A tortura do amor mais puro, na desesperada visão poética de Aluísio de Azevendo

Resultado de imagem para aluisio de azevedoPaulo Peres
Site Poemas & Canções

O diplomata, jornalista, caricaturista, cronista, romancista, contista e poeta maranhense Aluísio Tancredo Belo Gonçalves de Azevedo(1857-1913), no soneto “Pobre Amor”, revela que sofre pelo pecado e pela resistência de sua amada.

POBRE AMOR
Aluísio de Azevedo

Calcula, minha amiga, que tortura!
Amo-te muito e muito, e, todavia,
Preferira morrer a ver-te um dia
Merecer o labéu de esposa impura!

Que te não enterneça esta loucura,
Que não te mova nunca esta agonia,
Que eu muito sofra porque és casta e pura,
Que, se o não foras, quanto eu sofreria!

Ah! Quanto eu sofreria se alegrasses
Com teu beijos de amor, meus lábios tristes,
Com teus beijos de amor, as minhas faces!

Persiste na moral em que persistes.
Ah! Quanto eu sofreria se pecasses,
Mas quanto sofro mais porque resistes!

‘Faremos o que é certo’, diz Barroso, escolhido relator para a candidatura de Lula

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Barroso foi confirmado como relator da candidatura de Lula

José Carlos Werneck

O ministro Luís Roberto Barroso, vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral, declarou nesta quinta-feira que o TSE vai resolver a questão da candidatura de Lula da melhor forma possível. “Faremos o que é certo”, afirmou o magistrado, escolhido como relator da candidatura de Lula.

Logo depois que a equipe de Lula fez o registro da candidatura à Presidência, no início da noite de ontem, os candidatos a deputado federal Kim Kataguiri do DEM de São Paulo, uma das lideranças do Movimento Brasil Livre, e Alexandre Frota, do PSL de São Paulo, protocolaram ações no TSE contestando a candidatura do PT. Os casos foram direcionados ao ministro Admar Gonzaga.

DOIS RELATORES – Até então, o processo do registro de Lula ainda não havia gerado um número para ser distribuído para o relator que deve analisar os documentos e decidir se a candidatura é válida. Logo depois, este processo foi sorteado para o ministro Luís Roberto Barroso.

Os advogados de Lula questionaram a distribuição do registro da candidatura para o ministro Barroso e pediram que a relatoria ficasse com o ministro Admar Gonzaga.

Há no tribunal um entendimento de que as contestações feitas antes do sorteio do relator do registro da candidatura se configuram em uma tentativa de impedir o registro, e não uma contestação de fato, que seria uma ação formal depois da publicação do edital e da definição do ministro responsável pelo caso.

OPINIÕES – Havia quem defendesse que a relatoria deveria ser direcionada a Gonzaga, que já analisava os questionamentos contra Lula.

A contestação feita pela procuradora-geral foi endereçada ao ministro Barroso. De acordo com o TSE, até agora os casos “estão tramitando com relatores diferentes de acordo com o sorteio, uma vez que entraram como processos distintos”. O tribunal informou ainda que “é preciso aguardar os próximos passos para sabermos se serão juntados”.

A decisão sobre a relatoria única foi dada na noite desta quinta-feira pela presidente Rosa Weber, que confirmou o ministro Barroso.  

“Não tem limites a perseguição a este homem”, lamenta Haddad, sobre Lula

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Haddad diz que o procurador quer evitar que ele visite Lula

Sérgio Roxo
O Globo

O candidato a vice na chapa presidencial do PT, Fernando Haddad, rebateu nesta quinta-feira a manifestação do Ministério Público Federal (MPF) a respeito da inclusão de petistas no grupo de defensores de Lula para ter livre acesso ao ex-presidente na carceragem da Polícia Federal do Paraná. No primeiro dia oficial de campanha, Haddad participou de uma sabatina promovida pelo movimento Todos pela Educação. Em seguida, viajou a Curitiba para visitar Lula.

Em documento protocolado na Vara de Execuções Penais, os procuradores dizem que Lula fez da carceragem um comitê e pedem que a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, seja excluída da lista de advogados. Haddad, que também tem autorização para visitar o líder petista como advogado, é citado no documento.

PLANO DE GOVERNO – O candidato a vice, que coordenou a elaboração do plano de governo, criticou o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava-Jato.

— Não sei se o Dallagnol conhece a legislação eleitoral, mas um dos documentos mais importantes do registro é o plano de governo. Eu vou fazer plano de governo sem me reunir com o candidato?

Haddad ainda ironizou as manifestações do MPF sobre o conteúdo das conversas com Lula. — Em primeiro lugar, eles não estão lá para saber do que a gente trata ou tem escuta? Não, né?

IMPUGNAÇÃO – Questionado sobre o pedido de impugnação da candidatura de Lula apresentado pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge, três horas após o registro, Haddad revelou que o PT pretende ir ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) pedir a suspensão da inelegibilidade do ex-presidente.

– Eu entendo que a Justiça Eleitoral não poderia se manifestar antes do STJ. Se nós estamos ingressando pela Lei da Ficha Limpa com um recurso liminar ao STJ para suspender os efeitos da condenação em segunda instância, como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), vai se manifestar antes? Parece que não tem fim a perseguição a esse homem.

SISTEMA S – Na sabatina, Haddad criticou o sistema S, grupo de entidades que usa recursos descontado da folha de pagamento das empresas para gerir educação profissional, e disse que num eventual novo governo petista os R$ 16 bilhões arrecadados por ano dessa forma terão ser usados para bancar outras escolas também.

– O sistema S se apropria de dinheiro público e trata como se fosse privado. A começar que eles não reconhecem a natureza pública do recurso que eles gerem.

Nesta sexta-feira, Haddad deve viajar ao Piauí para uma agenda de campanha com o governador local, Wellington Dias (PT), candidato à reeleição. Na semana que vem, está previsto um giro de quatro dias pela região.

Alckmin poderá ser processado por improbidade antes mesmo do primeiro turno

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Em plena eleição, Alckmin está sendo acusado de improbidade

Julia Duailibi
G1 Brasília

O candidato do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin, pode ser alvo de duas ações do Ministério Público de São Paulo ainda antes do primeiro turno da eleição, dia 7 de outubro. Essa é a avaliação que se faz nos corredores do MP, órgão estadual responsável pelas investigações sobre improbidade administrativa envolvendo o tucano. Alckmin depôs na quarta-feira (15) por quase duas horas na investigação, que tem como origem as delações da Odebrecht, segundo as quais as campanhas do tucano de 2010 e 2014 teriam recebido R$ 10,3 milhões de reais de caixa 2 da empreiteira.

Os promotores querem saber se ele cometeu ato de improbidade administrativa, incorrendo em enriquecimento ilícito (auferir qualquer tipo de vantagem patrimonial indevida em razão do exercício do cargo).

DUAS AÇÕES – O Ministério Público deve dividir o caso em duas ações distintas: uma contendo os eventos envolvendo a eleição de 2010, quando R$ 2 milhões teriam sido repassados por meio de caixa 2, e outra abordando a disputa de 2014, época em que os repasses teriam atingido R$ 8,3 milhões. Em ambos os casos, Alckmin disputou o governo paulista e foi eleito. Para Alckmin se tornar réu no caso, a Justiça teria de aceitar as ações propostas pelo MP.

Mesmo depois de ingressar em juízo com as duas ações, o MP pode manter os inquéritos abertos para que as investigações sejam complementadas. Os promotores solicitaram as prestações de contas completas das duas eleições, que já foram enviadas ao órgão na terça-feira (14) – há ainda outro procedimento contra Alckmin na Justiça Eleitoral para apurar, especificamente, a suspeita de caixa 2.

As investigações originárias das delações da Odebrecht estavam no STJ (Superior Tribunal de Justiça), mas foram enviadas ao Ministério Público Eleitoral após Alckmin perder o foro privilegiado, em abril, quando renunciou ao cargo de governador de São Paulo para disputar a Presidência.

IMPROBIDADE – O  Ministério Público do Estado acabou abrindo, então, o procedimento para investigar a possibilidade de ato de improbidade. Procurado, o MP não quis se pronunciar e disse que as investigações, sob a condução do promotor Ricardo Manuel Castro, estão sob sigilo.

O advogado de Alckmin, José Eduardo Alckmin, disse ontem, na porta do Ministério Público, que pode solicitar o trancamento do próprio inquérito por meio de um recurso ao Tribunal de Justiça. Ele avaliou que as provas colhidas até agora são “insubsistentes”. Alckmin nega qualquer irregularidade cometida na sua campanha.

A punição para o ato improbidade administrativa é mais leve que as decorrentes da esfera criminal, onde são julgados corrupção ou lavagem de dinheiro, crimes que preveem prisão. O condenado por improbidade pode sofrer perda da função pública, suspensão dos direitos políticos e multa.

Haddad e Manuela saem em campanha para denunciar a “perseguição a Lula”

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A campanha de Haddad e Manuela começa pelo Nordeste

Catarina Alencastro
O Globo

No dia em que registrou a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Palácio do Planalto tendo Fernando Haddad como vice, o PT decidiu botar “o bloco na rua”. Ao lado da deputada estadual Manuela D’Ávila (PCdoB), Haddad percorrerá 120 cidades até o dia da eleição, marcada para 7 de outubro. A campanha petista começará na próxima terça-feira pelo Nordeste. Segundo Haddad, como Lula está preso, ele precisa ter um porta-voz levando a todo o Brasil o seu plano de governo.

— O presidente Lula já disse de viva voz: o Haddad é o meu vice e a minha voz enquanto eu permanecer aqui, porque ele precisa de alguém que expresse seu plano de governo — afirmou.

POUCO CONHECIDO – Após uma reunião com governadores do PT, a presidente da sigla, Gleisi Hoffmann, disse que o partido nunca pensou em esconder Haddad. Havia dúvidas em setores da sigla sobre a melhor estratégia que o partido deveria seguir, já que Lula lidera as pesquisas de intenções de voto, e Haddad é pouco conhecido no país. O roteiro de viagens começará pelo Piauí, segundo o próprio governador do estado, Wellington Dias.

— Jamais tivemos uma discussão de esconder Haddad ou Manuela, seria um equívoco. Ninguém faz política se escondendo. Isso está superado, estamos registrando a candidatura e vamos levar a mensagem de Lula para as ruas — disse Gleisi.

— Nós vamos ganhar a eleição, e o prazo é curto. São sete semanas, só, e quem quer ganhar a eleição tem que começar logo a pedir voto. Quem decide a eleição é a população, então o Haddad tem que ir onde o povo está — emendou o governador da Bahia, Rui Costa.

DIZ WAGNER – O ex-governador da Bahia e ex-ministro da Casa Civil de Dilma Rousseff, Jaques Wagner, também participou da reunião. Ele disse que ninguém é capaz de fazer sombra a Lula, portanto, não haverá confusão entre os eleitores sobre uma chapa que tem como titular o ex-presidente e será representada por seu vice, Fernando Haddad, e por Manuela D’Ávila, que já está pronta para assumir o posto de vice, caso a candidatura de Lula seja negada pela Justiça. Neste caso, Haddad assumiria a cabeça de chapa.

— Minha torcida absoluta é para que consiga o registro dele (Lula). Se não conseguir, me parece que o jogo está jogado. Se alguém interditar, o natural é Haddad assumir — disse Jaques. — Resolvemos apressar a circulação da chapa. A partir do registro, ele já pode rodar o Brasil apresentando o programa de governo enquanto a gente aguarda o que a Justiça vai decidir. É botar o bloco na rua — concluiu.

LULA E MORO – Na entrevista coletiva após a reunião com governadores, Haddad e Gleisi criticaram a decisão do juiz Sergio Moro de adiar para depois das eleições o depoimento de Lula sobre o sítio de Atibaia. Haddad disse ser “curioso” o fato de o magistrado ter tomado a providência para atrasar a oportunidade de o ex-presidente se defender.

— É curioso que justamente na oportunidade de se defender é cassado o direito dele de falar. Deveriam ter adiado outros depoimentos, agora justamente na hora da defesa? — questionou Haddad.

— O juiz Moro não quer a exposição eleitoral. O que vem da vara de Curitiba é um absurdo. Politizou o processo até agora, agora ele vem dizer que é questão política? O que vemos com Lula é uma exceção completa — afirmou Gleisi.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Agora, o PT entra em nova fase, a do “jus sperniandi”. A campanha de Haddad e Manuela será toda feita em cima da tese da “perseguição política” a Lula, e vai dar uma confusão danada. Muitos eleitores vão julgar que Lula será candidato, mas o nome dele não constará na lista de presidenciáveis da urna eletrônica. Os semianalfabetos, que formam grande parte do eleitorado de Lula, desta vez terão dificuldades ainda maiores na hora de votar. (C.N.)

O relator (Barroso) pode levar o caso de Lula ao plenário na terça-feira

Barroso, o relator, vai imprimir com celeridade ao processo

Rafael Moraes Moura e Amanda Pupo
Estadão

O relator do processo da candidatura de Lula no Tribunal Superior Eleitoral,  vice-presidente Luís Roberto Barroso  não deve decidir monocraticamente (individualmente) sobre o pedido de registro do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo o Estadão/Broadcast apurou. De acordo com interlocutores do ministro, a questão é institucionalmente relevante e deve ser submetida à análise do plenário o mais rápido possível.

Barroso foi sorteado na noite desta quarta-feira, 15, para ser o relator do registro de Lula na Corte Eleitoral, mas a defesa do PT entrou com um pedido para que a causa seja entregue ao ministro Admar Gonzaga, que já relatou processos de Lula. Mas a presidente Rosa Weber preferiu indicar Barroso. 

SOLUÇÃO RÁPIDA – Conforme o calendário eleitoral, o TSE tem até 17 de setembro para julgar os registros de candidatura, mas integrantes do tribunal defendem uma solução rápida sobre a situação de Lula.

O PT joga com o tempo e avalia uma ofensiva jurídica simultânea no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e no Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar afastar a inelegibilidade de Lula – preso e condenado na Lava Jato – durante a tramitação do pedido formal de candidatura no TSE.

Em tese, ministros do TSE admitiam que seria possível uma decisão de “ofício”, ou seja, sem provocação do Ministério Público ou de outros partidos e candidatos, para rejeitar uma candidatura. Mas logo surgiram duas impugnações e o parecer da Procuradoria.

IMPUGNAÇÃO – Logo depois de ser protocolada no TSE, a candidatura do ex-presidente se tornou alvo de dois pedidos de impugnação protocolados no tribunal.

O candidato a deputado federal Alexandre Frota (PSL-SP) entrou nesta quarta com uma ação na Corte para barrar o registro de candidatura de Lula. O pedido foi distribuído originalmente ao ministro Tarcisio Vieira de Carvalho, mas acabou redirecionado a Admar Gonzaga.

O também candidato a deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP), líder do Movimento Brasil Livre (MBL), também entrou com uma ação para barrar o registro de candidatura do ex-presidente. Kataguiri pede que o TSE conheça de ofício, ou seja, sem provocação, a inelegibilidade de Lula, negando o registro de candidatura e o impedindo de praticar atos de campanha.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Como sempre, a esculhambação continua. Neste caso, o PT tem razão. Se o ministro Luís Roberto Barroso foi escolhido relator, por que a impugnação feita por Alexandre Frota foi distribuída para Admar Gonzaga? Haveria, assim, dois relatores, tipo na história de Dona Flor, criada por Jorge Amado. Mas a presidente Rosa Weber desempatou o jogo, deixando Barroso como relator da candidatura de Lula. (C.N.)

Barroso devolve processo e Rosa Weber decidirá quem será o relator do caso Lula

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Barroso era o relator e atendeu o pedido da defesa de Lula

Deu em O Globo  

O ministro Luís Roberto Barroso enviou para a presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) , ministra Rosa Weber, o processo do registro de candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O petista havia recorrido nesta quarta-feira à noite alegando que o caso deveria ficar com outro relator, o ministro Admar Gonzaga, responsável pela análise de pedidos de impugnação da candidatura do ex-presidente apresentados pelo MBL e pelo candidato João Amoêdo, do Novo.

Em despacho, Barroso fez referência ao pedido da defesa de Lula para que Rosa decida quem deve cuidar do caso. No entanto, ele não citou o pedido da Procuradoria-Geral da República pela impugnação da candidatura de Lula.

PARECER – A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, entrou nesta quinta-feira com um novo recurso no TSE para acelerar a análise do registro da candidatura do ex-presidente. A procuradora explica que o pedido de impugnação foi protocolado ontem às 20h48, por decorrência da inelegibilidade. Logo depois, às 21h23, a defesa de Lula apresentou recurso questionando o critério de distribuição do processo.

A defesa de Lula alegou que, como os pedidos de impugnação de sua candidatura protocolados antes do registro foram distribuídos por sorteio para o ministro Admar Gonzaga, caberia a ele ser o relator do caso.

Dodge pede que Lula seja considerado notificado já que “teve ciência” do pedido, passando a contar o prazo para que a defesa se manifeste sobre o questionamento de impugnação.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
O pedido da defesa de Lula é só para retardar a impugnação, mas pode acontecer o contrário. Foi justamente o ministro Admar Gonzaga que levantou a tese de que a candidatura de Lula pode ser impugnada “de ofício” pelo próprio relator. (C.N.)

 

 

O que querem as mulheres, mais propensas a votar branco e nulo do que os homens?

ario

Charge do Arionauro (arionaurocartuns.com.br)

José Casado
O Globo

São 77,3 milhões e têm poder decisivo nas urnas, com maioria (52,5%) dos votos. É essencial prestar atenção ao que pensam e dizem sobre eleições, candidatos à Presidência e o futuro governo. Pistas surgiram na semana passada, em atualização semestral da série Retratos da Sociedade Brasileira, pesquisa realizada pelo Ibope e Confederação Nacional da Indústria.

As mulheres (71%) se dizem céticas, mais pessimistas, mais indecisas e mais propensas a anular ou votar em branco do que os homens. Entre eles, essa proporção é bem inferior (64%), embora significativa.

LAVA JATO – Pode-se atribuir essa repulsão generalizada, com forte tom feminino, às circunstâncias de uma eleição sob o estigma das revelações da Operação Lava-Jato (corrupção transparece como principal motivo para ausência, voto nulo ou branco.)

Com os descontos, sobram percepções básicas sobre o país que as mulheres querem. Elas repisaram tudo aquilo que haviam indicado seis meses atrás na mesma pesquisa.

As preocupações se distinguem, por exemplo, naquilo que o próximo presidente deveria estabelecer como prioridade de governo. Metade das mulheres aponta mudanças sociais para redução das desigualdades sociais, como a melhoria dos serviços estatais de saúde, educação e segurança. Homens acham que deveria ser prioritária a moralização da administração, com ênfase no combate à corrupção e na punição dos corruptos.

DESEMPREGO – Seis em cada dez mulheres veem no desemprego o principal problema. Já entre homens a maior inquietação (59%) é com a corrupção.

Instigadas a relacionar três prioridades de governo, a maioria (51%) foi incisiva: saúde. Atribuem às deficiências nos serviços de saúde uma precedência isolada (41%).

No mundo masculino as preferências se dividem entre redução de impostos (33%), controle da inflação (32%) e melhorias na saúde (32%).

Portanto, quem sai de casa para caçar votos não deveria esquecer: urna é substantivo feminino.

Defesa de Lula vai requerer ao STJ a suspensão da inelegibilidade do petista

Charge do Kleber Sales (Estadão)

Mônica Bergamo
Folha

​A defesa de Lula deve entrar ainda nesta quinta-feira (dia 16) com um pedido no STJ (Superior Tribunal de Justiça) para que a corte suspenda a inelegibilidade do ex-presidente. A ideia é travar duas batalhas jurídicas paralelas: no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que na quarta-feira (dia 15) recebeu o registro da candidatura, e agora no STJ.

Os advogados tentarão usar o argumento de que a corte eleitoral não pode impugnar o registro de Lula antes que o Superior Tribunal de Justiça decida se ele é ou não inelegível.

PRECEDENTE – Um dos exemplos que devem ser citados no pedido é o do deputado federal João Rodrigues (PSD-SC). Cumprindo pena de prisão em regime semiaberto em Brasília, ele obteve liminar do STJ que suspende sua inelegibilidade e permite que ele concorra à reeleição em liberdade.

Na decisão, o ministro Rogerio Schietti Cruz diz que houve prescrição da pena e invocou o “iminente e irreversível risco” de natureza eleitoral para Rodrigues.

BARROSO, DISCRETO – O ministro Luís Roberto Barroso, que assumiu na terça-feira (dia 14) a vice-presidência do TSE e será relator do processo de Lula, diz que a presidente da corte, Rosa Weber, “é uma pessoa íntegra, preparada e de opiniões próprias. Ninguém vai me ouvir falar em nome do TSE, a não ser a pedido dela mesma”.

A extrema discrição da ministra gerou a expectativa de que Barroso acabaria se transformando na voz do tribunal durante a gestão dela —hipótese que ele afasta.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A tese da defesa de Lula é teratológica, como dizem os advogados. Eles estão no tribunal errado. Pedir que o TSE não se decida antes de o STJ se manifestar é inverter a ordem das coisas. O único pedido racional que a defesa poderia já ter feito há tempos era solicitar que o STJ decidisse logo o recurso, porque Lula quer ser candidato. Como se sabe, os processos que envolvem questões eleitorais têm prioridade jurídica em todos os tribunais na proximidade das eleições. (C.N.)

Bolsonaro não acredita que Lula consiga transferir todos os votos para Haddad

Bolsonaro

Bolsonaro diz que não é político: “Sou do baíxissimo clero” 

Deu em O Tempo
(Estadão Conteúdo)

O candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro (PSL), disse apostar que o eleitorado do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai se diluir para outros candidatos na eleição presidencial. Ele ressaltou que não acredita em uma elevada transferência de votos para o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT), possível substituto do petista na disputa.

“Você votaria em um candidato que não respeita a lei? Acho que não, né”?, declarou Bolsonaro, após participar de encontro com pastores e outras lideranças religiosas em Belo Horizonte. “Transfere sim (para Haddad), mas não tanto quanto acha que pode”.

MENOS PT – “Tem um negócio: você vai ao Nordeste, tem muito mais Lula do que PT. Com o Lula fora de combate pela Lei da Ficha Limpa, que nasceu no governo do PT, iniciativa popular no governo deles, esse voto dilui. Não interessa se é mais para mim ou para outro”, disse o presidenciável.

Bolsonaro espera que parte do eleitorado de Lula “olhe” para ele. “Voto não é propriedade de ninguém. Voto é questão de consciência. E com Lula fora de combate, muita gente vai olhar pra mim.”

Perguntado sobre as estratégias de campanha, o candidato do PSL declarou que não vai se “violentar” para ter simpatia. “Hoje com as mídias sociais tem como saber se aquela pessoa está mentindo ou não. Se está se comportando como um Papai Noel na campanha para depois virar Pinóquio.”

BAIXÍSSIMO CLERO – Na entrevista, ele procurou se descolar da imagem de político. “Sou o que sou. Não sou nada na política. Sempre fui do baixíssimo clero. Comecei a rodar o Brasil há quatro anos. Já tinha uma vivência por ser capitão do Exército”, comentou.

Sobre propostas de governo, Bolsonaro disse que apenas um terço dos beneficiários do Bolsa Família deveriam permanecer no programa. O restante, segundo o candidato, é formado por fraudes e pessoas que deveriam ter emprego criado pelo governo. Em relação aos que permaneceriam, Bolsonaro disse que seria “desumanidade” retirá-los do programa.

Do total de fraudes, que conforme o candidato é de um terço, o número foi projetado por Bolsonaro a partir de dados citados por um ex-prefeito de Marau, no Rio Grande do Sul. “Sei que é apenas uma cidade. Seria melhor consultar mais prefeitos. Mas a dele deu uma fotografia 3×4 não colorida.”

Se Lula gastar recursos de campanha na pseudo candidatura, terá de devolvê-los

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Raquel Dodge diz que inelegível não pode fazer campanha

José Carlos Werneck

Ao apresentar, na noite de quarta-feira, o pedido de impugnação da candidatura de Lula no Tribunal Superior Eleitoral, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, advertiu que  o candidato do PT é inelegível, em virtude de sua condenação em segunda instância no caso do triplex do Guarujá.

“Deve decorrer a rejeição liminar do requerimento, sem qualquer outro efeito jurídico que habilite o impugnado a ser considerado candidato sub judice ou a pretender o financiamento de sua candidatura com recursos públicos, que são destinados apenas a financiar campanhas dos elegíveis” entende Raquel Dodge. Se Lula usar recursos de a Procuradoria exigirá ressarcimento aos cofres públicos.

RELATOR – O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal e vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral, foi escolhido relator do pedido de registro de candidatura de Lula à presidência da República. Ele é, também, o ministro-relator dos pedidos de Marina Silva, da Rede, Vera Lúcia, do PSTU, e Eymael, do PSDC.

Lula do PT foi o último a solicitar o pedido e já teve o registro contestado pelo Movimento Brasil Livre (MBL) e pelo candidato João Amoêdo, do Novo, com base na Lei da Ficha Limpa, que proíbe condenados por órgãos colegiados de se candidatarem a cargos eletivos.

O prazo para apresentação dos pedidos de candidatura terminou às 19h desta quarta-feira. Caso a candidatura seja negada, o PT tem até o dia 17 de setembro para trocar os nomes da chapa concorrente.

Ciro foi bombardeado durante 48 horas por convites do PT para ser vice 

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Ciro diz que convite era uma jogada para tirá-lo da eleição

Mateus Fagundes
Estadão

Em entrevista na Redação da Carta Capital, o presidenciável do PDT, Ciro Gomes, admitiu que o PT o convidou para ser vice na chapa liderada pela sigla nas eleições 2018 dias depois da formalização da candidatura dele ao Planalto. “Mesmo depois de o PDT ter homologado a minha candidatura, o PT me bombardeou por 48 horas com convites para ser vice. Considerei um insulto”, afirmou Ciro em entrevista à revista Carta Capital. “Só por jogada fui cogitado como vice.”

Apesar da crítica ao PT, o partido foi lembrado por Ciro Gomes como “adversário, não inimigo” e Lula como “velho companheiro

NEGOCIAÇÕES – O PDT formalizou a escolha de Ciro como candidato em 20 de julho, sem a escolha do candidato a vice. Àquela altura, o ex-ministro estava em negociação com o PSB para a composição da chapa. No final do mês, porém, a cúpula pessebista acertou com o PT um acordo por neutralidade no âmbito nacional, em tentativa de isolar o pedetista no campo da centro-esquerda e em troca da retirada das candidaturas de Marcio Lacerda (PSB) ao governo de Minas Gerais e de Marília Arraes (PT) ao comando de Pernambuco.

Em 5 de agosto, Ciro escolheu a correligionária Kátia Abreu, senadora por Tocantins, para a vaga de vice. A chapa pedetista só teve a adesão de um partido, o nanico Avante.

FRAUDE DE LULA – Desde então, a manobra petista tem sido reiteradas vezes criticada por Ciro. À Carta Capital, o pedetista repetiu que a cúpula do PT “armou fraude” em torno da candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso na Operação Lava Jato.

“Todo mundo minimamente bem informado sabe que Lula não será candidato, menos o nosso povo. O que está havendo é uma escalada de fraude da cúpula petista, que usa da boa-fé da população que quer votar no Lula”, afirmou Ciro.

Apesar da crítica ao PT, o partido foi lembrado como “adversário, não inimigo” e Lula como “velho companheiro”. “Não vou votar na direita, não vou fazer como a Marina (Silva), que o PT empurrou para a direita”, ressaltou.

A íntegra da entrevista de Ciro Gomes será publicada na versão impressa da Carta Capital.

Raquel Dodge se adiantou e pediu logo que o TSE rejeite a candidatura de Lula

Raquel Dodge tinha redigido o parecer por antecedência

André de Souza
O Globo

Mesmo antes do prazo previsto, a procuradora-geral da República e procuradora-geral eleitoral, Raquel Dodge, contestou na noite desta quarta-feira o pedido do registro de candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ela, o petista deve ser barrado pela Lei da Ficha Limpa. O pedido foi encaminhado ao relator do registro de candidatura no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ministro Luís Roberto Barroso.

Lula foi condenado na Lava-Jato por órgão colegiado, o que permite seu enquadramento na lei. Em janeiro deste ano, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), com sede em Porto Alegre, aplicou-lhe uma pena de 12 anos e um mês de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no processo do tríplex do Guarujá (SP). Lula está preso atualmente em Curitiba.

POR OITO ANOS – “No caso em exame, o início de cumprimento da pena é recente e não se exauriu. Por isso, o prazo de inelegibilidade por oito anos após o cumprimento da pena ainda não começou a fluir”, disse Dodge.

A procuradora também alegou que ele não pode manter sua candidatura enquanto não há uma análise definitiva do registro pelo TSE, uma vez que a campanha será financiada por recursos públicos. Para Dodge, o dinheiro deve ser destinado a quem é elegível. Ela também pediu que seja anexado ao processo a certidão da condenação no TRF-4.

Mais cedo, o PT protocolou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o pedido de registro de candidatura de Lula à Presidência da República. Fernando Haddad, indicado como vice, Manuela D’Avila, do PCdoB, a ex-presidente Dilma Rousseff e a presidente da legenda, Gleisi Hoffmann, estiveram na Corte para deixar a documentação e fazer um gesto em defesa do ex-presidente.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como se vê, está prevalecendo a previsão em lei do que é público e notório. O relator terá de rejeitar o registro logo de cara e apresentar o parecer logo na primeira reunião do plenário do TSE, que será na próxima terça-feira, dia 21, às 19 horas. Lula já pode dizer adeus às ilusões, como no clássico de Vincente Minelli, e Haddad vai logo entrar em campo, junto com Manuela D’Avila. Quanto ao PT, só resta o “jus sperniandi”. A senadora e presidente do PT Gleisi Hoffmann imediatamente tuitou: “Se pra barrar a candidatura de Lula fosse corrida dos 100m e 200m rasos, Raquel Dodge a essa altura já teria quebrado todos os recordes do velocista Usain Bolt. Mas de rasa mesmo só a conduta arbitrária de quem está a serviço do golpe. Lamentável!”  (C.N.)

O pesadelo de recuperar a juventude, na visão poética de Alphonsus de Guimaraens

Resultado de imagem para alphonsus de guimaraensPaulo Peres
Site Poemas & Canções

O poeta mineiro Alphonsus de Guimaraens, pseudônimo de Afonso Henrique da Costa Guimarães (1870-1921), no soneto “Como Se Moço e Não Bem Velho Eu Fosse”, sente que algo novo aconteceu para alegrar a sua vida, mas, infelizmente, não passou de um sonho.

COMO SE MOÇO E NÃO BEM VELHO EU FOSSE
Alphonsus de Guimaraens

Como se moço e não bem velho eu fosse,
Uma nova ilusão veio animar-me,
Na minh’alma floriu um novo carme,
O meu ser para o céu alcandorou-se.

Ouvi gritos em mim como um alarme.
E o meu olhar, outrora suave e doce,
Nas ânsias de escalar o azul, tornou-se
Todo em raios, que vinham desolar-me.

Vi-me no cimo eterno da montanha
Tentando unir ao peito a luz dos círios
Que brilhavam na paz da noite estranha.

Acordei do áureo sonho em sobressalto;
Do céu tombei ao caos dos meus martírios,
Sem saber para que subi tão alto…

TSE vai definir situação de Lula antes de começar a campanha no rádio e TV

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Raquel Dodge vai apresentar o parecer na “hora certa”

Carolina Brígido
O Globo

Ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estão empenhados em definir ainda em agosto a situação da candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT. O objetivo é evitar que o horário eleitoral gratuito no rádio e na TV, que começa no dia 31 deste mês, tenha início com o quadro de candidatos indefinido. A tendência da Corte é negar o registro. No entanto, existe uma série de prazos na lei a serem cumpridos em caso de alguém contestar a candidatura. Por isso, os ministros estão dispostos a dar prioridade ao caso.

Para eles, o processo eleitoral ficará conturbado se o petista aparecer no rádio e na TV pedindo votos, já que ao final ele será impedido de disputar a Presidência da República.

FICHA LIMPA – Lula foi condenado na Lava-Jato pelo Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região. Pela Lei da Ficha Limpa, condenados por um tribunal de segunda instância não podem se candidatar. Esse entendimento é cristalizado na Justiça Eleitoral e também no Supremo Tribunal Federal (STF), onde ele poderia apresentar recurso da negativa do registro.

Outro ministro do TSE, que preferiu não se identificar, disse que, apesar de haver a possibilidade de a decisão ser imediata e monocrática (de apenas um ministro) sobre o registro, é preferível seguir os ritos da lei. Para esse ministro, o ideal é o relator aguardar o prazo para saber se haverá contestação e, mesmo sem o recurso, levar o pedido de registro para o plenário do tribunal. Nesse caso, a decisão seria conjunta, em votação, com a presença dos sete ministros da corte.

NA ÚLTIMA HORA – Os partidos tinham até o início da noite desta quarta-feira para pedir o registro de seus candidatos no TSE. Não foi por acaso que Lula escolheu deixar para a última hora. É hoje também o último dia de Luiz Fux como ministro da Corte. Fux tem dito em público que candidatos com a ficha suja são “irregistráveis”. Para ele, é o caso de negar esse tipo de pedido imediatamente, sem a necessidade de passar pelo plenário do TSE. Sem a presença de Fux entre os ministros sorteados para a relatoria do registro, o PT poderia evitar que uma “canetada” aniquilasse a candidatura de Lula.

Depois do registro de candidatura, a Secretaria Judiciária publica edital com todos os pedidos no Diário da Justiça Eletrônica. Com o edital publicado, qualquer candidato, partido, coligação ou o Ministério Público Eleitoral pode contestar o registro de candidatura em até cinco dias. Caso haja alguma falha ou ausência de documento nesses pedidos, serão dados mais três dias para resolver o problema.

NA HORA CERTA – Questionada se vai esperar a publicação do edital para contestar, ou se vai fazer isso a partir da apresentação dos pedidos de registro de candidatura, a procuradora-geral eleitoral, Raquel Dodge, foi vaga. “Na hora certa” — respondeu.

Passado o prazo de contestação, o pedido de registro é encaminhado para o relator no TSE. Depois de ser notificado, o candidato tem sete dias para se manifestar sobre o questionamento e contestar, indicando testemunhas. Abre-se, então, prazo de quatro dias para que as testemunhas indicadas sejam ouvidas. O TSE pode não conceder esse prazo se considerar que não há necessidade dos depoimentos para julgar a candidatura.

COLETA DE PROVAS  – A lei também prevê prazo de cinco dias para coleta de provas, mas essa etapa também pode ser excluída do processo se o ministro entender que não há necessidade. Depois há prazo de cinco dias para apresentação das alegações finais de quem questionou a candidatura e do candidato. Depois disso, o tribunal pode julgar o pedido de candidatura na sessão seguinte.

Se não houver contestação à candidatura, o próprio relator pode, sozinho, aceitar ou rejeitar o registro. Ou pode elaborar seu voto e levar para o julgamento no plenário do TSE. Por lei, todos os pedidos de registro de candidatos, inclusive os contestados, devem ser analisados até 20 dias antes da eleição – ou seja, em 17 de setembro.

Esse também é o prazo para definir o nome dos candidatos que constarão da urna. O candidato pode recorrer ao STF. Mas só a apresentação do recurso não muda a decisão do TSE, que já começa a ser aplicada. Se quiser concorrer, o candidato então precisará conseguir uma liminar do STF.

Bolsonaro se diz ameaçado de morte em “nível máximo” e só anda com escolta

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Bolsonaro está sendo protegido por agentes da Polícia Federal

Juliana Cipriani
Estado de Minas

Na véspera do início da campanha eleitoral oficial, o candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou que anda com escolta de policiais federais até para ir na padaria por correr risco de morte no “nível máximo”. Mesmo assim, em meio ao relato da possível ameaça, demonstrou bom humor depois de participar de um encontro com pastores evangélicos em um hotel de Belo Horizonte, que foi fechado para a imprensa.

Autor de diversas polêmicas por causa de suas declarações, o presidenciável afirmou que vai dar uma “seguradinha” no período em que tenta chegar ao Palácio do Planalto.

SOB PROTEÇÃO – Bolsonaro disse que o carro que o conduziu ao local é da Polícia Federal e que está usando porque é lei. “Determinaram e eu, como bom capitão do Exército, cumpro. Vou na padaria com eles, porque, segundo um estudo que fizeram de um possível risco de morte aqui, o nível máximo sou eu”, afirmou.

O candidato afirmou não precisar de palanque para fazer campanha, por ser ‘notícia’, e brincou com os 15 segundos que terá no horário eleitoral de rádio e televisão. Tinha 8 segundos e passei a ter 15, era meio Enéias e passei a ser um. Já dá para dar um recado legal”.

NOVAS PIADAS  – O candidato, que tem passado as últimas semanas dizendo que frases polêmicas pelas quais foi acusado de racismo e incitação ao estupro eram brincadeira, admitiu que vai mudar o tom dos discursos. Bolsonaro repetiu que vai dar uma ‘seguradinha’, mas que não vai “perder a alegria de contar piada”.

Questionado se adotaria o estilo paz e amor, usado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na primeira eleição em que o petista chegou ao Planalto, Bolsonaro negou. “Não é paz e amor, vou continuar fazendo a mesma coisa, talvez polindo um pouco mais uma palavra ou outra.”

 Ainda sobre a campanha, Bolsonaro afirmou que o ex-presidente Lula, que está em primeiro lugar nas pesquisas, não é capaz de transferir tantos votos quanto pensa. Os petistas esperam que ele possa transferir o potencial para o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddaad (PT), que vai assumir seu lugar se ele for impedido de concorrer.

CONSCIÊNCIA – “Voto não é propriedade de ninguém, é uma questão de consciência. Com Lula fora de combate muitos vão olhar para mim”, disse. O presidenciável acredita que a preferência pelo petista se diluirá.

Bolsonaro falou mais uma vez sobre a demissão da funcionária Walderice Santos da Conceição, que se desligou de sua equipe sob acusação de ser fantasma e vender açaí em Angra dos Reis enquanto deveria estar prestando serviços ao deputado como contratada da Câmara.

 “Ela pediu demissão chorando e foi muito chato isso aí, mas podem ter certeza que vou arranjar algo não só para ela sendo presidente, vou arranjar para milhões de brasileiros”, disse. Bolsonaro voltou a negar que a funcionária fosse fantasma e se referiu ao episódio como um “tremendo furo” que descobriram dele.

O PROGRAMA – Bolsonaro também comentou alguns pontos do programa de governo que entregou ao Tribunal Superior Eleitoral. O candidato disse que vai desburocratizar o país e desregulamentar muita coisa. “Abrir uma empresa leva 90 dias. No meu entender não tem que levar mais do que 10, que é a média mundial”.

Ele também reafirmou que vai manter o Bolsa Família, mas tirando a maioria dos atendidos que, para ele, estão no programa por fraude.

Questionada sobre o risco de morte do candidato Jair Bolsonaro, a Superintendência de Polícia Federal respondeu apenas que “conforme previsão legal, a PF atua na segurança dos candidatos à presidência, com o objetivo de viabilizar o exercício democrático da escolha do novo chefe do executivo”.

No caso do registro da candidatura de Lula, a Justiça Eleitoral só precisa cumprir a Lei

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Charge do Duke (dukechargista.org)

José Carlos Werneck

São fontes do Direito: a Lei, o Costume, a Jurisprudência e a Doutrina. A maior delas, sem sombra de dúvidas, é a Lei. Se os ministros do Tribunal Superior Eleitoral decidirem “secundum legem”, como gostam de se expressar, os estudiosos do Direito não terão dúvida alguma em declarar como inelegível o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A Lei da Ficha Limpa é cristalina quando declara inelegíveis aqueles que foram condenados em segunda instância. Basta que o leitor verifique o que diz a Lei Complementar 135, de 4 de junho de 2010, sancionada pelo então presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, no link abaixo:

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp135.htm

A REGRA É CLARA – A lei, repito, é claríssima e não deixa dúvidas a quaisquer interpretações, por mais criativos, geniais e cultos aqueles que gostam dela ou a detestam.

Se optarem por uma decisão contrária a lei, ou “contra legem”, estarão incorrendo em grave erro. O conceito de “contra legem” se refere aos costumes que se opõem à lei vigente e é utilizado com a finalidade de, implicitamente, revogar disposições legais, geralmente quando há norma em desuso, o que, em absoluto, não é o caso da Lei da Ficha Limpa.

Os doutrinadores consagrados costumam não aceitar os costumes “contra legem”, já que estes fazem parte de fontes secundárias do Direito, e também por irem de encontro à lei.

SEM LEI – Por último, também não podem decidir “praeter legem”, quando a espécie de costume é utilizada se não há lei vigente para atender a situação, ou quando a legislação é omissa quanto ao caso que está sendo apreciado.

O art. 4º do Código Civil brasileiro diz: “Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito”. E para os mais detalhistas é interessante lembrar que os costumes “praeter legem” só podem ser utilizados quando não for possível ao magistrado utilizar a analogia.

Assim sendo, se não se quiserem optar por casuísmos, procrastinações, sonhos e outros tipos usuais de entendimentos jurídicos tão em voga entre os juristas petistas, só resta à Justiça brasileira agir “secundum legem”, ou em Português claro: Cumprir a lei.

Programa inovador e criativo de Bolsonaro é do tipo Tradição, Família e Propriedade

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Programa de Bolsonaro é um museu de grandes novidades

Bernardo Mello Franco
O Globo

O presidenciável Jair Bolsonaro registrou um programa de governo no TSE. Ou quase. O material entregue pelo capitão lembra uma apresentação escolar feita no PowerPoint. Perto dele, o procurador Deltan Dallagnol parece um ás do design. A exemplo do candidato, o programa berra com o eleitor. Usa nada menos que 59 pontos de exclamação. Para gritar ainda mais alto, apela às maiúsculas. Bolsonaro promete defender a FAMÍLIA. Em seguida, exalta a PROPRIEDADE. Faltou a TRADIÇÃO para completar o trinômio da TFP. Sem dúvida, um lapso.

As obsessões do presidenciável estão por toda parte. As Forças Armadas aparecem seis vezes. São exaltadas como “espinha dorsal da nação” e “último obstáculo para o socialismo” (sic). A esquerda é citada outras dez vezes, ao lado de termos como “doutrinação ideológica” e “gramscismo”. Curiosamente, o programa não menciona a direita. Outra questão para tratar no divã.

BANCADA DA BALA – No capítulo da segurança, Bolsonaro repete o discurso da bancada da bala. Propõe soluções populistas como liberar a venda de armas e reduzir a maioridade penal para 16 anos — o que provavelmente levaria os chefes do crime a recrutar soldados ainda mais jovens.

O programa usa números falsos, defasados ou de fonte duvidosa para sustentar a tese do prende-e-arrebenta. Segundo o 16º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado na semana passada, o número de policiais mortos caiu de 386 para 367 entre 2016 e 2017. O levantamento usa dados oficiais das secretarias de Segurança.

VÍTIMAS FATAIS – Segundo o PowerPoint de Bolsonaro, o contingente de policiais mortos teria aumentado no mesmo período. Ele cita números de uma tal Ordem dos Policiais do Brasil (OPB). “A fonte devem ser grupos de WhatsApp”, diz Renato Sérgio de Lima, diretor do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

O capitão também alega que a violência cresce mais em estados governados por partidos de esquerda. A tese é ilustrada por um mapa vermelho, decorado com a foice e o martelo. Para o diretor do FBSP, o discurso não faz sentido algum. “O problema real é a chegada do PCC, que agravou a luta entre facções criminosas”.

O problema do país não é o teto de gastos, mas os privilégios como os do Judiciário

O ministro Ricardo do Supremo

Lewandowski denuncia “extrema penúria” do Judiciário

Alexandre Schwartsman
Folha

A história provavelmente aconteceu, embora os personagens sejam, como de hábito, desconhecidos. De qualquer modo, um jogador de futebol, ao ser questionado sobre o motivo pelo qual ele e seus colegas repetiam sempre as mesmas respostas, teria parado um momento para refletir e disparado: “Não sei; talvez porque vocês façam sempre as mesmas perguntas”. Conto o episódio preventivamente: caso um dos 18 leitores tenha a sensação de já ter lido esta coluna, saiba que eu também tenho a sensação de já tê-la escrito. O chato não é escrever sempre a mesma coisa, mas perceber como certas questões permanecem rigorosamente imutáveis.

Refiro-me à proposta de aumento dos salários dos ministros de Supremo, justificada por Ricardo Lewandowski pela situação de “penúria extrema” dos aposentados do Judiciário, ecoando, não por acaso, a ex-ministra dos Direitos Humanos Luislinda Valois, que pretendia somar ao seu vencimento ministerial a aposentadoria como desembargadora argumentando que, se não fosse atendida, trabalharia sob condições análogas à escravidão por receber apenas R$ 33 mil/mês (Lewandowski ganha R$ 37,5 mil/mês).

ATRÁS DOS NÚMEROS – Quando consegui controlar o choro copioso que me acometeu ao imaginar os pobres aposentados do Judiciário (ao menos, me consolei, não estão sob regime análogo à escravidão), endureci meu coração, como ensinado no curso de economia, e fui atrás dos números.

Descobri, por exemplo, que, em 2015, de um total de 162 milhões de pessoas de 15 anos ou mais de idade, apenas 708 mil (0,4% do total) recebiam valores superiores a 20 salários mínimos por mês.  Como, a preços de hoje, o salário mínimo de 2015 equivaleria a R$ 918/mês, falamos de um universo de pessoas cujo rendimento ultrapassaria hoje R$ 18 mil/mês (os aposentados do Judiciário recebem, em média, R$ 18 mil/mês).

Já a faixa média de renda do 0,4% atingia R$ 28,5 mil/mês também a preços de hoje, ou seja, mesmo dentro desse seleto clube os salários dos ministros do Supremo superam em cerca de 18% (31%, no caso de Lewandowski) o rendimento médio do grupo (e isso sem contar os eventuais “penduricalhos” associados à função).

EFEITO CASCATA – Esse número, porém, considera apenas o aumento dos ministros do Supremo. Incluindo os efeitos cascata por causa da elevação do teto salarial do setor público, de aumentos similares não só do Judiciário mas também do Ministério Público, bem como de estados e municípios, há quem estime que a conta do “modestíssimo reajuste de 16%” seja da ordem de R$ 4 bilhões/ano, ou seja, cerca de quatro Lava Jatos por ano.

É bem verdade que o montante empalidece diante do gasto dos três níveis de governo no ano passado, R$ 3,1 trilhões, mas equivale ao orçamento anual da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), que na semana passada motivou (de forma equivocada, diga-se de passagem) protestos contra o teto de gastos.

CONCLUSÕES – Diante das mesmas questões, as conclusões são as mesmas:

  1. a) o Estado brasileiro foi capturado por grupos de interesse, que canalizam para si fração considerável da renda da sociedade, no caso o funcionalismo, que se apropria de pouco menos de metade do gasto dos três níveis de governo, ou seja, cerca de 22% do PIB; e
  2. b) o problema não é o teto de gastos, mas a existência de privilégios na escala exposta acima.

Se não mudarmos esse estado de coisas, uma séria crise fiscal será apenas questão de tempo.