“Se for eleito, tiro o Brasil da ONU”, diz Bolsonaro, assediado pelos jornalistas

Jair Bolsonaro declarou ter certeza de que seria absolvido

Bolsonaro tem enorme capacidade de dizer bobagens

Deu em O Tempo
(Estadão Conteúdo)

O candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, declarou neste sábado (dia 18) que o Brasil deixará a Organização das Nações Unidas (ONU) caso seja eleito presidente da República.  A afirmação de Bolsonaro foi feita em resposta à pergunta sobre como avaliava a recomendação do Conselho de Direitos Humanos da ONU de que o País permita ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disputar a eleição presidencial.

“Se eu for presidente eu saio da ONU. Não serve pra nada essa instituição”, afirmou Bolsonaro à imprensa, após cerimônia de formatura de cadetes na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman) em Resende, no sul fluminense. “Sim, saio fora, não serve pra nada a ONU. É um local de reunião de comunistas e gente que não tem qualquer compromisso com a América do Sul pelo menos”, completou o candidato.

PELO TWITTER – Mais cedo, Bolsonaro já tinha se manifestado sobre o tema em sua conta pessoal no Twitter:

“Há mais ou menos 2 meses falei em entrevista que já teria tirado o Brasil do Conselho da ONU, não só por se posicionarem contra Israel, mas por sempre estarem ao lado de tudo que não presta. Este atual apoio a um corrupto condenado e preso é só mais um exemplo da nossa posição”, escreveu o candidato neste sábado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Bolsonaro deu várias declarações. Numa delas, escorregou e falou bobagens. Mas fica claro num dos vídeos que se referia a sair do Conselho e não da própria ONU.  (C.N.)

Toffoli, Gilmar e Lewandowski querem processar o procurador Dallagnol

O procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol

Dallagnol disse que os ministros formam uma “panelinha”

Mônica Bergamo
Folha

O STF (Supremo Tribunal Federal) pode abrir um inquérito para investigar o procurador Deltan Dallagnol, da Operação Lava Jato, por críticas feitas a ministros da corte. Nesta sexta-feira (dia 17), tanto a corregedoria do MPF (Ministério Público Federal) quanto a do CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) abriram procedimentos para averiguar o teor das declarações dele a uma rádio.

Magistrados do STF acham, no entanto, que as medidas são insuficientes, já que preveem apenas sanções administrativas. Eles pretendem analisar a conduta de Dallagnol do ponto de vista penal. Um deles pensa até em propor uma ação por danos morais.

“PANELINHA” – O procurador da Lava Jato afirmou que os ministros Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski formam uma “panelinha” e “mandam uma mensagem muito forte de leniência a favor da corrupção” com decisões que têm tomado.

Dallagnol não quis se manifestar. Em casos semelhantes, procuradores têm invocado o direito à liberdade de expressão para dizer que não há crime em suas declarações

BAIXO ASTRAL - A revelação de que sua filha, Veronica Serra, administrava contas secretas na Suíça abalou ainda mais o senador José Serra (PSDB-SP), que já estava recluso desde que surgiram as primeiras notícias sobre a referência a seu nome em delações da Odebrecht.

Documentos enviados ao Brasil pela Suíça mostram que ela administrava uma conta que recebeu depósitos de R$ 1,78 milhão.

BOLSONARO E HADDAD – A pesquisa da XP Investimentos divulgada na sexta (17) confirmou sondagens de bancos e administradoras de fundos que mostram a real probabilidade de um segundo turno entre Fernando Haddad (PT-SP), como “candidato de Lula”, e Jair Bolsonaro (PSL-RJ).

Nas palavras do diretor de uma administradora, o mercado ainda está em fase de “negação” do quadro, considerado o pior para seus interesses.

Em recuperação judicial, Grupo Abril ganha tempo para equilibrar as finanças

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No momento está sendo preparado o plano de recuperação

José Carlos Werneck

Foi com muito pesar que tomei conhecimento de que, prestes a completar 70 anos de existência, o Grupo Abril, responsável pela edição das revistas Veja e Exame, além de outras consagradas publicações, ingressou com um pedido de recuperação judicial nesta quarta-feira, 15 de agosto. A medida, prevista em lei, serve para que a empresa possa buscar um novo equilíbrio de suas contas, que, segundo o Grupo, foram afetadas nos últimos anos por uma combinação de duas forças negativas.

Uma delas é a ruptura tecnológica que atinge mundialmente as atividades de comunicação, incluindo o jornalismo e a publicidade. A outra diz respeito aos impactos da profunda crise no Brasil, cuja marca mais evidente foi uma queda acumulada de 10% no produto interno bruto per capita, causando a perda de milhões de empregos e dificuldades para inúmeras empresas.

FORMALIZAÇÃO – O pedido de recuperação judicial foi formalizado nesta quinta-feira, através do sistema eletrônico disponibilizado pela Justiça, e será objeto de análise por um juiz de Vara Empresarial nas próximas semanas.

Após ser aprovado, o plano de recuperação judicial será apresentado num prazo de 60 dias aos credores da companhia. A dívida submetida à proposta de recuperação judicial é de 1,6 bilhão de reais. O mecanismo da recuperação prevê um período de 180 dias em que a companhia não pode ser executada, para que a dívida seja renovada após a negociação da empresa com seus credores.

TRADIÇÃO – Fundada por Victor Civita, a Editora Abril fez parte da vida de várias gerações de brasileiros, através de publicações em diversas áreas, do entretenimento à educação e à cultura.

Sua bela trajetória sempre foi marcada pela inovação editorial, com o lançamento de títulos que se tornaram icônicos, desde as revistas infantis da Disney, com o pioneiro Pato Donald, até a revista “Veja”, a maior semanal do Brasil e uma das maiores do mundo e que está completando 50 anos.

Outras publicações, como “Claudia”, considerada a mais importante revista feminina brasileira, e “Quatro Rodas”, leitura imprescindível para os apreciadores de automóveis, e a quinzenal “Exame” publicada há 51 anos, dedicada a economia, negócios, finanças e carreira. Atualmente “Exame” é também o maior site dessas áreas no Brasil, atingindo cerca de 25 milhões de visualizações por mês.

AOS MILHÕES – As revistas da Abril totalizam uma tiragem total de 5 milhões de exemplares mensais e possuem mais de 60 milhões de seguidores em redes sociais. Essa popularidade advém no fato de que a Abril se constituiu em uma verdadeira escola do jornalismo.

A qualidade do trabalho feito por suas revistas e sites é de reconhecida há décadas, mas especialmente hoje é valorizada, quando o público busca se orientar e se proteger contra as notícias falsas.

Não obstante a estes fatores, o ambiente econômico desfavorável e os desafios da mudança tecnológica levaram a empresa a fazer sucessivas reformulações operacionais nos últimos anos, fazendo que vários títulos tivessem sua publicação interrompida, mesmo com a empresa já se movendo na área digital.

Para enfrentar estes problemas, a família Civita, controladora do Grupo Abril, contratou a consultoria internacional Alvarez & Marsal para fazer um trabalho de reestruturação organizacional.

Que tenham êxito e voltem com mais força e retomem a importância que sempre tiveram na Imprensa brasileira.

Supremo simplesmente vai ignorar recomendação da ONU a favor de Lula

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Charge do Aroeira (Portal O Dia/RJ)

Daniela Lima
Folha/Painel

As togas deram de ombros. A tendência do Supremo, segundo quatro ministros consultados pelo Painel, é ignorar o documento de colegiado da ONU que prega a manutenção da candidatura de Lula. Os juízes dizem que não há efeito vinculante e que a força da declaração do Comitê de Direitos Humanos junto ao Judiciário é a mesma de uma “ata de reunião de condomínio”. O PT, porém, vai tentar faturar politicamente. Dirigentes da sigla querem usar a peça na estreia do partido no horário eleitoral gratuito.

Só ele? Um integrante do STF diz que não há sentindo em dar vazão a questionamentos sobre a cassação de direitos políticos prevista na Lei da Ficha Limpa – e em vigor há quase oito anos. Ele lembra que muitos políticos já foram impedidos de disputar com base no dispositivo sem que houvesse alarido.

PRESO POLÍTICO – O PT sabe que a chance de uma mudança de rumo no Judiciário é quase nula, mas quer usar o texto da ONU para criar constrangimento. Ao comentar o fato com um interlocutor, Fernando Haddad, hoje vice de Lula, resumiu: “Se não o registrarem agora, para o mundo o Lula será um preso político”.

A migração de Cármen Lúcia da presidência do STF para a Segunda Turma da corte, em setembro, fará do ministro Celso de Mello, o decano, voto decisivo na maioria dos processos polêmicos vinculados à Lava Jato.

As apostas na corte hoje vão na direção de que Cármen Lúcia tenderia a votar mais alinhada com Edson Fachin, equilibrando o jogo com os garantistas Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski.

MARINA E ALCKMIN – Marina Silva (Rede) já começou a gravar sua campanha no rádio e na TV. Segundo aliados, ela terá de 21 a 24 segundos de propaganda eleitoral.

Ao menos três partidos da coligação de Geraldo Alckmin deram margens a questionamentos à coligação do tucano no TSE. Os registros que constam no tribunal mostram que PRB, Solidariedade e PR não atualizaram as atas de suas convenções.

Os documentos que essas siglas enviaram à corte informam apenas que a decisão de se aliar ao tucano foi delegada às executivas de cada partido. Esse colegiado teria que ter formalizado depois as opções pela coligação com Alckmin –o que não foi feito junto ao TSE.

As Opiniões e as Doutrinas – um texto de Buda sobre as discussões e as desavenças

Resultado de imagem para ensinamentos de BudaAntonio Carlos Rocha

A propósito do radicalismo da campanha eleitoral, é conveniente lembrar alguns ensinamentos de Sidarta Gautama, o Buda, ao abordar a questão das ideologias e diferentes interpretações hermenêuticas. Isso no século VI antes de Cristo. Vejam como tais debates são antigos. É uma reflexão bem atual para os nossos dias, que têm como base a Lei de Impermanência, pois tudo muda e nada permanece…

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QUAL É A OPINIÃO VERDADEIRA, SEGUNDO BUDA?

“Os sábios do mundo sustentam diferentes opiniões, e discutem, cada qual se julgando descobridor da verdade e chamando de néscios aos que não pensam como eles. Mas qual será a opinião verdadeira?

Se todo aquele que negar um ponto de vista alheio for néscio, todos eles o são, pois todos estão aferrados às respectivas opiniões.

Se todo aquele que se apega a uma opinião é sábio, não há néscios entre eles, pois todos estão aferrados às respectivas opiniões.

O que um diz ser verdade, o outro diz ser mentira, e assim surgem as discussões. Por que os mestres não pregam todos a mesma coisa?

A verdade é uma só, quem a sabe não há motivo para discutir. Porém, os mestres louvam verdades diferentes. Por isso não dizem todos a mesma coisa.

Por que todos os que julgam ter atingido a verdade discutem pregando verdades diferentes? Ouviram-nas de outrem ou eles próprios as elaboraram?

No mundo, não há verdades eternas diferentes e numerosas, embora os homens as julguem eternas e, apoiados em suas idéias, nas tradições da doutrina que abraçam, em mandamentos, juramentos etc., preguem a verdade de suas opiniões, considerando errados todos os defensores de outras idéias.

Cheios de opiniões e cegos pelo orgulho, julgam-se perfeitos, bem como as teorias que defendem.

Sigam sem vos deixardes enlear nessas coisas e sem vos apegardes”.

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P.S. –
A fonte é “Sutta Nipata” – Escritura Canônica da Escola Ortodoxa Theravada (Ensinamento dos Antigos), predominante no Sudeste Asiático. E o livro é “Textos Budistas e Zen-Budistas”, seleção de Ricardo Mário Gonaçalves, professor doutor em História pela USP, editora Cultrix, 1967 (pág. 41),

 

TSE tem de julgar o caso Lula antes de iniciada a propaganda pela TV, no dia 31

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Charge do Ronaldo (Arquivo Google)

Merval Pereira
O Globo

O bom senso manda que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) resolva a questão da candidatura do ex-presidente Lula até o dia 31 de agosto, portanto, antes de começar a propaganda eleitoral no rádio e na TV, e há razões para isso: não é possível realizar uma campanha presidencial com dúvidas jurídicas e as chicanas que o PT está fazendo.

Lula, condenado em segunda instância, não pode concorrer à presidência da República. A posição da Procuradora-Geral da República Raquel Dodge, de impugnar a candidatura sem nem mesmo abrir um processo, faz sentido, pois Lula está condenado em segunda instância pelo TRF-4 e enquadra-se na Lei da Ficha Limpa.

IMPUGNAÇÃO – Há ainda uma medida mais rápida à disposição do TSE, a impugnação de ofício pelo relator do processo, o ministro Luis Roberto Barroso. Essa medida é perfeitamente cabível, pois, como disse a Procuradora-Geral da República, o ex-presidente não preenche as exigências legais para ser elegível,“o que impede que ele seja tratado juridicamente como candidato e também que a candidatura requerida seja considerada sub judice, uma vez que inapta mesmo a causar o conhecimento do pedido de registro pelo Tribunal Superior Eleitoral”.

Porém, quando a Procuradora-Geral argumenta que o ex-presidente “não pode fazer propaganda eleitoral com o financiamento de sua candidatura com recursos públicos, que são destinados apenas a financiar campanhas dos elegíveis”, considero que está forçando a interpretação da lei.

Se até a data de início da propaganda eleitoral gratuita o TSE não tiver definido sua situação, Lula é candidato dentro da lei e poderá usar o fundo partidário para fazer campanha. Se e quando for impugnado, (e o mais provável é que seja), perderá esse direito, mas não terá que devolver nada aos cofres públicos porque atuou legitimamente dentro da lei.

PRECEDENTES – A tentativa de utilizar o Superior Tribunal de Justiça (STJ) para colocar o nome de Lula na urna eleitoral em outubro tem dado errado com frequência assustadora, na maior parte das vezes por erro técnico da defesa do ex-presidente.

Ontem, 5ª Turma do STJ rejeitou, por unanimidade, os embargos de declaração apresentados contra decisão que não suspendeu os efeitos de sua condenação pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) no caso do triplex do Guarujá.

 A anulação do julgamento em segunda instância é a única maneira de Lula tornar-se ficha limpa. A defesa utilizou um argumento técnico em matéria civil para tentar anular a decisão contrária do STJ, pedindo a realização de um novo julgamento de um agravo regimental.

DIZ O REGIMENTO – Ao julgar os embargos de declaração, o relator Felix Fischer lembrou que o regimento interno do STJ, no julgamento de Agravo Regimental em matéria penal, diz que não há necessidade de inclusão em pauta, nem intimação de advogado. 

Segundo o relator, não há previsão de sustentação oral, bastando o recurso ser apresentado em mesa. Houve unanimidade na recusa dos embargos. Também deve ter o mesmo destino o recurso que a defesa do ex-presidente impetrou ontem no mesmo STJ querendo o mesmo tratamento dado ao deputado João Rodrigues, acusado de fraude e dispensa de licitação quando era prefeito de Pinhalzinho, em Santa Catarina.

O deputado do PSD estava preso, mas ganhou uma liminar concedida pelo desembargador Rogério Schietti, que suspendeu os efeitos da condenação, permitindo a ele concorrer nas eleições deste ano.

PRESCRIÇÃO – Acontece que a pena de prisão a que o deputado estava condenado prescreveu, e ele recuperou seus direitos políticos. Segundo o artigo 107 do Código Penal, há dois tipos de prescrição, que obedecem a uma tabela previamente estabelecida: a da pretensão punitiva, quando o Estado perde a possibilidade de punir por decurso de prazo, ou a da pretensão executória, que é o caso do deputado João Rodrigues.

Embora condenado, ele recorreu, alegando que sua condenação prescrevera, com o que concordou o STJ. A Procuradora-Geral Raquel Dodge não concordou e recorreu. Mas o caso nada tem a ver, portanto, com a condenação de Lula, que não prescreverá tão cedo devido ao tamanho da pena: 12 anos e 1 mês de prisão.

Marina enfrenta Bolsonaro e ganha destaque no segundo debate, pela RedeTV!

Ciro, Alckmin e Meirelles preferiram focar a crise econômica

Tiago Dantas
O Globo

Um confronto entre Jair Bolsonaro (PSL) e Marina Silva (Rede) sobre a igualdade de salários entre homens e mulheres fez com que o segundo debate entre presidenciáveis, transmitido na noite desta sexta-feira pela “RedeTV!”, fosse mais movimentado que o primeiro programa, na semana passada.

Mais uma vez, participaram oito presidenciáveis. Embora a emissora de TV tenha anunciado que deixaria um púlpito vazio para representar o ex-presidente Lula, o banco destinado ao petista foi retirado após um pedido de Bolsonaro que contou com a anuência de todos os competidores, menos Guilherme Boulos (PSOL).

JAIR BOLSONARO (PSL) — Depois de três atuações na TV que não o comprometeram, o debate da Band e as entrevistas para o “Roda Viva” e GloboNews, Bolsonaro viveu dramas de um estudante: teve dificuldade ao falar de um assunto que não conhecia, a dívida pública, foi flagrado com uma cola escrita na mão esquerda, com perguntas que pretendia fazer, e, no final, levou uma bronca de uma professora de História (profissão de Marina Silva). Bolsonaro tinha acabado de aproveitar uma dobradinha com Cabo Daciolo sobre aborto, drogas e ideologia de gênero, quando foi questionado por um jornalista sobre uma questão econômica espinhosa. De pé, no centro do estúdio, denunciava o nervosismo, se mexendo o tempo todo. No bloco seguinte, escorreu ao dizer que o governo não precisa fazer nada para garantir a igualdade de salário entre homens e mulheres, pois isso já está na Constituição, e ainda ouviu Marina dizer, na sua frente, que isso não acontece. Ao final do debate, foi ríspido com um repórter que perguntou o que tinha na cola da sua mão: “Vá plantar batata”.

MARINA SILVA (REDE) — Frequentemente taxada de frágil, Marina rasgou o clima morno do debate ao confrontar Bolsonaro sobre a igualdade salarial entre homens e mulheres e a dizer que ele ensina os jovens que eles podem “resolver tudo na violência”. Única mulher presente ao programa de TV, ela já vinha dedicando espaço ao eleitorado feminino em suas agendas públicas dos últimos dias. No mesmo embate o deputado, ela ainda usou uma frase que pode servir de resposta a quem usa sua religião para criticá-la. Quando Bolsonaro disse que ela era uma evangélica que defendia o aborto, a ex-senadora afirmou que o “estado é laico”. O embate, já próximo ao fim do programa, salvou a participação de Marina, que até então estava esquecida pelos adversários e apagada em meio a manifestações genéricas contra a corrupção e medidas de Temer.

CIRO GOMES (PDT) — Pela segunda vez, Ciro deixou para trás a fama de um sujeito “esquentado” no debate da RedeTV!. Trocou um aperto de mão com Bolsonaro após uma pergunta e deu risada ao presenciar um embate entre o capitão e Daciolo. Aparentemente à vontade, fez brincadeira com o tempo curto para responder e escolheu como seu principal interlocutor o tucano Alckmin, a quem tentou ligar medidas do governo Temer como o teto de gastos. Assumiu tons professorais ao explicar a Bolsonaro como a dívida pública é formada, voltou a prometer tirar o nome de endividados do SPC, minimizou a ligação de Katia Abreu com o agronegócio e se comprometeu a revogar o teto de gastos.

GERALDO ALCKMIN (PSDB) — Questionado pelo apoio do blocão e medidas de apoio ao governo Michel Temer, Alckmin reagiu com críticas ao PT e seus aliados que, nas suas palavras, “quebraram o Brasil”. Passou boa parte do debate discutindo economia com Ciro, que respondia de forma mais clara e enérgica e menos técnica. Citou menos siglas que no programa da semana passada, mas insistiu na proposta do IVA, um imposto único sobre o consumo, sem esclarecer como isso muda a vida do eleitor. Antes de sair de cena, fez um breve aceno ao Nordeste, ao falar da transposição do São Francisco. A região, órfã de Lula, é historicamente um problema para o PSDB, que amarga índices baixíssimos de voto em praticamente todos os estados.

ÁLVARO DIAS (PODE) — O senador começou o debate tropeçando em algumas palavras, mas logo engatou ao entrar um tema recorrente em seus últimos discursos: a Lava-Jato. Embora não tenha citado o juiz Sergio Moro, a quem cogitou colocar no Ministério da Justiça no debate anterior, aproveitou a ausência de Lula para criticar a corrupção e emplacar uma frase de efeito: “Essa encenação de candidatura é uma afronta ao país”. Jogou pelo empate: não foi provocado, mas também não provocou nenhum candidato.

GUILHERME BOULOS (PSOL) — O líder do movimento sem-teto repetiu o bordão dos “50 tons de temer” para se referir aos adversários. Tentou ser didático e se fazer entendido: falou sobre o preço do gás e explicou a diferença de imposto pago por quem aluga uma casa e quem tem um fundo imobiliário. Não teve chance de um confronto direto com Jair Bolsonaro, como havia feito no debate da Band, mas pegou carona no embate de Marina Silva com o candidato do PSL para dizer a ele que “eleição não se ganha no grito”. Ficou isolado no voto a favor do púlpito Vazio para Lula, mas não mencionou o petista no debate.

HENRIQUE MEIRELLES (MDB) — O ex-ministro da Fazenda foi mais incisivo do que no debate da Band. Levou praticamente todas as respostas para o campo econômico, ainda que tenha mantido o tom acadêmico. Mais uma vez, tentou se ligar aos resultados positivos do governo Lula, mas foi colocado em uma encruzilhada ao ser questionado por Boulos sobre os 13 milhões de desempregados atuais — ele deixou o Ministério da Fazenda de Temer em abril. Numa tentativa de tentar se desligar de Temer, afirmou, ao menos duas vezes, que nunca foi investigado e nem enfrentou escândalos. No início do debate, flertou com a ideia que ajudou a eleger João Doria (PSDB) como prefeito de São Paulo dois anos atrás: “Não sou político”.

CABO DACIOLO (PATRI) — Com uma atuação que lembra a de pastores de programa de TV, o deputado federal limitou sua participação a temas religiosos. Carregando uma bíblia enquanto circulava pelo estúdio, Daciolo falou sobre uma suposta farsa das urnas eletrônicas aliada à “nova ordem mundial” para escolher o próximo presidente e falou em “baixar o combustível” e convocar os trabalhadores para unidades militares sem dar qualquer pista sobre como isso aconteceria. Foi alvo de piada de Boulos sobre a Ursal, união de nações sul-americanas que ele citou no primeiro debate. Justificou sua corrida ao Planalto dizendo que o Brasil “precisa de Jesus”.

“Mudança de poder nas eleições pode repercutir na Lava Jato”, diz o juiz Bretas

Marcelo Bretas

Bretas critica condenações com base exclusiva em delação

Deu em O Tempo
(Estadão Conteúdo)

Mudanças de viés ou prioridades dos Ministérios no próximo governo podem afetar os trabalhos das delações da Lava Jato, disse o juiz da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, Marcelo Bretas. Ele afirmou ainda que a mudança de presidente também é relevante, já que o chefe do governo tem por atribuição indicar os membros do Supremo Tribunal Federal (STF).

“A mudança de poder é importante e a figura do presidente da República é de importância ímpar, já que ele indica os membros do Supremo Tribunal Federal, a composição mais importante no combate a corrupção”, afirmou em conversa com jornalistas paralelamente a evento na Amcham, em São Paulo, sobre Compliance.

DELAÇÕES – “A depender do viés que os Ministérios adotem e o que priorizem, deve repercutir nos trabalhos das delações da Lava Jato”, acrescentou.

Bretas comentou ainda ser importante que o poder econômico compreenda seu papel e trabalhe de forma legítima com o poder político, dentro de regras de transparência, para que não se repitam erros do passado.

O juiz disse durante sua apresentação no evento que várias tentativas de frear as investigações da Lava Jato foram barradas e que, apesar de todos os ataques, o judiciário tem conseguido trabalhar.

SEGUNDA TURMA – Bretas afirmou que a decisão da Segunda Turma do STF, que rejeitou denúncias feitas pela Procuradoria Geral da República contra três acusados na Operação Lava Jato com base em delações, deve ser respeitada, mas que os juízes são livres para decidir questões que não vêm diretamente do plenário do Supremo.

“Não tenho autoridade para comentar essa decisão, embora possa divergir doutrinariamente. O importante é que o que vier de forma vinculante será obedecido, que significa o que vier do plenário do Supremo Tribunal Federal. O que vier de órgãos fracionários são decisões importantes, mas se não for no processo em especial, o juiz é livre para decidir de forma independente”, afirmou.

SEM PROVAS – Nesta semana, a Segunda Turma do STF rejeitou denúncia da PGR contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e outros dois acusados pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no âmbito da Lava Jato, argumentando que a denúncia se baseou em delação sem provas suficientes. Bretas não quis comentar o arquivamento nas acusações do Ciro nogueira.

Bretas disse ainda que a decisão não deve implicar em mudança nas delações. “Não vejo mudanças, parece que houve uma decisão de não prestigiar alguns acordos. Mas é preciso ser analisado caso a caso e não conheço as provas daquele processo”, comentou.

O juiz defendeu, no entanto, que provas sejam apresentadas nas colaborações, quando essas existirem, lembrando que toma tal cuidado nos seus processos.

SEM INVENTAR – “O que a lei proíbe, o que o juiz não pode inventar, é que haja condenação exclusivamente no depoimento, na palavra. Então, obviamente, se a palavra é confirmada com provas, (o juiz) tem a capacidade de tomar medidas que são necessárias”, comentou.

Bretas frisou não estar se referindo a essa decisão recente do Supremo – sobre Ciro Nogueira. “Não conheço as provas e não posso comentar decisão de outro juiz, principalmente do STF”, disse.

Por fim, Bretas defendeu a regulamentação das criptomoedas para evitar o surgimento de um “paraíso fiscal virtual”. “Sem regulamentação não faz sentido, porque acaba-se com paraíso fiscal para a criação de um paraíso fiscal virtual. Há discussões no mundo sobre como regulamentar, mas não tenho autoridade para inferir se as criptomoedas devem ou não acabar”, comentou na sessão de perguntas e respostas de evento sobre Compliance na Amcham.

“Na boiada já fui boi, boiadeiro já fui rei”, o povo cantava, na disparada da liberdade

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Vandré, um artista verdadeiramente genial

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O advogado, cantor e compositor paraibano Geraldo Pedroso de Araújo Dias, mais conhecido como Geraldo Vandré, na letra de “Disparada”, faz uma crítica à ditadura vivida na época e, consequentemente, apresenta uma maravilhosa comparação entre a exploração das classes sociais pobres pelas mais ricas e a exploração das boiadas pelos boiadeiros, entre a maneira de se lidar com gado e se lidar com gente. 

Neste sentido, a boiada é o povo, a massa (população inconciente, alienada). Boiadeiro é um líder carismático, que pode ser político ou religioso. Logo, quando o povo começou a sonhar, teve revelações sob a realidade das coisas e, então, acordou da ignorância e teve consciência da realidade.

Em 1966, a música “Disparada”, defendida por Jair Rodrigues, participou do II Festival de Música Popular Brasileira (TV Record), dividindo o primeiro lugar com “A banda” de Chico Buarque, defendida por Nara Leão. Nesse mesmo ano, a música foi gravada pelo próprio Jair Rodrigues no LP O Sorriso de Jair, pela Philips.

DISPARADA
Théo de Barros e Geraldo Vandré
Prepare o seu coração
Prás coisas
Que eu vou contar
Eu venho lá do sertão
Eu venho lá do sertão
Eu venho lá do sertão
E posso não lhe agradar…

Aprendi a dizer não
Ver a morte sem chorar
E a morte, o destino, tudo
A morte e o destino, tudo
Estava fora do lugar
Eu vivo prá consertar…

Na boiada já fui boi
Mas um dia me montei
Não por um motivo meu
Ou de quem comigo houvesse
Que qualquer querer tivesse
Porém por necessidade
Do dono de uma boiada
Cujo vaqueiro morreu…

Boiadeiro muito tempo
Laço firme e braço forte
Muito gado, muita gente
Pela vida segurei
Seguia como num sonho
E boiadeiro era um rei…

Mas o mundo foi rodando
Nas patas do meu cavalo
E nos sonhos
Que fui sonhando
As visões se clareando
As visões se clareando
Até que um dia acordei…

Então não pude seguir
Valente em lugar tenente
E dono de gado e gente
Porque gado a gente marca
Tange, ferra, engorda e mata
Mas com gente é diferente…

Se você não concordar
Não posso me desculpar
Não canto prá enganar
Vou pegar minha viola
Vou deixar você de lado
Vou cantar noutro lugar

Na boiada já fui boi
Boiadeiro já fui rei
Não por mim nem por ninguém
Que junto comigo houvesse
Que quisesse ou que pudesse
Por qualquer coisa de seu
Por qualquer coisa de seu
Querer ir mais longe
Do que eu…

Mas o mundo foi rodando
Nas patas do meu cavalo
E já que um dia montei
Agora sou cavaleiro
Laço firme e braço forte
Num reino que não tem rei

FHC grava vídeo em que chama Jair Bolsonaro de “reacionário”, sem citar o nome dele

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PT é autoritário, mas os reacionários são piores, diz FHC

Deu em O Globo

Após causar polêmica por dizer que o PSDB poderia se juntar ao PT em um eventual segundo turno contra Jair Bolsonaro (PSL), o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) gravou um vídeo que será distribuído nas redes sociais da campanha do presidenciável tucano Geraldo Alckmin para tentar dar fim à discussão.

Em 32 segundos, FH afirma que PSDB e PT “nunca foram a mesma coisa”, mas que existe um “terceiro setor” que é “pior que tudo” porque é “reacionário”. Na gravação, o ex-presidente não cita a polêmica nem o nome de Bolsonaro.

VISÃO DIFERENTE— “O PT e o PSDB não são e nunca foram a mesma coisa, têm uma visão do mundo diferente. Um é autoritário e hegemônico, acha que só ele resolve. O outro é mais aberto, mais democrático, acha que nós temos que juntar pessoas” — disse FH. — “Agora, tem um terceiro setor que é pior que tudo isso porque ele é reacionário, ele acha que resolve tudo pela violência, pela força”.

O ex-presidente termina o vídeo dizendo que seu partido não concorda com essa ala reacionária, mas “tampouco concordamos que o caminho que o PT propõe para o Brasil seja o caminho para o Brasil”.

A polêmica começou dois dias atrás. Em uma entrevista à Rádio Jovem Pan, FH disse que, em um cenário em que PSDB ou o PT tivessem que enfrentar Bolsonaro, não se oporia a uma aliança.

SEGUNDO TURNO –  “Espero que o PSDB vá para o segundo turno e acho que o PT espera a mesma coisa, mas dependendo das circunstâncias, eu não teria nenhuma objeção a isso” — disse ele, na entrevista à rádio.

“Democracia é assim, eu não sou favorável a um estado de beligerância permanente” — completou.

As declarações de FHC geraram críticas dentro do partido por sugerir uma união com o PT.

ONU exigiu ou não que Lula participe das eleições até o final de todos os recursos?

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O advogado Geoffrey Robertson defende Lula na ONU

José Carlos Werneck

A partir de hoje, passo a escrever, neste site, também como humorista, não por minhas qualidades para exercer tão difícil função, mas pela enorme quantidade de notícias risíveis fornecidas pela equipe de advogados que integram a defesa do ex-presidente Lula.  Agora eles informam que o Comitê de Direitos Humanos da ONU emitiu, nesta sexta-feira, um comunicado informando que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deveria ser autorizado a fazer campanha e disputar as eleições até que seus recursos legais sejam totalmente examinados.

 O comitê, constituído por especialistas em direitos civis e políticos, deliberou sobre um pedido urgente apresentado pelos advogados de Lula em 25 de julho.

RECOMENDAÇÃO – Como diz o Itamaraty, em nota oficial, trata-se apenas de uma recomendação, que faz toda a diferença em relação a uma determinação. Ora, a recomendação, embora ridícula e altamente discutível, é uma mera sugestão, que nem por isso interfere de maneira gravíssima nos princípios de autodeterminação e independência de uma nação livre e soberana.

Em uma breve declaração, o comitê pede (“request”) ao Brasil “que tome todas as medidas necessárias para garantir que Lula (…) possa exercer seus direitos políticos enquanto estiver na prisão, como candidato nas eleições.

RECURSOS ESGOTADOS – Os relatores do Comitê indicam que Lula só poderá ser desqualificado depois que “todos os recursos pendentes sejam completados em um procedimento justo e que sua condenação seja final”.

Notem os leitores que o comitê “pede” ao Brasil e não “determina”, como querem fazer crer os advogados de Lula.

O Comitê, sediado em Genebra, é responsável pelo monitoramento das violações do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, bem como por um texto suplementar chamado Protocolo Facultativo. Como o Brasil ratificou ambos os textos, seria tecnicamente obrigado a cumprir as conclusões do comitê.

Olivier de Frouville, integrante do comitê, declarou que os advogados de Lula pediram uma ação urgente em três questões: que ele seja imediatamente libertado; que ele tenha acesso à mídia e ao seu partido político; e que se permita que ele participe das eleições. O comitê rejeitou a primeira petição, mas validou as outras duas.

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NOTA DOS ADVOGADOS DO PRESIDENTE LULA

Na data de hoje (17/08/2016) o Comitê de Direitos Humanos da ONU acolheu pedido liminar que formulamos na condição de advogados do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 25/07/2018, juntamente com Geoffrey Robertson QC, e determinou ao Estado Brasileiro que “tome todas as medidas necessárias para que para permitir que o autor [Lula] desfrute e exercite seus direitos políticos da prisão como candidato nas eleições presidenciais de 2018, incluindo acesso apropriado à imprensa e a membros de seu partido político” e, também, para “não impedir que o autor [Lula] concorra nas eleições presidenciais de 2018 até que todos os recursos pendentes de revisão contra sua condenação sejam completados em um procedimento justo e que a condenação seja final”.

A decisão reconhece a existência de violação ao art. 25 do Pacto de Direitos Civis da ONU e a ocorrência de danos irreparáveis a Lula na tentativa de impedi-lo de concorrer nas eleições presidenciais ou de negar-lhe acesso irrestrito à imprensa ou a membros de sua coligação política durante a campanha.

Por meio do Decreto no 6.949/2009, o Brasil incorporou ao ordenamento jurídico pátrio o Protocolo Facultativo que reconhece a jurisdição do Comitê de Direitos Humanos da ONU e a obrigatoriedade de suas decisões.

Diante dessa nova decisão, nenhum órgão do Estado Brasileiro poderá apresentar qualquer obstáculo para que o ex-Presidente Lula possa concorrer nas eleições presidenciais de 2018 até a existência de decisão transitada em julgado em um processo justo, assim como será necessário franquear a ele acesso irrestrito à imprensa e aos membros de sua coligação política durante a campanha.

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P. S.
Eu, de minha parte, tentei ouvir o Deputado Tiririca, que é uma pessoa com sólidos conhecimentos sobre o assunto, mas ele não foi encontrado… (J.C.W.)

Preso, Eduardo Cunha defende candidatura de Lula pede votos para a filha

Mesmo preso, Eduardo Cunha tenta influir na eleição

Tulio Kruse
Estadão

Preso desde outubro de 2016, o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha divulgou uma carta em sua página oficial no Facebook para comentar o cenário eleitoral argumentar e contra sua própria prisão. Na mensagem, ele defende que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso no âmbito da Operação Lava Jato, tenha o direito de concorrer à Presidência. Cunha ainda destaca que a eleição de 2018 será a primeira em 20 anos que ele não disputará, e divulga a candidatura da filha, Danielle Cunha, para deputada federal.

O ex-deputado se posiciona como adversário dos governos do PT e “o principal responsável por sua queda”, mas diz que Lula deveria ser derrotado nas urnas. “O petista não deve ser eleito pelo custo que impôs ao povo com sua desastrada escolha, mas jamais impedido de disputar”, escreve. Ele ainda se compara ao ex-presidente ao dizer que seria um “troféu político”.

PIOR MODELO – Cunha critica as atuais regras eleitorais, que devem eleger parlamentares “no pior dos modelos políticos”, e afirma que o Congresso está “totalmente desvinculado de suas propostas e compromissos”. Ele defende a adoção do parlamentarismo no País, citando os modelos francês e português, com partidos obrigados a aderir à um programa de governo.

“Para o futuro, o país não terá outra alternativa, que não seja a de adotar o parlamentarismo”, escreve. Cunha ainda faz um alerta sobre a continuidade da crise política no País. “O eleitor precisa estar atento que alguns dos candidatos a presidente, se eleito forem, correm o risco de não durarem um ano de governo.”

CONDENADO – O ex-presidente da Câmara foi condenado a 15 anos e 4 meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro pelo juiz federal Sérgio Moro, no âmito da Operação Lava Jato. A investigação envolvia contas na Suíça abastecidas por propinas na Petrobrás.

Ele foi preso cerca de um mês após ter seu mandato cassado pela Câmara por quebra do decoro parlamentar. O deputado foi acusado de mentir à CPI da Petrobras ao negar, durante depoimento em março de 2015, ser titular de contas no exterior.

Alckmin quer tirar votos de Bolsonaro, derrotá-lo e enfrentar o PT no segundo turno

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Charge do Veronezi (veronezi.zip.net)

Deu no Correio Braziliense
(Agência Estado)

Candidato do PSDB à Presidência da República, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin divulgou ontem em suas páginas nas redes sociais um vídeo no qual rejeita a possibilidade de aliança com o PT ou com o deputado Jair Bolsonaro (PSL) no segundo turno. Na gravação, Alckmin se refere a ambos como “radicais”.

“Minha aliança é com você. PT e Bolsonaro são dois radicais. O Brasil não precisa de radicalismo, mas de equilíbrio e bom senso Vou governar com você e para você”, disse o candidato tucano no vídeo.

APOIO DO CENTRÃO – Alckmin também defendeu novamente, no mesmo vídeo, a aliança com os partidos do Centrão, motivo pelo qual tem recebido críticas. “Somente com essa força podemos fazer as reformas que o Brasil precisa”. A mensagem foi divulgada após o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso dizer em entrevista à rádio Jovem Pan na quarta-feira que não descarta uma aliança entre PT e PSDB para enfrentar Bolsonaro, caso ele passe para a próxima fase da disputa presidencial. “Espero que o PSDB vá para o segundo turno e acho que o PT espera a mesma coisa, mas, dependendo das circunstâncias, eu não teria nenhuma objeção a isso”, disse FHC

A declaração contrariou a cúpula da campanha de Alckmin e, segundo aliados, motivou a mensagem. Assessores do tucano, porém, dizem que o vídeo já estava gravado e não foi uma resposta ao ex-presidente.

SEGUNDO TURNO – Entre os estrategistas do ex-governador, a avaliação é de que o PT tem uma vaga assegurada no segundo turno da eleição presidencial. Até lá, o principal adversário é Bolsonaro. Pelo plano traçado na campanha tucana, Alckmin será preservado das críticas mais pesadas ao candidato do PSL. As “denúncias” contra Bolsonaro serão feitas em parte das 12 inserções diárias do partido no horário eleitoral de rádio e TV.

O ex-governador ainda não promoveu eventos públicos de campanha e vai fazer no sábado sua primeira viagem oficial, ao Pará. Ele desembarca em Itaituba e de lá vai de carro até Rurópolis e Santarém pela rodovia BR-163. A ideia é aproveitar a viagem para fazer vídeos de campanha mostrando os problemas de infraestrutura da região. Pelo roteiro, Alckmin deve seguir de Santarém para Mato Grosso do Sul, mas esse trecho ainda não foi confirmado.

NO NORDESTE – Na semana que vem, o candidato tucano vai concentrar sua campanha no Nordeste, onde Alckmin apresenta os piores índices de intenção de voto.

Depois disso, a campanha também planeja fazer uma caravana pelo interior de São Paulo junto com o ex-prefeito de São Paulo João Doria, candidato ao governo pelo PSDB. Há também previsão de um evento a ser realizado em São Bernardo do Campo, na região do ABC paulista. A cidade foi berço do PT, mas hoje é governada pelo tucano Orlando Morando. 

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGNote-se que há duas vertentes. A estratégia do PSDB, exposta claramente por FHC, é se unir ao PT no segundo turno, para derrotar Bolsonaro. Mas Alckmin tem outra estratégia. Acha que o PT é que vai ao segundo turno, por isso Alckmin quer enfrentar e vencer Bolsonaro logo no primeiro turno. É claro que não vai dar certo. (C.N.)

Com volta de antigos aliados, Marina Silva recupera sua bandeira ambiental

Charge do Geuvar (Arquivo Google)

Deu no Correio Braziliense
(Agência Estado)

Candidata à Presidência da República pela terceira vez, a ex-ministra Marina Silva (Rede) se reaproximou neste ano de antigos aliados do movimento ambientalista que estiveram ao seu lado nas eleições de 2010, mas se distanciaram em 2014. Segundo lideranças do setor, Marina voltou a colocar em primeiro plano bandeiras ambientais que foram coadjuvantes na campanha de quatro anos atrás, quando presidenciável teve de substituir Eduardo Campos (PSB), morto num acidente aéreo, na reta final da disputa.

“Em 2014 não houve uma aproximação ampla do movimento com Marina devido ao contexto conturbado da eleição. Esse ano, a identidade dela com o movimento está muito maior”, disse o ambientalista Mário Mantovani, diretor da ONG S.O.S. Mata Atlântica.

CONTRA CIRO – A aproximação ganhou impulso após o candidato do PDT, Ciro Gomes, escolher como vice em sua chapa a senadora Kátia Abreu (TO), que foi presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), enquanto o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin chamou para o cargo a senadora Ana Amélia (PP-RS), que é ligada ao agronegócio.

Mantovani afirmou que entre as bandeiras ambientais que ganharam destaque nas falas de Marina neste ano está o combate à chamada “Lei do Veneno” – como é conhecida entre ambientalistas o Projeto de Lei 6299/02, que trata de um pacote de mudanças na fiscalização e controle de agrotóxicos no Brasil.

O projeto, em tramitação na Câmara, garante autonomia ao Ministério da Agricultura para registrar novos agrotóxicos, tirando da Anvisa e do Ibama poder de veto sobre o tema.

ACORDO DE PARIS – A candidata da Rede também se comprometeu com as metas do Acordo de Paris estabelecido em 2015. O documento determina que os 195 países signatários se esforcem para conter o aquecimento global. A indicação do ex-deputado Eduardo Jorge (PV) como vice reforçou ainda mais os laços com os verdes e restabeleceu a aliança de Marina com seu antigo partido, com quem estava rompida desde 2011.

A coordenadora de campanha da Rede, Andrea Gouvea, afirmou que a aproximação é sobretudo programática. “Acolhemos várias propostas dos ambientalistas no programa de governo. Inclusive pautas bastante avançadas, como o desmatamento zero, que não era consenso nem entre nós, e a descarbonização da economia”, afirmou Andrea, numa referência à adoção de políticas para adoção de energia limpa e renovável. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Advogados “inventam” que o Comitê da ONU deu “liminar” pela candidatura de Lula

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Zanin pensa que o Brasil precisará obedecer à ONU

Mônica Bergamo
Folha

A defesa do ex-presidente Lula divulgou nota na manhã desta sexta-feira (dia 17) informando que o Comitê de Direitos Humanos da ONU acolheu um pedido de liminar para que Lula possa concorrer às eleições de 2018.

Segundo os advogados Cristiano Zanin Martins e Valeska Teixeira Martins, o órgão “determinou ao Estado brasileiro que tome todas as medidas necessárias para permitir que o autor [Lula] desfrute e exercite seus direitos políticos da prisão como candidato nas eleições presidenciais de 2018, incluindo o acesso apropriado à imprensa e a membros de seu partido político”.

CANDIDATURA – Afirmou também que é preciso “não impedir” que Lula “concorra nas eleições presidenciais de 2018 até que todos os recursos pendentes de revisão contra sua condenação sejam completados em um procedimento justo e que a condenação seja final”.

Como o Brasil é signatário de pactos internacionais, os advogados entendem que o estado precisa se submeter às decisões do comitê.

A defesa afirma ainda que a decisão reconhece que houve violação do Pacto de Direitos Civis da ONU “e a ocorrência de danos irreparáveis a Lula na tentativa de impedi-lo de concorrer nas eleições presidenciais ou de negar-lhe acesso irrestrito à imprensa ou a membros de sua coligação política durante a campanha”.

SEM OBSTÁCULOS – Eles entendem que, a partir de agora, “nenhum órgão do Estado brasileiro poderá apresentar qualquer obstáculo para que o ex-presidente Lula possa concorrer nas eleições presidenciais de 2018 até a existência de decisão transitada em julgado em um processo justo” e que será “necessário franquear a ele acesso irrestrito à imprensa e aos membros de sua coligação durante a campanha”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A Veja divulga que a decisão do Comitê da ONU foi assinada por dois especialistas da organização, Sarah Cleveland e Olivier de Frouville, ressalvando que “nenhuma decisão foi tomada pelo comitê sobre a substância do tema considerado”. A notificação apenas pede que, para evitar danos maiores que não poderão ser reparados posteriormente, medidas sejam tomadas pelo governo brasileiro. Ou seja, o Comitê não decidiu nada. O que houve é que dois de seus membros fizeram uma recomendação ao governo brasileiro, visando a evitar danos a Lula, caso a decisão final da Justiça brasileira seja favorável a ele, o que é totalmente improvável. Ou seja, a “liminar” não existe, trata-se de um ato apenas simbólico, de quem nada entende de Brasil. Até porque o Comitê nada decide sem ouvir as duas partes e o governo brasileiro não foi ouvido a respeito. (C.N.)

PT planeja acionar de novo o Supremo para suspender a inelegibilidade de Lula

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Charge do Miguel (Jornal do Comercio/PE)

Mônica Bergamo
Folha

O PT planeja acionar também o STF (Supremo Tribunal Federal) nos próximos dias para tentar a suspensão da inelegibilidade de Lula. A defesa já tinha decidido recorrer ao STJ (Superior Tribunal de Justiça). A ideia é dar início ao debate nas cortes superiores para tentar desacelerar a tramitação do julgamento do registro de Lula no TSE (Tribunal Superior Eleitoral): enquanto STF e STJ não derem seu veredicto, Lula não poderia ser retirado da disputa, dizem os petistas.

EM SÉRIE – Diversos recursos devem ser apresentados para retardar o mais possível qualquer decisão definitiva nos dois tribunais. Do outro lado, a PGR (Procuradoria-Geral da República) tentava desde a quinta (16) acelerar o processo.

A estratégia do PT é não apenas ganhar tempo, empurrando a candidatura até o começo da propaganda eleitoral na TV, como mostrar que Lula foi “arrancado da disputa”, nas palavras de um dirigente.

CIRO CAMPEÃO - O trecho do debate dos presidenciáveis na TV Bandeirantes mais visto desde a quinta (9) no YouTube é o que Ciro Gomes, num confronto com Jair Bolsonaro, se dirige aos eleitores e diz: “Eu vou tirar o seu nome do SPC”.

Ele já tinha sido visto por 1,2 milhões de pessoas até a tarde desta quinta-feira (16). E o trecho em que o cabo Daciolo pergunta a Ciro sobre a Ursal ficou em segundo lugar, com 662 mil visitas.

No total, entre a íntegra e trechos destacados, o debate já tinha mais de 7,1 milhões de views. É o evento com o maior número de visualizações simultâneas do YouTube no Brasil.

SORTEIO – A ministra Maria Thereza de Assis Moura foi sorteada para relatar o caso do desembargador Rogério Favretto no STJ. Ela é considerada uma juíza dura, mas ao mesmo tempo garantista, pelos colegas.

A PGR (Procuradoria-Geral da República) pediu investigação contra Favretto, a quem acusa de agir por interesse pessoal ao conceder habeas corpus para soltar Lula, em julho, durante plantão de fim de semana.

“Candidato não pode ser lesma; se for, vira picolé de chuchu”, diz Ciro, ao atacar o PT

Ciro Gomes diz que o plano do SPC é mesmo para valer

Catarina Alencastro, Fernanda Krakovics  e Maiá Menezes
O Globo

Isolado pelo PT na negociação de alianças partidárias, o candidato do PDT à Presidência da República, Ciro Gomes, diz rejeitar o papel de vítima. “Na política não cabe mimimi, choradeira. Guerra é guerra”, afirma em entrevista ao Globo.

Ciro ataca a cúpula do PT, que está “pouco se lixando para a sorte da nação”, mas defende o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva da condenação no processo do tríplex no Guarujá (SP). Para ele, a sentença do juiz Sergio Moro é “inconsistente”.

Embora esteja em visível esforço para combater a fama de pavio curto, o pedetista diz que candidato a presidente não tem que mostrar temperamento de “ameba”. E provoca seu concorrente do PSDB, Geraldo Alckmin: “Se não, vai ser chamado de picolé de chuchu”.

E diz ser factível sua proposta de tirar 63 milhões de devedores do SPC: “Não tenho vocação para ser populista”.

O senhor fez sucessivos ataques ao PT e depois divulgou um artigo dizendo que o partido não é seu inimigo e que Lula foi um bom presidente para muitos. Aonde o senhor quer chegar?
A cúpula do PT é simplesmente desastrada, não tem escrúpulo de nenhuma natureza, está pouco se lixando para a sorte da nação brasileira. Porém, isso não transforma o PT em meu inimigo, porque a cúpula do PT é uma coisa. Por exemplo, eu apoio o PT no Piauí, com o Wellington Dias.

Parece uma estratégia para tentar se descolar do desgaste do PT e do Lula, de quem foi ministro, e, ao mesmo tempo, conquistar parte desse eleitorado.
Você está preconceituosamente querendo me olhar com esse filtro de que eu sou um maquinador. O Lula aumentou o salário mínimo, quando eu fui ministro dele, com muita honra; expandiu o crédito; criou uma rede de proteção social que baniu a fome, que está de volta com o Temer. Agora, o Lula loteou a Petrobras. O Palocci é réu confesso, o Guido Mantega está envolvido com dinheiro em conta em paraíso fiscal. E eu faço o quê? Eu não sou petista, o petismo é que esquece isso, bota para debaixo do tapete, inventa uma conspiração.

O senhor tem feito críticas a supostos excessos do Judiciário. Considera que Lula é inocente?
Eu acho a sentença do Moro injusta.

Por quê?
Porque é inconsistente. No Brasil, eu não conheço nenhum julgamento em que alguém tenha sido condenado por conjunto indiciário, como o Lula foi. No Brasil se exige prova.

O TSE pretende julgar logo o registro de Lula, e Fernando Haddad deve assumir a candidatura.
A mim me surpreende como o Haddad e a Manuela (D’Ávila) se prestam a esse tipo de serviço. Eu falo isso porque eu mesmo fui pressionadíssimo a fazer esse papelão (ser vice do Lula). Ora, se isso der certo. Não dá certo.

Por quê?
Porque nasce daí um presidente desse tamaninho (fazendo gesto com os dedos). Um presidente que parece que vai precisar ir para Curitiba consultar como fazer as confusões e as complexas questões nacionais.

O senhor acabou sendo vítima de um acordo do PT com o PSB que o deixou isolado.
Eu não tenho esse lugar de vítima, sou um velho lutador. Eu tenho escrúpulo, você não vai encontrar uma rasteira (minha) dessa natureza. Na política não cabe mimimi, choradeira. Guerra é guerra. Me escolheram para a guerra nessa fase, eu estou na guerra. Não sou a Marina (Silva), que com todas as suas extraordinárias virtudes, aceitou ser empurrada para a direita. Eu não vou para a direita, vou buscar a liderança do campo progressista de verdade do Brasil.

O senhor já disse que negociou com o centrão porque é candidato a presidente e não a “madre superiora de convento”. O que isso quer dizer?
Eu quero reformar o Brasil, para isso eu preciso ter capacidade de diálogo com diferentes forças. Eu disse para eles na conversa: “Meu programa está aberto para ser discutido com vocês”. Aí vinha reforma trabalhista. Não volto atrás. Revogação do teto (de gastos), não volto atrás. Isso estabelece uma relação para o futuro em que eu lidero, se for o eleito pelo povo, para não ser o que a Dilma foi e o Lula, em certo aspecto, também: testa de ferro desses pilantras que infernizam a vida brasileira. Não deu certo (a aliança com o centrão), mas eu mostrei que tenho capacidade de dialogar e tenho limite de transigência.

O senhor critica a reforma trabalhista. O que vai revogar e o que vai manter?

Atenuar os abusos da Justiça do Trabalho é uma coisa que a minha reforma terá. Trabalho intermitente não é possível ficar como está. Gestante em ambiente insalubre, francamente isso é século 18. Imposto sindical isso não tem nenhum sentido, já conversei com as centrais sindicais. Estou sensível à ideia de trabalhar com eles uma transição. Eles estão me sugerindo, e eu acho razoável, permitir que tenha efeito normativo a convenção coletiva estabelecer a contribuição sindical. E que valha para a categoria inteira.

É possível ser eleito sem contemplar os empresários?
Eu não quero servir a dois senhores. Mas o meu projeto tem o objetivo de conciliar os interesses práticos de quem trabalha com quem produz.

A promessa de limpar o nome de quem está no SPC é factível?
Eu não tenho a menor vocação para ser populista. O Tesouro não vai botar nenhum centavo nisso, é crédito. Banco do Brasil e Caixa Econômica (vão refinanciar). Se os bancos públicos quiserem, eles entram e ganham dinheiro, mediante um pequeno afrouxamento do compulsório. O programa começa com um leilão reverso, quem der o maior desconto entra primeiro. Junto com o Programa Nome Limpo, o cidadão vai receber uma cartilha e vai fazer um rápido treinamento sobre educação financeira. Quem entrar no programa, entra com garantia. Cada cidadão vai ter que arranjar quatro amigos e vão combinar que um suporta a inadimplência do outro, se acontecer.

O senhor tem fama de pavio curto, mas nos últimos dias está parecendo mais tranquilo. Está tentando se controlar?
Dependendo da natureza da provocação eu reajo. Eu tenho que me comportar agora como o futuro presidente do Brasil, que eu quero ser. E o futuro presidente do Brasil não tem que mostrar temperamento de lesma, de ameba. Se não, vai ser chamado de picolé de chuchu.

Sua mulher, Giselle Bezerra, tem acompanhado suas agendas. Qual é o papel dela na sua campanha?
Ela é minha companheira, meu amor, trabalha comigo, vive comigo, me aconselha e tal. Pronto. Vai querer que eu repita aquela bobagem? (de que o papel de sua então mulher Patrícia Pillar, na campanha presidencial de 2002, era dormir com ele). Isso é ridículo, foi há 16 anos. Em tempos de Rodoanel, merenda de escola, cunhado recebendo ou não dinheiro, funcionário fantasma. De mim, o que se recupera é um imponderável temperamento e uma bobagem inominável que eu falei.

O senhor disse que é contra a descriminalização das drogas.
Eu não disse que sou contra, eu disse que não sou candidato a guru de costumes. Esse é um assunto tabu para grupos importantes da sociedade brasileira por quem eu tenho muito respeito.

Mas a questão dos costumes, até pelo posicionamento do primeiro colocado nas pesquisas, Jair Bolsonaro, vem balizando os debates.
A esquerda velha criou e está aperfeiçoando o Bolsonaro, porque ela desconhece a vida real brasileira. Você acha que o (Marcelo) Crivella seria prefeito do Rio de Janeiro se não fosse a estreiteza do PSOL?

Por quê?
A pretexto de ser o déspota esclarecido, ultraesquerda, o intransigente, acaba se descomprometendo com a realidade do povo. Por se achar muito mais inteligente do que todo mundo, muito mais moralista, muito mais danadão, resultado: é o Crivella o prefeito, e não o (Marcelo) Freixo. Você acha que o Crivella se elegeria prefeito de Fortaleza alguma vez na vida? Nem a pau, Juvenal. E o Rio de Janeiro, maior concentração de artistas por quilômetro quadrado, de intelectuais, de engenheiros, uma elite exuberantemente linda, criativa e olha a situação de vocês. Isso por causa do gueto da Zona Sul. Eu vou para as reuniões aqui (no Rio) e as pessoas não querem falar de emprego, de salário. Completamente voando da agenda do povo, querem exigir de mim compromisso de descriminalização de droga, porque “eu gosto de fumar minha maconha’. Nenhum problema, meu patrão, mas eu quero ser presidente do Brasil, e não guru de costumes.

Sua vice, Kátia Abreu, disse ser contra o aborto, inclusive de anencéfalo. Concorda?
Tem muita coisa que não estamos de acordo, por isso a convidei. Eu advogo um projeto de centro-esquerda e ela tem visão diferente da minha em muitos assuntos. Por isso ela é muito útil para nós.

Ela também defende facilitação do porte de armas no campo e o seu programa de governo é contrário.
Eu não refleti especificamente sobre questão rural e urbana. Confesso que quando escrevi aquilo estava pensando mais na questão urbana. Ela me sensibilizou para essa questão, dado que a polícia não tem condição de ostensividade no campo. Mas ainda acho que essa tarefa de garantir a incolumidade das pessoas e do patrimônio é tarefa do Estado e não do exercício individual.

Livro traz registros de sessões espíritas realizadas pelo escritor Victor Hugo

Livro traz registros de sessões espíritas realizadas por Victor Hugo, autor de obras como "Os Miseráveis" Deu na Folha

Lançado pela editora Três Estrelas, selo do Grupo Folha, “O Livro das Mesas” traz textos de Victor Hugo nos quais ele registrou as sessões espíritas que realizou entre 1853 e 1855, em seu exílio no Reino Unido. Conhecido por livros como “Os Miseráveis” e “O Corcunda de Notre Dame”, o escritor francês deixou seu país após o golpe de Estado de Luís Napoleão Bonaparte.

Na obra, o autor conta ter recebido espíritos ilustres como Jesus Cristo, Maomé, Rousseau, Dante, Napoleão e Molière. Nestas sessões, manifestaram-se por meio de diálogos, poemas e até mesmo de uma peça de teatro, mais de uma centena de espíritos.

NA ILHA DE JERSEY – A edição reúne pela primeira vez a maior parte dos escritos da ilha de Jersey, muitos deles inéditos e descobertos recentemente, e retrata os momentos iniciais da história do espiritismo.

As conversas com os espíritos falam sobre a condição humana, o crime e a punição, o sofrimento e a morte, o destino da alma, a vida no além e a importância do amor e do perdão.

Poeta, romancista, ensaísta, dramaturgo e político, Victor Hugo (1802-1885), foi um dos introdutores do Romantismo na França e é considerado um dos maiores escritores de todos os tempos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGAchei o tema interessantíssimo. No Século 19, alvorecer do Espiritismo, um gênio como Victor Hugo a se dedicar à revolucionária religião, com psicografias e tudo o mais, realmente é um lançamento literário diferenciado. (C.N.)

Ministro do TSE nega pedido para Lula participar de debate na ‘RedeTV!’

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Charge do Thiago (Arquivo Google)

André de Souza
O Globo

O ministro substituto do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Sérgio Banhos negou pedido do PT para que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participe do debate da “RedeTV!” entre os candidatos à Presidência da República, previsto para ocorrer na sexta-feira. Condenado na Lava-Jato, Lula está preso em Curitiba. Em razão da condenação, ele também poderá ser barrado pela Lei da Ficha Limpa, mas, por enquanto, seu registro de candidatura ainda não foi analisado.

Sérgio Banhos lembrou que a prisão de Lula foi decidida pela Justiça Federal, que não integra a Justiça Eleitoral. Assim, não cabe a ele permitir que Lula saia da prisão para ir presencialmente ao debate, ou para autorizar a instalação de equipamentos na carceragem da Polícia Federal que tornassem possível a participação por videoconferência. Segundo Banhos, esses pedidos feitos pelo PT, se aceitos, significariam “indevida interferência da Justiça Eleitoral na esfera de competência do juiz da execução da pena”.

VÍDEOS GRAVADOS – O partido tinha pedido ainda, como uma última alternativa, que fossem autorizados vídeos pré-gravados de Lula para levar ao debate. Mas Banhos destacou que isso “seria incompatível até mesmo com a já conhecida dinâmica desses debates”.

Os advogados de Lula alegaram que a condenação dele não é definitiva, uma vez que ainda cabem recursos aos tribunais superiores. Argumentaram também que “Lula goza de todos os direitos inerentes aos candidatos ao cargo de presidente da República, não podendo ser prejudicado no exercício de tais direitos, em razão da execução antecipada da pena, situação excepcional, e que tolhe sua liberdade de ir e vir”.

Em janeiro deste ano, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), com sede em Porto Alegre, condenou Lula a 12 anos e um mês de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no processo do tríplex do Guarujá (SP). Em abril, ele começou a cumprir pena em Curitiba.