O calor animal daquela amada pessoa, na visão poética de Mário Quintana

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O tradutor, jornalista e poeta gaúcho Mário de Miranda Quintana (1906-1994), no poema “Bilhete com Endereço”, fala do querer, do amor e do desejo que ele quer daquela pessoa, ou seja, o calor animal dela.

BILHETE COM ENDEREÇO
Mário Quintana

Mas onde já se ouviu falar
Num amor à distância,
Num tele-amor?!
Num amor de longe…
Eu sonho é um amor pertinho
Um amor juntinho…
E, depois,
Esse calor humano é uma coisa
Que todos – até os executivos – têm.
É algo que acaba se perdendo no ar,
No vento
No frio que agora faz…
Escuta!
O que eu quero,
O que eu amo,
O que desejo em ti,
É o teu calor animal!…

7 thoughts on “O calor animal daquela amada pessoa, na visão poética de Mário Quintana

  1. Meu querido Mário Quintana, o homenageado do poeta Paulo Peres, hoje, 18 de junho 2018; Maravilha.

    MAIOR INJUSTIÇA DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS

    Mário Quintana foi rejeitado 3 vezes por
    a) Eduardo Portella, ex-ministro de Educação de
    o Gal Fiqueiredo
    b)Arnaldo Niskier,
    c) Carlos Castelo Branco,grande jornalista,- o Castelinho, mas sem história como escritor

    Quando o convidaram pela quarta vez, ele ele respondeu com este
    Poeminho do Contra (rejeitando o convite

    “Todos esses que aí estão
    Atravancando meu caminho,
    Eles passarão…
    Eu passarinho”

    Disse Millôr Fernandes

    “Se a Academia Brasileira de Letras não fosse o que é, Sarney seria envenenado no primeiro chá das cinco.”

    DE Luis Fernando Verissimo: “Se Mário Quintana estivesse na ABL, não mudaria sua vida ou sua obra. Mas não estando lá, é um prejuízo para a própria Academia.”

    Mário Quintana assim se expressou: “só atrapalha a criatividade. O camarada lá vive sob pressões para dar voto, discurso para celebridades. É pena que a casa fundada por Machado de Assis esteja hoje tão politizada. Só dá ministro.” Se referindo à forte politização nas indicações de escritores para a academia.

    Ainda em relação à ABL, ele declarou: “ A academia não convida. A gente é que tem de candidatar-se, solicitar votos pessoalmente, arranjar pistolões. Há gente que não dá para isso. Eu também não” dando uma pista dos motivos da sua não indicação.

  2. Quem não amaria receber um bilhete simples e belo de alguém, como este de Mário Quintana porque a “vida é breve e o amor mais breve ainda”
    Meu querido poeta teve suas grandes musas também poetas: Cecilia Meireles e a atriz Bruna Lombardi, ambas lindas por dentro e por fora. Ele tinha muito bom gosto.
    O que diz Bruna sobre sua amizade com o poeta:

    Começo pelo fim. Pela última coisa que escrevi para ele, depois que ele se foi.

    O ANJO
    Onde quer que você esteja
    veja que agora
    em algum lugar alguém chora
    porque você foi embora.
    Eu sei que você continua
    por aí nesse universo
    achando rima pra verso

    • O anjo – Bruna Lombardi

      Onde quer que você esteja
      veja que agora
      em algum lugar alguém chora
      porque você foi embora.
      Eu sei que você continua
      por aí nesse universo
      achando rima pra verso
      com humor e melancolia
      Perplexo feito criança
      diante de cada mistério
      sua sutil sabedoria
      nota coisas tão pequenas
      que outro não notaria
      E aqueles que ficaram
      por aqui, nessa passagem,
      sentem no céu esse anjo
      que você sempre escondia
      e desejam boa viagem.

      Conheci Mario em Porto Alegre, na Feira do Livro, em 77.Eu era uma menina lançando meu primeiro livro de poesias “No Ritmo dessa Festa”, ele um poeta renomado e querido por todos. De repente levei um susto: Mario Quintana comprou meu livro e estava na fila de autógrafos. Fiquei profundamente sensibilizada com seu gesto.

  3. Rua dos Cataventos: Soneto XVII | Por Mário Quintana [HD 5.1]

    A Rua dos Cataventos
    Da vez primeira em que me assassinaram,
    Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.
    Depois, a cada vez que me mataram,
    Foram levando qualquer coisa minha.

    Hoje, dos meu cadáveres eu sou
    O mais desnudo, o que não tem mais nada.
    Arde um toco de Vela amarelada,
    Como único bem que me ficou.

    Vinde! Corvos, chacais, ladrões de estrada!
    Pois dessa mão avaramente adunca
    Não haverão de arracar a luz sagrada!

    Aves da noite! Asas do horror! Voejai!
    Que a luz trêmula e triste como um ai,
    A luz de um morto não se apaga nunca!
    Mario Quintana

    http://mundovelhomundonovo.blogspot.com/2017/05/auroras-e-intervencoes.html

  4. Aqui, M. Quintana já prenunciava o namoro pelas redes sociais. Só não previu os tropeços que tal modalidade romântica acarreta, inclusive, estelionatos e assassinatos!
    –Quanto ao Zê Sarnê, ele é um locatário de penas (canetas) alheias de: Ivan e Evandro seus irmãos, e do saudoso Bandeira Tribuzzi; todos maranhenses. Sarney, por si, não passa de um jornalixo plumitivo. Ingressou na Academia, gracas ao presidente da época, Josué Montello, coterrâneo do Sarnento. Em troca, Sarney enfiou o irmã de Josué, como presidente dos Correios.

  5. Bate uma esperança de que no final tudo vai dar certo porque o povo vai votar direito e ainda, vamos trazer a Copa da Rússia

    Esperança

    Mário Quintana

    Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
    Vive uma louca chamada Esperança
    E ela pensa que quando todas as sirenas
    Todas as buzinas
    Todos os reco-recos tocarem
    Atira-se
    E
    — ó delicioso vôo!
    Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
    Outra vez criança…
    E em torno dela indagará o povo:
    — Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
    E ela lhes dirá
    (É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
    Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
    — O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA…

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