Empate com a Suíça aumenta o atual jejum de vitórias no Brasil nas Copas

Resultado de imagem para brasil 1 Suiça I

Gabriel de Jesus sofreu pênalti, mas o juiz não marcou

Deu em O Globo

Com o empate em 1 a 1 contra a Suíça, na estreia da Copa de 2018, o Brasil chegou ao seu terceiro jogo seguido sem vitórias em copas. A sequência de jejum só é superada pelo período entre 1974 e 1978, quando a seca foi de quatro partidas. Se o time de Tite não bater a Costa Rica, na próxima sexta (22), o recorde negativo será igualado.

O jejum atual tem requintes de crueldade, pois foi iniciado pela goleada de 7 a 1 aplicada contra a Alemanha. Na disputa de terceiro lugar, outra derrota acachapante, dessa vez por 3 a 0 contra a Holanda. Agora, um empate contra a Suíça. A sequência antiga tem a derrota para a Holanda por 2 a 0 e para Polônia por 1 a 0, na Copa de 1974. No início da Copa de 1978, foram dois empates: 1 a 1 contra Suécia e 0 a 0 com a Espanha.

O lado bom é que agora a seleção brasileira vai enfrentar a Costa Rica, teoricamente o time mais fraco do grupo. E o retrospecto também joga a favor do Brasil. Além da Costa Rica ser um habitual freguês, o Brasil nunca foi eliminado nesse sistema atual de fase de grupos.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGFalta um maestro que comande o time dentro de campo, porque é um time sem lideranças. (C.N.)

No desespero, governo vai dizer nas redes que herdou “batata quente” do PT

Resultado de imagem para TEMER, PADILHA E MOREIRA

A alegria e a animação da “troika” são impressionantes


Andreza Matais
Estadão

No momento em que o presidente Michel Temer enfrenta seu pior índice de rejeição (82%), o governo fará um contra-ataque nas redes sociais para dizer que está tentando resolver problemas que herdou dos governos do PT. Em dez vídeos de um minuto e meio, que começam a ser divulgados nesta segunda-feira, atores contratados pela equipe digital do Planalto dizem que Temer assumiu “a batata quente” e que “na economia não existe solução mágica”. “Temer se colocou como uma ponte para tirar o País da lama e levar para um local legal”, diz uma atriz.

Num dos vídeos, a que a Coluna do Estadão teve acesso, um ator frisa que “Temer encontrou o Brasil com índices de um país em guerra”. E compara: “É como se o presidente estivesse reformando a casa com a pessoa morando dentro”.

CAMINHONEIROS – A greve dos caminhoneiros é um dos assuntos abordados na nova campanha do governo. Vai mostrar que os motoristas não tinham reivindicações atendidas desde 1998, quando fizeram uma grande paralisação.

Um dos vídeos previstos no roteiro era para dizer que a PF tem liberdade para atuar. A gravação, porém, foi suspensa. Desde que assumiu, Temer já substituiu duas vezes o diretor-geral da instituição.

VAGA DE EMBAIXADOR – Com o Supremo derrubando a prerrogativa de foro para tudo quanto é cargo, vagas de chefe de missão diplomática no exterior e de embaixador passaram a ser cobiçadas por políticos. Os ocupantes ainda mantêm o privilégio.

Aliados do presidente Temer voltaram a especular a possibilidade de ele ser nomeado embaixador no exterior no fim do governo justamente para que as investigações contra ele não baixem para a primeira instância.

Gestão do grupo Odebrecht já se transformou numa briga em “famiglia”

Resultado de imagem para emilioodebrecht

Desprezado pelo filho, Emilio tenta se reaproximar

Gustavo Schmitt
O Globo

Emílio Odebrecht, patriarca da empreiteira, deu mais um sinal de reaproximação com seu filho Marcelo Odebrecht. Em carta ao juiz Sergio Moro, Emílio afirma que autorizou a reforma no Sítio de Atibaia, frequentado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sem o conhecimento de Marcelo. A declaração ocorre um ano após Emílio prestar o primeiro depoimento a Moro. Na ocasião, ele não manifestava preocupação explícita de poupar o primogênito.

O documento foi anexado, na noite desta quarta-feira, no processo em que o ex-presidente é acusado de se beneficiar de reformas feitas no no sítio, no valor de R$ 1, 05 milhão, pelas empreiteiras como Odebrecht, OAS e pelo pecuarista José Carlos Bumlai.Lula foi condenado a 12 anos e um mês de prisão por um tríplex no Guarujá e cumpre pena desde 7 de abril na sede da Polícia Federal em Curitiba.

AMIGO DE LULA – Na mensagem, Emílio reitera que a relação com o ex-presidente Lula nunca contou com nenhuma interferência do filho:

“As mencionadas benfeitorias no sítio foram realizadas com minha autorização, sem qualquer participação de Marcelo. Após receber, via Alexandrino Alencar (ex-executivo da empreiteira), o pedido a ele realizado por Marisa Letícia, autorizei e determinei a execução das referidas obras com os recursos humanos e financeiros advindos da CNO (Construtora Norberto Odebrecht) em São Paulo e, para tanto, não consultei previamente qualquer outro executivo da Odebrecht, nem mesmo avisei Marcelo sobre o pedido”.

BRIGALHADA – Emílio e Marcelo tem relação conturbada. Eles chegaram a romper relação durante as tratativas de colaboração premiada da empresa. Marcelo teria se sentido injustiçado com o acordo. Recentemente, porém, pai e filho têm feito movimentos de reaproximação. Em abril, eles divulgaram um comunicado conjunto em que prometiam preservar a empresa. Mas desde que deixou a prisão em dezembro, Marcelo trava uma guerra nos bastidores contra executivos da cúpula da Odebrecht.

A carta tem data da última quarta-feira. A declaração foi feita por Emílio poucas semanas após Marcelo derrubar o executivo Newton Souza, que deveria ocupar a presidência do conselho de administração da empresa, segundo o jornal Folha de S.Paulo. O conselho é a instância de decisão mais importante da empresa.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGEmilio Odebrecht faz de tudo para agradar o filho, mas Marcelo permanece irredutível e não aceita encontrar o pai. Em sua coluna de O Globo, Lauro Jardim revela que “o alto comando da Braskem anda preocupado com o que pode respingar na empresa a partir do embate entre Marcelo Odebrecht e Maurício Ferro, diretor-jurídico da Odebrecht. Marcelo quer porque quer que Ferro, seu cunhado, deixe a empresa. Possui trocas de e-mails comprometedoras com Ferro dos tempos em que o seu atual desafeto era diretor da Braskem”. Ou seja, a briga do filho com o pai está contaminando a famiglia. (C.N.)

O calor animal daquela amada pessoa, na visão poética de Mário Quintana

Resultado de imagem para mario quintana frasesPaulo Peres
Site Poemas & Canções

O tradutor, jornalista e poeta gaúcho Mário de Miranda Quintana (1906-1994), no poema “Bilhete com Endereço”, fala do querer, do amor e do desejo que ele quer daquela pessoa, ou seja, o calor animal dela.

BILHETE COM ENDEREÇO
Mário Quintana

Mas onde já se ouviu falar
Num amor à distância,
Num tele-amor?!
Num amor de longe…
Eu sonho é um amor pertinho
Um amor juntinho…
E, depois,
Esse calor humano é uma coisa
Que todos – até os executivos – têm.
É algo que acaba se perdendo no ar,
No vento
No frio que agora faz…
Escuta!
O que eu quero,
O que eu amo,
O que desejo em ti,
É o teu calor animal!…

Uma coisa é certa – os arapongas estão furiosos com o governo Temer

Resultado de imagem para arapongas (Abin)CHARGES

Charge do Frank (Arquivo Google)

Vicente Nunes
Correio Braziliense

O governo Temer, tão cioso de agradar os militares e as forças de segurança, anda bastante desgastado com uma parte desse grupo. Os arapongas da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) ficaram furiosos com as informações de que falharam ao não alertar o governo dos riscos da paralisação dos caminhoneiros.

Foi o próprio Planalto que espalhou isso reservadamente. Mas os agentes da Abin afirmam que mandaram robustos relatórios para a Presidência da República nos últimos meses, mas o material foi simplesmente ignorado. Eles vinham monitorando a organização do protesto e tinham até mesmo informantes infiltrados no movimento.

Agora, o desdém do Planalto está custando caro — melhor, caríssimo. A paralisação dos transportadores de cargas desnudou um governo fraco, totalmente desarticulado e sem qualquer força no Congresso. Os caminhoneiros decretaram a agonia de Temer.

 

Se 62% dos jovens querem iriam embora, o último a sair então apague a luz…

Resultado de imagem para brasil, ameo-o ou deixe-o charges

Charge do Ziraldo

Ana Estela de Sousa Pinto
Folha

Num piscar de olhos, a população dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná desapareceria do Brasil. Cerca de 70 milhões de brasileiros com 16 anos ou mais deixariam o Brasil se pudessem, mostra o Datafolha. Na pesquisa, feita em todo o Brasil no mês passado, 43% da população adulta manifestou desejo de sair do país. Entre os que têm de 16 a 24 anos, a porcentagem vai a 62%. São 19 milhões de jovens que deixariam o Brasil, o equivalente a toda a população de Minas Gerais.

O êxodo não fica apenas na intenção. O número de vistos para imigrantes brasileiros nos EUA, país preferido dos que querem se mudar, foi a 3.366 em 2017, o dobro de 2008, início da crise global.

Resultado de imagem para brasil, ameo-o ou deixe-o charges

Charge do Henfil

CIDADANIA – Os pedidos de cidadania portuguesa aceleraram. Só no consulado de São Paulo, houve 50 mil concessões desde 2016. No mesmo período, dobrou o número de vistos para estudantes, empreendedores e aposentados que pretendem fixar residência em Portugal.

“Há fatores de sucesso e de fracasso que explicam isso”, avalia Flavio Comin, professor de economia da Universidade Ramon Llull (Barcelona). Um deles é que hoje é mais fácil se mudar: “Na internet dá para ver a rua onde se pretende morar, a sala do apartamento que se quer alugar”.

Há também grande frustração. “O Brasil de 2010 promoveu as expectativas de que nosso país seria diferente. O tombo foi maior quando se descobriu que não estávamos tão bem quanto se dizia.”

REFERÊNCIA – Segundo Comin, nos últimos anos seus alunos começaram a pedir cartas de referência para trabalho, “com o claro propósito de mudar permanentemente para o exterior”.

Não só os jovens querem ir embora. Há maioria também entre os que têm ensino superior (56%) e na classe A/B (51%). É o caso da produtora Cássia Andrade, 45 anos, que vendeu seu apartamento e embarca para o Canadá até agosto.

“Não quero virar Uber nem vender brigadeiros. Trabalho com arte há 30 anos e estou em plena fase produtiva. Não faz sentido ficar, só porque sou brasileira e não desisto nunca.” Cássia só não fechou sua empresa porque pretende continuar trabalhando com projetos brasileiros.

FUGA DE CÉREBROS – Essa possibilidade de continuar atuando no Brasil mesmo de fora é um dos fenômenos que atenuam a chamada “fuga de cérebros”, afirma Marcos Fernandes, pesquisador do Cepesp FGV.

Na área acadêmica, os brasileiros passam a trabalhar na fronteira do conhecimento, e exportam esse conhecimento para o Brasil por meio de parcerias e projetos individuais.

Já no caso de profissionais de nível técnico ou empreendedores o intercâmbio é mais difícil. Mas, segundo Fernandes, há evidência empírica de que a saída de talentos é um movimento de curto prazo. “A não ser em casos de guerra civil ou falência do Estado, boa parte deles acaba voltando.”

EM LISBOA – No médio prazo, portanto, o Brasil pode ganhar profissionais mais bem formados e experientes num período futuro.

João Amaro de Matos, vice-reitor da Universidade Nova de Lisboa, na qual o número de alunos brasileiros é crescente, concorda com a análise.

“Nossa experiência mostra que muitos voltam, e não faz sentido tentar estancar esse fluxo. Os brasileiros mais promissores só vão exercer seu potencial se puderem ser livres para se desenvolver.”

INTERNACIONAL – Matos, português que viveu em São Paulo dos 14 anos até se doutorar na USP, cita seu próprio caso: morou na Alemanha e na França, mas hoje está em Portugal e trabalha no Brasil dois meses por ano.

As perdas de curto prazo podem ainda ser minoradas com políticas públicas, diz Fernandes. “O governo precisa criar canais de conexão e participação com os acadêmicos brasileiros no exterior, e gerar estabilidade e crescimento para que os tecnólogos e empreendedores voltem mais rapidamente. Não é o mercado que vai resolver isso.”

A saída de brasileiros traz desafios não só para o setor público, mas também para a sociedade civil, nota o diretor de Mobilização do Todos pela Educação, Rodolfo Araújo, que aponta uma cisão entre o indivíduo e as instituições.

VÍTIMAS DO SISTEMA – “As pessoas se sentem vítimas do sistema, à parte dele. Com isso, perdem a capacidade de se sentir cidadãs, seja nos direitos, seja nos deveres.”

Para Araújo, é preocupante que os mais escolarizados não se sintam parte da solução, e as instituições precisam se aproximar das pessoas, conhecê-las e ganhar a confiança delas.

“Afinal, o que é ser brasileiro hoje? Não pode ser ‘sou um desiludido, um desesperançado’. Cair nisso é muito perigoso para todos nós.”

DESESPERANÇA – Há de fato um clima de desesperança. Levantamento feito no começo deste mês pelo Datafolha mostrou que, para 32% dos brasileiros, a economia vai piorar; 46% acreditam em alta do desemprego.

“Gera uma angústia muito grande. Se nós já estamos em pânico, imagine os jovens”, diz Fernandes. Enrico Aiex Oliveira, 19, um dos 12 mil brasileiros que cursam faculdade em Portugal, pretende fazer carreira no exterior. Gostaria de voltar um dia ao Brasil “se houvesse estabilidade econômica, reforma política e melhora na saúde e na educação”.

O problema, segundo Comin, é que, “se há um futuro, ele não deve chegar tão breve. E dez anos podem não ser nada na vida de um país, mas é muito na de uma pessoa”. Nessa perspectiva, a vontade de ir embora “é uma atitude racional, de busca de uma vida melhor em um mundo no qual ficou mais fácil transitar”.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGFico naquela do Tom Jobim: “Viver no exterior é bom, mas é uma merda; viver no Brasil é uma merda, mas é bom”. (C.N.)

Quem controla a língua dos juízes?

Resultado de imagem para juíz charges

Charge do Alpino (Yahoo Brasil)


Bernardo Mello Franco
O Globo

O Conselho Nacional de Justiça baixou regras para a atuação dos juízes nas redes sociais. Está proibido declarar apoio ou fazer ataques pessoais a candidatos que vão disputar eleições. Os magistrados também foram orientados a não pregar a discriminação por raça, gênero, religião, condição física ou orientação sexual.

No mundo ideal, bastaria cobrar um pouco de bom senso. A Constituição já impede que os juízes exerçam “atividade político-partidária”. A Lei Orgânica da Magistratura (Loman) exige “conduta irrepreensível na vida pública e particular”.

TERRITÓRIO SEM LEI – No mundo real, há quem confunda a internet com um território sem lei. Isso explica por que Facebook, Twitter e outras redes viraram palanque para certa militância togada.

Os juízes devem ser imparciais e parecer imparciais. Na crise de 2016, alguns se esqueceram disso e postaram selfies em passeatas contra e a favor do impeachment. Outros transportaram o engajamento político para a atividade profissional. Um participante de manifestações contra o governo ficou famoso ao barrar a posse de um ministro de Estado.

Em março, uma desembargadora fluminense despontou do anonimato ao espalhar notícias falsas contra Marielle Franco. Ela escreveu que a vereadora, vítima de um assassinato brutal, seria ligada a traficantes de drogas. A doutora já havia defendido o fuzilamento de um deputado e debochado de uma professora com síndrome de Down.

CONVICÇÕES PESSOAIS – O CNJ deixou claro que os magistrados não perderam o direito a expressar “convicções pessoais”. É permitido criticar “ideias, ideologias, projetos legislativos, programas de governo e medidas econômicas”. Mesmo assim, associações de classe confundiram as normas com censura. Uma delas alegou que a liberdade de expressão estaria em risco.

Na verdade, o maior risco é o de a regra não pegar. Isso já acontece com a Loman, que proíbe os juízes de opinar sobre processos fora dos autos e atentar contra “a dignidade, a honra e o decoro” da carreira. Alguns ministros do Supremo são os primeiros a ignorar a lei. Antecipam votos na imprensa e trocam ofensas no plenário, com transmissão ao vivo na TV.

Bolsonaro e Trump têm perfis de campanha semelhantes, mas nem tanto

Jair Bolsonaro diz que Trump é um exemplo para ele

Henrique Gomes Batista
O Globo

De tanto ser chamado de Donald Trump brasileiro, inclusive por renomadas publicações estrangeiras, Jair Bolsonaro (PSL) não esconde que deseja copiar o presidente americano. A forma de fazer campanha, as ideias ultraconservadoras e as bandeiras nacionalistas os aproximam. Mas analistas enumeram uma série de diferenças que tornam mais difícil para o ex-capitão do Exército — líder nas pesquisas nos cenários sem o ex-presidente Lula — repetir o feito do magnata republicano.

— O Trump serve de exemplo para mim — disse Bolsonaro, em outubro do ano passado, para uma plateia lotada de brasileiros em Boston.

DIFERENÇAS – Na lista de diferenças relevantes entre as duas campanhas, a mais citada é o sistema partidário e de votação. “Em um sistema bipartidário, um candidato já inicia com cerca de 40% dos votos. A dinâmica americana é muito diferente da realidade brasileira, com 28 partidos no Congresso e 35 disputando as eleições” — afirma James Green, professor da Universidade de Brown (Rhode Island, EUA), onde dirige a Brown’s Brazil Initiative.

Por outro lado, Bolsonaro levaria vantagem por causa do voto obrigatório no Brasil. Nos EUA, o voto é facultativo. Lá, é mais difícil convencer a pessoa a sair de casa do que a escolher um candidato, que é republicano ou democrata. Aqui, o desencanto com a política aliado ao voto obrigatório abre caminho para o deputado federal. “Ambos se vendem como anti-establishment, exploram a desilusão e a raiva de parte do eleitorado” — avalia Peter Hakim, brasilianista e presidente emérito do centro de estudos Inter-American Dialogue, na capital americana.

FINANCIAMENTO – Outra diferença que tem origem nas regras da eleição é o financiamento. A campanha de Trump foi rica, chegou quase a US$ 1 bilhão. O candidato usou sua fortuna pessoal para dizer que não precisaria tentar enriquecer no poder. Bolsonaro está longe de assegurar uma estrutura de arrecadação que se assemelhe à de Trump.

Hakim vê ainda outra diferença fundamental: a falta de símbolos para Bolsonaro. “Trump propôs o muro na fronteira com o México que representava tudo: a luta contra os imigrantes, contra a violência, a proteção comercial. Bolsonaro não tem um projeto simbólico”.

A “bandeira” de Bolsonaro, até o momento, é a agenda da segurança e do combate à corrupção, mesmo sem ainda ter apresentado propostas concretas nas duas áreas.

ECONOMIA – A mesma diferença se aplica ao debate econômico. Trump foi eleito em um momento em que a economia não era a maior preocupação americana, ao contrário do Brasil de agora, onde o tema é uma das prioridades. E Bolsonaro, até agora, não apresentou nenhum plano consistente para a recuperação do emprego e da renda.

No campo das semelhanças, o nacionalismo, a luta pela livre circulação de armas e o discurso contra o aborto, além do ataque visceral ao politicamente correto, fazem parte do repertório de ambos. Também é similar o método usado para que os dois passassem de azarões à liderança das pesquisas: engajamento de rede social em números muito superiores aos adversários; polêmicas em série que dão visibilidade; “o controle da narrativa” da campanha, com uma militância fiel; e o posicionamento como um “forasteiro” da política “contra tudo Isso que está aí”.

BUSCA DE INIMIGOS – Mauricio Moura, presidente da Ideia Big Data — empresa de pesquisas de opinião — vê ainda a busca de inimigos a todo momento, em especial a mídia, como uma estratégia comum. “Em 2016, vimos muitos casos de voto envergonhado no Trump, ou seja, eleitores que não assumiam o apoio ao republicano, nem mesmo em pesquisas eleitorais. Isso já está ocorrendo no Brasil e será um desafio para os institutos de pesquisa” — disse Moura.

Conheça as diferenças: 1) Força partidária: nos EUA, com dois partidos preponderantes, eleitores são fiéis à legenda, independentemente de quem é o candidato. 2) Voto obrigatório: Nos EUA, o voto não é obrigatório e isso muda a dinâmica das eleições. 3) Dinheiro. A campanha de Trump foi rica, chegou quase a US$ 1 bilhão. O candidato usou também sua fortuna para dizer que não precisaria tentar enriquecer no poder. 4) Palanques estaduais: Trump contou com a maior parte dos governadores, deputados e senadores eleitos nos estados.

Lula só estreia como comentarista da Copa do Mundo nesta segunda-feira

Resultado de imagem para lula na copa charges

Lula pretende “escrever” seus comentários diariamente

Deu no Estadão

Preso há dois meses em Curitiba, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva será comentarista da Copa do Mundo da Rússia. Mesmo detido, o petista participará das transmissões de uma emissora de TV da Grande São Paulo, a TVT. Ele vai escrever cartas sobre suas impressões da Copa e enviá-las para o jornalista José Trajano, ex-ESPN. Lula tem acesso a uma televisão em sua cela.

Lula participará do programa de Trajano na TVT, uma afiliada da TV Brasil, uma rede de televisão pública brasileira pertencente à Empresa Brasil de Comunicação. De acordo com o ex-diretor de jornalismo da ESPN, que anunciou a novidade em um vídeo publicado em seus perfis nas redes sociais, o ex-presidente “passará suas impressões” sobre a Copa em participações no programa do jornalista.

“O Papo com Zé Trajano tem um novo comentarista, um comentarista exclusivo. Luiz Inácio Lula da Silva”, afirmou o jornalista. “Essa é a grande novidade do programa: Luiz Inácio Lula da Silva comentarista exclusivo da TVT e do meu programa.”

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Por estar encarcerado em Curitiba, Lula não pode comentar ao vivo. Suas palavras serão colhidas diariamente pelos advogados, que depois as enviarão a José Trajano, para serem divulgadas no dia seguinte. Lula e seus  advogados não receberão remuneração pelo trabalho, será tudo “di grátis”, como se diz na periferia. (C.N.)  

Para que volte a ser Supremo, é preciso que o STF volte a ser um tribunal

Resultado de imagem para supremo charges

Charge do Mariano (Charge Online)

 

Rubens Glezer
Folha

A crise de autoridade do Supremo Tribunal Federal chegou a um novo piso. Entre 2012 a 2018, o Supremo deixa de ser percebido como o grande reservatório de moralidade democrática para se tornar cada vez mais parte, e até causa, da crise política.

Durante esse período gastou muito mais capital político do que detinha; um processo acelerado pelas divisões internas e disputas públicas. Com isso, assistimos a um STF que aos poucos passou a ter dificuldades para enfrentar o Legislativo e o Executivo, para chegar hoje em um tribunal que tem dificuldade até mesmo para tomar decisões fáceis; como a proibição da condução coercitiva de investigados.

PROBLEMA TÉCNICO – A dificuldade de que trato não é a jurídica, ou seja, o problema não está na parte “técnica” dos argumentos. A maioria dos ministros entendeu que levar um investigado à força para prestar depoimento em delegacia não é compatível com o fato de nosso sistema conferir o direito ao silêncio aos acusados.

Afirmaram que se o investigado tem o direito de não dizer nada à autoridade policial, não deveria ser levado obrigatoriamente pela polícia até a delegacia, dado o amplo risco de espetacularização ou abuso de autoridade no processo.

Já a maioria vencida não viu problema na utilização de um mecanismo penal muito menos severo do que prisões preventivas e, em certa medida, do que as prisões após condenação em segunda instância. Nada de extraordinário nesse tipo de divergência.

DESCULPAS – O que chama a atenção foi o tom de “desculpas” em diversos. Quem votou pelo fim da condução coercitiva reiterava que não estava contribuindo com a impunidade e nem coadunando com o interesse de corruptos.

Já quem votou pela constitucionalidade do instrumento reafirmava que abusos do sistema de Justiça são esparsos, que as instituições funcionam normalmente e que não existe uma conjuntura de violação de direitos fundamentais em nome de uma agenda moralizadora.

Por um lado, esse tom defensivo responde às acusações feitas em plenário por ministros como Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso.

GARANTISMO – Enquanto o ministro Gilmar repetiu acusações a erros cometidos pela Polícia Federal e sob a gestão de Janot no MPF, o ministro Barroso afirmou que essa mitigação dos instrumentos de investigação e controle da corrupção é um “surto de garantismo” voltado a proteger os interesses de determinados agentes que hoje são (ou correm o risco de ser) alvos de investigação e processo penal.

Por outro lado, isso é apenas parte da explicação sobre como votaram os demais ministros. Afinal, acusações desse tipo não são novidade no tribunal, que vem presenciando discussões cada vez menos parcimoniosas.

Esse parece ser um sintoma de que os ministros se deram conta que a força de seus votos e decisões não vem mais de seus argumentos jurídicos. Com isso, tentam fiar seu posicionamento em posturas e discursos políticos, ou seja, proteger sua autoridade com posturas políticas.

SER TRIBUNAL – Nesse jogo político, porém, o Supremo não tem como ser bom. Em primeiro lugar porque é necessariamente menos habilidoso politicamente do que o Congresso Nacional e o Planalto. Em segundo lugar, porque a autoridade política está ligada à popularidade e atender às vontades da maioria.

Entra-se no jogo político para jogar mal e, além disso, deixar de fazer seu trabalho, que é aplicar a Constituição e as leis. Para que volte a ser Supremo, é preciso voltar a ser tribunal.

Sem complexo de vira-lata, corrupção também é comum na União Europeia

Resultado de imagem para iñaki urdangarin

Cunhado do rei da Espanha pega 5 anos de cadeia


Marieta Cazarré
(Agência Brasil)

A condenação de Iñaki Urdangarin, cunhado do rei Felipe VI da Espanha, a cinco anos e dez meses de cadeia expôs um quadro de suspeitas de corrupção por políticos e pessoas ligadas ao poder na Europa. No dia 13, ele foi condenado por desvio de fundos, prevaricação, fraude contra o Erário, delitos fiscais e tráfico de influências.

Ex-atleta de handebol, Urdangarin é casado com a infanta Cristina de Bourbon, irmã do rei. Espanha e Portugal estão no foco de uma série de investigações sobre corrupção e enfrentam escândalos envolvendo nome de autoridades e políticos.

SÓCRATES –  Em Portugal, a Operação Marquês, iniciada em 2014, revelou que José Sócrates, primeiro-ministro do país entre 2005 e 2011, esteve envolvido em 31 crimes, entre eles, o de corrupção, fraude fiscal e lavagem de dinheiro. Sócrates foi detido preventivamente em 2014, ficando 9 meses na cadeia. Em 2015, passou a cumprir prisão domiciliar e, atualmente, aguarda julgamento em liberdade.

O Partido Socialista (PS), após anos de silêncio em relação ao caso, busca distanciar-se da imagem de Sócrates. António Costa, atual primeiro-ministro de Portugal, foi ministro na administração de Sócrates.

Ao tomar conhecimento das denúncias, Costa se manteve neutro e defendeu a presunção de inocência de Sócrates. Uma frase sua tornou-se célebre em terras portuguesas: “à política o que é da política, à Justiça o que é da Justiça”. Mais recentemente, no último congresso do Partido Socialista, em maio, Costa procurou afastar-se da figura de Sócrates.

REAÇÕES – A deputada federal socialista Ana Gomes disse que é importante que o partido se descole do ex-primeiro-ministro, mas que assuma os erros cometidos. “Não vale a pena varrer para debaixo do tapete o que do passado pode envergonhar a credibilidade do PS, partido de gente séria e trabalhadora”, afirmou.

Na liderança do atual governo, o PS sofreu derrota nas últimas eleições, perdendo espaço para o Partido Social Democrata (PSD) – legenda que esteve à frente do governo durante severo programa de ajuste fiscal, com corte de pensões e aumento de impostos.

O PSD venceu as últimas eleições, mas o PS conseguiu formar governo após associar-se ao Bloco de Esquerda (BE) e ao Partido Comunista Português (PCP). A estratégia de distanciamento da imagem de José Sócrates mostra que o PS sonha alto nas próximas eleições, quando pretende conquistar maioria absoluta no Parlamento e montar governo sem fazer concessões a parceiros de esquerda.

ESPANHA – Enquanto em Portugal um partido (PS) tenta se desvincular da imagem de um político condenado por corrupção, na Espanha é o ex-primeiro ministro Mariano Rajoy, que tenta se desvencilhar da imagem do partido corrompido.

No começo deste mês, Rajoy perdeu o cargo em moção de censura. A legenda dele, o Partido Popular – PP, está no centro de uma gigantesca investigação de corrupção envolvendo políticos e empresários há décadas. A Audiência Nacional espanhola condenou 29 dos 37 acusados a penas que totalizam 351 anos de prisão.

É a primeira vez desde a redemocratização do país, nos anos 70, que um primeiro-ministro é forçado a sair do cargo por perder apoio do parlamento. O caso Gürtel – nome pelo qual ficou conhecida a investigação sobre a rede de corrupção envolvendo o PP – envolve um esquema que pode ter lesado os cofres públicos em mais de 40 milhões de euros entre 2000 e 2008.

OUTROS PAÍSES – Na história recente da Europa, há uma série de casos de corrupção envolvendo políticos que resultaram em condenações e prisões. Na Alemanha, houve o caso de Helmut Kohl, chanceler de 1982 a 1998, envolvido em um escândalo de financiamento irregular do seu partido, a União Democrata-Cristã (CDU).

A função de chanceler na Alemanha equivale à de primeiro-ministro em outros governos parlamentaristas. Kohl admitiu ter recebido doações não declaradas de 2 milhões de marcos, cerca de US$ 1 milhão. O CDU é o partido da atual chanceler Angela Merkel.

CASO DE CHIRAC – Na França, Jacques Chirac, ex-primeiro-ministro (1974-1976 e 1986-1988), foi condenado à prisão por ter contratado, como presidente da Câmara de Paris, funcionários para a campanha presidencial em que foi eleito para o período de 1995 a 2007. A pena acabou sendo suspensa.

O ex-primeiro ministro da Itália Silvio Berlusconi, que ocupou o cargo por nove anos, também enfrentou vários processos e uma condenação por fraude fiscal. A pena acabou transformada em prestação de um ano de serviço comunitário e em pagamento de multa de 10 milhões de euros.

Sem renúncias fiscais, o Brasil teria superávit, acredite se quiser

Baraldi

Charge do Márcio Baraldi (Arquivo Google)

Míriam Leitão e Alvaro Gribel
O Globo

O problema do Brasil não é exatamente a carga tributária alta. Ela é alta, mas tem desconto para alguns e acaba sendo menor do que parece. A solução para o Brasil não é apenas cortar os gastos, é reduzir as despesas que são feitas em favor do beneficiário errado. É nesse ponto que o Tribunal de Contas da União (TCU) tocou. As renúncias fiscais são 30% da receita líquida, sem elas o país teria superávit.

O TCU olhou para o ponto certo do nó fiscal brasileiro e vários ministros falaram em tom forte sobre o assunto. Segundo Vital do Rego, as renúncias são de tal magnitude que afetaram o equilíbrio das contas. Para José Múcio, são “o novo vetor da desigualdade”. E na opinião de Bruno Dantas, o país tem “um encontro marcado com esses benefícios fiscais concedidos sem critério, sem análise de custo-benefício”.

RESSALVAS – Em função disso, o relator colocou ressalvas nas contas do governo em 2017. Pode haver muitos motivos para ressalvas, mas as renúncias fiscais em sua maioria foram herdadas. Algumas têm caráter plurianual e não podem ser simplesmente extintas. O ministro Vital do Rego disse que se o governo tivesse limitado as renúncias à média de 2003 a 2008 (R$ 223 bilhões) teria tido superávit. Mas no gráfico que acompanha o voto está claro que o total das renúncias fiscais era de 3,4% do PIB em 2008 e foram para 6,7% em 2015.

Quem elevou o volume dos benefícios aos empresários após 2008 foram os governos Lula e Dilma. O governo Temer reduziu os gastos tributários para 5,4% em 2017, ano que está sendo examinado, principalmente os concedidos através do BNDES. A criação da TLP reduzirá ainda mais, no futuro, o gasto com subsídios financeiros do banco.

REFIS ERRADO – Temer errou quando fez um Refis e não conseguiu conter sua base que aumentou as vantagens para os devedores da Receita. Errou nas concessões à bancada ruralista no perdão às dívidas do Funrural. Concessões feitas a partir da crise que atingiu seu governo com as denúncias do Ministério Público. Mas os dois governos anteriores é que realmente aumentaram o total das transferências para os empresários entre 2008 e 2015.

No Brasil, o mesmo empresário que reclama da carga tributária alta é o que pede um programa de desconto para o seu setor. Assim, o governo acaba cobrando muito de todos os contribuintes e transferindo uma parte para determinados setores, lobbies e programas. E desta forma o Estado cria desigualdades.

EXPORTADOR – Acabar com isso é uma dificuldade. Na atual crise do diesel, o ministro Eduardo Guardia elegeu um desses benefícios para serem cortados: o Reintegra. O programa iniciado em 2011 concede ao exportador o benefício no valor de 2% das suas exportações. A decisão foi reduzi-lo para 0,1%. O que já aconteceu? A Justiça mandou adiar a mudança do Reintegra. Só uma única empresa de Santa Catarina acha que perderá R$ 130 mil. O setor de rochas no Espírito Santo perderá R$ 14 milhões. A soma geral do que exportadores ganhariam com a manutenção desse benefício chega a ser bilionária. Por isso já estão na Justiça à caça das liminares.

A Zona Franca de Manaus custa R$ 25 bilhões em renúncias, e se o governo resolver reduzir um só dos setores beneficiados, como aconteceu agora com bebidas, o lobby se organiza.

SESMARIAS – Os programas de benefício fiscal são uma teia de vantagens que foram sendo distribuídos como sesmarias. Pelo relatório, 85% das renúncias foram estabelecidas sem prazo de vigência e 44% não têm qualquer órgão que avalie os resultados.

Subsídio pode ser concedido. É uma decisão de política pública. Mas tem que ter objetivos e critérios. Deve ser dedicado a atividades com vantagens intangíveis, como a cultura, ou beneficiar os grupos mais vulneráveis da sociedade ou se dirigir a setores que precisam de um estímulo temporário e cujo desenvolvimento represente um ganho social. Mas qualquer renúncia fiscal é gasto, portanto precisa ser fiscalizado e avaliado constantemente. No Brasil, ocorre o oposto: eles se dirigem em geral aos mais ricos, às regiões mais desenvolvidas, não são avaliados e são concedidos de acordo com a força de cada lobby. Assim acabam aumentando as desigualdades do país.

(Artigo enviado por Darcy Leite)

No mercado livre das coligações, o PSB está mais perto de apoiar Ciro Gomes

ctv-tkh-ciro-na-fora

Ciro está vencendo as resistências contra a coalizão


Vera Magalhães
Estadão

O PSB está mais propenso a selar uma aliança com o PDT de Ciro Gomes que a ficar “solteiro” nas eleições nacionais, como agora defende a ala do partido mais próxima ao PT.  A costura feita por Ciro foi eficaz para incutir uma dose de autoestima no PSB, que ficara perdido diante do recuo de Joaquim Barbosa, aquele que foi sem nunca ter sido o presidenciável do partido.

Ciro convenceu parte da cúpula socialista de que o partido terá espaço de destaque caso ele se eleja. Assim “empoderados”, caciques pessebistas já dizem que sua sigla dará estatura política a Ciro, por ter mais governos de Estado que o PDT, por exemplo.

PT FAZ DESCONTO – O PT, que começou falando grosso e exigindo um cheque em branco de aliança com o candidato que vai substituir Lula na cédula para retirar a candidatura de Marília Arraes em Pernambuco, já admite fazer um desconto caso o PSB apenas fique neutro na eleição nacional. São essas hoje as únicas opções à mesa, e a decisão não deverá ficar só para a undécima hora. O PSB deve reunir a Executiva para bater o martelo ainda neste mês.

Os pessebistas sabem que, no momento em que Ciro, Geraldo Alckmin e o PT travam uma corrida de bastidores para consolidar alianças e reduzir a pulverização, os primeiros apoios contam mais e garantem aos aderentes boas condições de negociação. Inclusive a vaga de vice, pela qual os socialistas não escondem o interesse e que pode mesmo ir para Márcio Lacerda.

As declarações tanto de Ciro quanto de seu irmão, Cid, sobre a prioridade dada ao antigo partido de ambos fazem parte desse “namoro” que pode mesmo acabar em casamento.

DESISTÊNCIAS – O fôlego de algumas candidaturas de si mesmas parece estar se esvaindo. Guilherme Afif, que insiste em dizer que é pré-candidato embora seu partido, o PSD, não o reconheça como tal, deve ser chamado à realidade. O PRB de Flávio Rocha faz conversas abertas com o PSDB e o Podemos. Rodrigo Maia já não esconde que cansou de interpretar o pré-candidato e que quer ir cuidar de sua reeleição ao mandato e à presidência da Câmara. O MDB já não esconde o desejo de desistir de Henrique Meirelles. E o PCdoB só espera o nome do PT para decidir se vai com ele ou com Ciro Gomes. Os desfechos podem vir antes mesmo da Copa.

Um dos empecilhos para que Geraldo Alckmin obtenha logo os apoios de que precisa é a súbita tentativa de aproximação do time de Michel Temer. Diante da constatação de que um candidato “puro-sangue” do governo tem pouquíssimas chances, soldados como Carlos Marun e Moreira Franco já tentam descolar uma cabine no navio de Alckmin.

Isso pode afugentar outros passageiros em potencial, como DEM, PP e PRB, que veem no contágio com Temer uma peste capaz de inviabilizar de vez um presidenciável pelo qual já não têm muito entusiasmo.

VEM, PETISTA – Tucanos sonham com uma definição mais rápida do PT. A torcida é para que o PT escolha logo o nome do substituto de Lula. A análise dos tucanos é que esse candidato, quando oficialmente indicado, vai desidratar os índices de Ciro Gomes e Marina Silva nas pesquisas, igualando as condições entre eles e Geraldo Alckmin e aliviando um pouco a pressão para que o tucano cresça.

Lava Jato quer ouvir Marcelo Odebrecht e doleiros em inquérito sobre Temer

Resultado de imagem para TEMER, PADILHA E MOREIRA

Moreira, Temer e Padilha estão sendo investigados 

Mariana Oliveira
TV Globo, Brasília

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que são necessários depoimentos de seis pessoas para aprofundamento do inquérito que investiga o presidente Michel Temer por conta das delações premiadas de ex-executivos da Odebrecht. Serão ouvidos Marcelo Odebrecht, dono da empresa; Fernando Migliaccio, ex-funcionário da Odebrecht; Ibanez Filter, ligado a Eliseu Padilha; Vinícius Claret, doleiro conhecido como Juca Bala, suspeito de lavar dinheiro no esquema de Sérgio Cabral; Cláudio Barbosa, doleiro suspeito de lavar dinheiro no esquema de Sérgio Cabral; José Eduardo Cavalcanti de Mendonça, marqueteiro Duda Mendonça.

Também são investigados os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Minas e Energia).

PRORROGAÇÃO – A informação está em documento no qual Dodge concorda com a prorrogação da apuração por mais 60 dias, apresentado na quinta-feira (14). A íntegra ainda não estava disponível e só foi tornada pública no processo nesta sexta (16). O pedido para ouvir as testemunhas é da Polícia Federal e foi corroborado por Raquel Dodge.

A procuradora afirma ainda que a Polícia Federal também precisa analisar os celulares utilizados à época pelos delatores Cláudio Melo Filho e José de Carvalho Filho, da Odebrecht.

“A Procuradora-Geral da República requer a prorrogação do prazo para a conclusão do inquérito epigrafado, por mais sessenta dias (…) considerada a existência de diligências pendentes e necessárias ao deslinde das investigações”, afirma o documento.

DEPENDE DE FACHIN – A decisão sobre mais prazo para a apuração será dada pelo ministro Luiz Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no STF. Segundo Dodge, o inquérito já tem os depoimentos de José Yunes, ex-assessor de Temer; Maria Lúcia Tavares, ex-funcionária da Odebrecht; além de oitivas de Geddel Vieira Lima e Paulo Skaf.

A procuradoria afirmou que o doleiro e delator Lúcio Funaro, cujo depoimento foi juntado ao inquérito, apresentou informações sobre as suspeitas. Ainda de acordo com a procuradora, também foi interrogado o doleiro Antônio Cláudio Albernaz Cordeiro – investigado na Operação Câmbio, Desligo, desdobramento da Lava Jato no Rio, e solto por decisão do ministro Gilmar Mendes no começo de junho.

“A autoridade policial logrou identificar as pessoas possivelmente responsáveis por entregas de valores objeto da presente investigação”, diz Dodge.

A investigação – O caso se refere a um jantar no Palácio do Jaburu em maio de 2014, em que se teria acertado o repasse ilícito de R$ 10 milhões ao MDB. De acordo os delatores da Odebrecht, teriam participado da reunião Eliseu Padilha, o então presidente da empreiteira Marcelo Odebrecht, o ex-executivo Cláudio Melo Filho, e o então vice-presidente Michel Temer.

De acordo com o depoimento de Cláudio Melo Filho ao Ministério Público Federal (MPF), no encontro, Temer pediu “direta e pessoalmente” a Marcelo Odebrecht apoio financeiro para as campanhas do MDB em 2014.

O repasse do dinheiro, segundo depoimentos dos delatores da Odebrecht, seria uma forma de pagar pelos interesses da empresa atendidos pela Secretaria de Aviação Civil, comandada entre 2013 e 2015 por Eliseu Padilha e Moreira Franco.

TEMER REPUDIA – Sobre esse assunto, o presidente já admitiu que houve o jantar, mas sempre disse que não falaram de valores.

Quando este depoimento se tornou conhecido, o Palácio do Planalto divulgou nota informando que o presidente Michel Temer “repudia com veemência” o conteúdo da delação de Melo Filho.

Cateano é um baiano que define São Paulo como ninguém nunca conseguiu

Resultado de imagem para caetano sampa

Caetano criou um hino à cidade de São Paulo

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O cantor, músico, produtor, escritor, poeta e compositor baiano Caetano Emanuel Viana Teles Veloso, na letra de “Sampa”, traduz as impressões que a capital paulista causa ao visitante, que se traduz num hino de amor à cidade, pois a letra também deve ser analisada levando-se em conta o contexto da época e do próprio momento da vida do autor. A música foi gravada por Caetano Veloso no LP Muito (dentro da estrela azulada), em 1978, pela Philips.

SAMPA
Caetano Veloso

Alguma coisa acontece
No meu coração
Que só quando cruzo a Ipiranga
E a Avenida São João…

É que quando eu cheguei por aqui
Eu nada entendi
Da dura poesia
Concreta de tuas esquinas
Da deselegância discreta
De tuas meninas…

Ainda não havia para mim Rita Lee
A tua mais completa tradução
Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruzo a Ipiranga
E a Avenida São João…

Quando eu te encarei
Frente a frente
Não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi
De mau gosto, mau gosto
É que Narciso acha feio
O que não é espelho
E a mente apavora
O que ainda não é mesmo velho
Nada do que não era antes
Quando não somos mutantes…

E foste um difícil começo
Afasto o que não conheço
E quem vem de outro sonho
Feliz de cidade
Aprende depressa a chamar-te
De realidade
Porque és o avesso
Do avesso, do avesso, do avesso…

Do povo oprimido nas filas
Nas vilas, favelas
Da força da grana que ergue
E destrói coisas belas
Da feia fumaça que sobe
Apagando as estrelas
Eu vejo surgir teus poetas
De campos e espaços
Tuas oficinas de florestas
Teus deuses da chuva…

Panaméricas
De Áfricas utópicas
Túmulo do samba
Mais possível novo
Quilombo de Zumbi
E os novos baianos
Passeiam na tua garoa
E novos baianos
Te podem curtir numa boa…  

DEM resiste a fazer aliança com Ciro Gomes, do PDT, mas Rodrigo Maia insiste

Resultado de imagem para rodrigo maia

“Fazer política é dialogar”, assinala Rodrigo Maia 

Deu em O Tempo
(Folha Press)

Para levar adiante a aproximação com o PDT de Ciro Gomes, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), terá que vencer forte resistência de seu partido e também de siglas aliadas. Maia é pré-candidato ao Planalto, mas admite que pode deixar o pleito caso entenda que outro postulante tem mais chances.

A simples divulgação de que teria um encontro com Cid Gomes, irmão de Ciro, incendiou o entorno de Maia. O encontro acabou acontecendo longe das câmeras, tarde da noite, na quarta-feira (13).

BANCADA DA BALA – “Esse cara não tem nada a ver com nosso partido. É instável e não soma nada ao DEM. Se ele [Maia] não for candidato, meu candidato é Jair Bolsonaro [PSL-RJ]”, disse Alberto Fraga (DEM-DF), líder da “bancada da bala”.

A resistência a Ciro não se limita à ala mais à direita da legenda. Pesam ainda motivos como opção por outros candidatos ou resistência à verborragia do ex-governador do Ceará.

Como o Painel mostrou na semana passada, o secretário-geral do DEM, Pauderney Avelino (AM), move ação na Justiça contra Ciro por injúria. E o líder da sigla na Câmara, Rodrigo Garcia (SP), apoia a candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB), de quem foi secretário da Habitação.

INSATISFAÇÃO – Outro que resiste é Heráclito Fortes (DEM-PI), que considera que, caso Maia não seja o candidato, é melhor que se deixe o partido livre, apesar de isso enfraquecer a legenda.

Reservadamente, um parlamentar do DEM considerou ainda que Ciro pode ser desidratado na disputa se o PT decidir lançar Fernando Haddad no lugar de Lula, preso em Curitiba.

A insatisfação no partido com a possível aliança extrapola o Congresso. O líder do MBL (Movimento Brasil Livre) Kim Kataguiri, que se filiou ao DEM para concorrer a deputado federal, afirma que seria “suicídio político”. “Seria contra tudo o que o partido sempre defendeu”, disse.

DISPUTA POR APOIO – Ciro é uma das três opções de apoio não só do DEM, mas de todo o bloco que o partido formou com SD, PP, PRB e PSC. Eles avaliam também aliança com Alckmin ou Alvaro Dias (Podemos).

Juntos, esses partidos têm cerca de 150 segundos de tempo de televisão. Sozinho, o PDT tem 33 segundos. O grupo pretende andar unido na eleição. Entretanto, o PRB apresenta resistência ao estilo intempestivo de Ciro.

As desavenças com Ciro são antigas: em 2005, o então senador Antônio Carlos Magalhães chamou Ciro, então ministro da Integração Nacional de Lula, de covarde e desonesto – após o presidenciável ter chamado seu neto, atual presidente do DEM, de “anão moral”.

ACM APOIOU – Também não seria a primeira vez que o partido (ainda como PFL) o apoiaria: em 2002, o mesmo ACM declarou voto em Ciro, então no PPS.

No presente, Maia tem trocado afagos com Ciro e disse que, apesar de uma aliança com o PDT não ser a maior probabilidade para o DEM, está aberto ao diálogo. O presidente da Câmara tem procurado minimizar desavenças e já declarou que, a depender de quem chegar ao segundo turno, Ciro é “opção clara” para ele.

“Quando o DEM precisou do apoio do PDT na minha primeira eleição a presidente da Câmara [2016], contou com eles no decisivo segundo turno. Assim se faz política, dialogando.”

Justiça Federal aceita 24ª denúncia contra ex-governador Sérgio Cabral

Sergio Cabral

Cabral mostra que a ganância não tinha limites

Vitor Abdala
(Agência Brasil)

O juiz da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, Marcelo Bretas, aceitou nessa sexta-feira (15) uma nova denúncia contra o ex-governador fluminense Sérgio Cabral. A 24ª denúncia contra o político, que está preso desde novembro de 2016, acusado de corrupção e lavagem de dinheiro, é no processo que tem origem na Operação Câmbio, Desligo, da Polícia Federal.

A operação investiga um esquema de contratação de doleiros, por Cabral, para organizar propinas recebidas enquanto era governador do Rio de Janeiro, no período de 2007 a 2014.

DOLEIROS – Segundo a denúncia, a organização criminosa chefiada pelo ex-governador contratou os doleiros Vinícius Claret Vieira Barreto, conhecido como Juca Bala, e Cláudio Fernando Barboza de Souza, conhecido como Tony ou Peter.

Claret e Cláudio Fernando tinham amplo conhecimento do mercado de câmbio paralelo e operavam com Dario Messer, conhecido como “o doleiro dos doleiros”. Os três também se tornaram réus na ação penal, junto com outras 58 pessoas. Tanto Claret quanto Cláudio Fernando recorreram à delação premiada.

O juiz Marcelo Bretas desmembrou o processo em três. Além da ação principal, haverá uma ação para julgar os réus que estão foragidos e outra para processar aqueles que estão no exterior.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGDesse jeito, Cabral acaba entrando para o Livro Guinness de Recordes. (C.N.)

FHC quer “conversar” com Álvaro Dias, mas a resposta antecipada é “não”

Resultado de imagem para alvaro dias

Se Alckmin aceitar ser vice, Alvaro Dias topa conversar

Mônica Bergamo

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso enviou recados a Álvaro Dias (Podemos-PR) de que gostaria de conversar. Presidenciável pelo seu partido, o senador tem hoje 4% das intenções de votos, segundo o Datafolha — contra 7% de Geraldo Alckmin num cenário em que Lula não é candidato. Na análise de integrantes da campanha de Alckmin, uma aliança com Dias é crucial para que ele passe a ter chance de ir para o segundo turno da eleição.

O senador, que é do Paraná, abocanha votos que, na avaliação do PSDB, impedem que o tucano suba nos estados da região Sul do país.

 “Ninguém falou comigo a respeito”, diz Dias. O Podemos afirma que não há hipótese de a candidatura ser retirada. Uma aliança com Alckmin só seria possível se o ex-governador de São Paulo topasse ser vice do senador.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Na verdade, o clima no PSDB já é de desespero. O tempo passa, o tucano voa, mas a campanha não decola e Alckmin começa a ser derrotado por antecipação. Para animar os correligionários, ele dizia que já estava fechado com o PM e o PTB. Diante do novo escândalo da famíglia Jefferson, dizia de falar no PTB. E la nave va, fellinianamente, rumo ao naufrágio. (C.N.)

Força-tarefa da Lava-Jato defende o juiz Moro e repudia as críticas do TCU

Procuradores da Força Tarefa da Lava Jato, em coletiva à imprensa.

TCU não foi apanhado de surpresa, diz a forca-tarefa

Cleide Carvalho
O Globo

 A força-tarefa da Lava-Jato em Curitiba divulgou nota repudiando as declarações do ministro Bruno Dantas, do Tribunal de Contas da União, que chamou de “carteirada” a decisão do juiz Sergio Moro de não compartilhar provas da Lava-Jato para serem usadas por órgãos do governo contra delatores e empresas que assinaram acordo de leniência.

“O recurso ao termo ‘carteirada’ é um ataque absolutamente infeliz, inadequado, injusto, abusivo e gratuito ao juiz federal Sérgio Moro. A carteirada é uma ação ilegal para promover interesses privados. O juiz emitiu uma decisão judicial plenamente legítima para defender o interesse público contra possível atuação estatal indevida que serve àqueles que buscam estancar o avanço, lastreado em acordos, de investigações presentes ou futuras”, afirma a nota.

SEM SURPRESA – Na nota, o MPF no Paraná afirma que o Tribunal de Contas da União não foi pego de surpresa com a medida e que não faltou diálogo, como disse o ministro, porque houve diversas reuniões com o órgão e o ministro Bruno Dantas foi informado do entendimento do Ministério Público, que amparou o pedido feito a Moro.

Os procuradores dizem que a decisão não impede o uso das provas, mas condiciona o uso delas à autorização de Moro para evitar a “punição excessiva” de colaboradores – duplicada ou até mesmo triplicada – que produziria injustiças e minaria as bases dos acordos de delação e leniência.

“Não é possível que um sistema de colaboração premiada e leniência sobreviva se a empresa que confessa seus delitos às autoridades, ao invés de ter um tratamento mais benéfico, tem seus bens imediatamente bloqueados, é proibida de contratar com a Administração Pública, tem imputadas dívidas impagáveis e vê todas as suas linhas de financiamento suspensas. Adotar essa postura é um grande incentivo para que cessem os acordos”, diz a força-tarefa da Lava-Jato em Curitiba.

SOBREVIVÊNCIA – Na nota, o MPF afirma que novos pagamentos por danos não podem impedir a sobrevivência das empresas e o próprio pagamento dos valores já acordados, porque isso inviabilizaria novos candidatos à firmar este tipo de acordo de colaboração.

Os procuradores afirmam que outros ministros do Tribunal de Contas já haviam se comprometido espontaneamente a não usar as provas voluntariamente entregues pelos colaboradores contra eles e que o TCU continua sendo um parceiro imprescindível no combate à corrupção.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Muita fumaça e pouco fogo. O fato é que tem muita gente procurando obter 15 minutos de fama às custas do juiz Sergio Moro. Apenas isso. (C.N.)