No início, Bolsonaro enganou a si mesmo e agora quer enganar o país

PL celebra 70 anos de Bolsonaro: "Maior líder que o Brasil já viu"

“O povo está comigo e as Forças Armadas ao lado do povo”.

Diogo Schelp
Estadão

Tão logo se tornou réu por tentativa de golpe de Estado e outros crimes, em decisão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-presidente Jair Bolsonaro voltou a repetir um argumento que ele já havia exposto outras vezes: o de que tudo o que ele cogitou ou planejou no escurinho do Palácio do Planalto após sua derrota em 2022, enquanto seus seguidores fechavam estradas, acampavam em frente a quartéis ou barbarizavam Brasília no dia da diplomação de Lula, era absolutamente legal e legítimo.

Bolsonaro admite que tentou encontrar um jeito de continuar no cargo e impedir Lula de assumir o poder. Não usa essas palavras, claro. O ex-presidente recorre a eufemismos como ao dizer que apenas buscava “alternativas” que, segundo ele, estariam disponíveis na Constituição. “Alternativas” para quê? Para o resultado da eleição, claro.

NAS QUATRO LINHAS – Trata-se de uma linha argumentativa curiosa. Trocando em miúdos, Bolsonaro está dizendo que a Constituição contém mecanismos que dariam ao presidente o poder unilateral de anular os efeitos de uma eleição em que saiu derrotado, caso os caminhos institucionais de praxe (recorrer à Justiça Eleitoral para contestar o resultado, por exemplo) não lhe pareçam favoráveis.

É uma tese absurda, obviamente, mas que para Bolsonaro soa natural. E isso porque ele sempre acreditou, como deixou implícito inúmeras vezes ao longo de seu mandato, que tinha o direito de romper com a ordem institucional.

Ele só precisava dos meios para exercer esse direito – e isso lhe faltou.

EM NOME DO POVO – Poucos meses depois de completar seu primeiro ano no cargo, em maio de 2020, por exemplo, Bolsonaro compareceu a uma manifestação em Brasília contra os outros Poderes da República e declarou, demonstrando o seu desprezo pelos freios institucionais: “O povo está ao meu lado e as Forças Armadas ao lado do povo”.

Ele tinha convicção de que a primeira parte da equação estava resolvida. E fez de tudo ao seu alcance para tornar realidade a segunda parte.

A cooptação política das Forças Armadas foi a tônica de praticamente todo o seu mandato. Mas não foi suficiente.

8 thoughts on “No início, Bolsonaro enganou a si mesmo e agora quer enganar o país

  1. Por que ainda falar desse cara? Eu não entendo. Para mim, isso soa como masoquismo. Quando que uma pessoa bem formada (moral e intelectualmente) pode sentir satisfação em analisar a situação de um… como dizer? … despreparado! (para ser educado).
    Vamos falar de flores, de alegria, de dores, de tudo – menos de entulho!

  2. Se insistirem em analisar os “raciocínios” do Cupim da República, vão acabar mais ignorantes do que já são, aqueles que buscam lógica no comportamento do insanus homo Jair.

  3. O Estadão continua com o lero lero de golpe que nunca aconteceu, enquanto apoiou o golpe que aconteceu, aquele perpetrado pelo STF com apoio deste mesmo jornal.

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