Jungman explode Segovia e os estilhaços atingem Michel Temer

O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann

Na posse, Jungmann culpou consumo de drogas

Pedro do Coutto

O ministro Raul Jugman assumiu a pasta da Segurança na manhã de ontem e à tarde, na primeira reunião com sua equipe, exonerou Fernando Segovia da direção da Polícia Federal e para seu lugar nomeou imediatamente o delegado Rogério Calloro. O fato explodiu como uma bomba detonada em Brasília fazendo com que estilhaços políticos da explosão atingissem inevitavelmente o presidente Michel Temer. A rapidez da decisão revelou em seu conteúdo mais um enfraquecimento do presidente da República. Não só porque ele havia nomeado o atual diretor, mas principalmente porque Fernando Segovia, na famosa entrevista à Agência Reuter, tentou implodir o trabalho da Polícia Federal que investiga possíveis veiculações entre o Palácio do Planalto e a Empresa concessionária do Porto de Santos, Rodrimar.

Tão logo a notícia estourou, a GloboNews apresentou longa reportagem a respeito, ainda no final da tarde. Impossível minimizar o reflexo político da decisão, que produziu vários significados, todos eles de grande importância para o panorama político brasileiro.

LAVA JATO E PF – Em primeiro lugar, o fortalecimento ainda maior da Operação Lava Jato e das ações da Polícia Federal, cujo corpo de delegados reagira contrariamente à manifestação do ex-diretor que praticamente antecipava o resultado de um inquérito que ainda não se encontrava em suas mãos para apreciá-lo. Em segundo lugar, fixou a imagem do presidente da República num plano inclinado de mais um episódio a marcar a queda de seu poder de decisão.

Sim, porque se dependesse de sua vontade pessoal, Michel Temer não demitiria Segóvia, indicado para o cargo pelo ex-senador José Sarney. Ficou claro que o episódio resultou de uma pressão conjunta, inegavelmente formada em parte por uma via de consequência da intervenção federal na segurança do Rio de Janeiro. Basta comparar os fatos: o ministro da Justiça Torquato Jardim desejava afastar Segovia, porém não conseguiu a concordância do Presidente Michel Temer.

Segovia foi interpelado por um ministro do Supremo, Luis Roberto Barroso, ao mesmo tempo ameaçado pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge, que o advertira com a perspectiva de seu afastamento do cargo pela antecipação de uma tendência da Polícia Federal antes do desfecho das investigações.

Mas a vontade de Jardim não foi suficiente. O acontecimento final transbordou na formação básica do Ministério da Segurança, criado por Medida Provisória há dois dias e tão logo Raul Jugmann colocou o pé na pasta extraordinária. Não foi coincidência.

SEM COINCIDÊNCIAS – Aliás, em matéria política, coincidências ocorrem muito dificilmente. Pode se supor que a criação do Ministério da Segurança foi uma consequência paralela à nomeação do general Walter Braga Netto para interventor (de Segurança) no Rio de janeiro. É preciso considerar também que um general foi convocado para ocupar o Ministério da Defesa, que reúne as três Forças Armadas. Fica no ar a perspectiva de a intervenção no RJ ter sido uma decisão mais militar do que propriamente civil. Mas esta é outra questão.

O essencial na substituição de Segovia por Galloro reflete o enfraquecimento ainda maior do presidente Michel Temer em ser o autor único de suas próprias decisões.

Daqui para frente, a estrada do poder terá mais vigilância e vigilantes.

Ministério da Segurança só funcionará se tiver forte base de apoio militar

Criação de ministério ocorre em meio à violência no Rio

Sem apoio militar, Ministério da Segurança  não sai do papel

Pedro do Coutto

O presidente Michel Temer criou o Ministério da Segurança Pública e no cargo de titular da Pasta Extraordinária investiu o ministro Raul Jungmann. Paralelamente, nomeou o General Joaquim Silva e Luna para o Ministério da Defesa. Torna-se evidente que o Ministério da Segurança, para funcionar de verdade, necessita de apoio das Forças Armadas. Claro. Porque, sem as Forças Armadas, os órgãos estaduais da segurança no Rio de Janeiro não conseguiram conter a onda de criminalidade que se projeta de forma assustadora, principalmente na cidade do Rio. Um pensamento complementa o outro: pois se não houvesse a condicionante militar no processo, nenhum esforço para garantir a ordem pública poderia fornecer resultado positivo.

Tanto assim que o Presidente da República, na tentativa de conter a desordem urbana, decretou a intervenção federal na segurança do RJ e nomeou como interventor o General Walter Braga Netto.

SEM LIMITES – A insegurança transbordou em todos os limites imagináveis, transformando o Rio de Janeiro num cenário semelhante ao de uma guerra civil, na qual as maiores vítimas são as pessoas inocentes. Não havia um dia, na cidade, em que não se registrasseM tiroteios cerrados. Bandos rivais, lutando pela conquista de espaços para a venda de drogas, produziam a insegurança coletiva, resultando numa saraivada de balas perdidas vitimando sem rumo certo pessoas de todas as idades. A situação era – e ainda é – insuportável.

Um reflexo de uma série de omissões que se acumularam através do tempo. O repórter Marco Antonio Carvalho, edição de ontem de O Estado de São Paulo, destacou que o plano emergencial de segurança, lançado exatamente há um ano, não saiu do papel. Esse é um dos problemas mais graves da administração brasileira e, mais grave ainda, tratando-se da desadministração que infelizmente governa os destinos  da população carioca e fluminense.

ATÉ NA SAÚDE – A corrupção generalizada chegou ao ponto de deixar que remédios perdessem a validade, para que fossem adquiridos novos fornecimentos. A crueldade absurda que reveste esse crime foi exibida no Fantástico de domingo na Rede Globo. Custa a crer que administradores dos mais altos escalões que funcionavam ao lado do Palácio Guanabara pudessem chegar a esse ponto de extrema crueldade e ganância criminosa total.

Basta acentuar que milhares de seres humanos perderam a vida em tão criminosa ganância. Neste caso, a ganância governamental se iguala em todos os planos à ganância assassina dos traficantes de drogas.

Mas esta é outra questão, na raiz de muitas outras que se instalaram na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. A partir daí torna-se mais fácil traduzir o estado de calamidade que, como um terremoto abalou os alicerces da ordem pública.

CRIOU-SE UM ABISMO – O exemplo vem de cima, costuma-se dizer. Porém, no Rio de Janeiro, foram perfurados os limites da ordem e criou-se um abismo entre os agentes da desordem e a população trabalhadora.

A intervenção foi um ato cirúrgico de emergência, depois de tantos chamados de emergência não correspondidos pelas autoridades estaduais. Os roubos se sucederam de maneira avassaladora.

Avassaladora foi também a expansão do tráfico de drogas e armas, ocorrido em grande parte em face da falta de recursos para que o sistema policial pudesse operar efetivamente. Ontem mesmo, uma viatura da PM ferveu no momento em que se deslocava para conter uma ação criminosa.

Ferveu também a capacidade de o povo aguardar uma solução. Não exige nada demais: quer apenas viver.

Jornalismo, a eterna aventura de escrever a história do mundo de minuto a minuto

Charge reproduzida do Arquivo Google

Pedro do Coutto

Acredito que o título é uma síntese forte e realista do jornalismo e eu ia dizer a história do mundo “no dia a dia”. Mas me lembrei a tempo da influência decisiva da internet na comunicação e por isso, substitui o espaço de 24 horas pelo espaço urgente de 60 segundos. O jornalismo, depois de Gutemberg no século XV, assumiu um papel essencial para contar a história dos países, povos, homens e mulheres que povoam o universo e, como nós, vivem tanto as suas realidades quanto suas fantasias, na busca de afirmações, dúvidas e certezas que no fundo habitam a alma humana.

Tive o impulso de escrever este texto quando li na manhã deste domingo o artigo de Otávio Frias Filho, diretor de redação da Folha de São Paulo, na edição de 25, caderno “Ilustríssima”. Achei que o tema tem uma amplitude muito maior do que aquela que foi atribuída por ele à imprensa, podendo esta afirmação soar estranha. Por isso convido os leitores deste site a lerem o artigo de Otavio Frias Filho.

COMUNICAÇÃO – O jornalismo é uma ponte entre o ontem e o hoje, entre o hoje e o amanhã, oferecendo um percurso que dá margem a interpretações e reinterpretações. Daqui a pouco citarei um exemplo.

Entretanto, o aspecto principal do jornalismo é que ele representa o canal de comunicação entre o poder e as sociedades, entre os fatos e suas versões, entre as empresas jornalísticas e a população de todos os países. Essa comunicação, com a internet, ganhou uma dimensão ainda mais extraordinária e impactante: por isso nenhum termo é mais adequado para definir a procura de notícias do que a palavra navegação. Esta palavra ganhou contornos mais amplos através do tempo. Antes estava restrita às caravelas e as grandes descobertas. Depois passou a voar pelos ares, Incorporou a era da cibernética espacial e agora encontra-se à disposição de todos através das telas dos computadores.

A velocidade da informação tornou mais urgente e imediata as mensagens que, de uma forma ou de outra vão ser incorporadas à memória coletiva. Todo jornalista leva consigo a extrema responsabilidade de entregar o produto de seu trabalho ao julgamento coletivo. Não basta ler apenas um jornal, ou acessar um site, como este da Tribuna da Internet. Indispensável se torna participar dos conteúdos mais importantes e mais sérios que cada pessoa escolher para si.

A história também é o presente na magistral definição de Arnold Toynbee. Houve um tempo em que, pelos colégios do mundo a fora, estudava-se a história do passado. Foi um erro. Ela acontece na velocidade do presente, na força dos fatos, na clareza das opiniões. Como na expressão de Simone de Beauvoir,  todos procuramos em tudo a exatidão de uma ideia. A predominância do fato e sua influência, consciente ou não em nossas vidas.

São grandes os riscos da profissão. Quando lemos os jornais e nos deparamos com fotografias de guerras e cenas de sangue, não devemos nos esquecer que elas chegam a nós pelo jornalismo, única ponte e única fonte que existe em transmitir os fatos. E assim transmitir o pulsar da vida humana.

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JORNALISMO, UM MAL NECESSÁRIO
Otavio Frias Filho / Folha

O jornalismo pode ser qualificado, embora com certo exagero, como um mal necessário. É um mal porque todo relato jornalístico tende ao provisório, quando não ao precário. Nem todos os jornalistas estamos preparados para abordar os assuntos sobre os quais escrevemos. Mesmo quando estamos, é próprio do jornalismo apreender os fatos às pressas em seus contornos ainda indefinidos. A chance de erro, sobretudo de imprecisões, é grande.

O próprio instrumento utilizado é suspeito. Diferente da notação matemática, que é neutra e exata, a linguagem escrita se presta a vieses de todo tipo, na maior parte inconscientes, que refletem vivências, visões de mundo, cacoetes mentais de quem escreve. Eles interagem com os vieses de quem lê, de forma que, se são incomuns os textos de fato isentos, mais raro ainda que sejam reconhecidos como tais.

DEBILIDADES – A propósito do lançamento da quinta versão do “Manual da Redação” da Folha, peço licença para um testemunho pessoal. Pertenço a uma geração que não se conformava com as debilidades do relato jornalístico. Claro que nunca tivemos a ilusão de que fosse possível alcançar uma objetividade comparável à da matemática. Mas acreditávamos em dois caminhos para reduzir a margem de arbítrio.

O primeiro era estipular uma série de normas destinadas a coibir a incidência de erros e lacunas e amainar o efeito dos vieses. O segundo era dotar o veículo de instrumentos coercitivos de autocorreção, como a manutenção de um(a) ombudsman e a obrigatoriedade de publicar a seção “Erramos”.

Foram estratégias frutíferas, mas que logo mostraram seus limites. É mais fácil retificar erros específicos do que tornar as abordagens menos superficiais. E o excesso de regras acabou por se converter em obstáculo —não existe norma que garanta uma boa formação profissional e intelectual. As edições mais recentes do “Manual” são menos draconianas, baseadas antes em orientações do que em comandos categóricos.

CULTIVAR VALORES – O objetivo daquela geração, realizado apenas em parte, era estabelecer que o jornalismo, apesar de suas severas limitações, é uma forma legítima de conhecimento sobre o nível mais imediato da realidade. Para afirmar sua autonomia, precisa cultivar valores, métodos e regras próprios.

O que nos remete à questão do início; sendo um mal, por que necessário? Por dois motivos. Ao disseminar notícias e opiniões, a prática jornalística municia seus leitores de ferramentas para um exercício mais consciente da cidadania. Thomas Jefferson pretendia que o bom jornalismo fosse a escola na qual os eleitores haveriam de aprender, pela cobertura crítica dos governantes, a exercer a democracia.

O outro motivo é que os veículos, desde que comprometidos com critérios de verificação e com o debate dos problemas públicos, servem como arena de ideias e soluções. O livre funcionamento das várias formas de imprensa, mesmo as sectárias e as de má qualidade, corresponde em seu conjunto à respiração mental da sociedade.

JORNALISMO DE VERDADE – No entanto, o jornalismo dito de qualidade sempre foi objeto de uma minoria. A grande maioria das pessoas está de tal maneira consumida por seus dramas e divertimentos pessoais ou domésticos que sobra pouca atenção para o que é público. Desde quando os tabloides eram o principal veículo de massas, passando pela televisão e pela internet, vastas porções de jornalismo recreativo vêm sendo servidas à maioria.

O jornalismo de verdade, que apura, investiga e debate, é sempre elitista. Está voltado não a uma elite econômica (embora exista uma intersecção com ela), mas a uma aristocracia do espírito — aqueles interessados no que está além dos interesses privados. São líderes comunitários, professores, empresários, políticos, sindicalistas, cientistas, artistas. São pessoas voltadas ao coletivo.

SEMPRE EM CRISE – A influência desse tipo de jornalismo sempre foi, assim, mediada, e não somente pelas elites sociais que o assimilavam. Desde que se tornou hegemônico, nos anos 1960-70, o jornalismo televisivo se faz pautar pela imprensa. Algo parecido ocorre agora com as redes sociais, que se tornaram câmara de amplificação e controvérsia (espécie de metaimprensa) em torno do que é publicado na mídia profissional.

A imprensa, que vive de cobrir crises, sempre esteve em crise. O paradoxo deste período é que, no mesmo passo em que as bases materiais do jornalismo profissional deslizam, sua capacidade de atingir mais leitores se multiplica na internet, conforme se torna visível a perspectiva de um dia universalizar o ensino superior.

Com desemprego alto, como é possível Produto Interno Bruto subir?

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Charge do Nani (nanihumor)

Pedro do Coutto

A pergunta contida no título deve ser destinada ao Ministério do Planejamento e ao IBGE. Reportagem de Marcelo Correa, Luana Souza e Lucila de Beaurepier, O Globo deste sábado, destaca que o desemprego no Brasil fechou 2017 com índice de 12,3%. Portanto aproximadamente 12 milhões e 500 mil desempregados. O desânimo de buscar um lugar ao sol afastou 4 milhões e 300 mil pessoas de procurar um emprego. Isso de um lado. De outro, o IBGE acentua que há no país 26,4 milhões de homens e mulheres subutilizados no processo produtivo.

A pergunta dirigida ao IBGE deve ser complementada com outra indagação: como a renda nacional pode ter subido e o Instituto prever que em 2018 o Produto Interno Bruto vá crescer 1%?  Trata-se de uma engrenagem, como se constata , bastante complexa, uma vez que a maior fonte de consumo encontra-se exatamente no volume do trabalho humano. A interrogação conduz a uma dúvida sobre as pesquisas acerca da renda do trabalho e a respeito da massa salarial.

SOA FALSO – A dúvida predomina. Aliás, se não existissem dúvidas, não haveria progresso. Mas isso no campo da ciência, não no panorama das contas públicas. Algo, portanto, soa falso. Uma coisa não pode aumentar sem a outra. Dificilmente a renda do trabalho pode ter crescido, como costuma acentuar o ministro Henrique Meirelles.

Para a renda do trabalho crescer, apesar do desemprego, seria imprescindível que os vencimentos dos empregados ultrapassassem de muito a inflação oficial, que, no ano passado, de acordo com o mesmo IBGE registrou apenas 2,9%. Assim os reajustes salariais teriam que ultrapassar esse limite. A repetição do parâmetro é válida, a meu ver, para dar ênfase a uma inadequação.

INSS E FGTS – Não aconteceu aumento na renda do trabalho. Se tivesse se concretizado, dois reflexos teriam marcado o processo: o crescimento das receitas do INSS e do Fundo de Garantia Por Tempo de Serviço. Além disso, é claro, teria aumentado a arrecadação do Imposto de Renda na mesma proporção.

Como se vê uma trilha de contradições corta a estrada da informação do governo através dos meios de comunicação. E o processo econômico pulsa de forma entrelaçada, sobretudo no relacionamento entre o poder aquisitivo e o consumo em geral. O mesmo ocorre com a formação do PIB que, comparado à população, fornece como resultado a renda per capita. Dessa forma, para que a renda per capita cresça na escala de 1%, é necessário que a economia avance 2 pontos, uma vez que 1% é a taxa líquida demográfica da população brasileira.

EM TRADUÇÃO – As contradições têm que ser traduzidas. Uma delas é o fato de, como O Estado de São Paulo publicou este sábado, a Bolsa de Valores de São Paulo vir fechando com sucessivos recordes. Na sexta-feira, por exemplo, mais uma marca foi batida.

O Estado de São Paulo destacou que a Fitch reduziu a nota de crédito do país, porém isso não influiu no comportamento do mercado acionário. Uma surpresa, sem dúvida. A explicação lógica talvez se encontre na medição do capital estrangeiro no mercado de risco nacional. O risco, entretanto, é muito mais da população do que das empresas brasileiras na economia.

Disposição de Meirelles ser candidato vai contra o plano de Temer se reeleger

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Charge do Amarildo (amarildo.com)

Pedro do Coutto

O ministro Henrique Meirelles, numa entrevista a Vera Rosa, Irany Tereza e Igor Gadelha, O Estado de São Paulo desta sexta-feira, admitiu a possibilidade de ser candidato a presidência da República, até mesmo numa disputa contra o presidente Michel Temer, se este tentar a reeleição nas urnas de outubro. Com tal declaração Meirelles deixou claro sua saída do Ministério da Fazenda até 7 de abril, prazo máximo para desincompatibilização para os ocupantes de cargos de confiança. Curioso é que a legislação exige o afastamento de ministros dos postos que ocupam, porém o mesmo não é exigido dos presidentes que se candidatam a reeleição. Contradições não faltam à política eleitoral brasileira.

Mas a lógica também não pode ser reduzida a zero. Tanto assim que o mesmo Henrique Meirelles, falando aos repórteres Fábio Graner, Fábio Pupo, Fernando Gomes e Ribamar Oliveira do Valor, sustentou que sua etapa como titular da Fazenda está cumprida. Não disse, entretanto, por qual legenda pretende se lançar no caminho das urnas, mas é filiado ao PSD.

E A REELEIÇÃO? -Michel Temer se for candidato, como aliás está parecendo ser esta sua intenção, só poderá concorrer pelo MDB. Portanto, Meirelles não tem espaço na legenda governista. Não será fácil ter a candidatura confirmada pelo PSD ou encontrar outra sigla partidária, mas ele já deve ter feito os cálculos necessários.

Inclusive, é preciso não esquecer que Meirelles foi presidente do Banco Central nos dois mandatos do ex-presidente Lula e, assim, não seria surpresa total se viesse a receber o apoio daquele que o manteve durante oito anos à frente de um cargo chave da administração federal. Foi até Meirelles quem realizou o diálogo-ponte entre Lula e os setores mais expressivos do mercado financeiro, espécie de mão de tigre acariciando a economia e o desenvolvimento do país.

GANHANDO CONTORNOS – O quadro da pré-sucessão de outubro está ganhando contornos mais nítidos, sobretudo quando se aproxima o prazo máximo para registros partidários que incluem também articulação de candidaturas. Matéria de Cristiani Agostini, também no Valor, revela que Lula, já sentindo a inviabilidade de seu nome, autorizou Fernando Haddad a manter entendimentos com Ciro Gomes, virtual candidato do PDT,

ESPÓLIO DE LULA – O eleitorado lulista passa a ser um capital fixo a ser disputado por aquele ou aqueles que se dispuserem a vestir também a camisa rubra do PT. Afinal de contas,as pesquisas do Ibope e Datafolha apontaram vantagem para o ex-presidente na escala de 32% fosse qual fosse o cenário dos competidores. Lula venceria a todos num hipotético 2º turno. Mas antes do segundo, tem que se levar em conta a predominância do primeiro turno. E no primeiro turno é que será feita a seleção dos candidatos ao desfecho final.

A movimentação começou já acelerada e ganhará mais velocidade no decorrer dos meses que separam fevereiro das urnas de outubro. Inclusive, em fevereiro termina o prazo que Joaquim Barbosa deu a si mesmo para definir se aceita ou não concorrer pelo PSB.

Temos que aguardar o plano do general Braga Netto, para então opinar

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Braga Netto estava de férias e foi apanhado de surpresa

Pedro do Coutto

A verdade é essa: o general Walter Braga Netto anunciou que na próxima semana apresentará seu plano para combater a criminalidade no Rio de Janeiro e também a escalação dos integrantes de sua equipe. De antemão, sabe-se que entre os integrantes da equipe estará o novo secretário de Segurança do governo Luis Fernando Pezão. A questão, entretanto, é bastante complexa, tão grave é a situação dramática da população. O plano, como todo plano, é projetado no papel ou na tela do computador. Mas a teoria na prática é outra coisa. Temos de aguardar não apenas o projeto, mas sua execução completa.

O tempo não é longo. A intervenção federal para combater a insegurança do Rio vai até 31 de dezembro, ultrapassando assim as urnas de outubro. Aliás, este ponto é extremamente importante, uma vez que é do conhecimento público a influência do crime organizado em campanhas eleitorais.

PATROCÍNIOS – Qualquer aplicação volumosa de recursos financeiros no embate eleitoral será um indício para que sua origem e seu propósito surjam à superfície. Aliás, a campanha de 2018 será a primeira na qual as ajudas financeiras vão encolher. Não só porque as contribuições empresariais estão proibidas por lei, mas também em decorrência dos resultados da operação Lava Jato.

Não será fácil os candidatos obterem recursos decorrentes de doações, sobretudo porque as doações estão limitadas às pessoas físicas no máximo de 10% de sua renda declarada em 2017.

Tal situação beneficiará os candidatos de alta renda, porém vão esbarrar no limite máximo de 2,5 milhões de reais para o pleito legislativo, de acordo com recente resolução do Tribunal Superior Eleitoral. É verdade que essa barreira poderá ser compensada pela distribuição do Fundo Partidário, cujo critério ficará nas mãos dos dirigentes das legendas. De qualquer forma, porém, não haverá doações transformadas em empréstimos financeiros, como aconteceu , por exemplo, no episódio Aécio Neves – JBS.

CONSUMO DE DROGAS – Voltando ao tema que está no título, devemos esperar que entre as medidas adotadas pelo general Braga Netto inclua-se uma campanha publicitária para reduzir o consumo de drogas ilícitas, fonte que abastece a compra de armas modernas e assegura seu transporte das largas fronteiras continentais do país aos centros urbanos, destacadamente Rio de Janeiro e São Paulo.  A política não estará presente em tal campanha, cuja elaboração, a meu ver, deve seguir o exemplo daquela que reduziu substancialmente o consumo de cigarro do país.

Uma campanha capaz de refletir a verdade, sem apelar para fantasia, como essa que o governo Michel Temer colocou em prática, a partir de ontem, com grandes espaços nos principais jornais. Não se pode substituir a verdade pela fantasia. Este aspecto do conteúdo da mensagem é insubstituível.

É CANDIDATO – Enquanto isso reportagem de Vera Rosa , Igor Gadelha e Daiane Cardoso, O Estado de São Paulo desta quinta-feira revela que o presidente Michel temer começou a admitir sua candidatura a reeleição nas urnas de outubro. O ministro Carlos Marun afirma que seria um caminho natural para o MDB. Entretanto, a última pesquisa do Datafolha apresentou apenas 1% das intenções de voto para Temer.

Enquanto isso, matéria de Rosangela Bittar, Valor, reproduz declarações do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso lamentando a desistência de Luciano Huck. A desistência de Huck, disse, faz duvidar do surgimento de um nome novo para disputar o Planalto. Resta apenas a hipótese de Joaquim Barbosa para uma renovação. FHC, entretanto, não acredita muito na candidatura do ex-presidente do Supremo.

Bolsa de Valores é sempre o reino encantado da especulação financeira

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Charge do PW (pwdesenhos.com.br)

Pedro do Coutto

Uma grande parte das transações realizadas diariamente na Bolsa de Valores de São Paulo – a Bolsa do Rio está há tempos desativada – refere-se a lances seguidos de subida e descida de ações negociadas. Por exemplo, a questão da reforma da Previdência Social. Quando a iniciativa do governo Michel Temer foi anunciada, a especulação jogou valores de papeis para cima. Quando não foi votada, o movimento mudou-se para baixo. Agora, entretanto, a questão se inverteu.

Reportagem de Simone Cavalcanti e Paula Dias, O Estado de São Paulo desta quarta-feira, destaca uma forte subida da Bovespa apesar do projeto de reforma da Previdência ter saído da pauta.  A Bovespa fechou com o recorde de 85,8 mil pontos e uma expansão de 1,19% em apenas um dia. O assunto também foi focalizado por Juliana Machado e Lucinda Pinto na edição do Valor.

O QUE ACONTECEU? – A reforma da Previdência, que havia provocado euforia no seu primeiro momento, contraditoriamente provocou forte subida com a sua retirada da pauta da Câmara Federal. Ao mesmo tempo, o pregão de terça-feira foi acelerado para cima com foco central no projeto de privatização da Eletrobrás. As ações da Eletrobrás avançaram em torno de 8% em 24 horas. Uma surpresa.

Não havia motivos concretos para essa arrancada, uma vez que o projeto de privatização já se encontrava no Congresso desde o final de 2017.

O governo Michel Temer relacionou um elenco de projetos para substituir a importância econômica que ele atribui à reforma previdenciária. A substituição de um tema por outro surpreendeu Rodrigo maia, presidente da Câmara Federal. O deputado reagiu mal ao lance de marketing do Planalto, classificando-o como um café frio e requentado. Maia também esfriou a privatização da Eletrobrás, que não é novidade e já se encontrava entre as mensagens do Executivo dirigidas à Câmara e por sequência, ao Senado Federal.

ESPECULADORES – O lance de dados do Planalto foi aproveitado para injetar ânimo ao mercado acionário, soprado por especuladores que evidentemente lucraram com isso. Não que os papeis da Eletrobrás não devessem ser valorizados, mas sim porque essa valorização apresenta-se como uma jogada praticada no mercado financeiro. Na verdade, não ocorreu fato algum capaz de jogar suas ações para cima na terça-feira.

Citei a Eletrobrás como exemplo emblemático, mas movimentação igual ocorre inúmeras vezes. Pesquisa interessante a ser feita será identificar os grupos ou pessoas que participaram da venda em um dia, quando as ações subiram comparando os autores da recompra quando os papeis baixaram. Essa ideia é apenas para chamar atenção para as raízes de movimentos que acontecem no reino encantado da especulação.

PROFISSIONAIS – Não que a especulação seja ilegal, mas sim para mostrar que o mercado acionário é coisa para profissionais altamente qualificados e altamente motivados para movimentar o que pode se classificar como uma montanha russa financeira.

Na verdade os grandes compradores de ações são bancos, fundos de pensão e fundos de aposentadoria complementar de empresas estatais. Inclusive os fundos de aposentadoria complementar dependem, para manterem sua liquidez, das aplicações corretas e especializadas na Bovespa.

Pois o fato é que esses fundos não estão recebendo contribuições de novos empregados, simplesmente porque o não emprego está predominando no palco da economia brasileira. O êxito dos investimentos, livres de especulações, são decisivos para cobrir os encargos normais e também aqueles originários dos planos de saúde.

Busca e apreensão geral são figuras do Estado de Sítio, não do Estado de Defesa

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Charge do Alecrim (Charge Online)

Pedro do Coutto

Reportagem de Catarina Alencastro, Débora Bergamasco, Juliana Castro, Karla Gamba e Sílvia Amorim, O Globo desta terça-feira, focaliza a controvérsia surgida quanto aos mandados coletivos de busca e apreensão contidos no decreto do presidente Temer que estabeleceu a intervenção federal na segurança do Rio de Janeiro. A OAB Federal e a OAB RJ anunciam sua disposição de recorrer ao Supremo Tribunal Federal por temerem violações das normas constitucionais.

O decreto foi aprovado por larga margem de votos na Câmara dos Deputados e no momento em que escrevo, anoitecer de terça-feira, entraria na pauta extraordinária noturna do Senado. Certamente será aprovado, como reconheceram setores do PT e dos demais partidos de oposição. Até porque, digo eu, a oposição da sociedade do RJ volta-se na realidade contra a criminalidade e a bandidagem, portanto apoiando a intervenção.

REGULAMENTAÇÃO – O governo, entretanto, terá que regulamentar a medida e harmonizar os textos constitucionais em que se baseou para praticar a intervenção. Isso porque o Estado de Defesa, regido pelos artigos 136 e 137 da Constituição Federal, não prevê a busca e apreensão. A busca e apreensão estão incluídas no Estado de Sítio, e não no Estado de Defesa.

O Estado de Sítio encontra-se definido no art. 139, que relaciona os seguintes pontos da questão: obrigação de permanência em localidade determinada, detenção em edifício não destinado a condenados, restrições à inviolabilidade de correspondência; suspensão da liberdade de reunião; busca e apreensões em domicílios – eis aí as diferenças essenciais do estado de defesa e o estado de sítio.

GOVERNADOR – A diferença maior entre as duas situações encontra-se no afastamento do governador, ou de sua permanência. Assim, o presidente Michel Temer optou pela permanência, com base no Estado de Defesa, embora tenha incluído no decreto a busca e apreensão geral, dispositivo que está catalogado no art. 139 da CF, que trata do Estado de Sítio.

Entretanto, não é essa a questão essencial da matéria. O mais importante é estabelecer a ordem na cidade e no Estado do Rio de Janeiro, ordem ameaçada pela desordem da bandidagem, consequência em parte acentuada pela administração estadual e municipal.

Busca e apreensão podem ser uma resposta efetiva a uma onda crônica de insegurança e violação, pelos criminosos , do direito de ir e vir das pessoas comuns.

Marco Aurélio Mello critica Pezão e Crivella; Armínio condena a ‘pejotização’

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Um se fantasiou de governador; e o outro, de prefeito

Pedro do Coutto

Em uma entrevista a Amanda Pupo, O Estado de São Paulo desta segunda-feira, o ministro Marco Aurélio de Mello condenou a ausência tanto do governador Luis Fernando Pezão  quanto do prefeito Marcelo Crivela, na cidade do Rio de Janeiro, exatamente no momento em que suas presenças eram absolutamente necessárias. O governador foi para um retiro e o prefeito viajou para a Europa. Enquanto isso, o Rio chegava a um estágio de insegurança alarmante. Isso é péssimo inclusive para o Brasil. Ambos deviam estar na cidade durante o carnaval. Tal omissão não se justifica.

O ministro do Supremo revelou ter dúvidas sobre o resultado da intervenção decretada pelo presidente Michel Temer, dizendo que há uma promiscuidade entre o poder e o crime que é terrível e inimaginável.

SEM ESPERANÇA – Marco Aurélio Melo acrescentou que a sociedade não pode nutrir esperança quanto aos resultados concretos da intervenção. Trata-se de um processo longo  profundo.

Na realidade, digo eu, a profundidade do problema é resultado de muitos anos de pactuação entre a ordem e a desordem do Estado do Rio de Janeiro. Na medida em que o poder político foi mergulhando no pântano, mais difícil se torna o saneamento da águas no rumo de uma normalidade perdida. A cidade do Rio é um exemplo dos mais fortes. Os agentes da desordem foram acumulando forças e armamentos importados e de repente, sentiram-se tão fortes ao ponto de enfrentarem os agentes da ordem. A população tornou-se refém do impasse.

EXEMPLOS DE CIMA – A corrupção inundou os espaços estaduais, notadamente dos espaços da cidade do Rio. Os exemplos vieram de cima, como agora está comprovado pela série de prisões que atingiram a mais alta escala da administração carioca e fluminense. Com exemplos desses, o que esperar? Somente a catástrofe.

Foi nesta catástrofe que se instalaram o governador e o prefeito. O governador foi vice de Sérgio Cabral e o prefeito teve o cinismo de colocar um video nas redes sociais dizendo que estava tudo sobre controle e ele viajava para adaptar tecnologia de segurança à cidade.

Era controle remoto, como se vê. Marcelo Crivella foi atingido pelo frio do inverno europeu. E o Rio foi atingido pelo insuportável calor da criminalidade.

OUTRO ASSUNTO – O economista Armínio Fraga, entrevistado por Claudia Safatle, edição de ontem do Valor, manifestou a esperança de que os votos que seriam dados para Luciano Huck sejam transferidos para Geraldo Alckmin. Assim agindo, o ex-presidente do Banco Central manifestou seu apoio ao governador de São Paulo.

No plano econômico, defendeu a alteração do sistema tributário do país. Afirmou que se deve tributar mais a renda do setor de serviço do que os assalariados.

E acentuou que a pejotização dos contratos de trabalho é pouquíssimo tributada. A pejotizaão é o seguinte: grandes empresas condicionam os contratos de trabalho a que os empregados adquiram o caráter de pessoa jurídica. Assim os empregadores em vez de contribuírem para o INSS com 20%, ainda reduzem seu Imposto de Renda, pois o salário do trabalhador pejotizado é contabilizado como despesas operacionais.

Armínio Fraga estranhou que ao longo de 12 anos no poder, o PT não tenha tomado a iniciativa para mudar tal situação. Um dos reflexos é a queda da receita do FGTS. São contradições entre o capital e o trabalho humano.

Reforma da Previdência não pode ser votada, determina o art. 60 da Constituição

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Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Pedro do Coutto

Hoje escrevo sobre três assuntos que considero os mais importantes do final da semana. O primeiro está no título da matéria. O segundo focaliza a volta às bancas do “Jornal do Brasil”. O terceiro refere-se ao artigo de Luciano Huck na Folha de São Paulo de ontem, no qual reafirmou não ser candidato, porém acrescentou que “se alguém imaginou que saio de cena, errou”, dizendo que continua “atuando para que haja renovação dos quadros políticos”.

Comecemos pela Previdência: O Globo de sábado publicou declarações de Rodrigo Maia nas quais revelou que pretende consultar a presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministra Carmen Lúcia, se o decreto de intervenção na segurança do Rio de janeiro impede a votação da Emenda Constitucional que propõe a reforma da Previdência Social.

PROIBIÇÃO – O presidente da Câmara, se tivesse lido o parágrafo 1º do artigo 60 da Constituiçao Federal, encontraria o seguinte: “A Constituição não poderá ser emendada na vigência de intervenção federal no estado de defesa ou no estado de sítio”. Como se vê, para citar Arnaldo Cesar Coelho, a regra é clara. Não deixa dúvida alguma. Se assessoria jurídica da Câmara não opinou a respeito, a falha só pode ter sido do presidente da Câmara que não a consultou. Se consultasse, seguramente seria informado do texto da Carta Magna relativo ao assunto.

Isso de um lado. De outro, o decreto do Presidente Michel Temer, não sei por quê, baseou-se em dois artigos da Constituição e não apenas no art. 136. Estendeu sua medida incluindo também o art. 138. Este artigo refere-se ao estado de sítio. Portanto, no fundo, a intervenção parece mais profunda, na minha opinião.

Por isso, considero importante a observação feita pelo jornalista Elio Gaspari, ontem em O Globo e na Folha de São Paulo, quando afirmou que Luiz Fernando Pezão precisa sair do governo do Rio de Janeiro. Mas se ele saísse quem assumiria? Assumiria o vice Francisco Dornelles ou o interventor?

JORNAL DO BRASIL – Dois proprietários de bancas de jornais no Posto 6 me informaram que o Jornal do Brasil volta a circular no próximo domingo, 25 de fevereiro. Depois de vários anos de sua saída na lista dos grandes jornais do país. Seu título foi adquirido pelo empresário Omar Peres e o novo JB vai rodar na gráfica de O Globo, na Av. Washington Luis. E chegará as bancas pela distribuidora Globo, a qual pertence aquele conglomerado.

O Jornal do Brasil de grande tradição foi aquele onde escreveram vultos como Carlos Castelo Branco, Alceu de Amoroso Lima, Wilson Figueiredo, Villas-Boas Correa e Marcos Sá Correa, Tarciso Holanda.

No início do século XX, teve Rui Barbosa como seu redator-chefe. Entre seus editores figura o não menos brilhante jornalista Nilo Dante, este a partir de 2002, última fase do JB. Como jornalista desejo que ele retorne com o mesmo entusiasmo que marcou sua vida no passado.

TERCEIRO ASSUNTO – Chegamos ao terceiro degrau. Lá se encontra Luciano Huck agora assumindo praticamente um espaço entre os grandes eleitores do país. Não que ele possua votos para transferir, mas sim por sua capacidade potencial de esquentar o caminho das urnas de outubro. Vejam o que ele disse num dos trechos de seu artigo: “Reafirmo minha convicção de que há tempos deixei para trás minha zona de conforto num caminho sem volta. Vou servir, contribuir com o meu tempo com dedicação e ideias para ressignificar a política do Brasil. Mas isso não se dará por geração espontânea. Temos que nos aproximar, colocar a mão na massa. Só a política pode de fato tirar essas ideias e projetos do papel. Não devemos renegá-la, mas sim ocupá-la com uma nova agenda e uma nova forma de exercê-la, ética e autruísta. Sugiro a todos que não se deixem levar pela sensação de desânimo que o quadro social e político tem produzido”.

Luciano Huck então arrematou: “Deste projeto, estou mais dentro do que nunca”.

Como se constata, os três tópicos deste artigo podem ser destacados como aqueles capazes de produzir reflexos na vida nacional. A história também é o presente e ela se escreve com fatos assim.

Suspender a intervenção para votar a reforma será um ato absurdo e até ridículo

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Braga tem de ser demitido para haver votação 

Pedro do Coutto

Sem dúvida alguma, a população carioca e fluminense recebeu com esperança a investidura do General Walter Braga Netto no comando da segurança pública no estado do Rio de Janeiro. O poder político estava tanto acéfalo quanto comprometido com a inércia e a incapacidade. A situação é de calamidade pública, quando os bairros da Cidade do Rio encontram-se ao mesmo tempo sitiados e as pessoas vulnerabilizadas pelos avanços da criminalidade. Roubos em série, assaltos, espancamentos, latrocínios, explosão de caixas eletrônicas de bancos completavam um palco sinistro no qual imperava a desordem.

O governador Luis Fernando Pezão confessou publicamente que a administração estadual encontrava-se despreparada. O Prefeito Marcelo Crivella gravou vídeo ridículo ao chegar a Frankfurt, dizendo que estava aproveitando uma folguinha de carnaval para buscar informações na Alemanha, Suécia e Áustria a respeito de tecnologias para ampliar a segurança da cidade. Na Alemanha visitou uma agência espacial. No entanto, o universo espacial está longe do espaço público do município do qual é prefeito. Calamidade geral.

MISSÃO INDISPENSÁVEL – Com a intervenção na segurança pública do RJ, decretada pelo presidente Michel Temer, o governador Pezão deixou de ser o responsável pela segurança pública. A intervenção tem que ser aprovada pelo Congresso Nacional e tem prazos para ser renovada, ou ser interrompida. O prazo inicial vai até 31 de dezembro deste ano. Portanto as eleições serão realizadas com o estado atravessando um período de forte transição, presume-se que passando da desordem à ordem pública. O General Walter Braga Netto assume o posto exatamente para executar tal missão, aliás indispensável.

Não há dúvida que a intervenção será aprovada no Poder Legislativo, inclusive porque a intervenção era claramente reivindicada pela quase totalidade da população do RJ. O governo Temer teve oportunidade assim de colocar na mesa um lance profundamente popular. Na verdade a Cidade do Rio, por uma série de motivos, vivia sufocada num vendaval de violência. Cada vez maior, diga-se de passagem, em função da impossibilidade de o sistema policial enfrentar as diversas facções de bandidagem, no fundo todas elas a serviço e lucrando fortunas com o sinistro comércio de drogas e de armas. 

ARSENAIS DE VIOLÊNCIA – As Forças Armadas, sob o comando do general Braga Netto, terão a tarefa difícil mas imprescindível de desmontar os arsenais de violência e entorpecimento que lançam uma rede de sombra em torno dos crimes praticados em série.

Na opinião da maioria dos setores governamentais, a intervenção impede que o Congresso possa votar a reforma da Previdência. A meu ver, correta a interpretação. Mas existem aqueles capazes de achar que o presidente Michel Temer deveria suspender a intervenção, para votar a reforma, e depois dela aprovada retornar a intervenção constitucional. Para isso, no decreto que suspendesse a ação federal, teria que ser determinada a exoneração de general Braga Netto.

ATO ABSURDO – Pessoalmente não creio que Braga Netto aceitasse tal metamorfose grosseira e rudimentar em si mesma. Seria um ato absurdo e arriscado, a ponto de conduzir Michel Temer à beira de um desfiladeiro institucional e de um ridículo sem precedentes. 

As Forças Armadas não aceitariam se expor a um jogo de tão baixo nível. Seria a remessa ética para o esgoto da história do Rio.  Além do mais, incluiria o risco de a reforma não vir a ser aprovada.  Aí o grotesco transformar-se-ia na marca registrada de uma administração já envolvida por tantos escândalos.

Significaria, simplesmente, uma catástrofe de imensas proporções.

Huck usou FHC, Armínio e Paulo Guedes para ampliar ainda mais sua imagem

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Charge do Adnael (Charge Online)

Pedro do Coutto

Ontem, sexta-feira, três assuntos a meu ver se destacaram no noticiário: as afirmações de Luciano Huck, que ganharam a primeira página de O Globo, Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e Valor, a entrevista do técnico Tite acentuando que não irá a Brasília quando a Seleção Brasileira tiver que embarcar para a Rússia e tampouco se vitorioso para receber manifestação do Planalto. O terceiro assunto, claro, é a intervenção federal na segurança do Rio de Janeiro. Intervenção que se tornou indispensável depois dos acontecimentos ao longo do carnaval.

O governador Luis Fernando Pezão afirmou diretamente que o governo estadual não estava preparado para enfrentar a onda de assassinatos, roubos e desordem urbana. O prefeito Marcelo Crivella viajava para Europa, segundo disse para obter informações da tecnologia para reforçar a segurança pública nas ruas do Rio, cidade que, apesar de prefeito, Crivella abandonou quase uma dezena de vezes desde janeiro de 17.  Marcelo Crivella esqueceu que a segurança não é um problema municipal, como os fatos hoje comprovam. Visitou a Alemanha, Suécia e Áustria. O governo alemão informou que não sabia da visita oficial de Crivela.

POR PARTES – São três assuntos marcantes. Vou focalizar dois deles, deixando o terceiro para amanhã. Vamos seguir por partes.

Luciano Huck recebeu apoio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e vinha sendo assessorado pelos economistas Armínio Fraga e Paulo Guedes. Havia desistido de se candidatar à Presidência, por intermédio de artigo publicado na Folha de São Paulo. Mas teve dúvida, tanto assim que jantou com FHC em São Paulo na véspera de o ex-presidente da República incentivar sua candidatura, acentuando que ele representava a renovação do quadro político brasileiro. Em seguida reuniu-se com os economistas Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central, e Paulo Guedes. Desenvolveu conversações sobre o prisma técnico com esses dois especialistas na matéria econômica. Porque fez tudo isso?

TV GLOBO VETOU – Na verdade ele estava aguardando uma definição da Rede Globo sobre sua posição política. Como essa definição não foi favorável a seu projeto, na minha opinião, provavelmente ele passou a elaborar um lance de marketing pata ampliar ainda mais sua imagem bastante conhecida da população do país. Nessa hipótese teve pleno êxito e mobilizou em torno de si três pessoas de grande peso na opinião pública, especialmente é claro, Fernando Henrique Cardoso ex-presidente da República.

Se ele sabia anteriormente que não deveria ser candidato podia simplesmente avisar aos três mosqueteiros de sua pré-campanha de candidato à presidência da República.

Não arrisco dizer que ele apenas usou as manifestações que recebeu para alçar voo rumo ao Planalto. Oque surpreende é o fato de ter renunciado a primeira vez, e em seguida aceitar o assessoramento para renunciar na segunda etapa. Coisas da política.

DESPREZO DE TITE – O segundo fato que rapidamente   é preciso comentar está na entrevista do técnico Tite a Mônica Gugliano e Rodrigo Polito, na edição de ontem do Valor e também na entrevista a Almir Leite e Márcio Dolzan, O Estado de São Paulo, nas quais afirmou textualmente:”não vou a Brasília nem nada nem na volta, nem ganhando nem perdendo”. O técnico sustentou que não mistura esporte com política, deixando claro que a ida a capital Federal significaria uma forma indireta de apoio ao governo Michel Temer.

O governo que foi alvo de protestos de escolas de samba, agora é alvo de protesto prévio da Seleção Brasileira de Futebol. A rejeição ao governo, portanto, arrebatou áreas profundamente sensíveis da opinião pública.

Escrevo amanhã sobre a segurança.

Beija-Flor e Tuiuti voaram nas asas da arte e representaram a revolta popular

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Temer foi personificado entre plumas, paetês e dólares

Pedro do Coutto

Nas noites deslumbrantes das escolas de samba, a Beija-Flor, várias vezes campeã, este ano uniu a beleza da arte ao protesto marcado pela revolta popular com a corrupção, a falta de segurança, a catástrofe na saúde. Em matéria de protesto, o Paraíso de Tuiuti acrescentou a existência da escravidão, 130 anos depois da Lei Áurea, e também o desemprego e a reforma trabalhista que levantou uma série de dúvidas quanto aos contratos de trabalho. A Tuiuti exibiu até uma alegoria inspirada nas carteiras de trabalho. Com isso conseguiu focar o desemprego, que tantos males sociais acarreta, um deles voltado para a redução da receita do INSS.

Incrível como a escravidão resiste ao tempo. Tanto assim que não fosse uma liminar da ministra Rosa Weber, estaria valendo a famosa e sinistra Portaria do Ministério do Trabalho.

ARTE POPULAR – As noites de domingo e segunda-feira foram belíssimas e sintetizaram o encontro entre artistas que traduzem em cores, imagens e figuras, com milhares de integrantes do espetáculo legítimos representantes da manifestação de arte popular. 

A partir de 63, quando o Salgueiro foi vitorioso com o tema Chica da Silva, setores intelectuais se uniram com as classes de menor renda. O desfile das escolas de samba ganhava uma nova dimensão. foram responsáveis pelo espetáculo na época Fernando Pamplona, Arlindo Rodrigues, Maria Augusta e alguém que começava a se interessar pelo samba, suas imagens, ritmos e enredos. Esse alguém chamava-se Joãozinho Trinta. Pamplona, Arlindo Rodrigues e Joãozinho 30 já voaram para a eternidade. Apenas Rosa Magalhães responsável pelo desfile da Portela continua entre nós. Ótimo, porque ela terá ainda muitas outras oportunidades de encantar o povo com seu toque de arte.

REVOLTA POPULAR – Mas eu disse que além do voo através das nuvens da beleza estética, Beija-Flor e Tuiuti representaram a revolta brasileira contra a corrupção, falta de segurança, com os crimes de sangue e roubo, com a falta de emprego e enfraquecimento do valor do trabalho. Principalmente, a Beija- Flor, no campeonato mais uma vez conquistado, sintetizou o que vai na mente e no coração de todos nós. A onda gigante do protesto significou a possibilidade de o povo manifestar-se diretamente contra os males que intoxicam o país. A Beija-Flor e a Tuiuti falaram por todos nós.

A imagem e a montagem do rato gigantesco, tendo ao fundo uma cópia do Edifício da Petrobrás no Rio, calaram fundo na consciência coletiva atingida por uma série de assaltos ao patrimônio público registrada a partir de 2003. Estávamos então no governo Lula, primeiro mandato, cujas circunstâncias que envolveram a Petrobrás e o BNDES avolumaram-se no segundo período.  No governo Dilma Rousseff, a atmosfera de corrupção não foi diluída pela então presidente. E não está sendo combatida sequer em suas ocasiões primárias pelo governo Michel Temer. Pelo contrário.

POLÍTICA SUJA – Michel Temer torna-se, na História do Brasil, o presidente contra o qual o Supremo Tribunal Federal, por sua vontade, levaria a dois julgamentos por corrupção.Não só isso. Existe um terceiro capítulo – o caso do Porto de Santos investigado pela Polícia Federal. Investigação na qual o diretor Fernando Segóvia foi personagem de um palpite infeliz, para lembrar a obra de Noel Rosa.

A Beija-Flor e a Tuiuti viveram no Sambódromo de Ocar Niemeyer um momento tão eterno quanto a figura do arquiteto. Niemeyer, com a Catedral de Brasília levou as mãos ao céu num feitio de oração. Linda imagem a figura que criou.

Com a Beija-Flor e a Tuiuti, a população ergueu aos céus as mãos do trabalho humano à espera de um milagre que possa retirar o Brasil da escuridão em que se encontra. Foi um ponto de luz nas trevas da esperança. Como dizia Nelson Rodrigues, glória eterna às duas escolas. Foram ao encontro da alma brasileira.

 

Depois do apoio de FHC e do artigo de Gaspari, Luciano Huck não deve recuar

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Pedro do Coutto

É exatamente esta a situação de Luciano Huck, depois de aparecer bem na pesquisa do Datafolha e do apoio que recebeu do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. É verdade que no final de 2017, em artigo publicado na Folha de São Paulo, o apresentador da Rede Globo assegurou que não era candidato. Mas isso foi no passado recente, agora na situação presente, quando passou a sentir onda de entusiasmo em torno de si, Huck não tem mais razões para vacilar. Sua candidatura está de fato colocada dentro do plano da perspectiva geral. Por ação tácita, ele mesmo demonstra a nova tendência. Caso não lhe ocorresse enfrentar a estrada das urnas, não estaria mantendo conversações com os economistas Armínio Fraga e Paulo Guedes.

Luciano Huck precisa apenas ingressar numa legenda partidária. Prova que sua decolagem está bem impulsionada é o fato de não lhe faltarem convites para escolher sua legenda. Com a provável inelegibilidade de Lula, um largo espaço está disponível na luta pela conquista do voto. Tanto assim que já se percebe, no PSDB, o enfraquecimento do nome de Geraldo Alckmin.

DORIA PESSIMISTA – Esse enfraquecimento está positivado através de entrevista, no Valor desta quarta-feira, do prefeito João Doria ao repórter Cristian Klein. Na matéria o prefeito da cidade de São Paulo sustenta a necessidade de Alckmin obter apoio de uma coligação. João Doria acentuou que, sem coligação, o PSDB pode inclusive ficar fora do segundo turno em outubro.

Analisando-se o conteúdo da opinião, verifica-se que João Doria passou um atestado de fraqueza ao governador de São  Paulo. Não se vendo apenas o fato, mas principalmente no fato, Dória reconheceu indiretamente a fraqueza do pré candidato uma vez que condicionou a hipótese de Alckmin ir ao segundo turno à contribuição de outras forças que não somente as do PSDB. Acrescentando-se as declarações do prefeito da capital paulista à mensagem de estímulo dirigida por FHC a Luciano Huck, pode se concluir que a crise entre os tucanos se aprofundou e agravou.

ISOLAMENTO – O governador de São Paulo foi conduzido a uma área de isolamento. E pode-se dizer que João Doria com a entrevista ao Valor, de forma indireta colocou-se como candidato a substituir o governador paulista no voo deste ano rumo ao Planalto. 

A questão, no lado Tucano não é somente essa. É principalmente a reduzida repercussão de Geraldo Alckmin junto ao eleitorado. Sua candidatura não conseguiu entusiasmar nem os próprios tucanos. Assim, dificilmente poderá receber o apoio de outras forças representadas nas bandeiras partidárias. Coisas da política, nessa reviravolta. Política é assim, rejeita previsões frias como gelo, feitas por cientistas políticos.

Os exemplos são muitos: quem poderia prever o suicídio de Vargas, a renúncia de Jânio Quadros, o golpe militar de 64, a cassação de Lacerda pelo Movimento polític- militar que liderou? Não bastassem esses exemplo quem seria capaz de prever a situação dramática de Tancredo Neves: faltavam 24 horas para sua posse na presidência da República.

DOIS OUTROS ASSUNTOS – Primeiro, a reforma da Previdência. Se o rombo é de 268 bilhões por ano, a simples mudança nos limites de idade para aposentadoria praticamente em nada podem produzir um milagre. Para o milagre teria que haver diminuição nas aposentadorias e pensões. Seria o fim do mundo. E amanhã escrevo sobre a vitória da Beija Flor no Carnaval e o que representa em matéria de reflexo político.

Ia esqucendo: o artigo de Elio Gaspari saiu na edição de ontem de O Globo e da Folha de São Paulo. A importância do jornalista é muito grande.

Unilever ameaça Google e Facebook, por fake news e mensagens de ódio

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Segundo maior anunciante impõe suas condições

Pedro do Coutto

Keith Weed, diretor de marketing da Unilever, segunda maior anunciante do mundo, em evento na segunda-feira à noite na Califórnia, atacou fortemente o Google e o Facebook e ameaçou cortar a verba publicitária que vem sendo aplicada nas duas empresas digitais. Isso porque a Unilever, que controla as marcas Dove, Hellmans, Omo e Kibon, não deseja que a veiculação de seus produtos seja colocada nas mesmas plataformas em que são veiculadas as fake news, mensagens de ódio, incentivo à violência, apologia do racismo e textos propositalmente negativos.

A verba publicitária da Unilever, em 2017, alcançou 9,4 bilhões de euros, dos quais 1/3 foram destinados ao Facebook e ao Google. Keith Weed disse que o Facebook e o Google deveriam criar divisões para extinguir a transmissão do ódio e de preconceitos. Frisou que a empresa da qual é diretor de marketing não quer anunciar mais em espaços sem transparência e que também segreguem e pratiquem exclusões.

CONCORRÊNCIA – A Unilever é a segunda, só fica atrás da Procter Gamble, a qual no final do ano passado já cortou uma publicidade parcial de 100 milhões de dólares. Os recursos da Unilever são medidos em euros porque a marca está registrada como britânica e holandesa, ao contrário da Gamble. Para se ter uma ideia da dimensão da Unilever, ela faturou no ano passado 53,7 bilhões de euros e teve um lucro líquido de 6,5 bilhões. Possui no mundo 160 mil funcionários. Sua principal concorrente, a Procter Gamble, controla, entre outras marcas a Colgate e a Palmolive. Mas esta é outra questão.

A matéria divulgada através da agência Reuters, foi publicada com destaque ontem pelo O Globo, Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo. O problema é complexo, não se sabendo ao certo se o Facebook e o Google possam controlar os conteúdos a eles dirigidos e por eles divulgados largamente.

PRÉ-SELEÇÃO – Seria necessário que houvesse uma pré-seleção, como acontece nos jornais, revistas, emissoras de TV e rádio. O volume de conteúdos é enorme e isso torna possível que o Facebook e o Google não possuam instrumentos capazes de não transmitir os textos condenados por Keith Weed. O impasse está criado nitidamente, depois da ameaça pública feita diretamente pela Unilever. Fica aí, portanto , um desafio para a tecnologia moderna, que produz extraordinária rapidez em comunicação de forma imediata.

A comunicação no mundo de hoje possui uma velocidade entre as da luz e do som. Me lembro que antigamente a comunicação jornalística, principalmente no plano internacional, era feita através de cabogramas. Depois passou a ser através de teletipos, no caso das fotografias por intermédio de fotogramas. Os teletipos eram receptores, na década de 60 foram substituídos pelos aparelhos de telex, os quais permitiam uma comunicação dupla. Mas hoje tudo circula pela internet, uma rede universalmente ligada.

Não se pode desligar o progresso. Fica aí, assim colocado, o desafio da Unilever.

Matéria de memória: Correio da Manhã derrubou a censura ditatorial de Vargas

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Um jornal que sempre teve forte atuação política

Pedro do Coutto

Recorro a um título de Carlos Heitor Cony para complementar o artigo que publiquei ontem neste site a respeito da história de bravura do “Correio da Manhã”, aspecto histórico destacado por Roberto Pompeu de Toledo na “Veja” que circulou sábado e se encontra nas bancas. O jornalista destacou vários fatos marcantes na trajetória do jornal, eu acrescentei outros. Mas acabei esquecendo um acontecimento fundamental.

Em fevereiro de 1945, ano final da ditadura de Getúlio Vargas, o Correio da Manhã publicou com destaque uma entrevista de José Américo de Almeida ao repórter Carlos Lacerda, que enfrentou e derrubou a censura à imprensa, característica da ditadura de Vargas implantada em novembro de 37 e derrubada em 29 de outubro de 45.

CRONOLOGIA – Para conceituar os personagens no tempo, devo lembrar que Vargas assumiu o poder com a Revolução de 30 e foi eleito presidente da República indiretamente pelo Congresso, em 34. Em novembro de 37, rasgou a Constituição, deu um golpe de Estado e se tornou ditador. Estabeleceu vigorosa censura à imprensa. O chefe de polícia era Filinto Muler e a censura era exercida pelo famigerado DIP – Departamento de Imprensa e Propaganda.

José Américo de Almeida enfrentaria Armando Salles de Oliveira nas urnas de 38. Mas não houve eleição. Depois, José Américo elegeu-se governador da Paraíba em 50. Em 52, licenciou-se do governo, nomeado por Vargas para ministro dos Transportes. Permaneceu no cargo até o desfecho trágico de agosto de 54.

São coisas da política, voltas, reviravoltas, contradições. Isso porque as situações humanas não são isso ou aquilo; são isso e também aquilo.

OUTRO ASSUNTO – Os diretores do Datafolha, Mauro Paulino e Alessandro Janoni, publicaram matéria na edição desta segunda-feira da FSP, focalizando a situação pré-eleitoral de Luciano Huck e destacando que ele possui potencial de crescer na campanha. Ele está mais forte junto às classes de baixa renda do que nas classes média e alta.

Para se ter uma idéia, Paulino e Janoni colocam o fato de que Huck possui penetração entre os lulistas, na hipótese da candidatura Lula não obter registro. Reflexo até certo ponto natural, porque a força do ex-presidente encontra-se no eleitorado de renda menor. Mas falei em surpresas e contradições da política.

JATINHO DE HUCK – Na mesma edição de ontem a Folha de São Paulo publica com destaque o empréstimo de 17,7 milhões de reais obtido pela empresa Bisair, cujos proprietários são Luciano Huck e Angélica.  Foi um crédito obtido em 2013, no governo Dilma Rousseff, a juros favorecidos de 3% a/a. A inflação oscilava em torno de 9%.  O Banco Itau funcionou como intermediário da operação e o empréstimo se destinou à compra de um avião da EMBRAER pelos apresentadores da Rede Globo. Trata-se de um fato que expõe a existência de uma sensibilidade à pré-campanha eleitoral.

Mas as contradições em torno de Huck não acabam aí. Ele tem o economista Paulo Guedes como um de seus principais consultores, ao lado de Armínio Fraga. Entretanto Jair Bolssonaro em reportagem de José Fucs, em O Estado de São Paulo também de ontem, afirma que se eleito presidente Paulo Guedes será seu ministro da Fazenda.

Paulo Guedes, assim, coloca-se como um personagem de Carlo Goldoni, ou seja, demonstra ser capaz de servir simultaneamente a dois senhores.

Correio da Manhã assegurou para sempre seu lugar na História do Brasil

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Correio da Manhã, às vésperas do golpe

Pedro do Coutto

De todos os jornais brasileiros que desapareceram ao longo do tempo, o Correio da Manhã, na minha opinião, é o único que assegurou um lugar permanente na História do Brasil e o único cuja memória, quarenta e quatro anos após seu naufrágio, é cultuada por muitos que lá trabalharam e também pelos historiadores modernos do país. Testemunhando a história, participando das tormentas próprias da política, o Correio da Manhã foi responsável pela produção de vários episódios históricos.

Um deles foi destacado pelo jornalista Roberto Pompeu de Toledo, num belo e emocionante artigo publicado na revista Veja que está nas bancas. Pompeu de Toledo comparou a bravura do CM com a que marca a também inesquecível história do Washington Post, que motivou um excelente filme que se encontra em cartaz. O Washington Post enfrentou as tormentas que marcaram a revelação de documentos secretos da Casa Branca sobre a Guerra do Vietnã e também foi protagonista decisivo do escândalo Watergate, cujo desfecho levou o Presidente Richard Nixon à renúncia.

CORTE NO TEMPO – A comparação, entretanto, produz um corte no tempo. O jornal Washington Post pulsa vibrantemente até hoje, enquanto o Correio da Manhã submergiu para sempre em 1974. Eu estava lá, e continuo entre os sobreviventes que não esqueceram as páginas marcantes que nortearam a vida do jornal. Pompeu de Toledo destacou principalmente a resistência de Niomar Moniz Sodré Bittencourt à ditadura que se instalou no Brasil em 1964. Porém, muitos outros episódios vibrantes ocorreram na história do jornal desde sua fundação em 1901, no alvorecer da República.

São muitos. Com o duelo à bala que colocou frente a frente o senador Pinheiro Machado e o jornalista Edmundo Bitencourt, pai de Paulo. O duelo foi ao primeiro sangue, Edmundo saiu ferido. Na década de 20, o jornal foi cercado pelas tropas ao governo Artur Bernardes, que suspendeu arbitrariamente sua circulação, em represália à publicação de cartas aos militares apontadas como de autoria do próprio presidente da República. Há historiadores, como Hélio Silva, que focalizaram a hipótese de as cartas serem falsas, porém falsificadas no Palácio do Catete.

POSSE DE JK – Passaram-se pouco mais de duas décadas e o Correio da Manhã, sob a direção de Antonio Callado, defendeu com ardor a posse de Juscelino Kubitschek, vitorioso nas urnas de 55, mas objeto da tentativa de golpe liderada por Carlos Lacerda, que aliás começara sua vida no jornal como colunista do CM. Sua coluna chamava-se “Da Tribuna da Imprensa”. Ele levou o nome para fundar, em 1949, outro jornal que também desapareceu no tempo.

Falei em 1955 e esse ano marca também o desafio do então Senador Juraci Magalhães a Paulo Bittencourt para um duelo à pistola no Uruguai. No Uruguai,  porque a lei brasileira proibira esse tipo de confronto.

O Correio da Manhã apoiou a candidatura JK, embora fazendo ressalvas à presença de João Goulart que integrava a chapa vitoriosa.

RENÚNCIA DE JÂNIO – Saltamos aqui para 1961. O presidente Jânio Quadros renunciou. Rei morto, rei posto nas palavras do mesmo Juraci Magalhães. Houve nova luta pela legalidade na trajetória do Correio da Manhã. O jornal, já agora com Luiz Alberto Bahia no comando, enfrentou a polícia de Lacerda e forças militares sublevadas, integrando-se na defesa da investidura de Jango, cuja eleição o jornal não apoiara, mas defendia o cumprimento da Constituição, com a garantia da posse ao vice-presidente eleito.

Goulart afastou-se da estrada da lei e o Correio da Manhã com três artigos “Basta”, “Fora” e “Basta e Fora”, defendeu seu impedimento. Dois desses artigos são lembrados por Pompeu de Toledo. Mas existem um terceiro e um quarto. Os três primeiros escritos por Edmundo Muniz. O quarto editorial: “Basta, Fora a Ditadura,” teve Otto Maria Carpeaux como autor. Os historiadores de agora não devem esquecer o último da série em que Carpeaux previa os anos de chumbo.

VEIO O AI-5 – Depois, em 1968, o jornal defendeu o deputado Marcio Moreira Alves, que era um de seus colunistas. A tragédia do Ato Institucional nº 5 desabou sobre o país e arrastou o jornal, que nascera no despontar do século XX, para o precipício de 1974. 

Não havia mais comando na redação, tantos foram os percalços. O jornal morreu nas minhas mãos. Mas continua vivendo na História e para sempre será assim.        

Roberto Pompeu de Toledo ajudou a iluminar uma curva no passado.

Huck decola para as urnas, enquanto Alckmin não consegue alçar voo

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Pedro do Coutto

Incentivado novamente pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e mantendo contatos com os economistas Paulo Guedes e Armínio Fraga, ao que tudo indica o apresentador da Rede Globo Luciano Huck está decolando no rumo das urnas da sucessão presidencial de outubro. Seus contatos sinalizam para o lançamento de sua pré-candidatura ao Planalto. Manchete principal da edição deste sábado de O Estado de São Paulo, a reportagem de Gilberto Amêndola e Eduardo Kattah não deixa dúvida sobre a disposição que finalmente Huck revela. Na quinta-feira ele jantou novamente com FHC, ocasião em que o ex-presidente afirmou que ele possui o perfil para o PSDB.

Com isso, Fernando Henrique provocou a segunda explosão da candidatura Geraldo Alckmin, apesar de dizer que continua apoiando-o, mas de uma forma curiosa. Um apoio desse tipo qualquer candidato rejeitaria. Na verdade, FHC esvaziou a candidatura do governador de São Paulo.

NOVA CONFIGURAÇÃO – O quadro sucessório adquire assim uma nova fisionomia. A ponto de até o Chefe da Casa Civil de Michel Temer, Eliseu Padilha dizer que é aceitável a hipótese de Luciano Huck vir a ser apoiado pelo atual presidente da República.

Eliseu Padilha colocou essa perspectiva, dizendo que se ele, Huck, aderir às teses do Executivo, não há obstáculo para que ele deixe de ter apoio do Planalto. Sob este aspecto, Eliseu Padilha, da mesma forma que FHC estilhaçou o nome de Geraldo Alckmin, o Chefe da Casa Civil arrasa qualquer hipótese da candidatura do ministro Henrique Meirelles. Ele destacou o projeto Luciano Huck e implodiu o lançamento do ministro da Fazenda.

As declarações de Padilha podem representar até a perspectiva de Henrique Meirelles deixar o governo, insatisfeito pela rejeição demonstrada pelo Palácio do Planalto à colocação de seu nome pelo menos entre os presidenciáveis.

Coisas da política. Ela muda de direção e forma quando menos se espera, como as nuvens no horizonte.

OUTRO ASSUNTO – As duas Coreias, do Sul e do Norte, unem-se nos Jogos Olímpicos de Inverno deste ano. Trata-se de um acontecimento que marca a história dos dois países, separados desde o final de 1949 pela Guerra que terminou envolvendo a participação dos Estados Unidos ao lado da Coreia do Sul. Prolongou-se por quatro anos. Declarada pelo presidente Harry Truman, foi concluída pelo armistício assinado pelo presidente Eisenhower. Os dois países foram divididos pelo chamado paralelo 38.

A ofensiva da Coreia do Norte contra a Coreia do Sul teve origem na influência da China de Mao Tse Tung, que chegou ao poder em 49. Até hoje o conflito permanece à base do armistício do qual só tem conhecimento próximo os que atingiram a idade adulta naquele tempo conturbado.

Roberto Pompeu de Toledo escreveu artigo na Veja que está nas bancas comparando as histórias de bravura do Washington Post e do Correio da Manhã. Escrevo sobre isso na segunda-feira.

Presunção de inocência não se aplica a tipos como Geddel, Loures ou Côrtes

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Charge do Humberto (Folha/PE)

Pedro do Coutto

O ministro Ricardo Lewandowski publicou longo artigo na Folha de São Paulo, edição desta sexta-feira, destacando a importância da presunção de inocência em processos penais, frisando que representa um dos alicerces em que se baseiam os regimes democráticos. Por acaso mais uma vez o Ministro Gilmar Mendes cita a presunção de inocência para conceder habeas corpus ao médico Sérgio Cortes, que foi Secretário de Saúde do governo Sérgio Cabral no Rio de Janeiro.

O despacho de Gilmar Mendes, mais um de uma série, foi contestado pelo Procurador da República José Augusto Vago,s que em declarações à repórter Júliana Castro, de O Globo, afirmou que  “se quem desvia milhões e obstrui a Justiça é solto, ninguém deveria estar preso”, O episódio coloca em debate inevitavelmente a figura da presunção de inocência. Presunção de inocência, acho eu, é válida para casos de dúvida. Mas não pode se aplicar quando os acusados são concretamente revelados por suas próprias ações, além de por testemunhos, delações e comprovações. Trata-se de uma simples questão de lógica.

SÃO CRIMINOSOS – Presunção não é certeza, porém nas situações em que se encontram Geddel Vieira Lima, Rocha Loures e Sérgio Cortes não podem existir dúvidas quanto as suas responsabilidades. Como pode haver dúvida, por exemplo, no caso de Gedel Vieira Lima? O apartamento de Salvador onde estavam colocados 51 milhões de reais dizem tudo. Quanto a Rocha Loures, tampouco pode haver dúvida, pois ele foi filmado correndo com uma mala de 500.000 reais cuja origem foi do grupo JBS, mas cujo destino até agora é ignorado.

Rocha Loures não pode sequer negar o episódio, uma vez que entregou a quantia à Polícia Federal em São Paulo. Mas faltavam 35.000 reais. Ele próprio os depositou numa conta do governo na Caixa Econômica Federal, numa agência em São Paulo.

Sérgio Cortes é uma figura sobre a qual recai uma cachoeira de acusações, entre elas a delação de seu principal assessor na Secretaria de Saúde, Cesar Romero. A Procuradoria Geral da República calcula que ele participou de desvios no Into (Instituto de Traumatologia) e na Secretaria no valor estimado de 300 milhões de reais. O próprio Sérgio Cortes é réu confesso e reconheceu desvios praticados na administração do estado do Rio de Janeiro. Se ele próprio admitiu a culpa, como pode ser enquadrado na presunção de inocência? Ele nunca disse ser inocente.

CONTRADIÇÃO – Portanto, verifica-se uma contradição entre o próprio comportamento do réu e o habeas corpus concedido por Gilmar Mendes. Inclusive não entendo a essência do habeas corpus concedido. Sérgio Cortes não foi liberado do processo que responde, não foi liberado também da prisão preventiva. O estranho habeas corpus transformou, isso sim, sua prisão preventiva de regime fechado para a prisão domiciliar. Não faz sentido. O réu ou acusado pode requerer habeas corpus para se defender em liberdade, porém requerer prisão domiciliar representa uma figura nova no universo processual brasileiro. Pedir para se defender em liberdade é uma coisa. Solicitar habeas corpus para ser preso em casa, outra muito diferente.

A reportagem de Juliana Castro revela que o despacho de Gilmar Mendes foi semelhante àquele que colocou fora da prisão Jacob Barata Filho. Estranho. Porque entre um e outro não existe a inclusão de ambos no mesmo processo. Assim a concessão do hc representou mais uma singularidade nas medidas monocráticas do Supremo Tribunal Federal.

Aliás, a presidente do STF, ministra Carmen Lúcia, deve voltar suas atenções para os sorteios através dos quais pedidos de habeas corpus caem quase sempre nas mãos e no pensamento de Gilmar Mendes. Voltando ao início: presunção de inocência é algo legítimo. Mas sua aplicação em casos concretos não tem cabimento. Presunção é dúvida: não havendo dúvidas, não pode haver presunção.

Para servidor e celetista, regra de transição; para parlamentar, aposentadoria integral

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Charge do Latuff (Fenasps)

Pedro do Coutto

Parece incrível, mas é a verdade que se constata ao ler a reportagem de Igor Gadelha, Adriana Fernandes e Carla Araujo, O Estado de São Paulo desta quinta-feira, que destacou os principais pontos contidos no substitutivo do relator Artur Maia ao projeto do governo de reforma da Previdência Social. A matéria é imperdível para todos os assalariados do país que contribuem para o INSS ou para a Seguridade Social. Esclarece ponto a ponto as regras de transição para aqueles que pensam em se aposentar após a hipotética aprovação da iniciativa do Presidente Michel Temer.

Como os jornais haviam noticiado, as idades mínimas para aposentadoria são fixadas em 65 anos para os homens e 62 para as mulheres. Mas é preciso levar-se em conta os períodos de transição para que os requerimentos de aposentadoria sejam homologados, tanto na esfera do serviço público federal quanto na área trabalhista. A reportagem detalha os espaços necessários e as perdas salariais contidas nesses espaços.

REGRAS COMPLICADAS – Para os funcionários públicos federais, por exemplo, a regra de transição estabelece um ano a cada dois anos que faltarem para que o limite de idade seja atingido. Para os celetistas a mesma coisa. O cálculo é bastante complexo e inclui as perdas fixadas para cada período na medida em que as solicitações se distanciem das idades mínimas exigidas. Por isso, se o substitutivo Artur Maia vier a ser aprovado cada um terá que realizar cálculos complicados para saber se vale a pena enquadrar-se no sistema de transição.

Igor Gadelha, Adriana Fernandes e Carla Araujo publicam as percentagens, embora o substitutivo não se refira a períodos parciais de tempo de serviço. Ou seja, por exemplo, se alguém completar a idade necessária em setembro, valeriam os nove meses do ano em curso? Como se vê, falta explicar as frações correspondentes.

REVOLTA GERAL – Os funcionários públicos e os celetistas em geral têm razão para se revoltar com o que poderá lhes estar reservado na reforma em debate, em comparação ao que está assegurado aos deputados federais e senadores. Para estes, não existe regra de transição alguma, eles já têm garantida a aposentadoria integral, que é negada aos demais seres mortais. Bastava esse cotejo para se verificar a ideia que predomina no atual governo e que se propõe a arrebatar o apoio dos parlamentares federais. Falamos apenas em parlamentares federais, porque o substitutivo não inclui os deputados estaduais. A injustiça, entretanto, predomina.

Trata-se de uma bofetada vibrada na face da população brasileira. O debate da reforma na Câmara foi adiado para o dia 28. O desfecho, portanto, parece difícil para o governo, pois se assim não fosse, ele não teria alongado o prazo inicialmente previsto e tentado assim ganhar mais sete dias para articulação.

COM CALMA – O senador Eunício de Oliveira, presidente da Câmara Alta, em entrevista à Globonews na tarde de ontem, afirmou que o Senado não poderá votar tal matéria a toque de caixa, de um dia para outro, já que o projeto da Previdência encontra-se há 18 meses na Câmara dos Deputados. Eunício de Oliveira acrescentou que o projeto pode ser votado em novembro após as eleições de 7 de outubro.

A sociedade brasileira aguarda mais respeito aos direitos do trabalho por parte do presidente Michel Temer e do ministro Henrique Meirelles, mentores da reforma pretendida. Agora com o direito especial garantido aos parlamentares e o direito ameaçado dos que trabalham, a diferença, cínica em seu conteúdo, torna-se ainda mais evidente.