Vivemos numa democracia bastarda, sufocada pela ditadura do Judiciário

Charge do Zé Dassilva (NSC Total)

Mario Sabino
Metrópoles

Depois que Jair Bolsonaro virou réu no processo por tentativa de golpe de Estado, a imprensa está empenhada em afirmar que o país não está sob uma ditadura do STF, como repetem os bolsonaristas.

Um dos jornais, o Estadão, disse que “os desvios da Corte significam não uma ditadura, mas o abastardamento da democracia. A imprensa profissional trabalha sem censura, o Congresso adquiriu poderes até excessivos sobre o Executivo e o debate é livre — a ponto, inclusive, de assegurar a liberdade deste jornal de ser inclemente nas críticas a alguns ministros do STF”.

SUPOSIÇÃO FALSA – De fato, a democracia brasileira, no seu abastardamento, faz supor que a imprensa profissional (existiria outra?) está completamente livre para fazer o seu trabalho. Mas é uma suposição falsa.

Hoje, a autocensura regula a imprensa brasileira em relação ao STF. É impossível publicar reportagens objetivas sobre aspectos suspeitos da vida de magistrados da mais alta corte brasileira.

A autocensura se estabeleceu a partir de 2019, depois da censura direta à revista que fundei. Embora a censura tenha sido levantada por causa do clamor público, ficou claro para os jornais que era arriscado demais mexer com certos defensores transigentes dos pilares democráticos — e também não era estratégico, visto que Jair Bolsonaro era o inimigo comum.

CENSURA INDIRETA – A censura direta foi substituída pela censura indireta, com o ocultamento “espontâneo” de reportagens sobre integrantes do STF que já estavam no ar, após o recebimento de telefonemas ameaçadores.

Da mesma forma, passou a acontecer o engavetamento puro e simples de apurações de repórteres investigativos — que, agora, já se autocensuram para o alívio dos seus editores.

Podemos não viver sob uma ditadura do Judiciário, mas o abastardamento da democracia brasileira é suficiente para parecer que vivemos sob uma falsa liberdade.

9 thoughts on “Vivemos numa democracia bastarda, sufocada pela ditadura do Judiciário

  1. A hipocrisia abunda.

    Ser “esquerda”, esta mesma que fora office-boy da burguesia cleptopatrimonialista no Mensalão e Petrolão e ainda o é, é ser reacionário, neoludista, retrógrado, extemporâneo, clientelista, paternalista, retroutópico, anti-democrático. censor.

    Despossuída de qualquer pensamento crítico e auto-crítico, mergulhada no idealismo positivista, inépta, infértil, sem qualquer projeto de superação do nosso atraso e profundas desigualdades econômicas, sociais, ambientais, intelectuais, jurídicas deixou de ser uma ameaça pra ser o próprio sistema, o establishment.

    Chegou a um nível tão deplorável que se alimenta da extração da mais valia absolutíssima da Indústria da Miséria e da Miséria do Identitarismo.

    Parasita!

  2. Ainda bem que esta geringonça vem definhando nos âmbitos estadual e municipal, onde pode-se ver de perto o que realmente são.

    Sobrevivem de venerar um líder duvidoso, analógico, situado na Era da Máquina de Escrever, incompente pra encarar nossos problemas estruturais e, para decepção da seita, um mero mortal, como todos nós.

    A máquina jurídica pode descondenar duas diatribes, mas não pode lhe mudar o caráter.

    Nem Freud, se ressuscitasse.

  3. Muitos cretinos fundamentais acham que estão bem na fita, pra eles não existe auto crítica, no dizer de Voltaire, são como peixes que mudam de criadouro e não tem a mínima noção que é para serem comidos na quaresma.

  4. Se um inimigo figadal do Bolsonaro, como o Sabino, reconhece que vivemos numa democracia bastarda é porque, na real, já viramos uma Brazuela.

  5. Vejo agora que o ministro PCC mandou os porcos da sua PF, Pocilga Federal, indiciar o delegado Tagliaferro, seu ex-auxiliar no TSE. Isso ocorreu logo após o jornalista português Sérgio Tavares publicar um áudio onde o delegado afirma, com todas as letras, que o narcotraficante Xandão deu ordem para o PCC matá-lo.
    Outro movimento do psicopata assassino é o desmonte da equipe de jagunços que atua nos porões do STF. Dois dos seus torturadores, incluindo o criativo Airton, serão substituídos.
    O STF quer limpar a podridão dos seus atos.

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