Datafolha e as urnas de 2018, num panorama visto da ponte eleitoral

Resultado de imagem para eleição 2018charges

Charge do Son Salvador (Arquivo Google)

 


Pedro do Coutto

Com base na pesquisa do Datafolha publicada na edição de domingo da Folha, uma reportagem de Silvia Amorim, Fernanda Kracoviks, Bruno Goes e Mateus Coutinho, edição de ontem de O Globo, analisou os números contidos no levantamento acentuando a verdade das tendências eleitorais, chegaram a conclusão de que o quadro permanece indefinido quanto à sucessão presidencial de outubro. O quadro encontra-se indefinido, mas as tendências se projetam nitidamente no universo da pesquisa. Trata-se de um panorama visto da ponte, título de peça de Arthur Miller que alcançou grande sucesso no final da década de 50.

O quadro permanece indefinido porque, como o Datafolha destacou, ainda não se verificou nenhum sinal mais forte no que se refere à transferência de votos que iriam para Lula, mas que se mantém fora da lei de gravidade, Enquanto persistir essa dúvida, permanecerá um panorama de indefinição, uma vez que não se pode ainda afirmar para que candidato ou candidatos vai ser transferida a força eleitoral do ex-presidente da República.

LULA INELEGÍVEL – O PT lançou seu nome, porém devemos considerar que ele se encontra inelegível. Daí porque no cenário em que ele se encontra ausente elevam-se fortemente os percentuais de indecisos, votos nulos e brancos.

Mas falei, neste meu retorno de férias, em indefinições e exposição de tendências. O Datafolha afirmou que, se candidato fosse, Lula arrebataria 30% dos votos. Mas com ele fora das opções, situação mais provável, as tendências de hoje restringem-se a Jair Bolsonaro, Marina Silva, Ciro Gomes e Geraldo Alckmin. Fora daí não se pode considerar nenhuma outra candidatura nas urnas de outubro próximo. Não se pode considerar porque aqueles na lista, mas que não passam de 1 a 2% das intenções de voto certamente não vão decolar. Com a ausência de Lula, Marina Silva cresce mais do que Ciro Gomes, se as eleições fossem hoje. E se o desfecho final ocorrer no segundo turno, dia 28 de outubro, Marina Silva derrotaria Jair Bolsonaro. Marina alcançaria 42% dos votos contra 33% de Bolsonaro.

NA CAMPANHA – O que se pode presumir, entretanto, é que a evolução das candidaturas dependerá do comportamento dos candidatos ao longo da campanha, especialmente nos debates e nos pronunciamentos que fizerem no horário gratuito da televisão e do rádio.

A colocação das campanhas dependerá também da utilização dos espaços nas redes sociais da internet. Porém, enquanto as redes sociais podem ser ocupadas sem limite de horário e tempo, os programas eleitorais gratuitos estarão disponíveis de 31  de agosto ao início de outubro. Importante também é considerar que os debates entre os candidatos, de acordo com a legislação eleitoral, incluem a possibilidade de um confronto direto no primeiro turno, dia 7 de outubro, e no segundo, dia 28.

CUSTOS BAIXOS – A campanha eleitoral deste ano terá seus custos muito reduzidos, não apenas em função de excluir financiamentos empresariais, o que poderia ser contornado nas sombras, mas principalmente pelo temor de doadores em potencial de caírem em precipícios abertos pela Operação Lava Jato. Claro que os dois principais doadores, Odebrecht e JBS, estarão fora de cogitações. Pois é preciso acentuar que Marcelo Odebrecht e Joesley Batista explodiram a conivência entre políticos, administradores públicos e empresários ma estrada capaz de conduzir o peso financeiro em favor da obtenção de votos nas urnas.

Citei Bolsonaro, Marina Silva, Ciro Gomes e Geraldo Alckmin. Quanto a Alckmin, de acordo com comentário feito por Silvia Amorim, o PSDB está buscando uma explicação para seu fraco desempenho. Governador eleito e reeleito, Alckmin não passa do teto de 7%, atrás de Ciro Gomes, que está no 10º ou 11º andar.

BOLSONARO LIDERA – Na frente, Bolsonaro com 19%, Marina Silva com 15%. Talvez a explicação sobre Alckmin esteja na divisão da base paulista entre Márcio França, governador do PSB, e o ex-prefeito João Dória, do PSDB. Mas será apenas isso?

O fato é que o candidato tem que se afirmar por si, e não depender de acordos eleitorais.

A afirmação vem primeiro, as adesões são consequência da capacidade que cada um demonstrar na busca do voto nas urnas.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *