Adir Assad, operador da corrupção, diz que movimentou R$ 1,8 bilhão em notas frias

Adir Assad

Adir Assad está revelando também a corrupção dos tucanos

Deu em O Tempo
(Agência Estado)

O operador financeiro Adir Assad conseguiu movimentar cerca de R$ 1,8 bilhão em contas de suas empresas de fachada hospedadas em 14 agências de seis bancos ao manter uma boa relação com os gerentes. Além de presentear gerentes das agências com ingressos para grandes shows, Assad revelou, em depoimento à Justiça, que conquistava a confiança dos bancos ao comprar títulos de capitalização e outros produtos bancários oferecidos pelos gerentes das contas.

Assad é apontado como o maior “noteiro” a atuar nos desvios apurados na Lava Jato. Suas empresas de fachada transformavam notas frias emitidas para grandes empreiteiras em dinheiro em espécie que, segundo ele, era encaminhado a operadores de propina e agentes públicos. Atualmente, mesmo após assinar um acordo de colaboração com o Ministério Público Federal (MPF), continua preso na carceragem de Polícia Federal em Curitiba.

SEM PROPINAS – Em depoimento ao juiz Marcelo Bretas, titular da Lava Jato no Rio de Janeiro, Assad disse que nunca pagou propina diretamente aos gerentes, mas que os agradava com “mimos”. “Comprávamos seguros, fechávamos consórcios, oferecíamos para os gerentes ingressos de shows e eventos”, disse Assad, que tinha acesso a entradas de concertos porque também atuava no setor de eventos.

Entre 2006 e 2014, cinco empresas de fachada ligadas a Assad se valeram de contas em 14 agências de seis bancos da capital paulista. Duas agências do Bradesco – uma na Avenida Brasil e outra na Eng. Luiz Carlos Berrini – concentram 66% dos valores movimentados pelas empresas de Assad, de R$ 1,2 bilhão. As empresas são a Legend, Rock Star, Soterra, SM terraplanagem e Power To Ten.

Com R$ 1 bilhão, entre créditos e débitos, em contas de agências do Bradesco, Itaú, Santander, Citibank e Banco do Brasil, a Legend Engenheiros lidera o ranking das empresas do operador com maior movimentação.

SEM EMPREGADOS – A Receita Federal investigou a Legend. Segundo os auditores, a empresa nunca teve funcionários, e os endereços de seus registros eram residências que não comportavam sua atividade de aluguel de máquinas. “Não nos parece crível que esta empresa consiga realizar uma real prestação de serviços sem nunca ter tido em seus ativos as máquinas, equipamentos, veículos e caminhões para tal fim”, diz a Receita.

Também na agência do Bradesco na Berrini, a SM Terraplanagem movimentou R$ 347,9 milhões. A empresa sofreu devassa da Receita e os auditores constataram a incapacidade da firma para prestar os serviços declarados. Um dos endereços em que está registrada, em Santana no Parnaíba (SP), diz a Receita, é a residência de uma senhora que diz alugar domicílio tributário a vários interessadas. A SM também movimentou valores em agências do Santander (R$ 13 milhões) e do Citibank (R$ 10,4 milhões).

Advogado de Assad, Pedro Bueno de Andrade disse que seu cliente vai prestar todos os esclarecimentos à Justiça.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Assad é pouco conhecido, mas pode ser considerado um dos principais operadores da corrupção, que chegou a movimentar quase R$ 2 bilhões. Atuou no esquema de Carlinhos Cachoeira, no escândalo da construtora Delta e no Petrolão. Em matéria de lavagem de dinheiro, é considerado um craque. Sua delação é da maior importância, porque as notas fiscais que emitia são “provas materiais”. (C.N.)

Candidatura de Alckmin já está sendo boicotada pelo próprio “Centrão”

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Ciro Nogueira, presidente do PP, faz campanha para Haddad 

Leandro Colon
Folha

A campanha nem começou direito e a candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB) ao Palácio do Planalto está sendo boicotada dentro de sua própria coligação, com transmissão ao vivo via rede social. O gesto público veio do senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP, partido da senadora Ana Amélia (RS), candidata a vice do tucano.

Na última sexta-feira (17), Nogueira participou de uma caminhada em Teresina com o petista Fernando Haddad, vice-presidente na chapa de Lula, e Wellington Dias (PT), que disputa a reeleição para governador.

APOIO A LULA – Em vídeo divulgado por Haddad, Nogueira destaca a presença do ex-prefeito de São Paulo, faz o sinal do “L” e diz que está “lutando ao lado de Lula”. “Lula presidente”, afirma.

No dia 26 de julho, ele estava ao lado de Alckmin na mesa em que foi anunciado o apoio dos partidos do “Centrão”, incluindo o PP, à candidatura do ex-governador paulista.

Candidato à reeleição ao Senado, Nogueira não surpreende. É daqueles parlamentares que forjam a carreira política na sombra, negociando cargos e espaços em um governo federal seja qual for o presidente.

DIFICULDADES – O episódio de sexta-feira, além de constrangedor para a chapa de Alckmin, sinaliza que o tucano terá dificuldades em transformar em votos o caro apoio que negociou com o aglomerado de partidos do “Centrão”.

Levantamento da Folha, publicado no sábado (18), mostra que metade dos aliados de Alckmin estará ao lado de coligações regionais que apoiam presidenciáveis adversários. De 216 diretórios estaduais, somente 96 apoiarão o ex-governador.

NA JUSTIÇA – E o MDB de Henrique Meirelles questionou no TSE possíveis falhas na burocracia de registro da chapa do PSDB. O partido de Michel Temer quer anular as alianças e diminuir o tempo de TV de Alckmin, o ativo mais relevante de sua campanha.

Falta de apoio nos estados, traição pública por parte de aliado importante e risco de punição na Justiça Eleitoral. Uma largada preocupante para quem busca desempacar e subir nas pesquisas rapidamente.

“Apaixonada, saquei minha arma, minha alma, só você não sacou nada”, diz a poesia

Resultado de imagem para ana cristina cezarPaulo Peres
Site Poemas & Canções

A professora, tradutora e poeta carioca Ana Cristina Cruz Cesar (1952-1983) é considerada um dos principais nomes da geração mimeógrafo (ou poesia marginal) da década de 1970. Neste poema, Ana explica que seu sofrimento não é causado apenas pela dor em sua fisionomia.


FISIONOMIA
Ana Cristina Cesar

Não é mentira
é outra
a dor que dói
em mim
é um projeto
de passeio
em círculo
um malogro
do objeto
em foco
a intensidade
de luz
de tarde
no jardim
é outra
outra a dor que dói.

Dos 198 candidatos a governador, ao menos 47 estão respondendo a processos

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Romário, Paes e Garotinho estão entre os investigados

Teo Cury e Paulo Beraldo
(Estadão Conteúdo)

Dos 198 candidatos na disputa pelos governos estaduais nas eleições 2018, ao menos 47 respondem a processos na Justiça por corrupção, peculato ou improbidade, ofensas contra administração pública. O levantamento foi feito pelo Estadão com base no sistema processual dos tribunais estaduais, regionais federais e superiores do País, no site de Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e no aplicativo Vigie Aqui, do Instituto Reclame Aqui.

A conta não inclui eventuais processos que tramitam em sigilo ou segredo de Justiça, pois não constam nos sistemas de acompanhamento processual. O fato de responder a ações ou inquéritos não inviabiliza a candidatura destes políticos. Pela Lei da Ficha Limpa, em vigor desde 2010, somente condenados em segunda instância ou agentes públicos que tenham renunciado para evitar a cassação serão considerados inelegíveis.

MAIOR ACUSAÇÃO – Comete improbidade administrativa quem enriquece ilicitamente e os que causam danos ao erário, desrespeitando princípios como os da moralidade, da impessoalidade e da economicidade (gastar mal o dinheiro). Esse ilícito civil é o fato mais recorrente atribuído aos candidatos. Ao todo, 36 são alvos dessa acusação. Depois, vem o crime de corrupção, com 14 casos, e o de peculato – seis candidatos são processados por esse motivo.

Foram identificadas, entre as irregularidades, a contratação de empresas sem licitação, a falsificação de papéis públicos, o desvio de recursos, a contratação de familiares e falhas em contratos e prestação de contas. Casos de recebimento de vantagem indevida, lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva também estão na lista.

ATOS CULPOSOS – Na avaliação do cientista político Rodrigo Prando, do Mackenzie, as falhas também se devem ao não entendimento do jogo político e da máquina pública. “Muitos não estão comprometidos com transparência, não têm capacidade administrativa e cometem falhas”, diz.

Segundo a Lei da Ficha Limpa, a condenação por improbidade só causa inelegibilidade quando reunida uma série de condicionantes – se cometida de forma dolosa, com a geração de enriquecimento ilícito e com prejuízo ao erário.

Para o Ministério Público Eleitoral, porém, para que a pessoa for condenada por improbidade dolosa, basta que tenha havido enriquecimento ilícito ou prejuízo.

HÁ CONTROVÉRSIAS – O procurador regional eleitoral de São Paulo, Luiz Carlos dos Santos Gonçalves, explica que o entendimento do TSE, que impõe condicionantes para enquadrar um condenado por improbidade na Ficha Limpa, impede que a lei cumpra sua finalidade. “Essa acumulação não é usual. Às vezes, a pessoa enriqueceu ilicitamente, mas não causou prejuízo direto. Ou causou prejuízo intencional, mas não enriqueceu ilicitamente.”

O criminalista Daniel Gerber diz que chama a atenção a quantidade de processos por improbidade e peculato contra agentes públicos. Ele coloca dúvidas, no entanto, na efetividade da Lei da Ficha Limpa. “Nenhum dos parlamentares (da atual legislatura) ofende a lei, o que, no mínimo, mostra que ela é para inglês ver”, diz.

Já cientista político e professor do Mackenzie Mauricio Fronzaglia acredita que somente a Ficha Limpa não basta. “É preciso fortalecer entre nós os costumes e valores da igualdade democrática. Ou seja: ninguém está acima da lei.”

NEPOTISMO –  Maior colégio eleitoral do País, São Paulo tem três dos 12 candidatos ao governo com pendências na Justiça. O petista Luiz Marinho é réu em ação que apura nepotismo cruzado na prefeitura de São Bernardo do Campo (SP) e suspeito por desvio de recursos na construção do Museu do Trabalhador, na mesma cidade.

O tucano João Doria é réu suspeito de usar o slogan de sua campanha de 2016 em projeto da Prefeitura de São Paulo. Já o ex-prefeito de Suzano Marcelo Cândido (PDT) responde a um caso por improbidade.

Em Minas, Antonio Anastasia (PSDB) e Fernando Pimentel (PT) são alvos da Justiça. O senador é suspeito de receber valores irregularmente da Odebrecht para sua campanha ao governo mineiro em 2010. Já Pimentel, que tenta a reeleição, é alvo da Operação Acrônimo, deflagrada pela Polícia Federal para apurar irregularidades em campanha e recebimento de propina.

No Rio, Eduardo Paes (DEM) é alvo de inquérito baseado em delação da Odebrecht que apura repasse de R$ 15 milhões para sua campanha em 2012. Condenado por improbidade administrativa, o ex-governador Anthony Garotinho (PRP) está inelegível por oito anos, segundo o Ministério Público do Rio. Ele foi acusado de participar de esquema que desviou R$ 234,4 milhões da Saúde estadual.

“Decisão da ONU” divulgada pela defesa de Lula é uma irresponsabilidade sem limites

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Advogado diz que Brasil é obrigado a obedecer à ONU

José Carlos Werneck

O que fez o advogado Cristiano Zanin é de uma  irresponsabilidade sem precedentes e de uma total ausência de escrúpulos. A Organização das Nações Unidas distribuiu um comunicado oficial informando que a decisão que ‘recomenda’ que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve participar do pleito eleitoral no Brasil em 2018, não é de seu Conselho de Direitos Humanos, que é um órgão formado por diplomatas de 47 países, vinculado à Assembleia Geral, órgão máximo da Organização.

A ONU, logo que tomou conhecimento da farsa, informou que o Conselho de Direitos Humanos não decidiu nada sobre o caso. Mas a suposta decisão, divulgada com estardalhaço pelo advogado Cristiano Zanin, é de um mero Comitê da Entidade, integrado por 18 especialistas independentes e que não tem nenhum poder decisório.

Quem desmascarou a farsa foi o jornalista Carlos Alberto Sandenberg, em matéria cuja íntegra transcrevemos abaixo:

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FAKE ONU
Carlos Alberto Sandenberg
(O Globo)

“Fake News não são apenas mentiras deslavadas. Quer dizer, muitas são, mas facilmente desmentidas. As que produzem efeitos fortes são as fake mais elaboradas, com base em algumas verdades e muitas distorções.

Há um jeito simples de entendê-las: buscar a história em sua fonte original, ali de onde partiu a informação posteriormente manipulada.

O caso de hoje, claro, é o comunicado do Comitê de Direitos Humanos da ONU, pedindo que o Brasil tome as medidas necessárias para garantir que Lula, mesmo preso, participe das eleições presidenciais com todos os direitos de candidato.

Aqui já temos um ponto: o primeiro comunicado é do Comitê de Direitos Humanos, um órgão formado por 18 “especialistas” independentes – acadêmicos em geral – e que não tem nenhum poder decisório ou mandatório. Está lá no site da ONU: a função do Comitê é “supervisionar e monitorar” o cumprimento dos acordos internacionais de defesa dos direitos humanos. E fazer recomendações, sempre em entendimento e consultas com os países envolvidos.

Esse comunicado não foi divulgado oficialmente, mas saiu em matéria da BBC, na última sexta-feira.

Um vazamento. Depois, saiu uma nota do Escritório de Direitos Humanos, no site oficial da ONU, com o título “Information note” sobre o Comitê de Direitos Humanos. Ali se explica que não se deve confundir o Comitê com o Conselho de Direitos Humanos – este um órgão de alto nível, formado por representantes (diplomatas) de 47 países e que se reporta à Assembleia Geral da Nações Unidas, o órgão máximo da entidade. E este Conselho não decidiu absolutamente nada sobre esse caso.

Vai daí que são fake todas as notícias do tipo: ONU manda, determina, exige que Lula participe da eleição; Conselho da ONU decide a favor de Lula, (forçando uma confusão do Comitê com o Conselho, por ignorância ou má fé); decisão do Comitê é obrigatória.

Tem mais. O próprio texto oficial da ONU faz as ressalvas que denunciam indiretamente aquelas fake news. Diz: “é importante notar que esta informação, embora seja emitida pelo Escritório das Nações Unidas para Direitos Humanos, é uma decisão do Comitê de Direitos Humanos, formado por especialistas independentes. (Logo) esta informação deve ser atribuída ao Comitê de Direitos Humanos”.

Por que a ressalva? Óbvio, para deixar claro que não se trata de decisão da ONU, nem do Conselho de Direitos Humanos, nem do Alto Comissariado, muito menos da Assembleia Geral.

E isso, claro, faz diferença. Pode-se dizer que o comunicado do Comitê é um primeiro passo para um longo procedimento, inclusive de consultas, antes de qualquer decisão conclusiva.

Também é preciso ressaltar que a segunda nota, a oficial, é uma resposta à repercussão da primeira. E, de novo, é um órgão superior descompromissando a ONU da decisão do Comitê.

Além do mais, a própria nota do Comitê tem um jeitão de fake news. Por exemplo: pede que o “Brasil” ou o “Estado brasileiro” garanta os direitos eleitorais de Lula. De que se trata? Do executivo? Do Legislativo? Do Judiciário? Todo mundo sabe, ou deveria saber, que o caso está no Judiciário, que é independente, e que os demais poderes não podem fazer nada.

Logo, o Comitê deveria ter se dirigido ao Judiciário. Mas como não pode fazer isso formalmente, sai com esse vago “o Brasil” ou o “Estado”. Mostra que busca repercussão política e não efeitos práticos.

Além disso, o Comitê endossa totalmente a tese da defesa de Lula. Diz que o ex-presidente deve ser candidato com plenos direitos, como uma medida liminar, uma cautela – “até que todos os recursos pendentes de revisão contra sua condenação sejam completados em um procedimento justo e que a condenação seja final”.

Ora, todo mundo sabe que, pela decisão vigente do STF brasileiro, o condenado em segunda instância vai para a cadeia cumprir pena, mesmo que ainda possa recorrer ao STJ e STF.

E, atenção: a função do Comitê é supervisionar o cumprimento dos direitos humanos previstos nos diversos tratados patrocinados pela ONU.

E em nenhum desses tratados está escrito que cumprir pena depois da segunda instância é uma violação de direitos humanos. Reparem: nenhum tratado internacional condena a execução da pena em segunda instância. Nem em primeira instância – como ocorre em grande parte dos países, assunto que nunca mereceu a atenção do Comitê de Direitos Humanos da ONU.”

OAB denuncia que a crise em Roraima se agrava pela “inoperância das autoridades”

Brasileiros queimam pertences de venezuelanos em Roraima

Deu em O Globo

O presidente nacional da OAB, Claudio Lamachia, divulgou neste sábado uma nota em que cobra ação do governo federal na fronteira de Roraima com a Venezuela, após ataques contra imigrantes na cidade de Pacaraima. Cerca de 2 mil brasileiros que moram no município queimaram e destruíram barracas e pertences de imigrantes abrigados em calçadas e terrenos baldios.

No texto, Lamachia afirma que o “o problema vem se agravando pela inoperância das autoridades” e que cabe ao governo federal uma “atuação urgente antes que uma tragédia aconteça:

INSEGURANÇA – “Está claro que o problema vem se agravando pela inoperância das autoridades ao longo desse episódio. O que era uma questão humanitária agora tem forte conotação de segurança. Os Estados precisam se organizar para receber os venezuelanos e dar um exemplo ao mundo de democracia e solidariedade”, diz a nota.

O presidente da OAB diz ainda que há risco de sobrecarga para o sistema de saúde e de aumento da criminalidade em Roraima.

“É sabido que o estado de Roraima não tem condições de abrigar a todos os imigrantes. Ao longo dos últimos três anos, recebeu mais de 50 mil imigrantes. Calcula-se que atualmente cerca de 800 imigrantes venezuelanos ingressem diariamente, causando uma sobrecarga nos hospitais, tornando ainda mais vulnerável todo o sistema de saúde, além de reflexos no número insuficiente de vagas em escolas e o aumento da criminalidade. O momento é de atenção a todos, por isso é preciso que haja solidariedade federativa para preservar brasileiros e venezuelanos de um agravamento ainda maior do difícil quadro em que se encontram”, conclui.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG São refugiados políticos, que precisam ser amparados. Mas o governo Temer não se mexe (é imexível, tipo ex-ministro Rogério Magri) e deixa que o governo de Roraima se vire sozinho. (C.N.)

O individualismo do voto pode ser um sinal negativo dos novos tempos

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Bacha se preocupa com a crescente desigualdade de vida

Merval Pereira
O Globo

O debate sobre democracia e capitalismo ocorrido na mais recente reunião plenária da Academia Brasileira de Letras teve origem em palestra anterior do acadêmico Arno Wherling, presidente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, abordando a obra de Joaquim Nabuco – um dos fundadores da ABL – sobre a propriedade.

Líder abolicionista, Nabuco não separava a emancipação dos escravos da democratização do solo. O acadêmico Edmar Bacha, que preside a Casa das Garças no Rio, um dos principais thin-tank brasileiros, ampliou a discussão, trazendo uma tese polêmica de economistas dos Estados Unidos que propõem separar a propriedade privada do mercado, democratizando-a para reduzir a desigualdade de rendas, tese detalhada na coluna de ontem.

SEM RENOVAÇÃO – O cientista político acadêmico Candido Mendes trouxe sua contribuição numa palestra sobre a atual situação eleitoral brasileira, ressaltando que tudo indica que o Congresso não será renovado, o que reforça o desânimo do cidadão com a representação política.

Cândido Mendes lamentou que as questões sociais tenham perdido a prioridade, e destacou o fenômeno que chamou de “individuação das candidaturas”, com os partidos, devido à proliferação das legendas, perdendo o sentimento coletivo do voto e se transformado em reflexo do pensamento individual.

Ele ressaltou o impacto sobre a mocidade, sobretudo entre os de 16 a 23 anos. As atuais pesquisas mostram que a grande maioria votará em branco ou anulará seu voto, fenômeno que, para Cândido Mendes, caracteriza a demissão pela mocidade de intervir na vida política. Desprestigiar a ação política significa uma individualização das candidaturas, disse ele. 

NOVAS TECNOLOGIAS – A escritora e acadêmica Rosiska Darcy de Oliveira avaliou que a individualização tem a ver com as novas tecnologias, que induzem a relações cada vez mais individualistas. Outro fator, segundo Rosiska, seria enfraquecimento das instituições de mediação.

Os partidos políticos não refletem mais correntes ideológicas nítidas, e os sindicatos, por sua vez, sofreram mudanças na capacidade de coletivizar, em função também do novo mundo do trabalho.

O acadêmico Cícero Sandroni, escritor e jornalista, fez questão de destacar que a nossa democracia é muito falha, seria o que chamou de democracapitalismo, onde só ganham eleições aqueles que têm muito dinheiro ou serão corrompidos depois.

ALZHEIMER GERAL – O acadêmico José Murilo de Carvalho considerou que as duas palestras mostram “a incapacidade de pensar, não digo a longo prazo, mas a médio prazo. Costumo dizer que o Brasil padece de um Alzheimer coletivo em relação ao passado, o futuro a Deus pertence, e ao presente, carpem diem (aproveitem o dia)”.

O historiador lamentou que não saibamos incorporar à sociedade a massa marginal dos milhões de desempregados, e também dos milhões de não empregáveis, por questões de baixa escolaridade, com o processo da automatização que tirará perto de 20% dos empregos. “Temo que não teremos um futuro, podemos estar perdendo o bonde da história”.

RECOLHIMENTO – O acadêmico Celso Lafer ponderou que há momentos “em que há motivação, outros em que as pessoas se recolhem. É o que está acontecendo hoje, as pessoas estão mais interessadas nas suas vidas privadas”. Como a democracia não garante a felicidade, “temos que lidar com a paixão do possível”, advertiu o jurista.

Lembrei então minha recente experiência de mais de um mês na Rússia cobrindo a Copa do Mundo. O sentimento generalizado é de satisfação com o governo Putin, à frente de uma democracia de fachada que limita a liberdade de expressão e reprime questões ligadas à sexualidade dos indivíduos.

TUDO FUNCIONA – Mas na Rússia o sistema de transporte funciona, os hospitais são eficientes e bem equipados, a educação é de alto nível, a ponto de pouquíssimos russos buscarem formação em universidades estrangeiras.

São os sinais de que uma “democradura”, como definiu José Murilo de Carvalho, pode ser suficiente para os cidadãos, que já não encontram na democracia representativa um instrumento de seus anseios. 

Partidos ignoram apelo à renovação e lançam velhos conhecidos em 23 estados

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Roseana Sarney quer governar o Maranhão pela quinta vez

Hugo Boghossian
Folha

Não foi desta vez que o fantasma da renovação assustou os políticos. Em 23 das 27 unidades da federação, governadores ou ex-governadores disputam mais um mandato. No Maranhão, a recordista Roseana Sarney (MDB) quer comandar o estado pela quinta vez. O quadro deste ano mostra que os caciques locais põem suas fichas em nomes famosos e no poder das máquinas dos governos. Embora a política tradicional esteja em baixa, pode ser mais fácil conquistar votos com os rostos de velhos conhecidos.

A saudade do ex será posta à prova em sete estados, onde haverá embates entre atuais e antigos governadores.

CONCORRENTES – No Maranhão, Roseana tenta desbancar Flávio Dino (PC do B). Antonio Anastasia (PSDB) se empenha para voltar a governar Minas contra Fernando Pimentel (PT). Quase 30 anos após deixar o poder em Alagoas, Fernando Collor (PTC) enfrenta Renan Filho (MDB).

Em três estados, ex-governadores disputam o cargo sem a sombra dos atuais mandatários: Anthony Garotinho (PRP), no Rio; Renato Casagrande (PSB), no Espírito Santo; e José Maranhão (MDB), na Paraíba.

Em uma eleição curta, com só 35 dias de propaganda na TV para apresentar ilustres desconhecidos ao público, o recall beneficia os veteranos.

LIDERANDO – Anchieta Júnior (PSDB), por exemplo, lidera em Roraima quatro anos depois de sair do cargo. Além dele, antigos ou atuais governadores lideram pesquisas em Alagoas, Amazonas, Amapá, Ceará e Tocantins. Até José Ivo Sartori (MDB), cuja popularidade não é das maiores, aparece em primeiro lugar no Rio Grande do Sul.

Pode ser que todos sejam cavalos paraguaios e fiquem pelo caminho quando a campanha engrenar. Mas boa parte dos novos e velhos mandachuvas sai empurrada por grandes siglas, fatias gordas do fundo eleitoral e a força de governos.

Embora a linha de chegada ainda esteja distante, a composição dos páreos não ajuda os azarões. Em muitos estados, a renovação só se dará entre os nomes de sempre.

Gil quer soltar Lula, Caetano defende Ciro e Tom Zé está “sofrido e arrebentado”

Ciro Gomes é o candidato  preferido de Caetano Veloso

Fernanda Krakovics
O Globo

Ícones do Tropicalismo, movimento cultural dos anos 60, os cantores e compositores Caetano Veloso, Gilberto Gil e Tom Zé estão em campos diferentes nas eleições presidenciais deste ano. Caetano apoia o candidato do PDT, Ciro Gomes. Gil, por sua vez, tem feito campanha para a libertação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e defende que ele possa concorrer ao Palácio do Planalto. Tom Zé está recolhido.

Veterano do trio, aos 82 anos, Tom Zé não tem se manifestado publicamente sobre política desde que lançou três marchinhas e um samba com críticas ao presidente Michel Temer, no início de 2017. À época, Tom Zé e sua mulher, Neusa, se assustaram com os comentários de ódio contra o cantor nas redes sociais. “Eu podia tomar uma posição semelhante (a Gil e Caetano), mas sofro de uma maneira diferente o que acontece“— disse o cantor, em conversa por telefone com O Globo.

AÇÃO LIMITADA – Sem cravar apoio a algum candidato, Tom diz que o próximo presidente terá capacidade de ação limitada pelo Congresso.

“Por exemplo, posso votar no Ciro. Eu e Neusa escutamos ele outro dia e ficamos bem impressionados. No (Guilherme) Boulos (PSOL) também. Mas eu me pergunto: como é que algum presidente pode fazer alguma coisa se ele tem que atender primeiro a bancada da bala, a bancada da Bíblia, a bancada do agronegócio, a bancada que desmata a Amazônia? São grupos de força extremamente grandes e cruéis para quem não faz parte de suas hostes” — pondera.

ARREBENTADO” – Tom Zé rejeita, no entanto, as palavras “desiludido” ou “descrente” para descrever o que sente. Prefere termos como “arrebentado”, “sofrido” e “derrotado”. O cantor diz ter medo de ver “a democracia falir”:

“Um dos maiores perigos é o povo eleger um autoritário que não entende nada de nada, que é a própria estupidez humana, a ferocidade que ainda resta do animal no homem, achando que pode governar com ordens. Um negócio até do passado, uma coisa semelhante a essa foi feita na ditadura” — alerta.

CAETANO E CIRO – Já Caetano tem declarado, em redes sociais, que Ciro é seu candidato. O cantor é admirador de Mangabeira Unger, guru do candidato do PDT, e conhece Ciro desde que este foi prefeito de Fortaleza, em 1988.

“Ciro é explosivo, Temer é dissimulado. Ciro busca união, Temer busca conchavos. Ciro pensa no país, Temer pensa em si. Ciro é nosso contemporâneo, Temer é assombração do passado. Ciro tem vitalidade, Temer é um morto-vivo. Ciro fala com coragem, Temer cala com astúcia. Ciro é o oposto de Temer”, escreveu Caetano, em uma rede social, no último dia 24. Procurado, Caetano disse por meio de sua assessoria que estava com a agenda cheia e não se dispôs a falar com a reportagem.

GIL LULISTA – Gil, ex- ministro da Cultura de Lula, participou do festival “Lula livre”, no Rio, no fim de julho. Na ocasião, ele cantou, junto com Chico Buarque, “Cálice”, marco da luta contra a ditadura. Ele tem questionado a isenção da Justiça no caso do tríplex do Guarujá, no qual o ex-presidente foi condenado.

“A minha razão básica (para querer a libertação de Lula) é imotivada, vem de dentro, de um lugar quase insondável da minha própria interioridade”, disse ele à TV dos Trabalhadores (TVT), no final de junho.

Procurada pelo GLOBO, a assessoria de Gil disse que ele estava viajando para lançar seu novo disco.

Vídeo mostra que a matéria sobre Bolsonaro e a ONU era apenas “fake news”

Resultado de imagem para fake newsFrancisco Vieira

Sobre o comentário feito por Jair Bolsonaro a respeito da ONU, eu não tinha assistido ao vídeo da entrevista, por isso fui na onda… Era fake News, postada pelo conhecido jornal Estado de S. Paulo. Hoje em dia, com tantos ativistas políticos atuando somente pelo dinheiro, é sempre bom procurarmos, diretamente, a fonte da informação. E isso não vale só para o “canela de palmito” não. Vale para todos os demais candidatos.

Aqui tem o vídeo de apenas 39 segundos, onde Bolsonaro diz, claramente, que tiraria o Brasil não da ONU, mas do Conselho de Direitos Humanos na ONU, tal qual o Trump já teria feito, segundo ele. Portanto, a matéria em questão e que originou mais de 100 comentários foi manipulada. E o mestre Flávio José Bortolotto estava certo. Mais uma vez.

PRESIDÊNCIA – Como ainda não é possível privatizar ou terceirizar a Presidência da República, não podemos desejar um governante vindo da Finlândia ou da Suécia, nem um Congresso do nível da Dinamarca. Bom seria se pudéssemos. Temos que nos virar com os trastes eleitos que representam os trastes eleitores – que se equivalem a cegos escolhendo as roupas pela cor e analfabetos comprando livro pela capa mais bonita.

E a única forma que eu vejo de melhorar o nível político atual seria os eleitores votarem nos menos piores e naqueles que têm a antipatia dos grandes ladrões da política, coronéis cujos nomes eu não preciso dizer, mas que têm os processos aquecidos sob as nádegas dos respectivos magistrados-bandidos. Como disse, esta seria a melhor forma.

No mais, é tentar viver e sobreviver ao atual caos político, econômico e social. Ou tentar a cidadania portuguesa.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Caramba! Peço mil desculpas ao deputado Jair Bolsonaro e vou deletar o comentário anterior que fiz contra ele. O vídeo mostra que na primeira entrevista o candidato do PSL não disse que tiraria o Brasil da ONU,  mas do Conselho, que não é integrado pelo Brasil. Depois, novamente assediado pelos jornalistas, em outra entrevista ele se confundiu e acabou falando em sair da ONU, mas foi um ato falho, como se dizia antigamente. (C.N.).

Com as incertezas da política, os especuladores saíram da toca dispostos a faturar

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Charge do Genildo (Arquivo Google)

Antonio Temóteo
Correio Braziliense

De olho na sangria que as eleições provocarão no preço dos ativos brasileiros, os especuladores saíram da toca e já estão com as facas nos dentes. Após o registro de candidatos e o início da campanha eleitoral, as mesas de corretoras, bancos, gestoras e fundos acompanham com lupa cada boato para aproveitar oportunidades de ganhar milhões de reais ou dólares com o prejuízo de companhias e do governo. As oscilações do mercado são o primeiro termômetro desse processo.

Por exemplo, o desempenho da Bolsa de Valores de São Paulo (B3) e do dólar foi afetado pelo boato de que o Ministério Público de São Paulo poderia denunciar o candidato Geraldo Alckmin (PSDB) por suposta prática de improbidade administrativa ao receber recursos de caixa dois de empreiteiras nas campanhas de 2010 e 2014. Com isso, a bolsa terminou o pregão em baixa de 0,34%, aos 76.818 pontos, e o dólar subiu 0,08%, vendido a R$ 3,904.

OSCILAÇÕES – A volatilidade no preço dos ativos é uma medida que aponta a frequência e a intensidade das oscilações em um período determinado de tempo. Por meio dela, o investidor pode ter uma estimativa da variação do preço de um título, de uma ação ou de moedas estrangeiras.

Na prática, a volatilidade permitirá que o investidor avalie o papel em que pretende aplicar e a capacidade de gerar retorno. Entretanto, outras medidas mostram o tamanho do nervosismo do mercado e uma delas é a volatilidade implícita. Nesse caso é uma estimativa da volatilidade futura adotada pelo mercado financeiro.

 No caso do dólar, a volatilidade implícita está em 20,5%. Há uma semana estava em 17% e em abril chegou a 12%. Significa dizer que os investidores temem que os preços tendem a oscilar mais em um futuro próximo.

OPORTUNISTAS – Alguns investidores são especialistas em ganhar dinheiro nesses períodos de movimentos especulativos. Uma prévia desse movimento ocorreu em junho, quando o Banco Central (BC), após sinalizar que cortaria os juros, manteve a taxa em 6,5% ao ano.

A sinalização da autoridade monetária preocupou investidores e levou os especuladores a sair da toca. O dólar disparou, chegou a R$ 3,96, e o BC precisou intervir no mercado cambial com a venda de swaps e leilões de linha. Com 13 candidatos na disputa pela presidência, e sem qualquer clareza sobre quem comandará o país a partir de janeiro de 2019, a tendência é de que o nível de volatilidade aumente significativamente.

ANTICALOTE -Outro indicador que aponta para o temor dos investidores é a variação dos Credit Default Swaps (CDS) brasileiros de cinco anos. Os papéis, que são uma espécie de seguro contra calote, têm oscilado muito nas últimas semanas. Na sexta-feira passada, chegaram a 252 pontos, com a escalada da crise cambial na Turquia, caíram para 238 na terça-feira, com a redução do temor, subiram para 240 na quarta e ontem recuaram para 237 pontos.

Por enquanto, mesmo com o temor do mercado, a alta do dólar tem ocorrido com liquidez. Os especuladores estão de olho em dados negativos para fazer pressão no preço dos ativos. “A temporada de boatos começou e tem sido bastante associada a qualquer risco à candidatura tucana. Ele é o queridinho do mercado, por enquanto. Mas o capital gosta de sombra e água fresca. O maior risco é a esquerda crescer”, disse um investidor.

IMPREVISIBILIDADE – Outro especulador ressaltou que as opiniões são distintas no mercado. Os estrangeiros têm apostado na possibilidade real de Jair Bolsonaro (PSL) ser eleito presidente da República. Já os brasileiros continuam com a ideia de que a polarização entre PSDB e PT permanecerá, com chance de Alckmin chegar ao Palácio do Planalto.

Em uma eleição com tantas incertezas, ignorar Marina Silva, o papel das redes sociais no pleito eleitoral, o nível de insatisfação da população e a Lava-Jato parece prepotência.

 “As eleições estão abertas e pouco se sabe sobre o comportamento do eleitor. Corremos o risco de um pleito com o maior nível de abstenção. Além disso, há um sentimento forte de incredulidade na classe política. Isso é um movimento global e o Brasil está totalmente inserido nesse contexto”, disse o especulador.

VOTAR COM CLAREZA – Ignorar a necessidade de ajustes e reformas é negar que as cores da bandeira do Brasil são verde, amarelo, azul e branco. Além de escolher o próximo presidente com sabedoria e discernimento, os brasileiros terão de avaliar com clareza quem elegerão para as assembleias legislativas, para a Câmara dos Deputados e para o Senado Federal. Serão esses senhores e senhoras, no fim das contas, os responsáveis por aprovar ou barrar as medidas necessárias para o país se livrar do estigma de baixo crescimento, inflação descontrolada e desemprego.

O Brasil têm 13 milhões de desocupados, além de gargalos estruturais que impedem o desenvolvimento. Reformas tributária, da Previdência, abertura comercial, investimentos em infraestrutura e educação são temas conhecidos, mas ignorados por todos os governos, interessados apenas em se perpetuar no poder por meio da reeleição. O Brasil precisa de um programa de Estado para que volte a crescer e para deixar de voar como uma galinha.

O país foi tomado por bandidos, muitos deles engravatados, roubando o sonho de muitos jovens que tiveram o futuro hipotecado. O ano da mudança é 2018 e as datas marcadas para iniciar o processo de transformação são 7 e 28 de outubro. A responsabilidade, não é novidade, deve ser compartilhada por todos nas urnas.

Piada do Ano! Fux deve julgar as ações sobre auxílio-moradia “em breve”…

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Charge do Iotti (Zero Hora)

Deu no Correio Braziliense
(Agência Estado)

Relator das ações que tratam do pagamento de auxílio-moradia no Judiciário, o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou ao Estado que pretende liberar o tema para julgamento “em breve”. As ações aguardam há dois meses um encaminhamento depois de a Advocacia-Geral da União (AGU) ter informado que não chegou a um acordo na conciliação aberta por determinação do próprio relator.

O julgamento das ações estava marcado para o dia 23 de março, mas foi suspenso na véspera porque Fux resolveu atender a um pedido da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) e enviar o caso para a conciliação. Naquele momento, havia a expectativa de que a maioria dos ministros pusesse fim ou limitasse o pagamento de R$ 4,3 mil mensais que tem sido garantido a magistrados, promotores e procuradores, mesmo para quem já mora em um imóvel próprio.

R$ 1 BILHÃO – Até o início de agosto, com a demora do STF para decidir sobre a legalidade do auxílio-moradia, o benefício pago aos magistrados do País já custou quase R$ 1 bilhão (R$ 973,5 milhões) em 2018, segundo estimativa baseada em estudo da Consultoria de Orçamento e Fiscalização Financeira da Câmara dos Deputados.

Fux afirmou que as ações “devem entrar em pauta tão logo seja liberado pelas partes”. A reportagem disse ao ministro que era preciso, primeiro, um despacho do relator liberando o tema para que a Presidência possa pautar. “Eu vou deliberar. Mas certamente ainda não liberei porque deve haver alguma pendência de algum despacho”, disse Fux, sem esclarecer qual era a pendência.

PROMESSA – Embora o ministro não tenha se comprometido com uma data, Fux disse que será antes do fim do ano. “Nós vamos pautar, vamos julgar isso. Isso aí tem que ser julgado e nós vamos julgar”, afirmou.

O pagamento de auxílio-moradia, previsto na legislação em situações específicas, foi estendido desde 2014 a todos os juízes do País, atendendo a ações de entidades de classe, por meio de liminar (decisão provisória) concedida por Fux. O pagamento foi estendido a membros do MP e do Judiciário de todo o Brasil no mesmo ano em resoluções aprovadas pelos conselhos Nacional de Justiça (CNJ) e do Ministério Público (CNMP).

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Essa promessa de julgar o auxílio-moradia só pode ser Piada do Ano. O diligente Fux nem sabe por que as ações estão paradas. Só falta perguntar quem colocou essas ações na cadeira para ele sentar em cima… (C.N.)

Há demofobia nos ataques a Ciro Gomes por causa dos devedores na Serasa

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A proposta da Ciro é viável e ajudará muitos brasileiros

Elio Gaspari
O Globo/Folha

Desde o mês passado, quando Ciro Gomes anunciou que, se eleito, trabalharia para limpar a lista de devedores da Serasa, ele tem apanhado mais que boi ladrão. Protetor de caloteiros, irresponsável, demagogo. Se um sistema de crédito tem 63 milhões de consumidores na lista negra, algo de grave está acontecendo na economia. O total dessa dívida é de R$ 225 bilhões, e o espeto médio do caloteiro do Serasa é de R$ 1.200.

No último grande calote do mercado financeiro, a Sete Brasil acertou pagar só R$ 2 bilhões aos grandes bancos que lhe emprestaram R$ 18 bilhões. Ganha um fim de semana em Miami quem conhecer um diretor de banco que emprestou à Sete acreditando que a empresa recriaria um setor da construção naval que já quebrara duas vezes. Por trás da Sete, estaria a Petrobras, e atrás dela, a Viúva.

13 MILHÕES – O inadimplente médio da Serasa comprou um iPhone, pretendia pagá-lo, e a loja que o vendeu achava que receberia. São necessários 13 milhões de caloteiros do Serasa para produzir um rombo comparável ao da Sete.

Pouco se ouviu falar do calote da Sete. Já a proposta de Ciro pareceu um prenúncio do fim do mundo. O restabelecimento do crédito de milhões de pessoas é coisa necessária e factível. Como alivia o andar de baixo, provocou muxoxos. Foi assim com a jornada de oito horas no século passado, com o Bolsa Família e com as cotas nas universidades públicas.

DEMOFOBIA – Pode-se reclamar da má qualidade dos candidatos à Presidência ou do nível de empulhação de suas propostas, mas quando aparece algo que merece ser discutido, como é o caso da proposta de Ciro, deve-se controlar a demofobia. Essa cautela é útil porque numa eleição presidencial prevalece a opinião dos sujeitos que se apertam para pagar uma dívida de R$ 1.200.

A renda domiciliar de sete em cada dez eleitores é de menos de três salários-mínimos. A turma que foi capaz de emprestar R$ 16 bilhões à Sete Brasil só elege o síndico do próprio edifício.

Piada do Ano! Meirelles ainda pensa que sua candidatura é apoiada por Temer

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Charge do Kacio (Arquivo Google)

Laura Maria
O Tempo

Candidato à Presidência da República pelo MDB, o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles disse, na tarde deste sábado (18), que não há possibilidade de o presidente Michel Temer (MDB) apoiar Geraldo Alckmin (PSDB) às eleições presidenciais marcadas para outubro deste ano. A declaração do candidato emedebista veio após Temer falar em entrevista ao jornal “Folha de São Paulo”, concedida na última quarta-feira (17), que o atual governo apoiaria o tucano.

“Não tem essa possibilidade (de Temer apoiar Alckmin). Ele tinha essa opinião antes de eu definir a candidatura”, destacou o presidenciável ao jornal O Tempo.

O ALCKMIN, NÉ? – Ao jornal paulistano, Temer cogitou a possibilidade de seu atual governo se atrelar ao do tucano, caso seja eleito. “Se você dissesse: ‘Quem o governo apoia?’ Parece que o Alckmin, né?”, comentou o presidente.

Meirelles também reforçou que o MDB vai pedir impugnação da candidatura de Alckmin por problemas de irregularidade nas atas de coligação do tucano. “Existem irregularidades do partido (PSDB) ao querer fazer um registro que não foi feito”, destacou.

De acordo com os advogados do MDB, o registro das atas dos partidos que se coligaram ao PSDB não teriam sido atualizados após as convenções partidárias e, consequentemente, o apoio ao candidato não teria sido formalizado.

DEBATE – Em relação ao debate realizado na RedeTV!, na noite dessa sexta-feira (17), Meirelles afirmou que o resultado foi positivo. “Foi uma boa oportunidade de me apresentar para pessoas que não me conhecem. Cada vez que apresento meus planos para o futuro, a tendência é de voto”, comentou.

Sobre seu posicionamento de afirmar-se como “não político”, Meirelles afirmou que quer se aproximar das pessoas por meio do discurso de geração de empregos. “À medida em que o emprego cresce, há geração de renda para os estados e municípios nos serviços básicos, como segurança e educação básica”, disse.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A declaração de Temer teve objetivo de fazer Meirelles desistir e aceitar ser vice de Alckmin. Apenas isso. Mas o candidato Meirelles é carne de pescoço e não ainda não soltou a franga que Temer tanto almeja. (C.N.)

“Meu caminho pelo mundo, eu mesmo traço, a Bahia já me deu régua e compasso…”

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Gil, que é tricolor, mandou um abraço ao Flamengo

Paulo Peres

Site Poemas & Canções
O administrador de empresas, político, escritor, cantor e compositor baiano Gilberto Passos Gil Moreira, conhecido como Gilberto Gil, na letra de “Aquele Abraço”, traz seu momento histórico e eufórico como reação, que invoca a liberdade (da qual Gil esteve privado algum tempo) em todos os seus aspectos pitorescos: Carnaval, Banda de Ipanema, Chacrinha, Flamengo e Realengo.

                                                                                                                                                                   A menção de Realengo, bairro suburbano carioca, é uma provocação aos militares do período da ditadura, tendo em vista que Gilberto Gil ficou preso na Escola Militar do mesmo bairro, hoje Comando da 9ª Brigada de Infantaria Motorizada, sediada na Praça do Canhão e, posteriormente, Gil foi exilado.

“A Bahia já me deu régua e compasso”, mas nem por isso deixo de reconhecer que “o Rio de Janeiro continua lindo! O Rio de Janeiro continua sendo!”. afirma Gilberto Gil.

Naquele mesmo 1969, o Fluminense tinha acabado de ser campeão carioca em cima do Flamengo, vencendo o jogo final por 3 a 2 e Gil, ferrenho tricolor, estava no Maracanã e vendo a triste massa rubro-negra indo embora, mandou outro irônico “Abraço” como se dissesse “valeu, o importante é competir”. A música foi lançada durante o exílio do artista em Londres no Lp Gilberto Gil, em 1969, pela Philips.

AQUELE ABRAÇO
Gilberto Gil

“O Rio de Janeiro continua lindo,
O Rio de Janeiro continua sendo,
O Rio de Janeiro, fevereiro e março,
Alô, alô, Realengo, aquele abraço.
Alô torcida do Flamengo, aquele abraço.
Chacrinha continua balançando a pança,
E buzinando a moça e comandando a massa,
E continua dando as ordens do terreiro.
Alô, alô, seu Chacrinha, velho guerreiro.
Alô, alô, Teresinha, Rio de Janeiro.
Alô, alô, seu Chacrinha, velho palhaço.
Alô, alô, Teresinha, aquele abraço.
Alô moça da favela, aquele abraço.
Todo mundo da Portela, aquele abraço.
Todo mês de fevereiro, aquele passo.
Alô Banda de Ipanema, aquele abraço.
Meu caminho pelo mundo, eu mesmo traço.
A Bahia já me deu régua e compasso.
Quem sabe de mim sou eu, aquele abraço.
Pra você que me esqueceu, aquele abraço.
Alô Rio de Janeiro, aquele abraço.
Todo povo brasileiro, aquele abraço.”

De repente, a utopia da “Tribuna da Internet” demonstra ser altamente viável

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Quadrinhos de Alexandre Afonso (nadaver.com)

Carlos Newton

Deste que foi criado, há quase 10 anos, o blog da Tribuna da Internet sempre teve muitos leitores e grande repercussão. As notícias e artigos aqui publicados são reproduzidos em sites, portais, blogs e redes sociais. Chega a ser engraçado, porque raramente é mencionada a origem, muitos blogueiros não registram que se trata de uma transcrição, alguns até assumem a autoria dos textos, e fica tudo por isso mesmo. Há articulistas que constantemente são copiados, como Jorge Béja e José Carlos Werneck. Quando reclamam comigo, eu respondo que a internet é assim mesmo, do tipo Chacrinha: “Nada se cria, tudo se copia”.

Percebe-se com facilidade que a “TI” serve de pauta para os coleguinhas, há jornalistas de renome que reaproveitam notícias aqui publicadas, mas sabemos também que eles não podem citar a origem da informação, porque a gente dá muita pancada na grande mídia, a situação pode ficar delicada, digamos assim.

NOTÍCIA PASSARINHO – Como editor do blog, recomendo aos articulistas que não liguem para esse reaproveitamento. Pelo contrário, devem ficar orgulhosos. E passo adiante o que aprendi com o amigo Paulo Francis, com quem trabalhei apenas na “Ultima Hora”, pois quando comecei a escrever no “Pasquim” ele já tinha saído. Francis dizia que a gente não deve dar importância ao que escreve e publica. É realmente uma excelente estratégia. Adotei na hora. Além do mais, no jornalismo há o ditado de que notícia é como passarinho – foi publicada, está voando, não tem dono.

Essa longa introdução ao assunto que quero abordar mais parece vitupério (elogio em boca própria), mas não tem esse objetivo. O que me anima é que as coisas parecem estar mudando aqui na “Tribuna”, onde sempre tivemos problemas com os comentários.

MENOS AGRESSÕES – Não mais que de repente, diria o poeta Vinicius de Moraes, os comentaristas estão diminuindo as agressões ridículas que trocavam. E isso acontece em pleno clima eleitoral, quando a radicalização se exacerba. Parece que enfim entenderam a importância da existência de um espaço democrático, aberto a todas as ideologias, em que a gente pode trocar ideias livremente.

Estou surpreso e até estupefato com essa novidade. Sinceramente, achava que a ideia de um blog livre era meramente utópica e não tinha futuro, moderar os comentários seria como o mito de Sísifo, um trabalho jogado fora.

E o mais animador é que o número de comentários aumenta cada vez mais, não estou conseguindo moderá-los. Por isso, volto a insistir – nada de ofensas, palavrões e baixarias. Vamos respeitar ao próximo e trocar ideias civilizadamente. Não custa nada e tem um valor incalculável.

Alckmin tenta negar que está sendo apoiado por Temer: “Ele nem gosta de mim…”

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Charge do Clayton (Jornal O Povo/CE)

Deu no Correio Braziliense
(Agência Estado)

O candidato a presidente Geraldo Alckmin (PSDB) negou neste sábado (18/8) que esteja sendo apoiado pelo presidente Michel Temer. “Não tem apoio nenhum. O Temer nem gosta de mim, principalmente depois que a bancada do PSDB na Câmara votou pela investigação contra ele”, disse o tucano.

Além disso, para Alckmin, o apoio de Temer a ele não faz sentido porque o partido do presidente, o MDB, tem candidato, o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles. As declarações foram dadas após participação em evento do Partido Humanitário Nacional (PHN), em São Paulo.

IMPUGNAÇÃO – Alckmin, inclusive, lamentou o pedido que a coligação de Meirelles fez ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para rejeitar a candidatura do tucano, alegando que as atas de seis partidos que compõem a aliança de Alckmin estão irregulares porque não exibem concordância com a participação de todos os partidos na coligação.

O tucano negou irregularidades e disse que o pedido da coligação de Meirelles é “tapetão puro”. “Eu estive em todas as convenções dos partidos e fui anunciado como candidato. Não tem o menor sentido fraudar a vontade do partido político”, disse.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Alckmin pode desmentir à vontade, mas sua candidatura é apoiada por Temer, que sonhava em levar o MDB a fazer coligação com o PSDB e colocar Meirelles como vice da chapa. Temer e Alckmin jamais esperavam que Meirelles fosse até o final. Sobre o acordo entre MDB e PSDB, isso faz parte do plano conjunto contra a Lava Jato, que tem apoio também do PT e do Centrão, que Temer obrigou a fazer aliança com Alckmin, caso contrário iria exonerar todos os indicados pelo Centrão que estão em postos-chave do governo. Como dizia Ibrahim Sued, em sociedade tudo se sabe. (C.N.)

Os dilemas da democracia, cada vez mais ameaçada pelo radicalismo  

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O maior desafio é reduzir a crescente desigualdade social

Merval Pereira
O Globo

Estudos mostram que os cidadãos, e não apenas aqui, estão cada vez mais abertos a soluções autoritárias. Tanto a democracia quanto o capitalismo estão postos, não de hoje, em discussão em diversos livros e estudos acadêmicos. Com o surgimento do “capitalismo de Estado”, capitaneado pela China, a relação direta entre democracia e capitalismo já não é mais uma variável tão absoluta quanto parecia nos anos 80 e 90 do século passado.

O caso brasileiro, quando chegamos às vésperas da eleição geral em nível de radicalização política exacerbado e uma perspectiva de o não voto superar o primeiro colocado nas pesquisas, já vinha dando sinais há tempos, e foi objeto de análise do centro de estudos (think tank) independente, baseado em Washington, New America Foundation, em reportagem sobre o declínio da confiança nas instituições políticas no mundo.

TENDÊNCIA – Eles focaram a tendência crescente de soluções autoritárias no Brasil. Estudos mostram que os cidadãos, e não apenas aqui, estão cada vez mais abertos a soluções autoritárias. Uma situação considerada perigosa, pois os cidadãos em democracias supostamente estabilizadas, mostram-se cada vez mais críticos aos líderes políticos e mais cínicos quanto ao valor da democracia como sistema político.

Há pesquisas que mostram que a democracia era um valor muito mais respeitado entre as gerações mais velhas, ao passo que na geração dos millennials, os que chegaram à fase adulta na virada do século XX para o XXI, apenas 30% nos Estados Unidos consideram que a democracia é um valor absoluto. O mesmo fenômeno é constatado na Europa, em números mais moderados.

EM XEQUE – A democracia está posta em xeque também pela desigualdade econômica exacerbada em países como o nosso. O economista e acadêmico Edmar Bacha levou a debate na Academia Brasileira de Letras o futuro do capitalismo e da democracia, em função da concentração de renda no topo da pirâmide social e dos avanços do autoritarismo e do populismo mundo afora.

Citou o professor Richard Freeman, do Departamento de Economia de Harvard, que propõe, diante do futuro do emprego e da distribuição de renda face à automação e à inteligência artificial, lidar com a desigualdade de renda gerada pela tecnologia moderna através da participação direta dos trabalhadores no capital das empresas.

MAIS RADICAL – Outro livro publicado pela Princeton University Press, denominado “Mercados radicais: desenraizando o capitalismo e a democracia para uma sociedade justa”, do economista da Microsoft e da Universidade de Yale Glen Weyl e do jurista da Universidade de Chicago Eric Posner, trata da desigualdade de maneira mais radical.

Foi motivado pelo contraste que constataram visualmente entre a riqueza do Leblon e a pobreza da Rocinha. Bacha adverte que eles temem que os países industriais também estejam caminhando nesse sentido, numa espécie de Belíndia mundial, numa alusão ao país imaginário que criou nos anos 1980 para ressaltar a desigualdade brasileira, que tem traços de Bélgica com a pobreza da Índia, pedaço este que cresce mais intensamente do que a prosperidade da parte belga de nosso país.

PROPRIEDADE – Os economistas propõem no livro superar a propriedade privada tal como a conhecemos, que identificam com o monopólio. Mas eles não propõem o Estado substituir os capitalistas, advertiu Edmar Bacha. “Buscam, sim, dissociar a propriedade privada do mercado, e aí está a grande novidade do livro”. Sua proposta consiste em que os proprietários de bens de capital (terras, máquinas, estruturas) tenham que declarar em registro público os preços desses bens.

Sobre os valores declarados, pagariam um imposto semelhante ao IPTU, a uma taxa média de 7% ao ano. Esse imposto sobre o capital geraria uma arrecadação de cerca de 20% do PIB, suficiente para garantir uma renda básica digna a todos os cidadãos. Mais importante, destaca Bacha: ao preço declarado, qualquer pessoa poderá deles comprar os bens de capital, uma maneira de obrigar os proprietários a declarar o preço honesto dos bens, em vez de desvalorizá-los para pagar menos imposto. Edmar Bacha indica que esse livro, no objetivo de repensarmos o capitalismo, rivaliza com o best-seller de Thomas Piketty, “O capital no século XXI. (Amanhã, o individualismo do cidadão)