Mangabeira Unger sugere que Ciro Gomes não pode ter “purismo ideológico”

Mangabeira Unger diz que a saída é a centro-esquerda

Guilherme Evelin
O Globo

O filósofo Roberto Mangabeira Unger, que foi ministro nos governos de Lula e Dilma, é o guru ideológico de Ciro Gomes e está formulando o programa de governo do pré-candidato do PDT. Ele falou com O Globo sobre as alianças que Ciro está articulando. Ciro busca ao mesmo tempo apoios em partidos da esquerda e do chamado centrão. Quem Ciro afinal quer como aliados?

O centro da proposta de Ciro é uma estratégia nacional de desenvolvimento que afirma a primazia dos interesses do trabalho e da produção em relação aos interesses do rentismo financeiro. Esse projeto pode ser visto como uma candidatura de centro-esquerda, mas que representa uma evolução da esquerda.

O que seria essa evolução?
Um pecado comum da esquerda contemporânea é abandonar o lado da produção e da oferta para a direita. A candidatura de Ciro não se deixa confinar na taxonomia ideológica tradicional de contraste entre esquerda e direita. Tem que ser outra centro-esquerda, que procura inovar nas instituições econômicas e políticas.

É isso que justifica a busca também de apoios no centro?
A candidatura de Ciro deve se oferecer como veículo político do agente social mais importante no Brasil de hoje: os emergentes. Eles estão órfãos e querem instrumentos e oportunidades. Eles não entendem o vocabulário ideológico de contraste entre direita e esquerda. Se é assim, a busca de alianças precisa ser ampla e magnânima. Não pode se cingir a um purismo ideológico excludente.

Isso não é oportunismo eleitoral?
Não vejo incoerência ou oportunismo. As alianças eleitorais devem ser construídas sem o abandono das pretensões programáticas. Nós temos um quadro partidário inorgânico, falho. O brasileiro, em geral, pouco confia nos partidos. Nós não queremos um personalismo cesarista. Mas não podemos fechar os olhos para a realidade dos partidos políticos que existem no Brasil. Nós precisamos construir um projeto junto com os partidos, mas sem nos iludirmos com a ideia de que os partidos vão nos entregar um projeto forte. O projeto forte é que vai ajudar a ensejar a construção de partidos fortes.

Qual é a importância de ter um empresário como candidato a vice?Ainda estamos longe das indicações de vice. Mas em um projeto que dá primazia ao produtivismo, é natural que possamos contar com parte do empresariado nacional. Vice pesa pouco na eleição. Mas pode significar muito para o país.

17 thoughts on “Mangabeira Unger sugere que Ciro Gomes não pode ter “purismo ideológico”

  1. Eu não sei se conhecia o fato abaixo narrado que me foi enviado hoje por um cliente via WhatsApp.
    Que história interessante!
    Em tais condições gostaria que os leitores da TRIBUNA DA INTERNET que a desconheçam tenham conhecimento dela.

    NÓS TAMBÉM TEMOS HERÓIS

    Quando uma amiga francesa me disse que tinha visto uma placa alusiva à participação dos brasileiros na Primeira Guerra Mundial no jardim do Hôpital de Vaugirard em Paris, franzi a testa e a corrigi com um sorriso condescendente: “Segunda Guerra”. Ela me sorriu de volta: “Não, Primeira. Me lembro de ter visto as datas 1914-1918. Tenho certeza.”

    Oi??!!! Como assim? Nós não participamos da Primeira Guerra Mundial!!! Ou participamos??

    Vasculhei todos os cantos da minha memória procurando uma referência sobre isso e não encontrei nenhuma.

    Só encontrei o sorriso dela de certeza absoluta.

    Constrangida com minha ignorância, me fingi de morta mas registrei mentalmente que ia checar aquela informação.

    Foi assim que desci na estação de metrô Convention (linha 12) e fui caminhando pela rue Vaugirad em direção à Porte de Versailles.

    Cinco minutos de caminhada e cheguei ao Jardim do Hôpital de Vaugirard.

    O lugar é um pequeno oásis verde com uma longa alameda ladeada por gramados verdinhos, muitos bancos e árvores.

    Flanei pelo lugar a procura da placa e depois de alguns minutos eu a encontrei.

    Sim, lá estava ela.

    Meu francês é bem meia-boca mas deu pra entender o que estava escrito:

    “Aqui se ergueu o hospital franco-brasileiro dos feridos de guerra criados e mantidos pela colônia brasileira de Paris como contribuição na causa aliada 1914-1918. Placa inaugurada por ocasião do 80° aniversário da presença da Missão Médica Brasileira Especial na França.”

    Gelei. Uma Missão Médica Brasileira na França na Primeira Guerra Mundial?

    Como eu nunca ouvi falar sobre isso?!!!!

    Como é que eu conheço toda a história do American Field Service, uma organização voluntária de norte-americanos para tratar os feridos durante a Primeira Guerra e nunca sequer ouvi falar de uma Missão Médica do meu próprio país???!!!!

    Imperdoável!!!

    Com a ajuda do meu incansável amigo google, sentei em um dos bancos e pesquisei sobre o assunto.

    Descobri uma história fantástica de coragem, sacrifício e competência quando um navio brasileiro (La Plata) saiu do porto do Rio de Janeiro em 1918 iniciando uma viagem que seria, difícil, perigosa e trágica.

    O perigo rondava os mares com a presença dos famigerados U-boats alemães, submarinos de alta tecnologia que afundavam qualquer barco (política da Guerra Submarina Irrestrita) militar, mercante ou de passageiros, mesmo de países neutros.

    Inicialmente neutro, o Brasil só se declarou em estado de guerra em outubro de 1917 posicionando-se com os Aliados (EUA, França, Grã-Bretanha) por ter tido vários navios mercantes civis brasileiros afundados pelos alemães.

    Sem uma marinha ou exército preparado para conflitos da envergadura de potências belicosas como Alemanha, Rússia, EUA e Grã-Bretanha, a ajuda do Brasil para o esforço de guerra foi muito mais voltada à causa humanitária.

    É aí que entra a Missão Médica Militar Brasileira (MMMB).

    O La Plata levava a bordo 168 brasileiros entre médicos, cirurgiões, enfermeiros e farmacêuticos voluntariados para a missão, além de alguns oficiais da marinha e exército, cujo objetivo era chegar a Marsellha e de lá seguir para Paris para instalar e operar um hospital com capacidade para 500 leitos para cuidar dos feridos da guerra.

    Os franceses cederam o belo prédio de um antigo convento jesuíta na rue Vaugirard e o hospital brasileiro foi instalado ali recebendo principalmente soldados franceses classificados como “grandes feridos”.

    Quando a Guerra terminou no final de 1918, o hospital, considerado pelos franceses como de ponta, ainda funcionou até 1919 atendendo a população civil francesa que ainda lutava contra a pandemia da gripe espanhola que varreu a Europa naquele ano.

    Com a desmobilização do hospital militar, alguns médicos foram convidados a permanecer na França, mas a maioria retornou ao Brasil.

    Os franceses jamais se esqueceram desse ato fraterno dos brasileiros e ali estava eu diante da prova, em frente àquela placa.

    Fiquei envergonhada por desconhecer essa história, que é muito mais emocionante que vocês possam imaginar.

    Fiquei pensando: Por que não nos falam sobre isso na escola?

    Por que escondem de nós os nossos heróis?

    Por que nos autodenominamos “terra do samba e futebol” quando somos tão mais que isso?

    Estou escrevendo esse post por duas razões: a primeira é para mostrar como os franceses são gratos por nossa ajuda; a segunda é para desafiar você a ir além da nossa mediocridade escolar.

    Se estiver em Paris, visite o Jardin Hôspital Vaugirard (metrô Convention), mas antes, para dar significado à sua visita, conheça essa história em detalhes em http://www.revistanavigator.com.br/navig20/art/N20_art2.pdf e também no livro “O Brasil na Primeira Guerra” de Carlos Darós (ed. Contexto).

    Sim, nós também temos nossos heróis… e não são aqueles que jogam bola ou participam de reality shows.

    • Obrigado pela bela e inspiradora historia, devemos sim remexer o bau de nossa historia e reaver nossa identidade, caímos na falacia do progresso em detrimento dos nossos costumes, que eram arcaicos retrogrado, concordo que alguns realmente o eram mas acontece que jogaram fora a água suja mas esqueceram de tirar a criança.

    • Que bela história… Eu tenho uma certa cisma com posts que desviam do tema publicado, mas este valeu a pena. A postura da protagonista/narradora também é muito legal. Lendo o primeiro parágrafo eu já comecei a pensar que ia tratar de Ana Nery, a nossa pioneira na Enfermagem, mas ela é anterior (1814) e serviu na Guerra do Paraguai. Interessante que eu tive uma namorada enfermeira e a chamava, de brincadeira, de Florence Nightingale, também pioneira e contemporânea de Ana Nery, criou a primeira escola de enfermagem na Inglaterra. E ela nunca me corrigiu, chamando a atenção para a brasileira (que eu conhecia mas por alguma razão também não lembrei no momento).

      Alguém já lembrou aqui, com razão, que os feitos da FEB na segunda guerra também são subestimados pela nossa história. Através desses diálogos vamos, pouco a pouco, preenchendo essas lacunas. Conhecer a História é importante.

  2. Salvo engano ou esclerose minha, esse Ungido não fazia parte do planejamento de lula, salvo engano tem uma entrevista dele reclamando do abandono dos projetos.
    Essas respostas demonstra que um e o outro são idênticos, vacilantes oportunistas atras de poder,
    colocar um empresario como vice, como dizia Aureliano Chaves, vice não manda em nada. sim é oportunismo tal qual todas as outras respostas paternalismo, populismo, mais do mesmo.
    Querem criar a própria realidade e empurrá-la no cidadão desavisado com palavras bonitas
    mais do mesmo, empurram o titulo de salvador da pátria aos outros mas não escutam o que dizem :
    “Ciro deve se oferecer como veículo político do agente social mais importante no Brasil de hoje: os emergentes. Eles estão órfãos e querem instrumentos e oportunidades”
    É tá muito dificil achar um que não seja o salvador da pátria, o jeito é votar no idiota mais mane.

    • Mangabeira Unger foi usado pelo Lula, para dar um verniz de alto nível ao governo, tinha grandes projetos mas foram todos pra gaveta. A mesma tática com o Gil (entre outros) na Cultura, só que este teve um tratamento um pouco melhor, além de ser uma área que com um pouco de criatividade você pode realizar mais . Espero que o Ciro não tenha as mesmas intenções.

      • Levi,
        Porque será que lula não dá apoio ao ciro?
        Ele iria morder a mão que o alimentou, como já o fez inúmeras vezes.
        E como o lula só apresentou esse ai pra dar dourar a pilula.

      • O Lula não apoia ninguém, as exceções são alianças com a direita. No Maranhão, por exemplo, se aliou com Lobão Filho, candidato do Sarney, pondo a escanteio Flávio Dino, do PC do B, seu mais fiel aliado. É um traiçoeiro contumaz, não tem o menor senso de lealdade e companheirismo, mas espera sempre a adesão incondicional dos outros.

  3. Ciro Gomes para presidente? Só se for de Escola de Samba! Esse sujeito deveria primeiramente aprender boas maneiras para se inserir na sociedade.

    • Não sei porque ela diria alguma coisa, ficou casada com ele por 2 mandatos, e se dissesse seira alguma asneira. Do mesmo tamanho de ter escolhido se aquadrilhar com o pmdb.

  4. Mangabeira Unger foi o formulador do programa de governo de Brizola em 89. Num de seus primeiros livros, sua argumentação política era, basicamente, a de que o PT representava a esquerda que aglutinava a parcela organizada dos movimentos sindical e social da sociedade civil, enquanto o PDT representava a esquerda que congregava os setores desorganizados dos movimentos sindical e social. A principal diferença entre os dois partidos era a de que o PDT priorizava de modo expresso e acentuado a educação, o que não ocorria com o PT.

  5. Mangabeira é o “filósofo” que só dá palpites errados. Tudo que fala, não se escreve, basta lembrar que chamou luladrão de “o maior corrupto da história do Brasil”, e logo depois foi trabalhar para o apedeuta.

    Sujeito cretino de corpo e alma, não serve nem como pessoa e nem como político, pois é atrapalhado para falar e arrogante em suas proposições, as quais faltam embasamento científico pois ampara-se sempre em suas convicções errôneas onde o tempo sempre mostra seus enganos.

    Vai servir para enterrar de vez a candidatura do novo coronelzinho do Ceará que verá, mais uma vez, suas pretensões mesquinhas se esvairem na caminhada rumo à presidência.

    Os dois se merecem, e não estão, nem de longe, à altura de serem representantes de um país do porte do nosso, apesar de termos como presidentes, os despresíveis collor, fhc, luladrão e dilmalandra.

    O Brasil passará por cima desses cretinos e os deixarão a “ver navios” como D.João VI deixou Napoleão.

    Fora Ciro!
    Longe do Brasil Mangabeira!

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