Sem despacho monocrático de plantão, como agiria o ministro Gilmar Mendes?

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Charge do Paixão (Gazeta do Povo)

Pedro do Coutto

O procurador-geral da República em exercício, Humberto Jacques de Medeiros, em documento enfocando o episódio de domingo, e que será provavelmente examinado pelo Supremo Tribunal Federal, propõe o fim de despachos monocráticos de plantão em questões ajuizadas nos Tribunais Superiores. A procuradora-geral Raquel Dodge encontra-se de férias e o tema é objeto de ampla reportagem, de Mateus Coutinho e Luis Lima, edição de ontem de O Globo. Humberto Jacques de Medeiros defende a adoção de nova regra parra evitar o vai e vem na esfera judicial.

 A iniciativa do procurador-geral em exercício coincide integralmente com a decisão ontem tomada pela Ministra Laurita Vaz, presidente do Superior Tribunal de Justiça, que ao negar mais uma vez um habeas corpus apresentado para colocar Lula em liberdade, estabeleceu que, no caso específico do ex-presidente, qualquer desfecho terá de ser determinado pelo  STJ e não mais na esfera do Tribunal Regional Federal -4. Laurita Vaz dirigiu fortes críticas ao desembargador Rogério Favreto e elogiou a posição assumida pelo juíz Sérgio Moro.

JÁ TRANSITOU – Na opinião de Medeiros a matéria já teve sua tramitação encerrada na esfera do TRF-4. A mesma posição, exatamente a mesma, assumida pela ministra Laurita Vaz.  De agora em diante, qualquer matéria em torno do ex-presidente Lula terá que passar pelo STJ. O episódio de domingo foi encerrado ontem, e a partir de agora os defensores do ex-presidente terão que sustentar seus requerimentos obrigatoriamente ao STJ. Rogério Favreto ficou fora da questão, da mesma forma o próprio Tribunal no qual Favreto tem uma cadeira.

É claro que o documento elaborado pelo Procurador Geral em exercício vai funcionar para que uma questão essencial seja regulamentada. Caso dos despachos criminais exarados de forma singular pelo magistrado de plantão. O regime de plantão tem abrangido por várias vezes assuntos decididos pelo Ministro Gilmar Mendes. Daí minha pergunta em torno de um dos reflexos da proposição divulgada ontem.

DISTRIBUIÇÃO – A relatoria ou o plantão, por coincidência, têm sido usados para uma série de episódios que apenas funcionam para sustar o andamento de processos que se desenrolam numa série extensa de pessoas e suas respectivas situações. Por exemplo: os casos de liberdade que beneficiaram o ex-ministro José Dirceu, o empresário Jacob Barata, dirigentes da Fetranspor, o fugitivo da noite Rocha Loures e uma ampla lista de outros presos, sejam eles já condenados ou então em prisão preventiva.

Estou citando o Supremo Tribunal Federal porque acho que a ele cabe fixar as normas para resolução do problema levantado  pelo procurador-geral em exercício. Afinal, o STF é o mais alto órgão do Poder Judiciário.

Ia esquecendo um aspecto, o qual lembro agora. A coincidência ocorrida no sorteio de ministros para resolver situações urgentes. Como pode a sorte recair em sequência impressionante nas mãos do mesmo juiz da Corte Suprema?

A desadministração do Rio de Janeiro tem nome: chama-se Marcelo Crivella

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Como prefeito, Crivella se revelou um completo idiota

Pedro do Coutto

Não bastasse o vendaval de corrupção que açoitou o estado do Rio de Janeiro, a cidade atravessa um tempo de completa desadministração. O episódio das prioridades absurdas que teve cenário no Palácio da Cidade é um detalhe a mais, bastante substancial, que deu margem a uma formulação de impeachment por parte do vereador Atila Nunes, e de um requerimento para instalação de uma CPI, apresentado pela vereadora Tereza Bergher.

O prefeito que está marcando sua passagem pela cidade por uma ausência administrativa praticamente total, resolveu estabelecer uma escala de prioridades para operações de catarata. Estranha preferência esta que se restringe àqueles fieis da Igreja Universal. Foi assim que o próprio prefeito Crivella afirmou a um grupo de pastores, inclusive frisando a eles que encaminhassem os escolhidos pelo privilégio a Dona Márcia, que catalogaria os atendimentos.

TAMBÉM VARIZES – Prioridades também, fixou Crivella, para operações de varizes. Além disso, projetou o mesmo caminho para colocação de pontos de ônibus perto das igrejas. Não parou por aí. Acenou também com maior rapidez para que os templos no Rio obtivessem isenção total do IPTU.

Por falar em IPTU, no momento em que o aumento foi fixado, a vereadora Tereza Bergher, então Secretária de Assistência Social exonerou-se do cargo, voltando à Câmara para votar contra o projeto. A majoração do IPTU teve grande dimensão e em muitos casos pesou fortemente para os inquilinos e tornou os proprietários uma espécie de inquilinos da prefeitura.

PREFEITO AUSENTE – Falei em desadministração, com base na ausência do prefeito da cidade. Viaja constantemente ao exterior, como fez no carnaval deste ano, dizendo que sua ida a Alemanha foi para articular o fornecimento de informações técnicas para o combate ao crime e, portanto, para que o sistema estadual pudesse combater o crime de forma mais direta e intensiva.

A justificativa não convenceu a ninguém. Basta dizer que a questão segurança é de responsabilidade do estado e não da prefeitura. Além disso, entidades alemães revelaram não ter conhecimento da ideia imaginada pelo prefeito.

O Rio, antes governado por homens como Carlos Lacerda, Negrão de Lima e Chagas Freitas, perdeu muito com o tempo que separa o ontem do dia de hoje.

CIDADE MARAVILHOSA – Vale lembrar que nos anos 60, 65 e 70 era o Estado da Guanabara. Em 75 Chagas Freitas tornou-se governador do atual estado do Rio de Janeiro, mas concentrou suas ações na cidade, que ainda era maravilhosa.

Agora, além dos privilégios e da omissão, nos deparamos com uma desordem urbana que intoxica a cidade e sua população. Não que caiba ao prefeito combater a violência e o crime organizado, mas cabe a ele pelo menos buscar uma ponte de entendimento com o governador Luiz Fernando Pezão para tentar enfrentar a situação.

Falei em Pezão, que é uma figura decorativa no Rio de Janeiro. Um homem que atrasou durante 30 meses o pagamento dos salários dos servidores estaduais, perdeu qualquer peso capaz de influir nos rumos da administração pública. Aliás, ele foi vice governador de Sérgio Cabral, eleito e reeleito. Espécie de um tipo de maldição contra cariocas e fluminenses. Mas esta é outra questão.

O essencial, agora, está no destino do impeachment apresentado por Atila Nunes, e da CPI levantada por Tereza Bergher, que assinou também o pedido de impeachment contra o prefeito.

TUDO GRAVADO – A reunião de Crivella com os pastores no Palácio da Cidade foi filmada e gravada. Tornou-se dessa forma um registro inapagável do cenário e do elenco da convergência.

De um lado o prefeito, que também é pastor. De outro lado os pastores recebendo tarefas especiais fora das filas de atendimento. O acesso à saúde é um direito universal a todos os habitantes do Rio. A Igreja Universal representa apenas uma parcela da população carioca.

As prioridades de Crivella são a prova de sua desadministração.

A fama inflou ego de Tite e fez com que perdesse a perspectiva como treinador

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Tite deveria ter escalado os melhores, mas foi teimoso

Pedro do Coutto

Faltou ao treinador Tite na derrota para a Bélgica a perspectiva sobre o modo de atuar da Seleção brasileira e tal fenômeno, a meu ver, decorreu do excesso de publicidade a ele proporcionado pelos anúncios mil vezes repetidos nas emissoras de televisão. Foram anúncios em série principalmente do Banco Itau e da Sansung. Era como se ele tivesse o poder de abrir sozinho o caminho das vitórias. Deslumbrou-se e esqueceu que deveria armar a seleção de forma diferente com que ele acabou fazendo. Tite estava provavelmente deslumbrado com o espaço e a importância que se juntaram à sua figura e ao seu desempenho profissional.

Não foi o primeiro caso de deslumbramento que atingiu a seleção brasileira. O precedente ocorreu de forma quase semelhante com o técnico Felipe Scolari na Copa de 2014.

QUESTÃO DE EGO – O comando do futebol não deve ser envolvido com a imagem supervalorizada de qualquer treinador ou jogador. É uma questão de ego. Às vezes dá certo, outras não. Não contesto a legitimidade que tem origem na aceitação do uso da imagem desse ou daquele. Só estou frisando que, em alguns casos, o êxito sobe demais à cabeça e o protagonista sente-se acima do bem e do mal. Quase como se julgasse um ser infalível cuja vontade passaria ser incontestável.

A derrota para a Bélgica demonstrou erros na escalação do time brasileiro. O lateral Marcelo vinha de uma contusão, não estava, como ficou visto, com suas condições atléticas totais. Felipe Luis vinha de ótima atuação contra o México e a lógica indicava que fosse mantido na seleção. Marcelo durante a partida não atacou e muito menos defendeu. Não estava dando para ele correr sentindo-se bem nos 90 minutos.

DOUGLAS COSTA – Gabriel Jesus vinha de atuações ruins, dando a impressão de que sofria o peso da responsabilidade própria da camisa amarela. Deveria ter sido substituido logo no início. Douglas Costa entrou no segundo tempo passou seu entusiasmo para o ataque de nossa seleção. Ja havia ocorrido a mesma coisa na partida contra o México. O bom senso aconselhava que estivesse na equipe ao longo dos 90 minutos. Mas Tite escolheu o caminho oposto, e fez com que ele entrasse para substituir Willian. Na realidade Douglas Costa deveria ter substituído Gabriel Jesus e não Willian.

Mas tudo isso pertence ao passado recente. Entretanto, o deslumbramento com o próprio ego representa um risco para todos aqueles cuja imagem é lançada no campo comercial. Os treinadores e atletas destacados para transportar apelos de fim comercial devem, digo eu, fazerem como o personagem de Nelson Rodrigues e calçar as sandálias da humildade. Isso porque nada pior para os ídolos do que sua própria imagem no espelho.

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E LULA CONTINUA PRESO…

O desembargador Thompson Flores, presidente do TRF-4, tribunal cuja 8ª Turma condenou Lula por unanimidade, anulou o despacho do desembargador Rogério Favreto e deu razão total ao juiz Sérgio Moro que se manifestara contra a libertação do ex-presidente.

A situação de Favreto tornou-se muito difícil no TRF-4. Talvez tenha que pedir aposentadoria, mas parece muito novo para isso.

Informação a Gilmar Mendes: a corrupção nasce do abuso de poder

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Só falta Gilmar culpar a Lava Jato pela corrupção

Pedro do Coutto

Em uma entrevista a Célia Froufe, correspondente de O Estado de São Paulo em Londres, publicada na edição de sabado, o ministro Gilmar Mendes atacou a Operação Lava Jato, que em sua opinião foi canonizada, o que quer dizer transformada em dogma. Gilmar Mendes acentuou que a Lava Jato pensou transformar-se em uma entidade e legislar, mudando o conceito de habeas corpus. Acrescentou que é preciso conter o abuso da autoridade. Completou seu pensamento  criticando o juiz Sérgio Moro.

Não se trata de abuso de autoridade o que Gilmar Mendes destaca. A corrupção maciçamente praticada no Brasil nasce de um processo de abuso de autoridade, já que é praticada por agentes do Estado em conluio com empresários particulares.

NA PETROBRAS – Gilmar Mendes, na minha opinião, na base de suas críticas, esquece, por exemplo que a corrupção na Petrobrás é em si um abuso de autoridade, uma vez que se desencadeou com a divisão política de suas diretorias. Isso sim é abuso de autoridade. Corruptos e corruptores são os personagens principais da história da própria corrupção. O governo Lula, para citar um exemplo, estabeleceu um critério de divisão do comando da estatal por correntes político-partidárias. Verifica-se hoje que o maremoto ocorrido a partir de tal critério atingiu a fundo o conceito da autoridade pública. A ação frenética do empresário Joesley Batista sintetiza em si um abuso de autoridade. 

Além disso, quais as funções desenvolvidas pelo senador Aécio Neves, pelo assessor Rocha Loures, pelo ex-ministro Geddel Vieira Lima,todos eles abusaram do exercício da autoridade de que estavam revestidos. Pode se incluir na trama sinistra o ex-deputado Eduardo Cunha e o ex-ministro Henrique Eduardo Alves.

UM LISTÃO – A lista como todos sabem é bastante extensa e intensa. Uma intensidade que transportou 51 milhões de reais para um apartamento em Salvador. Entre os exemplos de corrupção, deve se acrescentar um fato emblemático: Pedro Barusco, titular de uma das gerências da Petrobrás, devolveu aos cofres da empresa a fortuna de 97 milhões de dólares. Barusco não era diretor, mas comandava, através do abuso de poder, uma gerência que alimentava  a corrupção. Estava abusando do poder.

No Rio de Janeiro, o médico Sérgio Cortes confessou seus crimes de abuso de poder e numa entrevista à Veja admitiu que sua atuação à frente da Secretaria de Saúde proporcionou  300 milhões de reais como receita da corrupção que praticava.

ESQUECIMENTO – O ministro Gilmar Mendes esqueceu todos esses aspectos do universo do crime e atacou a Lava Jato sem culpar os corruptos e corruptores. Se Gilmar Mendes quer uma prova concreta do assalto aos bens públicos, basta que olhe a fotografia do apartamento de Salvador alugado pela família Vieira Lima.

Só pode praticar abuso, em síntese, aqueles que têm autoridade para contratar obras, ordenar pagamentos, redigir contratos superfaturados.

A Operação Lava Jato não praticou qualquer crime. Pelo contrário, destacou como crime de autoridade os roubos contra o sistema estatal.

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A PUBLICIDADE E A DERROTA DA SELEÇÃO

Já com a cabeça fria depois de 48 horas de distância da derrota, deixo para escrever para segunda-feira um artigo sobre o desabamento da seleção de Tite na Copa de 2018. Como aconteceu em 2014 o treinador realizava trabalhos organizados de propaganda. Escalou mal a equipe.

Mas deixo para segunda-feira. Até lá estarei com uma visão melhor para comentar o assunto.

Fracasso da seleção brasileira evidenciou-se logo no primeiro tempo

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O Brasil dominou o segundo tempo, mas já era…

Pedro do Coutto

O fracasso da Seleção Brasileira aconteceu  no primeiro tempo do jogo de ontem. Os primeiros 45 minutos foram um verdadeiro desastre tanto na parte técnica quanto na parte tática. O resultado foi uma tragédia. No segundo tempo melhorou, mas não de forma capaz de compensar os dois gols da Bélgica na fase inicial. A seleção marcou a si mesma do meio campo para frente e sua defesa dava espaços à equipe adversária. No segundo tempo melhorou, mas não conseguimos finalizar os ataques, e eram necessários dois gols para empatar e levar o confronto para prorrogação. O escrete, ontem, foi irreconhecível em campo, levando-se em conta os jogos contra a Sérvia e contra o México.

A melhora veio com a entrada de Douglas Costa e, por isso, fica a pergunta por qual motivo ele não entrou logo no primeiro tempo. Tínhamos o exemplo de sua atuação contra o México, na qual levou a equipe ao ataque com lances criativos. Mas são coisas do esporte.

GOLEIRAÇO – Pela diferença de um gol se vence e por um gol também se perde. Tivemos oportunidades de empatar a partida, mas oportunidades sempre existem no futebol. O goleiro belga fez defesas importantes, porém tem de se considerar que ele estava lá para isso mesmo. 

Taticamente, a seleção brasileira não se encontrou em momento algum do jogo. O fato de ter melhorado no segundo tempo não quer dizer muita coisa: na realidade abrimos espaços em nossas linhas defensivas facilitando a entrada dos belgas e no setor ofensivo afunilamos as jogadas de ataque. A defesa da Bélgica concentrou-se no meio da área e não deu espaço para que penetrássemos. 

A troca de passes ficou muito difícil. A seleção, para enfrentar a concentração defensiva  deveria ter procurado mais os espaços nas pontas do campo. Não fez isso. Aliás não fez quase nada criativo na derrota que desabou sobre nós.

BOLA QUADRADA – No campo da criatividade poderíamos dominar a partida, porém a seleção de Tite terminou o jogo sem sequer atinar para esse aspecto. Jogou quadradamente, a exemplo de como jogam as seleções, por exemplo, da Inglaterra e da Suécia. Adeus à Copa de 2018. Temos que esperar pela de 2022. Coisas do futebol.

Nosso fracasso foi em decorrência mais de nossa própria atuação contraditória do que em consequência do desempenho da Bélgica. Não quero dizer com isso que estou afirmando algo capaz de reduzir o brilho do escrete belga. Pelo contrário. Ele demonstrou o empenho maior do que o nosso. Equilibramos no segundo tempo mas naufragamos nos primeiros 45 minutos. Essa É a história do jogo de ontem.

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CANDIDATOS INVESTEM EM ANÚNCIOS NA INTERNET

A reportagem é de Isabel Fleck, edição de ontem da Folha de São Paulo. A matéria é muito importante, porque demonstra, conforme assinalei em artigo recente, que as inserções nas redes sociais não correspondem à posição dos pré-candidatos nas pesquisas do Datafolha e do Ibope. Isso é um fato.

Além disso, não consigo entender bem por que os stafes desses candidatos decidiram pagar por anúncios na mídia eletrônica quando bastaria apenas inundá-la com mensagens gratuitas. Se cada pessoa que possui um computador pode tornar-se um transmissor de matérias, por que equipes especializadas em comunicação decidem pagar por espaços que em princípio são livres para acesso em geral. Não estou questionando o valor do trabalho das equipes que produzem as mensagens. Elas têm que receber pela tarefa. Estou me referindo à aquisição dos espaços existentes nas redes sociais.

Essa matéria, espero comentá-la mais adiante, cotejando o volume de apelos nas telas e a posição dos candidatos nas escalas do Ibope e do Datafolha.

Embalada, a seleção parte para nova etapa rumo ao hexacampeonato

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De volta à equipe, Marcelo é sempre um show à parte

Pedro do Coutto

Exatamente isso. A seleção brasileira dentro de poucas horas enfrenta a Bélgica e vamos torcer para a vitória que nos aproximará do desfecho da Copa do Mundo de 2018. Estamos na 21ª taça mundial, percurso iniciado em 1930 no Uruguai, e que agora tem a Rússia como grande palco proporcionado pela televisão. Nas vinte copas disputadas até hoje o Brasil foi à final 7 vezes. Praticamente no índice de 30%.  Vencemos cinco copas e perdemos duas finais. Na estrada do esporte prevaleceu a qualidade e a magia de seleções em várias épocas.

Escrevo este artigo na tarde de quinta-feira e sei que o jogo começa as 15 horas. Por isso vou aguardar o resultado para voltar a comentar o tema chamado futebol.

CONFIANÇA – A torcida brasileira, depois das vitórias contra a Sérvia e o México, voltou a confiar em nossa capacidade de chegar mais uma vez ao título mundial. A equipe se reencontrou consigo mesma e com o chamado futebol arte. Porém, futebol não se ganha na véspera e depende tanto de ações ofensivas quanto defensivas.

Nesse ponto ganha importância a reportagem de Camila Matoso, Diego Garcia, Guilherme Garcia, Luis Consenzo e Sérgio Rangel, edição de ontem da Folha de São Paulo, a qual destacou a importância também da tática colocada em prática pelo treinador Tite. A matéria da FSP lembra, com oportunidade, o êxito também do setor defensivo. Em cinco partidas disputadas até agora, a seleção de ouro sofreu apenas um gol. Isso de um lado. De outro, a mobilidade do time, tanto atacando quanto defendendo. Nossa seleção também foi a que menos faltas cometeu.  A reportagem da FSP exibiu o que chamou de radiografia da defesa brasileira. Quadros estatísticos forneceram a comparação. 

EFICIÊNCIA – Realmente, a atuação do escrete brasileiro tem sido tão eficiente ao atacar quanto no defender. Alcança, assim, um patamar de alta importância porque, digo eu, a movimentação veloz da equipe tem apresentado a rapidez tanto no ataque quanto na defesa. O time vai a frente em bloco e em bloco também recua para a defesa. Isso aconteceu nas partidas em que derrotamos a Sérvia e o México.

Essa dualidade positiva finalmente passou a entusiasmar parte da população brasileira, Ainda não chegamos, e talvez não cheguemos ao clima de 70, 94 e 2002, quando as ruas estavam cheias de bandeiras e pintadas, alegria plena e confiança no êxito. É verdade que o desastre tanto do governo federal quanto o do Rio de janeiro, funcionaram para causar profundo desgosto na maioria da população, além de um sentimento de revolta que permanece no caminho para as urnas de 2018.

ENTUSIASMO – Porém o futebol talvez seja um panorama que nos levará ao entusiasmo perdido. Ontem mesmo, na véspera da partida de hoje, mais um escândalo explodiu no Ministério do Trabalho. Nesse caso, as substituições realizadas foram um verdadeiro desastre moral.

Voltando a seleção, vamos aguardar para que Neymar continue jogando de  primeira e participando do expresso da vitória. 

A vitória depende do conjunto e da atuação solidária de todos os jogadores. O Brasil aproxima-se da fase decisiva. Amém.

Sarampo e poliomielite retornam ao cenário do Rio de Janeiro e do Brasil

Vacinação contra poliomielite deve ser administrada aos 2, 4 e 6 meses de vida

Em 312 municípios a vacinação atinge menos de 50%

Pedro do Coutto

Reportagem de Flávia Junqueira, Ana Paula Blower, Ana Lucia Azevedo, Renata Nariz, Rayanderson Guerra e Cesar Bayma, em O Globo, destaca o fato do sarampo voltar a preocupar a população do país, especialmente no Rio de Janeiro,  em que casos suspeitos alertam para o risco de retorno da doença que inclusive já causou um surto na região norte do país. No RJ os casos já registrados acenderam sinal de alerta confirmado por especialistas sobre o avanço da doença.

O último contágio da doença ocorreu em 2014. As campanhas de vacinação não têm no momento atual alcançado o êxito que marcou as precedentes no passado. A população carioca e fluminense não aderiu maciçamente aos apelos feitos, entre os quais o da Organização Panamericana de Saúde.

IMIGRANTES – Em Roraima aconteceram 177 notificações. Relativamente ao Norte existem informações de que o contágio foi provocado pela entrada em grande número de imigrantes venezuelanos. No Amazonas já foram confirmados 263 casos.

O problema é gravíssimo, porque  o sarampo há vários anos não assinalava incidências no Brasil. As campanhas de vacinação, de acordo com estudo da UFRJ e registros no Hospital Copa d”Or, revelaram casos suspeitos  da incidência. Até na sede social do Joquei Clube Brasileiro, no centro do Rio foram colocados cartazes alertando que no prédio verificaram-se casos nos últimos dias.

SEM OVERDOSE – A presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Isabela Balalai chamou a atenção para o problema afirmando não existir overdose de vacina. Assim caso a pessoa não encontre o cartão que prove ter sido vacinada, não existe problema em se vacinar novamente.  É melhor vacinar, sobretudo porque vacina não faz mal a saúde.

No Rio de Janeiro, digo eu, a atuação dos órgãos de saúde ao longo dos últimos governos foi verdadeiro desastre. A corrupção tomou conta das escalas administrativas, fenômeno dramático revelado pelo ex-secretário Sérgio Cortes que, em entrevista recente a revista Veja, admitiu ter desviado mais de 100 milhões de reais da Secretaria no redemoinho da corrupção que devastou a cidade e o Estado. Realmente, sob este prisma a corrupção causou a morte de muitas pessoas, desfecho trágico que certamente teria sido evitado se as verbas fossem destinadas para medicamentos, e não consumida nos especialíssimos vinhos franceses em restaurantes da mais elevada qualidade. Isso aconteceu há cinco anos atrás, mas os efeitos tanto do roubo quanto da inércia prolongam-se nos dias de hoje.

GRAVE AMEAÇA – O sarampo é uma ameaça tão grave quanto ao aspecto amedrontador da poliomielite. A vacinação é fundamental. Para isso, é necessária a participação direta de toda a sociedade.

Mas há um descrédito generalizado que tem origem no roubo desenfreado que se espalhou na área estadual e também na área federal. Os governantes de ontem e de hoje são os maiores responsáveis pelo que está acontecendo. Eles não desferiram o golpe da morte, mas o permitiram, por paralisação do compromisso para com o povo, e casos fatais acontecem numa sequência alarmante.

Alguns responsáveis estão na cadeia, e o médico Sérgio Cortes quer devolver 300 milhões de reais ao poder público.

Três temas: os salários congelados, o gesto de Neymar e os juros dos bancos

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Neymar pretende que não haja críticas a ele

Pedro do Coutto

O artigo de hoje divide-se em três partes. O senador Dalirio Reber, relator do Projeto de Lei que fixa as diretrizes orçamentárias, apresentou emenda congelando por tempo indeterminado os salários dos funcionários públicos federais. Incrível, a iniciativa não faz nenhuma referência aos preços que refletem os índices de inflação. Quer dizer redução de vencimentos, pois todos sabem que o índice do custo de vida, como é natural, sobe independentemente do congelamento salarial dos funcionários. O senador, ao defender seu projeto, diz simplesmente que, adotada sua ideia, a iniciativa proporcionará uma economia de 5 bilhões de reais em 2019. Dalirio Reber está pouco se lixando em relação ao destino dos servidores federais.

Reportagens de Liliana Tomazzeli, O Estado de São Paulo, e matéria de Marta Becker, em O Globo edições de ontem, focalizam muito bem o absurdo de um projeto que traz consigo uma escala de diminuição dos valores do trabalho.

GESTO DO CRAQUE – Relativamente a Neymar, observando-se com atenção a fotografia de página inteira, publicada em O Globo, também de terça-feira, interpreta-se a imagem prestando-se atenção no gesto que ele fez com o dedo indicador sobre os lábios como se estivesse rebatendo as opiniões maciças da torcida brasileira sobre seu modo de atuar.

O atacante confundiu as situações. Ele deveria era agradecer a todos aqueles que opinaram dizendo que estava prendendo demais a bola, não a soltando de primeira, driblando em excesso. Foram três comportamentos que prejudicaram o time brasileiro no empate com a Suíça. A partir do jogo contra a Sérvia ele mudou. Para melhor, e confirmou esse avanço apresentando excelente desempenho contra o México.

Quer dizer: foram as críticas que o levaram para jogar muito melhor e sua grande habilidade com a bola e colocação nos es´paços do gramado. O treinador Tite – tenho a certeza –  transmitiu a Neymar o modo de jogar corretamente, lembrando-lhe que no futebol ninguém vence sozinho. Futebol, repito mais uma vez, é conjunto.

JUROS EXTORSIVOS – Vamos ao terceiro assunto. Os quatro grandes jornais brasileiros, O Globo, Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e o Valor publicaram com destaque a decisão dos grandes bancos de aceitar as recomendações do Banco Central sobre os juros extorsivos cobrados nas dívidas de clientes para com a utilização dos cheques especiais.

Esses juros passavam de 300% a/a. Se os bancos recuarem para juros anuais de 40%, é porque a inadimplência estava ameaçando a rentabilidade da constelação bancária. Agora, a partir deste mês se as dívidas com cheques especiais passarem de 15% de seus limites, as agências bancárias podem estabelecer que os clientes envolvidos sejam chamados à negociação.

O caso é o seguinte. Se a dívida acumulada ultrapassar a faixa de 15% sobre o limite oferecido, os devedores serão convocados a aceitar o financiamento da dívida por juros menores que, no crédito pessoal passam um pouco de 40%a/a.

INADIMPLÊNCIA –  É sinal que está ocorrendo uma inadimplência em larga escala, que levaria a uma cobrança impossível de resgatar. Os bancos não poderiam executar as dívidas, pois isso demandaria, em função do número de devedores, muitos anos na tramitação judicial.

O desfecho homologado pelo Banco Central é a prova concreta do processo de desvalorização seguida da capacidade de pagamento dos assalariados. É verdade que muitas pessoas agem de forma irresponsável, porém a capacidade de cobrá-las não resultaria em nada para os estabelecimentos bancários.

Seleção joga grande partida e continua na estrada para o hexacampeonato

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Neymar e Gabriel Jesus se exibem no balé da vitória

Pedro do Coutto

De fato a Seleção Brasileira jogou uma grande partida ao derrotar o México por 2 X 0 e assim continua percorrendo a estrada e os obstáculos para a conquista do hexacampeonato. A partida foi duríssima, mas o escrete atacou em bloco e retornava também em bloco para as ações defensivas. Futebol não se ganha só do meio para frente. É preciso cobertura compacta na retaguarda. A seleção atuou assim em todos os momentos da partida. Creio que agora os brasileiros e brasileiras se motivem para o confronto de sexta-feira contra a Bélgica, as 15HS.

Neymar soltou mais a bola, adaptou-se ao desempenho em conjunto e teve intuição para completar a bela jogada de William que da linha de fundo cruzou para a área mexicana. O segundo gol, de Firmino, resultou de um passe seu. Mas esses são detalhes da competição. O importante, até mesmo essencial, é a seleção mover-se em conjunto atuando de forma solidária tanto na área do México quanto na sua própria defesa.

FORTE BLOQUEIO – O futebol evoluiu muito nos últimos tempos, inclusive porque todas as equipes possuem táticas de bloquear as jogadas do time adversário. Antigamente não era assim. Havia mais espaços nos gramados e os jogos podiam até ser mais bonitos que os de hoje em dia. Porém, as partidas de hoje em dia exigem, além da habilidade com a bola, maior capacidade atlética para o ir e vir.

Algumas equipes se ressentem da falta de condições físicas. E, às vezes, a ausência de estado atlético conveniente torna-se fator que impede o vigor técnico e a expansão da arte nas histórias de bola. Vamos para a frente, pois estamos nos aproximando de uma conquista inédita no cenário mundial do fascinante esporte.

Tão fascinante ele é que se trata da única competição em que um adversário tecnicamente inferior pode bloquear, pela ocupação dos espaços, a atuação do time que está sendo enfrentado. Vamos torcer novamente na sexta-feira.

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FACEBOOK LIBEROU DADOS DE 87 MILHÕES

Reportagem do Washington Post, traduzida e publicada pela Folha de São Paulo de ontem, destaca o episódio que está envolvendo o Facebook. O Congresso Americano enviou documento de 700 páginas àquela empresa encaminhando para sua direção 1.200 perguntas que estão para ser respondidas a curto prazo. Mas alguns dados já se encontram respondidos. Um deles o que focaliza a entrega de cadastros pessoais de 87 milhões de pessoas a 52 empresas para finalidades comerciais.

 O Washington Post destaca que houve um prejuízo da ordem de 5 bilhões de dólares em decorrência da utilização compartilhada. Mas o Congresso Americano pressiona a direção do Facebook acusando-o de utilizar informações pessoais para fins de comércio sem consultar os usuários. Assim o Facebook, de maneira indevida, apoderou-se de dados individuais que não lhe pertencem.

Os usuários informaram seus dados para se tornarem usuários do sistema, não para que fossem enviados sem consulta aos respectivos titulares.

O Facebook está sendo também objeto de ações judiciais pelas Aple, Amazon e Microsoft. Como se vê, gigantes da comunicação eletrônica envolvem-se conjuntamente para atacar apropriação indébita praticada pelo Facebook.

Realmente, digo eu, o que levou o Facebook a compartilhar dados que não lhe pertencem?

Jornalistas do grupo Globo não podem apoiar candidaturas nem partidos políticos

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Charge do Kayser (O Estado/ AC)

Pedro do Coutto

Em documento de página inteira na edição de ontem, João Roberto Marinho, presidente do Conselho Editorial do grupo, estabeleceu que os jornalistas da empresa não podem apoiar candidaturas tampouco partidos políticos nas próximas eleições. A limitação se refere ao comportamento dos que trabalham naquele grupo nas redes sociais da internet. João Roberto Marinho fixou as novas diretrizes a serem cumpridas pelos repórteres e redatores. O presidente do Conselho Editorial discorreu sobre a importância das redes sociais na internet, destacando que esse universo ressalta o compartilhamento de ideias, fatos e opiniões e também aproximação de pessoas que nem se conhecem.  Chamou atenção para a necessidade de se combater versões e notícias falsas.

Todos os jornalistas que cobrem a economia e a política, em conseqüência, se privam da liberdade de manifestarem publicamente suas opiniões pessoais. Um jornalista, por exemplo, que seja parente de algum artista, tacitamente está impedido de cobrir as atividades dele.  Da mesma forma tal raciocínio estende-se também a situações semelhantes relativas aos campos político e econômico.

RESTRIÇÕES – João Roberto Marinho acentuou que as redes sociais nos impõem também algumas outras restrições. Sabemos que não podemos atuar nelas desconsiderando o fato de que somos jornalistas e de que precisamos agir de tal modo que nossa isenção não seja questionada pela sociedade brasileira.

O documento do grupo Globo determina nítidas fronteiras entre as posições pessoais de cada um e seu comportamento nos espaços do jornalismo eletrônico. O documento não se refere aos artistas da rede globo. E esta ausência pode levar a que a fronteira estabelecida para redatores e repórteres seja estendida aos atores e atrizes. Isso porque se algum artista apoiar uma candidatura ou um partido nas redes sociais o efeito seria ainda maior do que a presença de um jornalista no mesmo campo.

Um jornalista ou uma jornalista não tem o universo de conhecimento público tão grande proporcionado pelas novelas da emissora.

ADITIVO – O presidente do Conselho Editorial destacou ainda que o documento é aditivo das diretrizes anteriores editadas em 2011. Ele recomenda que todos os que trabalham no grupo leiam com atenção o documento e que restrições semelhantes regem por exemplo os jornalistas do New York Times e da BBC de Londres.

O que o documento ressalta, na minha opinião, também se estende à divisão que deve impor distância entre o jornalismo e a publicidade, pois uma coisa nada tem a ver com outra. Muitas pessoas se enganam – acontece em nossa profissão – sobre esse tema. Na verdade, hoje, nenhum jornal deixa de acentuar a diferença entre publicidade comercial e o jornalismo profissional.

Enganos existem em todas as profissões, mas no jornalismo eles têm maior dimensão, pois se trata de comunicação coletiva.

Advogados de Lula querem julgamento só na Segunda Turma do Supremo

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Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Pedro do Coutto

Parece incrível mas é verdade, quase inacreditável, e as repórteres Carolina Brígido e Renata Marins, edição de sábado de O Globo, destacam o recurso indeferido sexta-feira pelo ministro Alexandre de Moraes. O título desta matéria é afirmativo, mas poderia ser interrogativo. Qual o mistério que leva advogados de um réu a recorrerem para que apreciação da iniciativa sejaremetida à turma composta pelos Ministros Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Dias Tófoli, além de Edson Fachin e Celso de Mello. Por coincidência a Segunda Turma do STF vem se celebrizando por libertar condenados e também aqueles que se encontram sob prisão preventiva.

Os votos de Gilmar Mendes, Tofoli e Lewandowski tornaram-se célebres pelo pensamento liberal no qual baseiam suas decisões.Tanto assim que o despacho do Ministro Edson Fachin remetendo o recurso da defesa de Lula para o Tribunal Pleno foi rebatido pelos advogados do ex-presidente. Para eles o plenário de 11 ministros não é conveniente. Conveniente é a composição da Segunda Turma, cujos integrantes já garantiram lugar de destaque no espelho da opinião pública, portanto da sociedade brasileira de modo geral.

GILMAR EUFÓRICO – Esta semana por exemplo, a edição da Revista Veja que está nas bancas exibe na sua capa uma fotografia do ministro Gilmar Mendes dando gargalhada.

Os advogados de Lula ingressaram na quinta-feira com uma série grande de recursos. Todos reivindicando a liberdade do ex-presidente. Mas separados por assunto. Um dos recursos visava um habeas corpus a ser apreciado pela famosa Segunda Turma. Outro recurso para que Lula fosse considerado elegível, em consequência da suspensão da pena na escala de segunda instância, o que não só o libertaria da prisão no Paraná, mas também sua habilitação eleitoral. A acumulação de recursos foi de tal ordem que o ministro Edson Fachin teve de estabelecer prazo para que os advogados escolhessem um tema central e não sua subdivisão em fases diferentes. A reportagem de Carolina Brígido e Renata Mariz acentua que os advogados então recuaram da questão que focalizava habilitação eleitoral.

EM RECESSO – Ocorre que o Supremo Tribunal Federal entrou em recesso a partir de sábado e sua presidente, ministra Carmen Lúcia, mantém-se firme em não colocar na pauta a questão da prisão em segunda instância. Ela sustentou que tal matéria já foi objeto de três julgamentos, dos quais dois em 2016 e um em 2017. Além disso, para evitar problemas ela avocou a si própria o plantão de emergência no STF. Dessa forma ela garantirá a predominância de seu pensamento, evitando ao mesmo tempo qualquer surpresa se fosse outro o ministro de plantão.

Aliás, esta é a segunda vez em que ela se torna plantonista durante os períodos de recesso.

A impressão que se pode ter da controvérsia existente entre a Segunda Turma, Primeira Turma e o plenário integral do STF é de que o tema terá de ser decidido mais uma vez para se tornar absolutamente efetivo.

PRESSÃO DA OAB – Existe uma pressão muito forte por parte de advogados para acabar com a prisão em segunda instância. Claro. Se revogada a decisão anterior do STF, descortina-se um campo profissional altamente rentável para os defensores de criminosos.

Ao mesmo tempo milhares de condenados seriam soltos e ganhariam tempo para percorrer uma nova escala de recursos.

Diz o Ibope: Bolsonaro e Marina iriam ao segundo turno, se eleição fosse hoje

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Bolsonaro e Marina na frente, porém estacionários

Pedro do Coutto

Jair Bolsonaro com 17% e Marina Silva com 13%, este seria o desfecho para o segundo turno se a sucessão presidencial fosse hoje. É o panorama apresentado pelo Ibope na pesquisa que realizou por iniciativa da Confederação Nacional da Indústria, se a disputa no primeiro turno fosse realizada hoje. A repórter Catarina Alencastro focalizou o levantamento em O Globo. O Estado de São Paulo também publicou reportagem de destaque, na edição de ontem, sexta-feira.

Com o passar do tempo, a posição dos pré-candidatos não tem se alterado, tanto nas pesquisas do Ibope quanto nas do Datafolha. Os demais candidatos encontram-se muito abaixo de Bolsonaro e Marina. Ciro Gomes e Geraldo Alckmin ambos têm 8%, os demais postulantes ficam contidos em percentagens mínimas. Alvaro Dias pontuou 3%. Flávio Rocha, Manuela D’Avila, Henrique Meirelles têm aenas 1% das intenções de votos, cada um.

BRANCOS E NULOS – A modificação que a pesquisa de agora acentua desloca-se para medição dos votos brancos e nulos, que somam 33%. A pesquisa não considera a faixa de 18 pontos dos que não souberam responder a pesquisa ou não desejaram. Curioso confrontar-se os brancos e nulos de agora com os brancos e nulos da pesquisa anterior, considerando-se o cenário sem Lula, como deve acontecer. Adicionando-se aos 33% a faixa dos que não responderam a pesquisa chegamos a um patamar de 51%.  No levantamento anterior estavam em torno de 50% os que naquele momento queriam esterilizar o voto .

A tendência, a partir do momento em que se iniciar o horário gratuito na televisão e no rádio, é reduzir os votos brancos e nulos, como acontece em todas as eleições. Isso não quer dizer entusiasmo por qualquer nome, mas sim a disposição de participar que se destaca à medida em que transcorre a campanha política.

COMPARAÇÃO – Dessa forma devemos confrontar os 33% de hoje com os resultados que vão surgir manhã. É verdade, o fato é que eleitores e eleitoras não votam em quem desejariam, mas de acordo com as opções que o quadro partidário oferece.

Lula, quando incluído na pesquisa, registra 31%. Para onde irá seu eleitorado? Isto até agora representa uma incógnita. A pesquisa, de outro lado, ressalta os índices de rejeição, que são altos principalmente em torno de Bolsonaro e de Lula, se este candidato fosse. Quanto ao presidente atual, o Ibope revelou que o índice de rejeição de Michel Temer passa de 80% contra uma aceitação de apenas 4 pontos.

Tal revelação talvez explique o estacionamento de Henrique Meirelles no primeiro andar, com 1%. Dificilmente ele poderá fazer campanha como candidato do Palácio do Planalto. Temer bateu todos os recordes de impopularidade.

Gilmar transforma em vitória a libertação de condenados em segunda instância

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Gilmar Mendes comanda a desmoralização do STF 

Pedro do Coutto

Reportagens de Amanda Cupo e Rafael Marques Moura, O Estado de São Paulo, e de Reynaldo Torollo, Folha de São Paulo, edições de ontem, deram destaque à manifestação do ministro Gilmar Mendes festejando a decisão da Segunda Turma que libertou da prisão os condenados José Dirceu e Cláudio Genu. “O Supremo”, disse Gilmar, “voltou a ser o Supremo”. Analisando-se a essência do caso, inevitavelmente se assinala que o Ministro transformou em vitória a votação de quarta-feira.

Não há motivo para isso. Em primeiro lugar a frase infeliz representa uma agressão aos demais ministros da Corte, especialmente a Edson Fachin e a todos os outros que no ano passado firmaram jurisprudência sobre a prisão em segunda instância, inclusive com apoio dele, Gilmar.

EXAGERADO – O Ministro Gilmar mais uma vez exagera. Em primeiro lugar, porque a decisão pode vir a ser revista pelo Tribunal Pleno, que é composto por onze ministros. Em segundo lugar, significa uma agressão à própria Corte: quer dizer que, se o Plenário modificar a decisão da Segunda Turma, no seu entender, simplesmente voltará a não ser Supremo? É uma contradição chocante e evidente.

A presidente da Corte, ministra Carmen Lúcia, está na obrigação de convocar o Plenário para examinar a procedência ou não das palavras de Gilmar Mendes. Não sei por que Gilmar Mendes, Tofoli e Ricardo Lewandowski formaram uma ilha de pensamento no Tribunal, concedendo habeas corpus a condenados cumprindo penas de prisão.

Eles são contra a prisão em segunda instância, querem condicioná-la ao esgotamento de todos os recursos, porém há outros que têm o pensamento contrário. Gilmar, efetivamente, acusou-os de terem contribuído para que o Supremo deixasse de ser a Suprema Corte do país.

DIVERGÊNCIAS – O choque entre Ministros tornou-se a cada dia mais evidente, como acentuou Reynaldo Turollo, Folha de São Paulo. Há divisões de conceitos e pensamentos. Matéria para ser decidida pelo plenário.

Ontem mesmo, Renata Mariz e Carolina Brígido, em O Globo, publicaram matérias sobre críticas feitas pelo ministro Marco Aurélio Mello à presidente Cármen Lúcia. O motivo é que a presidente do STF manipula a pauta da Corte e não inclui recursos voltados para anular as prisões em segunda instância.

Anular as prisões em segunda instância favorece a opinião maciça dos advogados dos réus que lutam para colocá-los em liberdade e, eles sim, manipulam os reflexos na sua atuação profissional.

IMPASSE – A libertação dos condenados em segunda instância colocaria em liberdade o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e muitos outros cujas condenações se acumulam. O Supremo só será sempre o Supremo, se colocar os direitos e deveres da Justiça acima de objetivos pessoais e profissionais.

A presidente Carmen Lúcia está diante de uma questão que divide a Corte Suprema em relação principalmente aos que só tornaram réus em face da Operação Lava Jato.      

Seleção vence no gramado, mas o STF perde no tapetão da Segunda Turma

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Por que nunca há divergência entre os três ministros?

Pedro do Coutto

São dois acontecimentos que se destacaram nas últimas 48 horas. Ontem, a Seleção brasileira derrotou a Sérvia no gramado de Moscou. Na terça-feira, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal, entre outras questionáveis providências, libertou os condenados José Dirceu e Cláudio Genu mandados para a prisão pelo TRF da 4ª região. Vamos por partes.

A Seleção de Ouro jogou uma boa partida. Neymar prendeu menos a bola, não driblou tanto, voltava para ações defensivas. Não reclamou do juiz e não ofendeu a arbitragem e jogadores adversários. Aliás, fez uma promessa na véspera da partida que mudaria sua presença em campo. Cumpriu. 

EM CONJUNTO – Prevaleceu um conjunto da Seleção, atacando em velocidade com os homens de frente voltando para o meio campo e também para a própria área ocupada por Tiago Silva e Miranda. Felipe Luiz, que substituiu Marcelo teve ótima atuação.

Difícil destacar os desempenhos individuais quando o escrete desenvolveu um trabalho conjunto muito bom. Agora vamos pensar na segunda-feira quando enfrentaremos o México às 11 horas.

O futebol brasileiro revelou estar se encontrando consigo mesmo e ocupando maciçamente todos os espaços da partida. A vitória não foi fácil, a Sérvia jogou bem, prevaleceram a técnica e a tática expostas por nossa Seleção. O técnico Tite, aliás, interpretou bem o resultado contra Costa RIca e posicionou mais objetivamente os esforços conjuntos do time. Uma das modificações táticas, inclusive de importância fundamental foi ter adiantado Neymar aproximando-o da área adversária. A torcida brasileira está festejando e tem motivos para acreditar em nosso sucesso.

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SUPREMO PERDE NA SEGUNDA TURMA

Por que afirmo isso? Simplesmente porque os ministros Dias Tófoli, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski não levaram em consideração a jurisprudência da Corte e por três votos a um deixaram Edson Fachin solitário e libertaram José Dirceu e Cláudio Genu. Como é possível o trio de sempre ignorar que existia uma decisão da Corte sustentando a prisão de condenados em segunda instância?

O relator da matéria, Edson Fachin viu seu parecer tornar-se uma ação simplesmente isolada.

Não foi a primeira vez que Tofoli, Gilmar e Lewandowski assumiram posição totalmente liberal em relação a condenados. Desta vez a decisão que tomaram foi manchete das edições de ontem de O Globo, Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo. No Valor recebeu chamada na primeira página. Provavelmente o acontecimento será examinado pela ministra Carmen Lúcia , presidente da Corte, se houver recurso do relator ou de Raquel Dodge, Procuradora Geral da República ao Plenário.

SEGUNDA TURMA – Uma questão adicional: Por qual motivo os problemas que envolvem condenados caem costumeiramente na Segunda Turma? Todas as ações da Lava Jato são relatadas por Fachin, que é da Segunda Turma, mas os advogados dos réus também agem nesse sentido.

Criou-se praticamente uma rotina. Cabe, então, uma pergunta. Por que motivos, entre Toffoli, Gilmar e Lewandowski, não se encontra uma divergência de voto entre os três?

Espaços políticos nas redes sociais na Internet crescem 67% em 2018

Eleições Campanha Internet Baixaria Trolls

Charge do Lute (Jornal Hoje em Dia)

Pedro do Coutto

 Os números são de um levantamento realizado pelo Google Trends e resultam de uma comparação entre os espaços ocupados, agora em 2018, com os que foram registrados na sucessão presidencial de 2014. A reportagem é de Luiz Fernando Toledo, edição de ontem de O Estado de São Paulo, analisando as inserções relativas a diversos candidatos às urnas de outubro. Foram relacionadas as candidaturas de Alckmin, Álvaro Dias, Amoedo, Bolsonaro, Boulos, Ciro Gomes, Flávio Rocha, Fernando Haddad, Manoela D’Avila, Marina Silva e Henrique Meirelles.

Embora esteja impedido de se candidatar, foi registrado o nome de Luis Inácio Lula da Silva. A força da Internet, portanto, avançou extraordinariamente nos últimos quatro anos e se transformou em palco que pode ser decisivo para a sucessão de Michel Temer.

GRANDE AVANÇO – O fenômeno divulgado pelo Google representa um avanço muito grande em matéria de comunicação eletrônica. Entretanto as incidências nas redes sociais não alteraram os índices das pesquisas eleitorais, tanto do Ibope quando do Datafolha.

Para citar dois exemplos, as incidências em favor de Flávio Rocha e Guilherme Boulos são grandes na internet. Porém, até agora não se transformaram em intenções de votos. Pode ser que o panorama de hoje se altere a partir de 31 de agosto, quando se inicia o período de propaganda nas emissoras de rádio e televisão. Trata-se de uma hipótese a se conferir ao longo do tempo. Mas até o momento, Bolsonaro e Marina Silva lideram tanto as pesquisas de intenção de votos quanto na ocupação de espaços cotidianos no universo da Internet.

ALVARO E CIRO – Álvaro Dias, outro exemplo, é bastante citado nas redes sociais, da mesma forma que Ciro Gomes. No entanto, as exposições que os envolvem na Internet não são proporcionais às intenções de votos a seu favor. Curioso o universo comparativo, dá ensejo a um desdobramento da pesquisa, segundo penso, sobrepondo-se as aparições nas redes sociais comparadas com os números do Datafolha e Ibope.

Trata-se, sugiro eu, de verificar a compatibilidade entre a exposição na internet e a pré-disposição dos eleitores e eleitoras. No caso de Geraldo Alckmin, embora seja bastante citado nas redes sociais, seu índice é de 7% tanto no IBOPE quanto no Datafolha.

Aliás, deve se considerar a tentativa de explicar a distonia entre a inserção na galáxia eletrônica e o resultado concreto e prático das exposições. A esse respeito, deve-se observar que a matéria é mais complexa do que se pode imaginar à primeira vista. Isso porque há candidatos que mobilizam equipes que trabalham intensamente na comunicação de cada um deles nas redes sociais.

A FORÇA DAS EQUIPES – A exposição muito frequente de Flávio Rocha e de Guilherme Boulos, por exemplo, deve ser consequência da intensidade de trabalho desenvolvido pelas respectivas equipes.

O panorama atual é este. Vamos compará-lo em futuro próximo com os reflexos de todos os candidatos ao longo de 31 de agosto ao início de outubro, quando se realiza, pela lei eleitoral, a propaganda partidária. Outro aspecto a ser levado em conta é o relativo a ocupação de espaço ao longo do horário gratuito destinado aos partidos políticos de acordo com as bancadas que possuem na Câmara Federal. E existe ainda uma outra face a ser analisada: quais as consequências dos debates entre eles no universo da internet.

Como se verifica a internet, cresceu extraordinariamente na comunicação. Mas é preciso ter cuidado: porque há pessoas que repetem seguidamente mensagens ao longo das 24 horas do dia.              Assim, pode gerar o efeito múltiplo de comunicações solitárias nas teclas do mundo eletrônico.

Neymar, não prenda a bola demais, drible menos e jamais ofenda o juiz

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Descontrolado, no fim do segundo jogo Neymar chorou

Pedro do Coutto

Acredito que essas três questões encontram-se no pensamento de toda a torcida brasileira, no pensamento, aliás, da população em geral. Vamos entrar em campo amanhã lutando para ultrapassar da primeira para a segunda fase da Copa da Rússia. A Sérvia será um adversário difícil, mas por isso mesmo exigirá mais empenho e objetividade da nossa seleção. Não fomos bem contra a Suíça, tampouco contra a fraca equipe da Costa Rica. Vencemos, e o que se espera é que as atuações anteriores sirvam para sinalizar a armação tática do time no gramado de amanhã, às 3 horas da tarde.

Temos defeitos a corrigir, principalmente da parte de Neymar, em tarefa urgente a ser passada a ele pelo treinador Tite e também por aquele jogador que receber a faixa de capitão. Todas as pessoas com quem tenho falado e o que está assinalado nas redes sociais indicam as questões colocadas no título deste artigo.

ERROS CRASSOS – Neymar prende a bola demais, dribla em excesso, ofende o juiz, como ficou claro na imagem revelada pela Rede Globo no final da partida contra a Costa Rica e reproduzida no Fantástico de domingo.

Prender a bola demais é retardar a chegada do ataque à área adversária. Driblar em excesso permite que a defesa adversária se arme mais solidamente, além de fazer com que o time aumente a distância entre nossa ofensiva e o gol da equipe que jogar contra nós. Ofender o juiz é indispor o árbitro contra a Seleção Brasileira. Em um dos lances da partida contra a Costa Rica, ao reclamar uma falta, Neymar jogou a bola no chão, revelando descontrole. O descontrole ficou evidente no final do jogo quando ele sentou-se no gramado chorando.

FALTA EQUILÍBRIO – Neymar, não há dúvida alguma, é um dos maiores craques da geração de hoje. Mas tem de soltar mais a bola, porque ninguém ganha o jogo sozinho. Ele deve agradecer a Deus pelo futebol que possui, de extrema habilidade com a bola, e levar em consideração que profissionalmente é um iluminado.

Teve uma transferência milionária quando o Santos vendeu seu passe ao Barcelona, depois uma segunda transferência milionária, quando trocou a camisa do Barcelona pela do Paris Saint Germain. Mas precisa desenvolver um equilíbrio talvez psicológico, sobre si mesmo, capaz de evitar atitudes que vão contra sua própria imagem.

É o que o país inteiro espera dele e da seleção de ouro.

OUTRO ASSUNTO – Em entrevista a Ana Paula Ragazzi, o presidente da Bolsa de Valores do Brasil, Gilson Finkelsztain, afirmou que a indefinição política é o principal fator para a tensão do mercado de ações. Ele se queixa de que os candidatos não estejam se referindo ao mercado de capitais de forma sólida e objetiva. Mas a campanha não começou e a indefinição é própria do mercado de capitais.

Afinal, da mesma forma que time algum vence na véspera, é preciso aguardar a campanha para uma definição mais clara. Futebol se ganha no campo, eleição se vence nas urnas.

No Brasil, 85% do eleitorado condenam as “fake news” nas redes sociais

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Charge do João Bosco (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

O problema das notícias falsas nas redes sociais da internet foi objeto de duas pesquisas internacionais, a primeira da Universidade norte-americana de Columbia, a segunda do Instituto Reuters, da agência de notícias do mesmo nome. As pesquisas se basearam em 75 mil entrevistas em diversos países, e a condenação mais forte foi do Brasil, sobretudo porque os eleitores e eleitoras temem as fake news por ocasião das eleições de outubro.

Reportagem de Paula Cesarino Costa, edição de ontem da Folha de São Paulo, destaca o tema. A Universidade de Columbia concluiu que os próprios leitores têm de avaliar a diferença entre o que é falso e o que é matéria jornalística de fato. Kyle Pope, editor da revista daquela Universidade, informou que a agência internacional TBWA está projetando uma campanha para combater o fenômeno.

EM 37 PAÍSES – As pesquisas focalizaram a reação popular em 37 países, e concluiu que 54% estão muito preocupados com a circulação das fake news.

Para a jornalista Paula Cesarino, os resultados reforçam a credibilidade tanto dos jornais quanto das redes sociais, uma vez que essa credibilidade é a única forma possível de se enfrentar as distorções que frequentemente surgem na rede eletrônica. Enquanto a média mundial de rejeição foi de 54%, no Brasil ela se tornou muito maior em função das eleições de outubro. Reação natural porque diversos candidatos veiculam diariamente, nas 24 horas do dia mensagens a favor de uns nomes e contra outros, ao sabor da maior capacidade de injetar as informações que desejam nas telas velozes do mercado de informação e opinião. O Brasil possui uma realidade impressionante. Nosso país tem 145 milhões de eleitores e 130 milhões de usuários somente no Facebook.

DIZ FUX – A injeção de notícias falsas foi objeto de pronunciamento recente do ministro Luis Fux, presidente do Tribunal Superior Eleitoral. Ele admitiu a hipótese de as eleições poderem vir a ser anuladas se a falsidade de mensagens contribuir para modificar os resultados finais. A hipótese é pouco provável, sobretudo porque tem de se admitir a perspectiva de algum candidato derrotado produzir fake news apenas com intenção de anular o pleito.

A proposta de anular o leito tem precedente no Brasil de hoje. Após as eleições de 2014, o candidato tucano Aécio Neves ingressou com recurso junto ao TSE para anular o resultado das urnas. O então presidente do PSDB não se baseou em fake news, mas sim no abuso do peso da administração que ajudou Dilma Rousseff a vencer. O recurso foi julgado no final de 2015 e indeferido pelo Tribunal por 3 votos a 2.

A partir de setembro assumirá a presidência do Tribunal Superior Eleitoral a ministra Rosa Weber. A tarefa de apreciar a prática de ilegalidades, como é o caso das fake news, encontrar-se-á em suas mãos.

NO WHATSAPP – Tanto a Universidade de Columbia quanto o Instituto Reuters frisaram que é preciso ter cuidado também com Wathsapp, que no Brasil já atinge 50 milhões de usuários.

Na verdade, acho eu, é impossível estabelecer-se qualquer obstáculo na inserção de textos verdadeiros ou falsos. Impossível porque basta alguém possuir um computador e ele terá ingresso no universo geral da transmissão livre de textos, que destacam informações e opiniões. A única forma de rejeição possível está na capacidade de cada um perceber a qualidade das matérias expostas.

A explicação de tal processo depende da percepção de cada um. Pode-se não saber explicar uma situação. Mas pode se distinguir o que é verdadeiro e o que não é. E assim, com o universo de informação ampliado incrivelmente, passamos do século XX ao século XXI.

Lula perde no Supremo mais um oportunidade para deixar a prisão

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Charge do Luiz Gê (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

O Ministro Edson Fachin, relator da operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, indeferiu o pedido de habeas corpus formulado pela defesa de Lula para que o ex-presidente obtivesse a liberdade. A matéria estava para ser apreciada pela 2ª turma do STF na próxima terça-feira, 26 de junho. Entretanto com o despacho de sexta-feira, o recurso automaticamente sai da pauta. A 2ª turma da Corte Suprema é composta pelos Ministros Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli, Celso de Mello e pelo próprio Fachin.

Certamente os advogados de Lula esperavam que o habeas corpus fosse decidido a favor do ex-presidente, que assim poderia retomar o caminho para a atividade política e presumivelmente tentar nessa condição participar da sucessão presidencial de outubro.

PRIMEIRA PÁGINA – A Folha de São Paulo e o O Estado de São Paulo destacaram o fato com chamadas na primeira página. O Globo também colocou na primeira página a notícia. Agora aos advogados de Lula só resta o caminho de recorrer ao Plenário do STF contra a decisão de Fachin. O que faz com que seja eliminada a hipótese do habeas corpus ser decidido agora pela Segunda Turma. A defesa de Lula jogava todas as fichas na segunda turma do STF.

O despacho de Edson Fachin bloqueou esse encaminhamento e, com isso, tacitamente fechou a passagem, não só para a liberdade, mas também para a tentativa de vir a ser ele o candidato do PT nas urnas de outubro. Não que o habeas corpus pudesse modificar a barreira da inelegibilidade. Mas sim porque seria um passo capaz de transferir o debate para um plano no qual Luis Inácio da Silva não se inclui.

IMPOSSIBILIDADE – Lula, com base nos fatos de hoje, provavelmente estará convencido da impossibilidade de disputar a 8ª eleição presidencial de sua carreira. Ele perdeu para Collor, duas vezes para Fernando Henrique Cardoso, elegeu-se e se reelegeu e proporcionou duas vitórias a Dilma Rousseff.

Um recorde mundial, creio eu, difícil de ser batido. Se pudesse disputar este ano, seria a 8ª vez a estar presente num desfecho proporcionado pela base popular. Afastada tal hipótese ele fatalmente terá de escolher entre apoiar um candidato ou então como se noticiou, escolher Fernando Haddad como nome do PT à sucessão. O futuro próximo dirá qual seu caminho no rumo de outubro.

VITÓRIA DRAMÁTICA – Voltando a falar em Copa do Mundo, foi dramática a vitória da Alemanha sobre a Suécia na tarde de ontem. Nos últimos minutos surgiu o gol da vitória. Se persistisse o empate a Alemanha estaria afastada da Copa. Em sua chave estão o Mèxico, Suécia e Coreia do Sul. México com 6 pontos lidera. Em segundo lugar, empatadas Suécia e Alemanha com 3. Matematicamente eliminada a Coreia do Sul que sofreu duas derrotas. Vai enfrentar a Alemanha na próxima semana, da mesma forma que a Suécia poderá decidir seu destino contra o México. Quadro ainda indefinido.

O futebol desperta emoções e paixões na linha que divide a vitória da derrota, o êxito do fracasso. A chave liderada pela Suécia é a mais enigmática como etapa na luta na Copa da Rússia. O Brasil retorna ao gramado quarta-feira, enfrentando a Sérvia. A situação brasileira, a meu ver, está favorável à classificação. Inclusive porque, contra a Suíça a seleção da Sérvia, no segundo tempo deixou claro que não se encontra em bom estado atlético. Não correu no empate com a Suíça o suficiente para evitar sua derrota. Bem, vamos esperar os acontecimentos.

Lembrando Nelson Rodrigues: “Todas as vitórias são santas”

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Foi difícil passarmos pela Costa Rica, jogo duríssimo, um sufoco, que fez a vitória surgir no final do segundo tempo. Vencemos e vamos em frente. Em momentos assim lembro a frase do meu amigo Nelson Rodrigues: “Todas as vitórias são santas”. E acrescento. Nas vitórias devemos agradecer a Deus e valorizar a etapa conquistada. Foi difícil. A Seleção de Ouro só melhorou no segundo tempo com a entrada de Douglas Costa no lugar de Willian. Foi a partir desse momento que o escrete apurou suas jogadas ofensivas, tornando o gol iminente.

Custou a vir  até que Felipe Coutinho aproveitou a pressão sobre a área do adversário e mandou a bola na rede. Por que a seleção não jogou ofensivamente desde o início da partida?  Uma pergunta a ser respondida pelo técnico Tite.

UMA REPRISE – No primeiro tempo, quase repetimos  a atuação contra a Suíça. Excesso de troca de passes, velocidade reduzida, são fatores que fizeram a Costa RIca crescer. Estávamos mal posicionados em campo com afunilamento entre a esquerda e o centro do ataque. Não estávamos ocupando o espaço com o toque de primeira. O panorama ao fim da primeira etapa era preocupante. Chutamos pouco a gol e a defesa tinha que cuidar dos contra-ataques. A entrada de Douglas Costa foi providencial. Importante é que praticamente garantimos a passagem da fase classificatória para as oitavas de final.

Substituições providenciais acontecem sempre no futebol. Basta lembrar o exemplo de 58: quatro substituições foram feitas a partir do jogo contra a Rússia. Pelé no lugar de Dida, Zito no lugar de Dino Sani, Vavá no lugar de Mazola e Garrincha no lugar de Joel. Podemos até acrescentar uma quinta modificação: na final contra a Suécia entrou Djalma Santos no lugar de De Sordi.

GARRINCHA E PELÉ – Vejam só. Da classificação até a final quase meio time deu lugar a outro. Foi a partir da vitória contra a Rússia que passamos a percorrer a estrada da vitória, com Garrincha deslumbrando o mundo inteiro. E Pelé, aos 17 anos, afirmando-se como um craque absoluto. Mas isso pertence ao passado.

Estamos no presente, Copa de 2018. Na chave, o Brasil falta enfrentar a Sérvia. A equipe deve melhorar ainda mais, alcançando um fator que falta: a confiança e a integração no conjunto da equipe.  Vamos em frente sem nos preocuparmos com qual adversário vamos enfrentar nas oitavaS de final.

TUDO BEM – Uma seleção que é candidata ao título não deve se preocupar com quais adversários as próximas lutas vão ser travadas. 

Se for contra a Alemanha, tudo bem. Nem por isso vamos deixar de desenvolver nosso futebol. Faz parte da história do esporte.  Enfim, a vitória desta sexta-feira vai nos embalar para atuações melhores.

Uma coisa a ser corrigida: as reclamações seguidas de Neymar que terminam irritando os árbitros. É negativo. Tão negativo quanto conter demasiadamente a bola nos pés. Hoje ele soltou mais rápido a bola, o que é um bom sinal para os próximos jogos que teremos pela frente. Amém.

Seleção de Tite, hoje deve atuar mais solta no caminho da classificação

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Neymar levou cartão e devia parar com o cai-cai

Pedro do Coutto

Depois do empate com a Suíça, na partida em que atuou prendendo demais a bola e condicionada a esquemas rígidos, hoje a seleção entrou em campo com a responsabilidade de obter a classificação nas oitava de final. A Costa Rica não era problema em si, problema era a forma com que o escrete brasileiro ia jogar. Se desenvolvermos o potencial que é a base da Seleção, devemos partir para a classificação e o esforço para conquistar o hexacampeonato na Taça da Rússia.

Reportagem de Ciro Campos e Márcio Doban, edição de ontem de O Estado de São Paulo, destaca que o técnico Tite encontra-se sob tensão diante da responsabilidade de comandar o time. Tensão nas poucas horas que antecedem o início da partida é um fenômeno geral e natural nas competições de maior porte. Sobretudo no futebol em que a tática é capaz de neutralizar a técnica e até a arte dos melhores atletas.

NOSSO PROBLEMA – Afirmei que a Costa Rica não era o problema. O problema é a nossa própria seleção, que através dos tempos passou a valer ouro no universo do futebol.

O universo mágico do futebol, como se sabe, revela um esporte coletivo altamente complexo, que exige não só a qualidade , mas sobretudo a calma diante dos adversários. Não podemos repetir o erro de neutralizarmos nós mesmos. Isso só depende dos próprios jogadores brasileiros e também da percepção por parte do treinador Tite.

Um dos pontos chave do jogo encontra-se nos pés de Neymar. Ele tem que se colocar mais a frente, uma vez que é mais atacante do que o meio campo brasileiro.

JÁ GANHOU – Depois da Suíça e Costa Rica, teremos a Sérvia pela frente. Uma partida provavelmente mais difícil do que a de hoje. Não podemos, por outro lado, partir para a sensação do “já ganhou”, extremamente negativa para qualquer equipe. O “já ganhou” nos derrotou em 1950 e deixou suas marcar na memória do esporte.

Por isso tivemos que respeitar a Costa Rica, que se concentrou na defesa, procurando com a tática neutralizar a técnica. Mas a arte foi decisiva hoje, não só para vencer a partida, mas sobretudo para restabelecer um clima de confiança em nós mesmos. Não podemos cair no abismo do que Nelson Rodrigues chamava de complexo de vira-lata, a sensação de inferioridade, que constitui  nosso maior obstáculo.

Se depender do jogo de hoje, estaremos, se Deus quiser, no caminho da vitória até o desfecho final de 15 de julho. O treinador Tite tinha uma dupla missão: fazer com que Neymar não prendesse demais a bola nem praticasse dribles desnecessários. Além disso, soltar a equipe e deixá-la jogar mais à vontade, livrando-se de planos pré-concebidos. É isso aí.