PSL.

Pois se fosse da concordância de Bolsonaro, este não teria desautorizado a colocação do economista-chefe de sua campanha. De tanto transferir a matéria econômica para alçada de Paulo Guedes, o Economista cresceu de importância e passou, no fundo, a tentar dividir o espaço do candidato a presidência com seu próprio espaço na assessoria. Foi uma espécie de hipnose que o atingiu, atingindo mais ainda o programa colocado por Bolsonaro junto ao eleitorado brasileiro.

ACIDENTE – Assim acontecem acidentes de peso nas jornadas eleitorais para a presidência do país. O efeito foi ruim, porém não creio que vá acarretar uma perda de votos para Bolsonaro. Os eleitores do candidato do PSL estão fechados com ele.

O tema em discussão, daqui para frente é sobre quem chegará ao segundo lugar, transferindo o resultado das eleições para 28 de outubro.

Paradoxo: Ibope mostra que os mais votados são também os mais rejeitados

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Entre os trés, Ciro Gomes exibe a menor rejeição

Pedro do Coutto

A pesquisa do Ibope divulgada na noite de terça-feira e objeto de amplas reportagens em O Globo e do Estado de São Paulo, edições de ontem, apresenta dados surpreendentes em matéria de intenções de votos. Jair Bolsonaro e Fernando Haddad,que ocupam os dois primeiros lugares, são também os mais rejeitados pelos eleitores e eleitoras. Em O Globo, a matéria foi de Marco Grillo. Em O Estado de São Paulo assinam a reportagem Daniel Bramati, Caio Santos, Alessandra Monerá e Cecília do rejo.

O quadro, exposto e traduzido em números, assinala 28% das intenções de votos para Bolsonaro e 19% para Fernando Haddad. O que surpreende, e a meu ver é fato inédito em pesquisa eleitoral, é o fato de 42% manifestarem sua rejeição ao candidato do PSL. Na esteira do levantamento, Haddad é apoiado por 19% e rejeitado por 29.

CRISTALIZAÇÃO – Nesta altura dos acontecimentos, salvo uma surpresa extraordinária, o quadro me parece cristalizado. Bolsonaro e Haddad, ao que tudo indica, serão os dois personagens que vão passar do primeiro turno para o segundo, quando será conhecido o sucessor do presidente Michel Temer. Importante é traduzir as tendências reveladas nas duas últimas pesquisas do Ibope. Bolsonaro subiu de 22 para 28, Haddad de 11 para 19.

Por que eu digo que o panorama se apresenta basicamente cristalizado? Porque Bolsonaro e Haddad revelam uma escala ascendente, enquanto Ciro Gomes estagnou no 13º andar. Geraldo Alckmin desceu de 9 para 7, e Marina Silva recuou de 11 para 6%.

Escrevo este artigo na tarde de ontem, à espera do levantamento do Datafolha cuja divulgação estava marcada para a noite. Assim escreverei amanhã sobre o que o Datafolha revelar na noite do dia 19.

MESMO PANORAMA – Dificilmente haverá mudança significativa no panorama visto da ponte. A sensação é a de que faixas de pensamento político estão ocupadas pelos dois líderes. Caso contrário, eles não manteriam em relação ao 3º colocado, Ciro Gomes, a distância que abriram nas intenções de voto. Acrescente-se que os votos brancos e nulos continuam se reduzindo à medida em que a campanha avança e se aproximam do primeiro estágio de 7 de outubro.

Isso acontece sempre. A campanha esquenta exatamente quando o confronto protagonizado na dança dos números adquire um sentido de competição esportiva. Agora vamos esperar pelo Datafolha.

IMÓVEIS HISTÓRICOS – Há poucos dias escrevi nesta coluna o risco de prédios como o do Automóvel Clube e do Estação Barão de Mauá – Leopoldina – ingressarem na lista na faixa de perigo. O Globo publicou duas reportagens sobre os dois espaços. Agora acrescento mais um prédio abandonado. O do novo Museu da Imagem e do Som, na Avenida Atlântica, cujas obras começaram no primeiro governo Sérgio Cabral e foram interrompidas em seu segundo mandato.  A construção encontra-se paralisada de maneira quase inexplicável, uma vergonha para a cidade.        

A resposta à indagação que faço só pode ser dada pelo desgovernador Fernando Pezão.

Alckmin ataca extremismo de Bolsonaro e peronismo de Lula que sustenta Haddad

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Alckmin vai mudar o eixo de sua campanha na TV

Pedro do Coutto

Numa entrevista a Vandison Lima, o ex-governador Geraldo Alckmin anunciou uma revisão de sua estratégia nas três semanas que faltam para o primeiro turno nas eleições presidenciais. Alckmin destacou que um segundo turno entre Bolsonaro e Haddad representa um risco para o Brasil. Acentuou que Bolsonaro é inexperiente e que Haddad representaria de forma indireta Lula no poder. Por isso ele vai refazer sua presença no horário gratuito da televisão e do rádio, período em que se esgota à meia-noite de 4 de outubro.

Alckmin de acordo com reportagem de Vera Rosa e Pedro Venceslau, O Estado de São Paulo de ontem, enfocou o resultado de uma pesquisa do MDA que ressaltou um avanço na posição do candidato do PT.

PERONISMO – A candidatura Fernando Haddad – digo eu – é sustentada por uma versão que se pode chamar de peronismo através do qual Lula sustenta a candidatura do ex-prefeito da cidade de São Paulo. Por que, na minha opinião a transmissão de votos de Lula para Haddad baseia-se muito mais no populismo do ex-presidente do que em manifestação da extrema esquerda? Simplesmente porque, da mesma forma que no caso de Juan Domingo Perón, a força do PT baseia-se na imagem de um só homem.

A ideologia, para Lula, fica em segundo plano. Ele deseja vencer através da vitória de seu candidato, que aliás custou a aceitar. Não há maior conotação ideológica ou filosófica na sombra de Lula sobre Haddad. Há apenas um desejo de tornar possível a revisão do processo que o condenou. Essa revisão me parece impossível, mas parece factível aos olhos lulistas impulsionando a candidatura Haddad.

DEBANDADA – Alckmin está enfrentando uma debandada da sua base alicerçada no Centrão, com transferências para Haddad e para Bolsonaro. Alckmin completa o vértice do triângulo. Mas esse vértice pode afastá-lo do segundo turno. Alguns leitores poderão até dizer ou se surpreender com a referência que faço ao peronismo. O peronismo, como o varguismo, sempre atacou a esquerda depois de ter flertado com a direita.

No Brasil Vargas elegeu Dutra, na Argentina Perón elegeu a si próprio, Frondizi em 58, elegeu Arturo Illia em 63, Hector Campora em 72 e tornou-se vitorioso nas urnas de 73 com quase 2/3 dos votos. Por isso é que se verifica que o populismo é mais forte do que a esquerda e de maneira indireta pode servir de base para a direita. Encontra-se aí a explicação dos fenômenos Bolsonaro e Haddad.

Nesse quadro Ciro Gomes aguarda o sentido da maré. Ele não tem subido nem caído nas pesquisas. Por falar em pesquisa, vamos comentar depois o levantamento concluído ontem, terça-feira.

Votos brancos e nulos caem quando candidatos entram na reta final

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Pedro do Coutto

A taxa de votos nulos e brancos ainda se mantém bastante alta, conforme revela a pesquisa do Datafolha comentada na edição de ontem da FSP, assinada por Isabel Fleck. No momento existem duas situações: uma retrata os nulos e brancos assinalados na pesquisa que exibe aos entrevistados os nomes dos candidatos. Nesse caso o índice encontra-se na altura de 13%. Outra visão do levantamento acentua que os nulos e brancos elevam-se hoje a 32%. Nesse ângulo a pesquisa foi feita para que os entrevistados se pronunciassem espontaneamente. Aliás esse tema foi objeto de artigo de Carlos Newton, editor desse site, publicado no domingo.

Seja qual for o modelo da pesquisa os candidatos Bolsonaro, Ciro Gomes e Fernando Haddad se destacam. A meu ver, como já disse em artigo anterior, o segundo turno, a 28 de outubro, será decidido entre Bolsonaro e o adversário que resultar da disputa entre Ciro Gomes e Fernando Haddad. Creio que este quadro será o mais provável. Entretanto, em matéria de eleição, como no futebol, ninguém vence na véspera.

É ROTINA – Afirmei que o número de votos nulos e brancos vai cair na semana final da campanha. É o que acontece sempre e, por esse motivo, fica a impressão de que o contingente de decepcionados om a cena política vai se reduzir, mantendo o mesmo índice que foi registrado em 2014, ou seja na escala de 6 pontos percentuais. Hoje a tendência de anular o sufrágio está em 13%, mas 40% desses 13% admitem que podem mudar o comportamento e ir às urnas com o nome e o número dos candidatos em pauta.

40% de 13% são 5,2%. Como a tabela encontra-se em 13%, se a parcela dos que podem mudar de posição se confirmar, vamos encontrar apenas 8% de votos desperdiçados.

PESQUISA QUALITATIVA – Um enigma que vai perdurar até a votação refere-se a qual dos três candidatos principais poderá captar a parcela maior da indecisão. Tal movimento, como sempre, ocorrerá na reta de chegada, ou seja a uma semana antes das urnas de 7 de outubro.

As equipes dos três candidatos devem realizar também uma pesquisa qualitativa para saber como poderão ir ao encontro das dúvidas existentes. Por exemplo. Dos 13% de indecisos, 66% são mulheres e 47% na faixa dos que recebem por mês até dois salários mínimos. As mulheres representam 52% do eleitorado. Os que ganham até dois salários mínimos são 47% dos eleitores.

FIM DA REELEIÇÃO  – Reportagem de Mariana Haubert  edição de ontem de O Estado de São Paulo, revela que dos candidatos  somente Jair Bolsonaro, Marina Silva e Alvaro Dias, defendem o fim da reeleição do presidente da República, governadores e prefeitos.

Eis aí um bom tema para ser traduzido pelo Datafolha e pelo Ibope.

Jornalistas devem colocar temas mais concretos aos candidatos

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Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Pedro do Coutto

A Ombudsman da Folha de São Paulo publicou na edição de ontem artigo importante para o eleitorado que vai às urnas em outubro para eleger o sucessor do presidente Michel Temer.  Paula Cesarino Costa reclama com razão a falta de um conteúdo maior nas entrevistas. Até agora os jornalistas e apresentadores têm se limitado a perguntas genéricas e superficiais, enquanto há uma série de questões capazes de levar os candidatos a responderem de forma mais precisa. Saúde, Segurança, Educação e desemprego, além dos transportes têm sido tratados de forma incompleta. Não basta citar os obstáculos.

Mas principalmente revelar as propostas que possuem e como vão buscar recursos para sua execução. Falta de recurso é um problema crônico no Brasil. Entretanto a reportagem de Loreana Rodrigues e Adriana Fernandes, O Estado de São Paulo, edição também de ontem, focaliza uma questão fundamental que a meu ver, deveria constar das entrevistas.

RENÚNCIA FISCAL – Trata-se da renúncia fiscal que foi incluída no projeto de orçamento para 2019. A mensagem de Michel Temer ao Congresso prevê uma renúncia fiscal na escala de 306,4 bilhões de reais. Esse total inclui um acréscimo da ordem de 23 bilhões em relação as renúncias fiscais calculadas para este ano, 2018. Os incentivos fiscais vêm s repetindo todos os anos principalmente no primeiro mandato de Dilma Rousseff até hoje.

Como pode haver uma renúncia dessa ordem se a lei de meios para 2019 já acusa um déficit de 139 bilhões de reais. Se as renúncias fiscais fossem a metade do 306,4 bilhões, o déficit estaria praticamente zerado. Portanto, surge aí um bom tema para nortear as entrevistas que serão realizadas até o dia 7 de outubro, e a mais importante vai ser a da Rede Globo, a 4 de outubro.

DÉFICIT PÚBLICO – O problema do déficit  público é fundamental e não somente em relação ao esforço para cobrir a escala de 139 bilhões. Este é, como chamam os economistas do governo, o resultado primário. Ou seja, um resultado que não inclui o pagamento de juros pela rolagem da dívida interna da ordem de 3,4 trilhões de reais. O eleitorado gostaria de ter conhecimento mais claro do panorama econômico e social. Até porque o desenvolvimento econômico e social depende da disponibilidade os recursos financeiros do país.

Não soma para o conhecimento geral e sobretudo para iluminar pontos sombrios das despesas públicas perguntas limitadas aos candidatos, que na verdade até agora focalizam os temas sensíveis da política governamental, sem transmitir os meios de que pretendem obter da lei orçamentária para alicerçar seus projetos.

Apontar erros e contradições na política é coisa fácil. Atuar para esclarecer os programas de interesse coletivo é que é difícil. Mas é obrigação dos jornalistas buscar as ideias mais profundas, exigidas pelo país como um todo.

Bolsonaro, Ciro ou Haddad – um dos três será presidente da República

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Pela primeira vez nas últimas eleições, o PSDB está fora

Pedro do Coutto

A pesquisa do Datafolha, publicada sexta-feira, dia 14, em O Globo e na Folha de Sã Paulo, revela uma tendência bem firme, a três semanas das eleições. Bolsonaro subiu, Haddad também e Ciro Gomes manteve o mesmo índice da pesquisa anterior. Vemos assim 26 para Bolsonaro, Ciro 13 e Haddad também 13. Mas o aspecto mais importante desta pesquisa é que os demais candidatos não conseguiram avançar, sendo que Geraldo Alckmin recuou. Falando em recuo, o maior deles foi o de Marina Silva: desceu de 16 para 8%.

O quadro se refere a duas pesquisas: uma realizada a 21 de agosto e outra agora, nos dias 13 e 14 de setembro. Nenhum outro candidato despertou entusiasmo junto ao eleitorado. Tanto é assim que o número dos dispostos a anular o voto ou votar em branco caiu sensivelmente.

BRANCO OU NULO – As intenções de voto no sentido do sufrágio branco ou nulo foram absorvidas por Bolsonaro e Fernando Haddad. Aliás, foram os dois que avançaram. Ciro, embora esteja no páreo, permaneceu no lugar que já estava. Mas seus eleitores manifestaram confiança na sua possibilidade de avançar, caso contrário ele em vez de ficar estacionado, teria descido vários degraus, como aconteceu com Marina Silva, principalmente, e Geraldo Alckmin, que não está demonstrando forte presença na campanha, embora possua maior tempo de exposição na TV e no rádio.

Não é uma questão de marketing, pois marketing só não resolve. Tem que refletir a disposição do candidato e sobretudo pontos concretos em sua plataforma. Caso contrário, as mensagens se igualam na generalidade, não transmitindo a sensação de algo de novo capaz de abrir a esperança dos eleitores e eleitoras.

MESMOS DESEJOS – Este é um ângulo essencial das campanhas políticas. Todas as pessoas são a favor de maior poder de compra, segurança, educação, saúde e melhor transporte.  Essas manifestações igualam as candidaturas. Por isso os que vão votar a 7 e 28 de outubro não recebem uma prova evidente de que tais ideias são para valer.

Mesmo que, no fundo, não sejam para valer, têm que ser convincentes e ao mesmo tempo deslocarem o ânimo dos eleitores para um estágio de maior emoção. Por esse fato é que nas campanhas em busca do voto uns candidatos se destacam em relação aos outros.

SENTIMENTO – A emoção, em grande parte, adiciona-se à razão lógica. Por isso é que os candidatos necessitam acender a chama do sentimento de cada eleitor.

A fase em que nos encontramos, a três semanas das eleições, desloca de forma ponderável o esforço político para uma espécie de competição esportiva.

Um dia Juscelino Kubitschek me disse numa entrevista ao “Correio da Manhã”: o candidato só se sente forte se for capaz de provocar o grito com seu nome nas ruas e praças do Brasil.

Só pode ser piada: dirigente do Itaú diz que a incerteza eleitoral eleva juros

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O banqueiro Cândido Bracher gosta de piadas

Pedro do Coutto 

Numa entrevista a Daniela Meibak e Sérgio Tauhata, edição de ontem do Valor, o presidente do Itaú-Unibanco, Cândido Bracher, afirmou que a incerteza quanto ao desfecho eleitoral deste ano faz praticamente dobrar a taxa de juros cobradas aos clientes, sejam pessoas físicas ou jurídicas.  Acentuou que os juros reais deste ano são de 4,1% a/a, isso levando-se em conta uma inflação em torno de 4,5%, e cotejando-a com a taxa Selic, que é de 6,5% para 12 meses. A afirmação surpreende.

Surpreende porque não vejo influência quanto ao desfecho das eleições sobre as taxas de juros. Eleição se vence ao longo de uma campanha. Ninguém vence na véspera. Assim a incerteza em relação ao resultado final é própria do processo democrático.

TESE INVÁLIDA – Não tem cabimento levantar a tese do presidente do Itaú-Unibanco, uma vez que não pode haver certeza prévia sobre o resultado final. Se assim fosse, o voto popular não teria a importância que tem. Isso de um lado.

De outro, se houvesse a certeza quanto ao rumo das urnas, as eleições em si não teriam grande valor. Portanto, o enfoque de Cândido Bracher é meramente um pretexto para que os juros se mantenham elevados nos dois maiores bancos privados brasileiros, Itaú e Bradesco. Há ainda que considerar uma outra face do enigma colocado pelo banqueiro. Os bancos não são devedores da Taxa Selic, pelo contrário. Os bancos são credores dessa taxa. Pois eles estão entre os titulares de NTNs que lastreiam a dívida interna brasileira, a qual se eleva a 3,4 trilhões de reais.

As incertezas são próprias da existência humana. Agora mesmo tivemos um exemplo: Jair Bolsonaro sofreu um atentado a faca num comício em Juiz de Fora. Alguém poderia prever tal acontecimento? Não, de forma alguma. O trajeto político encontra-se sempre repleto de incertezas e de contradições. Como ficará o quadro eleitoral com Bolsonaro hospitalizado?  Eis aí outra pergunta concreta.

HORÁRIO ELEITORAL – Reportagem de Gustavo Fiorani e Paulo Passos, Folha de São Paulo de ontem, com base em pesquisa do Ibope revela que a audiência na televisão dos programas políticos assinalam uma queda de até 26% quanto ao número habitual de telespectadores. O Ibope avaliou tanto o horário das 13 às 13:25hs como o horário das 20:30hs até 20:55hs.

Em termos de aparelhos ligados nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo o nível de audiência alcança 72% do público habitual e no período das 20:30 a 20:55 abrange 75% de telespectadores e telespectadoras. Como se vê apesar da queda, os índices de atenção permanecem muito altos. Daí a importância da presença dos candidatos nas telas coloridas com mensagens que buscam sensibilizar o eleitorado.

Na carta de apoio a Haddad, Lula fala mais de si mesmo do que do candidato

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Carta de Lula foi lida por Luiz Eduardo Greenhalgh

Pedro do Coutto

Quem ler com atenção e isenção a carta do ex-presidente Lula, de apoio à candidatura de Fernando Haddad, vai verificar, sem muito esforço, que ele fala mais de si mesmo que do candidato do PT.  Reportagens de Sérgio Roxo, O Globo, e Marina Dias Folha de São Paulo, edições de ontem, focalizam o tema. Num curto trecho, Lula sustenta que Haddad vai resgatar a justiça social do país, deixando antever que espera do ex-prefeito de São Paulo uma atuação destinada a apagar as injustiças que tem sofrido. A afirmação dá a entender que nesse rol de injustiças Lula está incluindo sua própria condenação.

Na tarde de ontem, no programa Studio I da Globo News, o jornalista Otávio Guedes analisou objetivamente o que está oculto na carta. Disse o jornalista que a carta, de 60 linhas somente na 38ª Lula se refere a Fernando Haddad.

2ª QUINZENA – De qualquer forma, porém, vamos poder medir o efeito da manifestação na próxima sexta-feira, quando o Datafolha e o Ibope devem divulgar novas pesquisas sobre as urnas de 7 de outubro. Entretanto, penso eu, o quadro vai começar a se tornar mais nítido a partir da segunda quinzena de setembro, valendo acentuar que a seleção dos dois finalistas para o segundo turno somente ocorrerá dois dias antes do pleito, quando a Rede Globo realizar o debate entre os principais candidatos apontados nas pesquisas. Esse programa está marcado para as 22 horas do dia 04.

Inclusive tem que se levar em conta a provável ausência de Jair Bolsonaro,, ausência admitida pelo candidato a vice em sua chapa general Hamilton Mourão. Tanto assim que o general Mourão dirigiu consulta ao TSE para saber se poderá entrar no lugar de Bolsonaro no lance final da campanha.

DIVERGÊNCIAS – No seu artigo de ontem em O Globo, Merval Pereira chamou atenção para as divergências registradas entre as pesquisas do Datafolha e Ibope, divergências colocadas entre o avanço e recuo de candidatos principalmente Ciro Gomes e Marina Silva. Enquanto o Datafolha apontava avanço de Ciro Gomes, de 9 para 13 pontos o Ibope divulgava que ele havia recuado de 13 para 11%.

Quanto à posição de Marina, outra divergência: o Datafolha apresentou uma queda de 5 degraus e o Ibope acentuava um recuo de apenas 1 ponto percentual. Merval Pereira, na véspera, em uma entrevista na Globo News com Marcia Cavalari, diretora do IBOPE, colocou o tema em questão.

Vamos ver amanhã, sexta-feira o que acontece.

CONGELAR SALÁRIOS? – Ao participar de debate promovido pelo jornal O Estado de São Paulo e a Fundação Getúlio Vargas, o economista José Márcio Camargo defendeu congelar por quatro anos os salários dos funcionários públicos da União. Quer dizer, a inflação os reduziria com base nos índices do IBGE. Haveria portanto uma perda da capacidade de consumo. José Márcio Camargo é o coordenador das propostas econômicas do candidato Henrique Meirelles.

Vejam só os leitores. É fácil querer reduziro salário do outros. Difícil acreditar que Camargo defenderia a estagnação dos seus próprios vencimentos.

Por que assalariados devem pagar sempre a conta do déficit dos governos?

Datafolha e Ibope têm curvas diferentes na estrada que leva ao Planalto

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Charge do César (cesarcartuns.blogspot.com)

Pedro do Coutto

O Ibope divulgou sua pesquisa na noite de ontem primeiro pela GloboNews e em seguida pela Rede Globo. Os números são diferentes mas as colocações dos principais candidatos são semelhantes tanto num levantamento quanto no outro. Escrevo este artigo à noite de ontem e hoje os números, claro, vão sair nos principais jornais. Chama atenção a divergência quanto aos percentuais descobertos pelos dois Institutos. Para o Datafolha, Bolsonaro subiu de 22 para 24% . Para o IBOPE o salto foi maior e o Instituto colocou o candidato do PSL na liderança com 26 pontos.

A liderança não é o foco da questão já que Bolsonaro ocupa o primeiro lugar tanto numa pesquisa quanto na outra. Mas a diferença de quatro pontos, ao contrário do que se diz por aí, é uma diferença enorme. Basta ver os últimos desfechos eleitorais no país para se constatar a importância de um percentual desse porte.

SEM EXPLICAÇÃO – Algum equívoco tem que haver. Não explica a diferença o fato de a pesquisa do IBOPE ter sido iniciada no sábado e a do Datafolha na segunda-feira. As motivações da subida de Bolsonaro situam-se no atentado que sofreu e no qual quase perdeu a vida não fosse a atuação rápida dos médicos de Juiz de Fora. Mas não é esta a questão.

A questão essencial é que se encontram separando os levantamentos, por exemplo as diferenças em relação as intenções de votos atribuídas a Marina Silva. Para o Datafolha ela caiu 5 pontos, para o IBOPE a queda pode ser incluída na natural margem de erro. Nada disso. Um equívoco. A manutenção próxima ao resultado da pesquisa anterior significa estabilização. O recuo de 16 para 11 pontos destaca o caráter descendente exposto nesses cinco degraus. Aliás, como disse recentemente o mais importante em matéria de pesquisa é identificar os movimentos de subida e descida dos candidatos em foco.

EXCEÇÕES – A maioria dos candidatos, excetuando-se Bolsonaro, Ciro Gomes, Geraldo Alckmin, Marina Silva e agora Fernando Haddad, não apresentam a menor possibilidade de crescimento. Podem até apertar o passo, mas não de maneira capaz de colocá-los no turno final de 28 de outubro.

Interessante frisar que além da disputa entre os cinco principais nomes agora verifica-se que surgiu uma outra: o confronto entre o Datafolha e o Ibope para ver qual deles estará mais certo na hora da decisão.

Vamos esperar os próximos dias.

Números do Datafolha sinalizam segundo turno entre Bolsonaro e Ciro

Resultado de imagem para CIRO E BOLSONAROPedro do Coutto

A pesquisa do Datafolha, publicada hoje pelo O Globo e divulgada na noite de ontem pela TV Globo e Globonews, sinaliza, interpretando-se os números que ela expõe, que, se as eleições fossem hoje, o segundo turno seria decidido entre Jair Bolsonaro e Ciro Gomes. Reportagem de Fernanda Krakovics, edição de hoje de O Globo, destaca com bastante clareza os números assinalados no levantamento. A matéria confronta os índices registrados na pesquisa que antecedeu a esta com os resultados d agora.

O número de votos brancos e nulos, como era esperado, desceu de 22 para 15%. O grau de indecisão encontra-se na escala de 16 pontos.  A meu ver, a tendência dos indecisos, no fundo deve se voltar para os que lideram as tendências atuais.

APENAS CINCO – Ficou claro também que além de Bolsonaro, Ciro, Marina, Alckmin e Haddad, os demais candidatos não têm qualquer possibilidade de êxito. Alvaro Dias, Amoedo, Meirelles cada um alcança 3 pontos. Surpreende a posição de Amoedo que iguala a de um senador e também ao ex-ministro da Fazenda. Vamos aos números principais.

Bolsonaro subiu de 22 para 24%, assegurando no dia 7 de outubro seu passaporte para o desfecho final no dia 28 do próximo mês. Fica a indagação quem o enfrentará.

Na minha interpretação, o adversário, mantida a tendência de hoje, seria Ciro Gomes que subiu de 10 para 13%. Marina Silva, de acordo com o Datafolha caiu de 16 para 11%. Alckmin avançou de 9 para 10. Fernando Haddad progrediu de 4 para 9. Marina Silva foi projetada numa escala descendente, enquanto Ciro e Haddad apresentaram avanço.

DISCREPÂNCIA – É preciso assinalar, contudo, que os números do Datafolha não coincidem com o último quadro divulgado pelo IBOPE. Principalmente quanto a Marina Silva. Porém, a amostra do Datafolha baseia-se em levantamento mais recente e abrangeu mais de 2.800 pessoas, quase o dobro da que foi realizada pelo Instituto presidido por Carlos Augusto Montenegro.

O enigma continua sendo Fernando Haddad. Seu avanço foi sensível e cabe a pergunta sobre qual será seu teto, depois que Lula formalizar expressamente seu apoio a ele. Embora isso possa não ocorrer, tais as diversificações do comportamento do ex-presidente que ainda sonha numa eventual e absolutamente improvável candidatura. Não fosse o inverno de hoje poderíamos dizer que não passava de um sonho de uma noite de verão. É a única interrogação que está atingindo o eleitorado brasileiro.

CIRO E LULA – Mas vale acentuar um aspecto: de todos os candidatos aquele que menos interessa a Lula é Ciro Gomes. Porque isso?

Porque sua vitória possível significará o fim da liderança de Lula junto ao PT. Cabe frisar ainda uma situação. Bolsonaro forte no primeiro turno, é batido por Ciro, Marina, Alckmin no segundo. E no segundo, para concluir, empataria com Haddad. Vale a pena ler a reportagem em O Globo.

Eleitor vai conferir as novas pesquisas com o futuro resultado das urnas

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Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Pedro do Coutto

Mais uma vez, na história política do Brasil, 147 milhões de eleitores e eleitoras vão poder conferir o que apontarem o Ibope e Datafolha quanto às intenções de voto com os resultados concretos das urnas. O desenvolvimento das pesquisas, vale frisar, passa por várias fases da campanha e ilumina nessas etapas as tendências registradas em cada uma das etapas.

Estou me referindo às votações majoritárias porque as proporcionais dependem, em grande número de casos, dos redutos mantidos à base de prestação de serviço por deputados federais e estaduais.

DESDE JK – Ao longo do tempo em que acompanho pesquisas eleitorais, a começar pela vitória de Juscelino Kubitschek em 55, acentuo que em mais de 60 anos só tomei conhecimento de dois graves equívocos por parte do Ibope. Em 54, em São Paulo, quando Jânio bateu Ademar de Barros para governador, e em 85, quando o mesmo Jânio emergiu do passado e derrotou Fernando Henrique Cardoso para a prefeitura da cidade de São Paulo. O Datafolha é mais recente do que o Ibope. Deve ter ao todo, estimo eu, em torno de 40 anos.

Os prognósticos são cálculos de precisão. Sem dúvida. No pleito de 2014, o Datafolha prognosticou uma vitória de Dilma Rousseff pela diferença de 4 pontos. O Ibope projetou 5 pontos de vantagem. Ela venceu com 3 pontos percentuais. Muitas pessoas não acreditam em pesquisa, eu fui um dos primeiros jornalistas a levá-las a sério e escrever sobre elas. Me vem a memória a entrevista de JK no Rio, com base no Ibope de Paulo Montenegro, quando ele assinalou os pontos em que venceria e os pontos em que seria derrotado. Impressionou-me muito a exatidão confirmada nas urnas em relação as perspectivas e os lances finais da campanha.

FIRMEZA – Impressionou-me também a firmeza de JK ao dizer que Ademar de Barros sairia na frente, pois a apuração em São Paulo corria mais rapidamente do que em Minas Gerais. JK teve 62% dos votos de Minas e alcançou uma votação fraca em São Paulo.

Dei esse exemplo para esclarecer que os grupos sociais têm tendências definidas dentro delas mesmas. As vezes um candidato sai na frente e termina perdendo a disputa. Acontece. E acontece porque, de outro lado, as pesquisas acompanham situações de momento, não podendo prever os desfechos das urnas semanas depois. Agora mesmo, estamos a quase quatro semanas da votação. Não se pode dizer hoje qual candidato chegará ao segundo turno contra Bolsonaro. Mas é possível projetar-se outro tipo de afirmação com base nas oscilações dos candidatos.

PAES VENCERÁ – No estado do Rio de Janeiro, por exemplo, na minha opinião Eduardo Paes (DEM) vencerá a disputa. Encontra-se numa fase de ascendência, enquanto Romário cai no lado oposto. Paes, pelo Datafolha na última semana subiu de 18 para 24%, enquanto Romário desceu de 16 para 14%.

Este é o quadro das eleições que vão levar às urnas mais de 140 milhões de brasileiros e brasileiras. Em matéria de tendência, temos que esperar as próximas pesquisas que vêm por aí.  A do Datafolha está anunciada para hoje, segunda-feira.

Trump quer saber a fonte do artigo no NYT, mas não contesta o conteúdo

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Trump não vai conseguir saber nada sobre o NYT

Pedro do Coutto

O título acima, a meu ver, faz uma síntese do episódio detonado em artigo publicado pelo The New York Times relatando uma articulação dentro do staff da Casa Branca para bloquear atos impensados e confusos do Presidente Donald Trump. O presidente dos Estados Unidos está possesso e ataca o jornal, mas não está só contra o NYT, mas sobretudo contra o responsável pelo vazamento das informações.

Cabe a pergunta se quem forneceu as informações é o mesmo autor do artigo, ou o autor do artigo transformou em texto as revelações que recebeu. Donald Trump quer ir à Justiça contra o jornal, de acordo com a reportagem de Beatriz Bulla, correspondente de O Estado de São Paulo em Washington.

PRIMEIRA EMENDA – O New York Times rebate o movimento da Casa Branca contra o jornal dizendo que representa um abuso de autoridade e uma colisão com a famosa Primeira Emenda da Constituição americana, que veda qualquer hipótese de censura a imprensa.

A questão possui várias faces. Uma delas é o fato de o artigo não ter saído assinado, o que transfere a responsabilidade totalmente para o New York Times. A imprensa tanto americana quanto a brasileira tem se referido ao artigo como se fosse um editorial. Editorial é o que é feito para manifestar uma opinião do jornal e não só uma informação.

A diferença entre informação e comentário é bastante nítida na comunicação impressa.  Sobretudo porque é muito difícil e seria cansativo se uma opinião que usualmente reúne três laudas fosse divulgada através das redes sociais da Internet. Haveria uma monotonia sem fim.

RESULTADO – Minha experiência em 62 anos no jornalismo me fornece uma visão separatista entre a informação e a opinião. No caso do NYT a impressão que surge é a de que o texto mistura as duas questões. Trata-se assim de um artigo (não editorial) que contém informações que vêm à tona através de informação dos bastidores do governo Donald Trump. Como, é claro, o artigo é de responsabilidade do jornal. Interpretação pacífica.

Mas aí é que reside a controvérsia que se tornou clara na superfície dos fatos. Donald Trump não quer processar o jornal, o que poderia fazer, mas sim saber quem é o responsável pelo vazamento de assuntos sigilosos e talvez secretos. Não. O que o presidente dos EUA insiste em saber é o nome do inconfidente ou dos inconfidentes de Washington. Nesse caso a questão muda de figura. A primeira impressão de Trump é identificar o autor. Para ele, como a sequência dos fatos comprova, isso é mais importante do que o conteúdo do próprio texto.

BOB WOODWARD – Beatriz Bulla, em sua matéria assinala que o tema do artigo encontra-se também no livro que acaba de ser lançado por Bob Woodward. Porém, o repórter que denunciou, junto com Carl Bernstein, o escândalo de Watergate, é do Washington Post, no qual trabalha até hoje, e assim não teria sentido que publicasse matéria de tal importância no principal concorrente do Post.

Entretanto, voltando às investigações da Casa Branca, deve-se considerar também a hipótese do artigo do NYT possa ter sido escrito por um ghost writer, com base nas revelações de um novo Mark Felt, o Garganta Profunda de Water Gate.

Esse é o panorama geral da questão. Trump, ao acusar o vazamento, admitiu que os fatos descritos possuem dose de verdade. Caso contrário teria movido contra o jornal um processo por difamação.

Deus, que teve seu filho assassinado, não manda assassinar ninguém

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Até o Papa João Paulo II foi vítima de fanático religioso

Pedro do Coutto

Esta expressão que está no título esclarece de forma cristalina que Deus não pode armar a mão de assassinos e fanáticos, seja de que forma for. Basta recordar o relato sobre a morte de Jesus Cristo e constatar, mesmo fora da visão religiosa, que um vulto divino, no caso Deus, possa incentivar uma tragédia que em grande número de situações tem seu desfecho na morte de seres humanos.

Fanáticos há em grande número. Adélio Bispo de Oliveira inclui-se nessa legião que atravessa a história marcando seu rastro com sangue. Nos Estados Unidos foram assassinados quatro presidentes: Lincoln, Garfield, Mckinley, John Kennedy. O irmão Robert Kennedy foi assassinado quando iniciava a campanha de 1968 para a Casa Branca.

OUTROS ATENTADOS – Martin Luther King uma das maiores figuras da luta por direitos humanos encontrou sua morte num comicio de Memphis.  Nos anos 90, o presidente Ronald Reagan foi vítima de um atentado em Washington mas conseguiu sobreviver.

O Papa João Paulo II foi alvejado por mais um fanático voltado para tentar anular com seu impulso homicida a vida do chefe da Igreja Católica. Muitos outros exemplos pode e acrescentar. Um deles o Imperador Julio Cesar em 45 a.C.

Conspirações não faltam no percurso da existência. Agora tivemos mais uma marca do fanatismo. Não quero comparar Jair Bolsonaro com grandes figuras da história, mas apenas acentuar que os alucinados estão em qualquer lugar.

IMPULSOS DESTRUTIVOS – O exemplo contido na mensagem deixada por Jesus não foi suficiente para conter impulsos destrutivos. Fora do cristianismo em outras religiões também se encontram manifestações contra a violência na mão dos criminosos.

Estamos na fase já próxima das urnas de outubro para a presidência da República. Não se pode desejar a morte de pessoa alguma, portanto Bolsonaro entre as vítimas do fanatismo. Temos que ver a partir de agora o reflexo do atentado nas pesquisas do IBOPE e Datafolha.

RAZÕES ABSURDAS – O Globo publicou excelente reportagem na qual incluiu a foto em primeiro plano do esfaqueador e as razões absurdas que ele forneceu à Polícia pouco após sua prisão. Temos que lembrar que nem sempre tragédias como essa produzem resultados nas urnas.

Em 1954 a morte de Getúlio Vargas não favoreceu João Goulart, seu herdeiro político nas urnas. Perdeu a disputa pelo Senado pelo Rio Grande do Sul, sendo batido por Armando Câmara e Daniel KriEger. Os reflexos dos episódios marcados por sangue nem sempre proporcionam avanços na trajetória dos herdeiros da luta política.

A mensagem de Deus é eterna como ele próprio. A crucificação de Jesus é emblemática em todos os sentidos. Encontra-se para sempre no passado, no presente e no futuro da humanidade. Sua dimensão é inultrapassável: ele dividiu o tempo entre antes e depois dele.  Seu exemplo deveria servir para mostrar o rumo do bem e do amor a todos os homens e mulheres do planeta. O humanismo nasceu daí.

Ibope afasta Lula e Datafolha vai medir o reflexo do punhal contra Bolsonaro

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Radicalização da política acabou vitimando o radicalizador

Pedro do Coutto

A pesquisa do Ibope, publicada ontem pelo O Globo e pelo Estado de São Paulo, apresentou os primeiros reflexos da passagem dos candidatos pelo horário gratuito do rádio e da televisão. O Datafolha, conforme anunciou a Folha de São Paulo, publicará sua pesquisa na próxima segunda-feira. Assim, então, já se poderá medir o reflexo das intenções de voto do episódio que culminou com o ataque a punhal contra Jair Bolsonaro. Aí então a opinião pública poderá sentir qual o reflexo em matéria de intenções de voto na disputa pelo Palácio do Planalto.

Vamos por partes. O Ibope revelou que Bolsonaro subiu de 20 para 22% na preferência popular. Marina Silva manteve os 12% da pesquisa anterior, mas Ciro Gomes avançou de 9 para 12 pontos. Alckmin subiu do 7º para o 9º andar. Fernando Haddad marcou 6 pontos. Os brancos e nulos começaram a desabar: eram 29 agora reúnem 21%.

BRANCOS E NULOS – Como escrevi em artigo recente, à medida em que a campanha esquenta, diminui a faixa dos votos nulos e brancos. Vai cair ainda mais ao longo dos próximos dias.               Alvaro Dias conservou os 3 pontos; Amoedo subiu de 2 para 3%, Meirelles avançou do 1º para o segundo andar. Os demais candidatos apresentaram preferências que vão de zero a 1% das intenções de voto.

Verifica-se assim que a redução dos votos nulos e brancos foi dividida entre Bolsonaro, Ciro Gomes e Alckmin. Marina Silva não conseguiu arrebatar nenhuma parcela dos eleitores indecisos. O avanço mais expressivo na minha opinião foi de Ciro Gomes porque subiu de 9 para 12 pontos. Portanto, ele cresceu quase 40% em relação a si mesmo, percentual não alcançado pelos outros concorrentes, além dele.

Ainda existem muitos eleitores a serem conquistados. Há tempo. Estamos a exatamente um mês das urnas de outubro. A pesquisa de voto foi analisada por Marco Grillo e Miguel Caballero, em O Globo, e por Daniel Brumatti, em O Estado de São Paulo. Foram dois belos trabalhos bastante claros e objetivos.

DATAFOLHA – Tendo anunciado a divulgação de sua nova pesquisa na edição de segunda-feira da Folha, o Instituto dirigido por Mauro Paulino terá tempo de oferecer à opinião pública um quadro bastante amplo de intenções de voto, já incorporando os reflexos da faca que em Juiz de Fora se voltou contra o candidato Jair Bolsonaro.

A vítima sempre acarreta um efeito político que não pode ser ignorado. Em 1930 foi o assassinato do governador da Paraiba, João Pessoa, companheiro de chapa de Getúlio Vargas na eleição daquele ano. Em 1954 foi o assassinato do Major Rubem Vaz que retornava de um comício ao lado de Carlos Lacerda. O sangue ao longo do tempo resultado da violência alucinada pode mudar o destino de um lance político.

Não sei a consequência junto a opinião pública do atentado a Bolsonaro, mas acredito que não será muito profunda. Vamos esperar pelo Datafolha na segunda-feira.

Elio Gaspari e Ruy Castro expõem o desprezo oficial em relação à arte e museus

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Dinossauro era uma das grandes atrações do Museu Nacional

Pedro do Coutto

Foram dois artigos excelentes nas edições de ontem de O Globo e da Folha de São Paulo, os de autoria de Elio Gaspari e Ruy Castro expondo e acentuando o desprezo de governos que se sucederam ao longo do tempo em relação aos museus, às obras de arte de modo geral e também quanto às pesquisas científicas que repousam entre suas paredes. O caso do Museu Nacional no Rio de Janeiro é um exemplo marcante e impressionante do desprezo que marca as ações concretas nesse campo tão importante como de preservar a criação humana.

Basta ver as verbas destinadas pela UFRJ ao Museu Nacional. Apenas 54 mil reais nos primeiros quatro meses do ano. Além disso, uma série de outros museus encontram-se carentes do apoio oficial. Reportagem da GloboNews focalizou problemas existentes em diversos deles, ameaçando seus acervos. O Museu do Ipiranga em São Paulo é outro exemplo. Inclusive encontra-se fechado. No caso do Museu Nacional, vale assinalar que o último presidente da República a visitá-lo foi Juscelino Kubitschek, no final de seu governo em 1960.

58 ANOS DEPOIS… – A distância entre um ponto do tempo e outro é de praticamente 58 anos. Os presidentes que o sucederam não atribuíram nenhuma importância ao trabalho que a casa realizava. Isso demonstra também o distanciamento entre o poder público e as obras de arte que tornam a cultura universal.

Com o incêndio da noite de domingo queimaram-se peças da maior importância para o processo da cultura. Esse processo é de fato dinâmico, pelas oportunidades de pesquisa que oferece, e não estático, gelificado no passado. A cada dia, a cultura se renova, se amplia, se aprofunda e permite novos ângulos de observação e análise dos criadores das peças.

É triste que haja descaso, sobretudo porque as obras de gênios humanos pertencem a todos, e sua beleza está na oferta que é oferecida àquele que as procuram. E o governo Michel Temer é mais um omisso entre tantas omissões. Um desastre completo.

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E AS ISENÇÕES FISCAIS AUMENTAM…

Agora vejam só, enquanto os museus são levados ao esfacelamento, por falta de recursos, o governo vai aumentar as isenções fiscais de 283 bilhões para 306 bilhões este ano.

Reportagem de Adriana Fernandes e Lorena Rodrigues, O Estado de São Paulo desta quarta-feira, destaca o assunto. Emendas apresentadas a Lei Orçamentária para 2019 aumentaram ainda mais as renúncias tributárias. Com isso o governo do país abre mão de uma receita equivalente a 4,2% do Produto Interno Bruto. Isso sem falar na falta de cobrança, por parte do INSS, das empresas rurais. Nos balanços do Funrural encontra-se a superfície do mar de dívidas não cobradas.

Adriana Fernandes e Lorena Rodrigues comparam o montante de 306 bilhões com o déficit orçamentário projetado na LDO no montante de 139 bilhões de reais. Tudo isso sem contar os juros de 6,5%, taxa SELIC que incidem anualmente sobre o endividamento de 3,7 trilhões de reais.

Para concluir lembro uma frase de Santiago Dantas: “O povo, no fundo é melhor que os governos e algumas elites do país.”