Bolsonaro não deve ser contaminado pelo vírus da ideologia que abraça

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Charge do Kácio (Arquivo Google)

Francisco Bendl

Os cinco países que mais importam produtos brasileiros são Rússia, China, Estados Unidos, Alemanha e Holanda. Bolsonaro deve ampliar esses negócios não somente em termos comerciais, compra e venda, mas oferecer atrativos para que invistam no Brasil.

Precisamos muito de rodovias, ferrovias, túneis, viadutos, elevados, pontes, metrôs, portos marítimos e fluviais que sejam ampliados. Também necessitamos pavimentar o Nordeste e Norte, os investimentos estrangeiros poderiam contribuir mais e melhor quanto à produção de grãos e minérios.

MAIS PORTOS – Tínhamos que ter um porto bem montado no Ceará ou Rio Grande do Norte, alimentado por trens que levariam a produção de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, mais o Goiás e Tocantins, junto com os demais Estados do Nordeste e Norte, com um custo de frete seria muito menor, tornando nossos preços mais atrativos e competitivos.

Da mesma forma, russos ou chineses, alemães ou holandeses, poderiam abrir a estrada que ligaria o Norte brasileiro com o Chile, ligando o Pacífico ao Atlântico e, nossos trens, explorados por um desses países, trazer a produção do Paraguai e Bolívia ou para o Atlântico ou Pacífico!

Logo, a abertura de ferrovias e rodovias neste país de dimensões continentais, pode render muito dinheiro para quem estiver disposto a investir no transporte de carga e de passageiros, ao mesmo tempo!

MENTES ABERTAS – Espero que Bolsonaro tenha assessores com suas mentes abertas verdadeiramente para o desenvolvimento do Brasil, e não comandadas pelo comunismo ou o capitalismo selvagem americano, mas para aquela nação ou empresários que querem se expandir, crescer, aumentar seus negócios internacionalmente. Temos milhares de quilômetros esperando por asfalto e estradas de ferro. Somente essas construções empregariam uma parcela substancial dos desempregados de hoje.

MAIS EMPREGOS – Outros trabalhadores certamente poderiam ser ocupados nas construções de cassinos em regiões turísticas mais afastadas dos nossos grandes centros urbanos, levando progresso e desenvolvimento, que se somariam às estradas e ferrovias sendo construídas simultaneamente!

Perdemos tempo em demasia, desgraçadamente, com os tais partidos preocupados com o social, porém jamais se preocuparam com o nosso crescimento para que a mão de obra brasileira fosse usada adequadamente.

Tese do “País dividido” assustou outras eleições, mas no final deu tudo certo

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Charge do Genilldo (Arquivo Google)

Eduardo Oinegue
O Globo

O PT chega ao 2º turno podendo estabelecer um recorde: ser o único partido a eleger cinco presidentes em seguida. No Brasil nunca aconteceu. Nos Estados Unidos, na França, na Alemanha ou em Portugal também não. Aconteceu no Paraguai pós-Stroessner com o Partido Colorado, e no México sob o domínio do PRI, que emplacou nove presidentes a partir de 1946. Na Argentina, o Partido Justicialista estava na mesmíssima situação em 2015, mas o sonho do quinto mandato parou na vitória de Mauricio Macri.

Jair Bolsonaro chega ao 2º turno sem querer estabelecer recorde algum. Deseja apenas ver mantida a escrita das eleições anteriores. Nas cinco corridas presidenciais decididas em 2º turno, venceu quem obteve mais votos no 1º turno. Simples assim. Nossa trajetória desconhece viradas no 2º turno. Bolsonaro quer que continue dessa maneira.

ARMA DE HADDAD – Fernando Haddad queria enfrentar Bolsonaro, e nenhum outro. Diante de Marina Silva, Ciro Gomes ou Geraldo Alckmin, ficaria impedido de recorrer ao anti-bolsonarismo, único sentimento presente no eleitorado capaz de rivalizar com o antipetismo. Bolsonaro queria enfrentar Haddad, e nenhum outro. Diante de Marina Silva, Ciro Gomes ou Geraldo Alckmin, ficaria impedido de recorrer ao antipetismo, único sentimento presente no eleitorado capaz de rivalizar com o anti-bolsonarismo. Agora é ver qual sentimento prevalece.

Dada a distância ideológica dos candidatos e a velocidade das redes sociais com seus memes, videozinhos e provocações variadas, as pessoas podem ficar com a impressão de que o Brasil estará especialmente dividido nas próximas três semanas.

SÓ APARÊNCIAS – Não se impressionem. É assim em qualquer país durante o processo eleitoral.

Nos últimos doze meses, seis países da América Latina realizaram eleições presidenciais. Em dois (Chile e Paraguai), o clima até foi ameno. Em quatro (Honduras, Costa Rica, Colômbia e México), as expressões mais utilizadas para descrever o ambiente era “país dividido” e “guerra de classes”. No final, voltou tudo ao normal.

PT entrou com uma ação na Justiça e PDT vai pedir anulação das eleições

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Charge do André (Diário de Sorocaba)

Deu em O Globo

A denúncia de que empresas que apoiam Jair Bolsonaro (PSL) compraram supostos pacotes de fake news contra o PT para serem divulgados pelo WhatsApp com dinheiro de Caixa 2, revelada nesta quinta-feira em uma reportagem do jornal ‘Folha de S. Paulo’, provocou uma verdadeira guerra entre os candidatos à Presidência da República. Bolsonaro chamou a ação, que foi negada pelos empresários, de “apoio voluntário”, e disse que “não tem necessidade disso” em sua campanha. Gustavo Bebianno, presidente do PSL, argumentou que é “impossível controlar as redes”.

Do outro lado, Fernando Haddad defendeu a prisão dos envolvidos e a delação premiada, enquanto o PT entrou na Justiça para pedir uma investigação .

DIZ HADDAD – “Basta prender um empresário que ele vai fazer delação premiada e entregar a quadrilha toda. Se prender um, em menos de dez dias vamos ter a lista de todos os empresários que estão financiando o caixa 2 para essa campanha difamatória”, escreveu Haddad em sua conta de twitter, e acrescentou que a democracia está em risco.

Mais cedo, o candidato do PT acusou o seu adversário de ter criado uma organização criminosa para distribuir mensagens falsas de WhatsApp contra o PT.  Disse, ainda, que recebeu informações de que Bolsonaro pediu, em jantares, para empresários darem esse tipo de apoio irregular à sua campanha.

Após  evento em que recebeu o apoio de juristas , Haddad voltou a acusar o capitão reformado de pedir para empresas darem esse tipo de apoio à sua candidatura.

INDÍCIOS – Vamos levar ao conhecimento da Justiça todos os indícios, alguns que estão nos chegando agora de reuniões em que ele (Bolsonaro), de viva voz, pediu o apoio via Whatspapp. Ele próprio, em jantares com empresários, fez o pedido para que a doação fosse feita dessa maneira, de forma ilegal – afirmou o candidato, depois de participar de um ato com juristas em São Paulo.

Já Bolsonaro, em transmissão ao vivo no seu Facebook na noite desta quinta-feira, disse que “não precisa de fake news para combater o Haddad” e negou ter feito qualquer pedido a empresários para disseminar notícias falsas.

– Não temos necessidade disso. Não fiz jantar nem almoço com ninguém – disse Bolsonaro, que ainda fez uma piada com as acusações de que a suposta compra de pacotes de fake news configuraria caixa dois.

NO CAIXA 2… – “Desde que voltei para casa, dei apenas cinco saídas: uma para ir ao Bope, uma para ir à Polícia Federal, uma para visitar (o arcebispo do Rio) Dom Orani e duas vezes fui ao banco. Uma vez fui no caixa 2 do banco, por coincidência era o caixa 2 (risos)” – disse o presidenciável.

Mais cedo, em publicações no seu Twitter, Bolsonaro usou a expressão “apoio voluntário” para classificar a ação de seus apoiadores nas redes sociais, e cutucou Haddad:

“Apoio voluntário é algo que o PT desconhece e não aceita. Sempre fizeram política comprando consciências”.

SEM CONTROLE – Em entrevista convocada no fim da tarde, o presidente do PSL, Gustavo Bebianno, afirmou que considera “impossível controlar” o uso que apoiadores do presidenciável fazem das redes sociais, mas negou que a campanha faça pagamentos ou tenha pedido a empresários para empregar recursos na disseminação de conteúdo contra o PT via WhatsApp.

“Nem o PSL nem a campanha do candidato Jair Bolsonaro e muito menos o candidato Jair Bolsonaro se prestam a esse tipo de papel. Toda e qualquer doação feita até hoje, fosse para o PSL ou para a campanha do candidato, são recursos doados via nossa plataforma, de acordo com a legislação” — afirmou Bebianno, ponderando:

“Óbvio que existe sempre a possibilidade de apoiadores de um lado e de outro lançarem mão de suas redes sociais para se manifestar. Impossível você controlar. Como vai controlar o uso que as pessoas fazem de suas redes sociais? Simplesmente o PSL não tem absolutamente nada a temer, e a campanha também não. O senhor (Fernando) Haddad que prove o que está dizendo.

NA JUSTIÇA – A campanha do candidato do PT à Presidência protocolou nesta quinta-feira uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que a Corte abra uma investigação com o objetivo de apurar possíveis crimes eleitorais cometidos pela candidatura de seu adversário. No documento, o PT diz que a campanha de Bolsonaro cometeu “abuso de poder econômico” e “uso indevido de comunicação digital”. O pedido é baseado em denúncia publicada pelo jornal “Folha de S. Paulo”.

Mais cedo, o PDT anunciou que irá pedir a nulidade das eleições presidenciais de 2018 por conta da denúncia publicada no jornal “Folha de S.Paulo” nesta quinta-feira . O presidente do PDT, Carlos Lupi , está reunido com outros integrantes do partido para definir o formato dessa ação. Ele pondera que as fake news têm se transformado no grande problema desta eleição.

WHATSAPP DIZ CONTROLAR – Em nota, o WhtasApp informou que vai investigar a denúncia de divulgação  sistematizada de fake news por empresas e informou que já ter banido centenas de milhares de contas durante o período das eleições brasileiras.

“Temos tecnologia de ponta para detecção de spam que identifica contas com comportamento anormal ou automatizado, para que não possam ser usadas para espalhar spam ou desinformação” – explicou.

Em matéria de política externa, teses de Bolsonaro podem prejudicar o país

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Charge do Amarildo (amarildo.com)

José Casado
O Globo

Jair Bolsonaro se consolida como favorito. Além de manter a vantagem obtida no primeiro turno, com 18 pontos à frente, conseguiu inverter o fluxo da rejeição eleitoral, agora liderada por Fernando Haddad. Como a perspectiva do poder embriaga, Bolsonaro já aumenta os custos políticos do eventual governo.

Há duas semanas, no Rio, celebrou com aliados políticos e religiosos a vitória no primeiro turno, com 49 milhões de votos. “Depois de Israel, o próximo país que vou visitar é os Estados Unidos, ok?”, avisou.

ECO DA PROMESSA – Na plateia, muitos perceberam nesse aviso de viagem o eco de uma promessa de Bolsonaro a sionistas cristãos feita em outubro do ano passado, na Nova Inglaterra (EUA): se eleito, vai transferir a embaixada do Brasil em Israel, de Tel-Aviv para Jerusalém, cidade sagrada para judeus.

Significaria uma reversão em meio século de política externa do Brasil, com alinhamento às prioridades do governo Donald Trump e, também, ao governo conservador de Israel. Desde 1967, o Brasil vincula o status de Jerusalém ao reconhecimento das fronteiras de duas nações, Israel e o Estado palestino.

HAVERÁ REAÇÃO – A reação à promessa de Bolsonaro já é perceptível entre diplomatas de nações islâmicas. Consideram provável uma revisão do comércio do Brasil com 57 países, entre eles 22 árabes — destino de 25% das exportações brasileiras de carne.

O candidato favorito à Presidência conseguiu, também, nublar o horizonte das relações com a China, ao anunciar mudanças no rumo da privatização do grupo Eletrobras: “Você vai deixar nossa energia na mão do chinês?”, argumentou em entrevista à Band.

A China comprou 21 empresas brasileiras, investindo US$ 21 bilhões nos últimos três anos. Mas o candidato acha que as relações com os chineses devem passar pelo prisma do alinhamento com Washington, em guerra comercial com Pequim. Em uma semana, Bolsonaro abriu focos de potencial conflito com países cujas populações, somadas, representam metade dos habitantes do planeta. E ainda nem foi eleito.

A saga do bandeirante Fernão Dias, na visão poética de Henriqueta Lisboa

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Henriqueta Lisboa, poeta mineira

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

A professora universitária de Literatura e poeta mineira Henriqueta Lisboa (1901-1985) é considerada pela crítica um dos grandes nomes da lírica modernista. Além da poesia, dedicou-se a ensaios e traduções. Um de seus poemas mais conhecidos é sobre a saga do bandeirante Fernão Dias, conhecido como o “Caçador das Esmeraldas”.

LENDA DAS PEDRAS VERDES
Henriqueta Lisboa

– Fernão Dias, Fernão Dias,
deixa a Uiara dormir!

Tem um sabor secular
ressoando dentro da noite,
a voz monótona do índio.

A Serra Resplandecente
fulge ao luar junto à lagoa.
Pela escada de Jacó
sobem e descem estrelas.

– Ai, Serra Resplandecente,
Lagoa Vupabuçu!
Tantos anos de procura
como é que os hei de perder!

– Fernão Dias, Fernão Dias,
deixa a Uiara dormir!
A vida da tribo está
no grande sono da Uiara.
O grande sono da Uiara
reside nos seus cabelos.
Seus cabelos eram de água,
tornaram-se em pedras verdes.

Voz de raça moribunda
Fernão Dias não escuta.

– Sete anos há que deixei
minha terra e meu sossego
em troca de uma esperança
que é meu respiro e bordão.
Da Serra da Mantiqueira
até o Rio Uaimi,
quantos montes, quantos vales
para descer e subir,
que de sombras e emboscadas
antes do raiar do dia!

Vem de mais longe, profunda,
a voz do índio recordando:

– Nas noites de lua cheia
quando a Uiara cantava
branca e linda, emoldurada
pelas ondas dos cabelos,
mais de um valente guerreiro
por ela se suicidava.
Foi então que Macachera
com prudência soube agir,
mandando Uiara dormisse
velada por sentinelas
um sono igual ao da pedra.

– Vós que velais o seu sono,
desembaraçai as armas!
Ah! esse canto escondido,
essa beleza roubada,
esses cabelos que brilham
com viva luz de esmeraldas!
Ser guerreiro, ser valente,
depois dormir para sempre
nos verdes braços da Uiara!

– Fernão Dias, Fernão Dias!
deixa a Uiara dormir!

É preciso acabar com o anonimato na web e rastrear fake news do WhatsApp

Imagem que circula no Facebook durante esta campanha eleitoral

Fotomontagem que está circulando no Facebook

Roberto Dias
Folha

Não, Jair Bolsonaro não foi eleito o político mais honesto do mundo. Tampouco propôs nova imagem de Nossa Senhora. Nem Fernando Haddad quis legalizar a pedofilia. Mentiras óbvias como essas enganam muita gente; imagine então as menos evidentes, como a lista fictícia de ministros pop do petista. O submundo do WhatsApp é o grande fenômeno desta campanha. Seu efeito parece ainda mais perverso do que o do Facebook nos EUA.

Marqueteiros e líderes partidários repetem que a TV é decisiva porque isso lhes dá poder. Quem caiu nesse conto perdeu o bonde. Os brasileiros passam mais horas em redes sociais do que a média mundial. As mensagens no celular multiplicam-se por pirâmide que não surgiu do nada.

PT BOBEOU – Está claro que o bolsonarismo grama nesse pântano há mais tempo. O petismo aprende tardiamente. Quem até outro dia falava que a imprensa distorce tudo agora suplica aos eleitores que se informem pelo jornalismo profissional. Quem aponta o dedo para a mídia tradicional e diz que ela “normalizou” Bolsonaro não está entendendo nada.

A lorota bolsonarista sobre as urnas eletrônicas presta-se a serviço específico. É cortina de fumaça diante da discussão que realmente deveria importar à Justiça eleitoral. Três pessoas presidiram o TSE neste ciclo: Gilmar Mendes, Luiz Fux e Rosa Weber. Nenhum teve coragem de agir de verdade contra as fake news.

Propostas como limitar a capacidade de replicação das mensagens são apenas pequenos paliativos. O ponto principal continua sendo evitado: o WhatsApp claramente não pode mais ser tratado como um aplicativo de conversas sempre privadas. É preciso poder rastrear as mensagens. O anonimato tem de acabar.

Quem publica (des)informação num meio de comunicação de larga escala, como é o caso, deve ter responsabilidade jurídica sobre o que diz. Já passou da hora de o poder público exercer seu papel —não será nem o WhatsApp nem os candidatos que consertarão o problema.

O príncipe saudita, o assassinato do jornalista e o instinto do escorpião

De costas e vestido de terno, Pompeo cumprimenta Mohammed bin Salman, que aparece de frente com a túnica e o adorno de cabeça quadriculado vermelho e branco da realeza saudita. Na parede ao fundo, uma cadeira e um quadro com uma foto do rei Salman.

O “moderno” príncipe saudita é um tirano sanguinário

Clóvis Rossi
Folha

Em novembro de 2017, Thomas Friedman, icônico colunista de The New York Times, ficou quatro horas conversando com o príncipe Mohammed bin Salman (ou MBS), o governante de facto da Arábia Saudita. Saiu tão entusiasmado que seu relato do encontro produziu duas frases hiperbólicas: na primeira, dizia que MBS estava conduzindo no seu país “o mais significativo processo de reformas em andamento no Oriente Médio”.

Na segunda, acrescentava que as reformas do príncipe “não mudarão apenas o caráter da Arábia Saudita mas também a voz do islã ao redor do mundo”.

SEM FANATISMO? – Confesso que também fiquei fascinado com este segundo aspecto —ou seja, com o anúncio de MBS a Friedman de que cortaria as asas do chamado wahhabismo, uma versão particularmente radical do islã, criado nos anos 1740 por Muhammad ibn Abd al-Wahhab.

A casa de Saud, dinastia que fundou a Arábia Saudita e a governa até hoje, abraçou o wahhabismo. As interpretações radicais da corrente forneceram o verniz teológico para o fanatismo de grupos terroristas como o Estado Islâmico.

Mudar a voz do islã, como prometia MBS, era, portanto, o passo inicial para desconstruir o fanatismo e, em um prazo indefinido, acabar com ou pelo menos minimizar essa praga universal que é o terrorismo.

O ASSASSINATO – Friedman, em sua coluna desta quarta (17) no New York Times, diz que essa expectativa era (e continua sendo) também a dele. Escreve que “a reforma religiosa islâmica só pode vir da Arábia Saudita, que abriga as duas cidades mais sagradas do islã, Meca e Medina”.

O problema é que o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi destruiu por completo a fé que se pudesse ter nas reformas liberalizantes de MBS e, por extensão, na mudança de voz do islã wahhabista.

O que emergiu, ao contrário, é o que a Al Jazeera, emissora árabe (do Qatar), define como “o lado sombrio” da Arábia Saudita de MBS. Emergiu também a hipocrisia do Ocidente no trato com um regime despótico desde o nascimento.

DESPOTISMO – Escreve, por exemplo, Mustafa Akyol, pesquisador-sênior do liberal Cato Institute: o caso Khashoggi “desmascarou o feio despotismo por trás da imagem reformista do príncipe Mohammed bin Salman”.

Reforça Judah Grunstein, editor-chefe da World Politics Review, pondo o acento na hipocrisia: “O teatro de indignação em exibição em Washington e nas diretorias das corporações é tão crível quanto as negativas sauditas dos últimos 15 dias sobre o fato de que Khashoggi deixara vivo o consulado e que a liderança saudita não tivera nenhuma interferência em sua morte”.

DAVOS NO DESERTO – Ao mencionar as corporações, Grunstein está se referindo às empresas que decidiram ausentar-se do seminário chamado “Davos no deserto”, organizado pelo príncipe —fato analisado com a competência habitual por Flávia Mantovani nesta Folha na segunda (15).

O que fica evidente é que a tentação autoritária é como o instinto do escorpião na velha história que narra como ele pediu ao elefante carona para atravessar o rio. Prometeu não picar o elefante, alegando que, se o fizesse, ambos afundariam e morreriam.

Não obstante, no meio do rio, tascou a picada e desculpou-se: “É meu instinto”. Não convém jamais minimizar os riscos inerentes ao instinto dos autoritários de plantão.

Bolsonaro é o preferido por ser o único candidato contra o sistema político

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Merval Pereira
O Globo

O maior problema para o PT não é não ter conseguido formar a tal “frente democrática”, pode até ser que consiga, mas o tempo está curto e os fatos estão atropelando a estratégia. O maior problema é não entender que, mesmo se Fernando Henrique, Ciro Gomes, Marina, Joaquim Barbosa, e outros que tais cerrassem fileiras em torno de Haddad, provavelmente nada aconteceria, pois os eleitores já foram para onde queriam ir, independente da cúpula de seus partidos.

Gestos dramáticos como uma união suprapartidária, ou os eternos abaixo-assinados com milhares de assinaturas de intelectuais, juízes, artistas, professores, simplesmente atingem os convertidos, não mudam o voto de ninguém. E se juntarem todos esses, é capaz de prejudicar mais ainda a candidatura de Haddad, seria música para os ouvidos de Bolsonaro.

DO MESMO SACO… – Bolsonaro dirá que são todos farinha do mesmo saco, que a social-democracia levou o país para o buraco, que PT e PSDB sempre estiveram juntos, mesmo quando brigavam. É isso que a grande maioria de seus eleitores pensa, e a união de todos esses contra Bolsonaro só confirmará que é ele o candidato antisistema, que a maioria dos eleitores quer desmontar, mesmo que o que seja colocado no lugar seja uma incógnita, com altos riscos.

Preferem um possível erro novo que insistir no erro velho, que detectaram muito antes das pesquisas eleitorais. Assim aconteceu com Lula em 2002. Desde 2013, esse sentimento estava latente nas classes média e alta, e se espalhou para as classes populares devido à eclosão da violência e da falta de serviços públicos que atendam razoavelmente às necessidades do dia a dia do cidadão comum. E à controvérsia de valores morais, identificada por muitos como uma marca esquerdista.

FORAM SOTERRADOS – Os políticos tradicionais que foram soterrados pela avalanche de votos que está elegendo Bolsonaro não entenderam nada, e insistiram, como insistem, na velha campanha política que foi atropelada pelas novas mídias, pela difusão de fake news, e também de notícias verdadeiras nos grupos de whattsapp, no contato direto do candidato com os eleitores através dos lives no facebook, das fotos e mensagens no instagram.

Os que decretaram a morte da televisão na campanha eleitoral estão tendo uma surpresa com os programas dos dois candidatos no horário eleitoral gratuito. Ambos levam para as telinhas o ambiente polêmico da internet, ganhando uma nova dimensão de noticiário. Os partidos que, como o PSDB e o PT, se mantiveram no velho esquema político de apelar para teses abstratas em vez de cuidar dos problemas que afligem o cotidiano do cidadão, perderam tempo e dinheiro.

UMA BOA BASE – O PT ainda se salvou no primeiro turno e deve sair com um contingente de cerca de 40% do eleitorado, o que é uma boa base para recomeçar na oposição. Mas tem que se lembrar de que nas últimas quatro eleições o PSDB também saiu da disputa presidencial com cerca de 40% de votos, mais ainda em 2014, e não soube aproveitar essa base para alavancar uma necessária atualização de métodos e hábitos políticos arraigados nos partidos.

É por isso que o PT não deve ter forças para reverter o resultado do segundo turno – em política nunca se sabe, mas tudo indica que a fatura está liquidada. O PT neste segundo turno manteve-se fiel a suas práticas antigas, acreditando que a “luta política” se resolveria nas velhas alianças e nas “frentes democráticas”. Teve uma sobrevida melhor que os outros partidos devido à presença de Lula no imaginário popular, mas essa narrativa épica parece estar chegando ao fim, só combina com um verdadeiro preso político, não com um político preso por corrupção e lavagem de dinheiro.

NÃO HÁ OPÇÃO – Lula não é Mandela, embora muitos, no Brasil e, principalmente, no exterior, alimentem essa lenda, por desconhecimento ou má-fé política. Ingenuidade, talvez. A possibilidade cada vez maior de que um candidato como Bolsonaro chegue ao poder não é razão para que votar no candidato do PT vire uma obrigação moral, mesmo porque o PT não representa uma opção moral superior.

À alternativa de escolher o “menos ruim”, há a opção de anular o voto, votar em branco, ou simplesmente se abster, para os que consideram ambos indignos de seu voto. Decisão política tão expressiva e respeitável quanto outra qualquer.   

Reflexões sobre os 98 anos de um jornalista chamado Helio Fernandes

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Helio na Tribuna da Imprensa, após o atentado a bomba

Antonio Santos Aquino

Eu conheci Helio Fernandes em 1953 (conheci mesmo); eu, um humilde militar, e Hélio já despontando como um grande jornalista. É interessante dizer que conheci Helio no “Salão Azul” uma casa de sinuca na Lapa. Ele não apostava, não fumava e não bebia, apenas jogava, primorosamente.

Helio mudou-se do Meier, onde nasceu, aos 15 anos, é dificil acreditar que sempre voltasse para jogar sinuca no Meier e no Lins. No “Salão Azul” apinhado de espectadores, perguntei a um deles: “Quem é este senhor?”. Resposta: “É um jornalista”. Depois cheguei a falar com ele na Lapa, creio que trabalhava na “Manchete” e vinha de bonde entre 20 e 21 horaa. Eu servia no Superior Tribunal Militar.

NA LAPA – A duzentos metros do Largo da Lapa ficava o Palácio Monroe, onde funcionava o Senado. A frequência na Lapa, até certa hora, era muito boa. Na madrugada a coisa esquentava. Anos depois conversei diversas vezes rapidamente com Helio na Lagoa Rodrigo quando caminhávamos. No princípio, Helio fazia cooper. Depois passou a caminhar.

Helio jamais pediria para alguém escrever artigos para ele assinar. Nunca poupou os poderosos. Todos, inclusive generais, sentiram o peso de suas críticas ferinas. Tanto assim que não deixaram que fosse candidato em 1966, com eleição garantida.

Depois foi confinado por três vezes em Fernando de Noronha, Pirassununga e Campo Grande. Foi, sim, amigo de Lacerda, mas não cultivava o ódio que Lacerda tinha de Getúlio. Está certo quem disse que pela lógica foi pela prisão de seus tios, que eram comunistas.

A TRIBUNA – Lacerda vendeu a Tribuna da Imprensa para Nascimento Brito, genro da Condessa Pereira Carneiro, dona do Jornal do Brasil, que depois revendeu a  Tribuna para o Helio, que sempre foi um jornalista diferenciado. Crítico mordaz, mas muito elegante e carinhoso com amigos. Ninguém de bom caráter pode falar mal de Helio. Não sei se chegou ao fim a ação judicial contra o governo por terem dinamitado seu jornal e o impedirem de trabalhar por uns dez anos, um processo que se arrasta por uns 40 ou mais. E agora Carlos Newton me informa que ainda vai ser julgada do Superior Tribunal de Justiça.

Hélio é um forte. Perdeu dona Rosinha, dois filhos e o irmão Millôr, um logo atrás do outro. Continuou impávido, trabalhando escrevendo, o que é sua paixão. Parabéns ao Helio por seus 98 anos de vida e lutas. Digo por ele o que escreveu Omar Ibn Ibraim El Caian, um dos maiores filósofos da Pérsia, em seu livro “Quartetos”: “Os cães ladram e a caravana passa”. Mais vida e mais saúde, Hélio.

 

PSB e PDT avaliam que Haddad se tornou vítima do estilo ‘desagregador’ do PT

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Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Valdo Cruz
G1 Brasília

Dirigentes de PDT e PSB avaliaram ao blog que Fernando Haddad se tornou uma vítima do estilo “desagregador” do PT. Com isso, avaliam que apoios “enfáticos e públicos” têm sido inviabilizados, como o do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa e do candidato do PDT a presidente no primeiro turno, Ciro Gomes.

Na estratégia de Haddad, o ideal seria o engajamento de Joaquim Barbosa, Ciro Gomes e FHC por meio de declarações públicas a favor do petista e gravações para o programa eleitoral. Até agora, porém, Haddad não teve sucesso na empreitada.

JOAQUIM BARBOSA – Líderes do PSB disseram ao blog que Joaquim Barbosa, durante um encontro que teve com Haddad, disse que votaria no candidato do PT, mas não deixou claro se havia decidido não se envolver pessoalmente na campanha.

Um interlocutor do ex-ministro disse que Barbosa ainda avalia a participação no segundo turno, mas a tendência é não se empenhar fortemente já que a eleição está na reta final.

CIRO GOMES – No caso de Ciro Gomes, depois de o candidato derrotado do PDT ter concedido apenas um apoio crítico, a esperança do PT era de que, na volta da viagem à Europa, Ciro entrasse de “corpo e alma” na campanha de Haddad.

Só que, o que já parecia distante, ficou mais longe depois das críticas do irmão de Ciro, Cid Gomes, ao estilo petista. Senador eleito, ele reclamou que o PT não faz mea culpa e foi responsável pelo surgimento de Jair Bolsonaro.

FHC RELUTA – Em relação ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, apesar de ele ter uma relação muito próxima com Fernando Haddad, o tucano já deixou claro que, para o PT obter o apoio dele, teria de modificar profundamente o programa de governo

Isso, na avaliação de amigos de FHC, não será feito. Segundo esses amigos, o ex-presidente pode, no máximo, dar uma declaração de voto a Haddad nesta reta final, sem maior engajamento.

FALTOU ESPAÇO – Para integrantes do PDT e do PSB, o PT nunca foi de ceder espaço. O partido sempre quis, dizem, ser o protagonista das campanhas eleitorais e faz agora um aceno de desespero por correr o risco de perder a eleição.

Um dirigente do PSB, a partir de experiências na relação com o PT, vai além. Segundo ele, o PT não inspira nenhuma confiança quando chega a aventar a promessa de abrir mão de candidaturas à Presidência em favor de aliados no futuro.

Bolsonaro quer “radicalizar” na segurança, e Haddad ironiza a proposta dele

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Na propaganda, a guerra das acusações se intensifica

Deu em O Globo

O programa eleitoral dos candidatos à Presidência no rádio deixou de lado as menções à corrupção, à atuação em cargos políticos anteriores e ao suposto risco da implementação de governos autoritários, para focar os ataques em propostas diversas. Enquanto Jair Bolsonaro (PSL) defendeu “radicalizar” na questão da segurança pública, Fernando Haddad (PT) disse que a proposta do rival é o “salve-se quem puder” e propôs mais participação do Estado no combate à criminalidade.

O candidato do PSL começou o horário eleitoral com a premissa de que a esquerda quer aumentar o poder dos sindicatos e “liberar o aborto e as drogas”. Ele destacou que é contra o imposto sindical obrigatório e “a favor da vida”. Nas palavras da campanha de Bolsonaro, “o PT ainda não percebeu, mas o país mudou”.

SEM PROMESSAS – A propaganda do PSL frisa que “o povo não quer mais saber de promessas que não são cumpridas” e propõe um “consenso de governo totalmente diferente”, a favor da família e do Brasil.

– Você tem que jogar pesado na questão da segurança pública. Não podemos mais, você pai, você mãe, ficar preocupados se seu filho vai voltar para casa. Precisamos radicalizar nesta questão. O futuro está em nossas mãos – destacou o presidenciável, embora a Procuradoria-Geral da República já tenha avisado que vai se opor ao projeto do militar de tornar imunes, sem investigação, policiais que matarem em serviço.

No programa de rádio, Haddad afirmou que o projeto de segurança do rival vai causar “mais violência” e representa o “salve-se quem puder”. Para ele, a saída é envolver mais o governo federal na segurança pública. “Quem tem que oferecer segurança é o Estado. Na minha proposta, a Polícia Federal vai começar a atuar na segurança pública referente a organizações criminosas” – propôs o petista.

PROVOCAÇÃO – A propaganda do PT começou com uma provocação: “E aí, Bolsonaro, vai ficar tocando o terror e se fazendo de santo na campanha ou vai debater com o Haddad?”, um referência à ausência do adversário em encontros na televisão com a justificativa de sua recuperação após ataque a faca em Minas Gerais, no mês passado.

Assassinato do capoeirista na Bahia foi cometido por divergência política

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Moa,mestre de capoeira, era amigo de Gilberto Gil

Deu no Correio Braziliense
(Agência Estado)

O inquérito da Polícia Civil da Bahia que investigava o assassinato do mestre de capoeira, ativista cultural negro e fundador do afoxé Badauê Romualdo Rosário da Costa, 63 anos, conhecido como Moa do Katendê, concluiu que o crime, praticado por um admirador do presidenciável Jair Bolsonaro, foi cometido por causa de uma discussão político-partidária.

A informação foi divulgada nesta quarta-feira, 17, pelo Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP) e o inquérito enviado ao Ministério Público da Bahia (MP-BA), que agora terá que decidir se oferecerá denúncia à Justiça ou não.

12 FACADAS – De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Estado, o barbeiro Paulo Sérgio Ferreira de Santana, 36, desferiu 12 facadas contra Moa do Katendê em um bar de Salvador após o capoeirista defender seu voto no candidato do PT ao Palácio do Planalto, Fernando Haddad, e criticar o candidato do PSL à Presidência da República Jair Bolsonaro.

A versão já havia sido admitida pelo próprio autor do crime, que está detido desde o dia do assassinato, na madrugada do dia 8 de outubro, após o primeiro turno das eleições 2018. Ele teve prisão preventiva decretada no dia 10 de outubro e encontra-se no Presídio da Mata Escura, no Complexo Penitenciário de Salvador. A decisão de manter o barbeiro preso foi tomada, na semana passada, pelo juiz Horácio Pinheiro, que considerou que havia “prova de existência do crime” e “indício suficiente de autoria”.

FOI XINGADO – Agora, a polícia informou no inquérito que a versão do assassinato por motivações políticas foi confirmada pelo dono do bar e por outras testemunhas. Segundo a SSP, após confessar o crime logo após a prisão, o barbeiro Paulo Sérgio afirmou, em depoimento, que não cometeu o crime por conta da divergência política, mas sim porque foi xingado após se desentender com o capoeirista durante uma discussão sobre eleições.

Um primo do mestre de capoeira, que tentou defendê-lo do ataque a facas, também foi ferido na ocasião. Germinio Pereira tem 51 anos e foi atingido no braço, mas passa bem. O autor do crime, contaram testemunhas em depoimento, chegou ao bar declarando voto no capitão da reserva, presidenciável do PSL, e disse que “o Brasil precisa se livrar do PT”.

IA FUGIR… – Em nota, a Polícia Militar da Bahia (PM-BA) informou que, quando foi encontrado, Paulo Sérgio já estava com uma mochila com roupas no intuito de fugir. Caso seja indiciado, o barbeiro vai responder por homicídio e tentativa de homicídio.

Ele tinha outras duas passagens pela polícia, segundo a SSP. Em 2009, ameaçou uma criança de 14 anos com uma tesoura após ser abordado pelo garoto, que pedia esmola. Em 2014, se envolveu em uma briga de rua.

Onyx Lorenzoni exagera ao prometer cortar 25 mil cargos “no primeiro dia”?

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Bolsonaro deve confirmar Lorenzoni na Casa Civil

Jussara Soares
O Globo

A dez dias do segundo turno e já oficializado como futuro ministro-chefe da Casa Civil de um eventual governo de Jair Bolsonaro (PSL), o deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS) defende uma drástica redução de cargos de confiança e em comissão, como uma das medidas prioritárias para desinchar o Estado. O parlamentar gaúcho, que se projetou como articulador político do capitão da reserva do Exército, propõe extinguir 25 mil deles logo no primeiro dia de governo.

O número, no entanto, é superior aos atuais 23.070 cargos comissionados do Poder Executivo, segundo dados do Ministério do Planejamento relativos ao mês de agosto.

CARGOS DEMAIS — “Hoje são quase 30 mil cargos em comissão. Eu propus que sejam extintos 25 mil no primeiro dia, assim como todo e qualquer privilégio, cartão corporativo, acabar tudo — disse Lorenzoni, em entrevista ontem ao Globo, baseando-se em um número total de comissionados maior do que o informado pelo governo.

Onyx não detalhou como fazer o corte sem paralisar a maquina pública. Os atuais 23.070 cargos comissionados incluem DAS (Direção e Assessoramento Superior) e também FCPE (Funções Comissionadas do Poder Executivo), que só podem ser exercidos por servidores concursados. Em 2017, o governo fez uma reforma administrativa na qual foram extintos 4.184 cargos comissionados, o que gerou uma economia de R$ 193,5 milhões para os cofres públicos.

PACOTE – Segundo o ministeriável, a proposta faz parte de um pacote a ser adotado em um possível governo Bolsonaro para aplicar o que eles têm chamado do “plano de governo conceitual”, sem propostas concretas, mas com linhas gerais que devem nortear o Executivo.

— Ele vai ser o presidente diferente e vai governar pelo exemplo. Ele é o primeiro que vai reduzir o seu próprio poder, dar espaço para a sociedade brasileira avançar. O plano de governo dele é conceitual — disse o parlamentar na casa do empresário Paulo Marinho, no Jardim Botânico, na Zona Sul do Rio, ponto de encontro da cúpula da campanha de Bolsonaro.

APOIAR MAIA? – Embora diga que só começará atuar após a eleição, Lorenzoni já atua nos bastidores para construir a base do governo Bolsonaro no Congresso. Oficialmente, recusa-se a responder se apoiará o colega de legenda Rodrigo Maia para se manter na Presidência da Câmara, como vem sendo defendido por partidos do chamado Centrão. Aliás, o articulador político de Bolsonaro promete negociar com todas as legendas menos as de esquerda.

Apesar de ter admitido ter recebido R$ 100 mil de propina da JBS para a campanha, no ano passado, Lorenzoni afirma que o governo colocará em prática as dez medidas contra a corrupção e reforçará a atuação do Ministério Público e do Judiciário . No braço direito, diz ter tatuado o versículo bíblico que se tornou slogans de Bolsonaro: “E conhecereis a verdade e a verdade vós libertará”. Segundo ele, não se trata de marketing, mas uma coincidência:

— Entre carregar uma mancha e ter uma cicatriz, eu escolhi ter uma cicatriz. Eu errei como qualquer ser humano, pedi desculpa para os eleitores, tatuei para nunca no mais me comprometer.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O futuro chefe da Casa Civil pode estar exagerando, ao prometer cortar mais cargos do que os existentes, segundo O Globo. Mas Onyx pode estar incluindo cargos em estatais e outros órgãos públicos, como o Sistema S, que hoje estão inundando de publicidade os veículos da Organização Globo e distribuem alguns pixulecos a outras empresas de comunicação, mas só para disfarçar. Com isso, Temer e a quadrilha do Planalto tentou comprar a mídia, mas não deu certo. (C.N.)

Jorge Béja revela a emenda constitucional que encaminhou a Jair Bolsonaro

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Charge do Tacho (Jornal NH)

Jorge Béja

Há dois anos, na cerimônia da passagem de comando da direção da Policlínica da Marinha (Policlínica Naval Nossa Senhora da Glória), situada na Rua Conde de Bonfim, em frente à Rua Valparaíso, na Tijuca, bairro do Rio de Janeiro, conheci pessoalmente o deputado Jair Bolsonaro.

O então Diretor de Saúde da Marinha, Almirante Celso Montenegro, que é  médico otorrino e muito meu amigo e de minha esposa, veio presidir a cerimônia da passagem de comando.

MAIORIDADE PENAL – Terminado o ato, fui apresentado ao deputado. Foi quando conheci, apertei a mão e conversei com Jair Bolsonaro. E comentei com ele que eu tinha elaborado um projeto de Emenda Constitucional tocante à inimputabilidade penal para os menores de 18 anos.

Após me ouvir atentamente, ele me pediu que entregasse o projeto que lhe havia dito verbalmente para o Almirante Montenegro para que este lhe enviasse. Atendi. Digitei e o Almirante enviou para o deputado por e-mail. Isso faz 2 anos e um pouco mais.

A exposição pareceu-lhe boa e o deputado Bolsonaro me externou naquele momento muito interesse. “Bastante inteligente e justo”, disse ele após ouvir meu relato.

TEXTO DA EMENDA – É o seguinte: Não se mexe no artigo 228 da Constituição, que continua com a seguinte redação: “São penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos, sujeitos às normas da legislação especial”.

Apenas acrescenta-se este parágrafo único ao artigo 228 da CF: “A inimputabilidade de que trata o caput deste artigo é presumida para os menores com idade entre dezesseis e dezoito anos e quando elidida, na forma da lei, cessa a inimputabilidade”.

DISCERNIMENTO – Em miúdos: menores com idade entre 16 e 18 anos incompletos têm presumida a sua inimputabilidade. E a lei ordinária determinará sua submissão a exames multidisciplinares para se aferir se o menor infrator tinha ou não conhecimento, discernimento, consciência da gravidade do ato praticado. Se tinha, o ato deixa de ser infração e passa a ser crime (neste caso a inimputabilidade foi elidida e deixou de existir) e pelo crime responderá perante a Justiça Comum. Se não tinha, continua inimputável e o caso será apreciado pelo Juízo da Infância e Adolescência.

Até hoje, contudo, o deputado Jair Bolsonaro não apresentou a proposta de Emenda. Quem sabe agora, presidente, não a apresente?

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P.S. –
Por causa do comentário do prezado leitor Jorge Alberto Mello de Carvalho, que me indagou a respeito, vou tratar de mandar mensagem para o e-mail privado do deputado, quase presidente, reiterando aquele projeto e lembrando nosso encontro na Policlínica Nossa Senhora da Glória. (J.B.)

Num voo poderoso e audaz da fantasia, num soneto de Helena Kolody

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Site Poemas & Canções

A professora e poeta paranaense Helena Kolody (1912-2004), no soneto “Sonhar”, explica o tamanho do sonho e da pureza para viver neste mundo.

SONHAR
Helena Kolody

Sonhar é transportar-se em asas de ouro e aço
Aos páramos azuis da luz e da harmonia;
É ambicionar o céu; é dominar o espaço,
Num voo poderoso e audaz da fantasia.

Fugir ao mundo vil, tão vil que, sem cansaço,
Engana, e menospreza, e zomba, e calunia;
Encastelar-se, enfim, no deslumbrante paço
De um sonho puro e bom, de paz e de alegria.

É ver no lago um mar, nas nuvens um castelo,
A luz de um pirilampo um sol pequeno e belo;
É alçar, constantemente, o olhar ao céu profundo.

Sonhar é ter um grande ideal na inglória lida:
Tão grande que não cabe inteiro nesta vida,
Tão puro que não vive em plagas deste mundo.

Temer recebeu R$ 5,9 milhões em propina do setor portuário, revela a PF

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E Temer continua a ser chamado de “Excelentíssimo”…

Aguirre Talento e Bela Megale
O Globo

O presidente Michel Temer recebeu diretamente R$ 5,9 milhões em propina do setor portuário, de acordo com o relatório da Polícia Federal (PF). Os pagamentos teriam sido feitos entre 2000 e 2014. A PF diz ainda que Temer captou também junto a empresas do setor R$ 17 milhões em doações para seu grupo político.  O relatório indiciou o emedebista por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A defesa do presidente argumenta que o indiciamento é ilegal e pede ao STF a anulação.

Segundo o relatório policial, R$ 2,4 milhões foram pagos pela Rodrimar, do porto de Santos,  entre 2000 e 2010, para uma empresa de fachada ligada ao coronel João Baptista Lima, amigo de longa data de Michel Temer e seu operador financeiro. Outros R$ 2 milhões foram doações oficiais da JBS para Michel Temer por causa de questões envolvendo um terminal portuário em Santos, em 2014. A PF ainda cita o pagamento de R$ 500 mil por meio de doações oficiais do grupo Libra e R$ 1 milhão entregues em espécie pelo grupo J&F, dono da JBS, para o coronel Lima cujo destinatário final era Michel Temer, todos em 2014.

A FILHA, TAMBÉM – Além de indiciar Temer, a PF indiciou sua filha Maristela por lavagem de dinheiro e imputou crimes aos seguintes investigados: Rodrigo da Rocha Loures (corrupção passiva e organização criminosa), Antonio Celso Grecco, dono da Rodrimar (corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa), Ricardo Mesquita, ex-diretor da Rodrimar (corrupção ativa), Gonçalo Torrealba, dono do grupo Libra (corrupção ativa e lavagem de dinheiro), coronel Lima (corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa), Carlos Alberto Costa, sócio do coronel (corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa), Almir Martins Ferreira, contador do coronel que operava empresa de fachada (lavagem de dinheiro), Carlos Alberto Costa Filho (lavagem de dinheiro) e Maria Rita Fratezi, mulher do coronel Lima (lavagem de dinheiro).

A investigação, que durou 13 meses, tem como base um decreto assinado por Temer no ano passado que prorrogou e estendeu os prazos de concessão de áreas públicas às empresas portuárias. A PF aponta que Temer recebeu propina pela edição do decreto e diz que ele atendeu aos interesses do setor com o objetivo de continuar mantendo influência e recebendo propina.

DIZ A DENÚNCIA – “Neste sentido, mesmo com tantos dispositivos contestados quanto à sua legalidade e favoráveis às empresas beneficiadas, o novo Decreto dos Portos visou não apenas servir de contrapartida política e ato oficial do Excelentíssimo Senhor Presidente da República para horar compromissos com um setor do qual se beneficiou com recebimento de recursos indevidos durante quase 20 anos, sendo possível acreditar, levando-se em consideração o histórico de acusações que recaem sobre o Senhor Presidente, que o Decreto questionado poderia permitir um novo período de influência no setor portuário pelo investigado Michel Temer e seus aliados políticos”, diz o relatório, assinado pelo delegado Cleyber Malta Lopes.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGO mais engraçado é que a Polícia Federal, ao se referir a um criminoso vulgar como Michel Temer, chama esse meliante de “Excelentíssimo Senhor Presidente da República”. Sinceramente… (C.N.)

Produtores pedem a Bolsonaro posse de arma em áreas rurais e urbanas

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Galvan diz que fazendeiros precisam defender suas terras

Deu em O Tempo
Estadão Conteúdo)

A Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil) – uma das maiores do agronegócio brasileiro – apresentou as suas reivindicações ao candidato à Presidência Jair Bolsonaro O documento, que possui uma série de solicitações sobre questões ambientais, fundiárias, logística e de segurança, pede mudanças drásticas em itens que, necessariamente, teriam de passar por amplas discussões no Congresso para serem levados adiante.

Os produtores de soja, principal produto de exportação do País, querem que Bolsonaro garanta a posse de armas nas propriedades rurais, acabe com o licenciamento ambiental de atividade realizadas nessas propriedades, impeça a ampliação de terras indígenas, apoie políticas de negociação bilateral com a China e crie linhas que permitam aos produtores repactuar dívidas não bancárias com agentes de financiamento rural.

URGÊNCIA – “Todos os problemas são urgentes, mas eu acredito que a questão da insegurança é a pior para nós. Ninguém aguenta mais essa banalização. Está na hora das pessoas terem suas armas, sim”, diz Antonio Galvan, presidente da Aprosoja no Mato Grosso e vice-presidente da associação no Brasil.

“Hoje entram na sua casa e te matam. Se o bandido souber que a pessoa pode ter uma arma em casa, isso já inibe o assalto. Então, tem de ser liberado o quanto antes, e para qualquer propriedade, seja rural ou urbana.”

LICENCIAMENTO – Do lado ambiental, a Aprosoja pede o fim do licenciamento para atividades tocadas em propriedades rurais. Se alguma licença for necessária, que seja concedida “de forma digital automática e online, bastando declaração do proprietário rural”. Querem ainda que não sejam mais impostas moratórias (acordos) e exigências para a produção, ações que, segundo o setor, seriam “impostas de forma recorrente por ONGs”.

Outro ponto polêmico diz respeito à questão fundiária. O agro quer que a demarcação de novas terras indígenas só ocorra em situações em que a terra tenha presença de índios após a data de promulgação da Constituição de 1988, ou seja, leve em conta o chamado “marco temporal”. Os produtores pedem que seja proibida a ampliação de terras indígenas já demarcadas e que seja considerado “ato criminoso a invasão de propriedade rural com intuito de promover a expropriação”.

EXPORTAÇÕES – Sobre ações econômicas e outros incentivos, o setor reivindica uma “política externa de negociação bilateral com a China e a repactuação de dívidas rurais”.

Na terça-feira (16) o presidente da Aprosoja Brasil, Bartolomeu Braz Pereira, disse que não acredita que, caso Bolsonaro seja eleito presidente, venha a adotar uma postura de negociação com os chineses que prejudique as exportações de soja do Brasil.

PF revela envolvimento de procurador com Rocha Loures, o “homem da mala”

Ex-presidente Dilma Rousseff e Alexandre Camanho

O procurador também era íntimo de Dilma Rousseff

Letícia Casado e Camila Mattoso
Folha

Braço direito da procuradora-geral Raquel Dodge, o secretário-geral da PGR Alexandre Camanho atuou junto a Rodrigo Rocha Loures, ex-assessor de Michel Temer, para se aproximar do presidente e comemorou a indicação de Sarney Filho para o Ministério do Meio Ambiente antes mesmo de Dilma Rousseff sofrer impeachment. O ex-assessor de Temer foi filmado em abril do ano passado recebendo uma mala com R$ 500 mil de um executivo da J&F, que controla a JBS.

Os diálogos entre Camanho e Rocha Loures estão descritos no relatório da Polícia Federal sobre o inquérito dos portos, no qual Temer e outras dez pessoas, incluindo seu ex-assessor, foram indiciados por corrupção, entre outros crimes.

TRÁFICO DE INFLUÊNCIA – As conversas mostram que a relação entre eles era próxima e que Camanho tentou emplacar um nome para o Ministério da Justiça e pediu reunião fora do Planalto, para evitar exposição. Os diálogos ocorreram antes da gestão de Dodge na PGR. E em 16 de abril de 2016, o procurador afirmou que tinha “coisas importantes para dizer” a Rocha Loures.

Os investigadores destacam um diálogo entre eles datado de 29 de abril de 2016 no qual Camanho demonstra para Rocha Loures contentamento na indicação de Sarney Filho para Ministério do Meio Ambiente. “No diálogo, Camanho ainda fala que Sarney Filho é ‘um bom amigo e verdadeiramente engajado’”, informa o relatório.

MINISTÉRIO DA JUSTIÇA – Segundo a PF, Camanho e Rocha Loures trataram também sobre uma indicação para o Ministério da Justiça em um governo Temer também antes do afastamento de Dilma. Em 5 de maio de 2016, Camanho se colocou à disposição para uma “sondagem preliminar” com o “indicado” por ele para o Ministério da Justiça, afirmam os investigadores.

“Da conversa de ontem pensei: pq não chamar Francisco Rezek para a Justiça? Duas vezes ministro do STF, presidente do TSE, juiz da Corte da Haia, ministro das Relações Exteriores, doutor pela Sorbonne, procurador da República”, escreveu Camanho. “Se o presidente quiser, posso fazer uma sondagem preliminar, para que ele não corra riscos. Fui assessor dele no STF e somos amigos pessoais”, acrescentou o procurador.

FAVOR AGUARDAR – “Ótima sugestão! Falarei com ele e te aviso apôs almoço. Favor aguardar”, respondeu Rocha Loures. As conversas mostram ainda que em 11 de maio de 2016 Camanho tentou intermediar uma reunião entre os procuradores da Lava Jato e o presidente Temer em Brasília.

“Estou com os meninos da Lava Jato. O presidente quereria vê-los?”, escreveu Camanho. Os procuradores não se encontraram com Temer, mas Rocha Loures foi ao encontro do grupo.

No dia seguinte, Camanho e o atual presidente da ANPR, José Robalinho, foram a uma reunião com Temer no Palácio do Jaburu. “Segundo informações veiculadas na mídia, Alexandre Camanho teria encontrado com Michel Temer para tratar de assuntos relacionados à sucessão na Procuradoria-Geral da República”, diz o documento.

DIÁLOGOS – Naquela época, Dilma ainda não havia sido afastada pelo Senado, o que só ocorreu em 12 de maio de 2016. Sarney Filho assumiu o Meio Ambiente e Temer nomeou Alexandre de Moraes para a Justiça.

A PF destaca dois diálogos de Camanho com Rocha Loures depois que Temer assumiu a Presidência. Em 25 de maio de 2016, Camanho “aparenta urgência em falar com o presidente ao final do dia”, diz a Rocha Loures que estava indo conversar com Zequinha e que teria “muitas coisas que precisa levar ao conhecimento do presidente”.

Naquele dia, o ministro Teori Zavascki, então relator da Lava Jato no STF (Supremo Tribunal Federal) homologou a delação de Sergio Machado, ex-presidente da Transpetro, que “envolvia membros do antigo PMDB, inclusive conversas do ex-senador José Sarney —pai de Zequinha Sarney”.

VANTAGENS ILÍCITAS – Machado entregou à PGR uma planilha com valores e datas na qual aponta irregularidades por parte de parlamentares, incluindo Sarney Filho. Segundo Machado, ele teria recebido R$ 400 mil como “vantagens ilícitas em doações oficiais” no ano de 2010.

“Após 5 (cinco) dias da conversa anterior, em 30/05/2016, Alexandre Camanho volta a dizer que tem urgência em falar assunto importante com Rocha Loures, mas pede para o encontro ocorrer fora do Palácio do Planalto, pois alega que se fosse no Palácio ‘seria muito expositivo’”, informa o documento.

“Resta frisar que somente a partir dos diálogos tratados não é possível chegar a qualquer conclusão sobre o resultado dos encontros entre Rocha Loures e o procurador regional Alexandre Camanho, bem como eventuais temas tratados”, ressaltam os investigadores.

“PRESIDENTE” – No relatório, a PF informa que ainda no fim do primeiro governo de Dilma Rousseff, Camanho, que estava à frente da ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República), já se referia ao então Michel Temer como “presidente”.

“Estimado amigo, posso ver o presidente na semana que vem?”, escreveu Camanho a Rocha Loures em fevereiro de 2014. Nesta troca de mensagens não há resposta, e em março, Camanho envia: “Estimado amigo, alguma perspectiva?”, ao que Rocha Loures responde “Alexandre confirmo horário até amanhã Abs.”.

Dois anos depois e após ter deixado suas funções na ANPR, Camanho continuou as tratativas com Rocha Loures, segundo a PF. De acordo com a assessoria da PGR, Camanho informou que estabeleceu um contato com o então vice-presidente enquanto presidia a ANPR por questões típicas da associação e suas pautas corporativas. Mas o diálogo continuou mesmo depois que ele deixou a associação e as conversas relatadas são absolutamente normais, informou a PGR.