Reforma ministerial de Lula não mexe no maior foco de queixas do governo

Presidente Lula e Rui Costa na assinatura do contrato de concessão da BR-381

Rui Costa é acusado de travar projetos e sabotar colegas

Bernardo Mello Franco
O Globo

A prometida reforma ministerial não deve mexer no principal foco de queixas na equipe do presidente Lula da Silva: a Casa Civil. O petista Rui Costa ostenta o título de figura mais impopular do governo. É acusado de travar projetos, sabotar colegas e semear intrigar no entorno do presidente.

Em solenidade na quarta-feira, Lula falou sobre a rixa pública que opõe o ex-governador da Bahia ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad. “Quando tiver briga entre os dois, eu sou o separador”, gracejou.

Haddad pode ser o alvo mais famoso, mas não é o único a reclamar das botinadas de Rui. Nas rodas de Brasília, outro ministro influente costuma chamar seu gabinete de “Casa Covil”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Rui Costa é um político altamente controvertido e que jamais deveria ter a honra de ocupar um cargo importante como a Casa Civil. Na Bahia, ele ficou conhecido por ter enriquecido na política. Morava num modesto apartamento de classe média, com três quartos, e se mudou para um superapartamento em bairro nobre de Salvador, de valor 26 vezes superior ao antigo. Outra façanha sua foi costurar a nomeação de sua segunda mulher para conselheira do Tribunal de Contas, com salário vitalício de R$ 40 mil mensais, vinte vezes o que ela ganhava quando trabalhava como enfermeira. Mas quem se interessa? (C.N.)

EUA perdem US$ 4 trilhões na Bolsa, temem recessão e o “índice do medo”

Foram os EUA que dividiram o átomo ou o presidente Trump está mentindo? -  TecMundo

Irresponsável, Trump está semeando o caos na economia

Alvaro Gribel
Estadão

As empresas americanas perderam US$ 4 trilhões em valor de mercado desde o início do governo de Donald Trump, no dia 20 de janeiro. Ao mesmo tempo, o chamado índice VIX, ou o “índice do medo”, que mede a volatilidade das empresas na Bolsa americana, disparou, e houve piora da confiança dos consumidores, com expectativa de aumento da inflação.

Entre as principais bolsas globais, os índices americanos S&P 500, Nasdaq e Dow Jones operam no vermelho, atrás até do Ibovespa, da B3, que se valoriza este ano, mesmo com as incertezas fiscais do governo Lula.

JUROS ALTOS – O aumento de barreiras comerciais nos EUA tende a elevar a inflação no país, o que pode fazer com o Federal Reserve (Fed), o banco central americano, corte menos os juros este ano – ou, num pior cenário, até mesmo suba a taxa.

Com os impactos nas cadeias de suprimento de produção dos EUA, pelo encarecimento dos produtos importados, o índice “GDP Now”, medido pelo Fed de Atlanta, já prevê risco de queda do PIB no primeiro trimestre.

Bancos e consultorias, por sua vez, reduzem projeções de crescimento e também falam em risco de recessão. O início da administração Trump tem sido marcado pelo derretimento do valor de mercado das empresas do País.

PERDAS FENOMENAIS – Segundo levantamento feito pela consultoria Elos Ayta, de 20 de janeiro, quando Trump tomou posse, a 14 de março, as empresas americanas listadas nos três principais índices das bolsas do país (Nasdaq, S&P 500 e Dow Jones) perderam US$ 4 trilhões em valor de mercado.

“A forte desvalorização das gigantes de Wall Street reflete um momento de incerteza nos mercados globais. Com perdas trilionárias desde o início do ano, investidores buscam refúgio em outras regiões, enquanto a volatilidade persiste nos EUA”, afirma Einar Rivero, CEO da Elos Ayta.

“O impacto se estende além das grandes empresas de tecnologia, afetando o apetite por risco e a alocação de capital no mundo todo.”

TESLA DERRETE – A empresa com maior perda, curiosamente, é a Tesla, do bilionário Elon Musk, o homem mais rico do mundo e que integra o governo Trump, como chefe do Departamento de Eficiência Governamental (DOGE, na sigla em inglês). Desde o início do governo, a desvalorização da empresa na bolsa chega a US$ 565 bilhões.

Logo em seguida, aparece a Nvidia, com perdas de US$ 404 bilhões, e a Alphabet, dona do Google, com desvalorização de US$ 379 bilhões. Ao todo, as sete maiores empresas dos EUA, chamadas de “sete magníficas”, perderam US$ 2,1 trilhões. Quando a conta inclui todas as empresas da bolsa, a perda vai a US$ 4 trilhões.

Desde o início do ano, os três principais índices americanos amargam desvalorização. O índice Nasdaq, que concentra ações de empresas de tecnologia, aparece com a maior perda entre 21 índices mundiais, com queda de 8,1%. O S&P 500 também cai 4,1% enquanto o Dow Jones recua 2,5%.

ATÉ O IBOVESPA… – Na liderança da valorização este ano está o Euro Stoxx 50, índice europeu, com alta de 25,89%. O Ibovespa, por sua vez, sobe 4,45%.

Com o anúncio em série de barreiras comerciais, que tendem a encarecer os produtos importados pelos americanos, já houve uma forte piora na percepção dos consumidores em relação à inflação.

Além disso, a entrada em vigor das tarifas contra o aço e alumínio – que atingem o Brasil – já provocaram uma disparada nos preços aos produtores. Desde o dia 25, a tonelada do aço em bobina laminada a quente no Centro-Oeste dos EUA disparou de US$ 779 para US$ 939, um aumento de 20,53%.

“A tarifa encareceu o aço importado e permitiu que os produtores domésticos aumentassem seus preços”, afirma o economista Alexandre Schwartsman. “O resultado é perda de competitividade das empresas americanas que usam aço como insumo. Tremendo tiro no pé”, diz.

ÍNDICE DO MEDO  – As incertezas provocadas por Trump fizeram disparar o índice VIX, que mede a volatilidade das empresas dentro do S&P 500 e é conhecido como “índice do medo”.

Segundo o economista-chefe da Austin Ratings, Alex Agostini, diferentemente do primeiro mandato, Trump agora está indo além da retórica e colocando as medidas em prática.

“Eu acho que ele deixou muito claro qual é a posição dele em relação aos Estados Unidos desde o primeiro mandato; só que, diferentemente daquela vez, agora ele está colocando em prática tudo aquilo que só ficava na narrativa”, afirmou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Desculpem a franqueza, mas Trump é um presidente pior do que Lula ou Bolsonaro. E ainda há quem chame isso de governo, mas minha ironia não chega a tanto. (C.N.)

A fadinha do Véio da Havan, Jojo Todynho, os ovos de Lula no Brasil 2026

VAI BAIXANDO, VÉIO DA HAVAN! 📱 A @jojotodynho colocou o chefinho pra ... |  TikTok

Luciano Hang e Todynho, retrato do Brasil de hoje

Vinicius Torres Freire
Folha

Jojo Todynho precisa comprar toalhas novas. É o que lhe diz Luciano Hang, vestido de fadinha. O “Véio da Havan” faz propaganda da loja dele: “um mês todynho de ofertas”. Zapeio a TV.

Ronaldinho Gaúcho recomenda a Shopee, loja típica do mundo “blusinha”. Cafu e Adriane Galisteu anunciam “bets”. Tão Brasil, “contemporâneo”, embora Cafu, Gaúcho e Galisteu sejam dos tempos de FHC 1 a Lula 2, quando havia a ilusão de que o Brasil viria a ser mediocridade mais arrumadinha.

OS OVOS DE LULA – No noticiário, Lula diz que estão “sacaneando as galinhas”. Promete para terça-feira (18) o projeto de isenção do IR. Neste domingo (16), Jair Bolsonaro no comício pela anistia de si mesmo e de golpistas coadjuvantes.

O processo do golpe e a lei do IR são eventos políticos maiores, pois devem influenciar 2026. Lula quer ganhar pontos com a classe média. Suponha-se que a lei seja ao menos tecnicamente certinha e que o Congresso a aprove sem mumunhas. Vai colar?

Tornou-se clichê dizer que a inflação derrubou Lula. Encrencou, mas Lula tomou tombo maior entre o pânico do dólar de dezembro e a revolta do Pix de janeiro, que repercutiram porque o povo já andava enfastiado e não é mais aquele de FHC 1 a Lula 2.

NOVA REALIDADE – É um mundo de Todynho, Jordana Gleise de Jesus Menezes, 28 anos, ex-faxineira que se tornou famosa de internet, atriz e cantora, “cancelada” em 2024 por ser “mulher preta de direita”, diz. É o mundo de Virginia Fonseca, personagem de si mesma, 53 milhões de seguidores no Instagram.

O povo nunca foi tão “empoderado”. Elege preferidos sociais, culturais e políticos quase sem intermediários afora o algoritmo — e elege o centrão. A Gusttavo Lima, 46 milhões de seguidores, cantor e investigado pela polícia, basta dizer que estará no centrão da política, e assim é.

Congresso e cada vez mais dinheiro da República são do centrão faz década e meia —as cidades, parece que desde sempre. Apesar de óbvia, pouco se investiga essa questão central: por que essa massa amorfa engoliu a política, abafa renovações pensadas e deixa aberta, apenas e se tanto, a decisão de quem ocupa a Fazenda ou coordena o acordão sobre favores estatais?

MAIORES LIDERANÇAS – Das dez maiores empresas do país, seis são de petróleo e minérios, três do agronegócio, uma de varejo. Agro e sertanejo chegaram ao poder em 2018 — foram cultivados pelo projeto da ditadura de ocupar Centro-Oeste e pela Embrapa, nos 1970. Lideranças evangélicas chegaram ao poder em 2018 — se criaram nas megaperiferias da barbárie socioeconômica da ditadura.

As oligarquias regionais, o centrão, se reorganizaram e renovaram nas primeiras eleições da Nova República (como no estelionato do Plano Cruzado) e pela distribuição de dinheiros e TVs para partidos sucessores da Arena.

Desde a Constituição de 1988, formou-se um arranjo de grande distribuição de assistência social (com escasso progresso social profundo, como em educação) e favores tributários a elites.

SEM DINHEIRO – O Brasil é esse aí. Acabou o dinheiro para alimentar o acordão. É uma economia sem rumo pensado, à beira de ser atropelada pela IA, ineficiente, com baixa condição de ser empreendedora e cheia de “empreendedores”, como diz o clichê marqueteiro sobre o povo que vira nessa precariedade e que sonha ter a vida de Virginia Fonseca.

Parte da finança e da elite econômica já sonha com a motosserra de Javier Milei, Elon Musk e Donald Trump. Devem ter seguidores no eleitorado do Instagram.

Entenda por que católicos e evangélicos se uniram para defender Frei Gilson

Fé nas madrugadas: como é uma live de Frei Gilson, líder católico que atrai  milhões de fiéis em quaresma digital | Política | G1

Frei Gilson faz lives de madrugada que atraem os fieis

Karina Ferreira
Estadão

Nos últimos dias, o líder católico conservador frei Gilson virou objeto de mais uma “batalha” na internet entre bolsonaristas e governistas. Enquanto lideranças da direita categorizam publicações críticas ao frade como uma ação anticristã de esquerdistas, apoiadores do governo Lula dizem que o sacerdote e cantor quer fazer os fiéis cultuarem o ex-presidente Jair Bolsonaro em vez de Cristo.

Por motivos estratégicos ou religiosos, evangélicos e católicos se uniram para defender o frade, que acumula milhões de seguidores nas redes sociais. Para especialistas ouvidos pelo Estadão, o que aglutina os dois grupos na defesa de frei Gilson não é a figura em si, mas a pauta conservadora que ele prega.

DIZ BOLSONARO – O ex-presidente Jair Bolsonaro fez publicações no dia 9 sobre o sacerdote. Em uma delas, disse que católico “se apresenta como um fenômeno em oração, juntando milhões pela palavra do Criador” e por isso “vem sendo atacado pela esquerda”.

A campanha contra o religioso começou no dia anterior à postagem de Bolsonaro, que amplificou o embate nas redes. Um grupo no Telegram ligado à militância de Lula emitiu um “alerta geral” a seus membros afirmando que o objetivo do padre é o de “promover a extrema direita e pedir votos no bolsonarismo”.

As acusações são baseadas em recortes de vídeos com falas conservadoras de Gilson e pelo fato de ele ser um dos quatro religiosos citados pela Polícia Federal (PF) nas investigações sobre golpe de Estado.

ORAÇÃO AO GOLPE – Segundo o inquérito, o frade não participou da trama golpista, mas recebeu o rascunho de uma “espécie de oração ao golpe” do padre José Eduardo de Oliveira e Silva, via WhatsApp, que pedia que católicos e evangélicos incluíssem em suas orações os nomes do então ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, e de outros 16 generais para receberem de Deus “coragem para salvar o Brasil”.

A deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), católica praticante, publicou um vídeo nesta quinta-feira, 12, defendendo o frade. Tabata afirma que admira o sacerdote, que escuta suas músicas enquanto faz tarefas de casa e que não concorda com a afirmação do religioso, que prega que “a mulher deve ser auxiliar do homem”, mas que isso não apaga as boas atitudes dele.

“Acho que temos que acalmar um pouco os ânimos. Se tem uma coisa que não concordo, é que uma discordância específica, por mais grave que ela seja, seja usada para se apagar e deslegitimar toda a trajetória e todo o bem que a pessoa faz”, disse.

ALIANÇA CONSERVADORA – Segundo Vinicius do Valle, doutor e mestre em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP) e diretor do Observatório Evangélico, o principal motivo que faz tanto católicos quanto evangélicos saírem em defesa do frade é o objeto da discussão.

O discurso sobre a mulher como “auxiliar” do homem, por exemplo, se assemelha ao de pastores em cultos evangélicos, diz o cientista político.

“Existe uma aliança entre evangélicos conservadores, que são a maioria dos evangélicos, e católicos conservadores em torno de uma certa agenda que envolve aspectos da disputa moral na sociedade, como, por exemplo, essa questão da desigualdade entre os gêneros, a questão da moralidade em torno do direito da mulher sobre seu próprio corpo, temas como aborto, entre outros”, explicou.

PÚBLICO MAIS AMPLO – A cientista política e diretora do Instituto de Estudos da Religião (Iser) Ana Carolina Evangelista avalia que frei Gilson não aglutina necessariamente católicos e evangélicos, mas sim um público mais amplo, cuja agenda política é conservadora.

“Pela agenda política e a forma como a política tem disputado essas figuras que têm identidade religiosa ou que têm papel num campo religioso, e o conteúdo da fala e das pregações dessas personalidades religiosas, a gente leva esse conteúdo para a política”, disse.

Evangélico, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), saiu em defesa de frei Gilson ainda no dia 9 e publicou um vídeo prestando solidariedade aos católicos. “Começaram diversos ataques. Para quem é cristão, isso é algo natural, ser atacado por seguir a Cristo. Óbvio que por ele ser católico e eu ser evangélico temos nossas divergências teológicas. Mas conheci pessoalmente, é uma pessoa extraordinária”, disse.

JANONES IRONIZA – Já o deputado federal André Janones (Avante-MG), apesar de evangélico, se posicionou considerando que em termos de estratégia política, os ataques da militância governista contra o frade são equivocados. “Não basta ser rejeitado pelos evangélicos, vamos fazer uma cruzada contra os católicos também, aí a gente se elege só com os votos dos ateus em um país em que quase 80% da população é católica ou evangélica. Que tal?”, escreveu o parlamentar, em tom irônico.

O senador Magno Malta (PL-ES), pastor evangélico, também saiu em defesa do religioso, afirmando que os ataques são “um episódio grotesco contra aqueles que defendem a verdade e a vida”. “Frei Gilson, estamos do seu lado, defendendo as mesmas bandeiras e pautas”, disse.

Nesta terça-feira, 11, o deputado federal Paulo Bilynskyj (PL-SP) propôs um projeto de lei para criminalizar ataques contra religiosos em redes sociais, em resposta aos episódios envolvendo o sacerdote católico.

Trump vai devolver patriotas fujonas ao Brasil, mas acolheria Bolsonaro

Trump não aliviará tarifas sobre fentanil, diz secretário dos EUA | CNN  Brasil

Trump vai deportar três condenadas pelo 8 de janeiro

Leonardo Sakamoto
do UOL

Acreditando que teriam vida fácil sob a gestão Donald Trump, três condenadas pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 e uma ré com mandado de prisão entraram ilegalmente nos Estados Unidos, três delas após o início do novo governo. Presas pela imigração, agora esperam para ser deportadas, segundo reportagem de Eduardo Militão, do UOL.

Se isso acontecer, a massa de apoiadores de Jair que acredita nele deveria aprender a lição de que vem sendo usada por alguém que pensa primeiro em si, depois nele mesmo, daí em sua família e só então em aliados, amigos, parceiros e em seus seguidores. Em suma, Jair acima de tudo, Deus acima de todos.

EM COPACABANA – Neste domingo (16), no ato na praia de Copacabana, ele usou os apoiadores presos ou processados pelos atos golpistas para justificar a aprovação de um projeto de lei de anistia que o beneficia. Se o PL excluísse a possibilidade de líderes da conspiração serem perdoados, ele teria tirado o dia de sol para andar de jet-ski.

O ex-presidente, denunciado por tentativa de golpe de Estado, certamente conseguiria autorização para um asilo político em Orlando, transformando as cercanias da Disney na sede da resistência bolsonarista no exterior — mesmo com o passaporte retido pelo STF ou mesmo um pedido de extradição enviado por Brasília.

Se Washington DC não atende o pedido brasileiro para deportar Allan dos Santos, que também é foragido da Justiça, imagine se fará isso com Jair. Menos por amor à pessoa, mais pela possibilidade de fustigar Alexandre de Moraes e Lula ou mandar mensagens como: plataformas digitais dos EUA podem fazer o que quiserem em qualquer lugar ou aceitem a nossa ideologia ou pereçam.

CONTAGEM REGRESSIVA – Bolsonaro também afirmou no ato que não sairá do Brasil. Mas a robusta denúncia da Procuradoria-Geral da República contra ele e mais 33 pessoas por tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado democrático de direito, organização criminosa, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado, apresentada ao Supremo Tribunal Federal, abre sim a contagem regressiva para a sua prisão ou fuga.

As 272 páginas trazem um amplo conjunto de evidências, descrevendo e individualizando condutas de um crime complexo que contou com várias etapas e núcleos. Frisa que a tentativa de golpe não se resume aos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, mas começa quando Bolsonaro inicia seus ataques ao sistema eleitoral brasileiro.

 A PGR coloca o ex-presidente como principal beneficiário do golpe, que visaria à sua manutenção no poder após ter perdido a eleição.

TENTARÁ FUGIR? – Diante disso, e por mais que o ex-presidente diga que não, a pergunta voltou a ser feita em círculos políticos e jurídicos: se uma condenação estiver iminente, ele tentará fugir para os Estados Unidos de Trump ou vai encarar de frente a prisão como fez Lula, aceitando cumprir a pena enquanto tenta reverter uma decisão?

Histórico, ele tem. Diante da apreensão de seu passaporte em 8 de fevereiro do ano passado, em meio a uma operação da Polícia Federal sobre a tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente se refugiou na Embaixada da Hungria, governada pela extrema direita de Viktor Orbán, entre 12 e 14 de fevereiro. Muitos viram o episódio como uma espécie de test drive de fuga.

Além disso, Bolsonaro fugiu do país, em 30 de dezembro de 2022, antes mesmo de terminar o seu mandato. Diz que foi para não passar a faixa presidencial, mas o plano golpista, que, segundo a denúncia, envolveu de minuta de golpe até esquema para matar Lula, Alckmin e Alexandre de Moraes, revela que ele tinha razão para temer ficar no Brasil e ser preso.

SERÁ PRESO? – Se ele não conseguir aprovar uma lei de anistia no Congresso e se o STF não declarar essa lei inconstitucional, ele será preso. Daí, vira um ativo para a extrema direita, um mártir e contará que um de seus filhos ou Tarcísio de Freitas vença a eleição em 2026 para articular um perdão.

O repórter Eduardo Militão confirmou as informações sobre as brasileiras presas com autoridades norte-americanas, que afirmaram que “aguardam a expulsão para seus países de origem”. Elas fazem parte do grupo de bolsonaristas que deixou o Brasil no primeiro semestre do ano passado indo para a Argentina, mas após a Justiça do país vizinho indicar que as deportaria a pedido do STF, tomaram rumo norte.

Uma decepção com Javier Milei seguida de outra com Donald Trump. Caso, enfim, percebam que foram engabeladas pelo próprio Bolsonaro em um exercício de autocrítica, podem pedir música no Fantástico.

Malafaia rebate críticas ao ato de Bolsonaro: “Esquerda não bota a metade”

Confira imagens do ato pela anistia em Copacabana

A foto não mente e mostra que havia bastante público

Letícia Casado
do UOL

O pastor Silas Malafaia rebateu as críticas de governistas sobre o tamanho do evento em apoio a Jair Bolsonaro (PL) neste domingo no Rio. “Só digo uma coisa: desafio a esquerda a botar a metade. Só isso. Bota a metade, já que estão dizendo que está vazio. Manda botar a metade”, disse Malafaia à coluna.

Ele foi um dos organizadores da manifestação de apoio a Bolsonaro e em favor da anistia aos envolvidos no 8 de janeiro de 2023.

PETISTA IRONIZA – Para o deputado petista Zeca Dirceu (PR) o ato foi “fraco” e “infinitamente menor que os outros; uma prova da decadência do Bolsonaro e do quanto que o tema da anistia é impopular”.

O tamanho do público no evento deste domingo é incerto e diferentes metodologias mostram discrepâncias no número de participantes, além de indicativos que apontam que o ato foi menor que outros convocados por Bolsonaro.

Ainda assim, a manifestação contou com mais gente do que no 1º de Maio de 2024 com a participação do presidente Lula (PT): o ato das centrais sindicais no Dia do Trabalho em São Paulo reuniu menos de 2 mil pessoas.

DIVERGÊNCIAS – Segundo dados do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento) em parceria com a ONG More in Common, o ato de Bolsonaro reuniu cerca de 18,3 mil em Copacabana — pouco mais da metade dos quase 33 mil manifestantes que foram a outro ato de Bolsonaro no mesmo local em abril de 2024.

Já o Datafolha projetou cerca de 30 mil pessoas na manifestação.

Por fim, a Polícia Militar do Rio, governado pelo aliado Cláudio Castro (PL), divulgou que havia 400 mil pessoas no local, mas não explicou como chegou a esse número.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Essa falsa polêmica é uma bobagem. Pelas fotos aéreas, dava para ver que tinha muita gente participando e vestindo amarelo, verde ou azul. E o pastor aproveitou para ridicularizar Lula, que está fugindo das ruas. São coisas da política, como diz Pedro do Coutto. (C.N.)

A esperança de buscar o ideal da vida, na visão poética de Raul de Leôni

Raul de LeoniPaulo Peres
Poemas & Canções

O advogado e poeta Raul de Leôni (1895-1926), nascido em Petrópolis (RJ), expressa no soneto “ Legenda dos Dias” o cotidiano de cada um atrás do ideal da vida, no qual a eterna esperança possa estar no dia seguinte.

LEGENDA DOS DIAS
Raul de Leôni

O Homem desperta e sai cada alvorada
Para o acaso das cousas… e, à saída,
Leva uma crença vaga, indefinida,
De achar o Ideal nalguma encruzilhada…
As horas morrem sobre as horas… Nada!

E ao poente, o Homem, com a sombra recolhida,
Volta, pensando: “Se o Ideal da Vida
Não veio hoje, virá na outra jornada…
Ontem, hoje, amanhã, depois, e, assim,
Mais ele avança, mais distante é o fim,
Mais se afasta o horizonte pela esfera;

E a Vida passa… efêmera e vazia:
Um adiamento eterno que se espera,
Numa eterna esperança que se adia…

Entendam por que a miopia e a estupidez de Trump são a semente do caos

Imagem colorida do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump -- Metrópoles

Trump erra tanto que desequilibra as bolsas de valores 

Mario Sabino
Metrópoles

Depois de 50 dias frenéticos, como avaliar o governo de Donald Trump? Sejamos sucintos, abordando os dois pontos que mais interessam ao mundo neste momento. O primeiro ponto é o da guerra na Ucrânia. Você deve estar entre confuso e otimista sobre a possibilidade de paz rápida e duradoura, em nome da qual Donald Trump humilhou Volodymyr Zelensky, tomando o agredido como agressor, para deleite de Vladimir Putin.

Esclareça-se: não haverá paz duradoura na Ucrânia, nos termos pretendidos pelo presidente americano, que tem pressa em enfiar a rendição absoluta goela abaixo dos ucranianos.

O ex-presidente francês François Hollande deu uma entrevista bastante didática ao Corriere della Sera sobre a cena a que assistimos. Ele conhece Vladimir Putin muito bem: ao lado de Angela Merkel, então chanceler da Alemanha, foi um dos artífices do Tratado de Minsk, assinado em setembro de 2014, que previa o fim das hostilidades russas no leste da Ucrânia, depois da ocupação da Crimeia — tratado que foi rasgado por Vladimir Putin, porque é da natureza dos tiranos rasgar tratados.

ESTRATÉGIA SUJA – François Hollande disse ao jornal italiano: “Sei que, nos próximos dias, Putin vai tentar aumentar a vantagem que tem no campo de batalha. Jogará com o tempo e intensificará a sua ofensiva, enquanto dará a entender a Donald Trump, por meio de contato telefônico e depois, talvez, em um encontro, que se poderá começar uma negociação para um cessar-fogo”.

E François Hollande prosseguiu: “Para Putin, o tempo é o valor fundamental. Ele vai dilatá-lo ao máximo, até obter a correlação de força militar mais favorável. E se, depois de um acordo de paz sem garantias de segurança, abandonarmos a Ucrânia, ele vai esperar o melhor momento para atacá-la de novo. É assim porque há uma assimetria entre o que somos, líderes com mandato de democracias, e o que ele é, um autocrata. O autocrata tem a vida diante de si. Nós somos precários, estamos de passagem, e ele sabe disso”.

Restará à Ucrânia, bem como aos outros países que estão na mira de Vladimir Putin, esperar que o pouco tempo garantido por uma paz mambembe seja suficiente para que a Europa, sem um aliado confiável nos Estados Unidos, seja capaz de falar grosso militarmente com a Rússia, quase uma ilusão nos próximos anos.

GUERRA COMERCIAL – O segundo ponto dos 50 dias de Donald Trump é o da economia. Não tente encontrar sentido na guerra comercial que o presidente americano move contra países amigos. Não há sentido nenhum, a não ser que o objetivo insanamente calculado de Donald Trump seja o de destruir a economia mundial.

O conservador americano Bret Stephens, uma exceção de bom senso entre os articulistas do New York Times, tem de ser admirado pela sua capacidade de síntese. Ele foi preciso.

DISSE STEPHENS – “Nenhum presidente americano foi tão incompetente em colocar na prática as próprias ideias. É um conclusão a que parecem ter chegado os mercados acionários, que despencaram depois do golpe triplo de Trump: primeiro, as ameaças de tarifas contra os nosso principais parceiros comerciais, com o consequente aumento de preços; segundo, a repetida concessão de adiamentos de algumas dessas tarifas, com a criação de um cenário imprevisível; por último, a sua admissão implícita que os Estados Unidos poderiam entrar em recessão neste ano, um preço que ele está disposto a pagar para fazer o que chama de uma ‘grande coisa’.”

E Bret Stephens completou: “Um presidente caprichoso, errático e irresponsável está pronto a colocar em risco tanto a economia americana quanto a economia global apenas para sustentar o próprio ponto de vista ideológico. Os críticos de Trump são sempre rápidos para ver o lado sinistro das suas ações e declarações. Um perigo ainda maior pode ser o aspecto caótico da sua gestão política. A democracia pode morrer na opacidade. Pode morrer no despotismo. Com Trump, pode morrer pela estupidez.”

Não há o que acrescentar ao que foi dito por François Hollande e Bret Stephens. A miopia histórica e a estupidez ideológica de Donald Trump formam a semente do caos. 

Lula quer reverter desaprovação, mas dá munição de presente à oposição

Deslizes desviam foco de anúncios positivos da gestão

Pedro do Coutto

Reportagem de O Globo deste domingo, focaliza os deslizes cometidos pelo presidente Lula da Silva e que estão influindo na sua imagem à frente do governo. As gafes têm reflexo negativo sem que o presidente se dê conta. Em meio à maré de baixa aprovação, Lula tem implementado uma série de mudanças na comunicação, apostando em medidas populares para reverter o cenário. A investida, no entanto, esbarra em declarações do chefe do Executivo, que entrega “de presente” polêmicas a serem exploradas pela oposição.

Um exemplo foi a sua fala sobre a ministra Gleisi Hoffmann, de Relações Institucionais. Aos presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, o petista afirmou que escolheu “uma mulher bonita” para melhorar a relação com o Congresso Nacional.

APOSTA – O fato ocorreu durante a cerimônia de lançamento do programa Crédito do Trabalhador, que busca ampliar o empréstimo consignado para trabalhadores que possuem vínculo CLT. Esta é justamente uma das apostas para reverter a onda de impopularidade escancarada nas últimas pesquisas de opinião. No mesmo evento, Lula chamou o líder do governo na Câmara, deputado cearense José Guimarães de “cabeçudão do Ceará”.

Dessa forma, os holofotes, que deveriam estar voltados ao programa anunciado, foram ofuscados pelas gafes do petista. A oposição usou o deslize, classificando a fala contra Gleisi como misógina.  As últimas sondagens de opinião apontam para um cenário desfavorável à gestão de Lula.

Uma das estratégias para frear a alta da impopularidade é expor mais o presidente da República, colocando-o como principal mensageiro do governo. A tática, desenhada pelo ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, inclui ampliar as entrevistas e os pronunciamentos de Lula, além de aumentar as viagens do petista pelo país.

DESLIZE – No início de fevereiro, um deslize de Lula sobre a alta no preço dos alimentos também foi muito explorado pela oposição. Em entrevista às rádios Metrópole e Sociedade, da Bahia, o petista afirmou que, se os brasileiros deixarem de adquirir os alimentos caros, os supermercados vão diminuir os preços. Na entrevista, Lula também sugeriu que os consumidores brasileiros substituam itens mais caros por produtos similares, com preços mais acessíveis.

Para melhorar a sua posição, Lula precisa ter cautela ao falar, sobretudo quando faz declarações sob o improviso. É necessário reverter o quadro de impopularidade que abala o governo se quiser continuar no cenário eleitoral em 2026.  

Para manter chance de se reeleger, Lula deve radicalizar sua agenda

Lula internado: presidente está acordado e conversando após procedimento,  dizem médicos - BBC News Brasil

Lula se surpreende com a reprovação de seu governo

Marcus André Melo
Folha

A forte queda na popularidade presidencial e na avaliação do governo Lula tem gerado controvérsias. Além do próprio presidente, muitos analistas culpam a inflação de alimentos como a principal causa. Tema que domina a agenda pública no momento. Quando a culpa é atribuída pelo primeiro mandatário da nação à “atravessadores”, significa que já atravessou o rubicão e arrisca radicalizar sua agenda.

Os analistas Felipe Nunes e Thomas Traumann identificaram fatores conjunturais e estruturais da queda da aprovação presidencial. Dentre os primeiros, a inflação de alimentos devido a questões climáticas, valorização do dólar, entre outros. Entre os fatores estruturais, um governo cuja única agenda é “refazer o que deu certo nos mandatos Lula 1 e 2, e que só entrega o que já é conhecido”, e “não gera a gratidão consequente do voto econômico”.

ATAQUE AOS JUROS – Mas o paradoxo principal permanece sem explicação por que, a despeito dos índices favoráveis — no emprego, rendimentos, IPCA—, a popularidade despenca?

Sim, aqui a inflação de alimentos é variável central, mas o céu não é de brigadeiro. O que está ausente das análises é a taxa de juros. Ao encarecer brutalmente o crédito, ela é fonte de insatisfação de consumidores de baixa e média renda, além de impactar um contingente inédito de famílias endividadas.

Não é à toa que o ataque político por parte do presidente contra o Bacen começou antes mesmo da posse. A terceirização da culpa era a antecipação dos efeitos da expansão de gastos da ordem de R$ 150 bilhões ainda na transição de governo.

TUDO AO CONTRÁRIO – A estratégia perseguida malogrou junto à população que se buscava atingir: os segmentos de baixa renda. O encarecimento do crédito não é percebido como ação do Bacen (ente desconhecido da população).

E tiveram efeito em sentido contrário ao perseguido, por gerar ampla incerteza econômica e minar a credibilidade do governo. A expansão fiscal criou emprego e renda no curto prazo mas acelerou o recrudescimento da inflação.

Outro fator ausente das análises são as eleições municipais de outubro. O péssimo desempenho do PT —que elegeu apenas 252 prefeituras ante 517 do PL— aponta, na realidade, para uma “descalcificação” política. A distribuição de investimentos locais pelo centrão garantiu sua hegemonia. Entretanto o mais importante é que o pleito teve efeito multiplicativo sobre a percepção da vulnerabilidade política de Lula —o grande ausente das eleições— e do PT.

ESCOLHA ERRADA – A ausência do presidente na política doméstica foi uma escolha estratégica pela qual o presidente buscava ser protagonista na agenda internacional, na agenda do clima e do combate a pobreza, ao mesmo tempo que delegava a política doméstica a um grupo de ex-governadores. A estratégia naufragou. O contexto eleitoral potencializou a percepção de malogro. Questões de saúde e idade se somam aqui.

Na faixa etária do eleitorado entre 25 e 34 anos ocorreu a maior queda percentual (39%!) na aprovação do governo, que caiu 9 pontos percentuais (de 23 para 14) (Datafolha). O governo é aprovado apenas por 1 em cada 7 respondentes. Percentuais um pouco menores (36%) estão nas faixas de 35 a 44, e 16 a 24. Estas faixas concentram 58% da população.

A última cartada de Lula para contrarrestar este quadro pode ser a radicalização da agenda.

Autorização para OEI atuar no Brasil foi ilegal e não tem a menor validade

Lula on X: "Hoje o maior ministro das Relações Exteriores que o Brasil já teve, e o melhor que eu poderia ter, completa 80 anos. Desejo um feliz aniversário, saúde e paz

Amorim e Lula pensaram (?) que a OEI tivesse sido licenciada

Carlos Newton

Como a Tribuna da Internet se tornou o único veículo de comunicação social a continuar publicando novas informações sobre corrupção em órgãos federais, praticadas em conluio com a Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI), é natural que novas denúncias estejam sendo apresentadas à TI.

Uma das acusações mais curiosas é de que a OEI, que se diz uma organização inter-governamental formada por 23 países, na verdade nem teria licença válida para funcionar no Brasil, porque a autorização que alega possuir é nula de pleno direito.

DENÚNCIA VERDADEIRA – Como sempre fazemos, checamos essa denúncia e comprovamos que é verdadeira. Para que o Brasil aceite se integrar a uma organização estrangeira, é competência exclusiva do presidente da República celebrar tratados, convenções e atos internacionais (inciso IV do artigo 84 da Constituição).

O mesmo artigo, que constou em todas as constituições anteriores, ressalva que o presidente não pode delegar essas atribuições a nenhuma outra autoridade. É exclusividade da função.

O trâmite burocrático funciona assim: o presidente assina o acordo, o Congresso examina se é procedente, e o chefe do governo então promulga, colocando-o em vigor.

NÃO HOUVE ACORDO – Na verdade, jamais houve acordo com a OEI assinado por qualquer presidente da República. Para justificar o “ingresso” do Brasil, a OEI cita um convênio assinado em 1957 na República Dominicana por Francisco Montojos para criação da Organização de Educação Ibero-americana.

Mas Montojos era apenas funcionário do MEC, não tinha poderes para assinar nada, e na época o  ministro da Educação era o professor Clóvis Salgado da Gama. Mesmo assim, a OEI afirma que o Brasil é “sócio-fundador” da organização.

Para conseguir montar seu esquema de corrupção no Brasil, 45 anos depois  a OEI requereu um “acordo de sede”, datado de 2002, que permitisse a instalação de um escritório em Brasília, mas esse convênio também não tem a menor validade, porque não foi assinado pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, mas pelo ministro da Educação, Paulo Renato Souza.

TRADUÇÃO SIMULTÂNEA – Portanto, o golpe da filiação do Brasil à OIE ocorreu da seguinte maneira. Em 2002, final de governo, o ministro Paulo Renato foi convidado para uma reunião de ministros  ibero-americanos e aceitou. Foi então convencido a assinar um “acordo de sede” para a OEI se instalar em Brasília.

É claro que Paulo Renato não poderia imaginar que fosse um golpe e que o Brasil jamais tivesse sido membro oficial da organização. Aliás, o próprio texto do “acordo de sede”  deixa bem claro que não havia acordo internacional anterior, assinado por qualquer presidente.

Na introdução está registrado que “considerando o REINGRESSO da República Federativa do Brasil na Organização dos Estados Ibero-americanos para a Educação a Ciência e a Cultura (OEI), durante a 67ª Reunião de seu Conselho Diretivo (…)”.

FALSO REINGRESSO – Justamente por não haver autorização anterior, os espanhóis da OEI falaram em “reingresso” do Brasil ao justificar o “acordo de sede”. Algo que nunca ocorreu, porque, se não houve ingresso, jamais poderia haver reingresso…

Lula e o chanceler Celso Amorim também caíram na esparrela. Em 2004 assinaram o Decreto 5.128, promulgando o irregular ‘acordo de sede”, e a OEI então pôde dar início ao esquema de corrupção no Brasil, que hoje é oficialmente “coordenado” pela primeira-dama Janja da Silva. 

DETALHE FINAL – Se o “acordo de sede” tivesse sido redigido pelo Ministério da Educação ou pelo Itamaraty, e não pelos espertalhões da OEI, o texto seria iniciado com a obrigatória citação do acordo internacional que algum presidente brasileiro teria assinado anteriormente com a tal organização. 

Além disso, o Brasil não poderia ser integrante, porque que a OEI era dedicada apenas a países de língua espanhola. Somente em 2002, na reunião presenciada por Paulo Renato, foi adotada também a língua portuguesa.

Todo esse imbroglio nos obriga a reconhecer que, em matéria de corrupção, a criatividade dos espanhóis da OEI realmente é extraordinária. No Direito Internacional, jamais houve golpes desse tipo. Eles merecem o Oscar de Efeitos Especiais.

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P.S. 1 – Inadvertidamente, o Congresso aprovou os acordos com a OEI de total nulidade, porque nenhum deles foi assinado pelo presidente da República. A validade é zero e a OEI precisa ser expulsa do país, antes de nos depenar totalmente, com a providencial “coordenação” de dona Janja. 

P.S. 2 – Quanto aos defensores da improbidade administrativa, que abraçam a tese de que a corrupção propicia desenvolvimento e defendem ardorosamente os espanhóis da OEI, com certeza são ruins da cabeça ou doentes do pé, como dizia o genial Dorival Caymmi, e dedico a eles toda a força de meu desprezo. Amanhã voltaremos com mais informações exclusivas sobre esse novo escândalo brasileiro. (C.N.)

Veto de Lula impede redução de R$ 12 bilhões por ano no custo da energia

Coprel | A Coprel Geração investe em PCHs para um futuro mais verde.

Minis e pequenas hidrelétricas, uma solução ecológica

Stéfanie Rigamonti
Folha

O veto do presidente Lula a um jabuti do projeto de lei das eólicas offshore que prevê a contratação de 8 GW (gigawatts) de energia de térmicas e pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) impede que o consumidor se beneficie com uma redução de R$ 12 bilhões por ano no custo da energia.

É o que mostra um estudo da Thymos, uma das mais conceituadas consultorias de energia do país. O levntamento foi encomendado pela Abragel (Associação Brasileira das Geradoras de Energia Limpa).

R$ 311 BILHÕES – “Os ganhos previstos ao longo dos 25 anos somam R$ 311 bilhões”, disse João Carlos de Oliveira Melo, sócio da Thymus.

Segundo ele, esse ganho ocorre porque o projeto permite a troca de 2 GW – de um total de 4,9 GW – gerados por PCHs e por mini-hidrelétricas, com capacidade de geração de até 50 MW (megawatts) cada. “Haveria um novo parque de usinas a ser construído, gerando cerca de 200 mil empregos.”

O presidente Lula gostaria de ter mais PCHs, mas não concorda com a construção de térmicas, que geram energia muito mais cara, especialmente em períodos de seca. Como o artigo da lei juntava ambas, não foi possível vetar somente uma das geradoras. A expectativa é que o veto seja derrubado pelo Congresso.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É inacreditável que o Brasil até hoje não tenha adotado uma política permanente para construção de mini-hidrelétricas, que o BNDES queria financiar quando era presidido pelo grande economista Carlos Lessa, que faz muita falta a esse país. (C.N.)

Prisão de líder dos protestos anti-Israel é a terceira versão de um filme antigo

Liberdade para ! | Revista Movimento

Mahmoud Khalil tem o green card, mas será deportado

Demétrio Magnoli
Folha

A prisão e ameaça de deportação de Mahmoud Khalil, um dos líderes dos protestos anti-Israel na Universidade Columbia, indica que Trump pretende produzir a terceira versão de um filme antigo. O “Pânico Vermelho” original desenrolou-se no rastro da Grande Guerra, sob o impacto da Revolução Russa e da radicalização do movimento trabalhista nos EUA. A versão seguinte foi o macarthismo, na primeira década da Guerra Fria. O filme serve para ampliar o poder estatal e acossar as liberdades públicas.

As manifestações estudantis anti-Israel de 2024 desempenharam papel instrumental no triunfo eleitoral de Trump. Na sua maioria, os participantes reagiam com horror aos bombardeios indiscriminados israelenses na Faixa de Gaza.

APOIO AO HAMAS – Suas lideranças, porém, ergueram bandeiras que ecoam a estratégia do Hamas. “Palestina livre do rio até o mar”, o lema perene, e imagens celebratórias dos atentados de 7 de outubro, descritos como “os palestinos voltando para casa”, somaram-se a atos pervasivos de intimidação contra estudantes e professores judeus.

O Partido Democrata foi visto como sócio do linguajar antissemita pois sua ala esquerda saudou os protestos universitários.

Segundo as vagas acusações do governo, Khalil teria conduzido atividades “alinhadas com o Hamas, uma organização designada como terrorista”. O “Pânico Vermelho, parte 3”, mira crimes de palavra, ignorando a Primeira Emenda da Constituição dos EUA.

DIFERENTE DO BRASIL – Os EUA não são o Brasil. Por aqui, um juiz do STF navega, com amparo de seus pares, em faixas cinzentas da lei para suprimir perfis de redes sociais acusados de “discursos de ódio”, “discursos antidemocráticos” ou “desinformação”.

Por lá, a Primeira Emenda assegura uma liberdade de expressão limitada apenas pelo chamado direito ao exercício da violência. Os lemas e imagens antissemitas utilizados na Colúmbia são abomináveis, mas estão cobertos pelo manto constitucional. Khalil não cometeu crime nenhum.

Tudo indica que, ao ordenar a prisão, o governo desconhecia o estatuto de Khalil, um palestino detentor de residência permanente (green card). Mesmo assim, Trump insiste na deportação:

DIZ TRUMP – “Prenderemos e deportaremos de nosso país esses simpatizantes do terrorismo —para nunca retornarem novamente!”. Enquanto isso, seu secretário de Estado, Marco Rubio, brandia uma interpretação extrema da Lei de Imigração e Nacionalidade pela qual Khalil seria deportável por ameaçar os “interesses de segurança nacional” dos EUA.

“É a primeira prisão de muitas a virem”, proclamou Trump. Na versão original do “Pânico Vermelho”, o jovem J. Edgar Hoover conduziu as deportações de centenas de ativistas do movimento operário que eram imigrantes com residência permanente.

Mais tarde, em 1952, já como diretor do FBI durante o macarthismo, Hoover obteve da Corte Suprema a autorização de deportação de três imigrantes residentes que tinham se filiado ao minúsculo Partido Comunista dos EUA.

SERVE DE ALERTA – A conexão entre xenofobia e perseguição ideológica não é novidade. O caso de Khalil foi desenhado para servir de alerta aos 13 milhões de detentores do green card, além de 1,5 milhão de professores e estudantes estrangeiros com vistos válidos: Trump ignora a Primeira Emenda.

“Pânico Vermelho, parte 3”, como seus predecessores, é um filme de propaganda —mas, no fim, o que está em jogo é a substância da democracia.

De Pedro II a Moraes, o esforço que o País faz para andar para trás

Musk dá um drible em Moraes e X volta a funcionar no Brasil - portal waffle

Moraes acha o celular um risco, mas Musk não concorda

J.R. Guzzo
Estadão

Talvez tenha sido uma sorte, para todos nós, que quando inventaram o telefone dom Pedro II era o imperador do Brasil. Como se conta na História, as mentes mais civilizadas da época achavam que a invenção de Graham Bell era uma geringonça sem utilidade para nada – mas Dom Pedro nunca esteve de acordo com essa avaliação, e trouxe para o Brasil, no ato, o que viria a ser uma das maiores conquistas tecnológicas da humanidade. Imaginem se, em vez dele, o imperador fosse o ministro Alexandre de Moraes. Não haveria telefone até hoje no Brasil.

De lá para cá, em matéria de tecnologia, o Brasil se especializou em correr no pelotão de trás – ali entre o médio e baixo Terceiro Mundo, sem infâmia e sem louvor. Salvo uma e outra coisa, como determinados tipos de avião e de motores elétricos, o resto do mundo nunca se interessou em comprar nada do que o Brasil chegou a produzir nos últimos séculos.

MUITOS MORAES – Nosso problema, hoje, é o grande esforço nacional em prol de andar para trás. Temos poucos Pedros II. Temos muitos Alexandres de Moraes.

O telefone foi descartado como uma bobagem – mas pelo menos ninguém achava que era perigoso. Não contavam, na época, com a astúcia do ministro Moraes. Se estivesse ativo 150 anos atrás, teria percebido o que ninguém, a começar por dom Pedro II, percebeu. O que parecia uma inocente invenção de professor Pardal acabaria se transformando, no futuro, numa ameaça fatal à democracia.

O problema, pelo que se deduz do que o ministro fala o tempo todo em seus sermões, não seria exatamente o telefone. Seria, como sempre, o ser humano e o seu vício incurável de utilizar os frutos do progresso para fins não previstos pelas autoridades – digamos, gente como Moraes.

NÃO PODE… – Quer dizer que agora, com essa tal de comunicação à distância, qualquer um vai poder falar o que bem entende, para quem quiser, onde estiver? Não pode.

Pior: a operação disso tudo estaria a cargo de empresas estrangeiras, já pensaram? A qualquer minuto do dia elas poderiam usar o seu controle sobre a rede telefônica para interferir na soberania nacional – e isso aqui não é casa da Maria Joana. Imaginem, então com os celulares, as redes sociais e os novos equipamentos da Starlink de Elon Musk, que não dependem das antenas de Moraes para manter as pessoas falando entre si.

Não é um caso de progresso, acha o ministro; é um caso de polícia. Comunicação tem de ser monopólio do “Estado”, como imprimir dinheiro e expedir passaporte. Pessoas que “não entendem” a liberdade de expressão não podem continuar mexendo com rede social; isso é hoje, junto com Musk, a maior ameaça para a democracia. Moraes fica doente com essas coisas. 

Cada vez mais acirrada, a polarização está travando a agenda do Congresso

2 Xadrez 02 01 2024

Charge reproduzida do Hoje.com

Caio Junqueira
CNN Brasil

Já se vai mais de um mês da troca do comando do Congresso Nacional sem que se veja nenhum resultado concreto positivo. O orçamento de 2025 ainda não foi votado. Comissões permanentes não foram instaladas. A agenda econômica parou.

E o único projeto aprovado foi um que dribla o Supremo Tribunal Federal na regulamentação das emendas, adiando ainda mais um ponto final neste assunto.

ACIRRAMENTO – Se algo andou, foi o acirramento interno da disputa política entre petistas e bolsonaristas, agravando ainda mais o quadro de paralisia em Brasília.

O cenário é ajudado por um governo nas cordas, sem cacife político e popularidade para reverter este quadro. E por um Judiciário focado em prender quanto antes a principal liderança da oposição no país.

É cada um por si e todos contra todos. E cada vez mais distantes da vida real da população.

“Por que afastar Bolsonaro das urnas? É medo de perder?”, questiona Tarcísio

Ato pelos presos e condenados no 8 de Janeiro: Tarcísio subiu tom em discurso pró-anistia

Tarcísio subiu o tom e deixou Bolsonaro emocionado

Heitor Mazzoco e Gabriel de Sousa
Estadão

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), subiu o tom durante manifestação bolsonarista no Rio de Janeiro, neste domingo, 16, e questionou o motivo de a Justiça brasileira tornar o ex-presidente inelegível. “Qual razão para afastar Jair Messias Bolsonaro das urnas? É medo de perder eleição, porque sabem que vão perder?”.

Tarcísio também falou da anistia de presos e condenados pelo 8 de Janeiro “A gente está aqui para pedir, lutar e mostrar que todos estamos juntos para exigir anistia daqueles inocentes que receberam penas desarrazoadas (…) Quero ver quem vai ter coragem de se opor (ao projeto da anistia)”, afirmou o chefe do Poder Executivo paulista, ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

INELEGÍVEL – Hoje, Bolsonaro só poderia voltar a disputar eleição presidencial em 2034. Isso porque, em junho de 2023, a o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) condenou Bolsonaro por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação, pela reunião com embaixadores em que ele atacou o sistema eleitoral do País, sem apresentar nenhuma prova.

Em outubro do mesmo ano, foi condenado mais uma vez, por abuso de poder político durante o feriado do 7 de Setembro em 2022, por usar a data para fazer campanha eleitoral, segundo o entendimento dos magistrados.

Bolsonaro diz que ‘por enquanto, é candidato’, elogia Tarcísio, mas afirma ter mais experiência.

LIBERDADE – Tarcísio também afirmou que a liberdade no País está em risco. De acordo com ele, “a liberdade é uma árvore que dá fruto e no dia que essa árvore morrer, os frutos vão embora. Vai embora o investimento, vai embora a segurança jurídica, vai embora a prosperidade e vai embora a própria democracia”.

Mais cedo, o líder do PL, Sostenes Cavalcante, afirmou que pedirá urgência na tramitação da proposta que perdoa os crimes pelos quais os presos e condenados pelo 8 de Janeiro respondem no Supremo Tribunal Federal (STF).

“Estou assumindo compromisso com vocês. Nesta semana, na reunião de colégio de líderes, vamos dar entrada com 92 deputados do PL e de outros partidos, para podermos pedir urgência do projeto da anistia para entrar na pauta na semana que vem”, afirmou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Comprem pipocas, porque haverá momentos de grande emoção. Se for colocada em pauta, a anistia será rapidamente aprovada. (C.N.)

Em ato em Copacabana, Bolsonaro pede anistia para os condenados do 8/1

Bolsonaro faz ato em Copacabana por anistia a envolvidos no 8/1 | Metrópoles

Realmente, o número de manifestantes foi impressionante

Deu no g1

Apoiadores de Jair Bolsonaro participaram de um ato em Copacabana, Zona Sul do Rio, na manhã deste domingo (16), convocado pelo ex-presidente. A manifestação pediu a anistia dos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro em Brasília, o maior ataque às instituições da República desde que o Brasil voltou a ser uma democracia.

Além do ex-presidente, participaram do ato o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, o de São Paulo, Tarcísio Freitas, o de Santa Catarina , Jorginho Mello, e o de Mato Grosso, Mauro Mendes.

OUTROS PARTICIPANTES – Também marcaram presença os senadores Flávio Bolsonaro e Magno Malta, o presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, a vice-presidente do PL, Priscila Costa, o deputado federal Nicolas Ferreira, o pastor Silas Malafaia, coordenador do evento, entre outros.

Veja imagens do ato de Bolsonaro em Copacabana, no Rio

Bolsonaro pediu que Congresso aprove anistia

Por volta das 11h30, o ex-presidente Bolsonaro começou a discursar e pediu anistia para os presos pelos atos golpistas, criticou a gestão do presidente Lula, fazendo comparações com o seu governo.

“Eu jamais esperava um dia estar lutando por anistia de pessoas de bem, de pessoas que não cometeram nenhum ato de maldade, que não tinham intenção, e nem poder pra fazer aquilo que estão sendo acusados”, disse o ex-presidente. Ele mencionou o nome de algumas das mulheres condenadas e questionou os crimes imputados a elas. “Quem foi a liderança dessas pessoas? Não tiveram. Foram atraídas para uma armadilha.”

GOVERNADOR APOIA – Em discurso, o governador Cláudio Castro afirmou que “esse governo que tá aí tem usado pessoas inocentes presas como forma de deixar militância unida”. Ele se voltou aos manifestantes e perguntou quem era do Rio de Janeiro e quem tinha ido de graça até ali.

“Presidente, esse povo veio de graça para pedir anistia já. O Rio de Janeiro clama ao Brasil: “Anistia, anistia!”

A manifestação interdita o trecho da Avenida Atlântica entre as ruas Barão de Ipanema e Xavier da Silveira. O protesto acontece uma semana antes de o Supremo Tribunal Federal julgar denúncia da Procuradoria-Geral da República que pode tornar Bolsonaro réu.

BOTAR PRESSÃO – O ato é visto como uma tentativa de pressionar o Congresso para que o projeto de anistia seja aprovado na Câmara e no Senado. No carro de som, os manifestantes também pediram a saída do presidente Lula e a volta de Jair Bolsonaro ao poder. O ex-presidente foi condenado em 2 processos na justiça eleitoral e está inelegível até 2030.

Os manifestantes vestiam, em sua maioria, camisas amarelas e exibiam cartazes pedindo Anistia para os envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro.

Até o momento, 481 pessoas foram condenadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento no ato. Dessas, 255 tiveram suas ações classificadas como graves. Apenas oito dos investigados foram absolvidos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
As imagens das TVs mostraram que Bolsonaro conseguiu reunir um número enorme de pessoas com camisas amarelas. Realmente impressionante. Mas o Supremo não se deixa influenciar pelo povo. Como dizia a ministra da Fazenda, Zelia Cardoso de Melo, no governo Collor, o povo é só mais um detalhe. (C. N.)

O comovente lamento do sertanejo, na visão de Gil e Dominguinhos

Tenho Sede” and “Lamento Sertanejo” – Lyrical Brazil

Dominguinhos e Gil, dois mestres da MPB

Paulo Peres
Poemas & Canções

O político, escritor, cantor e compositor baiano Gilberto Passos Gil Moreira, conhecido como Gilberto Gil, e seu parceiro Dominguinhos (José Domingos de Morais 1941-2013) fizeram a letra de “Lamento Sertanejo”, inspirada na vida de tantos que partem do interior do país à procura de oportunidades melhores e, ao chegarem na cidade grande, deparam-se com uma realidade bem diferente daquela conhecida em suas vidas. A música foi gravada por Gilberto Gil no LP Refazenda, em 1975, pela Warner.

LAMENTO SERTANEJO
Dominguinhos e Gilberto Gil

Por ser de lá
Do sertão, lá do cerrado
Lá do interior do mato
Da caatinga e do roçado

Eu quase não saio
Eu quase não tenho amigo
Eu quase que não consigo
Ficar na cidade
Sem viver contrariado

Por ser de lá
Na certa, por isso mesmo
Não gosto de cama mole
Não sei comer sem torresmo

Eu quase não falo
Eu quase não sei de nada
Sou como rês desgarrada
Nessa multidão, boiada
caminhando a esmo

Bolsonaro quer apoio do partido Republicanos, que prefere adiar a anistia

Base de Lula é gelatinosa e não faremos parte' | Política | Valor Econômico

Marcos Pereira avisa que não é hora de votar a anistia

Bela Megale
O Globo

No périplo de Jair Bolsonaro junto a presidentes de partidos para aprovar o projeto da anistia aos envolvidos no 8 de janeiro, falta apenas o encontro com o presidente do Republicanos, deputado Marcos Pereira (SP).

Há a possibilidade de que a agenda entre ambos ocorra na semana que vem, mas Marcos Pereira já sinalizou a aliados sua posição sobre o tema, a qual não deve agradar Bolsonaro.

APÓS OS JULGAMENTOS – O presidente do Republicanos tem afirmado que, como jurista, avalia que a anistia não pode ser aprovada antes que todas as ações sobre os atos golpistas do 8 de janeiro sejam analisadas e finalizadas.

Até porque isso abre espaço para que partidos contrários à anistia judicializem a medida no Supremo Tribunal Federal (STF), que acabará decidindo sobre o destino final dos condenados pelos ataques aos prédios dos Três Poderes.

Marcos Pereira tem ponderado, no entanto, que considera as penas, que chegam a 17 anos de prisão, elevadas demais.

LÍDER CONFIANTE – O líder da legenda na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), diz já ter votos suficientes para aprovar a anistia e que espera só o posicionamento do Republicanos.

Os deputados do partido, porém, ainda não debateram o tema. Como informou o colunista Lauro Jardim, são necessários 257 votos.

Pelas contas dos bolsonaristas, com o apoio do Republicanos “o sim” à anistia teria cerca de 290 votos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Desculpem a intromissão, mas a matéria tem alguns erros. Como se trata de projeto de lei, a anistia é muito fácil ser aprovada. Para abrir a votação, é preciso haver quórum de maioria absoluta (metade mais um), ou seja, 257 presentes. O presidente da Câmara então pode abrir a votação, e o projeto é tido como aprovado se conseguir apoio da maioria simples, ou seja, apenas 129 votos. É por isso que avaliamos aqui na Tribuna da Imprensa que a anistia está mais do que aprovada. Inclusive, o novo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) é a favor. Quanto a Sóstenes Cavalcante, autor do projeto, ele é líder do PL e não do Republicanos. (C.N.)

A necessária garantia das conquistas democráticas das últimas quatro décadas